Naquela empresa tudo é urgente. Sempre.
O e-mail chegou com "URGENTE" escrito no assunto. A mensagem no
WhatsApp veio com três pontos de exclamação. A reunião foi marcada para daqui a
quinze minutos porque o assunto não pode esperar.
Nada pode esperar.
Ali não existe segunda-feira normal. O que há é segunda-feira de crise, que prepara o terreno para a quarta-feira do colapso, que deságua na sexta-feira do “só um milagre pode nos salvar”.
Meses inteiros são assim.
O curioso é que eles se orgulham disso.
"Somos ágeis." "Resolvemos problemas
rápido." Sim. Mas ninguém percebeu que são sempre os mesmos problemas.
Toda semana. De mês a mês.
Urgência crônica não é cultura de alto desempenho. É
ausência de planejamento com boa trilha sonora. Essa empresa não é dinâmica. É
porcamente gerenciada, isso sim.
Quem planeja dirige. Quem não planeja vive só para apagar
incêndio... e nunca tem tempo de perguntar por que o fogo persiste.
Escolha os três problemas que mais se repetem na sua operação. Se eles voltam todo mês, não são urgências. São sintomas de um processo quebrado ou de uma decisão que ninguém teve coragem de tomar.
Resolva
a causa. Pare de apagar a fumaça.