3 de set de 2012

O QUE ESTÁ POR TRÁS DE UMA CRISE

ABRAHAM SHAPIRO


Recebi o e-mail com o texto abaixo e também a autorização do remetente para sua publicação. Trata-se de um relato belíssimo e sincero de como uma situação aparentemente má se revela  um bem quando se dá chance ao tempo e se esforça em perseguir as oportunidades que nela se escondem.

“Sr Shapiro,
Meu nome é Paulo César de Oliveira.
Há alguns anos atrás fui convidado a participar de um processo de seleção em que se procurava um vendedor para uma loja de móveis finos, de Londrina, Pr. Ao chegar ao local, deparei-me com duas pessoas que se apresentaram, uma como proprietário, e a outra era um consultor que auxiliava naquele processo seletivo. 

Indagaram-me primeiro sobre as minhas experiências profissionais. Em seguida, quiseram saber sobre a minha vida pessoal, familiar, etc. Falei que estudara psicologia, mas não havia me formado por motivos absolutamente pessoais: o envolvimento com drogas, a morte de meu pai, entre outros, que me tiraram do “eixo” naquele momento.
Depois de ter falado um pouco, fui interrompido pelo consultor. Disse-me estar à procura de alguém menos capacitado para a vaga em questão; que a vida tinha me transformado em uma pessoa preparada para procurar formas mais desafiadoras de sobrevivência e pensava que eu me frustraria na função, o que causaria a minha desistência rápida naquele trabalho.  
De início, confesso que fiquei um pouco aborrecido. Primeiro, porque já era pai de dois filhos. Depois, por estar desempregado. Aí eestavam motivos suficientes para me chatear. Pensava ainda que poderia me adaptar àquela vaga, pois precisava de um emprego, buscava uma recolocação que me proporcionasse alguma renda e, naquele então, nada me preocupava mais.
Tentei, em vão, fazer que reconsiderassem sua decisão.
Saí dali realmente frustrado, perguntando-me quanto aquelas pessoas sabiam de mim para negar um emprego apenas por me acharem superior às suas expectativas.
Pouco tempo se passou. Talvez não mais que um mês.
Fui convidado para uma seleção a uma vaga de agente de negócios numa distribuidora de medicamentos. As condições todas eram melhores: carro e combustível por conta da empresa, convênio médico, ajuda de custo, enfim, tudo melhor. Assumi o posto uma semana depois da entrevista.
Seis meses após, eu tinha construído um relacionamento com os meus clientes, o que me permitia um resultado muito satisfatório tanto para mim como para a empresa. O produto disso foi que uma das maiores distribuidoras de medicamentos do Brasil me convidou para supervisionar uma área grande do estado do Paraná, cuidando de uma equipe de 11 vendedores. As condições eram ainda melhores: salário superior ao que recebia, compatível com as responsabilidades da função. Por ali fiquei por quase cinco anos, construindo um resultado muito significativo. Ao assumir a supervisão, a venda andava na marca dos R$ 500 mil /mês. Entreguei meu posto vendendo R$ 3 milhões/mês, com um lucro bruto não muito inferior ao anterior, em percentuais.
Mas não era isso o que eu procurava.
Voltei à faculdade. Hoje sou psicólogo. Faço especialização em Psicodrama, em curso oferecido pela Sociedade de Psicodrama de São Paulo, SOPSP, em parceria com a PUC-SP. Tenho como professores grandes psicodramatistas brasileiros, como Sérgio Perazzo, Marília Marino, Julianna Florez, Pedro Mascarenhas, entre outros.
Além disso, atendo numa clínica de recuperação de toxicômanos, cuido de casais e adultos em clínica particular e trabalho como free lancer para uma empresa de consultoria e treinamento do interior de São Paulo.
Em suma, estou feliz, embora precise ainda equilibrar minhas finanças no sentido de viabilizar decisivamente minhas idas a São Paulo. No entanto, tudo vai se ajeitando.
Nessas alturas, nem preciso dizer quem era o consultor que acompanhava a primeira entrevista: era você, Abraham Shapiro. Devo assim, ao menos em parte, o fato de ter-me obrigado a ‘ver minha casa pelo lado de fora’. E ao descobri-la ‘pintada de outra cor que não a que eu imaginava’, ter corrido atrás de ‘pintá-la na cor com que sonhei durante anos’. 
Muito obrigado.”
Paulo César de Oliveira
Email: pcesaroliveira2@gmail.com
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é simplicidade. É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome - Inspirações para a Vida, o Trabalho e os Relacionamentos", Editora nVersos, 2012. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473