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terça-feira, setembro 23, 2014

AS DUAS PERGUNTAS DEFINITIVAS

ABRAHAM SHAPIRO

- “O que é isso?”
- “E como vamos saber se funcionou?”
Pare por um instante e pense no poder destas duas perguntas. Posso repeti-las? Eu gostaria que você avaliasse seu real impacto. Leia com atenção, por favor:
- “O que é isso?
- “E como vamos saber se funcionou?”
Há uma filosofia por trás delas. É profunda e significativa. Sabe qual?
“Se vale a pena fazer uma coisa, vale a pena conhecê-la antes de fazer”.
Isto é certo. Porque não há nada mais terrível do que pessoas tentando fazer coisas de que nada sabem ou desconhecem... e não têm critério algum que lhes indique se está funcionando, isto é, atingindo ou não os objetivos.
Imagine um martelo. Ele é usado para se fixar pregos na madeira. Depois de usá-lo, é fácil dizer se ele fez bem o trabalho. Aliás, os simples fatos de todos terem clareza sobre a serventia de qualquer martelo e se funciona ou não são as razões básicas porque há tantos bons martelos no mercado.
- “O que é isso?”
- “E como vamos saber se funcionou?”
Você já havia pensado nisso antes? Se ainda não, comece a adotar esta prática em todos os âmbitos da sua vida.
Coloque o conhecimento antes de tudo. Conheça o que você acha que vale a pena fazer. Só então, faça. E não deixe de observar se funcionou e como funcionou!
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Abraham Shapiro é consultor e coach. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é "simplicidade". É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome". E-mail: shapiro@shapiro.com.br Fone: 43. 8814.1473

sexta-feira, julho 11, 2014

O CONTROLE DA QUALIDADE PESSOAL

ABRAHAM SHAPIRO

O rapaz contratado para os serviços no jardim da casa do Flávio era jovem e esforçado. Ao concluir sua primeira manutenção, pediu para usar o telefone.
Flávio, que estava na sala ao lado, não pôde deixar de ouvir a conversa que se passou à viva voz.
É uma mulher do outro lado da linha. Ele pergunta se ela precisa de um jardineiro. Ela agradece, mas responde que já tem um. O rapaz explica que é especialista em gramados e de remove todo o lixo após o trabalho. A mulher recusa. Diz que seu jardineiro faz isso. Ele insiste garantindo que é organizado e nunca deixa um cliente sem atendimento. A senhora nega de novo e diz que seu jardineiro atual já oferece tudo isso. Por fim, ele fala em preço. Ela diz que a qualidade de seu jardineiro é ótima e, por isso, está disposta a pagar mais do que a média do mercado.
O jardineiro então desliga o telefone.
Flávio sente pena e diz:
- “Não se preocupe, meu rapaz. Você conseguirá outros clientes”.
O rapaz responde:
- “Não estou preocupado, seu Flávio”. E abrindo um sorriso, completa: “Eu é que sou o jardineiro dela”.
Atônito, Flávio pergunta:
- “Então por que ligou oferecendo os seus serviços?”
E o jovem:
- “Foi só para saber se ela está satisfeita com o meu trabalho. Assim, descubro o que não vai bem e posso melhorar”.
Você teria coragem de fazer uma pesquisa desse tipo?
Eu avalio os meus atos. Mas quando faço isto, aparece aquela tendência de me acomodar e de pensar que estou certo e os outros errados.
Se me oferecessem dinheiro para publicamente falar mal de alguém eu jamais aceitaria. Você também não.  É que eu sei que isto poderia causar danos irreparáveis à pessoa. Mas sabe o que me surpreende? O fato de que muitas vezes eu falei mal de graça. E tive justificativa para isso.
Eu sempre me concedo permissão para tudo o que quero fazer – seja o bem ou o mal. Eu crio exceções às minhas regras de conduto e, desta forma, saio justificado achando que fui bem.
Você deseja melhorar a sua qualidade pessoal e profissional? Melhore a visão de si mesmo. E melhore também a sua consciência. Analise o seu comportamento e imponha sobre si regras que disciplinem o seu modo de ser e de viver. E não abra exceções.
Com a qualidade pessoal e com clientes não se brinca. São vitais. Sem qualidade você não se desenvolve. E sem clientes, você não se sustenta!
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Abraham Shapiro é consultor e coach. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é "simplicidade". É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome". E-mail: shapiro@shapiro.com.br Fone: 43. 8814.1473

sexta-feira, julho 04, 2014

EDUCAÇÃO PARA SER MELHOR HOJE!

ABRAHAM SHAPIRO

Um pensador disse:
"Educação é aquilo que sobra depois que esquecemos tudo o que estudamos".
Qual é a sua meta na vida? Qual é a sua meta no trabalho?
Infelizmente estamos tão ocupados com as infinitas obrigações de cada dia que nos esquecemos do nosso autodesenvolvimento. Penso ser necessário reduzir a função de “bombeiro” ou “solucionador de problemas urgentes” para começar a melhorar a nossa qualidade.
Ler mais e praticar as ideias que nos atraem durante a leitura é uma técnica infalível. Só assim é possível manter ideias claras e desenvolver a nossa eficácia real. Sabe por quê?
Você e eu temos algo parecido a um CD player que toca dia e noite no interior da mente. Nele estão mensagens que captamos e gravamos ao longo da vida.  Estas mensagens são reproduzidas inúmeras vezes – algumas positivas, outras negativas. Entre elas: "Eu sou um fracasso”; “ Não sou inteligente”; “Nunca vou conseguir ter sucesso". Eu mesmo já cheguei a pensar que "se as pessoas realmente me conhecessem, não iriam gostar de mim".
De onde surgiram estas mensagens? Da vida toda: da criação, dos relacionamentos, das experiências e do modo como nos enxergarmos e julgamos a nós mesmos.  
Não preciso dizer que muitas dessas porcarias precisam ser mudadas sob risco de jamais desfrutarmos o lado bom da vida ou atingirmos o nosso potencial máximo, não é mesmo?
Se você respondeu: “Ok. Mas como faço isso?”. Abra e alimente o seu cérebro com novas e constantes ideias.  Leia o que você nunca leu. Leia coisas boas. Que tal? Comece e persista. Faça disso um modo de viver.
O nosso valor não depende do que os outros pensam ou nos julgam. Porém, depende em mais de 90% do que somos agora, e do que faremos para crescer amanhã.
Você vem comigo? Estamos juntos?
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Abraham Shapiro é consultor e coach. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é "simplicidade". É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome". E-mail: shapiro@shapiro.com.br Fone: 43. 8814.1473

quinta-feira, maio 29, 2014

CONDUTA NOS NEGÓCIOS

ABRAHAM SHAPIRO

Seja claro ao estabelecer as regras de que você necessita antes de fechar qualquer negócio. Nada impede que você possa fazer ajustes futuros, caso ocorram acidentes de percurso. Mas pense – e acostume-se a pensar – sempre como se você fosse a outra parte. Tenha essa atitude de empatia. Ajuda muito.
Adote a regra de que tudo se consegue conversando e, principalmente, empregando as palavras certas, junto da dose apropriada de franqueza.
Eu me lembro de certa vez que comprei um bem com cheques pré-datados, há alguns anos.  No decorrer das últimas parcelas, um plano econômico malfadado do governo transformou a economia do país num lixo e prejudicou a minha programação de pagamentos. Liguei logo que pude ao credor e o informei de que iria precisar de uns dias a mais para honrar os cheques vincendos e não me importava se ele cobrasse juros ao longo desse período. Pedi que ele mesmo calculasse tudo e me informasse. Mostrei a ele minha boa vontade e, pessoalmente, verifiquei sua conduta nas taxas de juros a serem cobrados. Se ele fosse justo ou não, isto faria diferença em negócios futuros.
Qual é a regra aqui? Quando você é o credor, exija somente o que é seu. Nunca cobre um centavo além do combinado ou dos juros de mercado. Arrumar valores de última hora, não é um comportamento correto.
Repare que, aos poucos, você também vai estudando a forma como as pessoas lidam com finanças e quem são aquelas com quem vale a pena fazer novos negócios, assim como com quais isso não compensa. Você irá vivenciar muitas vezes esta situação, assim como eu! Hoje conheço exatamente com quem NÃO fazer negócios. E não faço!
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Abraham Shapiro é consultor e coach. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é "simplicidade". É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome". E-mail: shapiro@shapiro.com.br Fone: 43. 8814.1473

terça-feira, março 04, 2014

APRENDA PARA ENSINAR

ABRAHAM SHAPIRO

Imagine que você encontre um extraterrestre vindo de uma galáxia distante para comunicar uma mensagem importante aos terráqueos. O que você faria? Com certeza iria dizer:
- “Preciso contar a todos sobre isso! De que galáxia você diz ter vindo? E esses tentáculos? Eles funcionam, mesmo?”
Você começaria a pensar, analisar e focar tudo, porque há um público gigantesco de seres humanos esperando pelas suas palavras.
Este é um caso bastante extremo e, por enquanto, hipotético. Mas pode ser trazido para a realidade.
O que quer que aprendamos – seja em livros, palestras ou com a vida – devemos compartilhar com os demais. Foi fascinante para nós? Pode nos mudar? Ensina algo sobre "como viver"? Então, é preciso, agora, que pensemos como transferir esse conhecimento para os outros.
Aprender para ensinar! Isto é um ato de grandeza. A filosofia é: “Não guarde só para si. Se vale a pena, compartilhe!”
Defina qual é o ponto que mais lhe desperta a atenção. Entenda-o com máxima clareza possível. Imagine de que modo você irá explicar aos demais. Depois: divida com eles.
Essa técnica vale para todas as experiências da vida – voltando das férias, por exemplo, qual será a mensagem que podemos transmitir aos amigos quando os encontrarmos?
Em tudo o que fazemos – no zoológico, numa festa, lendo o jornal – continuemos nos perguntando: “Qual é o valor desta informação? O que ela me ensina?” E então: “quem mais poderia se beneficiar disto...  e como posso compartilhar?”
Não perca nenhuma oportunidade.
A ideia de ensinar deixa muitas pessoas desconfortáveis. Elas se julgam inadequadas por terem consciência de não serem perfeitas ou de ainda não conseguirem viver o que aprenderam. Mas isto é só racionalização ou desculpa, pois, na verdade, ninguém é perfeito e nenhum indivíduo consegue viver de imediato um terço daquilo que aprende. Requer tempo, esforço e muita persistência.  No entanto, o esforço é que conta!
Os melhores professores cometem erros. No início mais do que depois.
A aprendizagem da vida é como andar de bicicleta: quanto mais o fazemos, mais fácil se torna.
Ninguém jamais chegou a ser um grande mestre sem tropeçar ou fracassar algumas vezes. Assim, comece a sua parte hoje. Aprenda.... e depois ponha-se a ensinar. Você pode! Você deve!
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Abraham Shapiro é consultor e coach. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é "simplicidade". É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome". E-mail: shapiro@shapiro.com.br Fone: 43. 8814.1473

domingo, março 02, 2014

BIG DATA: A REVOLUÇÃO DA GESTÃO DO CONHECIMENTO



Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee

    "Não dá para administrar o que não se mede"

    Há muita sabedoria nesta máxima, que já foi atribuída tanto a W. Edwards Deming quanto a Peter Drucker e explica por que a recente explosão de dados digitais é tão importante. Resumindo, devido ao chamado “big data”, um gestor pode medir — e, portanto, saber — muitíssimo mais sobre o negócio, e converter esse conhecimento diretamente em decisões e resultados melhores.

    Peguemos o varejo. O comércio livreiro tradicional, com lojas físicas, sempre teve como saber que livros vendiam ou não. Se tivesse um programa de fidelidade, dava até para descobrir que cliente tinha comprado esse ou aquele livro. E era só. Quando o comércio foi para a internet, no entanto, o conhecimento sobre a clientela aumentou radicalmente. Varejistas eletrônicas podiam monitorar não só o que o público comprava, mas também que outros itens checava; como navegava pelo site; até onde era influenciado por promoções, resenhas e pela organização das páginas; e semelhanças entre indivíduos e grupos. Em pouco tempo, criaram algoritmos para prever que livro um certo cliente gostaria de ler em seguida — algoritmos que iam melhorando cada vez que o cliente aceitava ou ignorava uma recomendação. O varejo tradicional simplesmente não tinha como obter esse tipo de informação — que dirá agir com base nela no momento oportuno. Não é à toa que a Amazon levou à falência tanta livraria tradicional.

    A familiaridade da história da Amazon é tanta que quase mascara sua força. Hoje, é normal esperarmos, de empresas que já nasceram digitais, proezas que não passavam de sonho para executivos de uma geração atrás. Só que o fenômeno do big data tem o potencial de transformar empresas tradicionais também, ao abrir oportunidades ainda maiores para que consigam vantagem competitiva (empresas digitais sempre souberam que a vitória dependeria de quão bem entendessem seus dados). Como veremos em mais detalhe, o big data dessa nova revolução tem muito mais força do que a analítica usada ​​no passado. Podemos medir e, portanto, administrar de forma mais precisa do que nunca. Podemos fazer projeções melhores e tomar decisões mais inteligentes. Podemos promover intervenções direcionadas, mais eficazes — e isso em áreas onde até aqui imperavam o instinto e a intuição, não dados e rigor.

    À medida que forem se disseminando, ferramentas e filosofias do big data vão mudar velhas ideias sobre o valor da experiência, a natureza do conhecimento e a prática da administração. Líderes sagazes de tudo quanto é setor encararão o uso do big data como aquilo que realmente é: uma revolução na gestão. Mas, como com qualquer outra grande mudança na atividade empresarial, o desafio de habilitar a organização para o uso dessa imensidão de dados pode ser enorme e exigir o envolvimento direto — ou, em certos casos, o distanciamento — da liderança. É, contudo, uma transição que executivos precisam encarar hoje.

    Qual a novidade?

    Volta e meia executivos nos perguntam se “big data” não é apenas outro jeito de dizer “analítica”. É verdade que há relação entre os dois: o movimento do big data, assim como o da analítica antes dele, busca extrair informações de montanhas de dados e converter isso tudo em vantagem competitiva. Há, contudo, três grandes diferenças:

    Volume. No presente, 2012, cerca de 2,5 exabytes de dados são criados todo dia, número que dobra a cada 40 meses, por aí. O volume de dados que circulam a cada segundo pela internet é maior do que toda a informação armazenada na rede 20 anos atrás. Isso dá a empresas a oportunidade de trabalhar com vários petabytes de dados em um único conjunto de dados — e não só oriundos da internet. Calcula-se, por exemplo, que o Walmart reúna mais de 2,5 petabytes de dados por hora de transações de clientes. Um petabyte é um quatrilhão de bytes, ou o equivalente ao texto guardado em cerca de 20 milhões de arquivos de aço. Um exabyte é mil vezes esse número, ou um bilhão de gigabytes.


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    Velocidade. Em muitos casos, a velocidade de geração de dados é ainda mais importante do que o volume. A informação em tempo real, ou quase, permite à empresa ser muito mais ágil do que concorrentes. Um exemplo: nosso colega Alex Pentland (junto com sua turma no MIT Media Lab) usou ​​dados de localização de celulares para inferir quanta gente havia nos estacionamentos da loja de departamentos americana Macy’s durante a chamada Black Friday, que inaugura a temporada natalina de compras nos Estados Unidos. Com isso, foi possível estimar as vendas da varejista naquele dia crucial antes mesmo de a Macy’s ter registrado essas vendas. Insights rápidos como esse podem dar uma óbvia vantagem competitiva para analistas do mercado financeiro e gestores de empresas.

    Variedade. O big data inclui mensagens, atualizações e imagens postadas em redes sociais; leituras de sensores; sinais de GPS de celulares e por aí vai. Muitas das fontes mais importantes dessa profusão de dados são relativamente novas. A imensa quantidade de informação disponível em redes sociais, por exemplo, tem a mesma idade das redes em si: o Facebook foi lançado em 2004, o Twitter em 2006. O mesmo vale para smartphones e outros aparelhinhos móveis que hoje trazem levas imensas de dados ligados a pessoas, atividades e lugares. Dada a disseminação desses aparelhos, é fácil esquecer que o iPhone foi lançado há apenas cinco anos e o iPad, em 2010. Logo, bancos de dados estruturados que até bem pouco guardavam o grosso das informações de empresas são inadequados para armazenar e processar o big data. Ao mesmo tempo, a contínua queda no custo de todos os elementos da informática —armazenamento, memória, processamento, largura de banda e outros — significa que abordagens fundadas no uso intensivo de dados, até então caríssimas, rapidamente barateiam.

    Com mais e mais atividade empresarial sendo digitalizada, novas fontes de informação e equipamentos cada vez mais baratos se unem para inaugurar uma nova era — era que traz grandes volumes de informação digital sobre praticamente todo assunto de interesse para a empresa. Telefones celulares, compras na internet, redes sociais, comunicação eletrônica, GPS e maquinário computadorizado produzem torrentes de dados como subproduto de sua operação normal. Cada um de nós hoje é um gerador ambulante de dados. Embora os dados produzidos em geral sejam desestruturados (não organizados em bancos de dados) e confusos, há uma tremenda quantidade de sinal em meio ao ruído, só esperando para ser liberado. A analítica trouxe técnicas rigorosas à tomada de decisão; o big data é, a um só tempo, mais simples e mais poderoso. É como diz o diretor de pesquisa do Google, Peter Norvig: “Não temos algoritmos melhores. Temos apenas mais dados”.

    Como se saem empresas movidas a dados

    A segunda pergunta que a ala cética pode fazer é a seguinte: “Onde está a prova de que um uso inteligente do big data irá melhorar o desempenho da empresa?”. Publicações de negócios estão cheias de relatos e estudos de caso que supostamente demonstrariam o valor de agir com base em dados. Mas a verdade, descobrimos há pouco, é que ninguém estava sendo rigoroso na busca de uma resposta. Para preencher essa lacuna constrangedora, lideramos uma equipe no MIT Center for Digital Business, trabalhando em parceria com o departamento de tecnologia empresarial da McKinsey e com a colega Lorin Hitt, da Wharton, e Heekyung Kim, doutorando do MIT. Queríamos testar a hipótese de que empresas movidas a dados teriam um desempenho melhor. Fizemos entrevistas estruturadas com executivos de 330 empresas norte-americanas de capital aberto sobre suas práticas de gestão organizacional e de tecnologia, e reunimos dados de desempenho disponíveis em balanços anuais e fontes independentes.

    Nem todo mundo abraçara a tomada de decisões movida a dados. Aliás, descobrimos uma grande variedade de atitudes e abordagens em todo setor. Em todas as análises que fizemos, contudo, uma relação se destacou: quanto mais a empresa se caracterizava como movida a dados, melhor era seu resultado em indicadores objetivos de desempenho financeiro e operacional. Em particular, empresas no terço superior do respectivo setor no uso de dados na tomada de decisões eram, em média, 5% mais produtivas e 6% mais rentáveis do que as concorrentes. Essa diferença de desempenho seguia forte mesmo após computada a contribuição de mão de obra, capital, serviços adquiridos e investimentos tradicionais em TI. Era estatisticamente relevante e economicamente importante e se refletia em um aumento mensurável do valor de mercado da empresa.

    Como, então, o big data está sendo usado por gestores? Examinemos em detalhe duas empresas que de novatas do Vale do Silício não têm nada. Uma usa o big data para criar novos negócios, a outra para turbinar as vendas.


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    Mais precisão no horário de chegada de aviões

    Em um aeroporto, todo minuto importa. A exatidão das informações sobre o horário previsto de chegada de voos também. Se um avião pousa antes de o pessoal em solo estar pronto, passageiros e tripulação ficam literalmente presos na aeronave. Já se chega depois do esperado, o pessoal fica parado, elevando custos. Logo, quando um estudo interno revelou a uma grande companhia aérea americana que havia uma diferença de dez minutos entre o horário previsto de chegada e o horário efetivo de chegada de cerca de 10% dos voos em seu principal aeroporto — e de pelo menos cinco minutos em 30% dos voos —, a diretoria decidiu agir.

    Na época, a companhia seguia a velha prática do setor de usar a estimativa de horário de chegada feita por pilotos. Era uma estimativa feita na fase final de aproximação do aeroporto, quando o tempo e a atenção do piloto estavam comprometidos com muitas outras coisas. Em busca de uma solução melhor, a companhia procurou a PASSUR Aeroespace, fornecedora de tecnologias de apoio a decisões para a indústria da aviação. Em 2001, a PASSUR lançou o serviço RightETA para informar suas próprias estimativas de horário de pouso. Para calcular esse horário, combinava dados de caráter público sobre o tempo, a programação de voos e outros fatores com dados exclusivos coletados pela própria empresa, incluindo registros de uma rede de estações de radar passivo que instalara perto de aeroportos para coletar dados sobre todo avião voando nas redondezas.

    A PASSUR começou com um punhado dessas instalações. Em 2012, já eram mais de 155. A cada 4,6 segundos, a empresa coleta uma grande variedade de informações sobre todo avião que “vê”. Isso produz uma leva imensa e constante de dados digitais. Além disso, já que guarda todos os dados registrados ao longo do tempo, a PASSUR tem um imenso estoque de informação multidimensional que abrange mais de uma década. Isso permite análise sofisticada e detecção de padrões. O mecanismo essencial de operação do RightETA é perguntar “o que aconteceu todas as outras vezes em que um avião se aproximou desse aeroporto nessas mesmas condições? Qual foi o horário efetivo de pouso?”.

    Depois de adotar o RightETA, a companhia aérea do caso praticamente eliminou o vão entre os horários estimado e efetivo de chegada de voos. A PASSUR acredita que a capacidade de saber quando seus aviões vão pousar e se planejar para isso representa um valor de milhões de dólares ao ano para uma companhia aérea em cada aeroporto. É uma fórmula simples: usar o big data leva a projeções melhores e projeções melhores levam a decisões melhores.

    Promoções mais rápidas, mais personalizadas

    Há coisa de dois anos, a Sears Holdings chegou à conclusão de que precisava aproveitar melhor o gigantesco volume de dados de clientes, produtos e promoções que obtinha das redes de varejo do grupo (Sears, Craftsman e Lands’ End). Obviamente, seria valioso combinar e fazer uso de todos esses dados para adaptar promoções e outras ofertas à clientela, e para personalizar ofertas a fim de tirar partido de condições locais. Valioso, mas difícil: a Sears precisava de cerca de oito semanas para conceber promoções personalizadas, altura na qual muitas já não eram ideais para a empresa. E demorava tanto, basicamente, porque os dados exigidos para essa análise de grande escala eram volumosos e altamente fragmentados, depositados que estavam em vários bancos de dados e “data warehouses” mantidos pelas distintas cadeias.

    Em busca de um meio mais rápido e barato de executar esse trabalho analítico, a Sears Holdings recorreu a tecnologias e práticas do big data. Uma das primeiras medidas foi criar um cluster Hadoop. É, basicamente, um conjunto de servidores comuns, de baixo custo, cujas atividades são coordenadas por um novo modelo de software, o Hadoop (nome de um elefantinho de brinquedo do filho de Doug Cutting, um de seus criadores).

    A Sears começou a usar o cluster para armazenar dados que chegavam de todas as lojas do grupo e que já estavam em data warehouses da empresa. Em seguida, fez análises diretamente no cluster, evitando a complexidade e a demora de coletar dados em distintas fontes e combiná-los para que pudessem ser analisados. Com essa mudança, a empresa ficou muito mais ágil e certeira em suas promoções. Segundo o diretor de tecnologia da Sears, Phil Shelley, o tempo exigido para produzir um grande bloco de promoções caiu de oito semanas para uma — e segue diminuindo. Além disso, são promoções melhores — pois chegam na hora certa, são mais focadas e mais personalizadas. O cluster Hadoop da Sears armazena e processa vários petabytes de dados a uma fração do custo de um data warehouse equiparável.
    Shelley se diz surpreso com o fácil que foi migrar de velhas para novas abordagens à gestão de dados e à analítica de alto rendimento. Já que o know-how e o conhecimento nessas novas tecnologias de dados eram coisa rara em 2010, quando a Sears iniciou a transição, foi preciso contratar outra empresa, a Cloudera, para realizar parte do trabalho. Com o tempo, no entanto, o próprio time de profissionais de TI e analítica do grupo passou a dominar as novas ferramentas e abordagens.

    Os dois exemplos — o da PASSUR e o da Sears Holdings — demonstram o poder do big data, que permite projeções mais certeiras, decisões melhores e intervenções precisas. E tudo isso em escala aparentemente ilimitada. Já vimos o big data sendo usado na gestão da cadeia de suprimento (para explicar por que índices de defeito de carros de uma montadora subiram repentinamente), no atendimento ao cliente (para monitorar e intervir continuamente em hábitos de saúde de milhões de pessoas), na atividade de planejamento e projeção (para prever melhor vendas por internet com base em dados sobre atributos de um produto) e por aí vai. Vimos retornos parecidos em várias outras áreas e atividades, de finanças a marketing, de hotelaria a jogos, da gestão de recursos humanos ao conserto de máquinas.

    Nossa análise estatística nos diz que o que estamos vendo não é só um punhado de exemplos extraordinários, mas uma transformação mais fundamental da economia. Estamos convencidos de que quase nenhuma esfera da atividade empresarial ficará de fora dessa mudança.

    Uma nova cultura para a tomada de decisões

    Desafios técnicos do uso do big data são bem reais. Mas os desafios de gestão são ainda maiores — a começar pelo papel da alta equipe executiva.

    Calar os HiPPOs. Um dos aspectos mais críticos do big data é seu impacto sobre a forma como decisões são tomadas — e quem as toma. Quando não há muitos dados, é caro consegui-los ou não estão disponíveis em formato digital, faz sentido deixar que indivíduos bem situados tomem decisões, pois o fazem com base na experiência que adquiriram e em padrões e relações que observaram e internalizaram. “Intuição” é o nome dado a esse estilo de inferência e tomada de decisão. A pessoa dá sua opinião sobre o futuro — o que vai acontecer, se algo dará certo ou não — e, com base nisso, traça planos (veja “As verdadeiras medidas do sucesso”, de Michael J. Mauboussin, nesta edição).

    Se a decisão é particularmente importante, esses indivíduos em geral são lá do alto da organização — ou, então, gente de fora contratada a peso de ouro por sua experiência e histórico. Na comunidade do big data, muitos sustentam que a maioria das 

    decisões importantes de uma empresa seguem a “HiPPO”: “the highest-paid person’s opinion”. Literalmente, a opinião da pessoa mais bem paga.

    É verdade que muitos executivos se pautam de verdade por dados e estão dispostos a passar por cima da própria intuição quando essa informação a contradiz. A nosso ver, no entanto, o meio empresarial hoje em dia aposta muito mais na experiência e na intuição do que em dados. Em nosso estudo, criamos uma escala composta de 0 a 5 para medir até que ponto uma empresa era movida a dados. Nada menos que 32% dos entrevistados deram à respectiva empresa nota igual ou inferior a 3 nessa escala.

    Novos papéis. Executivos interessados ​​em conduzir a transição para o big data podem começar com duas técnicas bem simples. A primeira é cultivar, quando diante de uma decisão importante, o hábito de perguntar o que os dados dizem e seguir essa pergunta de outras mais específicas, como “De onde vieram os dados?”, “Que tipo de análise foi feita?” e “Até que ponto acreditamos nos resultados?” (quando executivos adquirem essa disciplina, o pessoal logo capta a mensagem). A segunda é deixar que sua opinião seja mudada por dados; poucas coisas surtem mais efeito para transformar a cultura de tomada de decisões de uma empresa do que ver um alto executivo admitir que um palpite seu foi refutado por dados.

    Obviamente, quando o assunto é definir que problemas abordar, o conhecimento da área ainda é crítico. O tradicional especialista — gente que conhece a fundo uma determinada área — é aquele que sabe onde residem as maiores oportunidades e os maiores desafios. A PASSUR, por exemplo, está tentando contratar o maior número possível de profissionais com vasto conhecimento do lado operacional dos principais aeroportos dos EUA. Ao ajudar a empresa a decidir que produtos e mercados abordar em seguida, essa gente será de valor inestimável.

    À medida que o movimento do big data for avançando, o papel do especialista vai mudar. Esse profissional será valorizado não pelas respostas que dá no modelo “HiPPO”, mas por saber o que perguntar. Pablo Picasso podia estar pensando em um especialista desses quando disse: “O computador é algo inútil. O único que faz é dar respostas”.

    Cinco desafios de gestão

    Uma empresa só vai colher os benefícios da transição para o uso do big data se puder administrar a contento a mudança. Nesse processo, cinco áreas são particularmente importantes.

    Liderança. Uma empresa não triunfa na era do big data só por ter mais dados, ou dados melhores, mas sim porque a equipe de liderança traça metas claras, define o que será considerado sucesso e faz as perguntas certas. O poder do big data não elimina a necessidade de visão nem de sagacidade humanas. Longe disso: ainda precisamos de líderes empresariais capazes de detectar uma grande oportunidade, de entender como o mercado está evoluindo, de pensar com criatividade e de propor coisas realmente novas, de articular uma visão contundente, de convencer os outros a abraçá-la e a dar duro para que se materialize e de lidar bem com clientes, trabalhadores, acionistas e outros interessados. Na próxima década, vão triunfar empresas cujos líderes reúnam todos esses atributos e, ao mesmo tempo, consigam mudar o modo como muitas das decisões ali dentro são tomadas.

    Gestão de talentos. À medida que o custo dos dados cai, sobe o valor de complementos a esses dados. Entre os mais importantes estão cientistas de dados e outros profissionais capazes de trabalhar com grandes volumes de informação. Embora a estatística seja importante, muitas das principais técnicas para uso do big data raramente são ensinadas em cursos tradicionais de estatística. Mais importante ainda talvez seja a capacidade de depurar e organizar grandes conjuntos de dados, já que os novos tipos de dados raramente vêm em formato estruturado. Há, também, uma valorização de ferramentas e técnicas de visualização. Além de cientistas de dados, uma nova geração de especialistas em ciência da computação vem aplicando técnicas para trabalhar com blocos muito grandes de dados. O conhecimento na formulação de experimentos pode ajudar na transposição do fosso entre correlação e causalidade. Um bom cientista de dados sabe, além disso, falar a língua dos negócios e ajudar líderes a reformular os desafios de um jeito abordável pelo big data. Obviamente, quando a demanda é grande, é difícil achar profissionais com esse currículo (veja, ainda nesta edição, “Cientista de dados: o profissional mais cobiçado do século 21”, de Thomas H. Davenport e D.J. Patil).

    Tecnologia. As ferramentas disponíveis para lidar com o volume, a velocidade e a variedade do big data melhoraram muito nos últimos anos. Em geral, o custo dessas tecnologias não é proibitivo — e muito do software é de código livre. O Hadoop, o sistema mais usado, combina servidores comuns com software open source. O programa distribui os dados que chegam por discos baratos; além disso, traz ferramentas para a análise dos dados. A capacitação exigida por essas tecnologias é, contudo, novidade para a maioria dos departamentos de TI, que terão de dar duro para integrar toda fonte relevante de dados, interna e externa. Embora não seja tudo, a atenção à tecnologia é um elemento indispensável de uma estratégia de big data.

    Tomada de decisões. Uma organização eficaz situa a informação e direitos de decisão pertinentes no mesmo lugar. Na era do big data, contudo, a informação é gerada e transferida, e o conhecimento volta e meia não está onde costumava estar. O líder astuto vai criar uma organização flexível o bastante para minimizar a síndrome do “não foi inventado aqui” e maximizar a cooperação entre áreas distintas. É preciso reunir gente que entenda do problema em torno dos dados certos — e também gente dotada de técnicas de resolução de problemas que possam efetivamente explorar esses dados.

    Cultura da empresa. A primeira pergunta que uma organização movida a dados se faz não é “Qual nosso palpite?”, mas sim “Que informação temos?”. Para isso, é preciso deixar de agir com base apenas na intuição e no instinto. É preciso, ainda, abandonar um hábito péssimo de muitas organizações: fingir que são mais movidas a dados do que realmente são. Vimos muito executivo recheando relatórios com dados que sustentavam decisões que o dito-cujo já tinha tomado com o método tradicional, o HiPPO. Subalternos saíram a posteriori atrás de números que justificassem a decisão.

    Restam,  sem dúvida, muitos obstáculos no caminho. Há pouquíssimos cientistas de dados no mercado. Tecnologias são novas e, em certos casos, exóticas. É fácil demais confundir correlação com causa e achar padrões enganadores em dados. Desafios culturais são enormes e, naturalmente, a questão da privacidade vai ganhar cada vez mais importância. Mas tendências subjacentes, tanto na tecnologia como no retorno para a empresa, são inconfundíveis.

    A evidência é clara: decisões tomadas com base em dados tendem a ser decisões melhores. Ou o líder aceita esse fato, ou é substituído por alguém que o faça. Em setor após setor, empresas que descobrirem como combinar a tarimba em uma determinada área com a ciência dos dados vão deixar as rivais para trás. Não dá para dizer que toda vencedora estará usando o big data para transformar a tomada de decisão. Mas os dados nos dizem que essa é a aposta mais segura. 

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    Andrew McAfee é diretor de pesquisas do Center for Digital Business do MIT, nos EUA, e autor de Empresas 2.0 (Campus, 2010).

    Erik Brynjolfsson é titular da cátedra Schussel Family Professor da Sloan School of Management, faculdade de administração do MIT, e diretor do Center for Digital Business, abrigado na instituição.  A dupla é autora de Race Against the Machine (Digital Frontier Press, 2012).

    sábado, fevereiro 08, 2014

    10 DICAS PARA SER MAIS EFICIENTE

    ABRAHAM SHAPIRO

    Recebi o diagrama abaixo do meu cliente Valdemir Gomes, Diretor da Master Agro Produtos Agrícolas, masteragro.com.br , de Avaré, SP. Ele não só é preocupado em comunicar a necessidade de Planejamento, Organização e Controle em toda e qualquer questão administrativa, como segue à risca um modelo de vida baseado nestes princípios.

    Creio ser importantíssimo analisar esta proposta. Tenho certeza de que todos os que a aplicarem na vida e no trabalho colherão excelentes benefícios em eficiência e eficácia pessoais.




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    Abraham Shapiro é consultor e coach. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é "simplicidade". Autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome - Inspirações para a Vida, o Trabalho e os Relacionamentos". E-mail: shapiro@shapiro.com.br Fone: 43. 8814.1473

    segunda-feira, maio 20, 2013

    (PÉSSIMOS) HÁBITOS DA EMPRESA

    ABRAHAM SHAPIRO

    O meio influencia as pessoas.  É por esta razão que adotamos limites na educação de nossos filhos. 
    Aristóteles dizia que nossas ações viram hábitos, os hábitos viram nosso caráter e o caráter se transforma em nosso destino. As pessoas se acostumam com o bem e o mal. O negativo torna-se vício, assim como fazer coisas erradas.
    O que antes o fulano rejeitava, já não o faz hoje. Já virou normal.  Até ontem ele podia evitar. Hoje enraizou. Mudar este hábito irá exigir dele a energia de uma bomba atômica.
    Com empresas é assim também. É o que explica a perda de mercado mesmo em momentos de oportunidades gigantescas e incríveis de crescimento.  Maus hábitos levam qualquer bom negócio a evaporar como éter. Sintomas principais? Indiferença com planejamento, ódio à estratégia, e  desinteresse pelo cliente. 
    Durante a crise de 2008, os negócios de uma média empresa passavam por apertos. Realizaram um investimento importante na implantação de uma central de pesquisa de satisfação de clientes.  O direcionamento técnico e comercial que conseguiram com essas pesquisas promoveram mudanças significativas na qualidade do produto. Os resultados foram imediatamente vistos por todos.
    Assim que os negócios melhoraram e o caixa fortaleceu, a pesquisa passou a segundo plano. Atrasos, perdas significativas na qualidade dos produtos e a crescente detração de clientes já não importavam mais. Os indicadores caíam semana a semana. Mas todos estavam fascinados com o crescimento quantitativo das vendas. 
    Questionado a respeito, o diretor declarou: “Não se preocupe. O mercado compra tudo. É só produzir”.
    Saiba que isto não é só possível, como acontece com imensa amplitude.  O culpado? São os hábitos. Assim como pessoas perdem a sensibilidade por causa dos vícios, as empresas se autodestroem e se  autodemolem mesmo quando os números dão sinais de prosperidade. 

    Sabe por quê? Não é função de força ou fraqueza aparentes. É mais oculto. É mais interior. É, antes de tudo, questão de caráter das pessoas que a dirigem.
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    Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é simplicidade. É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome - Inspirações para a Vida, o Trabalho e os Relacionamentos", Editora nVersos, 2012. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

    sexta-feira, maio 03, 2013

    PARA ONDE VAMOS COM TANTOS ESPECIALISTAS?

    ABRAHAM SHAPIRO

    Chamado às pressas no meio da noite, o médico chega esbaforido à casa de um rico empresário cuja esposa adoeceu. Ele pede a todos que se retirem do quarto para examiná-la.
    O marido, apreensivo, colado à porta, ouve barulhos estranhos. Após alguns minutos, o médico enfia a cabeça pela porta e lhe pergunta:
    - O senhor tem um alicate?
    O marido busca um alicate. A porta torna a se fechar.
    Mais barulho estranho. Instantes depois, a cabeça do médico reaparece:
    - O senhor tem uma chave de fenda?
    Espantado, o marido busca a ferramenta.
    Mais tempo passa, e de novo:
    - O senhor tem uma furadeira?
    E agora, o marido, desesperado questiona:
    - Furadeira? O que é que a minha esposa tem?
    - Ainda não sei - declara o doutor - Não consegui nem abrir a minha maleta ainda!

    Leonardo da Vinci foi pintor, músico, arquiteto, inventor e muito mais. E saiu-se bem em tudo o que fez. Hoje em dia, dificilmente as pessoas têm senão uma habilidade específica. 
    Vivemos numa época que pode receber o apelido de Era da Especialização. Dificilmente um profissional sabe discorrer sobre outra área que não seja de seu métier. Nunca tivemos tantos especialistas e, ironicamente, tão baixa qualidade nos serviços.
    Mas a nossa capacidade essencial pode muito mais do que isso! E por que não somos mais? O que talvez esteja ocorrendo é que a exigência de qualquer desempenho traduzir-se  em altos e crescentes resultados financeiros tenha se transformado numa obcessão, e isso diminuiu o valor da dedicação a áreas complementares ao bom desempenho, como: o estudo, a leitura de bons livros, a dedicação à arte, a um hobby etc.
    Estamos e somos função de uma única variável. E ela é o trabalho com o fim de produzir dinheiro e mais dinheiro.
    O que ganhamos realmente com isso? Nunca fomos tão pobres, a despeito dos jornais falarem em bilhões e trilhões em cada edição.
    Nesta geração, os pais desconhecem seus filhos. As crianças aprendem comportamentos básicos com  babás e professores que também não educam seus próprios filhos, pois estão lutando por um salário enquanto cuidam dos filhos dos outros.
    Tanto trabalho tem resultado em muito mais amargura do que a esperada prosperidade financeira no seio da família.
    Há algo errado! Estou certo de que todos veem, mas temem admitir. Todos vivem um terror silencioso. Todos sabem estar nadando contra a correnteza.
    É chegada a hora crítica de ao menos pensarmos a respeito.
    As doenças do corpo estão sendo desveladas. Mas as enfermidades da alma só crescem, sem cura. Mantido este cenário, o próximo nível em que entraremos será de crise existencial em proporções jamais vistas. Eu já a sinto se alastrando.
    A responsabilidade é de todos, de cada um de nós.
    Por mais patológico que esteja a “alma do mundo”,  temos ainda o poder, por nós próprios, de dar novo sentido à vida e ao trabalho, e enxergar estes elementos desde uma perspectiva menos materialista, mais ampla e útil para melhorar este nosso mundo. 
    Pense a respeito. A família – confusa, e já quase perdida – agradece.
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    Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é simplicidade. É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome - Inspirações para a Vida, o Trabalho e os Relacionamentos", Editora nVersos, 2012. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

    quinta-feira, abril 25, 2013

    CONFIANÇA: UM ATIVO QUE RENDE LUCROS

    ABRAHAM SHAPIRO

    Se a sua empresa tem um nome de confiança e depende disso como apelo comercial frente a uma concorrência confusa, não linear e assimétrica, você e a sua equipe têm de aprender a usá-lo como um ativo, especialmente em momentos de tão grande exigência por qualidade e satisfação, como hoje.
    Existe uma oportunidade enorme em explorar a confiança inspirada pela força de uma marca. E Isto deve ser feito de forma intensa e direta.
    Comece agregando o termo "confiança" verbal e textualmente a todos os meios utilizados pelo marketing. Traduzindo: faça propaganda e comunique o porquê da sua marca merecer confiança.
    É claro que isto é só a parte aparente do processo. Existem ainda os aspectos ocultos. Eles é que darão sustentabilidade ao discurso.
    Otimize a estrutura da empresa: produção, qualidade, expedição, comunicação,  vendas, prazos e, acima de tudo, atendimento.  Os clientes escolhem fornecedores elegendo critérios claros de benefícios. Não há dúvida de que o tempo só permite sobreviver a empresa que entrega aquilo que prometeu e vendeu. Do que estamos falando? De confiabilidade ou  confiança.
    Fornecedores alternativos – os “meia-bocas”, oportunistas ou paraquedistas – vão desaparecer.  Igualmente os que nada oferecem senão preço baixo. Sabe por quê? Fácil responder. Eles não inspiram confiança. Podem até dar seu lugar a novos picaretas como eles, já que desde os tempos de Adão e Eva o mundo é assim.  
    Em suma: acabou o tempo do blá, blá, blá, das propagandas vazias e afirmativas aleatórias. A estratégia firme tem como alicerce “ser efetivo naquilo que se faz”.
    Se você pode fazer o melhor, não faça mais-ou-menos. E cobre por isso. O cliente pagará pelo que lhe parece bom no primeiro momento, e confirme os benefícios percebidos ao longo do tempo.  Quando constatar que tudo foi cumprido, ele se satisfará e irá voltar à compra daquele item.
    A palavra que melhor descreve este processo? Confiança!
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    Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é simplicidade. É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome - Inspirações para a Vida, o Trabalho e os Relacionamentos", Editora nVersos, 2012. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

    quarta-feira, novembro 07, 2012

    SOMOS TODOS PARTE DE UMA ESCADA HUMANA

    ABRAHAM SHAPIRO

    Um homem estava acampado com amigos numa floresta. De longe, ele avistou um pássaro exótico no topo de uma árvore.
    Caminhou até lá e viu que não tinha como escalar seu tronco. Nem escada havia. O que fez ele? Chamou seus amigos e, juntos, fizeram uma escada humana – um sobre o ombro do outro –, o que possibilitou que ele subisse. Chegando lá em cima, ele apanhou o pássaro – que era bastante dócil.
    Embora o tivessem ajudado a pegar o animal, os homens abaixo dele não faziam a mínima ideia de que a ave fosse tão bela. Alguns nem sabiam o que ele havia pego. No entanto, sem aquelas pessoas o nosso amigo não teria conseguido chegar a seu objetivo.
    De fato, imagine o que teria acontecido se um dos integrantes daquela escada humana mudasse de ideia. Todos teriam caído. E o homem que almejava capturar a ave não só falharia em sua aspiração, como também cairia, sob risco de quebrar seu pescoço.
    Essa história é uma ilustração que deve ser mostrada, ensinada e inserida na consciência de todos os funcionários das empresas, dos membros da administração pública e de qualquer situação que envolva grupos de pessoas atuando em função de uma meta.
    A vida é assim. O trabalho é assim. Qualquer um de nós depende daquelas pessoas que fazem parte de uma corrente de ajuda mútua a fim de se alcançar objetivos. Geralmente elas nem sabem exatamente o que é que se busca, mas ajudam. E muito. Sem elas, não se atingiria o alvo – mesmo naquelas situações em que, após a conquista, o vencedor sente-se vitorioso único, e despreza os que arriscaram o próprio sangue a seu lado.
    Você e eu, que lideramos, precisamos enxergar os demais e dar a eles – a cada um deles – seu devido valor. São estes indivíduos que nos dão suporte e apoio nas melhores horas e também nas mais dolorosas ou pesadas. 
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    Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é simplicidade. É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome - Inspirações para a Vida, o Trabalho e os Relacionamentos", Editora nVersos, 2012. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

    segunda-feira, novembro 05, 2012

    A LEI, A EMPRESA E SEU REAL VALOR

    Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 05/11/2012, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos.


    ABRAHAM SHAPIRO

    Estive com o meu amigo Tiago Torres. Ele é advogado – dos bons.
    O Dr Tiago me falou do quanto as empresas estão preocupadas com sucessão familiar e criação de holdings. A moda agora é os patriarcas transferirem seu patrimônio aos herdeiros evitando os tradicionais transtornos dos inventários. Eles acreditam que, por este meio, os herdeiros também se motivarão a assumir um posto de responsabilidade na empresa.
    Mas, o Tiago possui dados de que estas razões são fracas. Sabe por quê? Há algo muito maior e que deveria vir antes disso na intenção desses proprietários.
    Muitas empresas cresceram fundadas em práticas de sonegação de tributos e desrespeito à legislação trabalhista ou ambiental. Você já deve ter ouvido algum empresário dizer que “se fizer tudo certo a  empresa quebra”.
    Não é verdade. E o Dr Tiago complementa dizendo que os órgãos fiscalizadores estão avançando em tecnologia e rastreamento. Eles cruzam dados, fiscalizam in locco e utilizam recursos que ampliam astronomicamente o risco negativo das empresas continuarem se desviando das condutas legais.
    Antigamente pensava-se ser vantagem deixar o passivo trabalhista para um acordo futuro. Isso não existe mais, e é bem provável que acabe resultando em condenação e se traduza em falência da empresa.
    A pergunta é: “O que você quer deixar aos seus filhos?”
    Muita herança empresarial por aí não diferiu muito de uma bomba-relógio, desgraçando o futuro dos herdeiros.  Há casos em que os crimes e passivos ambientais acumulados na gestão do pai converteu-se na prisão do filho.
    Qual será o remédio? O Dr Tiago responde em três palavras: Prevenção Jurídica Ativa. É um planejamento em que se faz a adaptação da empresa à realidade legal atual, estabelecem-se controles e procedimentos para solucionar problemas reais e evitar os potenciais.  É fazer a empresa andar sobre os trilhos da lei, com viabilidade.
    Seu negócio é lucrativo? Transforme-o então numa herança de valor. Procure os serviços de um bom e experiente advogado e previna-se!
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    Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é simplicidade. É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome - Inspirações para a Vida, o Trabalho e os Relacionamentos", Editora nVersos, 2012. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

    segunda-feira, outubro 29, 2012

    A VISÃO ABSURDA DE ALGUMAS EMPRESAS

    Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 29/10/2012, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos.


    ABRAHAM SHAPIRO


    Missão, visão, valores. Para várias empresas, ter esse trio descritivo dependurado nas paredes de suas instalações é sagrado. Muitas delas, no entanto, estabelecem para si uma visão ao mais irrisório e ridículo lugar-comum. Veja esta: “Nós manteremos os mais altos padrões de produção e ética”. Outra expressa uma necessidade como objetivo: “Atingir suficiente lucro”. Isto é um absurdo. Compara-se apenas a um ser humano que proclamar como visão de sua vida o ato de respirar.
    Ao propôr a visão ideal de sua empresa, evite dizer o que ela faz para sobreviver. Diga, em vez disso, o que escolhe para fazê-la prosperar.
    Não faz o menor sentido empregar superlativos como “o maior”, “o máximo”, “o melhor”.
    Um teste para saber se a visão da sua organização é verdadeira consiste em verificar se você pode discordar dela razoavelmente. Se não puder, esta visão merece ser excluída. Você discordaria, por exemplo, de “fornecer o melhor pelo preço cobrado”? Só se fosse louco, não é mesmo?   Portanto, será besteira incluir esta frase na visão! Por ser óbvia ululante, ela não enunciará nada de uma boa visão dos seus negócios.
    Uma companhia diz que quer “maximizar seu potencial de crescimento”. Outra deseja “oferecer produtos da mais alta qualidade”. A pergunta que insistentemente faço é: como elas saberão se conseguiram isso? Se não podem medir, não devem propor. Será somente um bla bla. Nada prático, nada factível.
    Vou dar três dicas a respeito de como se constrói uma visão realista.
    A primeira providência no enunciado da visão é constar nela objetivos que podem ser medidos. Isto evoca o poder de comprometer as pessoas.
    Segunda dica: a visão da empresa deve diferenciá-la de suas congêneres e proclamar sua individualidade, sua singularidade. Assim, “fabricar produtos com eficiência a custos que deem lucros” é uma péssima proposta, pois iguala a sua organização a todas as outras.
    Terceira: a visão deve definir o negócio que a empresa quer ter no futuro, e não o que ela já tem hoje. Uma companhia que produz refrigerantes e salgadinhos, por exemplo, e que opera em várias instalações para refeições, recreio e diversão identificou sua visão de negócio como: “aumentar a satisfação das pessoas durante seu tempo de lazer”.
    Uma visão poderosa e consistente comunica valor real – do presente para o futuro – trabalha intensamente para atingi-lo. Portanto, ela será inequívoca e mensurável.
    Enuncie a visão da sua empresa do modo mais simples, porém relevante a todos direta ou indiretamente envolvidos com ela. Posso garantir que após isto ninguém deixará de reconhecer sua grandeza e solidez!
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    Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é simplicidade. É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome - Inspirações para a Vida, o Trabalho e os Relacionamentos", Editora nVersos, 2012. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

    segunda-feira, outubro 01, 2012

    E NINGUÉM FALA NADA SOBRE CONSTRUIR PARADIGMAS?

    Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 01/10/2012, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos.

    ABRAHAM SHAPIRO


    Paradigma é uma palavra grega. O que significa? Qualquer padrão de atitude ou pensamento ao qual as pessoas se submetem e que pode produzir resultados bons ou maus. É isso!
    Mas os paradigmas acabaram se tornando um paradigma. Curioso. É que o uso massivo e ignóbil desta palavra criou uma confusão no entendimento de muita gente a ponto de se acreditar que qualquer paradigma deva ser quebrado. E não é verdade.
    Pensamentos ou atitudes viciadas - que produzem situações indesejáveis ou inúteis - são os paradigmas que precisam, sim, ser demolidos. Mas como tudo tem dois lados, existem os paradigmas bons. E estes devem ser construídos e mantidos.
    Quem nos lembra disso é um grupo de estudiosos de um instituto italiano de pesquisas que após 21 anos na Europa abriu sua primeira filial no Brasil. É o Future Concept Lab, ou Laboratório de Conceitos Futuros.
    Eles descobriram que “tendências” são passageiras e duram, no máximo, cinco anos. Já um paradigma pode quebrar regras pré-estabelecidas, influenciar a vida e os hábitos de gerações, chegando a durar em média 20 anos. Vale mais um bom paradigma do que uma poderosa tendência.
    Um exemplo. É um paradigma achar que fast food é sinônimo de comida não saudável. Isto pode não ser verdade e deve ser modificado, já que é possível encontrar comida rápida de excelente qualidade e valor alimentar.  
    Já sustentabilidade é uma tendência atual. Por isso, a sociedade pode – e deve – abandonar a simples moda passageira e torná-la um paradigma. Como? Em vez de se produzir apenas produtos sustentáveis, é preciso expandir o conceito para todo o processo ou cadeia de sua produção.
    Esta é a importância de se construir modelos de ação e pensamento sólidos.
    Um ambiente corporativo que prospera terá suas pessoas se dedicando à construção de bons paradigmas e não à mera importação de tendências passageiras. É assim que se produz valor e perenidade.
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    Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é simplicidade. É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome - Inspirações para a Vida, o Trabalho e os Relacionamentos", Editora nVersos, 2012. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

    quinta-feira, setembro 20, 2012

    A PESQUISA DEFINITIVA E A ESTRATÉGIA REALISTA DE CRESCIMENTO

    ABRAHAM SHAPIRO

    Freddy Reichheld propõe uma pergunta ao cliente como definitiva para avaliar o futuro da empresa. Uma pergunta só!
    Embora muitas organizações façam regularmente pesquisas de satisfação, poucas conseguem avaliar de fato a capacidade dos clientes alavancarem seu crescimento sustentado através da indicação a outros clientes, ou seja, pela recomendação boca a boca. 
    As pesquisas – normalmente chatas e longas demais –  ou conduzem a poucas conclusões sobre o que realmente interessa no processo do relacionamento empresa-cliente ou deixam dúvidas sem solução.
    O que Reichheld sugere é radical e muito simples: concentrar-se em poucas perguntas em torno da questão central: “Você nos recomendaria a um amigo?”
    Esta questão fácil e que arranca a resposta mais pura e verdadeira daquele que a recebe é capaz de mostrar quem são os clientes denominados  promotores pelo autor  – os que falam bem da empresa –, neutros e detratores – os que falarão mal por causa de experiências ruins.
    A pesquisa que Reichheld propõe é excelente para avaliar o desempenho da organização e, de sobra, suas reais chances futuras sob a mais considerável perspectiva do mercado: seus clientes.
    Ele descobriu, por exemplo, que as ações implementadas que venham a aumentar o percentual de promotores em 12% têm o poder de dobrar a taxa de crescimento real da empresa. 
    Pare e analise o quão fantástico isto pode ser!
    Se você está convencido de ter uma empresa bem ajustada a seu mercado, proponho o desafio desta pesquisa. Você topa? Então faça contato comigo. Temos experiência desde a implantação até a análise dos resultados da Pesquisa pela Pergunta Definitiva. Você terá, enfim, um parâmetro consistente para orientar as estratégias de desenvolvimento do seu negócio de modo realista. Todas as empresas que investiram nisto, só não estouraram a boca do balão por teimosia ou idiotice. E como tem idiotas  por aí.
    Meu e-mail é shapiro@shapiro.com.br e meu fone: 43 8814 1473
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    Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é simplicidade. É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome - Inspirações para a Vida, o Trabalho e os Relacionamentos", Editora nVersos, 2012. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

    terça-feira, agosto 07, 2012

    COMO VENDER PARA A CLASSE C


    MARCOS COBRA


    A chamada nova classe média, ou classe C — constituída de uma parte da população que estava excluída do mapa de consumo até poucos anos atrás —, já representa 54% da população brasileira, com mais de 100 milhões de pessoas. Esse novo consumidor quer comprar de tudo: roupas, eletrodomésticos, eletrônicos, carros, imóveis e até produtos de luxo. Mas, junto com a ascensão desses indivíduos ao maravilhoso mundo das compras, surgiu outro desafio, ainda não totalmente equacionado: como adequar produtos e serviços a esse novo comprador, alvo de cobiça de nove entre dez profissionais de marketing?

    É preciso repensar produtos e serviços que melhor atendam aos anseios desse novo consumidor que migrou da base da pirâmide para um patamar intermediário. Isso significa verificar não apenas a influência dos velhos hábitos de consumo sobre as novas aspirações, mas sobretudo ir ao inusitado, descobrindo o que se passa na mente desse consumidor. Por meio de técnicas da neurociência, a neuroeconomia e o neuromarketing devem identificar desejos explícitos e ocultos de forma a desenvolver novos produtos e novos serviços para atender à demanda inconsciente dessa nova classe média.


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    É preciso reinventar a propaganda, as marcas, reposicionar produtos e, sobretudo, descobrir o marketing que funciona para esses novos compradores.

    Embora dispondo agora de maior renda, a nova classe média, ou classe C, tende a manter seus velhos hábitos de consumo e ir, gradativamente, incorporando outros. Esses indivíduos demonstram preocupações momentâneas de entretenimento (poder usufruir melhor o tempo livre), pagamento de dívidas, aplicação das sobras do orçamento na poupança e viagens (realizar visitas a parentes e amigos em outros estados, voar pela primeira vez de avião e conhecer novos lugares).

    O que demanda soluções inovadoras para a classe C pode ser dividido em quatro categorias principais: produtos de luxo (vestuário, bijuteria, eletrônicos, carros); imóveis; educação (cursos profissionalizantes a distância); entretenimento (cinema, shows musicais, “baladas” e reuniões em família e com amigos); habitação  (imóveis com concepção multiuso e acolhedor para os agregados da família); e produtos de conveniência  (facilidade de compra pela internet e entregas rápidas).

    Design thinking

    A abordagem de vendas para a classe C deve levar em conta os meios tradicionais de comunicação como as mídias rádio e TV, mas precisa ter um outro formato, diferente e atrativo, além de dedicar muita atenção às mídias sociais. E precisa considerar que uma boa parte da venda em lojas físicas migrou para o varejo virtual. Para vender para esses consumidores emergentes, em primeiro lugar é preciso entender o que aspiram:

    1. Fartura à mesa — carnes, aves e derivativos, cereais e leite;

    2. Segurança — direito a viver sem sobressaltos;

    3. Fazer festas — confraternizar com a família e amigos;

    4. Trocar de carro — de preferência, modelos com motor mais potente;

    5. Comprar imóvel — desde o primeiro imóvel próprio até ter outros para alugar;

    6. Educação — para ter direito a uma ascensão profissional, cultural e social.

    Mas não se trata apenas de redesenhar produtos e serviços para atender a essa nova demanda, mas de redefini-los, ouvindo o que o novo consumidor necessita e deseja, através de técnicas de pesquisas em design thinking. É preciso fazer uma reengenharia. E isso envolve produtos do segmento luxo, como também a concepção de serviços diferenciados e, em alguns casos, até mesmo inusitados.


    Uma das ferramentas mais úteis na formatação de uma estratégia para a classe C é o design thinking. O designer enxerga como um problema tudo aquilo que prejudica ou impede a experiência (emocional, cognitiva, estética) e o bem-estar na vida das pessoas (considerando todos os aspectos da vida, como o trabalho, lazer, relacionamentos, cultura, etc.). Sua principal tarefa é mapear a nova classe C, identificar as causas e as consequências das dificuldades e ser mais assertivo na busca por soluções sobre que produto oferecer e como ele deve ser apresentado. O profissional deve estar sempre experimentando novos caminhos e aberto a novas alternativas: o erro gera aprendizados que o ajudam a traçar direções alternativas e identificar oportunidades para a inovação.

    Para incorporar o design thinking à estratégia de vendas, as empresas precisam considerar:

    1. Imersão — preliminar e em profundidade. A primeira tem como objetivo o reenquadramento e o entendimento do problema, enquanto a segunda destina-se a identificação de necessidade e oportunidades que irão nortear a geração de soluções para a fase seguinte que é a ideação.

    2. Análise e síntese — das informações coletadas, para a compreensão do problema.

    3. Ideação — gerar ideias inovadoras para atender às necessidades e desejos explícitos e ocultos das pessoas da classe C.  Nessa etapa é comum o uso de brainstorming, para estimular a geração de um grande número de ideias em pouco tempo, e encontrar soluções a problemas por meio de produtos e/ou serviços. Elaborado um cardápio de ideias, o segundo passo é um posicionamento dessas ideias com o objetivo de apoiar o processo de escolha de produtos e/ou serviços.

    4. Prototipação — é a etapa em que se procura validar a ideia gerada, construindo um protótipo do produto ou serviço.

    5. Teste de mercado — a ideia do produto é apresentada a possíveis compradores, para testar a aceitação do produto.

    6. Transformar — as soluções inovadoras em negócios.

    E os desafios não cessam. Afinal, quando a classe C ascender para a classe B, vai provocar uma alteração ainda mais intensa do que a primeira ascensão social.

    Quem está no topo da pirâmide social consome artigos caros para se distinguir dos demais, pois a distinção é decorrente da conquista do capital econômico e social. Quando o produto invade outras classes sociais, elas partem para outro artigo ou marca.

    O mesmo ocorre com a nova classe média: o consumidor age como um espelho da classe alta.  Na impossibilidade de compra de um artigo original, o consumidor da nova classe média aceita outro, mesmo cópia reconhecidamente pirata, desde que guarde muita semelhança com o original. Mas, na medida em que o consumidor evolui economicamente, ele passa a exigir produtos originais, para representar com isso a sua ascensão social. A ostentação de consumo é uma forma de legitimar-se no topo da pirâmide social.  


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    Marcos Cobra é professor da pós-graduação na Universitad de La Empresa (UDE), em Montevidéu, no Uruguai; conferencista e consultor de empresas nas áreas de marketing, serviços, planejamento estratégico e vendas no Brasil e exterior. Foi responsável pelo departamento de marketing e professor titular por 36 anos da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas.


    quinta-feira, agosto 02, 2012

    OLIMPÍADA E FORÇA DE MARCAS



    ABRAHAM SHAPIRO
    A Olimpíada de 2012, em Londres,  tem um patrocínio maciço da Coca-Cola e do McDonald's. As duas investiram mais de 1 bilhão de libras nos Jogos Olímpicos. O interessante é que não se trata de uma simples estratégia de produto, mas de resgate da força destas marcas. É que ambas são odiadas em Londres e no resto do país.
    Coca-Cola e McDonald's  são alvos de um enérgico sentimento negativo entre os britânicos. Elas estão na mira de protestos, boicotes e retaliações pelas mais variadas razões.
    Dois dos motivos são:
    1. que a linha de produtos que elas oferecem contrasta com os valores promovidos na Olimpíada, e
    2. a perseguição implacável aos empresários e comerciantes que tentam usar a Olimpíada para também conseguir algum lucro a mais.
    E soma-se a isso o fato da Coca-Cola e o McDonald's estarem associados a uma imagem de problemas como obesidade infantil e outras doenças decorrentes de dietas pouco balanceadas. A ligação com os Jogos causa, portanto, certo estranhamento.
    Mas há outras presenças curiosas entre os patrocinadores.
    A Dow, gigante do setor químico, culpada pelo desastre de Bhopal, na Índia, e a British Petroleum, a petrolífera que causou o desastre no Golfo do México, em 2010, também pagam boa parte da conta da Londres-2012.
    E tem mais. Numa Olimpíada que prometia carregar a bandeira da sustentabilidade ambiental, os carros oficiais do evento são sedãs da alemã BMW – grandes beberrões de combustível.
    Este esquema de marketing de guerra foi preparado para proteger todas estas marcas. É exatamente isto o que se deve fazer quando uma marca começa a decair no conceito das pessoas: investir os recursos possíveis em alguma ação positiva a fim de que a opinião geral mude e as perspectivas de negócios voltem a existir.
    Não é nada fácil, pois não depende só de dinheiro, mas acima de tudo, de atitudes. Portanto, para conseguirem o que querem, todas, é certo,  terão de percorrer uma verdadeira corrida com barreiras nesta Olimpíada.
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    Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é simplicidade. É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome - Inspirações para a Vida, o Trabalho e os Relacionamentos", Editora nVersos, 2012. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473