sábado, novembro 27, 2010

PROBLEMAS NA COMUNICAÇÃO?

ABRAHAM SHAPIRO

Filme traz o clássico problema de comunicação... Utilíssimo.

Você se comunica bem? Sim. "Sei não!!!" É bom se certificar!



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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

sexta-feira, novembro 26, 2010

PRODUTO À VENDA: PAIXÃO

ABRAHAM SHAPIRO

Em 1903, numa cidadezinha do estado americano de Wisconsin, em Milwaukee, dois jovens, resolvem instalar um motor num quadro de bicicleta, com a intenção de se locomover mais rápida e facilmente nas subidas.

Estes dois rapazes se chamavam Arthur Davidson, escultor, e William Harley, desenhista. Eles não faziam a mais ingênua ideia de que acabavam de criar um dos meios de transportes mais utilizados do mundo, e uma das marcas mais cobiçadas pelos amantes de motocicletas, a Harley-Davidson.

O negócio “pegou” a tal ponto que, depois da II Guerra Mundial e de uma utilização maciça na política e no exército, tornou-se o símbolo do Sonho Americano.

Os soldados americanos de regresso da campanha européia e que continuavam a circular em grupo, para não dizer em bando, com as suas Harleys desempenharam um grande papel na imagem da marca e dos seus fãs. Provavelmente, contribuíram em muito para a ideia feita, muitas vezes autêntica, do biker ultra nacionalista, dado à cerveja, e que gosta de concursos de T-shirts molhadas e de piadas grosseiras.

No inicio dos anos 70, um filme, Easy Rider, provocou na Europa um ressurgimento da marca americana. A liberdade, ainda e sempre, de dois maus rapazes conduzindo as suas Harley-Davidson, estimulou o inconsciente da geração de 69. A combinação era demasiado bela para se poder fugir a ela.

Mas paremos um instante com essa história para uma reflexão. O que é a Harley Davidson? Um fabricante de motocicletas, certo? Bem, isso é o que você e a Receita Federal dos Estados Unidos pensam.

Eles vendem motos, peças, componentes, acessórios, vestuário completo, ou melhor, eles vendem paixão, modo de viver, de pensar, de sentir, e mais, muito mais.

“Fabricante de veículos” ou “Empresa de estilo de vida”. Será isto um mero jogo de palavras? Um fenômeno psicológico? Ou truque de marketing? Não sei que escolha fazer como diagnóstico deste genuíno fenômeno. O fato é que, no caso especial da Harley Davidson, estas palavras valem trilhões.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

quinta-feira, novembro 25, 2010

BM&F BOVESPA LANÇA CURSO DE APOIO A EMPREENDEDORES

Carolina Sanchez Miranda Valor Online

SÃO PAULO - Os empreendedores brasileiros ganharam mais um aliado na árdua empreitada de abrir um negócio e fazê-lo prosperar no Brasil: a BM&FBovespa.

O objetivo, segundo José Antônio Gragnani, diretor-executivo de Desenvolvimento e Fomento de Negócios da bolsa, é estimular o desenvolvimento de uma cultura empreendedora no país e preparar quem tem boas ideias e vontade de construir sua própria empresa.

“Trazer conhecimento não apenas de mercado financeiro, mas de gestão de risco, governança corporativa, relação com investidores e transparência”, afirma.

Para isso, a instituição lança dois cursos, o “Bota Pra Fazer”, em parceria com a Endeavor, e o “Gestão e Crescimento de Alto Impacto”, com o Babson College. O primeiro tem como público-alvo empreendimentos em fase inicial, em incubadoras e parques tecnológicos.

O segundo é voltado para empresários que estão diante do desafio de expandir os seus negócios e executivos que já possuem conhecimento em gestão e pretendem empreender de maneira independente e até mesmo dentro da organização onde atuam.

O “Bota Pra Fazer” já está em andamento. “Estamos em fase de treinamento dos multiplicadores”, conta Juliano Seabra, diretor de educação e pesquisa da Endeavor. Os multiplicadores serão os professores que ajudarão os empreendedores a tirar suas idéias do papel. “São especialistas no assunto, que têm experiência prática”, conta Gragnani.

Eles seguirão a metodologia desenvolvida pela Fundação Kauffman, principal organização de apoio à pesquisa e educação empreendedora no mundo e aplicada em mais de 300 mil pessoas nos Estados Unidos. O conteúdo do treinamento foi tropicalizado pela Endeavor, ganhou casos de sucesso brasileiros e palpites de especialistas em finanças, impostos, burocracia e legislação – elementos peculiares do ambiente de negócios brasileiro.

“O curso é bem ‘mão na massa’ para que o empreendedor não perca tempo e tenha foco no que é necessário para tirar sua ideia do papel”, diz Seabra. São cerca de 40 horas de treinamento, que devem ser aplicadas no início do ano que vem. Em alguns dias, o futuro empresário já estará pronto.

Os primeiros participantes serão selecionados no Parque Tecnológico de São José dos Campos, com o qual a BM&FBovespa estabeleceu a primeira parceria para aplicar o curso.

“Em locais como esse há pessoas preparadas e infraestrutura para se desenvolver produtos inovadores, mas muitas vezes falta conhecimento sobre negócios”, diz Gragnani, justificando a escolha. “Eu mesmo visitei uma pequena empresa que tem um protótipo, tem demanda, mas não tem planejamento, precisa aprender como continuar”, conta.

Por pretender fomentar a inovação em diferentes segmentos da economia, a bolsa optou por estabelecer parcerias com parques tecnológicos e incubadoras. Além disso, está trabalhando junto à Associação Nacional de Entidades Protetoras de Empreendimentos Inovadores – Anprotec – e fundos de private equity. Mas os interessados também podem procurar diretamente o Instituto Educacional da BM&FBovespa. O investimento é de R$ 1400,00.

Um passo adiante

Com outro foco, voltado para quem já começou sua empresa e agora precisa dar um passo adiante e fazê-la crescer, o “Gestão e Crescimento de Alto Impacto”, em parceria com o Babson College, primeira instituição no mundo em ensino de empreendedorismo, ainda não começou a seleção dos candidatos.

“Nosso público-alvo será de fundadores de empresa com faturamento de no mínimo R$ 5 milhões por ano. Empresas que já decolaram e podem crescer ainda mais”, esclarece Enio Pinto, diretor de parcerias globais e programas do Babson College.

Ele comemora a iniciativa, que deve ser colocada em prática entre março e abril do ano que vem, como uma maneira de causar impacto sobre o crescimento da economia do país a partir do empreendedorismo. “Vamos lidar com empreendedores de alto impacto, podemos mexer mesmo com o crescimento das empresas e o crescimento do próprio país”, comenta.

O programa foi desenvolvido sob medida para a BM&F Bovespa, é dividido em três módulos, que abrangem a gestão de uma empresa em crescimento, marketnig e finanças. São três dias de imersão com professores do Babson College, profissionais com experiência empreendedora, não apenas acadêmica. O custo é de R$ 12 mil.

quarta-feira, novembro 24, 2010

2011 SERÁ UM ANO DE CRISE?

ABRAHAM SHAPIRO

Não é uma profecia - não sou profeta. Mas, às vésperas de 2011 é interessante ler a postagem que publiquei hoje no blog Torta de Chocolate Não Mata a Fome.

Poderá ajudar em uma eventualidade qualquer - seja mundial, local ou pessoal. Aliás, bom lembrar: crises são como as estações do ano no hemisfério Norte. Se vc viver, elas estarão no calendário, de um jeito ou de outro.

Clique AQUI e leia.
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terça-feira, novembro 23, 2010

AUTOCONHECIMENTO

ABRAHAM SHAPIRO

O slogam da minha empresa é “Mentes sãs em Corporações sãs”. Empresários e outros líderes de empresas devem se sentir bem consigo mesmos, com suas funções e equipes, para que produzam bons resultados. É difícil conseguir realização sem isso.

Tenho dedicado horas a cada semana conversando com pessoas importantes no contexto empresarial. Em sua maioria, carecem de mais conhecimento de si mesmas e de suas reações em situações extremas. Mostro a elas quanto o autoconhecimento é fundamental para elevarem seu senso de valor próprio.

Na medida em que você se conhece, seu cérebro pode lhe ser útil como um instrumento preciso e eficiente.

Um grande número de profissionais em todas as áreas mantém o hábito - por que não vício? - de investir esperança incondicional no amanhã. Acham que tudo será diferente e bom no futuro, como se nada dependesse do que fazem hoje.

Vejo também que por se conhecerem mal, permanecem a vida toda como profissionais medianos por falta de tempo e consciência que os impulsionem a se tornar os melhores em seu campo. Anulam gigantescos potenciais.

Leia bem isto: se você é empresário de algum sucesso ou um jovem recém formado em qualquer área, conheça as suas falhas, as suas paixões e seus preconceitos. Conheça-os bem. A ponto de poder separá-los daquilo que você vê e vive. Não permita que isto ocupe espaço nas suas decisões e conclusões.

Dale Carnegie disse: “O homem não é um ser lógico. Ele é emocional, preconceituoso, motivado por orgulho e vaidade”. Você e eu somos exatamente isto em nosso estado natural. Se eu e você não conseguirmos superar esse status, com propósito, estaremos fadados ao permanente insucesso ou à desgraça.

Para a maioria das pessoas isto é um problema. Elas sonham com realizações espetaculares num futuro longínquo, fazendo com que os progressos do dia a dia pareçam nada, ou na melhor hipótese, pouco importantes.

Esqueça! Sem os pequenos e contínuos progressos diários, realizações espetaculares são um futuro que, na verdade, jamais existirá.
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segunda-feira, novembro 22, 2010

DESCULPAS

Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 22/11/2010,na coluna Profissão Atitude
em Empregos e Concursos




ABRAHAM SHAPIRO

“Eu até fiquei preocupado!” – diz o funcionário com ar inocente ao gerente, no dia seguinte a uma falta ao trabalho. “Houve um problema em toda a rede telefônica do meu bairro, e a bateria do celular pifou” – conclui ele.

O assunto em pauta é “desculpas”.

Conclusão 1: O mundo está repleto de inventores com altíssimo nível de criatividade.

Conclusão 2: Algumas pessoas levam metade da vida dizendo o que um dia irão fazer. E a outra metade explicando por que não o fizeram.

Você pode errar muitas vezes. É humano. Todos estão geneticamente determinados a aceitar isso. Os seus erros não serão fracasso algum enquanto você não criar desculpas e começar a culpar outros. Falando de outro modo: é admissível que você caia. Mas sua queda só representará um real fracasso a partir do instante em que você disser que caiu porque alguém o empurrou.

Não se preocupe com quem você elogia. Porém, tome cuidado com aquele sobre quem você lança a culpa de suas falhas.

No que tange à luta pela sobrevivência, a maior lição que se pode aprender e praticar é: “mesmo tendo encontrado uma ótima desculpa, não fazer uso dela é excelente”. Pessoas omissas se especializam em justificativas. Sempre haverá desculpas às mãos dos idiotas e fracos.

Não existe espaço grande o bastante e nem memória de computador suficiente para armazenar as desculpas que são dadas a cada momento. É vero, pois, bem mais fácil é arrumar uma desculpa do que tempo para fazer o que deve ser feito. Homens brilhantes acham tempo para fazer o que é preciso, e jamais desculpas.

Quando você comete um erro e cria uma desculpa com que o justifica, erra duas vezes. A raposa culpa a armadilha, e não sua inépcia ou distração.

Não reclame. Não se explique. Admita o seu erro. Isso tem o poder de zerar o saldo negativo de sua dívida moral perante todos à sua volta. E lhe dá o direito a uma nova chance, já que fazer bem feito é uma expectativa de todos. Será bem mais fácil do que encontrar um álibi por não ter acertado. Mais decente também.

O tempo evolui, e junto dele a ciência e a tecnologia. A criatividade para engenhar pretextos acompanha esta tendência.

Desculpas não envelhecem. Mudam a roupa, o endereço, e até passam por uma plástica de vez em quando. Elas parecem sempre jovens e atraentes. Sua natureza falsa, contudo, continua lá, sempre igual, imutável.

Há tempos alguém já disse com grande sabedoria e conteúdo: “Desculpa que é desculpa – não adianta – tem sempre jeito de esfarrapada!”
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sexta-feira, novembro 19, 2010

ESTADO DA ARTE

ABRAHAM SHAPIRO

O nome que se dá ao nível mais alto de desenvolvimento  de uma técnica, de uma área científica, profissional, de um produto ou serviço é "estado da arte”.

Estado da arte é quando o desempenho - ou seu resultado - deixa de ser simples destreza e passa a se tornar  obra-prima.

Aquele homem alto, de traços fortes e carregando uma pequena caixa, chegou-se aos meus amigos, à mesa do café, saudou-nos, sentou-se, pôs a caixa sobre o colo e, abriu-a. O que vi dentro dela não parecia nada com o que eu calculava estar ali. O que vi? Um maravilhoso modelo em miniatura de uma caminhonete Ford antiga, pintada de vermelho, toda feita em durepóxi. Ele a havia feito. O capricho era incrível. Um trabalho fabuloso, em todos os seus detalhes mínimos.

Seu nome é Roberto Araújo, funcionário aposentado da Polícia Federal. Ele dedica seu tempo livre à produção de esculturas e réplicas, principalmente de volantes de carros da Fórmula 1. Conheci alguns de seus trabalhos por fotos. Perfeitos.

A arte é tão antiga quanto o ser humano na Terra. Ao longo do tempo, sua função tem sido vista como um meio de espelhar a vida, para ajudar o homem a explorar o mundo e a si próprio.

Minutos antes de conhecer o Roberto Araujo, eu ouvia em meu carro um trecho do oratório Messias, de Handel. Não foi coincidência. Contam que George Handel o compôs em poucos dias de trabalho.

Isto é arte! Mas neste caso, também  é  estado da arte.

Nem toda arte é obra prima. Só quando o talento se aperfeiçoa. Só quando o artista eleva seu domínio sobre o que faz a tal ponto que consegue concretizar e realizar sua inspiração de modo inigualável, único.

Arte também é o modo como muitos profissionais realizam seu trabalho com o fim de atender bem e servir a seus clientes.

Seja na música, na literatura, nas artes plásticas, nos esportes ou negócios,  estado da arte é a condição a ser buscada.

Aos que se dedicam a fazer do trabalho e da vida uma obra prima, o meu respeito e honra. São, de fato, merecidos!
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

quinta-feira, novembro 18, 2010

O MAPA DA AGRICULTURA BRASILEIRA VAI MUDAR

Quem depende (direta ou indiretamente) da agricultura, ou seja, quase todo mundo por aqui, terá de rever suas estratégias para a próxima década.

Acaba de ser lançado o NOVO MAPA DA AGRICULTURA BRASILEIRO projetando os efeitos do Aquecimento Global.

Importantíssima leitura nos links abaixo:

-   http://www.agrosoft.org.br/agropag/101970.htm

-   http://www.agrosoft.org.br/agropag/101959.htm

Importantíssima leitura com função estratégica!


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EMPATIA CONQUISTA CONFIANÇA?



Oliver Sacks embarcou numa carreira em neurologia porque, segundo ele, “o cérebro a um só tempo nos molda e é moldado por nós — é o que somos”. Há décadas, Sacks vem tratando gente com transtornos devastadores, como a incapacidade de formar novas memórias. Publicou vários livros com relatos minuciosos, cheios de empatia, incluindo Tempo de Despertar (que virou filme, com Robin Williams no papel central) e O Homem que Confundiu sua Mulher com um Chapéu. O último, The Mind’s Eye, gira em torno de problemas de visão de pacientes — e dele próprio.



Nosso cérebro é programado para certas ocupações?

Sacks: Em famílias de músicos e, às vezes, de matemáticos, creio que o componente genético é muito forte. A família Bach era tão famosa pela musicalidade que músicos na Alemanha antigamente eram chamados de Bachs. Certas mentes têm uma inclinação analítica desde cedo, o que pode levar a pessoa à ciência. Mas a influência da família é importante. Nove tios do lado da minha mãe eram químicos ou físicos. Meus pais eram médicos — e segui o caminho deles.


Na sua carreira, houve algum momento decisivo?

Sacks: Minha vinda para os Estados Unidos, com 27 anos. Achava a sociedade britânica rígida e hierárquica e imaginava que os EUA seriam mais abertos — social, cultural e moralmente. E achava que provavelmente teria uma vida incomum, que poderia achar um hospitalzinho em algum lugar e me esconder ali e fazer o que gostava. Foi o que fiz — e continuo fazendo.


De que maneira conhecer um paciente e contar sua história aumenta seu conhecimento do cérebro humano?

Sacks: É algo que me permite entender muito melhor o que está ocorrendo com ele fisicamente. Narrar um caso é a saída mais detalhada para comunicar — mas também apreender — o que se passa com a pessoa. A Mente e a Memória, do grande psicólogo russo A.R. Luria, me influenciou muito. Por 30 anos, Luria seguiu um memorioso, um homem com uma memória e um poder de imaginação prodigiosos. Quando comecei a ler o livro, achei que era ficção. Só então percebi que era a narrativa de um caso científico, o mais rico que já lera. A narrativa talvez seja parte essencial da compreensão científica. Não sou um médico e um contador de histórias. Para mim, as duas coisas estão ligadas.

Por que alguém em situação tão vulnerável dá a você e a seus leitores acesso a coisas tão íntimas?

Sacks: Nunca penso em escrever sobre alguém antes de conhecer essa pessoa por um belo tempo. E não me satisfaço com o consentimento formal. Preciso estar convencido de que a pessoa acha que é algo salutar. Sempre mostro o que escrevo. Quer mudar algo? Omiti alguma coisa? Chega a ser quase uma empreitada colaborativa. Todos sabem que, se resolver escrever, meu tom será de simpatia e respeito. Não será uma exposição dolorosa.


O paciente o vê como terapeuta?

Sacks: Acho que todo médico devia ser visto como terapeuta. Um bom fisioterapeuta devia ter alguma ideia da psique do paciente. E um bom psicoterapeuta devia estar atento à forma como o paciente se move. Tenho de lidar com uma potencial duplicidade — que é a de ser o “investigador” em vez do “terapeuta”. Uma parte de mim quer saber mais e mais, e tenho de dizer a mim mesmo: “Vá com calma, não exagere”.


Sua batalha contra um câncer no olho mudou seu jeito de pensar e trabalhar?

Sacks: Lamento muito ter essa doença. Mas, já que a tenho, venho tentando fazer observações úteis. Ao escrever sobre o assunto, às vezes consigo uma espécie de distanciamento. A doença me domina — e estou “dominando” ela ao mesmo tempo. Também ficou mais fácil dialogar com quem tem câncer ou alguma outra doença, pois posso falar como um deles. A pessoa sabe que também sou um paciente. Somos todos pacientes.







CONQUISTANDO MERCADOS COM ANTIGAS COMPETÊNCIAS

Mauro Guilen e Estevan Garcia Canal

O surpreendente sucesso mundial de empresas espanholas comprova o valor do bom e velho networking.

Um incontável número de empresas de economias emergentes reluta em se lançar a outros países — sobretudo desenvolvidos — por se achar irremediavelmente deficiente. Embora muitas sejam tão sagazes e voltadas ao lucro quanto multinacionais tradicionais, há uma consciência aguda de que não possuem tecnologias de ponta, marcas dominantes ou produtos inovadores. E o processo de adquirir esse tipo de vantagem parece longo e árduo, mesmo para aquelas que possuem o capital necessário. Logo, a empresa permanece em casa, dando lucro, mas incapaz de atingir seu pleno potencial — e vulnerável a concorrentes estrangeiras.


Não há, contudo, nenhuma razão verdadeiramente boa para que fique à margem da competição global. Nossa pesquisa mostra que até empresas desprovidas de conhecimento tecnológico ou marcas fortes podem ter sucesso fora de casa se explorarem outras capacidades.


Se for inteligente ao definir como e onde se aventurar no exterior, uma empresa com pretensões internacionais pode ter sucesso com recursos comuns — como gestão de pessoas e know-how operacional — que há anos vem aprimorando na terra natal. Um exame de multinacionais da Espanha mostra como. Embora a economia espanhola tenha perdido força durante a crise mundial, com o PIB caindo e o desemprego por volta de 20%, muitas das cerca de 2 mil multinacionais do país estão prosperando no exterior — até em países ricos — sem vantagens tecnológicas ou relacionadas à marca.


Ao analisar a expansão internacional de empresas espanholas nos últimos 25 anos, descobrimos que as líderes fizeram aquisições para ampliar seus tentáculos, mas se concentraram num punhado de setores e regiões do mapa. Para fortalecer a posição conquistada, valeram-se em seguida do traquejo político e de redes de contatos adquiridas em casa, do know-how em execução de projetos e da tarimba na integração vertical — habilidades que muitas empresas em mercados emergentes também possuem.


No processo, as espanholas conseguiram evitar a lenta e incremental estratégia de expansão normalmente adotada por multinacionais. Como veremos, a agilidade foi um fator crítico para o sucesso internacional de várias empresas espanholas — algo que outras companhias interessadas em se globalizar devem ter sempre em mente.


Estreia tardia produz gigantes globais


As espanholas tinham feito poucos investimentos de vulto no exterior até 1986, quando a integração do país à Comunidade Econômica Europeia começou a derrubar barreiras ao comércio e à competição com o resto da Europa. Foi ali que empresas espanholas de energia elétrica, água, petróleo, gás, transportes, telecomunicações e setor bancário começaram a fazer grandes aquisições no exterior. O ritmo das compras aumentou com a adoção do euro pela Espanha no final da década de 1990, o que deu a empresas do país maior acesso a capital para empreendimentos em outras partes do mundo.

Algumas das multinacionais espanholas mais conhecidas na atualidade são fruto desse primeiro movimento de globalização. Em 2009, a Telefónica era a quinta maior empresa de telecomunicações do mundo em termos de receita e o Santander, o quarto maior banco. Quatro espanholas (ACS, FCC, Ferrovial e Abertis) estão no topo da lista das maiores empresas de desenvolvimento e gestão de transportes-infraestrutura do mundo; a Iberdrola era a maior produtora de energia eólica; a Acciona, a maior implementadora de parques eólicos; já a Sol Meliá é a maior rede de hotéis e resorts.




Se buscarmos um pouco mais, acharemos empresas espanholas entre as líderes mundiais na indústria de processamento de alimentos e na de vestuário. A Viscofan é a maior produtora de tripas artificiais para embutidos. Já a Freixenet é, há mais de duas décadas, a maior produtora de espumantes do mundo. Na indústria têxtil e de vestuário, a Espanha abriga a líder mundial em denim, a Tavex (que se fundiu com a brasileira Santista), e a Pronovias, maior fabricante de vestidos de noiva do planeta. Embora a Espanha nunca tenha produzido potências mundiais em áreas de uso intensivo de capital como produtos químicos, metais, produtos eletrônicos e automóveis, um punhado de espanholas é concorrente de peso em nichos correlatos de mercado, como componentes para automóveis (Grupo Antolin), aço inoxidável (Acerinox) e turbinas eólicas (Gamesa).


No processo de globalização, a tendência das espanholas foi evitar a cara e arriscada estratégia de abrir subsidiárias próprias no exterior. Em vez disso, deram preferência a alianças, joint ventures e aquisições. O banco Santander, por exemplo, foi às compras para chegar à posição de maior banco comercial da América Latina; depois disso, comprou o Abbey, do Reino Unido, e outras importantes instituições na Europa e nos Estados Unidos. Aquisições na Europa, na Ásia e no continente americano fizeram do Grupo SOS o maior produtor de azeite de oliva do mundo e da Ebro Puleva a maior fabricante e comerciante mundial de arroz e a segunda maior de massas alimentícias.


Outra tendência das múltis espanholas foi concentrar geograficamente o esforço de expansão internacional. Quase 90% do investimento estrangeiro direto da Espanha foi destinado à América Latina ou à Europa. Essa abordagem direcionada ajudou as empresas a equilibrar o desejo de expansão global com a necessidade de aprimorar sua capacidade — um duplo desafio hoje vivido por concorrentes de economias emergentes. A América Latina era uma região na qual as espanholas tinham vantagens naturais: semelhanças culturais, mesma língua, conexões. Já no restante da Europa, mercados mais próximos ofereciam oportunidades para aumentar as vendas e desenvolver novos recursos. Depois de estabelecer uma presença ali, as espanholas investiram seletivamente em outros países avançados, como EUA, para aguçar seu know-how tecnológico e de marketing. Em cada fase da expansão, apostaram pesado em habilidades de negócios consagradas pelo tempo.


Desenvoltura política abre caminho para crescimento

Muitos setores na Espanha — o bancário, o de serviços públicos, o de construção de estradas, o de transportes — sempre foram fortemente regulamentados, com altos funcionários do governo detendo o poder de veto sobre transações. Em virtude disso, muitas empresas espanholas aprenderam a lidar com processos às vezes altamente complexos para obter licenças. Em vez de reagir de forma passiva ao risco regulatório, aprenderam a administrar ativamente o relacionamento com autoridades locais e a forjar relações pessoais para obter informações que permitissem prever mudanças a caminho. Essa desenvoltura política contribuiu para que tivessem um sucesso notável fora da península ibérica. Na gestão de projetos de transporte e infraestrutura, por exemplo, sete das dez maiores empresas privadas do mundo são da Espanha. Aliás, nossa pesquisa revela que certas empresas espanholas optaram deliberadamente por atuar em países onde o Estado possui amplos poderes para conceder licenças e regulamentar o setor — justamente por causa de seu know-how político.


Vejamos o caso da empresa de ônibus Automóviles Luarca, SA (ALSA), hoje parte do grupo britânico National Express. Fundada em 1923 numa aldeia de pescadores, a empresa foi crescendo de pouco em pouco, adicionando rotas país afora, obtendo novas licenças ou comprando empresas já autorizadas a operar nos trechos de seu interesse. Em 1964, com a inauguração da linha Oviedo-Paris-Bruxelas, a ALSA começou a levar o modelo de negócios a outros países. Com a procura subindo e as estradas melhorando, começou a acrescentar rotas internacionais em outras partes da Europa. Aquisições tiveram um papel crucial no crescimento da empresa — mas outros fatores também, incluindo a eficiência operacional e a inovação no serviço. A empresa investiu pesado em capacitação e na manutenção da frota e criou um serviço direto (o Supra) entre certas cidades, com ônibus sofisticados, poltronas maiores e mais espaço entre os assentos.


Na década de 1980, a ALSA tentou aplicar esse know-how ao serviço de ônibus em países distantes. Sua primeira incursão importante foi na China, embora a escolha tenha sido um pouco fortuita. Numa viagem para investigar a possibilidade de importação de uma inovadora pasta de dentes chinesa para a Espanha, José Cosmen, o fundador da empresa, descobriu outra oportunidade: o subdesenvolvido serviço de transportes da China (o creme dental acabou sendo menos promissor do que parecia). Por meio de uma joint venture, a empresa começou a oferecer serviços de táxi nas cercanias de Hong Kong, onde investidores estrangeiros podiam operar como sócios minoritários. A ALSA considerou a joint venture uma boa plataforma para aprender a operar na China e forjar relações — não só com sócios locais, mas também com funcionários do governo, que precisam aprovar todo projeto desenvolvido no país.


Em 1990, quando o governo chinês autorizou o investidor estrangeiro a ope­rar serviços de ônibus no país, a ALSA estava totalmente preparada para ser a primeira. Criou uma nova joint venture para operar o trecho entre Pequim e Tianjin, cidade costeira em rápido processo de industrialização. Ofereceu coisas até então inéditas na China, como horários regulares e veículos modernos, com poltronas confortáveis. Criou novas joint ventures para explorar o trecho entre Pequim e Xangai. O passo seguinte foi investir em cidades menores. Passo a passo, a espanhola reproduziu seu modelo de negócios, finalmente chegando ao lançamento de serviços especiais — como o Imperial Class, uma versão do Supra. Para superar a falta de infraestrutura, a ALSA fez mais joint ventures: para construir rodoviárias, montar ônibus e erguer e administrar instalações de manutenção.


O traquejo político e a tarimba na obtenção de licenças foram cruciais para o sucesso da empresa na China, onde esse processo é muito mais complexo do que em outros países. Para ser preparada e aprovada, por exemplo, uma das joint ventures criadas pela ALSA levou quatro anos. A China é, de longe, o projeto de expansão internacional de maior sucesso empreendido pela ALSA. A empresa adquiriu tamanho know-how no mercado chinês que criou uma subsidiária de exportação-importação para ajudar outras multinacionais a operar no país.


Os mais céticos talvez perguntem se as espanholas não são atraídas para certos países pela facilidade de dobrar, com lobby ou suborno, funcionários do governo. Só que uma estratégia fundada em relações com funcionários públicos “maleáveis” não é sustentável. O que vemos é que as espanholas se mostram dispostas a usar todo recurso possível para defender seus interesses no exterior, chegando a enfrentar governos estrangeiros na Justiça se discordam de certas decisões e normas.


A desvantagem de atuar em lugares onde representantes do governo têm liberdade para negociar os termos de admissão de uma empresa estrangeira é que esses mesmos representantes têm autoridade para descumprir acordos sem oposição do legislativo ou do judiciário. Certas empresas espanholas aprenderam essa lição a duras penas — e, uma vez escaldadas, ficaram visivelmente com medo. Foi o caso da Aguas de Barcelona (hoje parte da francesa Suez), que investiu pesado na América Latina na década de 1990, mas se retirou de certos países da região devido a problemas regulatórios cada vez maiores.


Redes de contatos trazem mais recursos

Muitas empresas espanholas mostram um talento especial para pegar carona em operações de multinacionais estabelecidas. Essa abordagem permite que a empresa estabeleça redes verticais e horizontais que a ajudam a penetrar em mercados estrangeiros, aprofundar seus conhecimentos e ter acesso a recursos competitivos.


A Gamesa, na energia eólica, é um bom exemplo. Fundada em 1976 como fabricante de autopeças e armamento militar, foi adquirindo know-how em aerodinâmica e maquinário elétrico e se transformou numa empresa de energia eólica. Conseguiu virar uma das maiores fabricantes do mundo de turbinas eólicas, com presença operacional em 20 países espalhados pela Europa, Ásia, América do Norte e norte da África. Apesar disso, nunca foi líder em tecnologia. O que a Gamesa fez foi usar suas redes de contatos para crescer, apostando em alianças tanto para adquirir recursos como para ter acesso a mercados.


Ainda que não pareça, gerar eletricidade a partir do vento é uma atividade extremamente complexa, que envolve fabricantes de turbinas, operadores de parques eólicos, distribuidoras de energia e reguladores. A viabilidade da energia eólica depende de uma série de fatores — da tecnologia à demanda, da regulamentação à estrutura da competição.


Na década de 1990, a Gamesa fechou um contrato com a dinamarquesa Vestas, líder mundial na fabricação de turbinas eólicas. O acordo dava à Vestas uma participação de 40% na Gamesa. Em troca, a espanhola obtinha licenças tecnológicas para componentes sofisticados. Quando o acordo foi desfeito, em 2002, os engenheiros da Gamesa tinham conseguido adquirir a experiência necessária para projetar as próprias turbinas. No intervalo de seis anos, a empresa obteve ou depositou o pedido de 118 patentes.


A Gamesa também usou sua rede de contatos para ter presença mais ativa no desenvolvimento de parques eólicos, firmando acordos com parceiros locais no Reino Unido, Japão, Índia, China e Austrália. Embora tenha desviado recursos financeiros e de gestão da P&D e da manufatura, essa estratégia impulsionou o crescimento da Gamesa no exterior. Cerca de 20% da capacidade instalada da empresa e 60% de suas novas instalações hoje estão fora da Espanha. Em 2009, a Gamesa ficou em quarto lugar no mundo no total de turbinas eólicas instaladas. É a maior empresa estrangeira de energia eólica (segundo o total de capacidade instalada) na China, seu maior mercado.


Vantagem na execução

Uma das armas globais mais potentes de empresas espanholas é a execução de projetos — especificamente falando, a capacidade de erguer fábricas ou instalações complexas com rapidez e baixo custo.


A Telefónica é um exemplo dessa capacidade. Foi um monopólio estatal até a desregulamentação que se seguiu ao ingresso da Espanha na Comunidade Econômica Europeia. Naquele momento, a concorrência de novas operadoras obrigou a empresa a melhorar rapidamente seus serviços e a atender a uma demanda que ignorara por anos. Entre 1986 e 1999, a Telefônica instalou cerca de 10 milhões de novas linhas residenciais e comerciais na Espanha, mais do que duplicando sua infraestrutura.


A empresa não demorou a buscar a expansão na América Latina. Estabeleceu operações primeiro no Chile. No final da década de 1990, já estava na Argentina, Venezuela, Porto Rico, Peru e Brasil. A capacidade de execução de projetos ajudou muito a Telefónica nesses novos mercados. Ao incorporar empresas privatizadas e adquiridas, a Telefónica sabia como fazer investimentos rápidos e eficientes em infraestrutura, satisfazer a demanda não atendida e melhorar serviços — tal como fizera na Espanha. Concorrentes da América do Norte, acostumadas a um mercado mais maduro, estavam menos preparadas para tirar proveito dessas oportunidades.


“Se for preciso instalar um milhão de linhas de acesso em tempo recorde, ninguém nos supera”, declarou ao New York Times o ex-presidente da Telefónica Internacional, Iñaki Santillana. “Temos a melhor tecnologia para abrir valas do mercado.”


Depois de estabelecer uma base sólida na América Latina, a Telefónica se expandiu Europa afora, virando a certa altura a quinta maior operadora de telecomunicações do mundo. Graças a uma participação na China Netcom (hoje China Unicom, depois de uma fusão em 2008), ganhou presença também na China.


Garantia de eficiência com integração vertical

No quesito organização operacional, as múltis espanholas demonstraram a incrível capacidade de se integrar verticalmente e de levar um amplo sortimento de novos produtos com rapidez a mercados mundiais. A rede de varejo Zara é um célebre exemplo de empresa que combina inovação na criação, flexibilidade na produção, logística impecável de distribuição e marketing astuto.


Outra empresa de vestuário, a Pronovias, também ilustra as vantagens da integração vertical. Fundada em Barcelona em 1922, a empresa se arrastou até a década de 1960, quando o sucesso de suas primeiras coleções prêt-à-porter para noivas a levou a se posicionar como ator global. A empresa, que hoje vende 480 mil vestidos por ano, lidera o mercado, à frente de americanas como Mori Lee e Alfred Angelo e da francesa Pronuptia. Flexibilidade, agilidade e inovação foram fundamentais para o sucesso da Pronovias. No processo de internacionalização, a empresa teve de assimilar diferenças nacionais em costumes, gostos, idade de casamento e formato do corpo.


Todo ano, uma equipe de aproximadamente 70 estilistas cria até 650 vestidos de noiva e de festa, além de cerca de 2 mil acessórios, para a empresa. Embora a produção de acessórios e roupas íntimas seja terceirizada na China, a maioria dos artigos da grife é produzida numa fábrica nos arredores de Barcelona. A Pronovias distribui por uma rede de 150 lojas próprias — é justo dizer que criou a primeira rede mundial de lojas de noivas — e outros 3.800 pontos de venda em 75 países. Tem lojas no modelo de franquia em Portugal, Espanha, Grécia, Turquia, Arábia Saudita, Egito, México e Japão. O controle da cadeia de valor da concepção à produção à distribuição permite à Pronovias assimilar rapidamente novas tendências da moda e acelerar a chegada de novidades ao público, bem como reduzir despesas operacionais para poder oferecer vestidos sofisticados — cheios de rendas e fru-frus — a preços acessíveis apesar do alto custo da mão-de-obra na Espanha.


Outro excelente exemplo dos benefícios da integração é a Freixenet, a fabricante espanhola de espumantes. Para superar a desvantagem de prestígio e qualidade em relação às fabricantes francesas de champanhe, essa empresa de família resolveu se concentrar no segmento médio do mercado, onde os preços são relativamente baixos mas os volumes, altos. Para ganhar dinheiro, teria de produzir mais de 100 milhões de garrafas por ano e vender a metade disso fora da Espanha. Para tanto, foi preciso desenvolver e fabricar internamente equipamentos que permitissem a produção em grandes volumes. Para controlar custos sem perder qualidade, a Freixenet automatizou a tarefa diária de girar cada garrafa para agitar o sedimento de levedura que se deposita no gargalo. Sem essa inovação, teria tido dificuldade para virar a maior fabricante de espumantes do mundo.


A Viscofan é outra que usou a integração vertical para operar com eficiência em escala global e se tornar a líder mundial em seu setor: tripas artificiais para embutidos. Entre as muitas vantagens da empresa estão operações de extrusão (que exigem alto capital) e de acabamento (que exigem alta mão de obra), instaladas em lugares ideais do ponto de vista de custos do trabalho. Suas operações próprias também garantiram uma compreensão das minúcias do processo geral de produção que as concorrentes não conseguem igualar. Hoje, cerca de duas de cada três salsichas fabricados nos EUA usam envolturas de celulose da Viscofan.


A toda velocidade

Em determinado momento, a rapidez foi considerada o jeito certo de arruinar uma empresa em processo de internacionalização. Segundo um arcabouço conceitual criado por especialistas da Uppsala Universitet, multinacionais bem geridas pensavam detidamente sobre o ingresso em mercados estrangeiros e estabeleciam sua presença de forma gradual. As múltis espanholas, no entanto, têm provado o valor de agir com rapidez em mais de uma frente.


O ingresso em países em desenvolvimento ajuda a empresa a adquirir porte e experiência operacional e a gerar lucros, enquanto a expansão em mercados desenvolvidos contribui, sobretudo, para o processo de aprimoramento de capacidades. O Santander entendeu esse princípio melhor do que a maioria. Entrou nos EUA e no resto da Europa para aprender e na América Latina para comprar — e só passou a adquirir bancos em mercados desenvolvidos depois de crescer em porte e em experiência.


Empresas com ambições no exterior devem ganhar escala rapidamente, obtendo uma experiência de valor inestimável e adquirindo capacidades competitivas mais fortes. Numa economia internacional acelerada, o risco de ficar para trás ou de fracassar por adiar demais a internacionalização da empresa pode superar o risco inerente a qualquer processo de globalização.
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Mauro Guilen  é titular da cátedra Dr. Felix Zandman Professor in International Management e diretor do Lauder Institute da Wharton School (University of Pennsylvania), nos EUA. Estevan Garcia Canal é professor de administração e negócios internacionais na Universidad de Oviedo, na Espanha. 


E.B.I.T.D.A.

ABRAHAM SHAPIRO

E.B.I.T.D.A é uma sigla contábil de nome esquisito. Ela se origina do inglês: Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization, o que traduzido vira: Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização. Com o desenvolvimento do mercado de capitais, nos últimos anos, no Brasil, e o aumento da presença do investidor pessoa física na bolsa, a sigla ganhou grande popularidade.

Poderia se chamar LAJIDA, a abreviação direta de seu significado em nossa língua. Mas como por aqui, mesmo os que não falam sequer “the book is on the table”, gostam demais de termos em inglês, o EBITDA acabou pegando como o indicador da “quantidade de dinheiro que os ativos operacionais de uma companhia produzem”.

As grandes empresas dão destaque ao Ebitda quando divulgam seus resultados. Os analistas o indicam como principal balizador de relatórios sobre companhias, já que para se saber o valor de uma empresa na hora de uma negociação, ele é calculado com base em múltiplos do Ebitda.

Por isso, todos os meios de comunicação financeiros adotam o Ebitda como padrão.

Mas há alguns problemas históricos com este índice. Por ter sido maquiado em contabilidades fraudulentas nos Estados Unidos, há alguns anos, a Comissão de Valores Mobiliários da Bolsa de Valores de S. Paulo decidiu se manifestar e discutir regras para seu cálculo no Brasil.

A principal questão em torno do Ebitda é que as empresas, em geral, precisam de financiamento para crescer e, para conseguirem isto, elas buscam financiamentos. Estes empréstimos são vistos como despesas financeiras nos balanços. Como no cálculo do Ebitda as despesas financeiras são consideradas ativos, e não passivos, caso apenas este indicador seja analisado, a pessoa interessada poderá achar que a empresa aparenta ter mais liquidez do que realmente possui.

A conclusão é que uma empresa pode apresentar um Ebitda positivo e alto, mas também registrar prejuízo líquido – já que, deduzidos todos os impostos, empréstimos, despesas administrativas e outras taxas, pode acabar não sobrando lucro algum.

Você, que está entrando agora no mundo dos investimentos, busque saber onde está aplicando seus recursos. Estude e aprenda tudo o que puder a respeito.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

quarta-feira, novembro 17, 2010

TESTE O NÍVEL DE SUA AUTOESTIMA

ABRAHAM SHAPIRO

O questionário abaixo propõe-se a dar uma indicação sobre o seu nível de autoestima. Mas também poderá aplicado em situações como seleção de pessoas que concorrem a uma vaga de emprego, por exemplo, em situações em que se exige avaliar o nível de autoestima do candidato - vendas, por exemplo.

1. MODE DE FAZER: Leia atentamente cada enunciado e responda SEM PENSAR MUITO, preenchendo com um X a coluna que se aproxima mais do seu ponto de vista atual.


Concordo 100%
Concordo
Discordo
Discordo 100%
1. No geral, estou satisfeito(a) comigo




2. Às vezes penso que não valho nada




3. Acho que tenho um certo número de boas qualidades




4. Sou capaz de fazer as coisas tão bem quanto a maioria das pessoas




5. Sinto que não existe muita coisa em mim de que me possa orgulhar




6. Às vezes sinto-me realmente inútil




7. Acho que sou alguém de valor, pelo menos tanto quanto os outros




8. Gostaria de poder ter mais respeito por mim mesmo(a)




9. Se considerar bem, tenho a tendência de me achar uma pessoa fracassada




10. Tenho uma opinião positiva sobre mim mesmo(a)






2. FONTE: Livro: "AUTOESTIMA", de Christophe André e François Lelord.


3. COMO CALCULAR OS RESULTADOS:

- Questões 1, 3, 4, 7,e 10

Concordo 100%: 4 pontos
Concordo: 3 pontos
Discordo: 2 pontos
Discordo 100%: 1 pontos


- Questões 2, 5, 6, 8 e 9

Concordo 100%: 1 pontos
Concordo: 2 pontos
Discordo: 3 pontos
Discordo 100%: 4 pontos


4. COMO INTERPRETAR OS RESULTADOS?

A pontuação total que pode ser obtida neste questionário se situa  entre 10 (a mais baixa nota de autoestima possível) e 40 (a mais alta).

- Entre 10 e 16: tende a indicar uma autoestima baixa. Isto corresponde à sua impressão pessoal?

- Entre 17 e 33: você faz parte do grupo de pessoas com autoestima média. O questionário não é decisivo quanto a isso, mas talvez você mesmo(a) possa decidir: a que grupo você tem a sensação subjetiva de pertencer? Alta ou baixa autoestima?

- Entre 34 e 40: você pertence sem dúvida ao grupo das pessoas com alta autoestima. Ral resultado vai, quem sabe, aumentá-la ainda mais...


5. OBSERVAÇÃO

Estas cifras são teóricas, pois, de forma ideal, os resultados obtidos com este questionário deveriam ser comparados aos de várias dezenas de outras pessoas (p.ex, todos os docentes ou todos os discentes d euma escola). Recolhidos todos os escores, os participantes seriam classificados em duas catgorias: alta autoestima (os 25% que obtiveram os mais altos escores) e baixa autoestima (os 25% que obtiveram os mais baixos escores).
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

PLANOS PARA 2011 - PARTE 2

ABRAHAM SHAPIRO

Outro aspecto fundamental a ser levado em conta na planificação das ações do próximo ano são os serviços.

Produtos que dependem de customização ou de instalação no local do uso, exigem serviços impecáveis e procedimentados, especialmente porque aí o montador - ou assistente técnico - é o próprio controle de qualidade. Qual seu nível de preparo? Que investimentos foram feitos para ser ele o representante máximo de sua empresa e de sua marca junto ao cliente?

Quando o cliente percebe que as coisas não vão bem na fase de entrega, o conceito da marca e do produto desenvolvidos durante o processo de venda começa a perder valor exponencialmente - em bom português: começa a ruir. De nada adiantará ter uma equipe de vendas bem treinada e habilitada para persuadir o cliente potencial, se os serviços e a pontualidade não corresponderem ao discurso e à comunicação do marketing. Soará como propaganda enganosa ou bla-bla-bla de vendedor fajuto.

Esta é a razão principal porque uma decente e respeitável estrutura de pós-venda precisa receber os recursos necessários - tanto quanto design, produção e venda. Se a entrega não for compatível ao valor do produto e à expectativa do cliente, tudo será automaticamente invalidado.

Assim também, a Pesquisa de Satisfação representa um elemento fundamental nesta cadeia.

De todos os métodos sobre os quais já investi tempo em analisar e implantar, somente um mostrou-se eficaz tanto por sua aplicação como pela avaliação dos dados, ações e impacto sobre resultados. Refiro-me ao método proposto por Freddy Reichheld em seu livro A PERGUNTA DEFINITIVA, o qual já tive o prazer de implantar em várias empresas e mensurar seus efeitos positivos.

Lamento apenas por aquelas empresas cujos gestores ainda pensam que ganhar dinheiro é sinônimo de passar o cliente  para trás por meio de retórica e aparência. Conheço gente preocupada somente em impressionar com a contratação de uma boa consultoria e uma pesquisa de satisfação. Na hora de cumprirem o compromisso assumido na venda, mostram irresponsabilidade e displicência. Deixam o cliente  a ver navios.

Este comportamento permite à empresa crescer, mas jamais desenvolver. O julgamento do cliente é implacável. A punição será medida por medida: indiferença no comércio se paga com detração. E como diria o profeta: "Toda a carne, juntamente, verá".
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

EXISTE VANTAGENS NA ADVERSIDADE?

BASKAR CHAKRAVORT

Um momento difícil para a atividade empresarial pode abrir grandes oportunidades para o empreendedor.

Jonathan Bush detectou uma oportu­nidade: mudar radicalmente o modus operandi da obstetrícia nos Estados Unidos. Junto com o sócio, resolveu criar uma operação médica cujo objetivo fosse integrar tanto alternativas tradicionais como um atendimento holístico à futura mamãe. A ambição era grande — e a demanda pelos serviços cresceu depressa. Só que a falta de caixa — que dependia de seguradoras, que por seu lado demoram a pagar — fez a visão de Bush afundar no mar da burocracia.


Nessa derrota, no entanto, Bush vislumbrou o que viria a ser uma verdadeira ideia inovadora de negócios: um sistema de TI para a saúde que poupasse o cliente do purgatório burocrático. A empresa surgida disso, a athenahealth, hoje fatura US$ 189 milhões.


Diferentemente do gestor cujo instinto é buscar guarida e apostar no que é seguro em tempos difíceis, um empreendedor como Bush ouve um chamado à ação num conselho de Maquiavel volta e meia repetido: “Nunca desperdice a oportunidade trazida por uma boa crise”. Enquanto a economia mundial avança aos solavancos rumo a um novo conceito de normalidade, crises de longo prazo exigem soluções numa série de esferas: geopolítica, meio ambiente, saúde, educação, infraestrutura, pobreza e desigualdade justapostas a crescimento acelerado, e modelos de negócios falidos em vários setores. Aliás, em vez das ondas de expansão de fronteiras que definiram o século 20, o século 21 pode ser marcado por contenção e limitação.


Para o empreendedor com um olho para soluções contraintuitivas, problemas extremos e entraves aparentemente intransponíveis podem ser o caldo de cultura para a criatividade e a inovação no modelo de negócios. Ao estudar centenas de empresas criadas ou reinventadas em toda sorte de circunstância difícil, identifiquei quatro grandes tipos de oportunidade que o empreendedor inovador detecta e aproveita num clima de extrema adversidade. Quem enfrenta o conturbado ambiente de negócios de hoje pode aprender com seu exemplo. Mas, primeiro, vejamos o que é um clima de adversidade para a empresa.




Adversidade como contexto empresarial

Um considerável volume de evidência indica que períodos de extrema adversidade fomentam a inovação e a criação de empresas. Das 30 companhias que hoje compõem o índice americano Dow Jones Industrial Index, 18 foram fundadas durante uma crise econômica. Outro índice americano, o Kauffman Index of Entrepreneurial Activity, mostrou que o ritmo de abertura de novas empresas foi maior durante a etapa mais dura da recessão de 2009 do que nos 14 anos anteriores, incluindo o boom tecnológico de 1999–2000.


Ao longo da história, momentos de crise foram um forte impulso à inovação — caso do Projeto Manhattan, do voo à Lua, da revolucionária consciên­cia “verde” e iniciativas correlatas. O empreendedor que viceja em meio à adversidade é uma raça distinta daquela que floresce quando há recursos ilimitados, como no Vale do Silício da década de 1990.


Que fatores distinguem o empreendedor, o inovador empresarial e o investidor que conseguem explorar a adversidade para ganhar vantagem competitiva? Minha pesquisa mostra que esse indivíduo está atento a oportunidades que caracterizam tempos difíceis. Necessidades ignoradas e elevadas barreiras à entrada claramente ajudam a eliminar muitos concorrentes, mas isso também vale para outras circunstâncias empreendedoras. Resolvi me ater a oportunidades ligadas a situações de adversidade e ao sucesso num momento desses. Rotulei cada oportunidade segundo a abordagem que o empreendedor sintonizado com a adversidade usou para aproveitá-la.


PRIMEIRA OPORTUNIDADE

Case recursos inaproveitados a necessidades insatisfeitas

A adversidade pode assumir várias formas: aguda, cíclica, de longo prazo, sistêmica. Às vezes, acomete um só indivíduo ou uma só empresa; em outras, atinge um amplo espectro de entidades. A patologia, no entanto, é sempre a mesma: a adversidade limita um recurso crucial que, por sua vez, deprime a oferta, a demanda ou ambas. Isso faz surgir uma necessidade insatisfeita e libera certos recursos — recursos que se tornam redundantes. Surge, nisso, uma oportunidade para o empreendedor criativo, capaz de redirecionar os recursos redundantes para contemplar a necessidade insatisfeita.


Voltemos ao caso de Jonathan Bush. Embora sua meta fosse exercer impacto na área da saúde, isso não aconteceu de imediato. Bush foi motorista de ambulância, interrompeu a faculdade para servir o Exército americano como enfermeiro na Operação Tempestade no Deserto e, a certa altura, levantou US$ 1,6 milhão (com Todd Park, velho colega da Booz Allen Hamilton) para comprar uma clínica obstetrícia em San Diego. Isso foi em 1997.


Os dois descobriram que tanto o sistema público quando planos de saúde privados levavam semanas ou meses para reembolsar a clínica — que tinha pouco poder de negociação — pelos serviços prestados a pacientes. Por toda parte, consultórios e clínicas se debatiam com meios antiquados de registrar e armazenar informações sobre pacientes em papel e fita cassete. A estrutura do setor e comportamentos interligados em toda a cadeia de prestação de serviços de saúde haviam cimentado um status quo altamente ineficiente.


Embora o faturamento estivesse crescendo, Bush ficou sem caixa e teve de fechar a clínica. Mas ele e Park enxergaram uma oportunidade no serviço via internet — o athenaNet — que tinham criado para montar um cadastro de pacientes e manter atualizada a informação sobre seguros, em constante mudança. Em 1999, fecharam a operação clínica e passaram a vender o athenaNet como ferramenta de cobrança para ajudar o médico a administrar o ciclo de faturamento de forma mais eficiente e monitorar mudanças em regras e coberturas de seguros. A nova empresa, a athenahealth, virou uma pioneira em ferramentas de gestão do ciclo de faturamento via internet. Mais tarde, usou os ativos na web para oferecer recursos eletrônicos de registro médico a clientes e, com isso, satisfazer sua necessidade de gestão mais eficiente da informação.

A empresa entrou no azul depois de 2004, quando o faturamento foi de US$ 36 milhões. Em 2009, já arrecadava US$ 189 milhões. A base de médicos do athenahealth cresceu 30% ao ano desde 2005, com uma taxa de retenção de 97%. A rede tem o maior e mais completo banco de dados (permanentemente atualizado) de normas de reembolso de pagadores — fator crucial na aceitação ou recusa de pedidos de reembolso médico nos EUA. Além disso, é reiteradamente a primeira ou segunda colocada em vários quesitos importantes de programação de atendimento ambulatorial e faturamento. A athenahealth não enfrenta concorrência: é a única que presta esse tipo de serviço via internet e entrou no ranking das 50 empresas mais inovadoras em 2010 da revista Fast Company.


A sacada da athenahealth foi redirecionar um recurso que circunstâncias adversas haviam tornado redundante para satisfazer uma necessidade básica que a adversidade expusera. Outros setores já viveram o mesmo fenômeno. O polissilício, por exemplo, foi redundante em certo momento — mas voltou pelas mãos de uma leva de empreendedores na área de energia solar. Na Índia, empresas nascentes de TI reaproveitaram um recurso abundante e subutilizado — programadores altamente capacitados — para enfrentar a crise do Bug do Milênio. Ambas as experiências serviram de base para o crescimento de importantes setores.




SEGUNDA OPORTUNIDADE

Busque parceiros improváveis

Outra coisa que caracteriza a adversidade é a falta ou a inadequação de certos elementos em pontos críticos do sistema de negócios. Isso pode incluir insumos importantes, capital, tecnologias ou parceiros nas cadeias de suprimento, distribuição e marketing. O empreendedor criativo, capaz de identificar alternativas improváveis a cada componente desses, vai sair à frente. Contudo, a arte de alinhar os incentivos de uma coalizão pouco ortodoxa e de manter o equilíbrio entre seus integrantes não é um desafio pequeno.


Certas pessoas, como Iqbal Quadir, conseguem. Quando trabalhava num banco de investimento, Quadir teve uma visão ousada: tornar universal o serviço telefônico na terra natal, Bangladesh (onde em 1993 havia apenas um telefone para cada 500 pessoas). Um dos países mais desprovidos do mundo em termos de infraestrutura e recursos, Bangladesh também tinha 80% da população dispersa por 86 mil vilarejos. Quadir obviamente enfrentava lacunas nas cadeias de suprimento, distribuição e marketing — lacunas suficientes para afundar o melhor dos planos de negócios. Nesse contexto, qual a saída para implementar uma tecnologia de telefonia celular de forma econômica e lançar um serviço acessível no mercado?


A verdadeira inspiração de Quadir foi perceber que, para ter sucesso, seria preciso alistar o mais improvável dos aliados. Para se beneficiar de economias de escala, Quadir apostou na tecnologia digital GSM (Global System for Mobile) como a solução mais barata a longo prazo, ainda que de saída fosse a mais cara. Isso o levou a cruzar o planeta e chegar à empresa de telecomunicações norueguesa Telenor, uma líder mundial no padrão GSM.


Para atingir escala suficiente, Quadir tinha de resolver outros dois problemas. Do lado da demanda, preencher as lacunas de marketing e distribuição significava alistar outro aliado improvável: o Grameen Bank, instituição pioneira do microcrédito com uma grande rede entre mulheres na zona rural de Bangladesh. Quadir viu a oportunidade de redirecionar o modelo de negócios do Grameen ao incentivar essas mulheres a mexer com telefones, em vez de criar vacas e, em seguida, usar a renda obtida para quitar seus microempréstimos com o banco. Do lado da oferta, Quadir não tinha certeza de contar com recursos de interconexão, o que seria um entrave à tentativa da Telenor de montar uma rede nacional. Para superar o obstáculo, procurou um terceiro parceiro improvável: a empresa ferroviária de Bangladesh. A fibra ótica ao longo dos trilhos podia ser ativada para garantir a interconexão.


Cada ator desses foi motivado pela chance de participar de uma nova oportunidade de crescimento que empregava capacidade e tecnologia existentes. Sem o envolvimento simultâneo dos outros, porém, cada aliado poderia ter desistido. Os incentivos interligados desses parceiros improváveis foram maravilhosamente alinhados. Ao orquestrar uma coalizão contraintuitiva, Quadir tornou sua empresa, a Grameenphone, a maior operadora de telefonia atual­mente em Bangladesh. Hoje, de cada três habitantes do país, um tem acesso a telefone.


Outros empreendedores usaram abordagens distintas para buscar parceiros improváveis e romper com a ortodoxia do setor. Peguemos o caso de R.P. Eddy, cujos clientes precisavam da sondagem em campo de mercados de difícil acesso, como o Iraque. Já que não tinha condições de despachar analistas para lá, Eddy procurou especialistas locais em cada país e, com eles, montou uma rede de analistas externos. A consultoria Ergo nasceu assim — com um modelo radicalmente novo. Já outros recorrem a concursos e prêmios para aproveitar a capacidade de aliados até então desconhecidos no enfrentamento de situações adversas extremamente difíceis. Segundo estudo recente da McKinsey, a soma total de prêmios no valor de US$ 100 mil ou mais cresceu 15 vezes nos últimos 35 anos. Antes de 1991, 98% desses prêmios eram em reconhecimento a algum mérito; de lá para cá, 78% foram concedidos para a resolução de problemas.


TERCEIRA OPORTUNIDADE

Ache soluções pequenaspara grandes problemas

Quanto mais séria a adversidade, mais difícil mudar o status quo. Soluções abrangentes, que exijam muitas mudanças, podem parecer fadadas ao fracasso — deixando apenas pequenas fissuras como ponto de partida para o rompimento com o passado. A mensagem para o empreendedor destemido? Pequenas inovações podem ter alto impacto. Por serem potencialmente mais acessíveis, podem ser produzidas com investimento inicial menor. Por utilizarem menos recursos e serem menos complexas, podem ser boas o suficiente — e não mais — para satisfazer uma necessidade não contemplada. Além disso, seu porte pode ajudar a minimizar efeitos ambientais ou outras externalidades negativas. Por último, podem ser mais fáceis de integrar no modelo atual, exigindo apenas ajustes mínimos. Aliás, quatro características que, segundo o site Trend-watching.com, definem prioridades futuras do consumidor podem ser pequenas brechas a buscar: acessibilidade, simplicidade/conveniência, sustentabilidade e projeto baseado no conhecimento local sobre o uso do produto. Pequenas soluções que se encaixem nessas pequenas brechas representam grandes oportunidades.


Um exemplo é o de Cameron Powell, obstetra em San Antonio, no Texas, que enfrentava um problema comum em sua área: a possibilidade de complicações legais devido a falhas na comunicação entre o médico e a equipe de enfermagem junto ao leito da gestante. O obstáculo estrutural era que o obstetra costuma estar num vaivém — entre o consultório e a sala de cirurgia e uma série de hospitais —, tornando proibitivo o custo da presença permanente na cabeceira da paciente.


Quando o engenheiro de software Trey Moore perguntou a Powell qual seria o aplicativo de seus sonhos para um smartphone, o médico percebeu que a capacidade de visualizar a frequência cardíaca do bebê e as contrações da parturiente em qualquer hora e lugar seria uma tremenda ajuda para ele e a equipe. Powell e Moore calcularam que se uma única ação judicial (com indenização média de US$ 2,5 milhões) fosse evitada, o investimento já valeria a pena para uma empresa de saúde. Juntos, fundaram a AirStrip Technologies, cujo primeiro produto foi um aplicativo de smartphone chamado AirStrip OB. O recurso era fácil de instalar em aparelhos que o médico já usava, não exigia muita mudança no comportamento de usuários e seria oferecido a hospitais pelo modelo de “software como serviço”, minimizando assim o comprometimento monetário. Em suma, Powell achara uma pequena solução para um problema bem grande.


O AirStrip OB recebeu aplausos dos participantes da Apple Worldwide Developers Conference em 2009, na qual apenas oito aplicativos foram escolhidos para serem apresentados. Desde então, mais de cem hospitais já adotaram o recurso. Entre um grupo altamente seleto de novidades em tecnologia sem fio na saúde, foi louvado por Eric Topol, “estrela” da cardiologia nos EUA, e David Pogue, colunista de tecnologia do New York Times.


Pequenas inovações como o AirStrip OB buscam gerar grandes avanços em contextos de extrema adversidade. Não são projetadas só para trazer uma mudança incremental — e estão demonstrando ser parte de uma tendência mundial maior. Hoje, por exemplo, vemos bens de consumo vendidos em envelopinhos (que custam menos e ocupam menos espaço) em mercados emergentes; microcrédito ou software como serviço para se ajustar ao orçamento limitado de empresas; aplicativos para smart­phones e Twitter voltados ao consumidor que não para e cuja atenção é fragmentada; e produtos projetados com frugalidade (veículos, eletrodomésticos, artigos de saúde) para serem acessíveis em mercados de crescimento mais acelerado, que ainda enfrentam muita adversidade.


QUARTA OPORTUNIDADE

Pense na plataforma, não só no produto

Em geral, fatores limitantes numa situação de adversidade limitam outras também. Com isso, surge a oportunidade de aposta numa metassolução que possa contemplar várias necessidades insatisfeitas simultaneamente — em vários segmentos do mercado ou em vários mercados de produtos. O caráter multifacetado da oportunidade também compensa o risco para o empreendedor e ajuda o negócio a crescer além do ponto inicial de entrada. É claro que o grau de sucesso do empreendedor vai variar, mas quanto maior o alcance do empreendimento, maior o valor a ser obtido. O potencial de lucro vem da capacidade de melhorar o modelo de negócios em três pontos possíveis de alavancagem: valor ao cliente, gestão de custos e criação de vetores de crescimento.


Fred Khosravi e Amar Sawhney são um excelente exemplo de equipe que pensou com criatividade sobre a plataforma. Descritos pelo boletim In Vivo como a “dupla dinâmica do desenvolvimento de dispositivos”, os dois empreendedores da biomédica se uniram para criar a Incept. A empresa não tinha instalações físicas, contava com apenas dois ou três funcionários e seu orçamento anual era de menos de US$ 1 milhão. Mas a Incept era uma potência. Detinha os direitos de um “molho secreto” que seria responsável por nove start-ups em 11 anos (todas deram certo). Das três crias dessas empresas, a primeira — a Confluent Surgical — foi vendida à Covidien por US 245 milhões. O “molho” em questão era o polímero hidrogel — biodegradável, inofensivo e altamente versátil.


Sawhney, o inventor da tecnologia hidrogel, vislumbrou muitas aplicações. Cada uma delas resolveria um dilema para médicos que realizavam cirurgias complexas ou minimamente invasivas em especialidades distintas como cardiologia, ginecologia, neurologia e oftalmologia. Hoje, o produto é usado, entre outras coisas, para a vedação de órgãos e outras partes do corpo (como pulmões, cérebro, medula espinhal e vasos sanguíneos) durante cirurgias, evitando assim a fuga de fluidos. O hidrogel também pode ser usado para separar um órgão lesado de um órgão adjacente a fim de evitar interferência no processo de cura.


A dupla claramente topara com uma oportunidade com potencial de longo prazo para aprimorar procedimentos cirúrgicos. A tecnologia hidrogel era uma verdadeira plataforma: podia ser aplicada a várias partes da anatomia humana e, portanto, em vários “mercados” cirúrgicos. Em geral, capitalistas de risco e empresas adquirentes investem em negócios cuja tecnologia central possa compor um pacote com produtos voltados a mercados específicos. Sawhney e Khosravi fugiram à regra: buscaram manter viva a plataforma — bem como uma leva de aplicações para abordar vários problemas. Sabiam que se a tecnologia do hidrogel fosse integrada a sua aplicação, uma empresa adquirente poderia controlar o produto, aplicá-lo apenas a um segmento estreito do mercado e deixar de explorar seu pleno potencial. Em vez disso, organizaram a Incept para que esta detivesse as patentes da tecnologia hidrogel e as licenciasse a empresas independentes incubadas pela própria Incept. Era um plano de gestão de risco inusitado: toda uma carteira de novas empresas voltadas a distintos mercados, mas fundadas numa tecnologia central comum.


A noção de plataformas não precisa, no entanto, ser limitada a tecnologias e processos. Vejamos o caso do Blue Man Group. Como artistas, a trupe achava a década de 1980 um período particularmente deprimente. Em 1988, no Central Park em Nova York, fizeram o espetáculo “Funeral for the ’80s”, durante o qual enterravam um boneco do Rambo e um pedaço do Muro de Berlim. Desde aquela singular estreia, foram duas décadas tocando tambores, espalhando tinta, agarrando bolas de borracha com os dentes e cobrindo a plateia com papel higiênico. A fórmula do espetáculo era, em suma, uma missão criativa. Agora que estão mais velhos, já com filhos, os integrantes do grupo voltaram sua atenção criativa a outra instituição que consideram deprimente: a escola primária. Criaram uma instituição alternativa de ensino fundamental, a Blue School, fundada na mesma plataforma e na mesma missão da operação artística original: “inspirar a criatividade e conectar as pessoas com sua exuberância primal”.




Uma nova visão sobre a seleção adversa

Para fundamentar seu raciocínio sobre os benefícios que a adversidade pode trazer, voltemos a Michael E. Porter em A Vantagem Competitiva das Nações: “A vantagem competitiva surge da pressão, do desafio e da adversidade, raramente de uma vida fácil”. A necessidade, juntamente com as quatro grandes oportunidades, pode realmente ser a mãe de importantes invenções.


Durante o século 20, muitos avanços nos levaram a um território desconhecido, inconcebível até. Hoje, porém, estamos descobrindo as consequências involuntárias: crescimento desequilibrado e ortodoxias autolimitantes, que podem muito bem ser as características predominantes das próximas décadas. Dois setores no passado vicejantes — alta tecnologia e automotivo — hoje buscam um modelo de negócios radicalmente novo para evitar a obsolescência. A descoberta e o uso pesado de recursos naturais não renováveis hoje revelam suas reais consequências ambientais e geopolíticas. Inovações na saúde geraram estruturas de custos insustentáveis, desequilíbrios demográficos e limitação em tratamentos médicos e farmacêuticos. A globalização criou um sem-fim de desafios ligados ao rápido crescimento em economias desigualmente desenvolvidas (como Brasil, China e Índia), além da possibilidade de que crises regionais se alastrem por todo o mundo. E inovações financeiras provocaram bolhas especulativas descontroladas em certos setores. Parte desses efeitos já foi sentida nos últimos anos — incluindo a Grande Recessão e a retomada ainda incerta, uma crise sem precedentes com o euro e o maior derramamento acidental de petróleo da história. Fica patente que não falta adversidade na “nova normalidade”.


Nada disso fará esmorecer o empreendedorismo e a inovação. Os “novos anormais” — os empreendedores que sobreviverem — serão aqueles que souberem explorar a vantagem competitiva da adversidade. O século atual traz consigo uma cornucópia de gargalos, limitações e outras dificuldades importantes, e que estarão conosco por um belo tempo. Seria uma pena que — como empreendedores, gestores e investidores — deixássemos essa fartura de sérias crises passar batida.
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Bhaskar Chakravorti (bhaskar_chakravorti@mckinsey.com) é sócio da McKinsey & Company e membro do corpo acadêmico do Legatum Center for Development and Entrepreneurship (MIT) nos EUA. Há pouco entrou para o corpo docente da Harvard Business School.