terça-feira, março 04, 2014

APRENDA PARA ENSINAR

ABRAHAM SHAPIRO

Imagine que você encontre um extraterrestre vindo de uma galáxia distante para comunicar uma mensagem importante aos terráqueos. O que você faria? Com certeza iria dizer:
- “Preciso contar a todos sobre isso! De que galáxia você diz ter vindo? E esses tentáculos? Eles funcionam, mesmo?”
Você começaria a pensar, analisar e focar tudo, porque há um público gigantesco de seres humanos esperando pelas suas palavras.
Este é um caso bastante extremo e, por enquanto, hipotético. Mas pode ser trazido para a realidade.
O que quer que aprendamos – seja em livros, palestras ou com a vida – devemos compartilhar com os demais. Foi fascinante para nós? Pode nos mudar? Ensina algo sobre "como viver"? Então, é preciso, agora, que pensemos como transferir esse conhecimento para os outros.
Aprender para ensinar! Isto é um ato de grandeza. A filosofia é: “Não guarde só para si. Se vale a pena, compartilhe!”
Defina qual é o ponto que mais lhe desperta a atenção. Entenda-o com máxima clareza possível. Imagine de que modo você irá explicar aos demais. Depois: divida com eles.
Essa técnica vale para todas as experiências da vida – voltando das férias, por exemplo, qual será a mensagem que podemos transmitir aos amigos quando os encontrarmos?
Em tudo o que fazemos – no zoológico, numa festa, lendo o jornal – continuemos nos perguntando: “Qual é o valor desta informação? O que ela me ensina?” E então: “quem mais poderia se beneficiar disto...  e como posso compartilhar?”
Não perca nenhuma oportunidade.
A ideia de ensinar deixa muitas pessoas desconfortáveis. Elas se julgam inadequadas por terem consciência de não serem perfeitas ou de ainda não conseguirem viver o que aprenderam. Mas isto é só racionalização ou desculpa, pois, na verdade, ninguém é perfeito e nenhum indivíduo consegue viver de imediato um terço daquilo que aprende. Requer tempo, esforço e muita persistência.  No entanto, o esforço é que conta!
Os melhores professores cometem erros. No início mais do que depois.
A aprendizagem da vida é como andar de bicicleta: quanto mais o fazemos, mais fácil se torna.
Ninguém jamais chegou a ser um grande mestre sem tropeçar ou fracassar algumas vezes. Assim, comece a sua parte hoje. Aprenda.... e depois ponha-se a ensinar. Você pode! Você deve!
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Abraham Shapiro é consultor e coach. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é "simplicidade". É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome". E-mail: shapiro@shapiro.com.br Fone: 43. 8814.1473

segunda-feira, março 03, 2014

O E-MAIL DE MATHIAS KASSLER: PROVÉRBIOS E SLOGANS

ABRAHAM SHAPIRO

O Sr Mathias Kassler, de Rolândia, Paraná, enviou-me uma pergunta por e-mail. Vamos a ela:
“Um dos gerentes da nossa empresa costuma incluir frases na assinatura de seus e-mails. Às vezes de motivação, outras de cunho religioso ou até de grandes pensadores ou filósofos. Recentemente ele sugeriu que incluamos um pensamento célebre na assinatura geral da empresa. Qual é a sua opinião sobre isso?”
Prezado Matias.
Eu sou dramaticamente contra isso. E a razão é simples. A intenção pode ser boa. Mas uma empresa não deve se expor a ponto de resumir-se a uma filosofia que nada tenha com seu trabalho ou posicionamento.
O pessoal do marketing costuma criar slogans. Um slogan é diferente de um provérbio –  desses que se encontram com frequência em Mídias Sociais, atribuídos a Einstein ou Freud. Eu sei que quase todos jamais foram ditos por nenhum dos dois. Mas o fato é que qualquer frase acompanhada do nome de Einstein tem a garantia de que será lida e compartilhada, até porque as pessoas o admiram, mesmo que o desconheçam.
Um slogan é uma frase de fácil memorização que resume as características de um produto, serviço, marca ou até mesmo de uma pessoa. Quem não se lembra das “mil e uma utilidades de Bombril”, “de mulher pra mulher – Marisa” ou “só Omo produz o branco mais branco”?
Os slogans são expressões feitas para serem repetidas comunicando uma ideia ou um propósito. Estão na política, na religião e no comércio.
Um ditado ou provérbio é outra coisa. Representa algo geralmente distante de um negócio. Haverá os que concordam e os que discordam dele. Você, no seu caso específico, deve analisar o que os clientes pensarão depois de lerem a bendita frase do seu funcionário, por mais bonita que seja.  Talvez pensem – ou sintam, ou percebam – que a sua empresa “não serve” pra eles. É o que você quer? Sei que não. Então não corra este risco fatal!
Deixe religião, política, futebol e filosofia – assim como tudo o que se transforma em emoção, impressão ou sentimento – bem longe da identidade visual da sua empresa. Só assim o cliente terá a liberdade de chegar... e sentir-se, de fato, perto dela.
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Abraham Shapiro é consultor e coach. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é "simplicidade". É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome". E-mail: shapiro@shapiro.com.br Fone: 43. 8814.1473

domingo, março 02, 2014

BIG DATA: A REVOLUÇÃO DA GESTÃO DO CONHECIMENTO



Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee

    "Não dá para administrar o que não se mede"

    Há muita sabedoria nesta máxima, que já foi atribuída tanto a W. Edwards Deming quanto a Peter Drucker e explica por que a recente explosão de dados digitais é tão importante. Resumindo, devido ao chamado “big data”, um gestor pode medir — e, portanto, saber — muitíssimo mais sobre o negócio, e converter esse conhecimento diretamente em decisões e resultados melhores.

    Peguemos o varejo. O comércio livreiro tradicional, com lojas físicas, sempre teve como saber que livros vendiam ou não. Se tivesse um programa de fidelidade, dava até para descobrir que cliente tinha comprado esse ou aquele livro. E era só. Quando o comércio foi para a internet, no entanto, o conhecimento sobre a clientela aumentou radicalmente. Varejistas eletrônicas podiam monitorar não só o que o público comprava, mas também que outros itens checava; como navegava pelo site; até onde era influenciado por promoções, resenhas e pela organização das páginas; e semelhanças entre indivíduos e grupos. Em pouco tempo, criaram algoritmos para prever que livro um certo cliente gostaria de ler em seguida — algoritmos que iam melhorando cada vez que o cliente aceitava ou ignorava uma recomendação. O varejo tradicional simplesmente não tinha como obter esse tipo de informação — que dirá agir com base nela no momento oportuno. Não é à toa que a Amazon levou à falência tanta livraria tradicional.

    A familiaridade da história da Amazon é tanta que quase mascara sua força. Hoje, é normal esperarmos, de empresas que já nasceram digitais, proezas que não passavam de sonho para executivos de uma geração atrás. Só que o fenômeno do big data tem o potencial de transformar empresas tradicionais também, ao abrir oportunidades ainda maiores para que consigam vantagem competitiva (empresas digitais sempre souberam que a vitória dependeria de quão bem entendessem seus dados). Como veremos em mais detalhe, o big data dessa nova revolução tem muito mais força do que a analítica usada ​​no passado. Podemos medir e, portanto, administrar de forma mais precisa do que nunca. Podemos fazer projeções melhores e tomar decisões mais inteligentes. Podemos promover intervenções direcionadas, mais eficazes — e isso em áreas onde até aqui imperavam o instinto e a intuição, não dados e rigor.

    À medida que forem se disseminando, ferramentas e filosofias do big data vão mudar velhas ideias sobre o valor da experiência, a natureza do conhecimento e a prática da administração. Líderes sagazes de tudo quanto é setor encararão o uso do big data como aquilo que realmente é: uma revolução na gestão. Mas, como com qualquer outra grande mudança na atividade empresarial, o desafio de habilitar a organização para o uso dessa imensidão de dados pode ser enorme e exigir o envolvimento direto — ou, em certos casos, o distanciamento — da liderança. É, contudo, uma transição que executivos precisam encarar hoje.

    Qual a novidade?

    Volta e meia executivos nos perguntam se “big data” não é apenas outro jeito de dizer “analítica”. É verdade que há relação entre os dois: o movimento do big data, assim como o da analítica antes dele, busca extrair informações de montanhas de dados e converter isso tudo em vantagem competitiva. Há, contudo, três grandes diferenças:

    Volume. No presente, 2012, cerca de 2,5 exabytes de dados são criados todo dia, número que dobra a cada 40 meses, por aí. O volume de dados que circulam a cada segundo pela internet é maior do que toda a informação armazenada na rede 20 anos atrás. Isso dá a empresas a oportunidade de trabalhar com vários petabytes de dados em um único conjunto de dados — e não só oriundos da internet. Calcula-se, por exemplo, que o Walmart reúna mais de 2,5 petabytes de dados por hora de transações de clientes. Um petabyte é um quatrilhão de bytes, ou o equivalente ao texto guardado em cerca de 20 milhões de arquivos de aço. Um exabyte é mil vezes esse número, ou um bilhão de gigabytes.


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    Velocidade. Em muitos casos, a velocidade de geração de dados é ainda mais importante do que o volume. A informação em tempo real, ou quase, permite à empresa ser muito mais ágil do que concorrentes. Um exemplo: nosso colega Alex Pentland (junto com sua turma no MIT Media Lab) usou ​​dados de localização de celulares para inferir quanta gente havia nos estacionamentos da loja de departamentos americana Macy’s durante a chamada Black Friday, que inaugura a temporada natalina de compras nos Estados Unidos. Com isso, foi possível estimar as vendas da varejista naquele dia crucial antes mesmo de a Macy’s ter registrado essas vendas. Insights rápidos como esse podem dar uma óbvia vantagem competitiva para analistas do mercado financeiro e gestores de empresas.

    Variedade. O big data inclui mensagens, atualizações e imagens postadas em redes sociais; leituras de sensores; sinais de GPS de celulares e por aí vai. Muitas das fontes mais importantes dessa profusão de dados são relativamente novas. A imensa quantidade de informação disponível em redes sociais, por exemplo, tem a mesma idade das redes em si: o Facebook foi lançado em 2004, o Twitter em 2006. O mesmo vale para smartphones e outros aparelhinhos móveis que hoje trazem levas imensas de dados ligados a pessoas, atividades e lugares. Dada a disseminação desses aparelhos, é fácil esquecer que o iPhone foi lançado há apenas cinco anos e o iPad, em 2010. Logo, bancos de dados estruturados que até bem pouco guardavam o grosso das informações de empresas são inadequados para armazenar e processar o big data. Ao mesmo tempo, a contínua queda no custo de todos os elementos da informática —armazenamento, memória, processamento, largura de banda e outros — significa que abordagens fundadas no uso intensivo de dados, até então caríssimas, rapidamente barateiam.

    Com mais e mais atividade empresarial sendo digitalizada, novas fontes de informação e equipamentos cada vez mais baratos se unem para inaugurar uma nova era — era que traz grandes volumes de informação digital sobre praticamente todo assunto de interesse para a empresa. Telefones celulares, compras na internet, redes sociais, comunicação eletrônica, GPS e maquinário computadorizado produzem torrentes de dados como subproduto de sua operação normal. Cada um de nós hoje é um gerador ambulante de dados. Embora os dados produzidos em geral sejam desestruturados (não organizados em bancos de dados) e confusos, há uma tremenda quantidade de sinal em meio ao ruído, só esperando para ser liberado. A analítica trouxe técnicas rigorosas à tomada de decisão; o big data é, a um só tempo, mais simples e mais poderoso. É como diz o diretor de pesquisa do Google, Peter Norvig: “Não temos algoritmos melhores. Temos apenas mais dados”.

    Como se saem empresas movidas a dados

    A segunda pergunta que a ala cética pode fazer é a seguinte: “Onde está a prova de que um uso inteligente do big data irá melhorar o desempenho da empresa?”. Publicações de negócios estão cheias de relatos e estudos de caso que supostamente demonstrariam o valor de agir com base em dados. Mas a verdade, descobrimos há pouco, é que ninguém estava sendo rigoroso na busca de uma resposta. Para preencher essa lacuna constrangedora, lideramos uma equipe no MIT Center for Digital Business, trabalhando em parceria com o departamento de tecnologia empresarial da McKinsey e com a colega Lorin Hitt, da Wharton, e Heekyung Kim, doutorando do MIT. Queríamos testar a hipótese de que empresas movidas a dados teriam um desempenho melhor. Fizemos entrevistas estruturadas com executivos de 330 empresas norte-americanas de capital aberto sobre suas práticas de gestão organizacional e de tecnologia, e reunimos dados de desempenho disponíveis em balanços anuais e fontes independentes.

    Nem todo mundo abraçara a tomada de decisões movida a dados. Aliás, descobrimos uma grande variedade de atitudes e abordagens em todo setor. Em todas as análises que fizemos, contudo, uma relação se destacou: quanto mais a empresa se caracterizava como movida a dados, melhor era seu resultado em indicadores objetivos de desempenho financeiro e operacional. Em particular, empresas no terço superior do respectivo setor no uso de dados na tomada de decisões eram, em média, 5% mais produtivas e 6% mais rentáveis do que as concorrentes. Essa diferença de desempenho seguia forte mesmo após computada a contribuição de mão de obra, capital, serviços adquiridos e investimentos tradicionais em TI. Era estatisticamente relevante e economicamente importante e se refletia em um aumento mensurável do valor de mercado da empresa.

    Como, então, o big data está sendo usado por gestores? Examinemos em detalhe duas empresas que de novatas do Vale do Silício não têm nada. Uma usa o big data para criar novos negócios, a outra para turbinar as vendas.


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    Mais precisão no horário de chegada de aviões

    Em um aeroporto, todo minuto importa. A exatidão das informações sobre o horário previsto de chegada de voos também. Se um avião pousa antes de o pessoal em solo estar pronto, passageiros e tripulação ficam literalmente presos na aeronave. Já se chega depois do esperado, o pessoal fica parado, elevando custos. Logo, quando um estudo interno revelou a uma grande companhia aérea americana que havia uma diferença de dez minutos entre o horário previsto de chegada e o horário efetivo de chegada de cerca de 10% dos voos em seu principal aeroporto — e de pelo menos cinco minutos em 30% dos voos —, a diretoria decidiu agir.

    Na época, a companhia seguia a velha prática do setor de usar a estimativa de horário de chegada feita por pilotos. Era uma estimativa feita na fase final de aproximação do aeroporto, quando o tempo e a atenção do piloto estavam comprometidos com muitas outras coisas. Em busca de uma solução melhor, a companhia procurou a PASSUR Aeroespace, fornecedora de tecnologias de apoio a decisões para a indústria da aviação. Em 2001, a PASSUR lançou o serviço RightETA para informar suas próprias estimativas de horário de pouso. Para calcular esse horário, combinava dados de caráter público sobre o tempo, a programação de voos e outros fatores com dados exclusivos coletados pela própria empresa, incluindo registros de uma rede de estações de radar passivo que instalara perto de aeroportos para coletar dados sobre todo avião voando nas redondezas.

    A PASSUR começou com um punhado dessas instalações. Em 2012, já eram mais de 155. A cada 4,6 segundos, a empresa coleta uma grande variedade de informações sobre todo avião que “vê”. Isso produz uma leva imensa e constante de dados digitais. Além disso, já que guarda todos os dados registrados ao longo do tempo, a PASSUR tem um imenso estoque de informação multidimensional que abrange mais de uma década. Isso permite análise sofisticada e detecção de padrões. O mecanismo essencial de operação do RightETA é perguntar “o que aconteceu todas as outras vezes em que um avião se aproximou desse aeroporto nessas mesmas condições? Qual foi o horário efetivo de pouso?”.

    Depois de adotar o RightETA, a companhia aérea do caso praticamente eliminou o vão entre os horários estimado e efetivo de chegada de voos. A PASSUR acredita que a capacidade de saber quando seus aviões vão pousar e se planejar para isso representa um valor de milhões de dólares ao ano para uma companhia aérea em cada aeroporto. É uma fórmula simples: usar o big data leva a projeções melhores e projeções melhores levam a decisões melhores.

    Promoções mais rápidas, mais personalizadas

    Há coisa de dois anos, a Sears Holdings chegou à conclusão de que precisava aproveitar melhor o gigantesco volume de dados de clientes, produtos e promoções que obtinha das redes de varejo do grupo (Sears, Craftsman e Lands’ End). Obviamente, seria valioso combinar e fazer uso de todos esses dados para adaptar promoções e outras ofertas à clientela, e para personalizar ofertas a fim de tirar partido de condições locais. Valioso, mas difícil: a Sears precisava de cerca de oito semanas para conceber promoções personalizadas, altura na qual muitas já não eram ideais para a empresa. E demorava tanto, basicamente, porque os dados exigidos para essa análise de grande escala eram volumosos e altamente fragmentados, depositados que estavam em vários bancos de dados e “data warehouses” mantidos pelas distintas cadeias.

    Em busca de um meio mais rápido e barato de executar esse trabalho analítico, a Sears Holdings recorreu a tecnologias e práticas do big data. Uma das primeiras medidas foi criar um cluster Hadoop. É, basicamente, um conjunto de servidores comuns, de baixo custo, cujas atividades são coordenadas por um novo modelo de software, o Hadoop (nome de um elefantinho de brinquedo do filho de Doug Cutting, um de seus criadores).

    A Sears começou a usar o cluster para armazenar dados que chegavam de todas as lojas do grupo e que já estavam em data warehouses da empresa. Em seguida, fez análises diretamente no cluster, evitando a complexidade e a demora de coletar dados em distintas fontes e combiná-los para que pudessem ser analisados. Com essa mudança, a empresa ficou muito mais ágil e certeira em suas promoções. Segundo o diretor de tecnologia da Sears, Phil Shelley, o tempo exigido para produzir um grande bloco de promoções caiu de oito semanas para uma — e segue diminuindo. Além disso, são promoções melhores — pois chegam na hora certa, são mais focadas e mais personalizadas. O cluster Hadoop da Sears armazena e processa vários petabytes de dados a uma fração do custo de um data warehouse equiparável.
    Shelley se diz surpreso com o fácil que foi migrar de velhas para novas abordagens à gestão de dados e à analítica de alto rendimento. Já que o know-how e o conhecimento nessas novas tecnologias de dados eram coisa rara em 2010, quando a Sears iniciou a transição, foi preciso contratar outra empresa, a Cloudera, para realizar parte do trabalho. Com o tempo, no entanto, o próprio time de profissionais de TI e analítica do grupo passou a dominar as novas ferramentas e abordagens.

    Os dois exemplos — o da PASSUR e o da Sears Holdings — demonstram o poder do big data, que permite projeções mais certeiras, decisões melhores e intervenções precisas. E tudo isso em escala aparentemente ilimitada. Já vimos o big data sendo usado na gestão da cadeia de suprimento (para explicar por que índices de defeito de carros de uma montadora subiram repentinamente), no atendimento ao cliente (para monitorar e intervir continuamente em hábitos de saúde de milhões de pessoas), na atividade de planejamento e projeção (para prever melhor vendas por internet com base em dados sobre atributos de um produto) e por aí vai. Vimos retornos parecidos em várias outras áreas e atividades, de finanças a marketing, de hotelaria a jogos, da gestão de recursos humanos ao conserto de máquinas.

    Nossa análise estatística nos diz que o que estamos vendo não é só um punhado de exemplos extraordinários, mas uma transformação mais fundamental da economia. Estamos convencidos de que quase nenhuma esfera da atividade empresarial ficará de fora dessa mudança.

    Uma nova cultura para a tomada de decisões

    Desafios técnicos do uso do big data são bem reais. Mas os desafios de gestão são ainda maiores — a começar pelo papel da alta equipe executiva.

    Calar os HiPPOs. Um dos aspectos mais críticos do big data é seu impacto sobre a forma como decisões são tomadas — e quem as toma. Quando não há muitos dados, é caro consegui-los ou não estão disponíveis em formato digital, faz sentido deixar que indivíduos bem situados tomem decisões, pois o fazem com base na experiência que adquiriram e em padrões e relações que observaram e internalizaram. “Intuição” é o nome dado a esse estilo de inferência e tomada de decisão. A pessoa dá sua opinião sobre o futuro — o que vai acontecer, se algo dará certo ou não — e, com base nisso, traça planos (veja “As verdadeiras medidas do sucesso”, de Michael J. Mauboussin, nesta edição).

    Se a decisão é particularmente importante, esses indivíduos em geral são lá do alto da organização — ou, então, gente de fora contratada a peso de ouro por sua experiência e histórico. Na comunidade do big data, muitos sustentam que a maioria das 

    decisões importantes de uma empresa seguem a “HiPPO”: “the highest-paid person’s opinion”. Literalmente, a opinião da pessoa mais bem paga.

    É verdade que muitos executivos se pautam de verdade por dados e estão dispostos a passar por cima da própria intuição quando essa informação a contradiz. A nosso ver, no entanto, o meio empresarial hoje em dia aposta muito mais na experiência e na intuição do que em dados. Em nosso estudo, criamos uma escala composta de 0 a 5 para medir até que ponto uma empresa era movida a dados. Nada menos que 32% dos entrevistados deram à respectiva empresa nota igual ou inferior a 3 nessa escala.

    Novos papéis. Executivos interessados ​​em conduzir a transição para o big data podem começar com duas técnicas bem simples. A primeira é cultivar, quando diante de uma decisão importante, o hábito de perguntar o que os dados dizem e seguir essa pergunta de outras mais específicas, como “De onde vieram os dados?”, “Que tipo de análise foi feita?” e “Até que ponto acreditamos nos resultados?” (quando executivos adquirem essa disciplina, o pessoal logo capta a mensagem). A segunda é deixar que sua opinião seja mudada por dados; poucas coisas surtem mais efeito para transformar a cultura de tomada de decisões de uma empresa do que ver um alto executivo admitir que um palpite seu foi refutado por dados.

    Obviamente, quando o assunto é definir que problemas abordar, o conhecimento da área ainda é crítico. O tradicional especialista — gente que conhece a fundo uma determinada área — é aquele que sabe onde residem as maiores oportunidades e os maiores desafios. A PASSUR, por exemplo, está tentando contratar o maior número possível de profissionais com vasto conhecimento do lado operacional dos principais aeroportos dos EUA. Ao ajudar a empresa a decidir que produtos e mercados abordar em seguida, essa gente será de valor inestimável.

    À medida que o movimento do big data for avançando, o papel do especialista vai mudar. Esse profissional será valorizado não pelas respostas que dá no modelo “HiPPO”, mas por saber o que perguntar. Pablo Picasso podia estar pensando em um especialista desses quando disse: “O computador é algo inútil. O único que faz é dar respostas”.

    Cinco desafios de gestão

    Uma empresa só vai colher os benefícios da transição para o uso do big data se puder administrar a contento a mudança. Nesse processo, cinco áreas são particularmente importantes.

    Liderança. Uma empresa não triunfa na era do big data só por ter mais dados, ou dados melhores, mas sim porque a equipe de liderança traça metas claras, define o que será considerado sucesso e faz as perguntas certas. O poder do big data não elimina a necessidade de visão nem de sagacidade humanas. Longe disso: ainda precisamos de líderes empresariais capazes de detectar uma grande oportunidade, de entender como o mercado está evoluindo, de pensar com criatividade e de propor coisas realmente novas, de articular uma visão contundente, de convencer os outros a abraçá-la e a dar duro para que se materialize e de lidar bem com clientes, trabalhadores, acionistas e outros interessados. Na próxima década, vão triunfar empresas cujos líderes reúnam todos esses atributos e, ao mesmo tempo, consigam mudar o modo como muitas das decisões ali dentro são tomadas.

    Gestão de talentos. À medida que o custo dos dados cai, sobe o valor de complementos a esses dados. Entre os mais importantes estão cientistas de dados e outros profissionais capazes de trabalhar com grandes volumes de informação. Embora a estatística seja importante, muitas das principais técnicas para uso do big data raramente são ensinadas em cursos tradicionais de estatística. Mais importante ainda talvez seja a capacidade de depurar e organizar grandes conjuntos de dados, já que os novos tipos de dados raramente vêm em formato estruturado. Há, também, uma valorização de ferramentas e técnicas de visualização. Além de cientistas de dados, uma nova geração de especialistas em ciência da computação vem aplicando técnicas para trabalhar com blocos muito grandes de dados. O conhecimento na formulação de experimentos pode ajudar na transposição do fosso entre correlação e causalidade. Um bom cientista de dados sabe, além disso, falar a língua dos negócios e ajudar líderes a reformular os desafios de um jeito abordável pelo big data. Obviamente, quando a demanda é grande, é difícil achar profissionais com esse currículo (veja, ainda nesta edição, “Cientista de dados: o profissional mais cobiçado do século 21”, de Thomas H. Davenport e D.J. Patil).

    Tecnologia. As ferramentas disponíveis para lidar com o volume, a velocidade e a variedade do big data melhoraram muito nos últimos anos. Em geral, o custo dessas tecnologias não é proibitivo — e muito do software é de código livre. O Hadoop, o sistema mais usado, combina servidores comuns com software open source. O programa distribui os dados que chegam por discos baratos; além disso, traz ferramentas para a análise dos dados. A capacitação exigida por essas tecnologias é, contudo, novidade para a maioria dos departamentos de TI, que terão de dar duro para integrar toda fonte relevante de dados, interna e externa. Embora não seja tudo, a atenção à tecnologia é um elemento indispensável de uma estratégia de big data.

    Tomada de decisões. Uma organização eficaz situa a informação e direitos de decisão pertinentes no mesmo lugar. Na era do big data, contudo, a informação é gerada e transferida, e o conhecimento volta e meia não está onde costumava estar. O líder astuto vai criar uma organização flexível o bastante para minimizar a síndrome do “não foi inventado aqui” e maximizar a cooperação entre áreas distintas. É preciso reunir gente que entenda do problema em torno dos dados certos — e também gente dotada de técnicas de resolução de problemas que possam efetivamente explorar esses dados.

    Cultura da empresa. A primeira pergunta que uma organização movida a dados se faz não é “Qual nosso palpite?”, mas sim “Que informação temos?”. Para isso, é preciso deixar de agir com base apenas na intuição e no instinto. É preciso, ainda, abandonar um hábito péssimo de muitas organizações: fingir que são mais movidas a dados do que realmente são. Vimos muito executivo recheando relatórios com dados que sustentavam decisões que o dito-cujo já tinha tomado com o método tradicional, o HiPPO. Subalternos saíram a posteriori atrás de números que justificassem a decisão.

    Restam,  sem dúvida, muitos obstáculos no caminho. Há pouquíssimos cientistas de dados no mercado. Tecnologias são novas e, em certos casos, exóticas. É fácil demais confundir correlação com causa e achar padrões enganadores em dados. Desafios culturais são enormes e, naturalmente, a questão da privacidade vai ganhar cada vez mais importância. Mas tendências subjacentes, tanto na tecnologia como no retorno para a empresa, são inconfundíveis.

    A evidência é clara: decisões tomadas com base em dados tendem a ser decisões melhores. Ou o líder aceita esse fato, ou é substituído por alguém que o faça. Em setor após setor, empresas que descobrirem como combinar a tarimba em uma determinada área com a ciência dos dados vão deixar as rivais para trás. Não dá para dizer que toda vencedora estará usando o big data para transformar a tomada de decisão. Mas os dados nos dizem que essa é a aposta mais segura. 

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    Andrew McAfee é diretor de pesquisas do Center for Digital Business do MIT, nos EUA, e autor de Empresas 2.0 (Campus, 2010).

    Erik Brynjolfsson é titular da cátedra Schussel Family Professor da Sloan School of Management, faculdade de administração do MIT, e diretor do Center for Digital Business, abrigado na instituição.  A dupla é autora de Race Against the Machine (Digital Frontier Press, 2012).

    sábado, março 01, 2014

    MINI CIDADE ESCOLA

    ABRAHAM SHAPIRO

    Cidade Cooperativista Educativa é o nome que recebeu um espaço que servirá de eficaz suporte para a formação de cidadãos comprometidos com a comunidade.
    A prática sempre será o complemento da teoria. E é com este intuito que a Escola Educativa, de Londrina, idealizou e implantou um projeto com que pretende incentivar a cultura da cidadania e da cooperação a seus alunos.
    O espaço criado irá funcionar como uma cidade de verdade, proporcionando aos alunos a vivência cultural, política, ecológica, financeira e comercial de que necessitam para uma formação adequada e diferente. Lá aprenderão a prática de parcerias com a finalidade de despertar consciência para a responsabilidade a ser desempenhada por todo indivíduo na sociedade. Terão direitos e deveres claros e factíveis, além de atuar de  forma lúdica na sua gestão.
    Em um país que tanto carece de despertar para a noção da gestão pública profissional e organizada, a Escola Educativa inovou de maneira interessante, prática e assertiva trazendo para a vida prática dos alunos aquilo que as outras só fazem de modo teórico.
    Assim, o que tem valor real merece ser citado e valorizado. Parabéns por esta atitude,
    A expectativa, agora, se volta para o segmento empresarial. Digamos que alguém se dedique a construir um modelo de instrução prática em nível similar ao da Escola Educativa e tenhamos, dia desses, uma mini indústria onde se vivam práticas de gestão empresarial, produção, qualidade, processos, comércio etc.
    Seria incrível. E, de fato, mais que necessário.
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    Abraham Shapiro é consultor e coach. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é "simplicidade". É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome". E-mail: shapiro@shapiro.com.br Fone: 43. 8814.1473

    sábado, fevereiro 22, 2014

    AUTOBIOGRAFIA BREVE

    ABRAHAM SHAPIRO

    Sou um estudioso. Gosto e me orgulho deste atributo cujo incentivo é uma herança dos meus pais e antepassados.
    Estudo uma diversidade de assuntos – da minha religião à ciência, passando pela filosofia, tecnologia, assuntos de gerenciamento e pessoas.
    Meu maior esforço em empregar na prática o que aprendo concentra-se sobre mim mesmo, pois, encaro a vida como uma jornada de aprendizagem. Viver, como ensinou meu mestre, é aprender a viver. Mas a sabedoria é infinita, enquanto eu sou humano, falível e, por isso, carente de constantemente melhoria. Não pretendo assimilar tudo o que estudo. Seria mais que presunção. Talvez arrogância.
    Mas a ética local não funciona assim. Deste lado do mundo são muitas as pessoas baixas. E elas encaram os estudiosos ou quem se destaca em algum conhecimento como indivíduos obrigados a ser o que elas mesmas não são. Hipocritamente exigem comportamentos rotulados do rabino, do padre, do juiz e do professor, entre tantos outros. Se não fazem o que elas julgam correto, caem em desgraça.
    Dia desses, alguém pensou me afrontar afirmando que eu não vivo nem a metade daquilo que me proponho a comunicar através dos meus textos ou a ensinar a meus alunos. Fiquei surpreso. Primeiro porque o fulano não me conhece, jamais me viu, nem nunca trocamos uma só palavra. Certamente ele sabe de mim tanto quanto eu sei sobre seu pai – mesmo lidando com a alta probabilidade de que nem ele mesmo saiba quem é seu verdadeiro pai.
    Em segundo lugar, não foi seu julgamento maldoso que despertou minha atenção, mas o fato dele ter-me reputado muito, mas muito acima dos meus reais limites. Eu, decerto, não consigo praticar nem 10% de tudo o que estudo e ensino. A metade? Quem me dera! Até porque sempre fui franco com todos em dizer e esclarecer que não sou um pregador exemplar ou messiânico.
    O ponto em foco aqui é a inveja. Um dos comportamentos padrões do invejoso consiste em criar situações que depreciem o ser invejado. Com isso, ele o rebaixa a seus próprios olhos e divulga esta visão a outros, obtendo, assim, a falsa sensação de igualdade. O que ele busca é aliviar a dor de existir alguém sobre o planeta a quem ele pensa ser melhor ou superior.
    Aquele indivíduo estúpido e derrotado pensou que me afetaria ao prevenir alunos meus de que não vivo grande parte do que os ensino. Acontece que 1% daquilo que aprendi daria a qualquer homem condições suficientes para salvar das trevas da ignorância a si mesmo e a toda a humanidade. O cuidado que tomo, todavia, é que, cada vez que um Judeu se propõe a salvar a humanidade de qualquer modo, imbecis e boçais como aquele incompetente surgem do nada, e vão logo dando jeito de matá-lo ou de maldizê-lo.
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    Abraham Shapiro é consultor e coach. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é "simplicidade". É autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome". E-mail: shapiro@shapiro.com.br Fone: 43. 8814.1473

    sexta-feira, fevereiro 21, 2014

    LEITURA, CONHECIMENTO E SABEDORIA

    ABRAHAM SHAPIRO

    Pessoas que muito leem adquirem conhecimento. Mas trata-se de conhecimento estático.  Ainda assim, dependem de boa memória para destacá-lo quando preciso. 
    O ser humano necessita mais de sabedoria do que de conhecimento.  E sabedoria não resulta da muita leitura, mas da astúcia em unir e cruzar conhecimento com observação, visões e os exemplos que estão à nossa volta e chegam pelos nossos sentidos a todo instante. Sabedoria é o processamento individual de tudo isso somado ao entendimento dos fatos e das pessoas.
    Igualmente se dá com a criatividade ou ideias brilhantes. Elas não são regurgitadas apenas partindo-se da leitura. É ilusão esperar por isso. Contam, por exemplo, que Cristóvão Colombo teria lido no máxima uma dúzia de livros ao longo de toda sua vida. Seus feitos, entretanto, teriam resultado mais do processamento do conhecimento adquirido do que do volume de informações acessado. Ele “trabalhou” eficientemente o que aprendeu.
    Arthur Schopenhauer, filósofo alemão
    Uma rica e desorganizada biblioteca, não é tão proveitosa quanto outra que seja modesta e organizada. Igualmente, um grande conhecimento não elaborado por um pensamento próprio nada vale perante o que foi devidamente assimilado.
    Arthur Schopenhauer, o filósofo alemão, disse que: “A leitura é apenas um substituto para o pensamento próprio, o que significa: deixar alguém dirigir os seus pensamentos."
    Conta uma fábula antiga que um burro mandou seu filhote aprender com cavalos a arte de trotar e caminhar de cabeça erguida. Não queria que acabasse como mero puxador cargas, como ocorre a todos os burros.
    Anos se passaram e o jovem burro retornou ao pai que, orgulhoso, o exibia aos demais de sua raça.
    Certo dia, um incêndio pôs em risco o celeiro onde se provisionava todo o alimento dos animais para o inverno. Os burros se apresentaram para o transporte necessário a fim de salvar os grãos e palhas do depósito, exceto o jovem burro, pois achava-se qualificado demais para a execução de tão desprezível atividade.
    Diante disto, um velho burro, que, dando o máximo de si para fazer sua parte no mutirão, tinha contra si o peso da idade, vira-se ao jovem prendado e arrogante e lhe diz:
    - Levantar a cabeça e exibir galopes bem trotados o que farão por ti quando não tiveres mais o que comer?
    Moral da história: O conhecimento e o muito estudo nada são sem sabedoria. Levados, porém, ao esforço da prática e à intensa reflexão, terão o poder de converter um tolo inútil em um sábio de boa e amável lembrança entre todos os homens!
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    Abraham Shapiro é consultor e coach. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é "simplicidade". Autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome - Inspirações para a Vida, o Trabalho e os Relacionamentos". E-mail: shapiro@shapiro.com.br Fone: 43. 8814.1473

    quinta-feira, fevereiro 20, 2014

    PARCERIA

    ABRAHAM SHAPIRO


    Ela é usada em diferentes contextos: na amizade, nos negócios, no casamento, em religião e até mesmo na bandidagem. A palavra é parceria – quando duas ou mais partes estabelecem um arranjo de cooperação para atingir interesses e objetivos comuns.
    Não poucas vezes há diferenças entre as partes – de conhecimento, de domínio, de expertise, de habilidades etc. Quando ocorrem, o acordo da parceria deve prever o que cada um irá realizar a fim de que todos deem seu melhor.
    A regra diz que uma parceria pressupõe divisão de esforços.  Mas não é o se vê na prática por aí, especialmente quando gente interesseira se veste de justa para se unir a pessoas corretas. Os espertinhos deixam sobre os bem intencionados todo o peso das obrigações e esforços, e retornam, ao final, para a divisão dos benefícios alcançados.
    Uma antiga fábula põe em perspectiva a realidade das desigualdades que podem ocorrer numa parceria e suas consequências. Tenho certeza que, após conhecê-la, você irá querer contá-la a amigos e funcionários.
    Dois burros caminhavam juntos. Um deles ia sem nenhuma carga no dorso, pois dizia ser o preferido de seu amo para montaria. O outro, carregava injustamente mais peso do que suas forças permitiam.
    Em vão esse coitado implorava ao colega que fosse seu parceiro, que se condoesse dele e o aliviasse de uma parte de sua pesada carga. O outro ria-se disso, e, correndo livremente na estrada, não fazia conta alguma da súplica.
    Por fim, o burro extenuado, enfraquecido e sobrecarregado estrebuchou-se, e sucumbiu morto.
    O que fez o dono? Passou às costas do primeiro toda a carga. E não só, como também a pele esfolada do burro que acabara de morrer.
    MORAL DA HISTÓRIA:  Dividir as tarefas e ajudarmo-nos mutuamente para se chegar a um objetivo comum não é só um ato de bondade. Quase sempre é o mínimo a fazer para que todos sobrevivam.
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    Abraham Shapiro é consultor e coach. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é "simplicidade". Autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome - Inspirações para a Vida, o Trabalho e os Relacionamentos". E-mail: shapiro@shapiro.com.br Fone: 43. 8814.1473

    quarta-feira, fevereiro 19, 2014

    APLAUSOS, LOUROS E GLÓRIA

    ABRAHAM SHAPIRO

    Uma pessoa acaba de comunicar, pelas redes sociais, seu desligamento de uma empresa onde atuou em determinada função. A partir de agora, empreenderá carreira em consultoria. A ela e a todos os que tomam o mesmo caminho, vai aqui o meu incentivo:
    "Bem-vindo à Iniciativa Própria!
    A partir de agora, além de ter de dar tudo de si para conseguir o montante de sustento que, antes, era depositado em sua conta corrente mensalmente sem esforço que se compare ao quanto passará a ser demandado, você estará inserido na modalidade de trabalho onde acontece tudo quanto os que dela estão fora julgam ser ou fácil demais ou impossível.
    Só os protagonistas enxergam a verdade do que seja trabalhar por si e lutar pelo pão de cada dia!
    Mas você tem a seu favor a chance de obter muito mais realização, dinheiro e resultados que antes. Penso ter sido por isso que você se decidiu. Então, prossiga! Só não se esqueça de que sem esforço não existe recompensa honesta ou valorosa!"
    Minhas palavras àquele profissional não foram uma celebração. Eu não encaro o início de um empreendimento como motivo para festa.
    Ao nascer uma criança, seus pais distribuem lembranças, bombons, charutos a fim de expressar sua alegria. E, sim, é uma alegria!
    É o que fazem também por um navio que sai em sua primeira viagem. Quebram-lhe uma garrafa de champanhe no casco; uma banda toca dobrados; pessoas aplaudem e acenam bandeirolas até que a nau desapareça no horizonte.
    Mas é incompreensível que aquelas pessoas não estejam no porto quando este mesmo navio retorna após tempestades e riscos de naufrágio em alto mar. Ou que elas chorem a morte de uma pessoa justa, após décadas de vida cheias de sabedoria e justiça. Afinal, ambos já venceram os maiores desafios de sua existência!
    De que servem os aplausos no início, se é ao final que sabemos se qualquer projeto, proposta ou performance atingiu, de fato, seu propósito?
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    Abraham Shapiro é consultor e coach. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é "simplicidade". Autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome - Inspirações para a Vida, o Trabalho e os Relacionamentos". E-mail: shapiro@shapiro.com.br Fone: 43. 8814.1473

    terça-feira, fevereiro 18, 2014

    O SEGURO CONTRA A MALÍCIA DE FUNCIONÁRIOS REVOLTADOS

    ABRAHAM SHAPIRO

    Banheiro sujo na empresa dá o que falar. É o sinal de que tem gente mal educada na área.
    -“Imagine como não será a casa desses porcos!”, muitos pensam.
    Quem tem cabeça boa não faz aos outros o que não deseja que lhes façam. Minha única dúvida é se existe, hoje em dia, quem tenha a mente 100% sã. Está difícil.
    Na empresa de um conhecido havia um banheiro de funcionários sempre limpo. Uma reforma no prédio fez os diretores usarem temporariamente este banheiro. Não deu outra! Desde então, a limpeza desapareceu. E não eram os diretores que o sujavam. Alguns funcionários viram aí sua oportunidade de protesto.
    Empregados revoltados às vezes agem com vandalismo e influenciam outros. Causam danos a processos ou máquinas e equipamentos. Há aqueles que podem chegar ao ponto de inserir dados falsos no sistema de gestão a fim de confundir ou provocar decisões erradas. Outros desviam recursos financeiros, pagam fornecedores em duplicidade, omitem controles, perdem propositalmente a data de entrega de pedidos a clientes e muito mais!
    O gerente comercial de uma empresa provocou queda nas vendas por meses consecutivos apenas para fazer prevalecer seu ponto de vista sobre o de seu diretor. Imagine isto! É caso de polícia! Mas em certas situações, a empresa tornou-se refém destes funcionários.
    A possível causa mais comum – além do desvio de caráter das pessoas que assim agem – é a falta de clareza dos chefes em relação a decisões e metas. Sem que os empregados conheçam o que se espera, eles interpretam e julgam conforme lhes convém. E quase o fazem do modo errado.
    Quanto maior a objetividade, a frequência e a intensidade de treinamentos, maiores e mais positivas serão as chances de superação destas tendência negativas.
    E para a sua inspiração, considere as palavras daquela sabedoria anônima que diz: “Quando um homem honesto descobre que errou, ou ele corrige seu erro, ou ele deixará de ser honesto”
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    segunda-feira, fevereiro 17, 2014

    RESPEITO OU VEEMÊNCIA?

    ABRAHAM SHAPIRO

    Dois gerentes da mesma empresa. Um repreendia seus subordinados com gentileza e respeito e conseguia elevados índices de produtividade de sua equipe. Tinha a boa vontade de todos para o que desse e viesse.
    O outro, com raiva e autoritarismo. Os resultados de sua equipe eram sempre decepcionantes. Ele contratava bons profissionais, mas a rotatividade era recorde. Com o tempo, deixavam de cumprir datas, tornavam-se displicentes, reativos e deixavam o trivial por fazer a contento, afinal, quem aguenta ficar junto de alguém que age como louco ou é um?
    O RH até que insistia a que houvesse mudança de tratamento e comportamento. Mas a arrogância do gerente raivoso o cegava. Não se interessava por quaisquer qualidades. Seu cotidiano era mais horroroso que o da bruxa.
    Einstein disse que “loucura é fazer as coisas sempre do mesmo modo esperando resultados diferentes”.
    “Estar gestor” não é garantia alguma de que você “é um gestor”, ou de que o será para sempre. Mas, ser consciente de que você deve agir como um gestor, com as competências de um gestor e conduzir com dignidade as pessoas até que se tornem uma equipe, isto fará de você um gestor e possivelmente o tornará um líder.
    Conhecimento técnico já não basta. Conhecer o caráter humano e saber como funciona é fundamental, e tratar pessoas como seres humanos únicos.
    Patrões ou chefes que gritam e impõem sua vontade à força sobre funcionários fazem-me lembrar um importante pensamento do jornalista e escritor Nelson Rodrigues. “Desconfio muito dos veementes. Via de regra, o sujeito que esbraveja só o faz por estar a um milímetro do erro e da obtusidade”.
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    sexta-feira, fevereiro 14, 2014

    A HISTÓRIA APAIXONANTE DA SUA EMPRESA

    ABRAHAM SHAPIRO


    Como é fazer negócio com a sua empresa? Não vale dizer que você não está preparado para falar disso ou mandar-me perguntar ao Marketing ou ao Vendas.
    Já pensou em contar com as suas próprias palavras o que a sua empresa tem de diferente, de bom, dando ênfase às coisas mais especiais? Seria poderoso! Tenho certeza.
    Eu gostaria de despertar em você o desejo de dar a orientação devida e a divulgação merecida pra sua história e à da sua empresa.
    Certas coisas na vida não podem ser abandonadas à própria sorte. Esta é uma delas.
    Ninguém vai conhecer os fatos mais notáveis da sua história se você não os contar. E a versão com mais amor e cores vivas só você é capaz de criar.
    Olhe bem e você verá que a sua empresa não vende produtos ou serviços. Sabe o que ela vende de verdade? Uma “história”. A história da “sua visão”, da “experiência que vocês proporcionam” e “dos sonhos que os clientes realizam aí”.
    Isso é maravilhoso. Essa é a história que você precisa criar. E em seguida, contá-la, contá-la muitas e muitas vezes aos funcionários, a cada novo contratado, aos clientes, e a todos mais.
    Dê o seu toque pessoal a ela. Personalize. Fale da “credibilidade da sua marca” porque, decerto, levou um bom tempo para construí-la.
    Uma agência de propaganda confiável vai pôr tudo isto em peças publicitárias, num vídeo institucional, e usá-los em todas as situações permitidas.
    Sinta o poder disto!
    E se você não acredita na força da sua história, o seu problema não é falta de habilidade em narrá-la, mas falta de paixão. E sabe o que você deixará de ganhar sem paixão? Excelência, respeito, e continuidade!
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    quinta-feira, fevereiro 13, 2014

    PARA QUE TUDO VÁ BEM NA SUA VIDA E NA EMPRESA

    ABRAHAM SHAPIRO

    Alguém encontrou-me no café. Eu não o conhecia. Ele elogiou o boletim que veiculo pela rádio CBN e apresentou-se como empresário. Descreveu seu negócio, um pouco de sua história e, por último, solicitou que eu dissesse algo que fizesse diferença para sua vida.
    Eu me senti lisonjeado, e então disse:
    - “É um grande prazer conhecê-lo. Tenho estado com um sem número de homens e mulheres de negócios deste país ao longo de quase 29 anos de trabalho e mais de 15 em consultoria. Estive com gente de todos os naipes, cores, convicções e nível de realização. A coisa mais espetacular que observei, e com que mais aprendi, é que a saúde de qualquer empresa depende diretamente do estado mental de seus administradores.
    Se você tem a vida bem resolvida enquanto empreende um negócio com o conhecimento e desenvoltura necessários, posso predizer – e não vou errar – que a sua empresa irá bem. Mas infelizmente, o contrário também vale. Excelentes negócios estão ruindo, neste momento, por conta apenas do desequilíbrio de seus gestores.
    Aprenda tudo o que for possível sobre o seu negócio. É ótimo. Mas será excelente se cuidar da sua saúde mental com igual garra. Resolva as suas pendências. Equacione o que limita a sua autoconfiança, autoestima, a capacidade de persuasão, e de independência. Tudo e todos, dentro ou fora da sua companhia, ganharão com isso:  funcionários, staff, família, amigos... mas especial e principalmente, VOCÊ MESMO!”
    E então, dei a ele o meu cartão de visita em que está escrito: 
    “MENTES SÃS EM CORPORAÇÕES SÃS!”. 
    Após lê-lo, o empresário me disse:
    - “Gostei da sua coerência!”
    Deu-me seu cartão, me abraçou e seguiu seu caminho!

    Esta semana eu iniciei a consultoria em sua empresa.
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    LIBERANDO GENTE TRAVADA

    ABRAHAM SHAPIRO


    Submissão exagerada provoca escassez de franqueza e de verdade! Na família e  no trabalho é isso o que acontece.
    Filho pressionado tende a mentir. Funcionário medroso suprime informações e soluções que contribuiriam de modo importante para o negócio.
    O pai ou chefe tem medo de não conseguir seus objetivos. Então se ilude achando que fazer pressão resolverá. O filho ou funcionário desejam “respirar”... e quando se sentem sufocados, fogem da raia.
    Eu nuca vi excesso de pressão produzir bons resultados. Só em caldeiras a vapor e panelas de pressão. Sobre pessoas, quanto mais pressão se faz, mais adversidades se criam.
    Forçar um funcionário a assumir posições compulsórias é o atalho para fazê-lo desacreditar de suas próprias ideias. Ele ficará tímido e perderá a autoconfiança. Em pouco tempo, ele e “nada” serão o mesmo!
    Se for um tonto não fará grande diferença. Mas não são tontos que vejo na maioria dos casos. Lá estão pessoas em ótimas condições potenciais. Mas tremendo de medo de abrir a boca, errar pagar valores impossíveis ou ver sua cabeça rolar.
    Um começo incrível para mudar esse estado é admitir a possibilidade de errar. Nada mais natural e humano. De repente, aquelas pessoas que pareciam estátuas começam a expor suas ideias. E sabe o que? Os erros diminuem. O comprometimento aumenta. E no placar: Vantagem: 1, Estresse: 0!
    E é o que você quer!
    Você e o resto do mundo já viram que a força só dá errado em questões de trabalho e filhos. Por que continuar tentando?  
    Deixe as pessoas serem quem são. Regras? É claro. Disciplina e limites? Sim, sim! E acrescentemos: processos bem estabelecidos, treinamentos, Organização & Métodos...
    O importante é que, primeiro, todos se sintam participantes. Depois disso,  arcar com a responsabilidade será óbvio.
    Funciona!
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    terça-feira, fevereiro 11, 2014

    ATRIBUIÇÕES INÚTEIS

    ABRAHAM SHAPIRO

    Seus negócios vão mal? Clientes sumindo? Concorrentes “na boa”?
    Acho que você tem aí uma listinha de culpados por isso, não tem? Se sim, você não vai gostar do que direi agora.
    Começarei dizendo que é bem possível o seu pensamento estar travado – fixo em um paradigma. Por isso perde grandes oportunidades que chegam.
    Só há um modo de mudar isso.
    Como? Admitindo que os seus modelos mentais já deram tudo o que tinham a dar. É crucial agora oxigenar a sua mente e renovar pensamentos.
    Não desenvolva sentimento de culpa. De jeito nenhum. Culpa é destrutiva, corrói e paralisa. É de se libertar que você precisa.
    Outra coisa: Nada de atribuições. Existe uma tal de "Teoria das Atribuições", na Psicologia, que diz ser o esporte favorito do ser humano assumir a autoria de tudo o que é bom,  e interpretar fracassos e falhas como obras de fatores externos. Traduzindo de modo prático: "Quando eu acerto, palmas pra mim. E se houver  erro, ele se deve tão somente à incompetência do resto da humanidade”.
    Distorção total! Mas é a tendência natural das pessoas naturais. Acontece que atribuir erros aos outros só para se sentir confortável é a receita ideal para nunca conseguir equilíbrio ou sinergia.
    Pessoas desenvolvidas “estão noutra”. Não se culpam e nem buscam culpados. Elas têm atitude. Corrigem, consertam e seguem em busca do objetivo.
    Conheça maneiras novas de fazer o que você sempre fez – mais eficientes, diferenciadas e poderosas. Busque quem já faça diferente. Observe e entenda. Leia. Pesquise. Vasculhe até encontrar. E se não houver nada novo, ótimo. É a prova de que você tem o que inventar.
    E o que você está esperando?
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    segunda-feira, fevereiro 10, 2014

    MEU TRIBUTO A NELSON MANDELA

    ABRAHAM SHAPIRO

    O professor Howard Gardner da Universidade Harvard, nos E.U.A., diz que líderes são aqueles que afetam o comportamento das outras pessoas. Nelson Mandela, segundo ele, foi o exemplo perfeito deste conceito de liderança.
    O já falecido ex-presidente da África do Sul foi um símbolo da luta contra uma das formas mais violentas de segregação racial contra os negros imposta pelos dominantes brancos daquele país por muitos anos. O Apartheid.
    Duas premissas que Mandela adotava como estadista poderão facilmente ser empregadas na sua gestão e resultarem pontos positivos pra você e a sua equipe. Reflita a respeito.
    A primeira premissa de liderança de Nelson Mandela ensina: "Lidere, mas fique na retaguarda. Deixe que os outros acreditem que estão na liderança". E o Mandela explicou sua ideia com as seguintes palavras: "Um tocador de gado conduz a manada de trás. Esta é a sabedoria da liderança. O papel de um líder não é dizer aos outros o que devem fazer, mas formar um consenso". Em reuniões, Mandela deixava que todas as pessoas falassem. Só então abria a boca para resumir calmamente todas as ideias apresentadas e, de forma sutil, incluía seu ponto de vista em relação ao tema e o caminho que gostaria de ver trilhado. E ainda dizia: "Convença as pessoas a agir, mas faça-as acreditar que a ideia foi delas".
    A segunda Premissa diz: "Tenha os seus amigos por perto. E seus rivais mais perto ainda". Mandela costumava ligar para alguns de seus desafetos para desejar feliz aniversário. Ele raciocinava de um modo muito estratégico: "Os rivais são menos perigosos dentro do seu círculo de influência do que soltos no mundo". Dos amigos, ele exigia lealdade, mas não de forma obsessiva. A razão desta exigência é que "as pessoas são movidas por seus próprios interesses".
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    sábado, fevereiro 08, 2014

    10 DICAS PARA SER MAIS EFICIENTE

    ABRAHAM SHAPIRO

    Recebi o diagrama abaixo do meu cliente Valdemir Gomes, Diretor da Master Agro Produtos Agrícolas, masteragro.com.br , de Avaré, SP. Ele não só é preocupado em comunicar a necessidade de Planejamento, Organização e Controle em toda e qualquer questão administrativa, como segue à risca um modelo de vida baseado nestes princípios.

    Creio ser importantíssimo analisar esta proposta. Tenho certeza de que todos os que a aplicarem na vida e no trabalho colherão excelentes benefícios em eficiência e eficácia pessoais.




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    sexta-feira, fevereiro 07, 2014

    HUMILDADE E NEGÓCIOS

    ABRAHAM SHAPIRO

    Ser humilde não é fácil. Talvez simples. Para a vida é fundamental. Já, para os negócios, é muito mais!
    Ser humilde não é ser modesto nem tornar-se “capacho” para que os outros pisem. A humildade é inspiradora. Ela ajuda a agir do modo certo.
    Nos negócios, humildade faz o cliente sentir-se confortável para tomar a decisão de compra. Mas  a presunção de que o nosso produto ou serviço é o máximo só atrapalha.
    Perguntei a um dos maiores fabricantes de morangos em calda dos Estados Unidos qual era o segredo de sua fantástica venda. Ele disse: “Faço questão de ensinar minha equipe de vendas que os consumidores não precisam dos nossos morangos em calda. Suas mães talvez  tenham uma receita melhor que a nossa”.
    Segundo ele, a ideia tornou-se o insight mais importante de sua vida. Mostrou o caminho a ser seguido na estratégia para fixar sua marca na mente dos consumidores. Sempre que seus profissionais de venda abordavam os compradores de supermercados e mercearias, isto os fazia esforçar-se mais que outros vendedores para mostrar as verdadeiras qualidades do produto. Garantiu fama à marca e  tornou-a confiável junto à exigente e tradicionalista família norte-americana.
    O que você acha de dizer: “Você precisa de mim porque eu sou o máximo”. Nada pior, certo? Nós só conseguimos atenção das pessoas com quem nos relacionamos quando somos humildes e não nos julgamos o topo do máximo.
    No momento da venda “baixe a bola”. Pense em termos de que o cliente não precisa de você e tampouco do que você vende. Então você irá caprichar mais na apresentação.
    Não bater as suas metas é ruim. Mas pior que isso é o efeito amargo da arrogância. Clientes sabem muito bem como fazer-nos engoli-la. Como? É só pararem de comprar.
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    quinta-feira, fevereiro 06, 2014

    ASSUMA QUE O CLIENTE É SEU

    ABRAHAM SHAPIRO

    Um ponto nada menos que definitivo para a real compreensão da sua verdadeira relação com o seu cliente vai aqui.
    Se você atua na área de vendas e alguma coisa do produto ou do serviço prestado deu errado, por favor, não jogue a culpa nas costas de ninguém. Não fale de logística, expedição, montagem, controle de qualidade ou seja lá o que for.  Um problema de um cliente que lhe procurou é seu.... inteiramente seu!
    Você é o vendedor! Você “sozinho” é a conexão entre o cliente e a empresa. Você representa a empresa aos olhos do cliente. De nada vale mencionar qualquer outra área ou pessoa. Na cabeça deste cliente, se ele está falando com você, é porque você é a própria empresa aos olhos dele. E não há como mudar isso.
    Você é a empresa para o cliente. Portanto, se algo de errado aconteceu, ainda que a culpa não seja sua – não se trata de achar culpados, mas de resolver a questão para que ele se sinta satisfeito e volte a comprar. É com você.
    É claro que você tem o direito e o dever de comunicar o pessoal da expedição, caso o problema tenha sido daquele setor. Mas isto é roupa suja. E roupa suja se lava em casa. O cliente não tem nada a ver.
    Nada de transmitir a sua ira para o cliente. Se você o fizer, a  sua reputação foi por água abaixo no mesmo instante. E dificilmente ele voltará a comprar. Estou batendo nessa tecla porque, para mim, cliente de verdade é aquele que volta a comprar os nossos produtos ou serviços. Onde está aquele que comprou uma só vez de você e não retornou? Provavelmente no seu concorrente.
    Assuma a responsabilidade sobre problemas. Finalize-os da melhor maneira com uma solução que seja correta, justa e proporcione bem estar ao cliente. E tenha em mente que os clientes fecham negócio com você, e não com uma marca – por mais poderosa que ela seja.
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    Abraham Shapiro é consultor e coach. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é "simplicidade". Autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome - Inspirações para a Vida, o Trabalho e os Relacionamentos". E-mail: shapiro@shapiro.com.br Fone: 43. 8814.1473

    quarta-feira, fevereiro 05, 2014

    O PALHAÇO

    ABRAHAM SHAPIRO

    Um homem marcou uma consulta com um psicólogo. Ao chegar ao consultório, diz:
    - "Doutor, estou visivelmente triste. Não importa o que eu faça, não consigo melhorar. Como me livrar desta depressão?"
    O psicólogo olhou bem para ele e respondeu:
    - "Venha comigo até a janela".
    O homem o acompanhou. O psicólogo apontou para o lado de fora:
    - "Está vendo aquela tenda lá longe? O circo está na cidade. E este é magnífico! Existe lá um palhaço chamado Rosário. Ele é a solução para o seu atual problema. Basta olhar uma vez para ele e a sua depressão vai desaparecer! Posso garantir!"
    O homem voltou-se com tristeza para o psicólogo e disse:
    - "Muito obrigado por tentar me ajudar".
    Caminhou à porta para ir-se embora e, ao sair, entregou seu cartão ao médico. Nele estava escrito: “Rosário, o palhaço”.
    ...
    Todos nós precisamos chegar ao nosso "eu profundo”. Isto significa: criar contextos em que possamos tirar a máscara com que nos apresentamos aos outros ao longo de quase toda a nossa existência.
    Embora essa máscara seja um reflexo de quem somos, ela é não é o que somos de verdade. Talvez seja uma mera caricatura. Deixá-la presa à face por tempo indeterminado na boa fé de que expressa o nosso ser é um erro sério.
    Um palhaço faz as pessoas rirem. Mas ele precisa de um tempo para si em que não esteja entretendo outros. Esta é a hora de sua “visita interior”.
    Qualquer ser humano, todo profissional, carece de um momento a sós consigo. É daí que ele obtém equilíbrio emocional e racional. É quando definem-se conceitos, se desenvolvem aprendizagens e surgem condições para as grandes decisões – ou mesmo para as pequenas. Mas é também quando as redefinições se modelam ao mesmo tempo em que se quebram velhos e retrógrados paradigmas e crenças enganosas – nossos lixos mentais.
    Esta hora é, afinal, a hora da sincronia entre o corpo e a alma.
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    Abraham Shapiro é consultor e coach. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é "simplicidade". Autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome - Inspirações para a Vida, o Trabalho e os Relacionamentos". E-mail: shapiro@shapiro.com.br Fone: 43. 8814.1473

    terça-feira, fevereiro 04, 2014

    PROBLEMAS QUE NÃO EXISTEM

    ABRAHAM SHAPIRO


    Muitas dificuldade que acreditamos existir na vida ou nos negócios nos causam medo. Não é preciso esforço para lembrar de algumas.
    Gastamos tempo, energia e dinheiro para resolvê-las e, às vezes, a busca por soluções demora tanto, que chegamos bem próximos do sentimento de derrota.
    Mas nestas horas difíceis, muitos desses problemas são uma ilusão criada pela nossa mente. Outros, são nada mais que uma distorção da nossa percepção. Isso aponta para um fato surpreendente: esses tais “problemas” podem nem mesmo existir.
    Acontece que não há solução para problemas que não existem.
    Contam que o norte-americano Houdini, um dos maiores mágicos de todos os tempos, era capaz de abrir até mesmo as mais seguras fechaduras, correntes e ferrolhos. Certa vez, ele foi desafiado pelo carcereiro de uma prisão que dizia ter uma cela à prova de fuga e dela nem mesmo o mágico conseguiria escapar.
    Houdini aceitou o desafio de imediato. Depois de escoltá-lo até a cela, o carcereiro fechou a porta, abandonando o mágico a seus expedientes engenhosos. Houdini pegou as pequenas ferramentas que sempre carregava e começou a trabalhar na fechadura.
    Embora ele, em geral, fosse capaz de abrir qualquer fechadura em quinze segundos, desta vez nada do que tentasse dava certo. Pensou um pouco e tentou uma técnica diferente. Quando esta também não abriu a fechadura, Houdini começou a ficar preocupado, pensando que afinal tivesse sido derrotado, e começou a trabalhar com ansiedade tal que beirava o desespero. Mas em vão.
    Exausto e frustrado com este fracasso, ele se rendeu apoiando-se na porta da cela, que imediata e surpreendentemente se abriu!
    A porta nunca fora trancada!
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    Abraham Shapiro é consultor e coach. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é "simplicidade". Autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome - Inspirações para a Vida, o Trabalho e os Relacionamentos". E-mail: shapiro@shapiro.com.br Fone: 43. 8814.1473

    segunda-feira, fevereiro 03, 2014

    NÃO FALE DOS SEUS PRÓPRIOS ATRIBUTOS

    ABRAHAM SHAPIRO


    Se for preciso dizer que você é ético, é claro que deve dizer. Mas nunca faça isto sem necessidade.
    Dizer gratuitamente suas características pessoas é desnecessário. Demonstre sua ética, por exemplo, na prática. Se insistir em falar muito a respeito, estará levantando possibilidades de não ser verdadeiro. Por quê? É simples: as prisões estão lotadas de religiosos, políticos, gente que pregou e afirmou ser ético em casa, no trabalho, para clientes etc.
    Se você acha que precisa provar o que é, use um exemplo de como você desempenhou ou reagiu em determinada situação. Em vez de ficar exaltando a sua virtude de realizar vendas por relacionamento, é melhor dizer ao seu cliente potencial que você não quer apenas um pedido dele, mas que fará o possível para construir uma relação de confiança. É muito melhor. É superior.  
    Não use a palavra “ética” para impressionar ninguém. Eu e muitos outros suspeitamos de quem se gaba dos próprios atributos.
    Em negócios, o grande desafio encontra-se na dedicação a ajudar e a satisfazer as necessidades do cliente. Quanto a palavras, o que manda, mesmo, é o modo de pô-las em prática. É o que faz verdadeira diferença. É a real distância entre conseguir um pedido ou deixá-lo de bandeja para o concorrente.
    Um sábio disse-me algo, certa vez,  que jamais esqueci: 
    “Se você carece de dizer o que você é, provavelmente você não o é”.
    “Sou honesto”, “Sou ético”, assim como: “Sou o tal” ou “Sou o que manda por aqui e não há ninguém acima de mim”, quase sempre são expressões criadas para preencher uma cabeça vazia ou uma cujo conteúdo seja  bastante  malcheiroso.
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    Abraham Shapiro é consultor e coach. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é "simplicidade". Autor do livro "Torta de Chocolate não Mata a Fome - Inspirações para a Vida, o Trabalho e os Relacionamentos". E-mail: shapiro@shapiro.com.br Fone: 43. 8814.1473