29 de jul de 2012

QUE TAL GANHAR NA LOTERIA?



A filha de Mohan Srivastava tem apenas oito anos, mas já sabe como apontar bilhetes de loteria vencedores em 90 por cento das vezes. Ela não é uma profetisa, nem um gênio – é um truque que aprendeu com seu pai, um estatístico, que, como profissão, procura padrões ocultos entre números aparentemente aleatórios.
Mohan é um detetive, um cão de caça estatístico que mora em Toronto, Canadá, e faz consultoria para algumas empresas mineradoras de ouro. Seu trabalho consiste em analisar dados a partir de amostras de rocha para ajudar a decidir se vale a pena cavar uma mina ali. As rochas não revelam seus segredos com muita facilidade. Um estatístico geológico precisa conhecer os diferentes tipos de rochas, as forças que agem sobre elas, e como os metais naquelas rochas reagem àquelas forças.
Minerar bilhetes de loteria em busca de dinheiro funciona da mesma maneira, como ele descobriu certo dia meio que por acaso. Alguém tinha dado a ele dois cartões para raspar em busca de prêmios; o primeiro nada tinha e o segundo era premiado. Aquilo o deixou intrigado: o que fez daquele segundo cartão um vencedor?
Para entender o código você tem de entender o cartão. Talvez fosse experiência, talvez fosse sorte, ou talvez uma combinação das duas, ou até mesmo alguma outra coisa. Mas a ideia caiu de repente em sua mente enquanto ele caminhava pelo posto de gasolina onde tinha recebido seus 3 dólares pelo bilhete premiado.
 “Aquele jogo não pode ser aleatório,” pensou Mohan. A empresa da loteria apenas faz parecer desse jeito para deixar o comprador esperançoso. Deve haver algum algoritmo, algumas regras lógicas estabelecidas por computador, que faz pender a probabilidade em favor da loteria, enquanto tenta o cliente com uma chance aparentemente boa de ganhar. Neste caso, alguma coisa sobre os próprios números deveria revelar aquele código oculto.”
Com certeza, fazia mesmo. Para entender o código você tem de entender o cartão. No lado direito há uma relação de números de dois dígitos entre 01 e 30, arranjados em quadradinhos de 3x3. A maioria dos números aparece no cartão duas ou três vezes. Alguns poucos números aparecem apenas uma vez. No lado esquerdo do cartão está a superficio de latex com “seus números” por baixo. Se três dos “seus números” aparecerem em sequência em qualquer um dos cartões, você ganha.
O truque é este. A empresa da loteria assegura que dos muitos números escondidos no lado esquerdo, somente uns poucos combinam com os números revelados no lado direito. E aqueles que combinam aparecem apenas uma vez. A questão aqui é que se você encontrar na loja um cartão com três “combinados” em seguida, você pode ter quase certeza de que é premiado.
Em junho de 2003, a Ontario Lottery Corporation ignorou os telefonemas e e-mails de Srivastava alegando que ele tinha encontrado uma falha no jogo. O que eles não ignoraram, porém, foi o pacote de bilhetes não raspados que ele enviou pelo correio ao Diretor da empresa, juntamente com sua alegação de que 90% deveriam ser premiados. Eles foram, e o jogo foi retirado das prateleiras no dia seguinte.
O jogo pode ter acabado, mas o algoritmo não. Há centenas de variações desse jogo no Canadá, nos Estados Unidos e em muitos lugares do mundo, e podem todos ser manuseados da mesma maneira – alguns com 60% de precisão, outros com 70, 80, 90 ou mais.
Mohan acredita que ele não é o único que desvendou o código. Por exemplo, há muitos multimilionários que conseguiram ganhar não em um jogo grande, mas em centenas de jogos pequenos. Seu padrão de vencedores é exatamente aquele se esperaria de um jogo “explorado” onde o algoritmo foi decodificado.