24 de jan. de 2011

ANTIPATIA: A VISÃO DE SI MESMO NO OUTRO



Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 24/01/2011, na coluna Profissão Atitude, em Empregos e Concursos


ABRAHAM SHAPIRO

“O que foi que eu fiz para essa criatura agir assim comigo?” Foi com esta pergunta que a funcionária me abordou a respeito de sua nova chefe. E acrescentou: “Nunca a vi antes, mas sei que não gosta de mim;... e nem eu dela!”

Antipatia gratuita incomoda. Muito mais quando se trata de alguém com quem vamos trabalhar.

É difícil encarar nosso lado obscuro. Todos nós temos um modo de ser e de reagir que não nos agrada, e por isso negamos. Queremos escondê-lo dos demais e até de nós mesmos. Aí estão impulsos, predisposições e atuações mal vistas pelo grupo social a que pertencemos.

Quando encontramos alguém que tenha atributos semelhantes, sentimos um desconforto, e de pronto o repelimos. Começa com uma sensação de ameaça, seguida de medo e perda da nossa espontaneidade. Temos receio de ser descobertos, julgados e criticados. Mas o que fazemos depois? Exatamente o que temíamos que acontecesse conosco: julgamos e criticamos o outro. Sim, ele é a nossa cara. E já que sabemos disso, nós o rejeitamos para disfarçar a insatisfação de termos encontrado alguém tão parecido com o que temos de pior.

Há uma saída positiva para isso. Mas ela só se aplica a pessoas conscientes e desejosas de superação. Trata-se de usar todo este colapso de antipatia como meio para promover uma limpeza ou reciclagem do lixo de nossa própria personalidade.

O primeiro passo é mirar naquilo que você mais tiver detestado no outro. É quase 100% de certeza que isso está em você também. Agora, questione-se: “Que sentimentos estou tendo em relação a esta pessoa? Do que foi que não gostei nela?” A resposta terá muito a ver com o que você precisa encarar em si, e trabalhar para vencer.

No começo poderá ser complicado. Exige sinceridade. Porém a realidade vem à tona.

Cuide muito de sentimentos como a inveja. Ela é algo que quase todo mundo sente, mas nega. Por isso, torna o processo de identificação de pontos negativos muito difícil. Fuja igualmente do ciúme e do orgulho. Eles também escurecem a visão de quem sente antipatia gratuita.

A repulsão entre pessoas semelhantes é um fato corriqueiro nos relacionamentos. Mas é antes de tudo uma oportunidade de refinar a educação e amadurecer. O comportamento ideal estará acontecendo quando você for capaz de dizer conscientemente: “Conheci uma pessoa que é a minha cara. É claro que não gostei dela no primeiro momento, mas já fiz ótimos progressos e somos agora bons colegas de trabalho”.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473