3 de jan. de 2011

GESTÃO DA CONFIANÇA

Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 03/01/2011, na coluna Profissão Atitude, em Empregos e Concursos

ABRAHAM SHAPIRO

Confiança é um tema importante da vida corporativa. Quem não conhece um gerente em quem os funcionários não confiam por não acreditarem que vá lutar por eles? Isto não ocorre porque este gerente seja mau. Uma das possibilidades é ele ser excessivamente centrado em si mesmo. Talvez ele não tenha mostrado preocupação alguma com os interesses dos outros, porém, grande com os seus interesses próprios.

O bom é saber que existem os que vivem e exibem preocupação benevolente com sua equipe, sem deixar de realizar grandes resultados para a empresa. Eles conquistam a confiança e a lealdade de seu time – o que se converte em empenho e boa performance como resposta.

Aaron Feuerstein, ex-presidente da Malden Mills, é o extremo exemplo desta situação. Em 1995, um incêndio destruiu sua usina têxtil na cidade de Lawrence, Massachusetts, nos Estados Unidos. A empresa tinha 3.000 funcionários.

Feuerstein poderia ter usado o dinheiro do seguro e transferido a produção para o exterior. Ou então, já com 70 anos, ter-se aposentado. Mas não foi esta sua opção. Prometeu aos operários que reergueria a fábrica e salvaria seus empregos. Assim, manteve todos na folha de pagamento com cem por cento dos benefícios intactos.

Ao ir contra as práticas comerciais de praxe, especialmente num momento em que a maioria das empresas fazia redução de mão de obra, ele conseguiu projeção mundial declarando que não poderia ter tomado outro curso de ação devido a seus estudos do Talmude e da Bíblia.

Sua declaração a uma revista da época foi intrigante. Ele disse: "Eu tenho uma responsabilidade tanto para com o trabalhador de colarinho azul quanto com o de colarinho branco; e igual responsabilidade para com a comunidade. Seria injusto colocar três mil pessoas na rua e dar um golpe mortal na cidade de Lawrence. No papel, nossa empresa talvez seja inútil para Wall Street. Mas posso assegurar que ela é a que mais vale para todas estas pessoas".

A preocupação de Feuerstein com seus funcionários, apesar do custo, conquistou a confiança de todos eles. Infelizmente, o líder perdeu a confiança dos bancos, que preferiam que a maior parcela de preocupação fosse dirigida a eles. A dívida resultante acabou levando a empresa à concordata e mudando de mãos.

Isso ilustra um desafio real na gestão da confiança, isto é: “Como equilibrar interesses diversos, e às vezes até conflitantes?”

O caso Feurstein pode parecer paradoxal para uns. Ou loucura para muitos. Mas é um modelo ímpar, desses que um entre milhões seja número grande demais. No entanto, como é bom saber que existe gente coerente a esse ponto num mundo de tanta corrupção e maldades!
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473