24 de mai de 2008

QUESTIONAR É BOM PARA A SAÚDE

ABRAHAM SHAPIRO

Uma pergunta ruim vale mais do que uma boa resposta. Questionar é superior a responder, pois, resulta na continuidade do pensamento e da investigação, enquanto que uma resposta pode interromper o processo.

Sempre que uma pessoa responde a uma pergunta diretamente, demonstra que aceitou as premissas sobre as quais ela foi elaborada. Isto não ocorre com quem questiona.

Indivíduos e instituições precisam fazer perguntas e estimular os outros a isto. Em muitas circunstâncias, o fracasso advém da ausência delas.

Nossa sociedade não incentiva o questionamento. Algumas religiões não o encorajam - julgam ser um risco à fé. As pessoas não são motivadas a levantarem questões sobre a vida, o trabalho, as escolhas individuais etc.

O aluno é mal visto pelos colegas quando faz perguntas ao professor. Jogam bolinhas de papel nele. Fazer perguntas é um incômodo social ou mal-educado. Portanto, um dos hábitos mais comuns por aqui é fingir conhecimento. Só os corajosos dizem: "Desculpe. O que isso quer dizer?"

Quem questiona sobre os problemas, descobre suas causas. Quem questiona sobre os atalhos, não cai em armadilhas. Um erro questionado hoje, facilita a superação de crises amanhã. Questionar e aprender são complementares.

Cada dia mais, as transformações a que o mundo e as pessoas estão passando exigem melhores habilidades de questionamento. Antes, os executivos administravam hierarquias organizadas, os mercados evoluíam lentamente e os funcionários seguiam um plano específico de carreira. Hoje, tudo mudou. Cada funcionário, por exemplo, tem diante de si um número assustador de opções para sua carreira.

O sucesso nunca dependeu tanto de fazer perguntas como agora. E a qualidade dessas perguntas faz toda a diferença.

“Qual é minha meta?”; “O que me faz verdadeiramente feliz?”; “Quais são os meus sonhos, minhas ambições secretas?”; “O que é mais importante: ser feliz ou ser rico?”; “Como me sinto com respeito a Deus?”; “Qual é o significado da minha existência?”; “O que significa o resto da humanidade para mim?”; “O que é o bem? E o mal?”; “Eu exerço o livre arbítrio?”; “Por que há pessoas que nunca se entristecem?”

Muita gente passa pela vida supondo sobre o que são, quem são e o que precisam. Casam-se sem jamais ter buscado um conceito sobre casamento. Escolhem uma profissão ou entram em negócios sem nunca questionar pessoas que o fizeram antes. “Para quê estou vivendo?” pode ser confuso e desnecessário no instante em que tudo vai bem. Mas é a chave para uma vida significativa quando chegam os apertos e as dificuldades.

Quem não faz perguntas, está em risco. Hoje compreendo claramente esta realidade e consigo entender, afinal, que tio Abner estava certo quando dizia: “Deves tomar cuidado quando estás diante de um bode, atrás de uma mula, ou a qualquer lado de um tolo que tudo aceita sem nada perguntar.

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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473