15 de set de 2008

EU CONHEÇO BEM A SUA EMPRESA

ABRAHAM SHAPIRO

Nunca estive na sua empresa, mas sei que lá existem três tipos diferentes de funcionários. Eles são: os engajados, os não engajados e os funcionários ativamente desengajados.

Serei mais claro.

Os engajados são aqueles funcionários que cooperam com a causa da empresa – trabalham com paixão e sentimento de conexão profunda. Eles são a locomotiva.

Os não engajados são essencialmente os "desconectados", isto é, desconectados em sua essência, interiormente. Difícil identificá-los. São os sonâmbulos – que deixam sempre a impressão de que trabalham, movimentam coisas e até produzem, mas sem energia e sem paixão.

Os mais problemáticos são os ativamente desengajados. Não são apenas desconectados. Causam muito mais danos que isso. Ocupam-se em propagar suas infelicidades e insatisfações. Todos os dias esses trabalhadores minam o que seus colegas engajados realizam.

Os números. Funcionários engajados são aproximadamente 30% dos recursos humanos. Não engajados, cerca de 55%. Os ativamente desengajados: 15%. Não sou eu quem diz. É o Instituto Gallup de pesquisas.

NA PRÁTICA

O trabalho de um líder não é brincadeira. Lidar com um time tão variado exige mais do que se pensa. O livro "O Monge e o Executivo" – que não li – recomenda uma ação no mínimo interessante para situações de funcionários com diferenças tão depreciativas para a empresa. Segundo o livro, para se ter uma equipe sempre motivada, basta descobrir quem são os desmotivados e eliminá-los.

Parece simples. Mas é preciso um grande cuidado. Eficiência não se julga subjetivamente. Deve-se partir de métricas objetivas.

Determine parâmetros com que você terá uma permanente radiografia do desempenho do pessoal. Equipe de vendas, por exemplo – uma boa métrica pode ser "número de vendas por quilômetro rodado"; ou "número de visitas a clientes ao longo da semana". A criatividade irá depender de números disponíveis medidos freqüentemente e corretos.

Utilize estes números como assunto nas conversas individuais que você tem com eles. Se você não mantém conversas em particular com os membros de sua equipe, é hora de começar. Este é o momento mágico em que o líder usa de clareza para orientar e alinhar idéias. É nesta hora que o "norte é apontado com o dedo". A compreensão e a confiança se multiplicam. E também as chances de acerto. Vi pessoas prontas para a demissão se converterem em comprometidas mediante esclarecimento individual. É mais fácil se abrir em particular.

Na prática, há duas regras simples: se você descobre que um colaborador não consegue fazer alguma coisa, isto indica falta de treinamento. Treine e restabeleça o objetivo. Mas se o funcionário demonstra que não quer fazer alguma coisa, isto já é questão de atitude. Neste caso, repreenda. Mostre as regras e exija enquadramento. Não havendo mudança, corte.

Uma coisa é certa – você já sabe, mas é bom recordar: se no trabalho a pessoa faz o que gosta, ela continuará a trabalhar bem. Pouco importa se alguém nota ou lhe dá apenas uma palmadinha nas costas.

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Abraham Shapiro é consultor e coach. Suas principais atuações são junto de líderes empresariais e times de vendas. Contato: shapiro@shapiro.com.br