17 de jun. de 2013

E QUANDO OS FILHOS NÃO QUEREM ASSUMIR O FUTURO BRILHANTE QUE O PAI LHES DEIXOU?

Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 17 de junho de 2013, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos.



ABRAHAM SHAPIRO


Desde os tempos da Bíblia, todo pai deseja proporcionar boas coisas aos filhos. O pai empresário também, especialmente quando vê a empresa como legado aos descendentes. O problema é que os filhos também têm suas visões.
Como consultor, vi pais lamentando ou se autocondenando por não ter sido enérgico o bastante para engajar os filhos no “brilhante futuro” que passaram anos construindo para eles. O fato é que, futuro brilhante para muitos filhos não significa assumir a posição do pai.
Estamos vivendo uma era de novos contextos e conceitos. Até a definição de união mudou. Como tudo isso não afetará os critérios de existência e de condução das empresas, especialmente as familiares?
Um filho fazer o que seus pais querem – ou vive-versa – é, hoje, improvável sob quase todas as óticas. Em decorrência também disso a sucessão da empresa é um tema que se tornou tão ou mais importante que  o fluxo do caixa, a rentabilidade e as vendas, especialmente em negócios bem posicionados.
Na prática, absolutamente nenhum dirigente empresarial terá a seu dispor o tempo ideal para enfrentar e resolver sua continuidade do modo desejável. Por que então não lidar desde já com todas as condições que definirão o futuro do modelo dos negócios da família?

Um exemplo? O que fazer se o seu filho não quiser assumir a gestão dos seus negócios?
Após todos os erros que já vi em dezenas de empresas, o melhor será colocá-lo hoje mesmo em contato com profissionais que o orientem, informem e o aculturem a respeito do futuro, pois a empresa é um bem de herança, e como herdeiro, ele terá de exercer acompanhamento mesmo fora da gestão. Há inúmeras competências a serem despertadas e desenvolvidas nele durante esse processo.
“Futuro brilhante”, portanto, é uma equação de múltiplas variáveis – todas complexas, sérias e comprometedoras demais. Será injustificável a qualquer gestor repousar sobre a premissa de que a hora de pensar e agir de modo realístico a respeito disso ainda não chegou ou, pior ainda, de que bastará a seus descendentes  assumirem de modo compulsório o futuro que ele lhes planejou.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é simplicidade. É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome - Inspirações para a Vida, o Trabalho e os Relacionamentos", Editora nVersos, 2012. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473