ABRAHAM SHAPIRO
Se acontecesse um incêndio na casa de um indivíduo devido a problemas na instalação elétrica e ele se contentasse em somente apagar o fogo, qualquer um é capaz de predizer que um novo acidente aconteceria a qualquer momento. Todo esforço em eliminar as chamas seria em vão enquanto uma nova instalação não fosse providenciada.
As pessoas gastam um tempo enorme na solução de problemas e pouco se preocupam com mais importante: as causas. Observo gerentes que não estão atentos ao princípio de que não basta resolver uma situação problemática; é preciso fazer algo que garanta que ela não se repetirá. Por isso, reconhecer as causas reais de um problema é superior a sua solução.
O conceito fundamental de problema é um conhecimento que precisa estabelecer-se de modo muito convincente em seu acervo pessoal e profissional. Vamos a ele. Há um problema somente quando existe uma diferença entre o que está acontecendo e o que se esperava que estivesse acontecendo.
Para a busca da causa, é recomendável que sejam evitadas afirmações generalizadas e imprecisas, do tipo: "A venda de nosso produto principal despencou nos últimos meses". Seja específico: “A queda na venda de nosso produto principal foi de 20% nos últimos seis meses no sudeste brasileiro”.
O que mais ajudará a atingir esse estado é a coleção de dados estatísticos, datas, valores e outros dados de modo tal que você tenha em mãos os reais indicadores relacionados ao problema. Isso é que abre a possibilidade de avaliar a situação com maior fundamentação.
Há perguntas importantes a serem feitas. Algumas delas são:
Qual é o problema em si? Descreva a situação problemática com o máximo de detalhes possível.
Como está ocorrendo? Tente entender todas as condições em que o problema ocorre
O que o está causando? É preciso avaliar os agentes que geram o problema
Quem está envolvido? Há pessoas cujas práticas ou procedimentos fazem parte do problema?
Por que ele ocorre? Se é um problema, há uma razão por que esteja ocorrendo?
Quando ocorre? Em quais circunstâncias temporais o problema acontece, desde quando o problema ocorre?
Onde ocorre? Em qual área, departamento, setor etc.
Quanto está envolvido? Quais as implicações quantitativas do problema; em que medida, quanto está custando em dinheiro, esforço, desgastes, intensidade, qualidade
Por outro lado, não despreze o conhecimento do que o problema NÃO É. Isso importa tanto quanto saber o que ele é e permite delimitar a área de busca de soluções. Para isso, é conveniente que se façam algumas perguntas:
O que o problema não é?
Onde ele não ocorreu? Por quê?
Quem não está envolvido? Ele deveria estar ou não envolvido? Por quê?
Quando não ocorreu? Por quê?
Atente para um ponto conceitual. Não confunda causa com sintoma. "Vinte por cento de queda nas vendas" é um indicativo de que algo anda mal. No entanto, isso não é a causa. É um sintoma que está alertando a respeito da existência de um problema.
Uma metáfora para ajudar estar compreensão seria uma pessoa sentindo dor de barriga Isso não é causa, mas sintoma. Algumas das prováveis causas serão: gastrite, intoxicação, exageros nas refeições, nervosismo ou até mesmo uma doença mais grave como câncer no intestino etc. A causa real será descoberta somando-se o sintoma a todas as análises possíveis.
Muito bem. Após a identificação da causa mais provável do problema que se está analisando, é chegado o momento de sugerir alternativas para resolvê-lo. Nesta hora, valem habilidades, competências e capacitação.
Se o problema é 20% de quedas nas vendas, a alternativa proposta poderá ser a visita ao distribuidor e aos principais clientes. Pode haver outras alternativas consideráveis como: investir no treinamento da equipe de vendas, melhorar a posiçào dos representantes regionais, otimizar a logística etc.
Raramente existe uma única maneira de solucionar um problema. A verdade é que quanto mais complexo ele é, mais alternativas devem ser engenhadas para possibilitar escolhas ótimas.
É conveniente examinar cada uma das alternativas aprovadas e proceder a uma análise de custo-benefício dos fatores envolvidos, como: pessoas, dinheiro, tempo, espaço e material.
Pessoal: Há pessoal suficiente para isso? Está disponível? Tem capacidade desenvolvida? Necessita de treinamento? Há necessidade de recrutar pessoal externo? Pode-se terceirizar parcial ou totalmente as atividades? Podemos nos associar a alguém?
Dinheiro: Quanto custa esta alternativa? Há recursos financeiros suficientes? Pode ser financiada?
Tempo: Quanto tempo levará a implantação desta alternativa? Podemos dispor desse tempo? É urgente?
Espaço: Há espaço suficiente para desenvolver esta alternativa? O layout é adequado? Pode-se alugar? Pode-se terceirizar?
Material: Há material suficiente? É possível adquiri-lo rápido ou facilmente? Quem são os fornecedores? Precisamos desenvolver algum material específico?
A alternativa a ser aprovada é aquela que representar a melhor relação custo-benefício.
Para que sua decisão tenha ainda maior grau de acerto, é conveniente fazer perguntas a pessoas não envolvidas no problema mas com conhecimento do assunto. Falo, por exemplo, de um chefe, de colegas de trabalho, amigos. O objetivo é averiguar o que acham de sua decisão.
Quando a seriedade do problema é alta, não vacile em buscar a opinião de especialistas, tais como um advogado, um contador, consultor ou profissional do ramo. As sugestões que derem certamente ajudarão a trazer luz para o entendimento do problema e auxiliará a tomada da decisão mais apropriada.
Lembre-se de que a decisão final deve ser sua. Portanto, cuide-se para não abdicar e nem delegar essa prerrogativa a ninguém.
Recordando outro conceito básico, existem dois tipos de decisões: as proativas e as reativas. As decisões reativas, como o nome já indica, são aquelas tomadas como reação a um problema que surge repentinamente, como uma máquina que quebrou, o cliente que exige providências imediatas, a peça que faltou etc. Elas exigem providências urgentes e são resultado, quase sempre, da falta de planejamento e de providências tomadas antecipadamente.
As decisões proativas, por outro lado, caracterizam-se por ser resultado de planejamento e ação preventiva. As decisões podem, assim, ser tomadas antes que o problema surja, antecipando-se ao aparecimento de um obstáculo, economizando tempo, esforço e dinheiro. Alguns tipos de decisões proativas são: planejamento estratégico, manutenção preventiva, adoção de novas tecnologias (informática, telecomunicações etc.), treinamento e desenvolvimento de pessoal, pesquisa de clima organizacional, pesquisa de mercado, racionalização estrutural e administrativa etc.
Quanto mais decisões proativas um executivo toma, menos ações reativas são necessárias, já que a situação estará sanada antes que o problema desponte.
Acima de tudo, saiba que pessoas bem preparadas para o desempenho de suas funções causam menos problemas do que as despreparadas. Portanto, não perca a oportunidade de avaliar a relação entre a ocorrência de problemas com a necessidade de aperfeiçoamento técnico, profissional ou comportamental dos envolvidos. Assim como na vida a culpa pode desempenhar uma boa orientação para o arrependimento e a retificação pessoal, os problemas no ambiente empresarial poderão servir como um bom indicativo para se atingir a excelência da qualidade.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473