segunda-feira, janeiro 09, 2012

QUEM QUER, FAZ... NÃO ESPERA ACONTECER!

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Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 09/01/2012, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos


ABRAHAM SHAPIRO

A diferença entre quem espera acontecer e quem faz acontecer é de arrepiar. Mais que isso. É de afetar monge do Tibet.

O cara que espera, está reclamando neste momento. Ele acha que o governo não faz sua parte, que a crise na Europa interfere em seus negócios, e tem para si “n” fortes motivos que explicam porque suas vendas caem mês a mês. Ele está perdendo mercado para os concorrentes e apenas se enerva quando descobre que eles estão vencendo. Mas sabe o que ele faz? Reclama. Reclama muito. E ele se irrita ao extremo com as situações e pessoas a quem reputa como culpadas. Sim, porque elas são culpadas. Ele, nunca!

Já o cara que faz acontecer está trabalhando neste momento. Trabalhando? Sim, trabalhando duro. Ele está “fazendo acontecer”.  Ele não espera pelos europeus e nem pela Bolsa de Nova Iorque. Ele não conta com a redução do I.P.I. ou outros benefícios. Ele simplesmente faz acontecer. Ele se vira, provoca, cria, planeja, toma atitudes e, em consequência disso, sua empresa está  competindo, vencendo e fazendo a diferença. E ele também faz sua diferença como ser humano! E como faz!

Chego ao restaurante de um hotel para o almoço, e encontro o Flávio – um jovem fabricante de equipamentos eletrônicos de som, em uma pequena cidade do interior. Após os cumprimentos, vejo que sua mesa está cheia de convidados. Eu pergunto:

- “O que você anda aprontando, rapaz?”

Ele me conta que montou um showroom no centro de convenções daquele hotel e convidou os seus principais clientes – distribuidores e varejistas –  para um dia inteiro de exposição e venda antecipada com reserva de produção nos próximos meses. E com seu olhar firme e resoluto, argumentou:

- “Eu tive de fazer isto, Sr Shapiro. Veja só. Em dezembro, minhas vendas caem. Janeiro é um mês parado. Fevereiro tem carnaval. Em março, vou participar de uma feira em S. Paulo, portanto, será um mês complicado. Se eu ficar esperando as vendas acontecerem por si, minha empresa só começa a rodar em abril. Eu não posso esperar. Minhas contas muito menos. Organizei esse showroom de última hora e, graças a Deus, a resposta dos parceiros está sendo ótima. Não podia ser melhor. Só com as vendas desta manhã eu já garanti dois meses de trabalho... E tenho a tarde toda ainda”.

Em negócios  vale também o que canta o refrão daquela música: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer!”
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

domingo, janeiro 08, 2012

FAÇA ESCOLHAS PARA QUE O TEMPO NÃO SEJA AINDA MAIS ESCASSO


 Betania Tanure
O ano começou. Para quem ainda não fez a necessária reflexão sobre sua vida, seu trabalho e sua carreira, este é o momento. É preciso pôr na balança os prós e contras de sua experiência e de suas escolhas e fazer planos - ou melhor, decidir sobre o que mudar.
Não quero aqui considerar o risco de seus planos evaporarem no calor do verão brasileiro. Prefiro ter em conta que você, executivo de sucesso que tão bem planeja e constrói o futuro da sua organização, também será bem-sucedido no planejamento e na construção da sua própria vida. É o mínimo que se pode esperar ou, pelo menos, desejar.
Para essa reflexão, podem ser muito úteis alguns dados obtidos nas últimas pesquisas que realizei entre executivos das melhores e maiores empresas brasileiras. Em um desses trabalhos, esses profissionais revelam, por exemplo, que 41% do seu tempo é mal utilizado e, ainda, voltado a atividades que não agregam valor à empresa. Além disso, complementam: caso deixem de realizar tais atividades, nada acontece.
Incrível esse número, não é? Aliás, ele só tem crescido ao longo dos últimos anos. Em nível semelhante, aumentou o grau de insatisfação com o equilíbrio entre vida pessoal e vida profissional. E não se assuste: para 36% dos executivos, o volume de trabalho vai subir ainda mais em 2012. Difícil negar a relação desses dados com o crescente número de executivos que usam medicamentos para "dormir" e para tenta lidar com a ansiedade e a depressão típicas do dia a dia do ambiente empresarial de hoje.
No geral, os desafios profissionais e os resultados gerados para as organizações crescem consistentemente - mesmo que em alguns casos o desempenho empresarial deixe a desejar, entrando no que chamamos de subdesempenho satisfatório.
Ao mesmo tempo, como vimos em outra pesquisa, na qual utilizamos uma de nossas metodologias de apoio a processos de transformação cultural, um número significativo de executivos desse mesmo grupo de empresas considera que as relações autoritárias têm presença muito forte em seu ambiente de trabalho e dificultam a meritocracia e o "accountability". Os entrevistados apontam também que o autoritarismo é a característica mais indesejável da cultura organizacional e que deveria ser eliminada.
Soma-se a isso a grande preocupação dos nossos executivos com a situação macroeconômica, com a volatilidade, com o fato de estarmos vivendo uma "bolha" e com o ambiente de incertezas.
O fato é que nessa esfera a atuação direta do executivo é mais limitada. O que ele tem a fazer é se preparar e preparar sua empresa para os novos tempos. Portanto, minha sugestão é que ao fazer sua reflexão você deixe momentaneamente essas preocupações de lado, ocupando-se apenas do que está sob seu controle.
Ao analisarmos de forma cruzada todos esses dados, uma conclusão parece óbvia: você, executivo, precisa retomar - ou tomar - as rédeas das suas escolhas. Afinal, não há sentido em reclamar que falta tempo para a vida pessoal se 41% do que você faz não agrega valor ao negócio. Onde está seu poder decisório? Onde estão suas escolhas? Lembre-se de que o tempo é o mais escasso dos recursos da era contemporânea.
Enfim, 2012 só começou. Abre-se uma oportunidade maravilhosa para você refletir com responsabilidade e agir. Não vale fazer da empresa, da cultura, do chefe, ou mesmo da situação macroeconômica do país, os grandes responsáveis pelos seus problemas. Certamente, boa parte deles você não conseguirá mudar sozinho. Mas tente se concentrar na parte que lhe pertence. Aquela sobre a qual você é o maior, senão o único, responsável.
A escolha é sua de estruturar as bases para que seu ano continue a ser tão produtivo tanto do ponto de vista empresarial quanto do pessoal. Vá além de seus planos. Boa sorte e mãos à obra!
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 Betania Tanure é doutora, professora da PUC Minas e consultora da BTA
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PARA NÃO PERDER HORAS NAVEGANDO PELAS REDES SOCIAIS




Letícia Arcoverde | De São Paulo

A acadêmica Isabelle Decarie sentiu que sua produtividade diminuiu consideravelmente desde que aderiu ao Facebook, em 2007. A canadense, no Brasil há nove anos, percebeu que precisava de uma técnica que a ajudasse a organizar melhor o próprio tempo, mas não sabia exatamente onde procurar. A resposta veio há cerca de um ano, quando ela viu um amigo comentar na própria rede social sobre a técnica Pomodoro - um método simples de gerenciamento de tempo, que Isabelle resolveu experimentar.
Tudo o que a técnica exige é um 'timer', papel e lápis - e, é claro, disciplina. Para começar a usar, basta escolher uma tarefa e acionar o 'timer' para apitar em 25 minutos, e então dedicar o tempo marcado exclusivamente ao trabalho. Nada de olhar e-mails, redes sociais, atender telefone ou sair para pegar um copo de água. Assim que o relógio alerta para o fim do tempo - chamado de Pomodoro - a pessoa deve fazer um intervalo de cerca de cinco minutos e registrar no papel que o período foi completo. Após a pausa, volta-se para a tarefa, e assim por diante. A cada quatro "pomodoros", é permitido fazer intervalos maiores, de até meia hora.
O formato foi desenvolvido na década de 1980 pelo italiano Francesco Cirillo, na época estudante, que hoje possui uma empresa de consultoria em produtividade. Em 1992, ele lançou um livro sobre o método e, a partir de 2000, a técnica foi disseminada pela internet e se popularizou em várias partes do mundo. Hoje, ela possui uma ampla comunidade virtual e uma rede de usuários engajados em divulgar boca a boca a Pomodoro como técnica preferida de gestão de tempo. O tomate presente no nome e no logo da marca veio do formato do 'timer' de cozinha que Cirillo usava para marcar seus "pomodoros" (a palavra quer dizer tomate em italiano).
Ao fazer o teste, Isabelle descobriu que a técnica era ideal para ela, que trabalha diariamente em casa escrevendo resenhas para uma publicação canadense. "Coloco o 'timer' na cozinha para que o barulho não me atrapalhe, sento em frente ao computador e não saio até que o relógio apite", explica.
Para evitar as tentações da internet, sempre que tem alguma dúvida que exija pesquisa, ela anota para buscar durante os intervalos, que nunca passam de 10 minutos. É o momento de checar e-mails, ir ao banheiro, abastecer a xícara de café e se render ao hábito de navegar no Facebook. "A técnica me ajuda muito na concentração, principalmente quando tenho que escrever algo encomendado e a inspiração não está muito grande", completa. Ela não costuma passar dos três "pomodoros" por dia, o suficiente para completar as metas que estabelece para si mesma.
Representantes do time Pomodoro, responsáveis por disseminar o "tomate" ao redor do mundo, dizem que perceberam uma grande popularização da técnica no Brasil nos últimos dois anos, a ponto de terem criado uma página oficial em português. Uma pesquisa rápida na internet mostra diversas publicações em blogs, principalmente de 'freelancers' e profissionais de tecnologia, sobre o tema. Só em 2011, foram mais de 16 mil menções ao método, em comparação a menos de 500, quatro anos atrás.
Há uma variedade grande de aplicativos de celular e softwares que auxiliam o cumprimento da técnica, servindo como 'timer' ou até bloqueando o acesso à internet durante o período de 25 minutos - alguns com mais de mil downloads em sites brasileiros. Apesar de não haver um aplicativo oficial, o criador Cirillo diz que aprecia o esforço de quem os desenvolve. "Mas ainda prefiro a simplicidade do 'timer' de cozinha mecânico", garante.
O analista de sistemas e consultor para a empresa de TI Stefanini Hélio Medeiros utiliza a ferramenta há dois anos, geralmente com o auxílio de aplicativos para o computador ou celular. "É simples de aprender, mas difícil de seguir", define. Além de treinar a disciplina, o que se tornou mais fácil com o tempo - hoje, por exemplo, ele deixa para usar a internet para lazer apenas nos intervalos maiores, de meia hora - Medeiros diz que a maior dificuldade é "mergulhar" no método no ambiente de trabalho.
Ele diz que evitar as interrupções durante os períodos de 25 minutos foi complicado a princípio, mas desde que ele apresentou a técnica para os colegas, foi mais fácil deixá-los esperando até os intervalos. Em sua equipe, onde outras pessoas também usam o método, já foram feitas até placas de "Respeite o Pomodoro", fixadas junto aos profissionais nos períodos de imersão.
O desenvolvedor completa em média 16 "pomodoros" por dia, e diz que sua produtividade melhorou consideravelmente. Também ficou mais fácil planejar as tarefas e cumprir prazos, o que lhe rendeu elogios da Stefanini e da Dell, principal cliente que atende pela empresa. "Como também trabalho em casa, a técnica é uma forma de reproduzir o ambiente com o qual estou acostumado e ter o mesmo rendimento que no escritório", diz.
Há cerca de um ano, Medeiros começou a juntar a Pomodoro com trilhas sonoras especiais para trabalhar, usando um "mash-up" de técnicas criado por Daniel Wildt, um colega da mesma área. A "Songdoro" é basicamente a Pomodoro acompanhada de músicas específicas para a ocasião, unidas ao conceito de 'power song', comum entre corredores. Medeiros explica que ao dar início ao período do Pomodoro no cronômetro, ele começa a ouvir uma seleção especial que dura 30 minutos - 25 com músicas que o ajudam a trabalhar e, ao fim, uma para relaxar.
A 'power song' é uma música mais forte escolhida para sinalizar o fim do Pomodoro. As escolhas dependem do gosto de cada um e do ritmo do dia - Medeiros, por exemplo, varia entre Nirvana e música clássica, com Marisa Monte para o intervalo.
Apesar da crescente popularidade da técnica no Brasil, a consultora de carreira Mariá Giuliese não aposta em métodos de organização de tempo como a Pomodoro. Para ela, a melhor forma de aumentar a produtividade é saber dar prioridade a tarefas, e não tentar dominar o tempo.
"As pressões externas já são formas de controle suficientes, e controle demais atrapalha", analisa. Para os momentos em que há mais dificuldade em completar uma tarefa ou em que as distrações levam a melhor, sua dica é refletir sobre o que o está impedindo. Segundo Mariá, muitas vezes o problema não está na falta de tempo, mas no fato da pessoa estar se forçando a terminar algo de que não gosta ou não tem capacidade de fazer. Para ela, o essencial é seguir o próprio ritmo. "É preciso administrar você, e não o tempo", diz.
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Letícia Arcoverde escreve no Valor online

sábado, janeiro 07, 2012

UM EXEMPLO DE INOVAÇÃO: PELE TIRADA EM CIRCUNCISÃO SALVA VISÃO DE BEBÊ ISRAELENSE SEM PÁLPEBRAS



Cirurgião utilizou a pele do prepúcio para reconstruir as pálpebras do bebê, que nasceu com defeito raro.

BBC - LONDRES

Um enxerto da pele do prepúcio no lugar das pálpebras, realizado no hospital Kaplan, próximo a Tel Aviv, em Israel, salvou a visão de um bebê que havia nascido com um grave defeito nos olhos e corria o risco de ficar cego.

A ideia foi do cirurgião Asher Milstein, especialista em ocuplástica, que decidiu realizar a operação exatamente oito dias após o nascimento do bebê, na data em que, segundo a tradição judaica, é feita a circuncisão em crianças do sexo masculino.

Como o bebê, que havia nascido sem pálpebras, é de familia religiosa, era importante respeitar a tradição.

Em entrevista à BBC Brasil, Milstein explicou que a pele do prepúcio tem textura e espessura 'idênticas' à pele das pálpebras e que ambas são as peles mais finas do corpo humano.

'A pele do prepúcio também é altamente adequada para esse tipo de operação, pois cresce de forma compatível ao crescimento do corpo', acrescentou o cirurgião.

O bebê, cujo nome não foi divulgado, nasceu no hospital Kaplan há cerca de 5 semanas.

Ideia inédita

A ausência de pálpebras, considerada um defeito raro, faz com que seja impossível fechar os olhos, provocando o ressecamento da córnea, que por sua vez leva à cegueira.

Milstein diz que, inicialmente, considerou a possibilidade de enxertar pele retirada da região que fica atrás das orelhas - técnica geralmente utilizada em casos semelhantes.

No entanto, o bebê também apresentou um problema na região do nariz e pode vir a necessitar daquela porção de pele e de cartilagem para uma cirurgia futura.

Por isso, o médico tomou a decisão inédita de utilizar a pele do prepúcio do próprio bebê, que seria retirada na circuncisão.

Milstein disse que consultou a literatura médica e encontrou apenas um precedente de utilização da pele do prepúcio para uma operação na região dos olhos, que ocorreu no Egito, há vários anos.
No Egito, que é um país muçulmano, a circuncisão também é praticada, mas, de acordo com a tradição islâmica, a intervenção pode ser feita até os 10 anos de idade.

Depois da operação, os olhos do bebê israelense ficaram fechados por três semanas. Após a retirada dos curativos, a equipe médica constatou que o bebê enxerga normalmente.

O médico afirmou que o sucesso da operação demonstra que a pele do prepúcio pode ser utilizada amplamente na área da cirurgia plástica, 'inclusive em casos de homens adultos'.

Segundo Milstein, a manutenção do prepúcio 'não é necessária' e em casos de ferimento, essa pele pode ser utilizada para cobrir áreas danificadas no corpo do próprio paciente.

'Devemos ter a mente aberta para ideias novas', disse.

quinta-feira, janeiro 05, 2012

EXECUTIVOS E O PRAZO DE VALIDADE


Eliana Dutra

Uma questão está tomando conta do mercado, as pessoas estão dizendo que os executivos têm prazo de validade, mas como é que isto acontece? Gente tem prazo de validade igual a iogurte? Vamos ver como isto ocorre. O executivo é contratado pela organização ou é promovido e rapidamente diagnostica as lacunas e oportunidades. Baseando-se em seus talentos, suas competências e experiências anteriores ele cria estratégias para o crescimento da organização aproveitando as oportunidades e planos que resolvam os problemas. Depois vem a execução, nem todos conseguem sucesso nesta fase e ficam com o prazo vencido antes mesmo de tê-lo estabelecido. Mas considerando que sejam competentes na execução, conseguindo chegar ao topo em cinco ou dez anos, este se torna o momento crítico na carreira dos executivos. Como declarou um presidente que recentemente se demitiu: "Uma vez no alto me pergunto: há mais alguma coisa que eu possa fazer aqui? Não? Então, tchau". Este inteligente executivo, quando vê que seu prazo de validade vai vencer , se despede. Mas porque ele não vê mais nada para fazer ali? -

Três possíveis porquês: Primeiro, ele chegou àquela posição por causa de uma determinada estratégia de sucesso, esta tem a tendência a se tornar um hábito e mudar a estratégia pode ser desconfortável, já que mudar um hábito sempre o é. Então ele acha mais fácil mudar de empresa e começar tudo de novo. Segundo, ele não consegue mais ver oportunidades e lacunas porque foi ele que construiu aquela empresa do jeito que ela está. O ditado já diz, é fácil ser engenheiro de obra feita. Certo, muito mais difícil é criticar a própria obra. Para não ter que assumir que sua obra não é perfeita (não estou falando de pequenos ajustes, mas de uma mudança realmente estratégica) ele entra em estado de negação e não vê o que mais se poderia fazer ali. Outro executivo, como não está "preso à obra realizada" consegue ver o que ele não vê.

Terceiro, ele percebe a necessidade de mudança, mas percebe também que não tem a competência para realizá-la e não sabe como aprendê-la. Por exemplo, a organização esta num estágio em que o crescimento depende de fusões e aquisições, como ele nunca fez isto, não sabe nem por onde começar e algumas vezes tem medo de começar e falhar. Resumindo, o prazo de validade se estabelece ou porque ele precisa mudar de estratégias e não quer, pois já fez o que sabe e tem dificuldade em aprender truques novos, ou porque ele precisa mudar de ponto de vista, de perspectiva, para descobrir uma "virada" na própria obra e não quer, então não sabe o que mais tem que aprender.

Ou ainda porque ele sabe que não sabe, mas tem medo ou não tem talento para aprender aquilo. Em todos estes casos o coaching pode apoiá-lo para que ele se reinvente sem ter a necessidade de arranjar um novo emprego. Preferencialmente é melhor que o coach escolhido nunca tenha sido presidente de uma empresa, pois um ex-presidente ficará tentado a ensinar a sua estratégia de sucesso - muitas vezes já ultrapassada - como a melhor, em vez de apoiar o atual presidente para que este descubra como usar seus talentos de forma ainda melhor.

Porém, existem pelo menos duas outras razões para ter o prazo de validade vencido, onde o coach pouco pode ajudar. São elas: a organização tem como política a troca de posto periódica de todo executivo bem sucedido para evitar acomodação e isto exigiria dele uma mudança que não deseja. A segunda é o executivo que tem tido tanto sucesso que se convenceu que pode tudo e para de ter uma habilidade. Nestas situações ele está como o sapo na panela. A água vai ficando quente e ele não o nota até que a fervura o queima. Neste caso o coach pouco pode fazer, pois em geral quando é chamado já é tarde demais.
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Eliana Dutra é vice - diretora executiva da Pro-Fit

quarta-feira, janeiro 04, 2012

SAIBA COMO PLANEJAR E ESTABELECER METAS FINANCEIRAS PARA 2012

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MARCIA DESSEN - FOLHA DE SÃO PAULO 02/01/2012

Todo começo de ano a história se repete. Pensamos nas coisas que fizemos, nas que queríamos ter feito mas não deu tempo, não deu certo, não deu vontade. E uma nova lista de intenções é preparada, com a convicção de que desta vez vai ser diferente.

Parar de fumar, fazer exercícios regularmente, levar a dieta a sério são alguns exemplos das metas que muitos de nós estabelecemos a cada virada de ano, aproveitando essa contagem do tempo que se reinicia para começar ou recomeçar tudo outra vez.

Se você ainda não encara suas finanças pessoais como uma meta relevante, proponho incluir alguns objetivos financeiros na lista das boas intenções para o Ano-Novo. Quando estamos em paz com nossas finanças, novos e velhos projetos podem se realizar.

Porém, mais importante do que planejar é colocar o plano em prática, fazer acontecer. Garanta que você terá o que celebrar daqui a 12 meses e que várias das metas estabelecidas serão atingidas.

Para que elas não fiquem apenas no papel ou na sua cabeça, adote a mesma técnica que uma boa parte das empresas adota para definir estratégia e plano de ação de cada exercício.

Smart é uma sigla muito conhecida e utilizada em gerenciamento de projetos. Significa inteligente, esperto, e é formada por palavras da língua inglesa: Specific, Measurable, Attainable, Relevant e Timely, que podemos traduzir livremente como, "Especifica", "Mensurável", "Atingível", "Relevante" e "No Tempo Certo".

ESPECÍFICA

Uma meta específica deve ter foco e estabelecer com clareza o que se pretende e como será atingida. Deve proporcionar o fácil entendimento de todas as pessoas envolvidas no projeto.
Em vez de dizer "reduzir dívidas", uma meta específica diria "quitar em cinco meses o saldo devedor de R$ 2.000 do cartão de crédito XYZ".

Essa meta não estará completa se não definir como será atingida e de onde virá o dinheiro para quitar a dívida do cartão de crédito.

Um exemplo de como a meta pode ser complementada seria "o cartão não será mais utilizado a partir de janeiro; a amortização da dívida será gradual, de R$ 500 por mês, no período de janeiro a maio, e o dinheiro virá da redução das despesas com restaurantes e com supérfluos".

MENSURÁVEL

É necessário definir uma maneira de medir o progresso em relação ao cumprimento de cada meta.
Se for possível observar o avanço em relação ao que se deseja atingir, você encontrará motivação para continuar e atingir a meta proposta.

Exemplo: "Comprar um computador que custa R$ 2.300. Para acumular esse capital, vamos depositar R$ 377 mensais na poupança, com juros líquidos estimados de 0,65% ao mês durante seis meses, de março a setembro".

Assim, será possível ver quanto do capital necessário está disponível e quanto falta para atingir a meta.

ATINGÍVEL

Uma meta atingível representa alguma coisa que você deseja e é capaz de alcançar. Estabeleça metas elevadas, desafiadoras, porém possíveis de serem cumpridas.

Lembre-se de que seu planejamento estabelece mais de uma meta e que uma concorre com as outras. E não esqueça de obter a concordância de todas as pessoas envolvidas em relação ao objetivo proposto.

Exemplo: "Aumentar a capacidade de poupança da família para 20% da renda mensal, a partir de fevereiro".

Para alcançar a meta, decidam em conjunto e contratem o compromisso de todos em relação a que despesas serão reduzidas ou cortadas de forma a criar o excedente de caixa que se deseja acumular.

RELEVANTE

Estabeleça metas que tenham significado para você e para as pessoas que o cercam. Se a meta for realmente importante, vocês terão motivação, força, habilidade e capacidade financeira para alcançá-la.

É provável que você descubra que as metas mais difíceis são mais facilmente atingíveis dos que as fáceis. O que te move em direção a ela é o significado, o valor, a importância dela na sua vida.

Se uma nova renda não estiver disponível para alcançar o objetivo, será necessário fazer cortes no seu orçamento atual. A ideia é que o corte seja feito em itens que, embora desejáveis, não são necessários.

Analise seu orçamento atual e verifique que itens oferecem possibilidade de redução. Deve haver alguma coisa, ou mais de uma, da qual podemos abrir mão por algum tempo -ou para sempre.

TEMPO

Defina em quanto tempo a meta deve ser atingida para que ela tenha o sentido de urgência. Estabeleça data para início e término para cada objetivo -assim você se programa mental e operacionalmente para trabalhar em direção a ele. Nem muito, nem tão pouco -o suficiente.

Lembre-se de que a meta deve ser atingível. Não adianta definir uma meta de acumular R$ 100 mil em dois anos se sua renda mensal for de R$ 5.000.

Se sua capacidade de poupança for de 30% da sua renda (R$ 1.500 por mês) e supondo uma rentabilidade líquida mensal de 0,65%, o montante de R$ 100 mil será atingido em aproximadamente quatro anos e meio (56 meses).

Espero ter inspirado você a planejar 2012 financeiramente. Faça um registro formal das suas metas e compartilhe com quem mais estiver envolvido.


DICAS QUE VALEM DINHEIRO

1 Estabeleça metas que sejam muito importantes para você e para sua família. É meio caminho andado para a conquista dos objetivos.

2 Escreva suas metas, coloque seu plano no papel. E avalie periodicamente para acompanhar seu progresso. Faça eventuais ajustes ao longo do tempo para aprimorar o planejamento e sua execução.

3 Pense grande. O esforço não será pequeno; então, tem de valer a pena. Estabeleça metas alinhadas com os seus valores e seus sonhos.


Desejo que a motivação seja grande para fazer acontecer. Feliz Ano-Novo!

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MARCIA DESSEN, certified financial planner, é sócia e diretora-executiva do BMI Brazilian Management Institute, professora convidada da Fundação Dom Cabral e cofundadora do Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros.


segunda-feira, dezembro 26, 2011

PLANOS PARA 2012? PERSPECTIVAS? SÓ NÃO ESQUEÇA O INGREDIENTE PRINCIPAL

ABRAHAM SHAPIRO

“Caixa de Pandora” é uma figura bastante usada. Mas poucos a conhecem. Em grego, Pandora significa ‘aquela que tudo dá’, ou ‘a que tudo possui´. Segundo a mitologia, este foi o nome dado à primeira mulher, criada por Zeus, como forma de castigo ao homem por este ter roubado o poderoso segredo do fogo - que deveria ser exclusivo do "deus dos deuses".

Pandora - obra de John William Waterhouse
Contam que Pandora era dotada de graça, beleza, persuasão, inteligência, paciência, meiguice, habilidade na dança e nos trabalhos manuais. Mas Pandora era também curiosa. E a lenda, preconceituosamente talvez, acrescenta que as sementes da traição e da mentira foram lançadas em seu coração.

Quando o primeiro homem que viu Pandora, tomou-a de imediato como esposa para si. Ele tinha em seu poder uma caixa mística que conservava em seu interior todos os males ainda desconhecidos sobre a face da Terra. Mesmo tendo advertido à mulher que não a abrisse, ela acedeu à atração de seus sentidos e, desgraçadamente, a abriu. No instante em que o fez, um vórtice medonho de males – mentira, doenças, inveja, pragas, vingança, guerra, ódio, morte e outros – saíram de dentro da caixa de modo tão assustador que, acometida por terrível medo, Pandora teve o ímpeto de fechar a tampa antes que o último item saísse do seu interior. Qual era este derradeiro mal? Era o poder de destruir a esperança. Dali por diante, os homens passaram a ser afligidos por todos os males que se conhecem. Mas, observe você, é desde os tempos de Pandora o conhecimento, crença ou intuição de que “a esperança é a última que morre”.

Não existe, absolutamente, poder externo que destrua a esperança do homem. Exceto ele mesmo.

Ao findar de um novo ciclo, todos estamos frente à oportunidade de reiniciar, de recontextualizar, reengenhar ou de inaugurar novas áreas e situações da vida. Falar de esperança não é só oportuno, mas imprescindível.

Tenhamos esperança! Junto dela, tenhamos também o desejo de superar todo mal. Podemos investir esforços em fazer tudo de novo, mas desta vez melhor. Perfeito não dá. Mas diante da possibilidade perniciosa de estagnar ou piorar, nossa escolha deve ser em favor do desenvolvimento e do progresso do bem.

A esperança não é só a última que morre. A esperança vive eternamente. Fé, planos positivos, projetos de reconstrução ou retomada, e principalmente quando pomos tudo isto em prática com obstinação, fazem de nossa esperança a força motriz da vida.

Seja lá porquê você esteja lutando ou o que pretende fazer, tenha esperança de que atingirá esta meta. Pense em coisas boas. Faça coisas boas. Mantenha a esperança viva.

Feliz Ano Novo!
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

SISTEMA DE GESTÃO EMPRESARIAL... OU E.R.P.

ABRAHAM SHAPIRO

Quantas vezes você acompanhou a implantação de um Sistema de Gestão – aquela ferramenta também chamada de “ERP”? Eu nunca participei diretamente de uma, mas acompanhei várias de perto. E aprendi muito.

Vi empresa demais pecando por acreditar que o sistema seria um "messias" e resolveria todos os problemas. Triste ilusão. Mentira... a preço de ouro! Algumas quase quebraram. Suas vendas, faturamento, produção e outras áreas simplesmente desaparecerem do dia para a noite. Viram-se perdidas no meio da floresta, à noite, sem mapa, sem lanterna ou nem bússola e atingidas por uma tempestade.

Vi outras que, devido a erros graves cometidos durante a implantação, sentiram-se tão seguras em operar o dito sistema quanto meu advogado fazendo um transplante de coração sob a mira de uma pistola.

Em um único caso eu vi o sistema ser aquilo para que foi inventado. Foi nas empresas que atenderam ao pré-requisito de se organizar e envolver os funcionários no processo de conhecimento e adaptação da ferramenta à realidade da organização.

Muito cuidado. O sucesso de um sistema de gestão não é competência exclusiva da prestadora dos serviços de software. Exige a participação intensa do  cliente em nível muito elevado. Afinal, um sistema não faz outra coisa senão integrar todas as áreas da organização em um ponto de convergência - um banco de dados.

Um caso real. Na ocasião de instalação de uma versão atualizada do software que já operava uma empresa a que presto consultoria, eles criaram um comitê liderado por um gestor específico, com o fim de envolver todo o staff na atualização. Foi um sucesso.

Já em outra empresa, além dos prazos previstos excederem o absurdo de um ano, a implantação foi dolorosa, e acabou consumindo quase outro ano para o pessoal aprender a operá-lo. Mas ali o problema foi “raiva de planejamento”. Eles odeiam planejar. Passam períodos inteiros em reuniões inócuas porque preferem isto a planejar uma pauta.

Quer acertar? Escolha primeiro um bom sistema. Tome referências da empresa prestadora. Mas saiba que o sucesso não dependerá só disso, mas da boa vontade sua e da sua equipe em arregaçar as mangas, pôr a mão na massa e suar muito.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

quinta-feira, dezembro 22, 2011

A REAL FUNÇÃO DE TODO EMPREGADO

ABRAHAM SHAPIRO

Para quê você contrata funcionários? Se você disse: “Para resolver prolemas” está certa a resposta. Isto é visão prática!

Mas prático, mesmo, é treinar cada funcionário para as condições precisas de resolver problemas na ocasião e intensidade que surgirem. Do contrário, o que fatalmente ocorre é ele desenvolver dependência de você ou de quem resolver problemas por ele. E dependência é uma desgraça! Quando existe, o objetivo não é alcançado. Além dele não saber encontrar soluções, ele se tornará um peso morto sobre as costas de quem fizer isto por ele. E assim não dá!

Todos os empresários que conheço sabem e falam disso como mestres. Mas a maioria o que faz? Contrata, coloca a pessoa numa posição específica – com nome e registro em carteira – e depois de um tempo apenas cobra resultados. Como o empregado não foi orientado, ele finge que faz alguma coisa. E aí? Salve-se quem puder. Você duvida? Observe o número de empresas que nem sequer tem descrição das funções de seu pessoal. É tudo no improvisado e gambiarra.

Treinamento é a chave do sucesso de qualquer companhia.

Você não sabe treinar? Não se desespere. Contrate uma boa consultoria especializada.

Você sabe, mas não tem paciência? Busque ajuda também.

Se você sabe treinar e já treina, avalie os seus treinamentos. A melhor forma de fazer isso é através dos resultados produzidos e ao conhecer a satisfação de seus clientes.

Você não é obrigado a saber treinar. Muitos líderes têm esta deficiência e contratam consultores para implantar uma área de treinamentos eficaz.

A coisa mais importante a ser fanaticamente evitada é você resolver problemas que não são seus. Veja o que acontece. Resolva problemas dos seus funcionários hoje, e eles ficarão em dúvida. Faça-o novamente amanhã, e eles pensarão que estão lá só para fazer número. Repita depois de amanhã, e você os perderá para sempre. Nunca mais eles cumprirão o papel para o qual vieram. E nem levarão a termo o compromisso que lhes é devido. Você tomou o lugar deles!
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

quarta-feira, dezembro 21, 2011

SE O CLIENTE NÃO CONHECE A SUA EMPRESA... O QUE FAZER?

ABRAHAM SHAPIRO

Negócios novos têm um grande obstáculo a ser superado para se consolidarem no mercado. Não são conhecidos. E quase sempre, os recursos de que dispõem não permitem realizar grandes investimentos em ações de marketing que resolvam isso.

É claro que algum investimento em Relações Públicas e publicidade é obrigatório, e até seria imprudência lançar-se no mercado sem este mínimo. Faz parte disto um plano de divulgação em mídias locais, desde que bem direcionada para o público alvo do negócio – seja em vista dos produtos ou serviços que a empresa vende, ou da marca, ou ainda do conceito a que o negócio atende.

Mas a questão central e mais importante é: “Se o cliente não conhece a sua empresa, o que fazer?” A resposta não é tão óbvia, parece jogo de palavras – mas não é –, e tem uma lógica cujo poder ilumina o raciocínio de qualquer pessoa. Ora, se o cliente não lhe conhece, então você pode conhecê-lo!

Pense bem. Conhecendo o seu cliente, você poderá comunicar-se diretamente com ele, e informá-lo.
Mas o que vem a ser “conhecer o cliente”? É uma ação que se inicia em saber quem é o público alvo do seu negócio, e depois se espande para abarcar outros parâmetros. Se possível, obter o máximo de informações a respeito dele: desde suas preferências, usos típicos produtos ou serviços compatíveis aos que você oferece, hábitos de consumo, até dados cadastrais como e-mail, endereço para correspondência etc.

Por mais dirigida e focada a um determinado público que seja qualquer propaganda, nenhuma supera a comunicação direta com o cliente – desde que respeitadas as regras de etiqueta e boa educação neste tipo de abordagem, pois, do contrário, ela poderá causar o efeito inverso ao esperado. É só ver o que as pessoas fazem o astronômico volume de e-mails de anúncios recebem diariamente.

A regra é essa: se o cliente não lhe conhece, então conheça o cliente... e muitos planos passarão a ter bases para acontecer.
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DINHEIRO FÁCIL

ABRAHAM SHAPIRO

Um estudo recente sobre comportamento em Psicologia de Consumo pode ajudar pessoas que não conseguem economizar dinheiro.

Alguém já disse que “tudo o que é difícil tem mais valor”. No amor e no relacionamento social, é fácil entender que isso funciona. Contudo, por mais estranho que pareça, especialistas descobriram que dinheiro extra é menos valorizado e pode até prejudicar as finanças das pessoas.

Em relação a pequenos bônus ou prêmios, abonos salariais, restituição de imposto, 13º salário e outras quantias extras, temos sempre a tendência de gastar mais fácil.

Há estudos que mostram que as pessoas gastam até mais do que ganharam nesses extras. Elas torram tudo o que recebem e ainda passam a se desfazer de outras fontes de renda como um comportamento inercial de consumo.

Mas a questão é por que isso acontece? Psicólogos e estudiosos explicam que “fazemos uma contabilidade mental e rotulamos aquele dinheiro inesperado na categoria ‘dinheiro fácil’. Por isso, tratamos essa grana com menos cuidado. Isto equivale a dizer que, na prática, R$ 100,00 ganhos numa raspadinha têm menos valor que R$ 100,00 de salário, embora racionalmente você e eu afirmaremos que isso não faz sentido algum.

Vamos então ao que fazer para resolver isso. Comece pensando que um real “que caiu do céu” tem o mesmo valor de um real do seu salário. Se você deseja fugir de seus impulsos irracionais e das consequências deles, coloque a quantia imediatamente numa aplicação. Transforme dinheiro fácil em investimento, e ao vê-lo multiplicar, seu entusiasmo poderá curar sua tendência ao gasto desnecessário e pernicioso.
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segunda-feira, dezembro 19, 2011

OS NOSSOS SISTEMAS MENTAIS

ABRAHAM SHAPIRO

Preste atenção ao que vou revelar. Nossa mente funciona de duas formas. Uma intuitiva, rápida e automática. E a outra por meio de pensamentos mais lentos e analíticos.

O sistema intuitivo se baseia nas experiências que vivemos no passado. Por exemplo: Quanto é 2+2? Você responde usando o modo automático.

Já o sistema mais lento é racional e exige concentração e esforço para analisar situações. Se eu perguntar quanto é 32x13, você terá de pensar e fazer contas para fornecer-me uma resposta.

A maior parte do tempo, nós funcionamos no modo automático. É que analisar o tempo todo demanda muita atenção e concentração. Mas isso é bom, pois se assim não fosse, gastaríamos horas para decisões que só tomam alguns segundos. O problema é que no modo automático, nossa tendência é chutar uma resposta sem juntar informações. Nós vamos até a biblioteca de padrões memorizados no nosso cérebro e escolhemos o que mais se pareça com o que queremos resolver agora. Como a mente é capaz de identificar padrões complexos a uma velocidade incrível, muitas vezes esses chutes dão certo. Isso pode garantir encontros amorosos ou entrevistas de emprego.

Mas este comportamento inconsciente também cria padrões que podem prejudicar. Um exemplo? Excesso de confiança no seu negócio. Você acha que sabe exatamente o que deve fazer após ler dois ou três e-mails de alguns representantes de vendas. Eu pergunto: “Será que sabe, mesmo?”. Isto não é tão simples quanto 2+2.

Meu conselho. Além de você se acostumar a reunir mais informações antes de decidir, habitue-se a questionar as soluções que surgem como relâmpago na sua cabeça. Isto, aliás, é o que mais exploro no Coaching de Executivos ou de Liderança que eu ministro. Tenho usado o questionamento com vários empresários a fim de mostrar a importância de decidir com mais análise.

Muitos aprendem e prosperam. Só não os orgulhosos. Eles se apegam aos seus pontos de vista e dificilmente se demovem. Coincidência ou não – e eu não creio em coincidências – estes são os que cometem erros fatais.
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FECHANDO O BALANÇO DE 2011 – FINAL

Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 19/12/2011, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos

ABRAHAM SHAPIRO

O que está acontecendo com as pessoas em todo lugar? Elas estão ocupadas demais. Do indivíduo mais simples ao mais poderoso não lhes resta tempo algum para analisar e decidir sobre possível correção de rumo ou retificação de eventuais falhas no percurso que desempenharam. Não há tempo nem para pensar. As pessoas passam décadas completamente ocupadas.

Alguém poderá perguntar: “Mas qual o problema disto? Não pensar é algum mal?”

Quem não pensa, não melhora. Quem não reflete sobre seus atos e não se autoanalisa, não prospera. Quais chances de sucesso terá o lenhador que trabalha dias inteiros sem afiar seu machado? Se assim é com uma ferramenta, como não será com atitudes?

Havia um motorista de carga que fazia o seu trabalho com rapidez, mas levava multas. Seu patrão queria que ele fosse ágil, porém, sem cometer infrações. A situação se tornou insustentável. O patrão o ameaçou demitir caso levasse nova multa. Ele aceitou a condição e prometeu cuidado.

Na viagem seguinte, após percorrer o trajeto costumeiro respeitando limites de velocidade, sinalizações e regras de segurança, ele chega orgulhoso ao patrão e declara ter cumprido o compromisso. O patrão o congratula e manda-o descarregar a mercadoria. Num repente de espanto, o motorista leva a mão à cabeça e diz: “Esqueci a carga!” E emenda: “Mas não há problema, afinal, eu consegui não ser multado!”. E o patrão: “Há problema, sim, senhor. Evitar multas é sua obrigação. Seu dever era transportar a carga”.

Façamos a analogia. O que simboliza a carga nessa história? Desenvolvimento pessoal. Ser melhor a cada ciclo, a cada reinício. Esta é a nossa missão. Quanto a ir devagar ou rápido e tomar multas no caminho, isto é apenas um indicador de nossa atenção. Estas “multas” correspondem àquelas advertências que recebemos dos que convivem ou trabalham conosco.

Ocorre que quase todos pensam como o motorista: “Se ninguém me chama a atenção é porque sou um sucesso”. Aparentemente está ok. De fato, não ser criticado parece bom. Mas não é este o objetivo. Nossa meta nada tem com “multas”, mas com o progresso e desenvolvimento de nossas competências pessoais.

Ao início de 2012, talvez estejamos preocupados com a imagem e as impressões que os amigos percebem em nós. Todavia, sem efetiva evolução de nossas características, teremos percorrido o trajeto sem “rebocar a carga”. Nosso papel falhou.

Melhoria contínua! Fazer melhor, e não apenas mais. Estas são metas de todo dia. Não importa se o calendário vai mudar ou quando vai mudar. É para começar já!
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domingo, dezembro 18, 2011

FRAGILIDADE E DESEQUILÍBRIO EM 2012

NOURIEL ROUBINI

Deverá haver recessão na Europa, baixo crescimento nos EUA e desaceleração na China e nos emergentes

A perspectiva da economia mundial em 2012 é clara, mas não bonita: recessão na Europa, crescimento anêmico (na melhor das hipóteses) nos Estados Unidos e desaceleração acentuada na China e na maioria das economias emergentes.

As economias asiáticas estão expostas à China. A América Latina está exposta à queda nos preços das commodities (causada pela desaceleração econômica na China e nas economias avançadas).

A Europa Central e Oriental está exposta à zona do euro. E os tumultos no Oriente Médio estão causando sérios riscos econômicos -na região e no resto do mundo-, porque o risco geopolítico continua elevado e os altos preços do petróleo restringirão o crescimento mundial.

Os Estados Unidos enfrentam consideráveis riscos diante da crise na zona do euro. Também precisam enfrentar um arrocho fiscal significativo, o processo de redução de dívidas em curso no setor domiciliar, a crescente desigualdade de renda e o impasse político.

Entre as demais economias avançadas, o Reino Unido já está atravessando uma recessão de duplo mergulho, porque a consolidação fiscal apressada e a exposição à zona do euro solapam seu crescimento. No Japão, a recuperação pós-terremoto vai se esgotar porque os governos fracos que se sucedem no país não conseguirão implementar reformas estruturais.

Enquanto isso, as falhas no modelo de crescimento chinês estão se tornando evidentes. A queda nos preços dos imóveis está iniciando uma reação em cadeia que terá efeito negativo sobre os incorporadores imobiliários, o investimento e a arrecadação do governo. O boom de construção começa a se estagnar, no exato momento em que as exportações líquidas começam a prejudicar o crescimento, devido à demanda fraca nos Estados Unidos e especialmente na zona do euro.

Tendo buscado esfriar o mercado imobiliário com medidas que conterão os preços em disparada, os líderes chineses enfrentarão dificuldade para promover uma retomada do crescimento. E não serão os únicos. EUA, União Europeia e Japão também vêm postergando as sérias reformas estruturais de que necessitam para restaurar um crescimento equilibrado e sustentável.

Ao mesmo tempo, alguns desequilíbrios cruciais em conta-corrente -entre os EUA e a China (e outras economias de mercado emergente), e dentro da zona do euro, entre os países centrais e os periféricos- continuam largos. Um ajuste ordeiro desse problema requer demanda interna menor nos países que gastam mais e acumulam grandes deficit em conta-corrente e superavit comerciais menores nos países que poupam demais, via valorização cambial nominal e relativa.

A fim de manter o crescimento, os países que gastam demais precisam de depreciação nominal e real para melhorar suas balanças comerciais. Já os países superavitários precisam estimular a demanda interna, notadamente o consumo.

Mas esse ajuste de preços relativos via movimentos cambiais está parado, porque os países superavitários resistem à valorização das taxas de juros e preferem impor recessão deflacionária aos países deficitários. As batalhas cambiais resultantes estão sendo travadas em várias frentes: intervenções em mercados cambiais, relaxamento quantitativo e controles sobre influxos de capital. E, com o enfraquecimento do avanço mundial em 2012, essas batalhas talvez cresçam a ponto de virarem guerras comerciais.

Por fim, as autoridades econômicas estão esgotando suas opções. A desvalorização cambial é uma ferramenta finita, porque nem todos os países poderão depreciar suas moedas e melhorar suas exportações líquidas ao mesmo tempo. A política monetária será relaxada e tornará a inflação irrelevante nas economias avançadas (e menos relevante nos mercados emergentes).

Restaurar um crescimento robusto já seria suficientemente difícil sem o espectro permanente da redução de dívidas e a séria escassez de ferramentas de política econômica. Mas é esse o desafio que a economia mundial, frágil e desequilibrada, enfrentará em 2012.

Para parafrasear Bette Davis em "A Malvada": "Apertem os cintos: o ano será acidentado".
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NOURIEL ROUBINI é presidente da Roubini Global Economics, professor da Escola Stern de Administração de Empresas (Universidade de Nova York) e coautor do livro "Crisis Economics".

quinta-feira, dezembro 15, 2011

LEVE 4 POR R$ 2,00

ABRAHAM SHAPIRO

Consumo é um campo de estudo comum tanto ao Marketing quanto à Economia. Tem recebido uma grande leva de psicólogos que estudam o comportamento e os hábitos mais importantes das pessoas na hora da compra.

Muitas das pesquisas realizadas por estes especialistas estão sendo divulgadas na literatura técnica científica. Algumas são bastante curiosas e até simples, como a que foi realizada em supermercados e mediu o acréscimo de 32% nas vendas de um determinado item anunciado como: “Leve 4 por dois reais” sobre o mesmo produto a R$ 0,50 cada, o que dá na mesma.

Eles descobriram que a técnica funciona com consumidores indecisos. E fica mais poderosa se a loja estabelecer um limite de compra, tipo: “máximo 10 unidades por cliente”. Isso turbina as vendas mesmo sem nenhuma promoção real.

Quando alguém vai às compras sem ter ideia clara da quantidade a ser adquirida, acaba fisgado pelas sugestões. É aí que entram as técnicas de marketing de que quase todos os supermercados estão cheios. Naquele caso, mesmo que não leve 10 produtos, o número, incoscientemente, puxa para cima a avaliação de quantas unidades a pessoa precisa.

Tudo bem. E daí? O que fazer para não cair nesse tipo de cilada? A proposta importante, que resolve este problema bastante comum, é ressuscitar a velha e eficiente lista de compras. E não deixe de incluir nela a quantidade necessária a ser comprada de cada item. Evite decidir na hora quantas unidades levar. Você consegue resultados muito favoráveis a você quando vai à loja já sabendo o que e quanto comprar. Por exemplo: “Vou comprar 8 sabonenes”.

Defina-se, e o seu dinheiro vai trabalhar a seu favor.
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quarta-feira, dezembro 14, 2011

ASIÁTICAS REFORÇAM MARKETING EM 2012

FOLHA DE SÃO PAULO - 12/12/2011


Chinesas e coreanas vão apostar mais em marketing a partir de 2012. A tendência de marcas como Chery, JAC e Hyundai, por exemplo, é criar uma identidade com o consumidor brasileiro.

A Chery pretende aumentar os investimentos em 20% na área de amrketing, a fim de ficar cada vez mais conhecida do público brasileiro.

Já a JAC renovou o contrato do Fausto Silva, mas a campanha muda o foco a partir de 2012. O objetivo é enaltecer a qualidade do produto, mas ainda apostando nos benefícios, como garantia de seis anos, por exemplo.

A Hyundai continua com a mesma filosofia “eleitoral” para divulgar seus produtos no Brasil, sempre dizendo que são os melhores do universo em suas categorias e gastando rios de dinheiro para fazer isso e criar mais problemas polêmica.

A Chery deve gastar uns US$20 milhões em propaganda. A JAC vai repetir os R$120 milhões de 2011. Já na Hyundai não há previsão ainda.

Da coreana podemos dizer que levando-se em conta a fábrica por aqui no ano que vem e mais um carro feito exclusivamente para o Brasil, o montante de R$1,2 bilhão de 2011 será muito pouco. Com isso dá até para construir uma fábrica ao invés de… Bom, você sabe.

Além do dinheiro e de novas propagandas, as marcas chinesas e coreanas apostam também na divulgação de suas novas fábricas no país, o que para o consumidor significa mais segurança no pós-venda e maior valorização do produto no mercado.

FAÇA TUDO O QUE FOR POSSÍVEL FAZER

ABRAHAM SHAPIRO

Você – gerente, coordenador, supervisor ou diretor de empresa – não se afaste dos princípios e objetivos que se compromete perseguir. Não perca o bom ânimo em buscar aquilo de que você está convicto ser uma qualidade sem limites para você e sua equipe. E lembre-se que este trabalho não tem fim.

Com que podemos comparar isso? Com alguém que pega água do mar e a joga na terra seca. O mar não fica menos cheio, e a terra não fica alagada. Talvez quem faça isso fique frustrado pela aparente ausência de resultado. Mas existe uma recompensa. Um líder tem como função perene formar pessoas e despertar sua consicência para atingir metas. Mas a sua preocupação não se concentra apenas nos resultados em si. Ele prepara pessoas para que saibam como alcançar suas metas e tornem-se independentes dele. Por isso, ele insiste em repetir velhas lições sem se aborrecer ou chatear.

Sua condição é de comando e direção de uma equipe? Faça tudo o que puder para o seu sucesso conforme exposto acima. E saiba desde já que não será fácil. Se algo saiu errado hoje pela manhã, resolva-o à tarde. E se algo falhar à tarde, pleneje agir a respeito amanhã bem cedo. Nisto é que consiste o sucesso: melhoria contínua, pois a quem se esforça em plantar, é dado colher os frutos do que plantou.

Tudo o que estiver em seu poder fazer, faça. Até mesmo quando souber que você não conseguirá realizar a totalidade de uma missão, esforce-se para executá-la o máximo que for possível. Lute para cumprir cada parte o melhor que puder.

Um líder verdadeiro realiza tudo o que estiver a seu alcance realizar.

Há muito que ser feito, sempre. Renove as suas forças, reabasteça as energias e esforce-se. A liderança é um trabalho sem fim e, por isso, poucos a alcançam com excelência.

Só grandes seres humanos conseguem ser líderes. Então, que por seu esforço, você esteja contado neste pequeno número.
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terça-feira, dezembro 13, 2011

PREPARANDO-SE PARA UM ANO DE INCERTEZAS - PARTE 1


André Massaro

Realmente estamos vivendo uma época paradoxal. Ainda me lembro (e olha que não faz tanto tempo assim) quando diziam que “quando os EUA dão um espirro, o Brasil pega uma pneumonia”. O pessoal do mercado financeiro (em especial a turma da bolsa) costumava se referir aos EUA como “a matriz”. Horas antes da abertura dos mercados no Brasil todo mundo se perguntava como estavam os mercados futuros na “matriz”, se referindo à bolsa de Chicago. Era um claro indicador de como ia ser a abertura dos mercados por aqui. Nosso mercado parecia simplesmente se limitar a repetir passivamente o que acontecia lá fora.

O termo “matriz” ainda é usado como apelido carinhoso para os EUA, mas vem perdendo um pouco o sentido. O mundo está tão mudado que já não se sabe mais quem é a matriz de quem. Um extraterrestre que chegasse agora ao planeta Terra poderia achar que a matriz do mundo é o Brasil, afinal, aqui o clima é de absoluta pujança e euforia, enquanto economias tradicionais como EUA, Europa e Japão caminham celeremente rumo ao abismo. Os EUA estão morrendo de pneumonia e nós ainda sequer espirramos…

Mas esse extraterrestre certamente ficaria intrigado se analisasse o Brasil mais a fundo. Afinal de contas, o Brasil é o 126º colocado no ranking de facilidade de negócios do Banco Mundial (que tem 183 países). Onde está a base de toda essa euforia? Nosso visitante do espaço ficaria ainda mais intrigado se conversasse com algumas pessoas da classe média brasileira. Ele perceberia que existem dois tipos de classe média: de um lado uma classe média “nova”, cria dessa euforia econômica recente, extremamente animada e otimista, gastando adoidado e se sentindo milionária, pois agora pode “viajar de avião pagando em dez vezes no cartão”… e de outro lado uma classe média “tradicional” que tem uma sensação oposta, de que seu padrão de vida está caindo e que seu poder de compra está derretendo.

O Brasil não é e nunca foi um país “fácil” para se fazer negócios, e nossa posição no ranking deixa isso muito claro. Circunstâncias econômicas absolutamente especiais e incomuns estão fazendo com que o Brasil (assim como alguns outros países emergentes) esteja imune à maré de negatividade que vem de fora, mas nada garante que a situação não possa mudar (para pior) em 2012. Pode ser também que mude para melhor, mas… nas atuais circunstâncias, uma deterioração da situação parece ser o caminho de menor resistência.

Uma coisa que chama muito a atenção hoje em dia é a situação do emprego. Estamos numa situação de praticamente “pleno emprego”, o que também é algo historicamente incomum para nós. O desemprego sempre foi uma fonte de angústia e um fantasma que rondava os brasileiros, mas agora não mais. Aliás, a facilidade com que um profissional consegue arrumar um emprego hoje em dia (já virou clichê entre os empresários falar em “apagão da mão de obra”) certamente é algo que está contribuindo para o excessivo endividamento do brasileiro, que se sente seguro com a facilidade de conseguir um novo emprego caso perca o atual e por isso “manda bala” no consumo e nas dívidas.

Sei que muitos virão com aquela conversa de “ah, mas o endividamento do brasileiro ainda é baixo em relação à média dos povos das economias desenvolvidas” (argumento tecnicamente correto, mas que convenientemente “esquece” o altíssimo custo das nossas dívidas), mas o fato é que o brasileiro médio está excessivamente alavancado e, se houver alguma coisa (ainda que remota) que faça a situação do emprego piorar, pode ser o início de uma reação em cadeia. Afinal de contas, se as pessoas começarem a perder seus empregos (estando cheias de dívidas) e não conseguirem rapidamente outra fonte de renda para dar conta de seus compromissos financeiros, o que vocês acham que vai acontecer?

Algumas luzes amarelas andaram acendendo nos últimos dias, como divulgações recentes de dados econômicos do Brasil que indicam uma desaceleração econômica. Pode ser um indício de que nossa situação vai começar a se deteriorar? Não sei responder (prever o futuro não é uma das minhas especialidades…), mas sinto que o cenário pede que passemos a adotar uma postura mais defensiva com relação ao nosso dinheiro e à nossa situação financeira.

No próximo artigo, veremos algumas estratégias que podem ser adotadas para que não sejamos pegos “de calças arriadas” caso algo ruim aconteça no ano que vem. Até lá!
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Fonte: http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/voce-e-o-dinheiro/2011/12/12/preparando-se-para-um-ano-de-incertezas-parte-1/

HUMOR E SERIEDADE

ABRAHAM SHAPIRO

A vida e o trabalho são coisas sérias. Veja o vídeo:

Vídeo do Youtube

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segunda-feira, dezembro 12, 2011

QUEM TEM MUITO DINHEIRO NÃO GOSTA DE FALAR DISSO


Lucy Kellaway – Financial Times

É mais fácil fazer passar um camelo pelo buraco de uma agulha do que convencer uma pessoa rica a falar na rádio sobre o dinheiro que tem.

Estou em condições de afirmar isto depois de ter perdido bastante tempo a tentar convencer cidadãos britânicos super ricos a serem entrevistados em directo sobre a sua atitude para com a sua riqueza.*

Queria saber até que ponto ser detentor de uma fortuna altera a vida das pessoas, as suas relações, os seus valores - e os seus hábitos de consumo. Segundo a minha teoria, curiosamente, ter dinheiro é difícil - muito mais difícil do que consegui-lo. A culpa desta recusa em não falar de dinheiro pode ser da recessão. Ou talvez seja uma coisa britânica. Mas, durante meses a fio, os produtores debateram-se para conseguirem trazer pessoas para esse programa de rádio. Não tiveram qualquer dificuldade em trazer pessoas para falarem publicamente de operações de mudança de sexo, de divórcios, esgotamentos cerebrais e outras estranhas manias. Mas falar sobre riqueza? Não, obrigado! Após algumas centenas de recusas, eis que surgiram três pessoas suficientemente corajosas para falar.

A ideia para esta série de conversas surgiu-me num jantar no Verão passado quando falei com um empresário que fizera 466 milhões de euros (400 milhões de libras) mas que se apresentava vestido dos pés à cabeça com peças gastas da Marks & Spencer. Quando lhe perguntei como gastava o seu dinheiro, respondeu que, além de dar bastante dinheiro a instituições de beneficência, ajudara também a pagar as propinas dos seus sobrinhos e das suas sobrinhas, algo que deixara os seus filhos simultaneamente ressentidos e agradados ao mesmo tempo.

Apesar da sua capacidade de fazer dinheiro, não parecia ser muito bom no que toca a ter dinheiro. Ou melhor, a sua forma de ter dinheiro era fingir que não o tinha, o que achei admirável e um desperdício, ao mesmo tempo. O que é isso de ser bom a ter dinheiro? As três pessoas que entrevistei tinham experiências diferentes com o dinheiro, o que provavelmente não admira, uma vez que ser rico aumenta as nossas opções. E adulterando uma citação de Tolstoi, os pobres são todos iguais mas os ricos são ricos, cada um à sua maneira.

A primeira destas pessoas, uma empresária, era como o comensal de que vos falei antes, mas pior ainda. Era tão infeliz por ter uma grande fortuna, que só aceitou falar sobre isso na rádio se não revelássemos o seu nome.

Os ricos, assim lhe tinham ensinado, não eram pessoas muito simpáticas. E quando descobriu que passou a fazer desse grupo, quando o capital da sua empresa foi disperso em bolsa, começou a temer que os seus amigos - e sobretudo o homem que conhecera recentemente e que auferia um salário médio - olhassem para ela de uma forma diferente.

Disse que fez agora as pazes com o seu dinheiro, aprendendo a usá-lo de forma eficaz, mas continua a achar que as pessoas que sabem que ela é rica a tratam de forma diferente - com maior deferência e com menos interesse pelos seus pontos de vista - do que aqueles que não sabem que ela é detentora de uma boa fortuna.

O homem que entrevistei em seguida tinha uma relação mais pacífica com o seu dinheiro, de que gostava evidentemente. Propusera-se deliberadamente a acumulá-lo: e quando o conseguiu, chegou à conclusão que a vida com um Maserati e um avião particular era melhor do que sem isso. Mas não estava satisfeito. Queria continuar a ascender na lista dos ricos, de modo a criar mais emprego para os outros e comprar um avião maior para si.

O terceiro homem herdara parte de uma imensa fortuna de seu pai. Sempre fora rico e sempre fora um grande mecenas das artes. Mas quando lhe perguntei se o seu dinheiro o isolara, disse que, com ou sem ele, seria sempre uma pessoa isolada. E quando lhe perguntei o que o dinheiro fizera para os seus filhos, faz uma careta e disse que não queria falar disso.

A única coisa que une estas três pessoas super ricas é o facto de todas terem protestado quando lhes chamei precisamente ricas. Pouco importava que estivessem entre as mil pessoas mais ricas do país - nenhuma delas se via como tal. Isto porque, ao avaliar a nossa riqueza, tendemos a olhar para cima e não para baixo. Por mais ricos que sejamos, existe sempre alguém mais rico do que nós. Quando conduzimos o nosso novo avião privado para o seu lugar no hangar, se o avião ao lado for maior, então não somos assim tão ricos.

E pensando nisto, também tenho a minha dose de culpa. Não me descrevo como rica, uma vez que conheço pessoas mais ricas. Mas uma vez que faço parte dessa percentagem de pessoas no topo no país, isso faz de mim uma pessoa com os bolsos cheios.

E o que é que sinto sobre o meu dinheiro? Ao fazer este programa dei comigo a pensar no que é isso de ter o dinheiro certo e no facto de ter atingido provavelmente esse patamar.

Ter o dinheiro certo significa ter dinheiro suficiente para não termos que nos preocupar quando surge uma emergência. Mas não tanto a ponto de ficarmos infelizes pela forma como o gastamos ou de nos preocuparmos se os/as nossos/as filhos/as virão a casar com prospectores/as de ouro. Apercebi-me que não me importo de falar de dinheiro. Importa-me sim falar sobre isso. Os pobres pensam nisso a toda a hora. E o mesmo acontece com os super ricos. Para mim, temos dinheiro suficiente quando nem pensamos nisso.

* Programa One to One, 9.30, Terças-feiras, BBC Radio 4.

FECHANDO O BALANÇO DE 2011 – PARTE 1

Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 12/12/2011, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos


ABRAHAM SHAPIRO

Estamos às vésperas de um Novo Ano. Para quem viver, o calendário vai mudar novamente. Antes que mude, faça um balanço. Desta vez não sobre quantos quilos você emagreceu. Nem sobre quanto mais rico ficou. O que você evoluiu em 2011? Em quais áreas progrediu efetivamente?

Já parou para pensar? Teve tempo?

Qualquer ser humano que parar por um instante a fim de dar um zoom sobre suas ações terá noção clara se deve ou não abandonar a conduta que adotou até então. Assim, ele poderá melhorar e progredir a cada parada. Certamente é pela falta desse tempo e atitude que ninguém mais se satisfaz com sua porção ou conquistas. Tudo é pouco! Sempre. Por mais que consigam coisas, o sentimento que fica é uma inexplicável ansiedade por algo que não se sabe o que é.

Impressiona-me quanto as pessoas se habituaram ao cotidiano alucinante. Tornou-se normal. Mesmo quando saem de férias mantêm-se o tempo todo envolvidas com seus afazeres de modo doentio. Chegam a ponto de retornarem exaustas. “Estou morto”, disse-me um amigo após três semanas no exterior. Ele esteve tão empenhado em preencher seu tempo com tarefas, que não restou brecha para as coisas normais de uma viagem – lugares novos, comidas, cultura geral.

Você cresceu em 2011?

Após estas colocações numa palestra que ministrei dia desses, uma pessoa me perguntou:

- Como posso saber que estou evoluindo como ser humano?

- É simples – eu respondi. Olhe para os seus sentimentos. O que sente quando alguém lhe chama a atenção por uma falha que tenha cometido?

Ela foi sincera ao dizer:

- Fico desapontada!

Eu completei:

- Este é o sinal. Quanto menos negativamente você reagir a isto, mais você estará crescendo. Esteja mais receptiva às repreensões que receber por seus erros, e maior progresso você terá. Crescer é ver a vida desde um novo prisma, e superar as deficiências. Você consegue isto de dois modos: por meio de reflexões pessoais, e através das advertências das pessoas com quem convive.
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SEM-DIPLOMA PERDEM 20% DA RENDA NOS EUA EM 5 ANOS


Homens de 25 a 64 anos com ensino médio estão entre principais vítimas da crise. Efeitos das mudanças tecnológicas e da globalização se fizeram sentir com mais força nesse grupo, diz estudo

LUCIANA COELHO - FOLHA DE SÃO PAULO 

A discreta mas contínua melhora do mercado de trabalho nos EUA deve passar despercebida para um grupo cujo problema vai além de achar emprego: homens de 25 a 64 anos sem diploma universitário, cuja renda, nos últimos cinco anos, caiu 20%.

A conclusão está em estudo do centro Brookings, assinado pelos economistas Michael Greenstone e Adam Looney -ambos egressos do Conselho de Assessores Econômicos de Barack Obama.

A análise, com dados do Censo, mostra que a crise exacerbou uma tendência anterior calcada em mudanças tecnológicas e globalização.

Os autores usaram só homens não imigrantes no cálculo, para evitar distorções como as barreiras à entrada da mulher no mercado e a participação dos imigrantes, medida a partir de 1994.

Em 40 anos, diz o estudo, os salários dos trabalhadores que completaram só o ensino médio foi carcomido de US$ 49 mil anuais (R$ 7.400 ao mês) em 1970 para os atuais US$ 26 mil (ou R$ 3.920/mês), já contando a inflação.

A taxa de desemprego é inversamente proporcional ao nível de instrução -mas a razão do desemprego para quem tem diploma universitário e quem não tem, de 1 para 2, se mantém perene.

Após o início dos anos 70, quando estava próxima de US$ 50 mil ao ano, a renda anual dos sem-diploma iniciou uma queda que duraria até 1993, quando o país viveu um ciclo de forte crescimento. Daí até 2000, a expansão levou o valor a US$ 34,5 mil.

Com a crise, os ganhos dos menos instruídos caíram a níveis perto da barreira da pobreza na definição do Censo dos EUA (US$ 22,3 mil/ano para família de quatro pessoas).

"O dinamismo e a mudança rápida na economia americana depreciaram as habilidades de parte dos trabalhadores", dizem os economistas.

O outsourcing -exportação de empregos por companhias em busca de mão de obra barata- também pesou. Os dois economistas sugerem que o governo invista em treinamento e capacitação.

O problema é que, nas contas da especialista Isabel Sawhill, também do Brookings, essa é uma das áreas que mais devem sofrer cortes no ajuste fiscal dos EUA em 2013.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

FESTAS DE PROMOÇÃO DE EMPRESAS

ABRAHAM SHAPIRO

No fim ou no começo de cada ano, muitas empresas promovem festas para clientes. Elas vêm numa embalagem quase sempre muito bonita, séria e formal – para causar impressão de que a empresa é objetiva, organizada e proporciona a seus clientes o máximo de bons resultados imagináveis.

Ouvi certo diretor comentar que uma festa é a propaganda mais barata que existe. Talvez seja, sim. Mas paremos para refletir.

Qual é a real intenção por trás das festas? Gastar alguns reais per capita para dizerem que são ótimas empresas, almejando em seguida que, em sinal de gratidão, os convidados gastem alguns milhares de reais comprando seus produtos ou serviços, e não parem mais.

Depois de muita festinha barulhenta e doses cavalares de antiácido para diminuir a prisão de ventre por causa dos quitutes, eu não abro mão da regra conservadora de que “empresas que cuidam de seus serviços, do atendimento e de seus produtos como preciosidades não precisam dar mais que isso para ser atraentes”. Pelo trabalho que desempenham, e alguma propaganda para serem lembradas, elas já são a preferência e a escolha do grande público.




Isto é que falta ao raciocínio dos dirigentes que acreditam em festas milagrosas. Promover a empresa é ótimo. Mas o básico deve ser feito todos os dias: transparência, confiabilidade, política comercial clara, comunicação, melhoria contínua da satisfação do cliente, pessoal treinado, cumprimento dos prazos... Esta é a mágica! Assim é que se atraem novos negócios e se efetivam clientes, seja na micro ou na empresa mundial.

O problema existe somente quando os chefes não enxergam as próprias deficiências, e preferem racionalizar a respeito para que se sintam melhor. Eles prosseguem se enganando, e nada mais. Eles continuam acreditando ser possível conseguir grandes negócios através apenas do infeliz e patético escambo por comida e bebida – quase sempre muito ruins.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

quinta-feira, dezembro 08, 2011

PROFISSIONALIZAÇÃO DE EMPRESAS

ABRAHAM SHAPIRO

Profissionalização é o processo pelo qual uma organização familiar assume práticas administrativas mais racionais, modernas e menos personalizadas.

Muitas empresas familiares são uma verdadeira vitrine de egos. As pessoas, com diversos graus de parentesco, lutam o tempo todo para fazer prevalecer o seu ponto de vista. Quando a perda de mercado ou outros prejuízos colocam em risco sua continuidade, os familiares fazem uma trégua e, após algumas medidas de praxe – como um acordo de sócios, por exemplo – caminham em direção à profissionalização. Contratam dirigentes com prática que atuarão no meio da família com a missão de substituir formas arcaicas de trabalho por um modelo profissional.

Não é fácil profissionalizar. Não depende só de vontade ou decisão. Há que se submeter a um protocolo evolutivo e não apressado.

Foi por desobediência a estes princípios que uma empresa se colocou em dificuldades recentemente. Após os filhos afastarem o pai da administração e assumirem o comando, fizeram um Acordo de Sócios e começaram a atuar. Começaram, então, a  perder significativa fatia de mercado por conta de mau atendimento, queda na qualidade e obcessão por vender mesmo sabendo que os clientes estavam crescentemente insatisfeitos. Foi quando o líder resolveu contratar executivos de grandes companhias. Ele acreditava em milagres.

Três meses se passaram e a empresa já tinha gerente até para abrir portões. Os novos executivos começaram a promover uma guerra de nervos entre seus funcionários desafetos com objetivo de eliminá-los e abrir espaço para antigos colegas das empresas de onde vinham.

A situação se agravou. Passado um ano, eles levantaram empréstimos milionários para implantar processos que só se viabilizarão com a reconquista plena do mercado perdido. Mas continuam desprezando a satisfação dos clientes. Nesta empresa, aliás, cliente é o que menos importa. Os serviços são horríveis e o atendimento horroroso.

Profissionalizar é bom? É como qualquer remédio: depende de um bom médico para prescrever e orientar a dose correta. A automedicação também nesses casos, representa um risco proibido.

Por enquanto, a assesoria de imprensa da dita empresa divulga todas as semanas que logo estarão no topo da lista das maiores e melhores. Só não diz como. Pelo jeito,  continuam acreditando em milagres. Quem viver, verá!
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473