11 de jan. de 2011

É POSSÍVEL PECHINCHAR - ESPECIAL DO FANTÁSTICO


Ao comprar em uma loja e até para negociar desconto em serviços por telefone, é preciso paciência. Segundo os pechinchadores, o essencial é não demonstrar que você quer muito aquele produto.


Janeiro é mês de liquidação total! Mas mesmo com os preços mais baixos, dá pra baixar ainda mais. Nós fomos às ruas e conseguimos descontos fantásticos!

Consegue resistir a uma liquidação? Faça o teste e descubra se você é consumista!

Pechinchar é uma arte. Em uma feira, o povo se esbalda.

“Pechincho mesmo”, admite uma mulher.

Mas tem gente que não leva o menor jeito.

“Sou tímida”, reconhece uma mulher.


O Fantástico resolveu fazer o teste da pechincha. Cleiciane topou. Nossa equipe ficou gravando de longe para não atrapalhar as negociações.

Cleiciane: Mas à vista não tem desconto?
Vendedora: Não.
Cleiciane: Nossa!

Depois de algumas tentativas, olha que ela se saiu muito bem, viu?

Vendedor: A cama, e mais o colchão, o preço normal é R$ 2.776.
Cleiciane: E se eu comprasse à vista?
Vendedor: R$ 1.490

E quando Cleiciane ameaça ir embora...

Cleiciane: Eu vou dar mais uma olhadinha por aqui, e aí eu volto.
Vendedor: Deixa eu te falar uma coisa: se eu tiver 12 parcelas de R$ 110 reais, a gente bate o martelo agora? A gente fecha o negócio?

Vamos ver se a especialista em finanças pessoais Bianca Menezes Juliano consegue ajudar nas negociações. Lá vão as nossas pechinchadoras comprar óculos de sol.

Bianca: R$ 604 esse aqui?
Vendedora: É
Bianca: E à vista sai quanto?
Vendedora: Aí tem 10%.
Cleiciane: É que esse eu ja vi em uma outra loja.
Vendedora: Por quanto você viu?
Cleiciane: R$ 548. Faz um desconto para nós. Vê com o gerente.
Vendedora: R$ 540 está bom?

Depois, elas tentam uma câmera digital.

Bianca: A gente achou essa que está R$ 799 - 14 mega pixels. A gente quer que ele faça menos, para a gente levar.
Vendedor: R$ 690 no débito ele fez.

Mas vida de pechinchador não é nada fácil.

Bianca: E à vista, quanto sai?
Vendedora: É o mesmo valor, a gente não trabalha com desconto.
Bianca: Nada? Eu queria o desconto, eu realmente valorizo muito o desconto. Ele é muito importante para mim.

Haja lábia.

Bianca: A gente já está com o dinheiro aqui porque é da vaquinha lá da empresa, entendeu? Para dar de presente para uma colega que está de aniversário.

Agora é a vez da Patrícia ir às compras. A especialista em finanças continua ajudando.

Bianca: Quanto que você vai nos dar de desconto se a gente levar dois?
Vendedora: Dois? Vou ver com o gerente. Os dois dá R$ 196. Vou dar 10%. Fica R$ 176.

Para conseguir baixar o preço das compras, existem alguns segredinhos. O consultor de vendas Luis Coletti é fera nesse assunto.

“As pessoas me chamam de chato porque eu sempre procuro puxar algo para o meu lado, algo de bom, eu tento sempre comprar do mais barato. Comprar a melhor coisa, a coisa que eu quero por um preço menor. Esse é um desafio, sempre”, diz Luis.

Olhe as dicas. Seja simpático e educado. “Você está em uma loja, e aí o vendedor vem e pergunta o seu nome. Aí automaticamente você já pergunta o dele”, conta .

Blefar, nesse caso, não é nenhum pecado. “Porque era uma das poucas armas que eu tinha nessa hora”, explica.

Ao comprar em uma loja e até para negociar desconto em serviços, por telefone, é preciso paciência.

“Eu acho que essa é a essência do negócio, porque a ligação cai algumas vezes, então você tem que persistir”, aponta Luis.

Mas, segundo os pechinchadores, o essencial é não demonstrar que você quer muito aquele produto.

“O vendedor não terá aquela segurança de que você com certeza comprará o produto, e aí vai economizar no desconto para nos oferecer”, ressalta Bianca.

De preferência, leve cartão, cheque e dinheiro. Facilita na hora de negociar.

“Na maioria das vezes, desconto a gente vai conseguir quando oferece pagamento à vista. Por isso que é bem interessante ter as três possibilidades”, diz.

Resolvemos tirar a prova com o Luis. Ele vai comprar material escolar. Chega na papelaria e já puxa assunto.

Luis: Como isso é caro, né?
Vendedora: O quê?
Luis: Material escolar.
Vendedora: É.
Luis: Qual seu nome?
Vendedora: Jaqueline.
Luis: Jaqueline, você soma para mim, por favor?
Vendedora: R$ 261.
Luis: E à vista, você me dá um desconto?
Vendedora: 5%.
Luis: R$ 248. Eu tenho essa lista em outra papelaria aqui pertinho, eu moro aqui do outro lado. Por R$ 235 você não chega nesse valor? Dá 8%, vai? Fechado? Então eu posso fechar com você em R$ 240?
Vendedora: Pode.

Mas como será que é a vida do vendedor. Aquele que fica ouvindo todas essas propostas?

“Cliente sempre tem razão, né? Às vezes a gente consegue, às vezes não”, conta o vendedor Ricardo Henrique Soares.

“Tem cliente chato, é complicado”, reconhece a vendedora Julia Miranda.

“Eu sempre digo que não é comigo, mas falando com a gerente tudo pode acontecer”, analisa o vendedor Lenini Oliveira Cordeito.

“Você, tendo um tempo e paciência, acaba dando certo. Por menor que seja o desconto, ele existe, e a gente tem que buscar por ele”, conclui o pechinchador Luís.