27 de mai de 2014

RETENÇÃO DE TALENTOS: MITO OU VERDADE?

ABRAHAM SHAPIRO

“Nossos pilotos voam à frente de nossos aviões” declarou o diretor de uma companhia aérea numa entrevista. Ele quis dizer que sua empresa busca profissionais proativos.
Por que as empresas não têm funcionários proativos? Pela mesma razão porque também não têm funcionários comprometidos com o negócio em que atuam. Mas elas não investem seriamente em processos de seleção.  Contratam pessoas que dão a impressão de que atendem às exigências da posição que irão ocupar. Porém, não confirmam se estas pessoas têm ou não as qualificações.  É quase sempre a regra. Não a exceção.
Na hora de contratar um profissional é normal as empresas prenderem-se apenas ao salário e custos trabalhistas, e se esquecem de computar as perdas que a ausência de competências no perfil deste recém contratado causará.  Em geral, elas têm maior cuidado e atenção na compra de uma máquina do que na seleção de funcionários.
Depender exclusivamente de uma entrevista para a contratação é um risco enorme.  A entrevista é importante. Mas não é tudo. A primeira pergunta é: quem as realiza na sua empresa? É pessoa com suficiente habilidade? Sabe julgar a profundidade de experiência dos candidatos ou a extensão de suas capacidades numa entrevista que dura, em média, de 20 a 30 minutos? Os fatos obtidos do candidato são essenciais? Ou são quase sempre não concludentes e a contratação acaba acontecendo por falta de profissionais?
Mas talvez você diga: “Na minha empresa fazemos uma bateria de testes!” E eu me rio. Saiba que há homens e mulheres que se saem excelentemente bem em testes e são um fracasso total no cargo. E vice-versa. Além disso, com uma simples pesquisa no Google, qualquer idiota aprende a resolver todos os testes. Não estou dizendo que os testes devam ser eliminados. Mas decidir pela contratação de um novo funcionário apenas por ele ter-se saído bem em testes é fraco, grosseiro e arriscado. Parece mais um desencargo de consciência.
Um recrutador e selecionador de pessoas tem de ter profissionalismo, prática e acima de tudo responsabilidade sobre suas conclusões. Por estas razões, eu fico mesmo com uma boa entrevista: profissional, eficiente e feita por alguém com esta bagagem.
Pare tudo! Investir na seleção de empregados. Defina parâmetros de perfil correto, salário, condições corretas de início e perspectivas atrativas de evolução na carreira. Depois, confie o processo de seleção a quem sabe fazê-lo com domínio. O turn over irá baixar e você saberá, enfim, que reter talentos não é um mito!
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Abraham Shapiro é consultor e coach. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é "simplicidade". É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome". E-mail: shapiro@shapiro.com.br Fone: 43. 8814.1473