4 de jul de 2011

FIRMEZA ESTÚPIDA

Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 04/07/2011, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos

ABRAHAM SHAPIRO

Perseverantes? Obstinados? Teimosos? O que de fato somos em nossas convicções?

Lembro-me do Felipão, técnico da seleção brasileira. Apesar das pressões da mídia e de quase toda a população a que convocasse Romário para o time, não cedeu em momento algum. Mas trouxe a Copa. Fez do Brasil pentacampeão.

Antes da conquista, chamavam-no de chucro, teimoso e doido. Após a Copa, os detratores de antes o veneravam como ser sagrado. Qual seria o fim da história se o Brasil perdesse? O resultado mudou a visão de todos.

Fatos similares estão na biografia dos grandes gênios, artistas e líderes. Thomas Edison, o inventor, tinha o desejo de iluminar o mundo. Foi chamado de maluco. Para inventar a lâmpada fez tantas tentativas malsucedidas que seu caso tornou-se menção honrosa em todas as palestras de motivação que se fazem debaixo do sol. É porque ele conseguiu.

Perseverante? Teimoso? Qual a diferença?

Perseverante é quem procura conservar-se constante e firme, sem mudar de intento, movido por uma convicção lógica e provável. O teimoso também insiste. Mas em vez de convicção, ele mantém uma birra. A linha de separação é fina demais.

Existe um momento em que podemos deixar de ser perseverantes e passarmos a teimosos. Dependerá da “jornada” até o resultado. O teimoso persiste em erros. Ele terá justificativas para manter-se neles ainda que tragam prejuízos. Ele crê em si, e só em si. Ele resiste às evidências de seus equívocos porque habita no território das ilusões.

Uma ilustração. Dois homens sentados em um morro assistem ao pôr do sol no horizonte quando de repente veem um animal a certa distância. Sem saberem exatamente que bicho é, um deles vira-se e diz: “Veja que urubu imponente!” O outro, contrapondo-se, diz: "Está louco? Não é um urubu. É um coelho".

Após discussão em que cada um defende sua tese, os dois têm uma ideia que acabará definitivamente com a discórdia: dar um tiro para o alto. Se o animal voar, trata-se de um urubu; se correr, será um coelho. O primeiro toma a iniciativa e dispara a arma. O animal sai voando.

Sentindo-se vitorioso, volta-se para o amigo e pergunta: “E então? O que diz agora?” E o outro, surpreso, responde: “Incrível! É a primeira vez que vejo um coelho voar!!!”

Moral: Prova alguma e ciência nenhuma mudarão a opinião do teimoso.

Com você, caro leitor ou leitora, partilho uma das lições que orientam minha vida: “A mente é como um paraquedas: só funciona se abrir”.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473