6 de mai. de 2013

O QUE FAZER COM HERDEIROS DE EMPRESAS FAMILIARES?

Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 06 de maio de 2013, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos.


ABRAHAM SHAPIRO

Nas minhas consultorias, percebo que a maioria dos dirigentes de empresas familiares passa às gerações futuras alguns “recados” errados  e que comprometem o futuro dos negócios. O mais grave de todos é que “todos têm um lugar garantido na empresa da família”.
Obrigar o filho a ir para a empresa pode ser um “tiro no pé”. Mas deixá-lo tratar o negócio como uma alternativa de último recurso é bem pior.
Vi empresas inexplicavelmente povoadas de membros incompetentes da nova geração. Alguns desses haviam fracassado como atletas, artistas ou músicos. Assumiram instantaneamente postos de liderança plena pelo simples fato de ser da família. Desempenho que seria bom? Próximo de zero.
Talvez por isso muitas culturas do planeta tenham seu modo próprio de descrever a propensão de empresas familiares a naufragar quando os netos do fundador chegam ao comando.
No Brasil se diz: “Pai rico, filho nobre, neto pobre”. No México: “Pai comerciante, filho cavalheiro, neto mendicante”. Na China: “Fortuna nunca dura três gerações”. Há outras até engraçadas. Todas, em comum, remetem ao pensamento de que a elevada taxa de insucesso torna este fato inevitável.
Mas não é!
A Gerdau S.A. adotou uma prática de sucesso que pode ser reproduzida e adaptada a empresas de todos os portes.
Em 1994, a Gerdau já estava na quarta geração da família Johannpeter. Quatro irmãos conduziam os negócios. Eles implantaram um modelo que mais tarde chamou “Modelo da Formação e Triagem”. Isso trouxe excelentes resultados à sucessão. Conheça agora os passos do Modelo da Gerdau:
PRIMEIRO: Comece por expor a nova geração do clã à empresa desde cedo para que possa decidir, com embasamento, se ele quer ou não fazer carreira nela, no futuro. No entanto, este posto não deve jamais ser um direito herdado.
SEGUNDO: Se ele desejar trabalhar na empresa, não terá nenhum tratamento especial. Deverá conquistar um diploma universitário, trilhar uma pós-graduação ou MBA e manter vários anos de experiência profissional relevante fora do negócio da família.
TERCEIRO: Por fim, para ocupar um posto na empresa, ele deverá disputar uma vaga com candidatos que não pertençam à família, e ter o mérito de vencer.
O que você acha? É preciso coragem e determinação para adotar um modelo como este. Não só, como também visão de perenidade.
A sabedoria observada neste raciocínio revela que nenhum dos cenários mais desejáveis para a continuidade de qualquer empresa familiar acontecerá naturalmente. Depende de atitudes firmes e decididas. E toda atitude ou comportamento se aprende.      
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é simplicidade. É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome - Inspirações para a Vida, o Trabalho e os Relacionamentos", Editora nVersos, 2012. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473