13 de abr de 2015

O PLENO EMPREGO ACABOU

ABRAHAM SHAPIRO

PUBLICADO NA FOLHA DE LONDRINA EM 13 DE ABRIL DE 2015 - Após um longo período de pleno emprego no país, a dificuldade de conseguir uma boa colocação profissional volta a existir. Uma das consequências é a depreciação dos salários frente ao senso comum do que é um bom currículo.
Estive com uma jovem formada em Jornalismo, Letras e em curso de uma pós-graduação que, após demissão de seu último emprego, em novembro passado, recebeu proposta recente de recolocação a R$ 1.500,00. Ela ganhava R$ 3.200,00 e confessou que após o sexto mês desempregada, será obrigada a aceitar a oferta.
Caso a economia caminhe por onde os analistas preveem, conseguir um emprego será cada vez mais difícil e os profissionais graduados, porém, sem competências práticas comprováveis dificilmente ganharão mais do que pagaram mensalmente por suas faculdades.
Currículos com MBA´s, cursos de liderança e outros são cada vez mais vistos como maquiagens à falta de capacitação prática. Não irão além de uma entrevista para confirmar a ausência daquilo que interessa ao contratante.
As empresas buscam profissionais com visão, atitude, iniciativa, ambição, criatividade, simplicidade de decisão, senso de economia, capacidade de criar e desenvolver relacionamentos, liderança pelo exemplo, diplomacia, boa educação, paciência, persistência, resiliência frente a crises e pressão...  Isto são itens que faculdades e pós-graduações não ensinam. Competências são conquistas de apenas um tipo de gente: quem estuda muito e se esforça para praticar o que aprende.
Em processo recente de seleção, perguntei a um rapaz, formado em Economia numa das mais bem reputadas escolas do país, sobre seus conhecimentos de Matemática Financeira. Ele respondeu: “Tive a matéria na faculdade, mas não fui bem”. A outro, da Administração de Empresas e MBA, pedi que definisse liderança com suas palavras. Ele tentou. Mas nada disse que chegasse próximo a um conceito útil e desembaraçada.
A impressão é que os formados detestam livros. Estágio, para muitos deles, foi só uma exigência curricular. Os melhores acreditaram que algumas horas de estudo à véspera das provas bastariam para que fossem convidados a presidir uma grande companhia no mês seguinte à formatura. Mas terminada a academia, a realidade que encontraram é dura e... com apreciação muito aquém do que calculavam.
O Mauro teve dificuldades. Fez um curso superior de Marketing à distância, estudando como louco. Leu muito, dormiu pouco, buscou aplicar conceitos, errou e acertou, mas qualificou-se. Hoje ele é gerente de uma equipe de vendas que faz bons resultados e ganha o que quer. Ele tem competências práticas cobiçadas por todos os concorrentes. Sabe, por exemplo, fazer um planejamento realista e factível de ações, comunicar-se e envolver pessoas, vender, treinar, formar equipe e controlar atividades no dia a dia.
A receita? Comprometer-se com o aprendizado e sua aplicação prática. Depois, questionar-se e mudar o que for necessário. Neste mundo, quem nada tem a melhorar está pronto para morrer. A vida só se justifica pelo esforço de “ser” e de “ser melhor” sempre. E esta oportunidade os mortos não têm!
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Abraham Shapiro é consultor e coach, com especialidade em Sucessão em Empresas Familiares como facilitador da relação entre sucessor e sucedido para que o processo transcorra em paz e com ampla capacitação do sucessor, e Gestão - orienta a empresa para organizar-se de modo a corresponder às necessidades de seu posicionamento no mercado.  É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome". Contatos: shapiro@shapiro.com.br ,  cel: 43. 8814.1473