20 de jan. de 2011

ABUSO DO CHEFE SOBRE OS SUBORDINADOS

ABRAHAM SHAPIRO

O mundo corporativo julga as pessoas com base nos resultados que elas apresentam. Contratamos pessoas para gerar valor, nós as promovemos pelo valor que geram e temos expectativa de que elas melhorem cada ano.

Mas esquecemos de algo importante. Como fica o comportamento delas por trás dos resultados? O que fazem para consegui-los? Será que as atitudes de alguns de seus executivos podem estar comprometendo o futuro da empresa?

Sim, isto pode estar acontecendo, independentemente dos resultados no curto prazo.

São muitos os comportamentos problemáticos entre executivos aparentemente bem-sucedidos. Um dos mais sérios é quando se tornam "abusados", o que em inglês se chama "bully". Este desvio de comportamento apresenta sinais. Alguns dos mais típicos:  eles assumem o crédito pelas idéias dos subordinados, humilham funcionários em público, falam das pessoas pelas costas e mandam outros fazerem seus "trabalhos sujos".

A questão é: por que tantas empresas toleram executivos com estas caractarísticas? Primeiro, porque acreditam que pelo menos no curto prazo dão resultado. Executivos abusados geralmente apresentam bons números, e, por isso, é difícil livrar-se deles. Em contrapartida, estes resultados escondem fraquezas sérias, como desconfiança em relação aos funcionários, grande necessidade de controle, baixa inteligência emocional e incapacidade de trazer à tona o melhor que as pessoas têm.

No longo prazo, estes problemas sugam a energia e a motivação dos funcionários, reduzindo sua capacidade de atingir metas.

O que fazer?

Crie um novo parâmetro, que você pode chamar de "métrica de pessoas". Inclua critérios como número de faltas dos subordinados, pedidos de transferência de departamento e rotatividade. Observe o comportamento dos subordinados desse executivo e procure saber: “quanto eles apreciam trabalhar para essa pessoa”.

Depois, ofereça ajuda para que este executivo mude. Alguns até merecem ser ajudados. Se for o caso, contrate um coaching, mas sob uma condição: deixe claro que existe um problema e que é preciso mudar. Se você for explícito e torná-lo responsável por sua própria mudança, então ficará claro que esta mudança não é apenas uma opção - é a única.

Caso o seu executivo abusado resista a todo o tipo de ajuda, demita-o. Não há saída. Quem está com a cabeça a prêmio e além de não melhorar continua atrapalhando os outros deve ser sumariamente removido da equipe.

Fique atento aos sinais de comportamento abusado. E saiba que quando você começar a suspeitar, você provavelmente já estará certo.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473