sexta-feira, agosto 12, 2011

CHEGA DE ENROLAR


Novos estudos sugerem que deixar tarefas para depois faz parte do instinto humano. Como evitar esse mau hábito e botar em prática as resoluções de Ano-Novo

Marcela Buscato - REVISTA ÉPOCA 10/01/2011

Janeiro é o mês em que as pessoas costumam traçar planos, reavaliar objetivos e pensar nas coisas que gostariam de mudar em sua vida. Assim como Jano, o deus romano de duas faces que dá nome ao mês de janeiro, nesta época olhamos simultaneamente para o passado e para o futuro, animados pela esperança de recomeçar. Há uma vontade genuína de mudança, mas ela costuma esbarrar, para boa parte das pessoas, numa barreira tão sólida quanto invisível: o hábito de adiar tarefas difíceis ou chatas, deixando-as para amanhã. Ao final de um ano de adiamentos, descobre-se que a vida mudou muito pouco.

Ao contrário do que parece, esse não é apenas um problema seu. Ou apenas de seu filho, que não estuda. Ou da nova garota no trabalho que não cumpre prazos. Empurrar com a barriga é uma tendência universal, profundamente enraizada no comportamento humano. É tão antiga que os romanos já tinham um nome para ela: procrastinar, que significa, literalmente, mover alguma coisa de um dia para o próximo.

Uma pesquisa recente da consultoria Triad PS, de São Paulo, que ouviu mais de 3.500 internautas, sugere que até 70% dos brasileiros postergam a realização de tarefas. Nos Estados Unidos, segundo levantamento do psicólogo americano Joseph Ferrari, pesquisador da Universidade DePaul, pelo menos 20% da população se encaixa na categoria de procrastinadores crônicos - são pessoas que adiam a realização de tarefas compulsivamente, a ponto de atrapalhar a carreira e os relacionamentos pessoais. Mas nem é preciso ir tão longe para esbarrar com as consequências negativas do hábito de deixar tudo para amanhã. Quem nunca perdeu o sono com o acúmulo de coisas atrasadas, que é o resultado invariável da procrastinação? Quem nunca se sentiu culpado depois de uma sessão de quatro horas em frente à TV, quando havia tantas coisas urgentes precisando de atenção? Quem não morreu de raiva de si mesmo por ter adiado, sem justificativa, aquele telefonema importante que, depois, acabou esquecido?

A procrastinação deixa de ser apenas mau hábito e se torna um risco quando contamina a vida profissional. Segundo a pesquisa da Triad PS, 64% das pessoas afirmam adiar sistematicamente tarefas no trabalho. Os prejuízos são grandes. O risco mais óbvio é perder o emprego. “Postergar tarefas é típico de gente acomodada, que não busca soluções para os problemas”, diz Sofia Esteves, presidente da consultoria DM RH. “Não há mais espaço nas empresas para profissionais assim.” Outro problema é criar um clima ruim no ambiente de trabalho. “Hoje, os projetos são feitos sobretudo em equipes”, diz Edson Rodriguez, consultor de gestão de pessoas. “Ninguém quer pagar pelos atrasos do colega nem empurrá-lo o tempo todo.” O procrastinador limita seu horizonte profissional. Não aprimora seu trabalho porque faz tudo às pressas e tem medo de enfrentar novos desafios – porque conhece sua limitação. Em um mercado competitivo, vai ficar para trás. “As pessoas que chegam ao topo são as que sabem usar seu tempo”, diz o especialista em gestão de tempo Christian Barbosa, da Triad PS.

A boa notícia para todos nós, que temos alguma dessas manchas no currículo, é que especialistas de áreas tão distintas quanto economia, filosofia e psicologia estão debruçados sobre o tema da procrastinação para nos ajudar a conciliar o pouco tempo de que dispomos com a disposição que em geral nos falta. Uma série de livros recém-lançados ou prestes a chegar às livrarias mostra que é possível dar fim à procrastinação e parar de enrolar. Sim, existem técnicas para sacudir a preguiça e vencer a tentação de empurrar as tarefas para daqui a pouco. Mas, para conhecê-las, leitor, não deixe a leitura desta reportagem para depois. Esse depois poderá virar nunca!

O primeiro passo no processo de vencer a inércia é entender o tamanho do inimigo – que é enorme. O psiquiatra americano George Ainslie, especialista em economia comportamental, trata a procrastinação como o mais básico de todos os impulsos humanos. Ele defende a ideia em um dos capítulos do livro The thief of time (O ladrão do tempo), lançado no ano passado nos Estados Unidos. “Não conseguimos controlar totalmente nossa preferência por adiar esforço e chateação”, afirma Ainslie. O pesquisador da Universidade Temple lembra que não precisamos de qualquer tentação para cair na procrastinação. Outros impulsos – como a fome, as drogas, o apetite sexual, o desejo de comprar – dependem de objetos físicos para que possam ocorrer. Precisam de estímulo. “A procrastinação, não”, diz Ainslie. Ela permeia nossos pensamentos como parte de nossa maneira de pensar. Parece ser uma espécie de software básico: invariavelmente tentamos evitar o que nos dá trabalho. É um instinto. “Sempre parece melhor adiar custos”, afirma Ainslie. Ele diz ser a prova viva do que fala. Apesar de ser um dos maiores especialistas no assunto, não escapa de procrastinar. Para driblar o impulso, se suborna com pequenas recompensas: “Eu me prometi que depois de dar esta entrevista eu posso almoçar.” De recompensa em recompensa, Ainslie tenta entender por que seres humanos adiam tarefas mesmo quando isso os prejudica.

Uma boa explicação para esse paradoxo é que somos muito apegados a nossos hábitos e modos de agir. Organizamos a vida em torno deles, ainda que não sejam práticos ou razoáveis. A historiadora gaúcha Cássia Silveira, de 29 anos, é adepta do “pânico de última hora” para avançar no doutorado. Diz que deixa encaminhados todos os artigos que tem de entregar ou apresentar em congressos. Mas só os finaliza faltando minutos – isso mesmo, minutos – antes do prazo final. “Se eu deixar pronto com antecedência, fico ansiosa. Acho que sempre dá para melhorar”, diz Cássia. Ela garante que a estratégia nunca falhou. “Procrastinar não gera nenhuma consequência negativa para mim, pelo contrário.” Ela conta que durante um congresso ganhou alguns minutos para finalizar sua apresentação no quarto do hotel porque conseguiu que outro palestrante expusesse seu trabalho primeiro. Também garante que conseguiu pegar promoções ao comprar um presente porque deixou para ir ao shopping na última hora. O namorado, sistemático, havia se antecipado nas compras e pagado mais caro.

Procrastinar, para algumas pessoas, torna-se um estilo de vida, quase uma definição de personalidade. É algo que rima com rebeldia, improvisação, desapego. Parece ligado ao mundo dos criativos, em oposição aos chatos e organizados. Mas será mesmo? Quem estuda o assunto de perto constata pouco charme e muita angústia – além de uma série de desvantagens – na vida dos proteladores seriais. A psicóloga canadense Fuschia Sirois, da Universidade de Windsor, constatou que os efeitos de procrastinar se estendem sobre a saúde. Em uma pesquisa com 254 voluntários, aqueles que confessavam procrastinar com maior frequência tinham níveis mais altos de colesterol. Provavelmente porque postergavam as consultas médicas, o início do regime e a ingestão de medicamentos. Exibiam também os maiores níveis de estresse por estarem sempre preocupados com suas pendências. E os prejuízos não param aí. Uma pesquisa do escritório de contabilidade H&RBlock, dos Estados Unidos, concluiu que os americanos recebem multas de US$ 473 milhões ao ano por pagar impostos com atraso – um gasto idiota, que poderia ser evitado. Seria sintoma de burrice, masoquismo ou ambos?

Ainslie, um dos autores de O ladrão do tempo, tem outra explicação. Ele acredita que adiamos tarefas, apesar das consequências negativas, devido à maneira como percebemos o tempo. Parece algo filosófico, mas é uma questão prática. Responda rápido: se alguém lhe oferecer R$ 50 agora ou R$ 100 daqui a dois anos, qual das duas opções você escolheria? Ainslie constatou que a maior parte das pessoas prefere ganhar menos dinheiro, contanto que ele venha rápido. Mas, se a pergunta for escolher entre R$ 50 daqui a quatro anos e R$ 100 dentro de seis anos (exatamente a mesma quantia, mas em um horizonte de tempo diferente), a maioria das pessoas escolhe os R$ 100. Isso sugere que temos dificuldade em avaliar eventos futuros, inclusive nossa capacidade de fazer coisas. Como o compromisso está distante – a prova, a entrega do trabalho, o dia de viajar –, calculamos que vamos fazer lá na frente muito mais do que conseguimos fazer agora. No fundo, acreditamos que teremos – no mês que vem, na semana que vem, amanhã – muito mais energia e disposição do que agora. Porque estaremos mais descansados, teremos mais tempo... Mas o paradoxo embutido nesse tipo de atitude é óbvio: se falta disposição hoje, é pouco provável que ela se materialize amanhã. Afinal, o trabalho continuará igualmente chato e o tempo para realizá-lo terá diminuído. Mas a ansiedade crescerá.

O estudante carioca Bruno Mérola, de 22 anos, se define como uma pessoa de “otimismo exagerado” em relação ao futuro. No começo de cada semestre, ele sempre acha que dará conta de todas as matérias que escolheu na faculdade de engenharia de produção. Na prática, conforme o semestre passa, os trabalhos se acumulam e ele chega a repetir em algumas disciplinas. “Quero fazer tudo ao mesmo tempo”, diz Mérola. Ele conta que senta ao computador para estudar e acaba se perdendo na internet, em pesquisas sobre música e cinema – o mesmo problema de 60% dos entrevistados pela consultoria Triad PS. Mérola diz se incomodar com o próprio comportamento, mas, tipicamente, adia o momento de corrigi-lo. Em outubro de 2008, deixou um recado na comunidade Procrastinadores Crônicos, do Orkut. “Não consigo terminar de ver filmes, ler livros, ir à faculdade, dormir, fazer coisas simples nem coisas importantes”, escreveu. Dois anos depois, ele já procurou ajuda? “Não”, afirma. “É que agora não me incomoda tanto.”

Há outras razões para explicar por que tantas pessoas se comportam como Mérola. Procrastinar pode ser uma maneira de encontrar conforto quando nos deparamos com uma atividade de que não gostamos. Nesses momentos, procuramos algo que nos faça sentir bem, que ofereça satisfação emocional imediata. Nosso cérebro adora esse tipo de gratificação: instantânea, de preferência que não envolva esforço de qualquer espécie. Trata-se de uma coisa profundamente humana, talvez mesmo uma compulsão animal. Os bichos não adiam prazer. Vivem o presente eterno da satisfação dos sentidos. Humanos funcionam de outra forma, mas não inteiramente. “Veja o mecanismo que faz as pessoas engordar”, diz o psicólogo Timothy Pychyl, pesquisador da Universidade Carleton, no Canadá, e autor do blog Don’t Delay (Não Adie). “É bastante óbvio que comer muita gordura e açúcar fará mal. Mas isso é depois”, diz ele. “Na hora, sentir prazer é o que importa.”

Encontrar estratégias que driblem esse mecanismo cerebral é uma forma de escapar da tentação de procrastinar. O segredo parece ser transformar a execução das tarefas mais chatas em algo quase automático, que não demande esforço. “Você tem de entender aquilo de que gosta e usar a seu favor para criar novos hábitos”, diz Pychyl. Ele desfia suas dicas no livro The procrastinator’s digest (Compêndio dos procrastinadores), lançado no ano passado nos Estados Unidos. Ele usa sua paixão por animais para se obrigar a praticar exercícios físicos. “A maneira que encontrei de não desistir das atividades físicas foi ter cães que precisam de passeios diários”, afirma. Quando essa estratégia falha, ele lança mão de um procedimento supostamente mais simples: “se obriga” a fazer aquilo que ameaçou procrastinar. Aliás, “é só começar” resume o mantra dos pesquisadores desse assunto. Eles garantem que, depois de nos engajarmos na tarefa, percebemos que ela não era tão repulsiva quanto pensávamos. Será?

Os procrastinadores crônicos, que são em maior número do que os depressivos, dirão que não é tão simples. Essas pessoas postergam compromissos no trabalho e na vida pessoal sistematicamente. Adotam a procrastinação como modo de vida – com todas as consequências nefastas que isso acarreta. No livro Still procrastinating? (Ainda procrastinando?), lançado em setembro do ano passado, o pesquisador Joseph Ferrari afirma que, para os procrastinadores crônicos, não basta dizer “é só começar”. Seria o mesmo que sugerir para uma pessoa deprimida “alegre-se!”. Primeiro, eles precisam reconhecer que a mania de adiar tarefas e compromissos é um problema, uma vez que muitos camuflam a procrastinação sob o lema “A vida é curta, e eu quero mais é aproveitar”. Um recado de Pychyl para os que pensam assim: “Não há nenhum aspecto positivo no vício de procrastinar. A procrastinação não tem lado bom”.

Como se trata de um comportamento comum, os especialistas têm dificuldade em definir o perfil psicológico dos procrastinadores. Mas já sabem algo sobre os que sofrem da forma mais aguda do problema. Pessoas impulsivas, por exemplo. Elas costumam cair em tentação facilmente e abandonam as tarefas no primeiro contratempo. Aquelas que são perfeccionistas – mas que adotam os padrões de perfeição dos outros e não os seus próprios – também estão entre os procrastinadores frequentes. Elas temem falhar e, para evitar a frustração, preferem adiar a execução da tarefa. É possível que esse comportamento seja reflexo de interação entre aspectos ambientais (como os costumes da família, que servem de modelo) e biológicos. Uma pesquisa realizada no Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos sugere que cada pessoa pode ser programada biologicamente para um nível de procrastinação.

Os cientistas desligaram no cérebro de macacos receptores de dopamina, uma substância que entra em ação quando fazemos algo que nos dá prazer. Os animais passaram a cumprir todas as tarefas, sem se importar com que tipo de recompensa recebiam. Mas alguns se esforçavam mais do que os outros – um indício de que, mesmo quando o mecanismo de recompensa está “desligado”, há uma programação que controla a motivação. Ao menos dos macacos.

O que fazer diante dessa aparente conspiração contra o esforço? Organizar-se é um bom começo. Quem acha isso difícil pode usar métodos para aumentar a eficiência pessoal no dia a dia, como o Getting things done – algo como Deixando as coisas prontas. Os iniciados na metodologia o chamam de GTD. O programa foi inventado pelo consultor americano David Allen em 2001 e, desde então, já conseguiu mais de 500 mil seguidores. O princípio do GTD é simples: para não ficar estressado, tire da cabeça as tarefas que você tem de realizar. Crie um diário para reunir seus compromissos, suas contas e pendências. Faça listas de afazeres de acordo com a prioridade. Pode ser num caderno, no computador, no celular. O importante é registrar o compromisso para não ter de pensar nele. “A ideia é não repassar mentalmente, o tempo todo, tudo aquilo que temos para fazer”, diz o consultor paulistano Daniel Burd, certificado para ensinar a metodologia GTD no Brasil. “Aumentamos nossa produtividade quando estamos focados em uma atividade de cada vez.” Uma vez ao dia as informações anotadas no diário têm de ser processadas. É o momento de fazer três perguntas:

1. Posso resolver isso agora? Se a ação for demorar até dois minutos, algo como mandar um e-mail pedindo uma informação, ela deve ser colocada em prática naquele momento. Caso leve mais tempo, vá para a segunda pergunta.2. Qual é a primeira atitude para dar andamento à tarefa? Se o objetivo é comprar um novo notebook, a primeira ação pode ser fazer uma pesquisa de preços. Definido como começar a cumprir a tarefa, faça a terceira pergunta.3. Posso incumbir alguém da tarefa? Caso não, confira sua agenda para encontrar um horário para acomodá-la. Uma vez por semana separe alguns minutos para revisar sua lista de pendências e planejar a semana seguinte.

Métodos como o GTD podem ser eficazes, mas exigem disciplina quase militar. Eu mesma, que me considero uma pessoa organizada e já praticava sozinha algumas das técnicas do GTD, sofri para cumprir à risca as diretrizes essenciais do método. O trabalho fluiu maravilhosamente bem. Foi ótimo olhar para minha agenda na tarde de sexta-feira e ver que não havia pendências para a semana seguinte. Mas confesso que me senti pressionada pela lista de afazeres. Provavelmente porque não sou tão disciplinada quanto imagino.

Esse não é o caso do empresário mineiro Bernardo Lobato Fernandes, de 36 anos. Ele prima pela organização e pela eficiência. Já estudou vários métodos de produtividade por conta própria e, agora, está se iniciando no GTD. Fernandes quer aprimorar sua capacidade de resolver as tarefas diárias sem deixar nada passar. Agora está testando integrar o celular ao programa de e-mails e calendário. “Tenho certeza de que a disciplina e a organização me fizeram progredir nos negócios”, diz Fernandes. Aos 18 anos, ele abriu uma agência dos Correios. Aos 23, fundou uma fábrica de matéria-prima para sorvete. Hoje, é o presidente fundador da Globalbev, empresa de produção e distribuição de bebidas com 450 funcionários.

O caso dele ilustra o que já se sabe: disciplina e bom aproveitamento do tempo são elementos essenciais ao sucesso profissional. O problema é que ser tão organizado parece tolher aquilo que há de bom na vida, como tomar um chope com os amigos durante a semana, reservar uma noite ao ócio, dormir até mais tarde na sexta-feira. Quem já tentou sabe que manter a agenda em dia exige sacrifícios. A boa notícia: quem se acostuma com essa rotina garante que sobra tempo para viver. “Quando você tem segurança de que está tudo sob controle, consegue aproveitar o tempo livre sem preocupações”, diz Fernandes. Ele conta que sai no máximo uma noite durante a semana, mas compensa no fim de semana com programação de lazer intensa: “Eu acho que chata é a pessoa que vive estressada por não conseguir cumprir seus prazos”.

O segredo, como em tudo, é encontrar o equilíbrio. A publicitária paulistana Thais Godinho, de 29 anos, era uma organizadora obsessiva. Há três anos, chegou a um ponto crítico. Thais tinha tantas pastas para arquivar listas de afazeres, projetos e contas que não sabia mais consultá-las. As compras de Natal ela fazia em julho. Cobrava-se tanto que vivia estressada. “Quando o planejamento vira perfeccionismo absurdo, a pessoa acaba sem flexibilidade para viver”, diz Christian Barbosa, da Triad PS. “Planejar além da conta pode ser um tiro no pé.” Hoje, Thais diz estar convencida de que a melhor maneira para cumprir suas tarefas é simplificar. Ela mantém uma agenda em que anota seus afazeres. Em preto, estão as tarefas profissionais. Em azul, trabalhos extras. Em verde, compromissos pessoais. As compras de Natal foram postergadas – para outubro. Os parâmetros de Thais ainda são elevados para a maioria das pessoas. Mas é o que funciona para ela.

A conclusão mais reconfortante dos estudos sobre procrastinação vem do universo cristão. Um grupo de pesquisadores liderados por Michael Wohl, da Universidade Carleton, no Canadá, constatou que o melhor método antiprocrastinação é se perdoar. Wohl acompanhou 134 universitários durante duas etapas de provas. Aqueles que se perdoaram por ter adiado os estudos antes do primeiro teste procrastinaram menos antes da segunda prova. Eles estudaram mais e tiveram um desempenho melhor do que os alunos que só ficaram se lamentando. Isso acontece, segundo os cientistas, porque o perdão implica admissão do problema. Por trás dele existe a disposição inconsciente de mudar as próprias atitudes. Ainda não está claro se funciona para todos, mas parece um começo promissor.

quinta-feira, agosto 11, 2011

MULHERES DE NEGÓCIOS

ABRAHAM SHAPIRO

As mulheres caminham a passos largos para seu destaque em todas as áreas do conhecimento e do trabalho na sociedade moderna. Diminuem muito as diferenças históricas que os homens lhe impuseram – especialmente agora, no organograma das empresas.

Um querido amigo contou-me uma história que deixará os homens preocupados nesta antiga e persistente “guerra dos sexos”. Disse-me ele que quando D-us criou o primeiro homem, de pronto convenceu-se não ser bom que ele ficasse só. Resolveu então criar a mulher. Fazendo Adão cair em sono profundo, extraiu-lhe uma costela com a qual criou sua companheira. Todos conhecem essa história da Bíblia.

Ao acordar Adão da cirurgia, D-us apresentou-lhe Eva. Surpreso com tamanha beleza da desconhecida
criatura, Adão exclamou:

- Senhor, que maravilha. Ela é linda.

E o Eterno:

- É para que você goste dela.

Passou um tempo, e Adão retorna:

- Ela realmente é muito bonita, Senhor.

E novamente o Criador lhe responde:

- É para que você goste dela, como já lhe disse.

Mais um tempo, e Adão volta a D-us. E desta vez, diz:

- Sabe o que, Senhor? A mulher que me deste é, sim, muito bonita. Mas observo que às vezes ela tem raciocínio lento, pois parece que pensa pouco, mas sente muito.

E o Eterno:

- É para que ela goste de você, Adão.

Meu propósito não é brincar com coisa séria, pois nada neste mundo é mais sério do que as mulheres.

A presença da mulher no comando da administração dos negócios e da política tem sido um fator significativo e característico dos dias atuais. Sua competência aliada à sensibilidade natural resulta numa vantagem competitiva indiscutível, e de excepcional valor em todos os setores.

O mundo tornou-se um lugar bom graças às mulheres. Tê-las também nos negócios, fez da empresa algo muito melhor do que jamais foi antes – mesmo que muitos machistas não tenham reconhecido esta brilhante vantagem.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

quarta-feira, agosto 10, 2011

PRECISAM-SE DE BONS CONTADORES

ABRAHAM SHAPIRO

Tive acesso aos resultados da primeira edição de 2011 do Exame de Suficiência para bacharéis e técnicos de contabilidade, promovido pelo Conselho Federal de Contabilidade. O exame dirigido a recém formados não foi considerado difícil por especialistas.

Resultados: 30% foram os aprovados para bacharel em ciências contábeis e 25% para técnico em contabilidade. Parecem insatisfatórios estes índices frente às atuais necessidades do mercado. Em 2004, o mesmo exame apresentou aprovação de 72% dos bacharéis.

Acontece que o mercado de trabalho tem uma demanda por profissionais com habilidade e boa formação, e esta demanda está longe do que as instituições proporcionam. Na verdade, somos vítimas da baixa qualidade da formação de estudantes em geral. E a contabilidade não é exceção. Neste ritmo, teremos dificuldades em encontrar mão de obra qualificada para o mercado contábil em pouco tempo. E o pior é que o problema não é quantitativo, mas qualitativo.

S. Paulo concentra as maiores empresas de auditoria e outsourcing contábil. É também o local onde o cargo de contador é um dos mais demandado pelos recrutadores de RH. Um estudo realizado pelo ManPowerGroup, divulgado em maio deste ano, apontou que os profissionais de contabilidade estão entre as 10 profissões que mais carecem de profissionais qualificados. Mas os profissionais formados não atendem a demanda.

E se incluirmos nos exames as questões e assuntos reais do dia a dia do profissional contábil, com aspectos tributários, apurações de impostos e outros, quantos daqueles 30% dos aprovados no exame de suficiência deste ano se manteriam “suficientes”?

Busquemos, então, uma visão de oportunidade. Se você já frequenta um curso de Contáneis, estude muito, dedique-se de verdade e busque o maior contato possível com a realidade da profissão que você escolheu.

Se o seu caso é de dúvida sobre a carreira a seguir e não sente nenhuma rejeição à contabilidade, não perca tempo. Busque uma escola bem referenciada, e mergulhe de cabeça na área.

Aproveite os tempos. Tudo está propício para quem se diferenciar e sair-se bem na qualificação. Trabalhe duro, e você terá desde hoje futuro promissor.
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terça-feira, agosto 09, 2011

COMO SER OUVIDO PELO CLIENTE... (E POR QUALQUER PESSOA!)

ABRAHAM SHAPIRO

Seu cliente se recusa a ouvi-lo, de quem é a culpa? Sua ou dele?

Quando dou uma palestra e percebo alguém no auditório que não me ouve, faço todo o possível para atrair-lhe a atenção. Emprego minhas reservas de energia mental para ajudá-lo a pensar no que estou proferindo. Sinto-me incomodado ver que alguém se recusa a ouvir-me, porque eu sei ao certo quem é o culpado disso. Eu mesmo!

No entanto, vou confessar uma grande falha pessoal minha. No passado, nas primeiras vezes em que saí a vender minhas consultorias e palestras, sabe o que eu pensava quando não conseguia vendê-las? “Ele que se dane! Eu também não faço questão alguma que ele me contrate! Se ele não é capaz de compreender o meu ponto de vista, eu vou encontrar quem consiga ver os benefícios que eu posso proporcionar”.

Era assim que eu pensava. Eu estava totalmente errado.

Depois descobri que um dos mais importantes princípios da técnica de vender é: “Se você não é capaz de despertar o interesse de um cliente potencial, a culpa é sua, e não dele”.

As pessoas vão ao cinema assistir aos filmes que lhes interessam; lêem os livros que julgam interessantes. Ninguém dará ouvidos a uma pessoa que não sabe ser interessante.

Você é interessante quando conversa? Sabe tocar nos problemas que preocupam o seu interlocutor? Os assuntos que escolhe estão no particular interesse dele? Você é capaz de emocionar o outro?
Isso tudo é impossível se você não souber, primeiro, sondar o ponto de vista em que o outro se coloca. É sempre possível conhecer o ponto de vista do cliente.

Comece não dando crédito às coisas em que você acredita solidamente. Isto se chama “pressuposições”. Nossos pressupostos são construídos como resultado do conformismo com o fracasso. A raposa que não conseguiu comer as uvas, disse para si mesma que estavam verdes.

Para conseguir o melhor de seus clientes, anule suas pré suposições. Comece do zero sempre que estiver diante de um novo cliente. Pesquise, questione com delicadeza e mostre interesse absoluto nele e seus pensamentos. Sua estratégia dependerá disso. E também o seu sucesso.
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segunda-feira, agosto 08, 2011

A INVEJA, A FELICIDADE E A RIQUEZA

Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 08/08/2011, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos

ABRAHAM SHAPIRO

Quando você sabe que outros têm sentimento negativo em relação a você, a última coisa a fazer é contar histórias que acendam neles a inveja.

“Como os que me escutam irão reagir? Eles compartilharão de meu contentamento, ou sentirão inveja?” Após estas perguntas, tome a decisão apropriada de contar ou não o que pretende.

Um texto de autoria do contista Iídiche Scholem Aleichem traz ótimas instruções a respeito: "Uma pessoa deve sempre levar em conta os sentimentos de seus vizinhos. Se eu tivesse ido a uma feira fazer negócios, por exemplo, e lá viesse a auferir bons resultados, conseguindo vender tudo com bom lucro, e retornasse com os bolsos cheios de dinheiro e o coração palpitando de alegria, não deixaria de dizer a meus vizinhos que tinha perdido até o último centavo de meu dinheiro, e que era um homem arruinado. É claro, pois, assim, eu ficaria feliz, e meus vizinhos ficariam felizes. No entanto, se ao contrário, eu tivesse perdido tudo na feira e trouxesse comigo o coração angustiado, tomaria todo o cuidado de dizer a meus vizinhos que nunca, desde que Deus criou as feiras, houve uma tão maravilhosa como aquela. Você me entende? Assim, eu me sentiria muito infeliz, e meus vizinhos também, junto comigo".

Com ótimo humor, Scholem Aleichem nos ensina que a inveja é destrutiva. Ela impede a paz, extingue o prazer e rouba a satisfação de viver.

Como vencer a inveja? Se alguém olha para os bens e o sucesso do outro, e menospreza ou esquece os seus próprios – independentemente do tamanho – sua visão de si mesmo é depreciativa.
Não há como superar e dominar a inveja sem foco concentrado naquilo que já conquistamos. O objetivo é sentir gratidão e satisfação.

Não coincidentemente, o segredo da felicidade é também olhar e valorizar o que se possui. A grandeza contida nisto é o fato de que quando somos realmente felizes não invejamos ninguém, pois, verdadeiramente rico é aquele que se alegra com a sua porção.

A inveja é um dos três sentimentos que destroem qualquer indivíduo – por mais forte que seja. Os outros dois são a luxúria e o desejo de fama.
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sexta-feira, agosto 05, 2011

AUTO-AJUDA OU CHARLATANISMO?

ABRAHAM SHAPIRO

Alguém é apresentado a você como doutor em psicologia. Após um bate-papo descontraído, ele diz: “Você tem uma forte necessidade de ser amado e admirado. Tem tendência a ser crítico consigo mesmo e até chega a duvidar de si mesmo. Você tem grandes capacidades que não está explorando como devia...”

Muita gente achará este sujeito iluminado.

O que você pensaria disso? É comovente. Ele acertou em cheio. Você sente um desejo de contar a todos que ele teve uma completa clarividência de sua vida.

A maioria das pessoas a quem se apresente uma descrição repleta de lugares-comuns como esta tende a pensar que trata-se de sua mais precisa fotografia.

E não acontece só com brasileiros.

Um grande jornal francês fez uma experiência. Enviou um "diagnóstico astral" bem parecido com a declaração do nosso guru a cinco mil pessos que, em resposta a um anúncio, já haviam se cadastrado previamente. Quatro mil e trezentas ou 86% declararam-se satisfeitas, e se reconheceram perfeitamente descritas no texto do diagnóstico – que era o mesmo para todas.

É exatamente isso o que fazem a grande maioria dos livros de auto-ajuda e os charlatães que ganham dinheiro com palestras de motivação e propostas de como ficar rico apenas pensando positivo.

“Picaretas” crescem como mato em qualquer sistema ou economia. O absurdo está no número astronômico de pessoas ingênuas que fazem desses contos da carochinha os provedores da motivação de que precisam para o trabalho e para a vida.

Motivação não é isto! Motivação nada tem com palhaçadas, palavreado bonito e conveniente às carências coletivas.

A única forma de qualquer pessoa sentir motivação é tendo uma razão e um sentido naquilo que faz ou propõe-se a ser – um motivo real porque ela existe. Sem isto ela acabará depositando sua esperança em coisas vazias.

São pessoas nesse estado que infelizmente sustentam a horda de vigaristas e sanguessugas que, identificando a fraqueza humana, transformam-na em meio de vida sob o formato de palestras, religiões e golpes de grande monta.
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quinta-feira, agosto 04, 2011

NÃO É FÁCIL MUDAR

ABRAHAM SHAPIRO


Era uma vez um bom homem que saiu pelo campo e encontrou uma raposa quase morta. Tomou-a em seus braços, trouxe-a para casa, cuidou dela, amparou-a e desenvolveu o apego que se sente por um animal de estimação.

O homem acreditava que ela continuaria vivendo junto dele, afinal recobrara a vida a seu lado e, por isso, teria gratidão e consideração.

Os dias passaram. Numa bela manhã, já com o vigor fortalecido e sua natural astúcia recuperada, a raposa levantou-se de seu repouso, saiu no quintal da casa e viu que havia uma brecha na cerca. Por alí, numa corrida desenfreada, bateu em fuga, embrenhando-se de volta à floresta.

Ao dar por sua falta, o homem se entristeceu e esperou que ela voltasse, sem sucesso. Contudo, sempre que escasseava a comida na floresta, ela rodeava a casa, fingia apego e fidelidade ao homem até que ele lhe desse alimento. Após saciar-se, ela sumia de novo, em busca dos seus hábitos.

Esta fábula mostra que os animais agem por um impulso interior inconsciente chamado instinto. É quase impossível mudar um instinto animal.

As pessoas podem mudar. Mas elas só mudam quando querem.

Mudança requer, primeiro, consciência. Depois, visão de necessidade ou de benefício. E por fim, energia em busca do resultado.

Por conveniência ou dificuldade momentânea, o indivíduo pode assumir papéis que pareçam mudanças. Mas ao superar estes obstáculos e conseguir o que deseja, ele tende prontamente a retornar a seu estado natural, pois isto o satisfaz. O que é natural não exige esforço de desempenho.

Gratidão e outras virtudes exigidas pela boa educação e eficácia profissional não são inatas em ser humano algum. Para adquiri-las, é preciso esforço e persistência.

Pensando nisso, não é de admirar que o mundo esteja como está.
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quarta-feira, agosto 03, 2011

CONHEÇA O PERFIL OCULTO DE SEUS MAUS FUNCIONÁRIOS

ABRAHAM SHAPIRO

Fiz um levantamento das expressões que um profissional – que é profissional de verdade – jamais deve dizer no trabalho. E se ele busca ser sábio, irá evitar de usá-las também na vida, livrando-se, assim, de sérias enrascadas. São frases que têm o poder de revelar escancaradamente o perfil oposto àquele que as empresas buscam nos funcionários que selecionam. Vamos à lista:

- “Do meu jeito é melhor!” Isto revela individualismo.

- “Eu não pensei que era urgente”. Este é o acomodado.

- “O problema não é da minha conta!” Demonstra falta total de espírito de equipe.

- “Eu não sabia que era para continuar”. Falta de iniciativa, ausência de proatividade.

- “Eu só faço o que o chefe manda”. Se não for dependência é sabujice ou puxa-saquismo mesmo.

- “Não podia adivinhar que era para fazer deste jeito!” Aí está o ilustre 'Sr Desinteressado'.

- “Eu não ganho para fazer este tipo de serviço”. O genuíno interesseiro.

- “Pergunte ao responsável como deve ser feito”. Só um irresponsável fala assim.

- “Não lembro o que você havia pedido”. Falta de atenção e foco.

- “Não sabia da importância desta informação!” É o desligado.

- “Estou cheio de serviço agora, vamos deixar para outra hora?” Tipinho bem conhecido e comum nas organizações. É o desorganizado.

- “Eu já dei esta informação. Não tenho que dá-la novamente”. Este funcionário não quer colaborar.

O que diz o desinformado? - “Não estou sabendo de nada!”

Mas de todos esses, o preguiçoso - ou vagabundo como gosto de chamar - cedo ou tarde mostrará o que pensa por meio do seguinte discurso: “É melhor não fazer nada disso. Vai dar o maior trabalho!”

Estes são os mais comuns perfis anti-profissionais e indesejáveis encontrados entre os nossos colaboradores. Talvez você pergunte: “E por que é que o RH não observa isso na hora da seleção?” Simples. É que além de todas as más qualidades que carregam, eles também sabem enganar bem. Fingem ser bons, eficientes e se escondem por trás destas máscaras até o dia em que soltam uma barbaridade que revela quem realmente são. Depois disso, os que os mantêm na empresa talvez sejam muito piores do que eles.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

terça-feira, agosto 02, 2011

UMA EMPRESA CHAMADA FISCO FEDERAL

Anderson Hernandes

Apple, Google, Microsoft, Petrobrás, Grupo Pão de Açúcar e Receita Federal. O que todos esses nomes têm em comum? Todos são “empresas”. Não se espante, o fisco hoje é administrado e gerido como uma empresa e a seguir vou expor os motivos que levam a essa comparação.

Foco no faturamento

A cada dia o fisco busca vorazmente aumentar seu faturamento, ou seja, sua arrecadação tributária. Os números mostram que a sua estratégia tem sido bem sucedida, pois aumenta a cada novo período e suas metas tem sido superadas a cada nova publicação de resultados.

Foco nos produtos

Como qualquer empresa o fisco possui “produtos”, com estratégias e equipes especializadas para cada um deles. Os produtos do fisco são os tributos e basta que um produto diminua seu faturamento que outro surge uma nova estratégia ou novo produto. Além disso, o fisco possui uma equipe de agentes treinados para detectar irregularidades e aumentar ainda mais a arrecadação.

Foco nos Recursos Humanos

Pense numa empresa desejada para se trabalhar, com boa remuneração, pacotes de benefícios e estabilidade. Nessa empresa conseguir uma vaga exigirá muito tempo de estudo e dedicação devido à concorrência acirrada. Uma empresa que tem férias garantidas, todos os feriados são bem disfrutados e, além disso, possui um plano de carreira invejável. Essa empresa é o fisco.

Suporte Jurídico

Toda empresa de grande porte precisa de um excelente time de advogados para defender seus interesses. Será que existem dúvidas que o fisco tem uma equipe de advogados de qualidade a sua disposição?

Foco no Endividamento

Pense numa empresa que cobra altas taxas de juros, e que é credora de milhões de outras empresas e pessoas físicas. As dívidas dos seus devedores muito provavelmente nunca serão quitadas, mesmo assim ela não tem problemas de caixa. Pensou em um banco? Não, essa empresa é o fisco.

Tecnologia de ponta

A Receita Federal com o T-Rex, um supercomputador que leva o nome do devastador Tiranossauro Rex, e o software Harpia, ave de rapina mais poderosa do país, tem a capacidade de aprender com o comportamento dos contribuintes para detectar irregularidades e permite cruzar dados de milhares de fontes diferentes de modo a ganhar produtividade e eficácia operacional. O investimento e a tecnologia que o fisco possui hoje são invejáveis para qualquer empresa do Brasil.

Ampla audiência na web

O site do fisco é tão visitado que foi separado por sítios de assuntos e reúne as principais informações fiscais para pessoas físicas e jurídicas. Aliado a nova estratégia de hospedar as informações dos seus “clientes” em Cloud Computing, o acesso só vai aumentar, gerando ainda maior publicidade. Para exemplificar, o termo “Receita Federal” tem mais de 11 milhões de apontamentos de pesquisas no Google, o dobro do termo “Casas Bahia”. Ainda existe dúvida da audiência do fisco na internet?

Estratégias de Guerrilha

Toda empresa tem concorrência e isso não é diferente com o fisco. Mas a cada dia, ele tem se mostrado ainda mais eficaz no combate a concorrência desleal, ao caçar sonegadores que erroneamente acreditam que são capazes de vencer o fisco. Cada grande conquista é comemorada e tem ampla cobertura gratuita da mídia, tornando um referencial para ações futuras.

Maior CRM do Brasil

Um banco de dados com todas as informações de seus clientes. Onde, quando e no que gastam, quanto, onde e quando ganham. Um banco de dados capaz de dar informações precisas sobre os hábitos de consumo de seus clientes, informações pessoais e familiares sobre as escolhas por viagens, veículos, moradia, educação, alimentação, vestimenta, enfim toda e qualquer informação pode ser rastreada neste banco de dados. Que empresa tem tamanho detalhamento de informações sobre seus clientes?

Com plena certeza, essa é a empresa fisco federal!
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Anderson Hernandes é empresário contábil, escritor, palestrante e especialista mercado contábil. www.andersonhernandes.com.br

MAUS HÁBITOS CORPORATIVOS

ABRAHAM SHAPIRO

Uma boa empresa, hoje, pode se definhar até sua futura autodestruição, mesmo que tudo pareça em perfeita ordem. Por quê? As causas mais frequentes são os maus hábitos. Parece muito com as pessoas. Ganham um pouco mais de dinheiro e passam a fumar mais, beber mais e a irem para a cama de madrugada.

Empresas também adquirem maus hábitos. E tal como  humanos, os maus hábitoscorporativos produzem enormes prejuízos.

Mas também podem ser evitados.

Subestimar a concorrência é um imenso mal. Aconteceu com as fábricas de veículos americanas que, não acreditando no poder dos carros japoneses, deixaram suas próprias concessionárias venderem Hondas, Nissans e Toyotas. Hoje, pagam caro pelo imenso poder de mercado dos orientais.

Prepotência é outro pecado. O prepotente é aquele que assume suposta superioridade. Seu desprezo aos outros é o núcleo de sua queda. Aconteceu com empresas da região: supermercados, casas noturnas, construtoras, imobiliárias, comércios e indústrias. O padrão é: primeiro conseguem um desempenho excepcional, e anos depois, são traídas por seu orgulho... e se espatifam na queda inevitável.

Complacência também faz mal. Complacente é o ser bom demais consigo mesmo, a ponto de se conformar com tudo. Veja a Kodak. Sua competência em tecnologia para máquinas fotográficas comuns tornou-se uma deficiência na era digital. A Kodak ainda luta com dificuldade para se adaptar ao novo mundo das fotografias digitais.

Grave isto: empresas são como pessoas no comportamento - ou aprendem a ser virtuosas, ou pagam  por seus erros. Ver a realidade e saber interpretá-la à luz do mercado e da satisfação do cliente é a base para não se perder em ações perniciosas. O problema é que, apesar de todos os exemplos memoráveis, o modo mais comum de agir é parecido com o episódio captado de uma entrevista de emprego com um certo candidato, em que o entrevistador lhe pergunta:

- “Quais os seus pontos fortes e fracos?”

- “Bom”, ele responde, “minha maior fraqueza, definitivamente é a minha relação com a realidade: o que é real e o que não é”.

- “Ok”, diz o entrevistador, “e os seus pontos fortes?”

O rapaz sorri, realizado, e então revela:

- “Meu ponto forte? Você vai gostar de saber." Levanta a cabeça, respira fundo e diz com voz de herói: "Eu sou o Batman!”
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segunda-feira, agosto 01, 2011

PELO FIM DA SUSTENTABILIDADE COMO MODA

Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 01/08/2011, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos

ABRAHAM SHAPIRO

Nas primeiras tentativas de vôo do homem, inventores saltavam de penhascos com suas engenhocas, batendo asas ou pedalando hélices. Acreditavam estar voando. Na realidade caíam. Sem saberem que sua geringonça ia espatifar logo mais, eles se iludiam com o sucesso enquanto o solo ainda estava longe.

Esta é uma metáfora da nossa civilização. O penhasco são os recursos naturais aparentemente ilimitados no início da primeira Revolução Industrial. Nosso avião – a civilização – não voa pelos mesmos motivos porque os primeiros não voavam: a gravidade o faz cair, e não foi construído seguindo leis de aerodinâmica - traduzindo: o uso irracional não se mantém. Mas enquanto o solo ainda está longe, pensamos estar voando – olhamos para o futuro como que garantido, mesmo enquanto alguns homens e mulheres que já viram o chão se aproximar nos alertem de que o fim não será feliz.

Não existe um único documento científico escrito nos últimos trinta anos que contradiga esta realidade. Todos os sistemas de vida da Terra estão em declínio total. Eles formam a biosfera que nutre não só a nossa vida, mas a de trinta milhões de outras espécies deste planeta.

A maior parte das empresas dos últimos dois séculos é extrativa. Tiram da terra a matéria prima com que fabricam produtos. São abusivas, lineares em seus processos, destrutivas, e devolvem resíduos gasosos, líquidos e sólidos ao ambiente. É assombroso o quanto a terra precisa produzir para uma indústria conseguir R$ 1,00 de lucro através da extração.

Ainda deixamos um terrível legado de veneno e ruína ambiental às próximas gerações.

Se você é empresário, o que a sua empresa faz de efetivo pelo ambiente?

Se você é apenas aquela bondosa dona de casa que todos os dias pacientemente “varre” a calçada com o jato de água de uma mangueira, aqui vai um aviso: no andar da carruagem, muito em breve a senhora acabará condenada a uma injeção letal por esta rotina perniciosa e maléfica às reservas aquíferas do planeta.

Chegou a hora de construir um mundo sustentável – sob todas as óticas possíveis.

Sustentabilidade não é só uma palavra da moda com que as empresas ganham mais dinheiro com propagandas. É o conceito através do qual chegaremos ao dia em que um produto não fabricado deste modo não será consumido de modo algum. Este dia está chegando! Deus ajude que não seja tarde demais.
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sexta-feira, julho 29, 2011

O QUE INTERFERE NA REALIZAÇÃO DO POTENCIAL HUMANO

ABRAHAM SHAPIRO

A distância que separa o potencial humano da realização é quase sempre muito grande. Mesmo nas atividades mais comuns, não importa o quão bom alguém seja, ele sempre pode melhorar. Pense, por exemplo, que trazemos em nós o potencial de mudar o mundo. Realizá-lo, no entanto, requer muito mais que apenas vontade.

Vejamos de perto o que existe nesta distância. Talvez assim entendamos como criar uma ponte.

Eu jogo xadrez e dia desses enquanto jogava observei que estava ansios e distraído. Minha voz interior dizia coisas como: “Você não pode deixar este perdedor ganhar. O que seu filho dirá? Olhe para as peças, preste atenção. Você não é capaz de dominar jogadas tão simples? Seu imbecil, o adversário acaba de tomar seu cavalo...” E assim por diante.

Estes pensamentos eram interferências ou impedimentos a que eu me concentrasse no jogo e praticasse minhas estratégias e táticas.

Por que sentimos essas interferências em tudo o que fazemos? Medo? Dúvida? Nada é obstáculo maior ao desempenho que essas duas coisas. Logo, se nos livrarmos das interferências que tentam nos dispersar, nosso potencial terá condições de se realizar e se converter em desempenho.

Então, uma das formas de aumentar o desempenho é diminuir a interferência. Quanto mais a interferência diminui, maior fica o potencial disponível.

A interferência tem várias formas diferentes: medo de perder, medo de ganhar, medo de parecer um tolo, falta de confiança em si, tentar mais, querer ser perfeito, tentar impressionar, raiva e frustração, tédio, mente ocupada, e muito, muito mais.

Ok. Mas, na prática, o que podemos fazer para reduzir as interferências que roubam nosso potencial?

Eu fiz uma pesquisa em várias áreas da Psicologia e da Programação Neurolinguística, e descobri que há um modo muito eficaz para isso. É a concentração. Quando concentramos o foco de nossa atenção sobre o que estamos fazendo, nosso desempenho tende a maximizar, e nosso potencial encontra condições de realização.

Experimente eliminar tudo o que lhe dispersa a atenção. Concentre-se. Você verá que você consegue fazer bem o que se propõe.

Lembre-se disso: foco é o que faz o raio laser ser infinitamente mais poderoso que uma luz comum.
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quinta-feira, julho 28, 2011

MEDO E LIDERANÇA COMBINAM?

ABRAHAM SHAPIRO

Um dos princípios do processo decisório é: “Na hora da decisão, ter medo equivale a falhar”. Se um líder toma “n” decisões por hora, medo e liderança não combinam.

Falemos de promoções de pessoas nas organizações. O medo impede o avanço de muitos colaboradores competentes quando convidados a cargos de liderança. Razões possíveis:

• Não se achar habilitado.

• Receio da exposição frente a colegas prolixos, de personalidade negativa, do tipo que nada fazem de bom e atuam na limitação dos que desejam fazer bem.

• Exemplos desastrosos de promoções anteriores malsucedidas de gente incompetente e mal avaliada.

Não há dúvida de que o medo é o “ator principal” no palco das incertezas deste potencial candidato.

Toda promoção requer um ótimo levantamento do perfil pessoal e das principais competências gerenciais dos candidatos envolvidos. Saber separar o mero temor da inépcia do candidato. E às vezes isso não basta. Muitos são os casos que requerem o envolvimento de uma consultoria competente.

Nesta hora, o líder maior – um diretor, por exemplo – deve entrar em ação e solicitar ao colaborador que não tema, mas tenha confiança. Conhecer o bom desempenho do candidato e seu perfil são ferramentas que comunicam segurança. Isto aumenta a capacidade de engajamento no plano, porém, não dispensa este líder da obrigação de fornecer apoio real e dar ao candidato o devido suporte para fazê-lo sentir-se bem ao assumir suas novas tarefas.

Ter medo é humano. Mesmo quando as intenções são boas, o temor parece vir anexo. Mas medo sem motivo ou desnecessário gera situações mentais que o justificam. É como se os impedimentos imaginários encontrasse no medo o duto propício para se concretizarem.

Não há dúvida da existência de um nível de medo ligado à sobrevivência do homem, especialmente quando as tarefas que executa envolvem perigo. Mas nas decisões de caráter analítico, medo atrapalha e limita a realização do potencial humano. Medo e liderança não combinam, por uma simples razão: qualquer líder não pode ficar paralisado. O medo paralisa. O medo é impotência. Um líder medroso é uma falsidade insustentável.
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quarta-feira, julho 27, 2011

O SENHOR DE TODOS MERCADOS

ABRAHAM SHAPIRO

Você faz idéia de quanto o mundo mudou nos últimos 80 anos? O Marketing é um ótimo indicador.

Antes da Grande Depressão, na década de 30, os empresários diziam: “Faça uma ratoeira melhor e o mundo fará fila à sua porta para comprá-la”. Naquele tempo as empresas só se orientavam pela produção. Era produzir e vender.

O presidente de uma companhia tornou-se célebre quando disse: “Sabemos exatamente o que as pessoas querem: o nosso produto”.

As mercadorias eram vendidas por um preço determinado pela produção e pelo financeiro. Não existia preço de mercado. E sabe o que resultava disso? Eles vendiam tudo.

O automóvel era um produto que todo mundo queria ter um. Era empolgante. Os americanos compravam todas as unidades que a indústria produzia. Henry Ford, o primeiro magnata da indústria automobilística, entrou para a história ao dizer: “Nossos clientes podem ter um automóvel da cor que quiserem, desde que queiram o preto”. Dá para acreditar nisso?

Quando aconteceu a II Guerra Mundial, houve uma imensa escassez de produtos. Após 1946, as pessoas tinham medo enorme de que houvesse novos racionamentos. Elas começaram a comprar mais. Surgiram muitas variedades de produtos e, como resultado, nasceu a concorrência – que é a mãe da propaganda. Isso derrubou a arrogância das indústrias.

Hoje, a estratégia de qualquer empresa se orienta pelo mercado. Para sua informação, mercado é o resultado da oferta e procura de bens. Quando um produto possui oferta e procura, consideramos que existe mercado para este produto. Assim, merqueteiros, administradores, engenheiros, vendedores e toda sorte de profissionais se curvam hoje frente a este novo e poderoso dominador.

O nome da majestade? Cliente. É ele quem tem todo o poder. É ele quem, de fato, manda.
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terça-feira, julho 26, 2011

CONDUTA PROFISSIONAL E BRINCADEIRAS

ABRAHAM SHAPIRO

Um palhaço triste não atrai público ao circo.

Um juiz que piadista causa dúvidas sobre suas decisões.

O que constrói o valor de um profissional? Resposta: seu conhecimento e sua coerência com aquilo que sabe. Isto será visto através de seu comportamento em qualquer ocasião.

O adolescente e o jovem se projetam na sociedade em que vivem através da alegria e da irreverência. Mas continuar escandoalosamente alegre e irreverente por toda a vida é negativo, especialmente no exercício profissional, já que toda profissão tem como fundamento a postura séria e o foco naquilo que se faz.

Tenho visto gente ocupando cargos importantes de empresas comportar-se como  criança. Gasta tempo com brincadeira, envia e abre e-mails de piada no ambiente de trabalho, ignorando o código de conduta de sua instituição.

Porém, muito mais importante do que qualquer manual de procedimento de empresa é o modo particular de agir de cada um – a maneira própria e autêntica de se conduzir que o indivíduo carrega consigo por onde for.

Pessoas com desvios de conduta mostrarão necessidade de se autoafirmarem o tempo todo. Farão tudo para atrair atenção de colegas e vizinhos. Isto é mais visível em ambientes onde os funcionários trabalham em estações abertas, em contato direto com outros.

Uma empresa resolveu este problema através de um sistema de avaliação de desempenho. Eles avaliavam o comportamento, e depois compensavam ou puniam as pessoas. A ideia pode ser boa, apesar de difícil implantação. Mas eu não abro mão do velho e eficaz método de substituir rápida e sumariamente pessoas que apresentem atitudes desequilibradas ou exageradas. A razão é simples. É que, mesmo não sendo laranjas, elas podem acabar estragando todos à sua volta. E para mim isso basta para demiti-las.
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segunda-feira, julho 25, 2011

VENÇA A BARREIRA DA INTOLERÂNCIA

ABRAHAM SHAPIRO

O garoto apanhou de uma vizinha. A mãe, furiosa, foi tirar satisfação:
- Por que a senhora bateu no meu filho?
A vizinha nervosa respondeu: 
- O que você queria? Ele me chamou de gorda!
E a mãe retrucou: 
- E a senhora se acha mais magra agora que bateu nele?

Intolerância é o comportamento de quem reprime o outro através da força só por ele discordar de sua atitude ou convicção.

Pense comigo: adianta alguma coisa ser intolerante? O que se ganha com a inflexibilidade? Todos nós acabamos descobrindo que a força é o meio menos viável para alcançar objetivos.

Um gestor que preste terá a capacidade de conduzir as opiniões divergentes até um denominador comum. Ele sabe como as pessoas à sua volta funcionam e, por isso, negocia para convergir.

Se for um líder, ele não violenta ninguém. Aliás, faz tudo para convencer sem usar energia física ou pressão moral. Ele sabe vender ideias. Sabe persuadir – convencer com suavidade.

Você é intolerante? Invista todos os seus recursos pessoais para converter esta fraqueza em maior flexibilidade através de compreensão.

A intolerância já produziu marcas tristes e profundas na humanidade, como preconceito, perseguição, disputa e destruições. O pior exemplo de intolerância foi o nazismo – uma terrível página da história.

Vai aqui a minha dica prática. Comece pensando que o maior beneficiado em ser tolerante é você mesmo. Se alguém pensa ou age diferente de você, e o seu sentimento desperta o ímpeto de usar força para convencê-lo, troque este impulso bruto por palavras brandas, porém inteligentes. Conseguindo isto ao menos uma vez, você verá que ganhou muito. E com um detalhe: inteligência também é uma modalidade de força – mas é força da sabedoria, força da alma. Muito em breve, você terá preferência por esta opção em tudo o que fizer.
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O FRUTO DE UM VERDADEIRO EXEMPLO

Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 25/07/2011, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos

ABRAHAM SHAPIRO

A 2ª. Guerra Mundial produziu muitos heróis. Um deles foi o Comandante Butch O'Hare, piloto de caça, operando no porta-aviões norteamericano Lexington, no Pacífico Sul.

Certo dia, o seu esquadrão foi enviado a uma missão. Quando já voavam, ele notou pelo medidor de combustível que alguém havia esquecido de encher seu tanque. Não teria combustível suficiente para completar a missão.

O líder da equipe o instruiu a voltar ao porta-aviões. Relutante, ele saiu da formação e iniciou a volta. No trajeto viu algo que fez seu sangue gelar: um esquadrão de aviões japoneses voando na direção da frota americana.

Com os caças afastados da frota de navios, ela ficaria indefesa. Butch já não podia alcançar seu esquadrão e nem comunicar a frota sobre a aproximação do perigo. Só havia uma coisa a fazer – desviar os japoneneses de alguma maneira.

Esquecendo-se de sua segurança pessoal, ele mergulhou sobre os aviões. Seus canhões montados nas asas disparavam enquanto atacava um surpreso avião inimigo, e em seguida outro. Butch costurou dentro e fora da formação, agora rompida, e incendiou tantos aviões quanto possível, até que sua munição finalmente acabou. Ainda assim, ele continuou o ataque mergulhando na direção dos aviões, tentando destruir e danificá-los, tornando-os impróprios para voar.

Finalmente, o exasperado esquadrão japonês partiu em outra direção. Aliviado, Butch O'Hare e seu avião danificado se dirigiram ao porta-aviões. Chegando lá, informou seus superiores sobre o acontecido. O filme da máquina fotográfica montada no avião comprovou os detalhes da história, mostrando a extensão da ousadia de Butch. Na realidade, ele tinha destruído cinco aeronaves inimigas.

Isto ocorreu em 20 de fevereiro de 1942. Por aquela ação Butch se tornou o primeiro Ás da Marinha Americana na 2ª Guerra e o primeiro Aviador Naval a receber a Medalha Congressional de Honra.

No ano seguinte, Butch morreu em combate aéreo com 29 anos de idade. Sua cidade natal não permitiria que sua memória desaparecesse. E hoje, o Aeroporto O'Hare, o principal de Chicago, tem esse nome em tributo à coragem deste grande homem. Se porventura você passar no O'Hare International, vá ao Museu comemorativo e visite sua estátua e Medalha de Honra. Fica entre os Terminais 1 e 2.

Mas sabe quem realmente era Butch O'Hare? Era o filho de “Easy Eddie” – o advogado de Al Capone, cuja história contamos nesta coluna na semana passada (leia clicando aqui).

A lição? Somos um espelho para nossos filhos – o exemplo para todos os que lideramos e influenciamos.
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sexta-feira, julho 22, 2011

SEGUNDA E TERCEIRA OPINIÕES

ABRAHAM SHAPIRO

O eletricista de manutenção do hospital chega à UTI, olha para os pacientes ligados a diversos aparelhos e diz em voz alta: “Atenção, pessoal. Estou aqui para trocar um fusível do painel elétrico. Encham o pulmão de oxigênio e prendam a respiração. Prometo não levar mais de um minuto para religar a energia”.

Se isso acontecesse, o tal eletricista com certeza acabaria preso. Mas há uma lição importante por trás dessa simples anedota. Nem sempre é possível usar a mesma solução para diferentes problemas.

Todos nós temos a tendência de pensar que o que é bom para isso, também o será para aquilo. Se aqui funciona, lá também deverá funcionar. Talvez daí venha o péssimo hábito da automedicação ou de receitar um remedinho para alguém que descreva sentir a mesma dor que um dia sentimos.

Em negócios, ter consciência de espaço e tempo é imprescindível. Nenhum problema pode ser resolvido sem que a toda a estrutura da empresa seja levada em consideração. E não é por ter funcionado na empresa A que um determinado modelo será bom para a empresa B. Cada caso é um caso. Sempre.

Nos negócios e na vida comprar-se aos outros pode ser um erro incorrigível. O correto é entender como é o seu próprio negócio e suas potencialidades – refiro-me a quando crescer, como abordar melhor o mercado, como fidelizar ou resgatar clientes etc.

Se você se julga limitado para chegar a estas análises, contrate profissionais que o ajudem – uma consultoria, por exemplo.

Pense e responda: se um médico lhe dissesse que você sofre de um mal incurável, o que faria? Tenho certeza que buscaria uma segunda opinião, não? Ora, se é assim com coisas ruins – como uma grave doença, D-us nos livre – mais ainda devemos buscar segundas e terceiras opiniões para coisas boas – como os assuntos da empresa.
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quinta-feira, julho 21, 2011

A CORRETA ANÁLISE DOS PROBLEMAS DA EMPRESA

ABRAHAM SHAPIRO

O gerente comercial de um atacadista estava preocupado com a queda nas vendas de sua empresa. Decidiu-se por uma campanha: dar uma TV de plasma de 50 polegadas para o vendedor que realizasse 25% mais vendas que a sua meta no trimestre. Três meses se passaram e os vendedores mal conseguiram atingir a meta.

O que deu errado? Essa história lhe parece familiar?

Vamos entender. Comecemos do fato de que uma empresa é formada por várias áreas. Todas trabalham por um objetivo comum. O gerente que é realmente capacitado saberá que o seu setor depende de todos os demais, e que a empresa – como um todo – disputa seu espaço de mercado ao lado de muitas outras.

Se ele consegue entender e enxergar isto, ele possui um atributo especial que se chama Visão Sistêmica.

Um médico pratica a visão sistêmica quando pede exames para descobrir a origem de uma simples dor de barriga de seu paciente. Ele irá analisar o funcionamento de todo o corpo do cliente e só depois fará a indicação do remédio correto. Este procedimento é muito mais inteligente do que fazer tentativas com vários medicamentos até conseguir o resultado desejado. O que você acha?

O erro daquele gerente da empresa atacadista advinha de sua falta de visão sistêmica. Ele acreditava que a equipe venderia mais apenas pelo prêmio oferecido – o que não é verdade. Se quisesse obter sucesso, ele devia antes analisar o mercado, a concorrência, o comportamento atual dos clientes e até a existência de possíveis problemas internos à equipe. Só então é que seria possível determinar a solução ideal ao problema.

Estratégia de vendas que preste só pode ser engenhada mediante o conhecimento detalhado de como funcionam os elementos internos e externos à empresa.

Um gestor de verdade sempre será aquele que consegue olhar para as partes sem jamais perder a visão do todo.
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quarta-feira, julho 20, 2011

PREÇO OU VALOR... QUAL A MELHOR ESTRATÉGIA?

ABRAHAM SHAPIRO

Preço é, certamente, um dos aspectos que o cliente leva em conta na hora de fazer suas compras. Mas reduzir preços para atrair clientes não é a melhor estratégia. Nem a mais importante.

Em vendas há dois modos de competir: tendo o menor preço ou criando o melhor valor.

Supermercados e postos de combustíveis acham que só podem competir com preço. Estão errados. Poderiam explorar outras vantagens como localização, serviços ou variedade de produtos. Infelizmente, não entendem ou não acreditam nisso.

Uma guerra de preços é uma guerra sem fim. Você baixa o preço, o concorrente se iguala ao seu ou abaixa mais. Você reduz de novo, e ele, outra vez. Essa “guerra fria” prossegue até um dos dois perceber que não tem mais lucro ou quebrar de vez.

O consumidor se acostuma com preço baixo. Ele detesta quando a guerra para e os preços normalizam.

Criar valor para o cliente é a melhor de todas alternativas. Do que se trata? Ser mais rápido. Facilitar o negócio. Criar uma experiência maravilhosa de consumo. Proporcionar condições para que o cliente goste e prefira negociar com você... Em resumo, criar valor é resolver os problemas do cliente de um modo tal que ninguém se iguale a você em proporcionar satisfação. É um estado da arte!

Valor é uma percepção subjetiva. Esta percepção pode ser desenvolvida. Não é apenas saber o que ele quer ou necessita. Você é quem ajuda o cliente a “ver” o que há de valor em seu produto ou serviço. Assim que ele vir e sentir por si, ele estará disposto a pagar por isso.

Um consumidor é diferente do outro. Este paga para ter as coisas prontas rapidamente. Aquele não paga um centavo sequer. Saiba, então, quem é o seu cliente, e onde ele se encontra. Nem todos têm a mesma predisposição.

Caso não se convença dessa ideia, tente refletir na seguinte situação: você procuraria o cirurgião mais barato da cidade se precisasse de uma cirurgia? Se lhe causa algum impacto pensar nisso, parta deste pensamento para entender o diferencial que o seu negócio precisa ter para que o cliente pague por ele o quanto vale.
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terça-feira, julho 19, 2011

É MAIS NO CORAÇÃO DO QUE NO BOLSO

ABRAHAM SHAPIRO

“O que eu devo fazer para vender mais?” – perguntou-me o dono da loja bem localizada que via seu vizinho aparentemente mais fraco ser a preferência da maior parte do publico comprador.

Eu pesquisei. Trouxe a ele uma resposta. Acho que ele não gostou. Eu disse: “Vender mais? Sua salvação está atrás do balcão. E se chama ‘atendimento’”. Mostrei que os funcionários trabalhavam de má vontade e tratavam as pessoas de modo rude.

Cada cliente de hoje quer ser tratado como um ser singular. Foi-se o tempo em que bastava expor a mercadoria e as pessoas compravam. Quase todos comerciantes ainda fazem isso. E para piorar, os preços quando não  iguais, são bem parecidos. Assim, se o cliente não vir  algum diferencial de destaque  que transforme a venda numa grande conquista, ele quererá a mercadoria de graça.

Eu temo que isto signifique que talvez tenhamos de reaprender como fazer negócios!

Em primeira instância, o consumidor deseja comprar os benefícios reais que o produto lhe proporciona. Ocorre que, além dos benefícios, ele mantêm uma expectativa de caráter emocional que, não existindo, ele buscará em outros lugares, pré disposto a pagar por isso.

Há dois anos, uma famosa rede de joalherias lançou um brinco com fecho de brilhante. Imagine que jóia maravilhosa! Custa uma pequena fortuna. Os profissionais de marketing da empresa predisseram tratar-se de um grande erro estratégico, e que o investimento seria um fiasco. Resultado: o produto tornou-se campeão de vendas desde o dia em que foi às vitrines.

Observe a crescente demanda de sapatos de R$ 9 mil o par, e de bolsas de R$ 20 mil. Este mercado é polpudo. Quando analisado, mostra que não é composto só de consumidores da classe A como seria óbvio pensar.

Existem novas motivações nas necessidades de compra. As pessoas pensam: “Eu sou importante. Logo,  mereço um tratamento à altura de um ser especial”.

Portanto, pense bem antes de julgar que preço baixo é o que atrai compradores. Atrairá, sim, se a sua mercadoria é commodity, ou se os seus funcionários são trogloditas.

Vencer a concorrência hoje em dia é uma ciência que tem mais a ver com o prazer que o cliente sente no coração do que com a dor que se imagina que ele teria no bolso.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

segunda-feira, julho 18, 2011

UM MODO ÚNICO DE ENSINAR

Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 18/07/2011, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos

ABRAHAM SHAPIRO

Al Capone foi um homem que chegou virtualmente a possuir Chicago, nos Estados Unidos. Não como herói, mas como bandido. Inundou a cidade com contrabando, prostituição e assassinatos. Seu advogado tinha o apelido de "Easy Eddie" e era um exímio profissional, especialmente por ter mantido Capone longe da cadeia por muito tempo.

Para mostrar apreço, Capone lhe pagava não só com muito dinheiro, mas com vantagens especiais. Eddie e a família moravam em uma mansão super protegida que ocupava um quarteirão inteiro de Chicago. Vivia a vida das altas rodas sociais sem qualquer preocupação com as atrocidades à sua volta. No entanto, tinha um ponto fraco: o filho a quem amava imensamente. Provia ao jovem o melhor de tudo: roupas, carros e escola. E, apesar do seu envolvimento com o crime, Eddie tentou ensinar ao filho o que era certo e errado, pois desejava que fosse um homem melhor do que ele. Mesmo assim, com tanta riqueza e influência, havia duas coisas que estava impossibilitado de dar: um bom nome e exemplos.

Certo dia, Easy Eddie chegou à mais difícil conclusão de sua vida: corrigir os erros que tinha cometido. Decidiu que iria às autoridades e contaria a verdade sobre Al Capone. Pretendia, deste modo, limpar o seu nome manchado e, assim, oferecer ao filho algo íntegro de que se orgulhar. Ele testemunharia contra a quadrilha de Capone mesmo sabendo do preço que teria de pagar. E foi o que fez.

Poucos meses depois, a vida de Easy Eddie terminou em um tiroteio. A seus olhos, contudo, ele havia dado ao filho o maior presente que podia oferecer: um exemplo. Em seus bolsos a polícia encontrou um crucifixo e um poema recortado de uma revista.

O poema dizia: "A vida é um relógio que recebe corda apenas uma vez. Nenhum homem tem o poder de decidir quando os ponteiros pararão – se mais cedo ou mais tarde. ‘Agora’ é o único tempo que você possui. Viva, ame e trabalhe com vontade. Não ponha esperança alguma no tempo, pois, a qualquer instante, o relógio da vida poderá parar".

Como pai, mãe, líder, gestor de uma empresa ou simples profissional, pense numa frase que poderá mudar o seu jeito de viver: “Eu jamais consegui ensinar as lições que achei importantes a meus filhos, mas eu os vi fazendo tudo o que eles me viram fazer”.
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sexta-feira, julho 15, 2011

A MEMÓRIA EM FAVOR DOS NEGÓCIOS

ABRAHAM SHAPIRO

Dois pesquisadores americanos fizeram uma importante experiência. Reuniram pessoas em um cinema e exibiram uma seqüência de filmes que continham fatos enganosos. Um deles mostrava o coelho Pernalonga posando em fotos montadas com turistas na Disneylândia. Ao final da exibição, quase um terço dessas pessoas achavam que o filme era real. O problema é que  o Pernalonga é um personagem criado pela Warner Brothers -  concorrente frontal da Disney. Ele jamais seria visto na Disneyworld.

O ser humano tem uma facilidade incrível de criar memórias falsas. Ilusão é uma das principais características do homem, acredito que seja uma herança recebida de Adão e Eva no episódio do fruto proibido.

Observe que os idosos geralmente falam do passado como um tempo em que tudo era perfeito e bom. Você acredita mesmo que seus avós amarravam cachorro com lingüiça? O que se passa com os idosos  é que eles apagam da memória tudo o que lhes parece ruim algum tempo depois de terem vivido aquilo. Só fica o que eles mais gostaram, admiraram e lhes fez bem.

A pesquisa feita pelos americanos comprova que as pessoas não questionam e nem checam informações. Quando gostam, simplesmente creem. Há gente que acredita em novelas da tevê a tal ponto que agridem artistas que fazem papel de vilão quando saem às ruas!

Haverá algum modo positivo como possamos utilizar esta experiência? Tenho uma sugestão lucrativa para os seus negócios. Relembre clientes inativos sobre como foi bom para eles e para você fazerem negócio juntos. Faça-os recordar das coisas boas que vocês proporcionaram mutuamente, dos benefícios e vantagens concretos dessas transações.

Os políticos se aproveitam disto. Quando  falam  com insistência sobre o que fizeram de bom no passado – mesmo que  mentira – eles demonstram saber como a nossa memória funciona mal.

Tenho certeza que em sua carteira de clientes existem vários que continuam consumindo, mudaram-se para a concorrência e  você nem saiba as reais razões disso. “Quem não é visto, não é lembrado”. E em negócios, quem não é lembrado, está morto ou “nas últimas”.
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quinta-feira, julho 14, 2011

MAS QUAL É O COMBINADO?

ABRAHAM SHAPIRO

Um cliente zangado escreveu um e-mail para o diretor presidente de uma empresa queixando-se do péssimo serviço que recebeu quando solicitou a troca de um produto defeituoso. O presidente distribui  o e-mail a três departamentos.

O gerente de qualidade disse: “Estou com problemas. Minha função é garantir serviços e produtos de alta qualidade. Com este e-mail o presidente está pensando que eu ‘pisei na bola’”.

O Gerente de produção pensou: “Um cliente entre os dois mil que atendemos no mês passado reclamou. Os outros 99,9% não queixaram de nada. Minha equipe é um sucesso!”

O Gerente comercial, por sua vez, analisou: “Este cliente tem uma conta importante conosco. Espero que gerente de produção dê a devida atenção a este caso. Esse pessoal da qualidade não “se emenda”mesmo.”

Três gerentes.  Todos deviam se envolver diretamente no problema. Mas estão iludidos com suas visões individuais. Pensam apenas na culpa dos outros, e em livrar sua própria pele.

Não é preciso conhecer marketing ou psicologia para saber que há problemas sérios nesta empresa.

O cliente só está satisfeito quando  seu pedido é entregue conforme os atributos, vantagens e benefícios que lhe foram prometidos... e ao tempo acordado. É imprescindível. Qualidade aquém do esperado e/ou atrasos na entrega afetam  o valor e  o conceito do produto. Vira desgaste.

O que fazer? Se neste exemplo você é o cliente, não durma no ponto. Chame os seus fornecedores à mesa de negociação e exponha suas necessidades e expectativas reais em relação a qualidade e prazos de entrega. Se eles se enquadrarem, redija um contrato - imponha condições e penalidades para as situações que causarem perdas. Se  não têm como lhe atender, troque de fornecedor. Seja pragmático. Se você não cuidar da sua pele, quem cuidará?

Se no exemplo deste e-mail você é o fornecedor, chegou a a hora de fazer uma avaliação crítica dos processos internos de sua empresa. Adote correções urgentes. Ajuste  suas vendas e atendimento à verdade. Envolva todos os colaboradores, e seja honesto. Se a  empresa só consegue produzir e entregar X produtos, vender acima disso e não cumprir o prometido é o caminho mais rápido e fácil para a destruição. Ouça a voz da sabedoria de  alguém que já disse há muito tempo antes de mim: “Tratado não é caro”... Jamais!
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quarta-feira, julho 13, 2011

O VALOR DE UM PRODUTO OU SERVIÇO

ABRAHAM SHAPIRO

Poucas empresas, hoje, trabalham com estoque de insumos e matéria prima. Isto é conveniente em um cenário de economia estável. O risco deste procedimento está na dependência da pontualidade dos fornecedores. E  fornecedor pontual hoje em dia parece  mais raro do que cabeça de bacalhau.

Mas  não importa. Há um  princípio básico da compra e venda. E ele reza: “Produto vendido deve ser entregue conforme o pedido”. “Conforme o pedido”, aqui, é uma expressão que rege não apenas o compromisso entre as partes, mas é a base sobre a qual, na ótica do marketing, acabará conceituando o produto em si. É grave. E não  só. O cumprimento do pedido determinará também o valor do produto negociado.

Vamos entender. Um buquê de rosas que tenha sido encomendado numa floricultura por um homem  a fim de presentear sua esposa na data de aniversário de casamento, não terá significado algum e nenhum valor se entregue no dia seguinte ao combinado. As conseqüências deste atraso, em especial, podem ser até dramáticas e acabar em divórcio.

O valor de um produto ou serviço é uma percepção subjetiva -  depende da visão de cada pessoa. As flores do nosso exemplo, se entregues conforme o pedido, terão muito valor. Este valor é alto porque a percepção do cliente acompanha as  expectativas inicialmente depositadas no pedido Para ele, o fator “tempo” está incluído na definição, isto é, no conceito deste produto – as flores. Um atraso da floricultura  – mesmo que justificável – irá potencializar um prejuízo na ótica do cliente - de cunho emocional. Por mais lindas que sejam, as flores valerão nada no dia seguinte.

Fixe na sua mente a lição básica: a percepção do cliente influencia o valor e o conceito do produto que você lhe oferece. Não julgue os sentimentos das pessoas pelos seus. Isto também vale em marketing e vendas. Não acredite que o cliente  aceitará as suas desculpas de atraso ou de falhas na qualidade. Ele sempre tem um julgamento próprio que irá determinar os próximos negócios. Ele  segue sempre suas necessidades, seus planos e situações momentâneas de desconforto. É ele quem está pagando... e como diz um velho ditado: “Quem paga manda”.
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terça-feira, julho 12, 2011

COMPETÊNCIA x AR CONDICIONADO

ABRAHAM SHAPIRO

Ele é gerente de RH de uma grande indústria. Trabalha numa sala da matriz, e seu currículo é supimpa. Tem auxiliares e ajudantes.

Uma das filiais precisou de urgente aumento do quadro de funcionários. O tempo já estava longo demais sem uma solução ao problema. Questionado, nosso gerente explicou que havia destacado seu melhor assistente a ir até a filial, e que este havia constatado estar tudo bem no processo de atração de candidatos.

A seu ver, o problema era, mesmo, em razão do apagão da mão-de-obra local. Foi quando o diretor questionou: “E você esteve lá para averiguar?” A resposta foi: “blá blá, blé blé, bli bli”. Nada com nada.

Por que as pessoas acham mais bonito construírem uma "desculpa" em vez de ir direto ao ponto com um sim ou não?

Os livros propõem que o RH vivencie o negócio da empresa. É obrigatório que pelo menos o gerente experimente as situações próprias do segmento em que a empresa atua, pois, na condição de gestor, as decisões que envolvem "gente" são de sua responsabilidade. Ele cuida das pessoas assim como o gerente de fábrica cuida da produção. Ele está aí para descobrir de que modo as pessoas darão de si na medida requerida pela empresa.

Como o RH terá visão clara dos funcionários que ele administra? Não será sentado numa sala, cercado de auxiliares.

Desgraçadamente, porém, é isso o que ocorre em muitas empresas. O gestor deduz saber coisas que deviam ser averiguadas e vividas em campo, sentado no ar condicionado.

Quando nosso gerente deslocou-se até a filial descobriu que uma grande construtora remunerava novos contratados com um piso salarial superior ao oferecido por sua empresa. Retornou à matriz, expôs o problema ao diretor e ambos decidiram melhorar as condições. O problema foi resolvido.

Competência é função da atitude. Competência depende de tirar o traseiro da cadeira e suar. Intuição, informe telefônico, experiências de currículo e envio de assistentes é tão bom quanto chá de camomila para curar tumor no estômago.

O negócio é ir a campo, e parar de intuir!
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segunda-feira, julho 11, 2011

OPORTUNIDADES

Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 11/07/2011, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos

ABRAHAM SHAPIRO

Nem sempre elas advêm da sorte. Nem sempre são um milagre, herança ou privilégio especial. Faz sentido desejar encontrá-las e até contar com a fé para isso. Mas quem tem olhos para ver, sabe que oportunidades estão disponíveis para muitos – senão para todos – em todo tempo e lugar.

Há quem as trate como sementes. Plantam-nas e se esforçam a cultivá-las até que produzam frutos. Então colhem, e saboreiam o resultado de seu trabalho.

Há quem as despreze. Talvez por ser trabalhoso cuidá-las. Talvez por acharem que lucro que é lucro tem que ser imediato.

Alguns tomam as oportunidades para si, tiram o melhor proveito, e prosperam.

Outros as menosprezam, e prosseguem pela vida reclamando de que foram injustiçados.

Quem jamais teve um colega de escola que vivia “duro”, e hoje está bem de vida? O que explica isso? Oportunidades que você não teve, e ele sim? Conseguir enxergar as oportunidades é a diferença entre o sucesso e o fracasso.

- “Como pode ser?” – diz o investidor revoltado. “Eu passava por aquele terreno há tanto tempo e nunca observei que a região seria de imensa valorização!”

- “Por que não esperei dois anos mais para vender o sítio?” – diz o herdeiro. “Hoje vale cinco vezes mais!”

Se você procurar, encontrará algo em casa que use velcro. Esta é uma invenção sensacional, de 1941, criada por um curioso engenheiro suiço. Observando carrapixos que grudavam na sua roupa e no pêlo de seu cão nas caminhadas pelo campo, ele entendeu a potente aderência que o vegetal tinha nos tecidos. Desenvolveu um produto para unir materiais de forma reversível, e daí nasceu a Velcro S.A, uma empresa que fez dele um verdadeiro milionário. Para muitos o carrapixo é só um incômodo. Não para aquele engenheiro. Ele pensou de modo útil sobre algo que esteve lá para todos, igualmente. Sorte? Não. Visão!

Em inglês há um interessante jogo de palavras: OPPORTUNITYISNOWHERE. É possível extrair duas frases dessa sopa de letras. Uma é: OPPORTUNITY IS NOWHERE – Oportunidade está longe. E a outra: OPPORTUNITY IS NOW HERE – Oportunidade está aqui agora. São as mesmas letras, mas com sentidos opostos. Depende de como se lê.

É assim com qualquer oportunidade. Depende de ver, depende de enxergar, e depois, da atitude em relação a ela!
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

domingo, julho 10, 2011

CONFLITOS SOCIETÁRIOS DESTROEM EMPRESAS E PATRIMÔNIOS

Renato Bernhoeft

O complexo mundo das relações societárias é um tema que não tem ganhado a merecida atenção por parte de estudiosos e do mundo acadêmico. Na qualidade de um consultor, pude constatar que a destruição de empresas e patrimônios tem como causa principal, em 70% dos casos, os conflitos familiares ou societários não tratados ou resolvidos de forma preventiva.

Nessa fase de euforia com a estabilidade da economia brasileira, podemos observar este fenômeno se repetindo em dois grandes conglomerados: um

do segmento varejista e uma empreiteira. Em ambos os casos são grupos empresariais que apresentam uma história de sucesso e crescimento constante. Até porque demonstraram, ao longo do tempo, uma capacidade empresarial e de gestão bem acima da média.

A questão que surge agora é bem mais complexa, pois envolve nuances de ordem emocional. Basta verificar que os argumentos dos envolvidos dizem respeito a sentimentos e ressentimentos. Ou seja, sensações, em sua maioria negativas, que não foram discutidas ao longo do tempo.

Construir e manter uma sociedade envolve três dimensões fundamentais: confiança, dinheiro e poder.

Quando qualquer uma delas é abalada, a sociedade estará fortemente comprometida. A palavra que melhor pode descrever os compromissos que envolvem esse tipo de relação é "cumplicidade".

Isso significa total transparência, fidelidade, compartilhamento de valores e ética entre outros. Caso contrário, a sociedade vai começar a se fragilizar.

Para muitos que comparam uma sociedade com um casamento ou uma amizade, diria que estes possuem os ingredientes da tolerância, perdão e eventual atratividade. Variáveis que não se aplicam a uma sociedade. Nela, existe ainda a questão do dinheiro ou do poder. Embora algumas vezes elas possam estar associadas, cada uma possui características e importância distintas.

O dinheiro jamais pode ser visto apenas na perspectiva do ganho. Sua análise exige um olhar mais profundo sobre o significado e a forma como cada parte se relaciona com ele.

Já o poder envolve as vaidades, o brilho, a visibilidade e a imagem frente a terceiros. Essa variável é de maior risco nas sociedades entre pessoas muito "autocentradas", com um ego acima da média.

Um erro bastante comum entre empreendedores ou empresários que se associam é dar prioridade às questões estratégicas e operacionais. Esquecem-se, ou não dão importância, ao relacionamento na qualidade de sócios. Ele exige tanto ou mais cuidado do que apenas as empresas e seu funcionamento.

Quando falamos na estrutura das relações societárias, é importante ressaltar que nenhum modelo tem garantias que lhe permita durar para sempre. Ou seja, as razões que levaram pessoas ou organizações a julgar conveniente uma união em algum momento se esgotam.

Caso esse modelo não seja revisto ou renovado, o risco para o surgimento de conflitos se acentua -especialmente quando o modelo original se esgotou.

Apesar de todos os acordos, protocolos e documentos formais serem importantes, eles não instrumentalizam a delicada dinâmica, que é própria de qualquer sociedade.

Na maioria das vezes, esses conflitos têm servido mais como forma de enriquecimento dos contratados para defender as partes envolvidas. Até porque, nessa altura dos acontecimentos, a sociedade estará destruindo valor -tanto o tangível como o intangível - bem como a relação de confiança, e só restam acusações mútuas.
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Renato Bernhoeft é fundador e presidente do conselho de sócios da höft consultoria societária.