17 de jan. de 2011

ONDE BUSCAR CRESCIMENTO EM UM CLIMA DE INCERTEZA?

Sage Newman

Para empresas, oportunidades de crescimento em 2011 parecem estar por toda parte e, ao mesmo tempo, em lugar nenhum. Embora oficialmente encerrada, a recessão ainda assombra boa parte do mundo. Iniciativas de governos e tendências econômicas contraditórias deixam o retrato ainda mais confuso: enquanto no Brasil há planos de gastar, a Austrália faz cortes. Entre Estados Unidos e China, cresce a tensão comercial. Ao manter os juros baixos, a Indonésia flerta com a inflação.

Em mercados emergentes como a Índia, o crescimento econômico é forte, o que dá esperança para multinacionais de olho na expansão. Em quase todo país, no entanto, fatores negativos disputam com positivos, em parte porque cada país tem sua maneira de administrar a crise. Está estimulando a economia? Atraindo investimento estrangeiro direto? Impondo austeridade?

É preciso saber ordenar esse caos e evitar ciladas. Apresentamos aqui um guia — baseado numa somatória de fatores políticos e macroeconômicos — para a empresa determinar onde há probabilidade de crescimento, que governos estão incentivando ou obstruindo o investimento estrangeiro e que setores nesses países oferecem as maiores oportunidades.

Com base em análises políticas da consultoria Eurasia Group e em dados econômicos de fontes como o Fundo Monetário Internacional, avaliamos vários países em dois quesitos: situação macroeconômica (que afeta aspectos como nível de consumo, conflitos trabalhistas e estabilidade cambial) e política em relação a investimentos estrangeiros (que afeta o acesso de multinacionais a oportunidades). Distribuímos os países num gráfico dividido em quatro grupos — do menos ao mais arriscado. Embora outros fatores também pesem para multinacionais, fechamos o foco nessas duas áreas por serem influenciadas por decisões políticas que, além de difíceis de entender, podem mudar inesperadamente.

Certos resultados são surpreendentes. Com sua estabilidade e transparência, o Chile sai à frente do Brasil, eterno favorito do investimento. A China tem um ambiente de investimento mais favorável do que a Índia, mas esse vão deve encolher à medida que o governo indiano for promovendo uma série de mudanças em políticas.






Como calculamos a pontuação

Para avaliarmos a situação macroeconômica de um país, usamos dados relacionados a condições econômicas, incluindo crescimento do PIB, inflação, volatilidade cambial, equilíbrio do orçamento do Estado, saldo em conta corrente e reservas cambiais. Na avaliação do ambiente regulamentar do país, utilizamos dados e análises políticas da Eurasia Group. Para determinar se o ambiente político e regulatório era favorável ao investimento estrangeiro, avaliamos até que ponto políticas (como regulamentação) e práticas (como corrupção) do Estado inibem a atividade econômica. Tanto para condições macroeconômicas como para o ambiente regulamentar, usamos uma escala de 1 a 10 — na qual 1 re­pre­senta o maior grau de risco e 10, o menor.

 Vejamos um exemplo. Uma análise da situação macroeconômica da Espanha revela deterioração em várias variáveis no último ano. A taxa de desemprego, por exemplo, subiu de 18% em 2009 para estimados 19,9% em 2010. A volatilidade cambial do euro também aumentou nesse período, o que reduziu a estabilidade do cenário macroeconômico. Além disso, o crescimento real do PIB na Espanha é lento em comparação com o de outros países: o FMI calcula que a economia espanhola contraiu 0,3% em 2010 e crescerá apenas 0,7% em 2011. Políticas do governo espanhol não contribuíram para a situação macroeconômica: em janeiro de 2010, o governo adotou medidas de austeridade que incluíram a redução de salários no setor público, o aumento do imposto sobre valor agregado e a tributação maior de altos salários. Embora feitas para acalmar quem investe em títulos públicos, essas medidas refreiam a demanda de consumo; ao mesmo tempo, cortes de despesas impedem que gastos públicos subam para compensar a queda na demanda. Logo, a avaliação macroeconômica da Espanha piorou no ano passado. Uma série de indicadores de mercado confirma a deterioração no quadro macroeconômico espanhol, incluindo a retração de 5,3% no mercado de ações do país e o aumento de 16% no rendimento de títulos do governo em relação a outubro de 2010.

Abaixo, o leitor vai conferir uma seleção de mercados emergentes e desenvolvidos onde há potencial para mudanças em políticas ou onde nossa avaliação pode estar em desacordo com a opinião corrente.









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Sage Newman é diretor associado de serviços de consultoria empresarial da Eurasia Group, firma de pesquisa e consultoria especializada em riscos políticos. Courtney Rickert é analista da Eurasia e Ross D. Schaap é diretor de análise comparativa na consultoria.