segunda-feira, junho 14, 2010

OBESIDADE E TRABALHO

ABRAHAM SHAPIRO

De acordo com dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE, 11 milhões de brasileiros com 20 anos ou mais são obesos. Os dados abertos mostram que  9% da população masculina e 13% das mulheres pertencem aos números. Se considerarmos também a população que está acima do peso ideal, o total salta para quase 40 milhões de pessoas.

Ao confrontar esses dados com a situação nas empresas, chega-se a uma triste conclusão: não é fácil para o obeso conseguir emprego.

Todos sabemos que o preconceito contra o obeso existe. É um fator que complica a vida e estreita seu horizonte profissional. Fui conversar com a diretora de uma empresa multinacional e ela apontou as razões implícitas na dificuldade de contratação de pessoas obesas.

Ela mencionou as dificuldades dos obesos para ocuparem vagas que exigem uma exposição maior da imagem corporal. Não se trata das empresas fazerem questão de 'pessoas bonitas', mas porque a estética física parece estar ligada à idéia de saúde e de uma boa relação das pessoas com o próprio corpo.

Além disso, os obesos têm dificuldade em acompanhar a agilidade motora dos magros em cargos que exigem isso. Profissionais obesos têm maiores índices de comorbidade, de faltas ao trabalho relacionadas a problemas de saúde e maiores índices de licenças médicas.

Com um mundo jogando contra, é compreensível o surgimento de associações de obesos, como a Associação Americana para da Aceitação dos Gordos, que busca defender os direitos do cidadão obeso norteamericano. Eles reclamam de aumento nas recusas das seguradoras de saúde, além do risco de pagarem mais caro por passagens aéreas.

É importante que a sociedade compreenda que a obesidade é uma doença crônica, ainda sem cura, mas que está longe de ser uma fraqueza de caráter ou um desleixo com a vida pessoal. Ressalte-se que obesidade tem tratamento. E um acompanhamento psicológico pode ser um agente coadjuvante de excelente utilidade para se acelerar o alcance de resultados.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

SEJAMOS HOMENS, E NÃO SAPOS!

Artigo publicado no JL - Jornal de Londrina, em 14/06/2010, na coluna Profissão Atitude.


ABRAHAM SHAPIRO

Mesmo sendo grande a contribuição da genética, a influência do ambiente sobre a personalidade humana é uma constatação antiga e continua despertando atenção especial dos pesquisadores.

Até mais ou menos vinte anos passados, a possibilidade de se conseguir isolar uma determinada cultura, costume ou vivência, de influências externas era grande. Bastava querer. Minorias raciais, por exemplo, tinham sucesso em manter seus valores internos fechados mesmo distantes de seus locais de origem. O mesmo acontecia com religiões e outros códigos sociais.

Hoje não é mais assim. É cada vez mais difícil construir barreiras ou cercas de proteção contra influências indesejáveis do meio. A Internet e outras mídias – com destaque à televisão – invadiram imperiosamente todos os domínios. Nada mais é pessoal. Tudo está disponível vinte e quatro horas por dia: o mal, o bem, o lixo, a imbelicidade, o preconceito, a beleza, assim como todas as tribos do planeta. É compulsório. Quem tem limites próprios ou real intimidade? Ao nível que chegamos, selecionar ou segmentar o que se julga bom e conveniente deixou de ser simples ou opcional.

Como resultado, é um erro continuar achando que as crianças e os adultos de mente fraca é que estão mais vulneráveis às influências. Todos estão em pé de igualdade neste universo de vitrines onde se expõem o desconhecido e o incontrolável.

Veja a propaganda. Começa a tornar-se perigosamente eficaz a técnica de implantar ideias precisas sobre produtos e serviços em nosso cérebro. Estudos recentes desenvolveram uma nova ciência, denominada neuromarketing, através da qual cientistas buscam conhecer as reações neurológicas resultantes da interação entre pessoas e os anúncios comerciais. Os pesquisadores estão mapeando o fluxo do pensamento humano no processo de tomada de decisão em função da vulnerabilidade à publicidade. Muito em breve, uma frase, uma imagem ou um filme formatado de acordo com os indicadores apurados nestas pesquisas bastará para despertar o desejo de aquisição daquilo que for expresso em sua mensagem. Já pensou esta ciência no poder dos políticos ou daqueles sujeitos que vendem prosperidade financeira e salvação da alma na tv?

Por hora, convém saber que o ambiente importa. Ele faz toda a diferença e determina o que somos, o que seremos e onde estaremos amanhã, ou daqui a pouco. Sem despertarmos nossa capacidade de questionamento e discernimento sobre suas influências atuais, nossos valores e princípios terão evaporado quando abrirmos os olhos. Isto, aliás, seria muito parecido com o sapo vivo que, levado ao fogo numa panela de água fria, adapta-se ao aquecimento gradativo até morrer por fervura total de seus órgãos, convencido de tratar-se tão somente de um relaxante banho morno.
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sexta-feira, junho 11, 2010

EVERYBODY LIES

ABRAHAM SHAPIRO

Na semana passada, dei de cara com uma pessoa a quem havia convidado para uma palestra minha, e que não apareceu. “Uma pena você não ter ido”, eu disse. E ela respondeu: "Tinha várias festas naquele dia e achei que poderia faltar à sua palestra”.

As pessoas que se agarram compulsivamente à verdade não duram mais que cinco minutos em uma organização. As repartições são mantidas unidas com mentiras. Nós fingimos que gostamos das pessoas com quem trabalhamos. Precisamos fingir que estamos satisfeitos com nossos empregos. Precisamos fingir que achamos nossa empresa melhor que a concorrente. Ao aceitar um lugar em qualquer hierarquia, você está se dobrando às pressões.

A ciência já sabe que a mentira pode ser provocada tanto pelo pragmatismo quanto pelo medo. Também já se sabe que a mentira pode ser algo bastante útil, e que nem sempre você se dará mal por mentir.

Na revista "Harvard Business Review" de maio pasado há um artigo mostrando que as pessoas poderosas são mentirosas mais competentes. Os pesquisadores pediram a chefes e funcionários de empresas que roubassem uma nota de US$ 100 e então convencessem alguém de que eles não a haviam roubado. Os chefes se saíram muito melhor que os subordinados em criar esta mentira.

Em resumo: os mais espertos chegam ao topo em uma onda de mentiras. E quanto mais poder tiverem, serão impelidos a mentir cada vez mais.

Portanto, quando o diretor do meu programa de tv me liga ansioso para perguntar: "Shapiro, como estão os textos para esta semana?" Eu respondo: "Quase prontos. Até amanhã cedo estarão em sua caixa de e-mails." Geralmente a primeira parte de minha resposta é uma mentira. A verdade é que eu andei perdendo tempo, e mal comecei a escrevê-los. A segunda parte é verdadeira.

Prazos precisam ser cumpridos. Atitudes precisam ser tomadas. E quando não tomamos? Difícil ajustar nosso comportamento ao que precisaria ser feito, mas não fizemos.

A maior verdade que existe e de que já se teve notícia é aquilo que diz o Dr House, protagonista da série de televisão que leva o mesmo nome: “Everybody lies”, ou melhor: “Todo mundo mente”.

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quinta-feira, junho 10, 2010

AS PRIMEIRAS IMPRESSÕES

ABRAHAM SHAPIRO

"As primeiras impressões são as que ficam". Todos sabem. Mas você já parou para pensar seriamente nisto? Você já refletiu sobre as ramificações de suas primeiras impressões nas outras pessoas – o modo como você se veste, a sua voz, a aparência, aperto de mão, contato visual e postura corporal?

O modo que você escolhe para administrar cada um destes vários fatores tem um efeito dramático sobre como as outras pessoas o veem inicialmente – nos primeiros minutos de seu contato com elas.

Na década de 1970, um rapaz recém formado estava feliz com o seu primeiro emprego quando um amigo lhe perguntou qual era o seu objetivo profissional a longo prazo. Quando ele respondeu que gostaria de se tornar o presidente de uma grande empresa, o amigo riu e respondeu, "De jeito nenhum!" O rapaz ficou ofendido com aquilo e perguntou o motivo daquele desdém. O amigo disse, "Não me entenda mal. Você é uma pessoa inteligente e ambiciosa. Mas consegue se imaginar fazendo um discurso para os acionistas usando esta barba e cabelo?”

O rapaz tinha a aparência rebelde, com impacto negativo na sua credibilidade e na carreira. Resolveu mudar aquelas características tendo contratado um consultor. Tempos depois tornou-se o vice-presidente de uma grande empresa.

Arrisque-se a perguntar a alguns de seus amigos mais íntimos se você é "culpado" de alguma dessas deficiências de imagem. Se sim, agradeça pela honestidade a quem lhe tiver dito, e imediatamente comece a fazer alguma coisa para corrigir a falha ou as falhas.
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quarta-feira, junho 09, 2010

OS GRANDES TAMBÉM AFUNDAM

ABRAHAM SHAPIRO

Era uma vez, uma grande rede de farmácias de uma  distante cidade de interior. Era  forte, poderosa e tinha concorrência local, porém, com ótimas condições de superação. A rede seguia religiosamente as orientações de um eminente consultor, venerado como um antigo bam-bam no assunto.

Certo dia, fomos contratados para avaliar todo o quadro de pessoas e do negócio em si. Após quase dois meses de rigorosa análise, concluímos e publicamos aos sócios que a mão-de-obra era sofrivelmente despreparada e chegava a maltratar clientes como reação ao modelo administrativo adotado. Mostramos matematicamente que sem as devidas mudanças na gestão e na capacitação dos colaboradores até o nível de atendimento esperado, as ameaças se transformariam em vulnerabilidades à invasão do mercado por empresas mais eficazes.

O consultor de marketing discordou de nossa visão e induziu-os à aquisição de um pacote de espaços na televisão regional para uma propaganda feita com atores de 3a linha. Resultado? Três anos depois, resta uma ou outra lojinha da rede ridiculamente ostentando a antiga e poderosa logomarca – top de marca por anos seguidos! E bem ali, exatemente nos pontos onde situavam suas maiores lojas, brilham as maravilhosas e bem resolvidas centrais de venda do concorrente. Faturam horrores.

Quanto ao consultor, continua vendendo anúncios para outras empresas que pensam ser propaganda a única solução para mazelas estruturais de negócios mal conduzidos.

Grandes corporações podem falir. Com frequência ouvimos notícias de uma ou outra. E há aquelas de que nem ouvimos falar.

Não é estranho que isto aconteça a empresas com escritórios cheios de gênios financeiros, diretores catedráticos – que são até ex consultores (sic!) – , gerentes que conhecem e resolvem tudo? Tanta gente esperta, mas que não soube predizer o comportamento do mercado e as causas do seu naufrágio!

Parece irônico, não?

Todas elas tinham planejamento estratégico com objetivos de curto, médio e longo prazos, programas de RH, marketing de primeiríssima e produtos tecnologicamente atualizados. Suas equipes faziam relatórios, mantinham indicadores de desempenho e promoviam reuniões aparentemente úteis.

Por que razão empresas tão bem estruturadas caem na desgraça?

Em uma só palavra: soberba. Mas há outras razões: sarcasmo é uma delas. Leviandade é outra.

Muitos dos que resistiram à recente crise estão vendo os pedidos crescerem novamente. A demanda parece aumentar. Depois de tudo o que passaram, começam a acreditar que são deuses. Quando alguém de fora, com um metro de visão além do que se vê internamente sugere algo que agregue valor, os gestores onipotentes tratam logo de contradizê-lo, questionando e tornando a visão insignificante.

O que resulta da soberba nos negócios? E do sarcasmo? O menu de comportamentos é sempre o mesmo: desprezo a clientes, descumprimento de prazos e outros compromissos. Aumento de preços a esmo, desvalorização de representantes, e outros pecados mortais em negócios. Leviandade punível de desgraça.

De fato, a crise financeira de 2008 provavelmente já acabou no Brasil - como muitos, inclusive o governo, querem crer. Mas a crise econômica vai agravar ainda mais – olhem para a Europa e os Estados Unidos. E tem mais uma modesta observação. Existe uma terceira crise por trás de tudo isto: é a crise da competitividade. Observe, e você verá uma constelação de pequenas empresas conseguindo fortalecer suas marcas no ranking de cada segmento. Estas aí estão crescendo, de fato, graças ao atributo agilidade. As grandes, por sua vez, são analíticas demais, lentas, maçantes e convencidas de que estão seguras.

Tem gente - antes insignificante - que aprendeu com a crise lições muito mais eficazes que apenas sobreviver. Aprenderam a fazer parcerias fortes, a investir em canais de vendas, a intensificar relacionamento com clientes e a oferecer serviços confiáveis. Cuidaram da qualidade e estão construindo uma imagem honrada perante o mercado enquanto grandes riem e confiam numa garantia inexistente.

Calma, e você verá quem ri por último!

Os dias de hoje requerem grandeza de atitudes, e não de quantidade, volume ou números. Muitos grandes estão afundando.

Quanto a você, opte por estar entre os melhores. E não entre os maiores.
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terça-feira, junho 08, 2010

AS VERDADEIRAS BASES DA EDUCAÇÃO

ABRAHAM SHAPIRO

Educadores, professores, mestres, para mim, são status muito próximos de uma profissão de altíssima utilidade para a sociedade. Muito mais nos dias de hoje.

Eu cresci valorizando o professor – seja a professora do jardim de infância, um mestre universitário com títulos de doutorado em países do primeiro mundo, chegando, é claro, à cabeça, onde se encontram os grandes e eminentes rabinos que me ensinaram a Torá, o Talmud e a Cabalá, os fundamentos da minha fé e crenças.

De tudo o que aprendi a admirar num professor, conhecimento e técnica de ensino não estão no topo da lista. Venero em primeiro lugar a coerência.

Logo depois de tornar-me pai enfrentei, de fato, a condição de professor, já que eu e minha família fomos morar numa cidade onde não tínhamos uma escola Judaica, e fiz-me orientador de meus filhos em todos os assuntos de que tinham e teriam necessidade para viver nos caminhos da nossa religião - que não são fáceis e requerem instrução permanente.

Esta experiência certamente foi muito mais importante para mim do que para eles - especialmente no que se refere ao entendimento da vida. Isto é que partilho, hoje, com você, meu leitor ou leitora. Por favor, leia bem. Leia duas vezes, se preciso for. Aqui vai. De tudo o que ensinei a meus filhos, observei, depois de algum tempo, que eles só abstraíram as coisas que me viram fazer. Toda a teoria, tudo o que se resumia a palavras ou ensinamentos verbais evaporou quase integralmente, ficou muito pouco. Por outro lado, as coisas que eles me viram fazer, o que me viram pôr em prática, isto sim, adotaram para si e, de fato, aprenderam.

Tenho uma amiga que trabalha na área administrativa de uma importante escola particular da cidade. Dia desses, num bate papo rápido, ela mostrou-se indignada com as grosserias dos professores. Segundo ela, não poupam palavreado baixo e displicente, adotam atitudes incoerentes e dissonantes ao que se propõem ensinar. Seu português verbal e escrito é péssimo, e suas atitudes piores ainda. A escola é reputada entre as mais “fortes” de toda a região. A razão de sua revolta estava em constatar quanto seus alunos os imitam. Esta falta de consciência talvez resulte em profissionais que trabalham apenas a troco de um salário, e não por amor incondicional à profissão. Podem vir de quem não tem um objetivo que se eleve acima dos vencimentos mensais que lhe remunere.

Não adianta pensar de outra forma ou esperar algo diferente. Ensinar, educar, preparar para a vida, são atividades que só produzem frutos verdadeiros e doces quando existe a pré-disposição de fundamentá-las sobre três únicos alicerces - e não outros. E eles são : exemplo, exemplo e exemplo.
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segunda-feira, junho 07, 2010

DEZ TÓPICOS PARA VIVER E TRABALHAR SEM CULPA

Artigo publicado no JL - Jornal de Londrina, em 07/06/2010, na coluna Profissão Atitude.

ABRAHAM SHAPIRO

1. Culpa nos negócios! Culpa na vida! “Livre-se da culpa”, dizem. É quase um clichê. Sério demais. É preciso lembrar sempre. Quem ainda não sabe, não viu nem telenovela. Nem gibi.

2. Na empresa, quem ri quando tudo deu errado, é que já descobriu em quem pôr a culpa. E diz: “A culpa é minha! Jogo-a em quem eu quiser”. Ter alguém a quem culpar é cruel. Culpar-se e assumir que tudo deu errado devido aos próprios atos ou decisões é mais aterrador.

3. A culpa proporciona a pior de todas as perspectivas. Empurra-nos para o mundo das comparações. Começamos a achar que o mundo inteiro é bom e nós imprestáveis. Será?

4. De quem é a culpa da culpa? Dizem que 100% do que somos e vivemos é fruto de nossas escolhas. Livre arbítrio. Não acredito que seja 100%. Existe um D-us. Logo, há fatos determinísticos. E “quando D-us quer, até uma vassoura dá tiros”. Todos têm percepção disto em algum nível. No entanto, se não 100%, bem próximo disto é resultante das nossas opções e atitudes. Pense, então, como estaríamos hoje se ao longo da vida nossas opções fossem por compaixão, tolerância, empatia, compreensão... Talvez aceitássemos mais os outros. Nosso autovalor seria maior. Mas fizemos escolhas irrefletidas, impetuosas. E erramos. Um dos efeitos possíveis é a culpa. Se permitirmos.

5. Para que serve a culpa? Tudo tem uma utilidade. A culpa também tem. Eu sei o que de pior ela faz às pessoas. Sabe o que? Põe a autoestima para baixo, bem para baixo. É o que consegue quem rumina culpa em seu interior.

6. Ao invés de culpa, que tal a pergunta: “O que tenho a aprender com isso?”

7. Ao invés de culpa, que tal assumir outros pontos de vista fora daquele habitual e viciado? Que tal ver a situação desde a ótica da neutralidade? Um observador imparcial vê mais amplo. E pode analisar bem. Sob o prisma da culpa, pode-se ver de tudo, exceto esperança.

8. Ao invés de culpa, que tal arrependimento?

9. Manhã de domingo. Saio para comprar o jornal. Chego à banca. Cadê os R$ 20,00 que eu levava? Meto a mão no bolso. Furado! Tenho duas alternativas. Primeira: sentir culpa. Volto para casa praguejando, chuto, choro, xingo, lamento. Perdi vinte reais... e um domingo. Segunda alternativa: analisar, entender, e depois agir. Pego linha e agulha. Costuro o bolso. Não há mais buraco. Não perco outro dinheiro.

10. Arrependimento é o reconhecimento realístico de um prejuízo. O efeito é positivo. Quem, de fato, se arrepende vê que erros são caros demais para serem repetidos. Por isso os supera. Arrependimento é a consciência da oportunidade perdida. Depois, é rearranjar as condições e esforçar-se para não errar de novo. Há uma meta. Há uma nova expectativa. Seja de vida. Seja de negócio.
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DR SEBASTIÃO FERREIRA - UM AMIGO, UM PROFESSOR

ABRAHAM SHAPIRO

Semana passada, tive o prazer de almoçar com um querido amigo, o Dr Sebastião Ferreira, advogado em Londrina. Estar com o Dr Sebastião é uma honra que se soma sempre a uma importante aprendizagem. Falamos sobre história, costumes, religião e, talvez buscando entender melhor o comportamento das pessoas no mundo de hoje, acabamos correlacionando as situações de modo  produtivo e útil, ao menos para mim.

Naquele almoço discutimos o que é escrever bem. Ele referiu-se ao dia a dia dos advogados, observando que os recém formados normalmente têm o ímpeto de escrever petições e textos demais acadêmicos, com excesso de argumentos, o que nem sempre produz o resultado que esperam. Sua experiência prática orienta sua equipe – que se compõe de grandes profissionais, entre eles três filhos e também sua esposa – a que um texto não pode restringir-se à escrita e à lógica. A boa escrita poderá, se for assim,  satisfazer ao escritor, mas também o expõe ao risco de não atender o leitor em conformidade ao objetivo, tornando-se por isso praticamente inválida

No processo de venda, o vendedor deve antes conhecer as necessidades do cliente para, só então, apresentar um produto que atenda a tais necessidades. Quanto melhor conhecer o cliente, mais efetiva será a satisfação resultante do seu negócio.

De igual modo, um texto que é dirigido a uma pessoa cujas expectativas sejam conhecidas, deve contemplar a compreensão clara e imediata desta pessoa. Antes das ideias chegarem ao papel, a preocupação do escritor deve ser com “Quem é o leitor?”, “O que ele espera?”, “Qual a sua velocidade de entendimento?”, “Quanto tempo ele disponibiliza, em média,  para a compreensão do texto?”.

Isto vale tanto para petições jurídicas quanto para relatórios, planejamentos, estratégias, notícias, qualquer situação. Adaptar-se às expectativas do leitor é muito mais sábio e prudente do que o contrário. Não basta escrever bem, mas ter sensibilidade para analisar e considerar quem estará do outro lado.

"Dr Sebastião, encontrá-lo é um privilégio para mim. Cada vez que me é dada a oportunidade, vejo que a sabedoria e a simplicidade são a razão do seu sucesso e também dos seus clientes. D-us o abençoe".
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sexta-feira, junho 04, 2010

A ATUAL ESCASSEZ DE MÃO-DE-OBRA

ABRAHAM SHAPIRO

Muitas empresas estão com dificuldade de preenchimento de vagas de engenharia e de nível técnico. Mas isto é uma contradição, vez que, enquanto um grande número de pessoas procuram emprego e não encontram, empresas estão com vagas abertas, sem preencher.

O que acontece? Antes da crise de 2008 os salários de engenheiros, em geral, estavam pressionados e agressivos. Os headhunters faziam propostas pesadas por causa da necessidade das empresas. Com a crise, o quadro mudou. O mercado está mais próximo do normal, agora. No entanto, muita gente continua pensando do modo anterior à crise e por isso se assusta com as propostas que encontram.

Optam por continuar desempregados em função dos salários baixos. Isto é um erro, pois, é preciso que cada trabalhador consiga reconhecer os casos em que há desvalorização da remuneração média em sua área. Em casos assim, o desemprego é uma escolha, ou até teimosia. As vagas existem, só que o candidato acha que o salário oferecido não está à sua altura.

Outro problema é o nível dos engenheiros recém formados. Não é fácil aproveitar esta mão de obra, pois, falta capacitação. As empresas se veem obrigadas a adequar os novatos para que sejam aproveitáveis após um ano, em média. Isto representa custo em treinamentos e tempo para dar resultado.

Esta situação exige criatividade. As saídas de que se tem notícia são interessantes. A solução tem sido investir em cursos internos e parcerias para formação, pensando no aproveitamento de profissionais nos próximos dois a três anos.

Uma grande empresa de elevadores, por exemplo, fez uma parceria com o Senai e montou um elevador para o treinamento de novos técnicos.

A oferta de técnicos no Brasil caiu nos últimos anos. As pessoas preferem fazer um curso superior que, às vezes, não oferece boas perspectivas a fazer um curso de nível técnico, que pode remunerar melhor e oferecer situações futuras mais promissoras. Triste realidade de um país que perdeu a chance de investir na formação técnica de seus cidadãos!
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quinta-feira, junho 03, 2010

O QUE REALMENTE É A RUÍNA NOS NEGÓCIOS

ABRAHAM SHAPIRO

Uma história antiga, que ouvi de um amigo velho.

Um homem vivia à beira de uma estrada e tinha uma pequena venda. Não tinha rádio, nem televisão e não lia jornais. Produzia e vendia bons cachorros quentes e deliciosos sucos.

Ele se preocupava com a divulgação do seu negócio confeccionando cartazes e pregando-os em pontos estratégicos da estrada de acesso ao seu lugar. O povo prestigiava.

As vendas foram aumentando e cada vez mais ele buscava um pão melhor, salsicha de melhor qualidade e ótimas frutas. Precisou adquirir um fogão maior para atender a grande quantidade de fregueses, e assim foi.

O negócio prosperava. Seus produtos já eram considerados os melhores de toda a região e assim, ele conseguiu investir na educação do filho único.

O menino cresceu e foi estudar economia na capital, e depois no exterior. Após formado, o rapaz voltou para casa e viu que o pai continuava com a vidinha de sempre. Uma noite, teve uma conversa com o velho:

- “Pai, você não ouve radio? Não vê televisão? Há uma crise mundial. A situação do país é crítica. Está tudo complicado. O mundo vai desabar”.

Depois de ouvir as considerações do filho doutor, o pai pensou:

- “Bem, se o meu filho que estudou economia, lê jornais e revistas, acha isto, ele está com a razão.

Com medo da crise, o homem procurou fornecedores mais baratos de pão e salsicha. A qualidade caiu e ele parou de fazer cartazes de propaganda na estrada.

Tomadas tais 'providências', as vendas começaram a cair, a ponto de chegaram a níveis insuportáveis. O negócio que antes gerava recursos até para sustentar os estudos do filho no exterior, quebrou. O velho, bastante depressivo, então falou para o filho:

-“Você realmente estava certo, meu filho. Nós estamos mesmo no meio de uma crise brava”.

E, orgulhoso, comentou com os amigos:

- “Bendita a hora em que eu mandei meu filho estudar. Ele me "salvou" da crise”.

A lição. Vivemos num mundo contaminado por más noticias e interpretações tendenciosas. Sem discernimento, essa atmosfera de desgraça chegará até nós a ponto de roubar a nossa felicidade pessoal, nossos talentos e a prosperidade que podemos conseguir através do empreendedorismo que nos inspira. Isto sim é a ruína.
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quarta-feira, junho 02, 2010

AUTOVALOR

ABRAHAM SHAPIRO

O nosso valor próprio, quase sempre, se baseia nos sentimentos que cultivamos, como resultado das metas que atingimos, das nossas habilidades, da posição social que alcançamos e de nossos atributos físicos. Os padrões e medidas, no entanto, são exigidos pela sociedade em que vivemos e com que nos relacionamos.

Estas medidas tendem a desenvolver em nós uma certa fragilidade, pois, quando não chegamos aos níveis que a sociedade nos impõe, ficamos depressivos e muitas vezes até perdidos.

A verdade é que precisamos de uma visão clara e definida sobre o nosso valor. Mas devemos cuidar para que isto não extrapole, e nos tornemos egoístas repugnantes.

O equilíbrio aqui é desejável - e sempre faz bem. Uma das boas formas de alcançá-lo no campo valor pessoal é educando-se quanto a valorizar os atos dos outros, sem menosprezar ou inferiorizar os próprios.

Um velho milionário conversava com seu neto, um jovem, quando este lhe perguntou como havia amealhado fortuna. O avô, pacientemente, responde: "Bem, meu rapaz. Era o ano de 1951 e eu estava muito para baixo. Tudo o que eu tinha eram cinquenta centavos no bolso. Fui ao mercado local e investi aquela moeda em uma maçã. Passei a manhã inteira lustrando-a para deixá-la viçosa. Ao final da tarde, eu a vendi pelo valor do que seria um real, hoje. Na manhã seguinte, eu investi aquele real em duas outras maçãs. Passei horas polindo-as e, ao final do dia, eu as vendi por dois reais. Continuei este sistema por meses e prosperei muito naquele ano. Então, o meu querido pai - que a paz esteja com ele - veio a falecer, e deixou-me dez milhões de dólares de herança".

Moral da história: Inspire-se nas palavras do sábio, que a dois mil anos já dizia: “Se eu não for por mim, quem será? Mas se eu for só por mim, o que sou eu? E se não for agora, quando será?”

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terça-feira, junho 01, 2010

DEPOIS DA TOYOTA E DA PANASONIC

ABRAHAM SHAPIRO

Uma das regras de ouro da profissão de venda é acreditar no produto que se oferece. É consenso e de bom tom que o ato do vendedor adquirir o seu produto soa como uma declaração de crença naquilo que oferece aos seus clientes potenciais. Há casos de quem não acredita piamente naquilo que vendem, e permanecem fazendo-o por necessidade. Mas "pega mal", e é estabelecido que um vendedor que não crê nos benefícios do produto que vende não merece prosseguir onde está, fazendo o que faz.

O mesmo vale para os demais funcionários da empresa. Seria falta de consideração e respeito trabalhar, digamos, na linha de produção do sabão da marca X e consumir a marca Y em sua casa.

É claro que, há produtos cujas facilidades de aquisição devem ser adequadas aos níveis de ganho de seus funcionários. E mesmo assim, haverá situações impossíveis de enquadramento geral. É o que ocorre com algumas construtoras e montadoras de veículos.

Veja a mensagem que a BMW enviou através de carta aos colaboradores que têm veículos de outras marcas.

"Gostas de trabalhar para nós. Tens carinho pelo teu trabalho e pelo teu salário. Mas conduzes um carro da concorrência. Não achas errado?".

A carta, assinada pelos gestores da fabricante alemã, foi colocada nos parabrisas dos carros estacionados à porta das várias fábricas da empresa. A notícia foi divulgada pelo "Financial Times" há algum tempo.

Os funcionários que receberam a carta tiveram um canal de comunicação aberto com um responsável de vendas para conhecerem as vantagens de dirigir um BMW.

A marca alemã tem 100 mil trabalhadores. Em 2009 vendeu quase 2 milhões de veículos em todo o mundo, 10 mil dos quais a colaboradores.

A iniciativa da BMW já foi realizada também por outras empresas como a Panasonic e a Toyota e faz sentido. A razão é óbvia... coerência.
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segunda-feira, maio 31, 2010

PRESSUPOSTOS

Artigo publicado no JL - Jornal de Londrina, em 31/05/2010, na coluna Profissão Atitude.

ABRAHAM SHAPIRO

Todos nós temos crenças não comprovadas, chamadas pressupostos. Passamos a vida juntando-os aos montes. Decidimos coisas importantes partindo deles. Há os que podem ajudar, como “chá de erva-doce ajuda a digestão”, mas há também os que se tornam obstáculos em áreas importantes da vida, como “fumar é charmoso para as moças”, “rapazes seguros de si tomam bebida alcoólica”, “gente socialmente bem posicionada precisa morar em condomínio fechado e ter carro caro”.

As pessoas prudentes reconhecem e analisam seus pressupostos. As outras nem sabem que eles existem.

As facilidades do mundo atual geram um número incrível de pressupostos coletivos. Formam-se à velocidade espantosa, e são piores do que os individuais pois movem uma geração inteira em direção a situações ilusórias ou equivocadas. E por serem abrangentes, corrigi-los ou eliminá-los é quase impossível.

Um dos mais populares e recentes solidificou a crença dos jovens universitários brasileiros e virou uma expectativa messiânica na formação profissional. Trata-se da fé salvadora nos cursos de pós-graduação e MBA´s como meios para se conseguir extraordinária colocação no mercado de trabalho ou promoção de carreira. E para agravar, propagandas e matérias pagas em revistas informam benefícios exagerados resultantes desses cursos, tornando fácil confiar em suas fabulosas promessas e esquecer que sucesso sem esforço é tão real quanto o coelhinho da Páscoa.

Qualquer curso superior só representa perspectiva exitosa para quem se dedica rigorosamente a cada disciplina e às suas interações com a prática. O mesmo é válido para pós-graduação e MBA.

Enquanto o aluno ou profissional não se lança na piscina do compromisso com os estudos, em vez de apenas sentar-se à beira dela e molhar os pés, tudo o que concerne à sua formação terá baixíssimo índice de conversão em benefícios efetivos. O que ele consegue – se conseguir – serão diplomas ou certificados para decorar paredes.

Cuide dos seus pressupostos. Analise-os. Prove-os. Enraíze os que forem corretos. Descarte os errados e duvidosos. Alerte-se contra o poder de produzirem embaraços e complicações. Mire-se no que se passou com um amigo meu. Contou-me ele: “Eu estava fazendo as malas para uma viagem de negócios enquanto minha filha de 3 anos brincava na cama. A certa altura ela me disse: ‘Papai, olhe aqui!’ – e esticou sua mão mostrando dois dedinhos. Tentando mantê-la distraída, eu me aproximei e coloquei os dois dedinhos na minha boca, dizendo: ‘Vou comer os seus dedinhos!’ – fingindo comê-los antes de sair correndo do quarto. Ao voltar, ela estava em pé na cama, olhando para seus dedos e com uma carinha desolada. Eu então perguntei: ‘O que houve, amor?’ E ela respondeu: ‘Cadê a meleca que estava aqui?’”

Este é um exemplo irrelevante do que um pequeno pressuposto pode causar. Imagine as consequências dos grandes.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

domingo, maio 30, 2010

CONFIANÇA PARA CONFIAR

ABRAHAM SHAPIRO

Confiança é fundamental numa negociação para que seja cooperativa e traga resultados úteis.

Todos sabem que confiança leva tempo, e exige memória para não se esquecer que está sendo construída.

Num relacionamento cliente-fornecedor, por exemplo, é normal que no princípio exista suspeita por parte de  ambos. Mas o processo pode evoluir. Deve evoluir até chegar ao nível da cooperação. Irá depender do comportamento, da conduta pessoal e do cumprimento dos vários pontos estabelecidos.

regras práticas para se conquistar a confiança em negócios. Primeiro: seja coerente e jamais confuso, nem inconstante. Segundo: Opte pela clareza. Explique-se e defenda as suas posições evitando desentendimentos. Terceiro: Cumpra o que promete. Seja honesto, acima de tudo. Isto não significa obrigação de revelar tudo o que sabe. Certas posições não devem ser reveladas por razões próprias.

Evite portar-se como aqueles dois cachorros amigos, mas muito desconfiados um do outro, que passeavam numa praça quando, a certa altura, encontraram uma linda linguiça. Um diz para o outro:

- “Olha só, temos um ótimo lanche. Só falta o pão. Vá ver se consegue uma bisnaga nas vizinhanças!”

- “Eu não!” - diz o outro. “Depois você come a linguiça sozinho!”

- “Então vamos tirar à sorte” – o primeiro sugere.

Assim fizeram, e o cão escolhido fartou-se de repetir:

- “Tudo bem. Eu vou buscar o pão. Mas você não toca na linguiça até eu chegar, hein?!”

- “Tá bem” – diz o outro!

Passaram horas, dias, semanas, meses, invernos, verões, e o cachorro sempre ali, cuidando da linguiça.

Ao fim de alguns anos, já velho e com os pelos brancos, o guardião lá continuava em cima da lingüiça já ressequida pelo tempo. Até que pensou:

- “Meu amigo já deve ter morrido. Nunca mais aparece. Cá estou eu feito imbecil, guardando essa lingüiça. Vou mais é comê-la”.

E quando se prepara para deitar a boca na linguiça, o outro cachorro salta de trás de uma pedra e diz:

- “Se você toca nessa lingüiça, eu não busco o pão!”

Moral da história: Em negócios, a confiança é a parte mais importante para se garantir o ganha-ganha.
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sexta-feira, maio 28, 2010

CONVERSANDO A GENTE SE ENTENDE

ABRAHAM SHAPIRO

Todos nós desejamos que as pessoas nos entendam. Contudo, quem realmente nos ouve?

Conversar é a mais poderosa ferramenta para o contato com outros seres humanos. Sem comunicação, estamos sozinhos. As conseqüências disso são desastrosas, senão incalculáveis em vários campos da vida.

Tenho visto e comprovado que, no âmbito corporativo, a causa das maiores crises na produção, nas vendas, qualidade, planejamento etc, está na ausência de conversas úteis.

O grande diferencial entre o homem e os animais está em ser um ente que fala. O lado negativo disso é a possibilidade do uso do verbo para exaltação de  si mesmo. Mas o curioso é que mesmo para este mal a solução  também está em aprender a conversar - só que, óbvio, sem endeusar o ego.

Para que uma conversa seja útil, deve ultrapassar o nível superficial dos diálogos comuns. Podemos falar de receitas, futebol e moda. Mas não é suficiente. Partilhar pensamentos significativos  faz tanta falta para a mente quanto alimentação saudável para o corpo.

Os hábitos mais nocivos nesta área começam em casa. Antigamente, os móveis da sala eram dispostos para que as pessoas se vissem umas às outras. Hoje, as salas são mobiliadas para que todos assistam à tv. O pai vê uma partida de futebol e, enquanto mastiga alguma coisa, o máximo que diz é: “Viu essa jogada?” Conversa alguma oferece mais atrativos do que a TV de Alta Definição ou  mil canais via satélite.

Precisamos das pessoas não para ver televisão, mas para ficarmos juntos e nos comunicar. Sem isto, ficamos sufocados, ilhados em nossas opiniões próprias.

Comece a conversar. Conversas verdadeiras. Construa conexões fortes. Expanda suas visões. Explore o mundo real em que as pessoas vivem e saia da ilusão dos filmes e dos sonhos.

Em toda boa conversa “falar é prata e calar-se é ouro”. Evite aquele comportamento ansioso e odiável de atravessar as ideias dos outros, como o Heródoto, um sujeito arrogante e intragável, que interrompe os demais com tanta autoridade e egoísmo, que chega ao ridículo de se defender dizendo: “Não gosto que ninguém fale quando eu interrompo!”
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quinta-feira, maio 27, 2010

MAIS REFLEXÕES SOBRE RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS

ABRAHAM SHAPIRO

A história é antiga, séria e tem uma lição definitiva.


Um sujeito sofria de uma dor de cabeça infernal, há vinte anos. Foi ao médico, e depois dos exames, o doutor lhe declarou:

- "Tenho uma boa e uma má notícia. A boa é que posso curá-lo para sempre. A má é que os seus testículos estão pressionando a espinha. É isto que provoca a dor de cabeça crônica que lhe castiga há tanto tempo. Para aliviar o sofrimento, precisarei removê-los".

O homem ficou chocado. Caiu em depressão. Passou dias indagando se havia alguma coisa por que valesse a pena viver. Enfim, submeteu-se ao bisturi. Quando deixou o hospital, pela primeira vez em 20 anos, não sentia mais a dor de cabeça. Mas lhe faltava uma parte importante de seu corpo.

Enquanto caminhava pelas ruas, pensava em atitudes que lhe permitissem ter um novo começo. Avistou a loja de um alfaiate, e resolveu começar por ali.

- "Quero um terno novo", pediu ele.

O alfaiate, um senhor de idade avançada, olhou de cima abaixo o corpo do homem, e falou:

- "Seu número é um 44 longo".

O homem riu:

- "É isso mesmo. Que ótima visão!"

- "Estou no ramo há mais de 60 anos", responde o alfaiate.

O homem experimentou o terno, que lhe caiu muito bem. Enquanto se admirava no espelho, o alfaiate perguntou:

- "Que tal uma camisa nova?"

Ele pensou por alguns instantes e concordou. O alfaiate olhou e disse:

- "34 de manga, e 16 de pescoço".

Admirado, o rapaz exclama:

- "Mas, é isso mesmo. Como adivinhou?"

-"Estou no ramo há mais de sessenta anos", o velho responde.

Experimentou a camisa e ficou satisfeito. Enquanto andava pela loja, o alfaiate sugere:

- "O que me diz de cuecas novas?"

- "Ok. Vamos lá"- o homem se entusiasma.

O alfaiate olhou seus quadris, e replicou:

- "Vejamos... Seu número é 36".

O cara soltou uma gargalhada.

- "Desta vez, te peguei. Meu número de cuecas é 34, desde os 18 anos de idade".

O alfaiate sacudiu a cabeça, e explicou seriamente:

- "Você não pode usar 34. O tamanho 34 pressionará seus testículos contra a espinha, e isto irá provocar uma dor de cabeça infernal."


Moral da história: Todo problema tem uma ou várias causas. E tem também os sintomas. Remover os sintomas não o resolve, já que funcionam como indicadores - como é o caso da febre numa infecção. A solução encontra-se em pesquisar e eliminar as causas. Esta é a regra que deve imperar.
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quarta-feira, maio 26, 2010

O PARADOXO DA VELOCIDADE

ABRAHAM SHAPIRO

Quantas empresas não estarão vivendo neste momento um difícil dilema entre aumentar a produção e forçar sua estrutura de vendas a escoá-la no mercado, ou criar condições melhores para que os canais de vendas dêem maior ritmo à produção? Quem deve ser a locomotiva? A fábrica ou o departamento de vendas?

Este é o chamado Paradoxo da Velocidade.

Aumentar a produção até os patamares desejados, de fato, pode dar a impressão de que a velocidade aumentou. Mas irá derrubar o valor ao longo do tempo – refiro-me a produtos e serviços de menor qualidade.

Por outro lado, melhorar as ações dos canais de vendas pode aumentar as despesas momentâneas, mas, no curto e médio prazos, garantirá consistência de mercado e força da marca. Isto é vantagem competitiva real.

É claro que há mais situações em jogo aqui. Mas observe que na atividade de qualquer empresa sempre existe uma diferença entre a velocidade que os seus gestores julgam necessário imprimir e a velocidade com que o negócio realmente se move. Ainda mais em tempos de alta demanda.

Velocidade operacional não é o mesmo que velocidade estratégica. No primeiro caso, trata-se apenas de agir com rapidez. No segundo, o foco está sobre a entrega de valor.

Cuidado com o canto da sereia do ritmo acelerado. Empresas que atuaram sem nenhuma trégua para tentar obter vantagem, terminaram com receita e lucro operacional menores do que aquelas que pararam em momentos cruciais para se certificar de que estavam no caminho certo. O pecado, portanto, é sacrificar momentos dedicados à análise de situações que fazem a diferença no processo decisório.

Quem decide a velocidade são os líderes. Se a decisão se fundamentar na lucidez, o resultado será benéfico à consecução das metas. Se for imediatista e conturbada, o resultado será desastroso.

Em qualquer visão o foco é a chave. O comportamento estratégico ideal é desacelerar. E não o contrário. As grandes visões não costumam saltar ao nosso encontro. Elas exigem reflexão, ou seja, pare, olhe, ouça e, então, analise bem antes de enquadrá-las.

PS: Não digam depois que não avisei!
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terça-feira, maio 25, 2010

DOIS CONSELHOS PRÁTICOS

ABRAHAM SHAPIRO

CONSELHO 1 : Não dependa da aprovação dos outros

Não desperdice seu tempo de vida tentando impressionar os outros. Mesmo que você me convença de que é magnífico, eu pergunto: "Você estaria realmente seguro disso? Quem de nós estaria?"

Conheci um rapaz que falava sempre com a cabeça ligeiramente inclinada porque uma ex namorada dissera que ele se parecia com um ator famoso. Ninguém achava que ele tivesse o perfil de um artista, mas que entortava a cabeça porque faltava algum parafuso.

É isso o que acontece quando deixamos que nosso desejo por impressionar os demais determine as nossas ações.

Não devemos depender do reconhecimento dos outros. Ser carente dos elogios e das aprovações das pessoas é mau para qualquer um.

Nós nascemos para ser livres, independentes, e é por estas razões que precisamos desenvolver a nossa consciência própria para que vivamos baseados nos nossos julgamentos e no autoelogio equilibrado, sem dependência falsa e enganosa dos aplausos de terceiros e quartos. Cada um é um, tenho dito tantas vezes neste espaço.

Pense que as suas crenças são importantes para a sua vida e, em seguida, aproveite para crescer nesta direção, e aí, sim, impulsionar-se a fim de ser verdadeiramente grande.


CONSELHO 2 : Grato ou orgulhoso?

Imagine que você ganhasse 10 milhões de reais na Mega Sena. Você não conteria tamanha alegria. Mas imagine também que, passado algumas semanas, entrevistas em jornais e na tv lhe tornassem pessoa tão importante que você começasse a atribuir a sua fortuna à sua incrível inteligência e habilidade com números. Seria ridículo, não acha?

Suponha, agora, que você inventasse um produto que lhe rendesse um lucro real de 10 milhões de reais. É bem provável que agora você se sentisse um inventor glorioso, e até tivesse como justificar este sentimento às pessoas. Agora, sim, todos entenderiam.

Existe uma emoção positiva em nós sempre que realizamos algo. Porém, ao atingir um objetivo na vida, devemos saber distinguir qual é o limite que separa o orgulho do prazer.

Como é o orgulho? “Eu consegui isto. Sou o máximo! Mamãe, estou no topo do mundo!”

Como é o prazer? “Graças a D-us, tive esta oportunidade de realizar algo. Não sou melhor do que ninguém, mas sou agraciado”.

A diferença é clara.

Não atribua méritos a si próprio. Nunca se coloque na condição de “eu mereço”. Todos precisamos dos demais, assim como os outros precisam de nós.

Se existe algo na sua vida com que você se importa, isto lhe deixa grato ou orgulhoso? A escolha revelará quem você é.

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segunda-feira, maio 24, 2010

DERROTISMO, UMA EPIDEMIA SOCIAL

Artigo publicado no JL - Jornal de Londrina, em 24/05/2010, na coluna Profissão Atitude.


ABRAHAM SHAPIRO

Meu amigo coleciona frases. Não citações de gente famosa. Ele junta expressões típicas de pessoas derrotistas.

Segundo a Programação Neuro Lingüística e meu ilustre amigo – por mera coincidência –, um sujeito derrotista, ou que se sinta assim, terá a tendência sistemática de adotar atitudes derrotistas. E ele não perde tempo. Irá divulgar o que pensa a qualquer um, a toda hora, e onde quer que esteja.

Eis, a seguir, algumas preciosidades da inusitada coleção.

Funcionários derrotistas dizem: “Já deu a minha hora. Eu saio às 17h30m e faltam quinze minutos.”; “O que o senhor está me pedindo não é minha obrigação. Eu não ganho para fazer isto!”; “Treinamento de novo? Eu já sei bem a minha função!”

Estudantes derrotistas: "Estudar esta matéria? Ninguém usa isto na vida prática!"; "Eu não preciso ler livros. Passo o dia no MSN e no Orkut. Escrevo e leio o tempo todo"; “Eu vou para a balada mesmo! Depois que eu me formar, faço uma pós e serei o diretor de uma grande empresa”.

Gerentes derrotistas, dizem: “Clientes são todos iguais. Nunca estão satisfeitos. Um defeitinho de nada e eles já reclamam”; “Nossos produtos são muito baratos para tanta exigência de qualidade.”, “Consultores são todos iguais. Quero ver fazer o que eu faço!”

Vendedores derrotistas, falam: "Não adianta visitar este cliente. Ele não compra nesta época."; "Eu tenho uma memória de elefante. Não preciso anotar."; "Por esse preço, quem consegue vender?"; "Minha região é ruim. Não tenho como aumentar as vendas"; "O problema das minhas vendas é a fábrica que não me dá apoio e a concorrência que não larga do meu pé".

Se um novo empreendimento está sendo implantado, por exemplo, o derrotista desejará vê-lo arruinado, pois isto evidencia sua incompetência. Ele dirá: “Esse negócio não dura seis meses. Deviam ter-me dado o dinheiro que investiram. Eu usaria a metade e daria o restante de volta para eles. O prejuízo seria menor”. Ele é um velhaco destrutivo e incapaz que se recusa até a conceder o benefício da dúvida. Por isso julga sumariamente, mesmo o que desconhece. Sua prática mais habitual é falar mal e depreciativamente. Ele nunca tem boas palavras.

Derrotismo é doença. Transmite-se por simples aproximação.

Identificar um derrotista é questão de vida ou morte para qualquer indivíduo que lute para vencer. Como identificá-lo? Um derrotista ensandece frente a atitudes positivas. Ele rejeitará o sucesso assumindo o ataque, tendo sua língua como arma e o verbo como munição. Mostrará inveja inflamada e ímpeto destrutivo contra qualquer esforço positivo. São estes os principais sintomas.

Assim, o conselho final desta reflexão não será de minha autoria, mas do próprio Xandy, o meu amigo. Ei-lo: “Faça a sua parte na erradicação do derrotismo. Ao identificar um infectado, não espere. Fuja enquanto há tempo”.
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domingo, maio 23, 2010

INSIGHT (pronuncia-se: ins-sáit)

ABRAHAM SHAPIRO

Outra palavra daquela lista que muitos falam sem compreender bem: 'insight'. O que significa  insight? A tradução mais aproximada do inglês é compreensão súbita.

Alguma vez você encontrou repentinamente a solução para um problema sem ter tido consciência do processo que lhe permitiu chegar a isso? Isto foi um insight.

Contam que o filósofo Arquimedes, de Siracusa, que viveu lá pelo ano de 250 A.E.C. (Antes da Era Comum), teve um insight ao descobrir que o volume de qualquer corpo pode ser calculado medindo o volume deslocado quando ele é submergido na água. Esta descoberta, que ficou conhecida como Princípio de Arquimedes, foi tão importante para a  época que o fez sair nu pelas ruas de Siracusa gritando a palavra Eureka! como celebração de sua descoberta. Perfeito caso de insight.

Em bom português brasileiro o termo insight se aproxima muito de uma boa "sacada"... e mais ainda de uma “sacada genial”.

Sabe onde temos os mais simples insights? Ao ouvir piadas. Mais exatamente naquele momento fatídico em que ocorre o "ahá!", quando chegamos à compreensão inconsciente da trama. É por isso que toda piada, quando explicada, perde a graça, porque o melhor dela é o momento do insight. A risada é a manifestação física do alívio da tensão mental que acumulamos até "entendermos" a piada de forma não-racional ou consciente.

Resta dizer um ponto mais. O insight só se produz quando o indivíduo está sob a tensão - aquela que vivemos quando em busca da solução para um problema que nos incomoda. Portanto, quando você estiver numa situação problemática e desejar solucioná-la ao bom e velho estilo de Arquimedes, faça algo inusitado, que lhe tire da rotina, como um banho de banheira, por exemplo. Em seguida, pare de raciocinar e ative suas faculdades criativas ao máximo. Deixe sua intuição entrar em cena e quando menos esperar.. Eureka... um estalo chegará com as respostas que você busca. Só faça o favor de não sair sem roupas pelas ruas da cidade,  e gritando como um louco.
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sexta-feira, maio 21, 2010

O USO EFICAZ DA MEMÓRIA

ABRAHAM SHAPIRO

Imagine um escritório com um enorme fluxo de documentos a cada momento. Imagine que os documentos não sejam convenientemente arquivados e você precise urgente de um deles. Seria frustrante gastar energia numa procura maluca para, depois de muito tempo, talvez não encontrá-lo, ou achá-lo enterrado numa pilha qualquer de papéis!

Bagunça é terrível em qualquer lugar e hora.

O cérebro humano é um 'escritório' muitíssimo sofisticado onde informações fluem constantemente: lições importantes da vida, das pessoas, as amizades, itens de espiritualidade, sobre os negócios,  sentimentos, emoções e muito mais  são a massa incontrolável de detalhes minuciosos que passam por ele sem parar.

Como armazenar todas informações? Quanto mais organizado você for, mais eficácia terá para converter tudo isso em vida, afinal, de um momento para outro você precisa acessar tudo isso. Vou dar uma dica importante e prática da qual faço uso permanente.

A chave da organização mental é não fazer disso um processo cheio de burocracias. Respeite o fluxo lógico de sua aprendizagem.

Ao ler um livro, por exemplo, não despreze o índice. Ele é a porta de entrada para o desenvolvimento de um sentido geral da estrutura que irá se formar à medida que você lê-lo. Invista alguns minutos para pensar sobre o que será discutido em cada capítulo. Ao iniciar a leitura, você verá que isso lhe ajuda a ver como cada aspecto do texto se diferencia de outros - e, como tudo se conecta entre si.

Melhor do que saber explicar uma ideia é entendê-la. Por isso, ao se deparar com uma nova ideia, entenda-a quanto às suas implicações segundo a sua própria visão e interpretação. É assim que você consegue um registro eficaz em sua mente.

Dê um título para cada seção lida usando uma palavra ou um nome que defina  sua essência. Após lida e entendida,  escreva uma ou duas frases, no máximo, que resuma esta seção e seja a sua síntese. Observe que sempre existirá uma conexão entre esta palavra e a frase-resumo. Ficará infinitamente mais fácil gravar o conteúdo de maior importância, desta forma.

Empregue este método em tudo o que você ler ou estudar. O tempo investido passará a ser um ganho, e a atividade em si não mais um peso insuportável.
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quinta-feira, maio 20, 2010

PB LOPES

ABRAHAM SHAPIRO

Eu estava no café com meu cliente Leonardo Yoshii, quando notamos a chegada de uma pessoa a quem admiro não só como gente, mas como homem de negócios. Era o senhor Pedro Barbosa Lopes. Ele é o diretor fundador da concessionária PB LOPES, presente em quatro estados do país.

Eu o encontrei poucas vezes. Mas mantemos entre nós uma conexão pessoal que julgo excelente, e de qualidade. Sei que é assíduo ouvinte do meu boletim diário na rádio CBN, também chamado Profissão Atitude. Neste encontro, por exemplo, quando solicitei suas críticas, ele, muito gentil, declarou nada ter de negativo a pontuar, e foi logo recitando com detalhes impressionantes o conteúdo da locução daquela manhã.

Leonardo e eu o convidamos para sentar-se conosco num triângulo à base de cafezinho e água. Ali começamos um bate-papo. Nossas perguntas nos davam a vantagem de tirar proveito máximo da fonte incrível de experiências de vida e de liderança empresarial diante da qual estávamos, pois não é em qualquer lugar que se tem um empresário deste naipe.

PB, como o chamo, é o fundador de uma rede de empresas com um dos mais interessantes índices de fidelidade de clientes satisfeitos com a negociação e com os serviços prestados. Ele é um  renomado revendedores da marca Scania do país, o que lhe confere o mérito de ter suas sugestões e experiências consideradas não só no Brasil, mas também nas estratégias estabelecidas na cérebro da montadora européia, com sede na Suécia.

Após falar sobre seus grandes desafios, salientou os riscos de perder todos os seus negócios numa das crises que enfrentou em meados da década de 90. Nesse ponto da conversa surgiu a deixa para aquela pergunta óbvia: “A que o senhor atribui ter vencido aquela dificuldade?” A resposta veio como um tiro de duelo: “Vontade” – ele disse. Seguiu-se um silêncio, e PB concluiu com tom de conselheiro: “Foi a minha vontade gigantesca de vencer que não me deixou afundar”.

Penso que qualquer experiência positiva coloca-nos diante da liberdade de escolha entre imitá-la ou não. Todavia, atitudes que vencem batalhas e decidem guerras deixam-nos sem opção: somos obrigados a praticá-las, no mínimo em honra dos vencedores.

- “PB, obrigado pela aula! Acredite, amigo, depois deste nosso encontro a palavra ‘vontade’ tem um significado novo para mim”.
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quarta-feira, maio 19, 2010

RACIONALIZAR: COISA QUE TODO MUNDO FAZ

ABRAHAM SHAPIRO

Um indivíduo frustrado pode adotar saídas de emergência para sentir-se bem. Uma delas é a racionalização.

Racionalizar é algo que se parece muito com aquela prática com que todos convivemos: 'criar desculpas'.

Um sujeito vai pedir aumento de salário ao chefe, que lhe nega após dar motivos claros. O empregado sai dizendo que o chefe foi malvado. Outra possibilidade seria o nosso cara adotar explicações do tipo: “Sem problema. Eu não estava precisando desse aumento, mesmo!” Estes são simples exemplos de racionalização.

Por que racionalizamos? Estamos o tempo todo lutando interiormente para dar sentido às nossas experiências pessoais, comportamentos e sentimentos. O objetivo disso é vermo-nos livres da angústia e manter o autorespeito. Faremos, assim, todo o possível para confortar o nosso ego criando explicações que nos pareçam racionais, ou seja, boas razões para acomodar internamente as coisas que nos importunam.

Uma cena corriqueira em grandes centros. Um rapaz entra num supermercado e furta uma barra de chocolate. Questionado sobre este comportamento errado, ele responde: “Chocolate é muito caro, e esta rede é rica demais”. Ou talvez diga: “As filas dos caixas estavam grandes, e eu tinha pressa”. Mais preocupante, contudo, seria quando a situação assumisse outra proporção, como por exemplo: “Não sei porque vocês são tão moralistas! Os políticos roubam e ninguém os põem na cadeia! Eu não posso pegar um simples chocolate?”

Toda racionalização nunca é tão modesta quanto aparenta. Ela envolve um conjunto complexo de 'explicações' e procura assegurar contra possíveis 'ataques'. A pessoa que racionaliza cria uma coleção de saídas de modo tal que se uma delas for 'destruída', outra estará imediatamente pronta para substituí-la. O jogo é muito rápido. E dependendo do grau de treinamento, isto se torna uma prática admirável por sua maestria.

O interessante na racionalização é que as “explicações” não são de todo mentiras. A intenção não é enganar. Ela só deseja ter razão e sentir-se mais confortável do que no estado inicial. A coisa chega ao ponto dela não ter consciência das deformações que resultam de seus pensamentos desejosos de comodidade.

O problema é que não existe uma linha muito clara que diferencie a razão factual da racionalização. Por este motivo, geralmente tornamo-nos agressivos contra os contestadores das “explicações” que elegemos. É possível entender, pois, na verdade, quem racionaliza está apenas - e acima de tudo - defendendo seu mais importante patrimônio: o ego.

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terça-feira, maio 18, 2010

REALIZAÇÃO PROFISSIONAL x DEDICAÇÃO REAL

ABRAHAM SHAPIRO

Em uma feira de carros usados, um comprador chega ao vendedor e pergunta: - Aceita cheque? E o vendedor responde: - Não sendo meu, é claro que aceito!

É verdade que muita gente gosta de levar a vida com bom humor. Piadinhas, como esta do cheque, circulam em todas as áreas dos negócios. Mas a realidade é que tudo fica sério demais quando nós somos a piada.

Uma grande sabedoria encontra-se em entender que a vida e os negócios são coisas sérias. Não dá para brincar todo o tempo. Bom humor é como tempero na comida: uma pitada leve... Quando passa da medida, nem bicho come.

Infelizmente as pessoas não veem assim. Muitas insistem em acreditar e praticar o contrário. Olhe para os funcionários de um grande escritório ou os operários numa fábrica ou obra. Quanto tempo gastam falando abobrinhas, contando piadas, tomando cafezinho ou fumando? Têm direito a isto, é claro. Mas a questão é: quanto? Por outro lado, conversar sobre o trabalho parece pecado. Aliás, os “bandidos de plantão” estão cuidando todo o tempo para que assuntos sérios sejam vistos como puxa-saquismo. Falar coisas aproveitáveis é um tabu para estes.

Nas lojas, os atendentes olham para o alto, para fora ou qualquer direção, exceto para o cliente que acaba de entrar. Em supermercados, é bom rezar para não precisar de uma informação.

Vilfrido Paretto, o famoso proponente do princípio que leva o seu nome, disse que 80% dos resultados provêm de 20% das tarefas. Vendo desde a ótica inversa, 80% do tempo converte-se em apenas 20% de resultados - o que é ridículo, mas é a prática. E explica a ineficiência de quase todas organizações. É visível a quealquer um que não seja cego, garanto.

Quais as causas? Falta de consciência. As pessoas acham normal dissipar tempo, sem nenhum pudor. Perdem o foco de seu papel, não se importam com sua baixíssima dedicação e, depois, querem ser reputadas como profissionais, a despeito do comportamento reprovável que popularizam como regra.

De que outro modo se obtém realização se não pelo foco e objetivos claros? Entende, agora, a raiz da crise existencial que assola a maior parte de nossos recursos humanos atualmente? De quem, de fato, é a culpa?

Se você concorda,  bata a mão na mesa, e mude o seu comportamento a partir de agora.
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segunda-feira, maio 17, 2010

CABEÇA OU CAUDA? O DILEMA DAS EMPRESAS FAMILIARES

Artigo publicado no JL - Jornal de Londrina, em 17/05/2010, na coluna Profissão Atitude.


ABRAHAM SHAPIRO

Em uma das mais fantásticas aulas de liderança que recebi de meu mestre – que, de fato, sabia o que dizer sobre este assunto – ouvi a seguinte história.

Era uma vez, uma serpente que rastejava pelo chão poeirento de um canto do mundo. Certo dia, subitamente a cauda voltou-se contra a cabeça, e furiosa, disse em tom rebelde: "Olha aqui, estou cansada de seguir-te para onde quer que inventes de ir! Há quanto tempo és o nosso guia? Já é tempo de eu assumir a liderança!"

"Tu és tola" – respondeu a cabeça – "pois não apenas te meterias em todo tipo de trapalhada, como também me arrastarias contigo e a desgraça viria sobre nós duas!"

Mas a cauda teimava tanto em sua insensatez que e a discussão ficou feroz. A cabeça acabou cedendo em favor apenas de algum sossego. Mas não deixou de declarar: "Não diga depois que não avisei!"

A cauda, feliz, pulou para a frente, decidida que estava a aproveitar ao máximo sua recém-conquistada liderança e liberdade.

Contudo, antes que pudesse pensar, caiu numa poça d’água, e se não saltasse para fora a tempo, estariam completamente perdidas. Pouco depois, entrou numa fogueira, arrastando, logicamente, a cabeça atrás de si. Ficaram tão queimadas que mal escaparam com vida.

Mesmo após esta afortunada salvação, a cauda ainda não aprendera a lição, e insistiu em continuar com sua liderança tola, apegada a si própria. Embora a cabeça já estivesse cansada o bastante daquilo, tinha dado sua palavra, e, aborrecida, continuou a seguir sua guia imbecil.
 

Mal teve tempo de perceber o que estava acontecendo, quando a cauda se enfiou num enorme espinheiro. Ela e a cabeça começaram a se virar, contorcer e retorcer tentando livrar-se, mas cada vez mais elas ficavam emaranhadas.

Por mais que insistissem, estavam tão presas entre os espinhos que não conseguiam mais se soltar. Acabaram perecendo. Tudo por causa da teimosia e estupidez da cauda em achar que podia guiar a cabeça!


O jogo do poder em empresas familiares é um dos responsáveis pelo afastamento do fundador da liderança dos negócios em favor do controle de um ou mais herdeiros.

Há casos em que o resultado desta substituição é positivo – por circunstâncias favoráveis, ou por ação de uma consultoria especializada. Por outro lado, o volume de insucessos é tão assustadoramente grande, que muitos de nós sabemos declinar nomes de grandes negócios familiares do passado e do presente que sucumbiram à administração de herdeiros. Muitos deles estavam até preparados tecnicamente, contudo, imaturos, iludidos sobre sua capacidade de discernimento e, o pior, apaixonados demais por seus egos. Pontos e mais pontos comuns à fábula de meu querido mestre.

A moral? Aqui vai: “Ai daqueles que se deixam guiar por tolos e arrogantes. Feliz é quem segue a orientação dos prudentes, sábios e humildes”.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

domingo, maio 16, 2010

TRATADO NÃO É CARO

ABRAHAM SHAPIRO

Um médico e um advogado se encontram numa festa.

- Frequentemente eu sinto terríveis dores de cabeça - comenta o advogado. O senhor pode indicar-me um remédio?

Meio a contragosto, o médico atendeu à solicitação do amigo, e em seguida perguntou-lhe:

- Como você lida com as pessoas que lhe pedem conselhos profissionais durante uma festa?

- É fácil - diz o advogado. – Eu mando a conta para elas, no dia seguinte.

No outro dia, o médico enviou através de um mensageiro uma conta de cem reais ao advogado. Pouco depois, ao saber que o rapaz trouxera o dinheiro, ele ficou todo feliz! Mas sua alegria não durou muito. Junto com o dinheiro, havia um bilhete do advogado em que se lia: 'O meu conselho ficou em cento e cincoenta reais!'


O mundo dos negócios refelete muito a personalidade de seus gestores e dirigentes. Há pessoas naturalmente corretas e justas, que se preocupam em cumprir suas obrigações. Mas há aquelas que não escondem sua mesquinhez e desonestidade. É triste ver que estas últimas são muitas vezes exaltadas.

Fazer negócio com gente correta é o céu. Com as outras, é um verdadeiro inferno.

Um problema frequente na prestação de serviços: o contratante acrescenta esta e mais aquela atividade, e depois faz-se de bobo, como se nada devesse. Não toca mais no assunto a fim de não pagar o valor suplementar. E se o contratado cobra, ouve os mais duros discursos sobre injustiça. Coisa de aproveitador.

Um colega meu de consultoria confidenciou-me que suas notas fiscais de combustível e refeições eram pagas sob protesto e com atraso de até trinta dias pela empresa que ele atendia. O contrato rezava que o contratante devia pagar suas despesas assim que as notas fossem apresentadas. Mas o gerente responsável era "espertinho" e esquecia de autorizar. O pior é que sua conduta era louvada pelos superiores que viam nela uma forma de economia. No entanto, ignoravam que por causa deste mesmo gerente, a empresa tomava prejuízos enormes por conta de seu amadorismo e também de seus funcionários, que mal sabiam seus objetivos e funções específicas na empresa.

A verdade está expressa naquela antiga sentença popular: “O que é tratado não é caro”. O que é do outro, não nos pertence; e vice-versa. Mude isso, e você será um bandido. Não importa como, nem quando.

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sexta-feira, maio 14, 2010

CLARO, COMO A LUZ DO DIA!

ABRAHAM SHAPIRO

Clareza tem tudo a ver com resultados. Meia vida, ou mais, se perde por falta de entendimento claro sobre as coisas. E bastante dinheiro vai junto.

Observe como isto é certo. Você solicita algo a um de seus funcionários. Em seguida pergunta: “Entendeu?” Como por aqui ninguém admite limitações pessoais, e para piorar mantém um ego maior do que as pirâmides do Egito, as pessoas respondem sempre: “Entendi, sim senhor!” Em seguida, elas saem, fazem as coisas de seu próprio modo, e só ao retornar descobrem que não haviam entendido patavinas do que você lhes pediu.

Falhas de comunicação viram erros e defeitos com grande facilidade e frequência.

Imagine cada funcionário da sua empresa cometendo erros. E eles cometem! Todos os dias. Erros que não são contabilizados. E quem paga? Vá conferir. E de quem é a culpa? Quer saber? É da falta de habilidade na comunicação.

Isto pode mudar, se você quiser. É possível aprender a se comunicar bem. Para começar, olhe para o fato de que você não nasceu sabendo nada do que mais domina hoje. Teve de aprender tudo. Como aprende? Mudando comportamentos. Agora defronta-se com a realidade de que promover novas mudanças será mais barato do que continuar gastando com retrabalhos idiotas.

E há outro agravante. Por estas bandas você não encontra profissional completo ou pronto. Parte da formação desejável no perfil ideal do candidato que  você busca, terá de ser completada dentro empresa, depois de contratado. Sem isso, não há como salvar os seus funcionários do amadorismo.

O sobre a comunicação? O que fazer? Comece questionando mais. Substitua a frase: “Você entendeu?” por um pedido a que o colaborador diga com suas próprias palavras o que pretende praticar após sair de sua sala. Você verá nisso uma atitude que irá produzir acertos abençoados, poupando um rio de prejuízos e dores de cabeça.

Para finalizar, veja o que ocorre nesta cena. O sujeito entra num bar e o garçom chega dizendo:

- Boa noite, o que o senhor toma?

O fulano responde: 

- Eu tomo vitamina C pela manhã, o metrô para ir ao serviço e uma aspirina para dor de cabeça.

O garçom, paciente, retifica:  

- Desculpe, senhor. Acho que não fui claro. Quis saber o que o senhor gostaria?

- Tudo bem! – diz o cliente – Eu gostaria de ter uma Ferrari, uma linda namorada e 1 milhão de dólares na conta.

- Não é nada disso, cavalheiro! - continua o garçom. - Eu só preciso saber o que o senhor deseja beber.

- Agora sim! - diz o sujeito -  Bem... então me diga  o que é que você tem?

E o garçom: 

- Eu? Nada, não! Imagine. Só estou um pouco chateado porque o meu time perdeu para o Corinthians hoje à tarde!

Viu só? Imagine como não deve ser nas empresas por aí!

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quinta-feira, maio 13, 2010

A VIDA QUASE ARRUINADA

ABRAHAM SHAPIRO

Chamado às pressas, no meio da noite, o médico chega todo esbaforido à casa de um rico empresário cuja esposa adoeceu. Pede a todos que se retirem do quarto, pois precisa ficar só com a paciente e examiná-la.

Apreensivo, o marido fica do lado de fora do quarto. Ouve barulhos estranhos e depois de alguns minutos, o médico enfia a cabeça pela porta e lhe pergunta:

- O senhor tem um alicate? 


O marido busca um alicate. A porta torna a se fechar. Mais barulho estranho. Instantes depois, a cabeça do médico reaparece na soleira da porta:

- O senhor tem uma chave de fenda?

Espantado, o marido vai buscar a chave de fenda.

Mais tempo, e de novo: 


- O senhor tem uma furadeira? E o marido, desesperado:

- Furadeira? O caso dela é tão grave assim?

- Ainda não sei - sentencia o doutor - Não consegui nem abrir a minha maleta!



Leonardo da Vinci, que viveu no século XVI, e quase todo mundo conhece, foi pintor, músico, arquiteto, inventor e muito mais. E saiu-se bem em tudo o que fez.

Hoje em dia, dificilmente as pessoas têm senão uma habilidade especificamente desenvolvida.  Vivemos numa época que pode receber o apelido de Era da Especialização em que  o domínio da cultura geral tornou-se escasso. Dificilmente um profissional sabe discorrer sobre outro assunto que não seja de seu métier.

Nossa capacidade essencial, contudo, pode muito mais que isso. Tranquilamente! O que talvez esteja ocorrendo é que a exigência de qualquer desempenho  traduzir-se  em resultados financeiros elevados e crescentes tenha se tornado uma obcessão a ponto de minimizar o valor da dedicação à leitura de um bom livro ou  à audição  de boa música, ir ao teatro, caminhar com calma, cultivar um hobby etc. Estamos e somos uma função do trabalho, trabalho e mais trabalho. E o que se ganha realmente com isso? Nunca fomos tão pobres. Nesta geração os pais desconhecem seus filhos. As crianças aprendem  comportamentos básicos com  babás e professores que também não educaram seus próprios filhos. Por quê? Suas mães lutam por um salário. Mas tanto esforço tem semeado mais amargura do que prosperidade financeira no seio da família.

Há algo de errado nisso. Tenho certeza de que todo mundo vê o mesmo que eu. Mas tem medo de admitir. Tem um terror de nadar contra a correnteza. Um pensamento é certo:  nesse estado de coisas, o próximo nível deste jogo delirante será a consolidação de uma crise existencial de proporção inimaginável. E ela já  a se alastra. A responsabilidade é de cada um.

Por mais patológico que isto seja,  temos o poder, por nós próprios, de dar novo sentido à vida e ao trabalho, e vê-los desde uma perspectiva mais ampla, útil e menos materialista.  O que isto significa para você?

Pense a  respeito. A família - já confusa, e talvez quase perdida -  agradece de coração e alma.

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quarta-feira, maio 12, 2010

DIFERENÇAS

ABRAHAM SHAPIRO

As pessoas são diferentes. Elas agem diferente  e pensam diferente. Diferem em produtividade, em habilidade e talento;  variam em sua propensão para alcançar resultados de alta qualidade. Elas diferem na maneira pela qual querem ser empoderadas e envolvidas. Diferem no estilo de liderança que preferem e de que necessitam. Diferem em suas necessidades de contato com outras pessoas. Diferem na qualidade de comprometimento e lealdade à empresa, em seu nível de autoestima e autoconfiança.

A maior sabedoria a ser aplicada no bom relacionamento é jamais julgar. Faça tudo o que estiver a seu alcance para compreender.

Ninguém é igual a ninguém. Todas as pessoas têm defeitos e qualidades que as fazem únicas de tal forma que cada uma tem todo um conjunto de linguagem emocional e uma forma de lidar com a sociedade que é só sua. Cada um é um, único.

O problema disso começa, e se agrava, quando se deseja impor seu jeito individual de ser aos demais, criando uma grande dificuldade de comunicação e trazendo dor e sofrimento para ambas as partes.

Por conter todos os tipos possíveis de indivíduos, o que é muito positivo, a sociedade se beneficia da diversidade. São as nossas diferenças que garantem a inovação e a criatividade. Estes fatores são os que mais contribuem para que não haja estagnação. Observe uma reação que comprova isso. Basta declarar sobre determinado assunto que não existe mais nada a desenvolver, e logo em seguida aparece alguém que o enxerga sob outra ótica, vê pontos que anteriormente havia passado despercebidos e os conceitos existentes sofrem mudanças.

Um sujeito colocava flores no túmulo de um parente, quando viu um oriental colocando um prato de arroz na lápide ao lado. Ele se vira para o oriental, dá uma risada e pergunta:


- Desculpe, mas o senhor acha mesmo que o defunto virá comer o arroz?


O oriental pensa um pouco, e então responde:


- Sim, quando o seu vier cheirar as flores.


Moral da História: Respeitar as opções do outro, em qualquer aspecto, é uma das maiores virtudes que um ser humano pode ter.
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terça-feira, maio 11, 2010

CELEBRANDO

ABRAHAM SHAPIRO

Tenho a honra de comunicar que na data de hoje, 11 de maio de 2010, chegamos à marca dos 13 mil assinantes do blog PROFISSÃO ATITUDE.

Este número muito nos alegra, pois grandes jornalistas e blogueiros não chegaram a isso, enquanto nós, humildemente, temos recebido retornos de leitores de todo o mundo com elogios, concordâncias e também discordâncias das ideias que aqui publicamos.

A todos vocês sou muito, muito grato.

Estamos em todo o planeta, nos cantos mais distantes. Temos assinantes no Japão, na Rússia, em países árabes, na China, em toda a Europa, nas três Américas, na Oceania, em desertos e geleiras, por incrível que pareça.

Por favor, convidem seus amigos e colegas a assinarem nosso blog através da inserção do e-mail na caixa que se situa no alto da página, à direita. Vamos trabalhar para dobrar este número nos próximos dias. Depende do esforço de todos.

Outra vez: muito obrigado!
Thanks a lot.
Vielen dank.  ,
תודה רבה
 شكرا جزيلا
Большое спасибо
Merci beaucoup,
Muchas gracias
おかげで多くの
Bardzo dziękuję
דאַנק אַ פּלאַץ
बहुत बहुत धन्यवाद
Велике спасибі
Díky moc
Grazie mille
Muito obrigado!!!
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'NEM AÍ' COM O CLIENTE

ABRAHAM SHAPIRO

Muito nervoso, o cliente grita:

- Garçom, essa sopa está com gosto de inseticida!

O garçom inconformado  resmunga:

- Cliente nunca fica satisfeito mesmo! Se tem mosca, reclama. Se a gente toma uma providência, reclama também!

Uma revista trouxe na matéria de capa uma reportagem com os dados de uma pesquisa bastante séria. A maior parte das empresas brasileiras acredita que presta um ótimo serviço a seus consumidores, exaltam o “foco no consumidor”, a “satisfação total” e o “cliente sempre em primeiro lugar”. Teoria bonita e politicamente correta. Escrevem isto em folders, na homepage e nos manuais de integração de funcionários. Mas quando se averigua como põem em prática, descobre-se um abismo que separa o que elas dizem da cruel realidade que os clientes vivenciam na pele cada vez que necessitam de seus mínimos direitos. Nesta hora, o discurso torna-se mais uma falácia empresarial, um modismo corporativo que, de tão falado e poquíssimo vivido, é chato, cansativo e mentiroso.

Sejamos honestos. Isto não é de surpreender. O que ocorreu é que, empurradas pela competição, empresas do mundo todo passaram a pregar a satisfação total do consumidor como chamariz, achando que isso fosse possível. Antes de qualquer objetivo, negócios só existem para dar lucro e para gerar riqueza aos seus acionistas.

No livro “Dobre seus Lucros”, o autor Bob Fifer diz que ‘maximizar a satisfação do cliente é um blá-blá-blá sem qualquer sentido’. Quem quiser mesmo ‘maximizar’ a satisfação do cliente, trate de reduzir seu preço a zero ou dar ao cliente uma viagem ao Caribe totalmente grátis. Para Fifer, tudo isso é puro cinismo.

Ao comprar um produto ou serviço, o que os consumidores querem é a verdade. O erro zero é impossível. Não é preciso desperdiçar recursos com fórmulas mirabolantes. O que o consumidor espera é que tudo esteja de acordo com o que foi prometido antes da venda, o que é básico. Ele quer que o compromisso da entrega seja fielmente honrado quanto à garantia, ao pós-venda e aos demais detalhes da propaganda. Nada mais, nada menos.

O lamentável é ver que muitas empresas mal fazem o mínimo, continuam na praça e, no final, querem mais que o cliente se exploda.
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segunda-feira, maio 10, 2010

QUESTÃO DE PRINCÍPIOS?

Artigo publicado no JL - Jornal de Londrina, em 10/05/2010, na coluna Profissão Atitude


ABRAHAM SHAPIRO

Uma das coisas mais importantes que observo nas pessoas excelentemente ajustadas ao trabalho é o amor à paz e a busca pela paz em tudo o que fazem. Já, o elemento comum entre todas as desajustadas é o apego ao ego.

Nosso ego gosta de louvores. Quer estar em evidência em eventos e sob o foco das referências verbais de todos. O que ele faz para conseguir isso? Um de seus meios mais utilizados é o disfarce em princípios. Nos mais retos e bem orientados princípios de vida, o ego esconde racionalizações com que habitualmente justificamos grosserias e egocentrismos. Surpreendente, mas irônico também. Quantas amizades, casamentos e sociedades não foram destruídos por egos disfarçados de elevados princípios?

Já ouviu: “Não posso concordar com isso. Não que não queira, mas por questão de princípio”? “Não tem nada a ver comigo. Só preciso ensinar a ele quais são os meus princípios”! “Por mim, até deixo passar. Mas tenho por princípio não perdoar ninguém até que peça desculpas formais. ‘Sinto muito’ não é suficiente para mim!” Egoísmo e arrogância traduzidos em retidão e justiça.

Entramos em discussões por motivos aparentemente corretos, quando na verdade estamos com o orgulho ferido ou o ego magoado. A voz do ego grita como uma criança mimada. Exige coisas como o ‘queridinho da mamãe’! E o resultado? Tendemos quase sempre a “ensinar uma boa lição de comportamento a alguém” ou a impor nossa vontade “justa e correta”.

Se alguém não falar conosco com o respeito que nos deve, ou não nos tratar da maneira como queremos, então é que levantamos mais alta a bandeira da justiça e retidão. Onde estará o ego neste momento? Em busca do trono.

Vou contar algo que vi de perto. Encontrei uma pessoa alegre e descontraída, um senhor já de idade. Sua conduta em relação às pessoas era consistente e optava por ignorar insultos e evitar intrigas de qualquer um. Certo dia alguém lhe sugeriu: “Não é certo que outros lhe tratem sem o respeito máximo. O senhor é um sábio, devia exigir ser bem tratado.” Ele parou por alguns segundos, pensou, e então respondeu carinhosamente: “O princípio mais importante que sigo é que eu, sim, devo tratar os outros com o máximo respeito. Quando ajo assim, espero que eles captem o meu exemplo. Desejo viver uma vida prazerosa. Ao exigir que os demais me tratem com respeito não consigo que me respeitem de verdade. Aí acabo aflito e sem de alegria. Portanto, prefiro trabalhar sobre condições reais de vida do que permitir que o meu ego se fantasie de bons princípios!”

É profundo. Merece análise e um exame de consciência. Depois, talvez, repaginar nosso modo de praticar nossos princípios.
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