terça-feira, novembro 08, 2011

O INCONSCIENTE E OS HÁBITOS DE CONSUMO

ABRAHAM SHAPIRO

O filme “Obrigado Por não Fumar”, mostra como um lobista protegia com sua intensa argumentação contra processos a indústria dos cigarros, e como influenciava as pessoas sobre uma opinião favorável ao seu produto.

Muita gente não sabe que no começo do século XX as mulheres não consumiam cigarros em público. Fumar era um tabu e as empresas de tabaco estavam perdendo um grande mercado devido a este fato.

Foi um sobrinho de Freud, Edward Bernays, quem mudou isto. Usando conceitos da psicanálise para manipular o inconsciente das mulheres e ganhar muito dinheiro, Bernays prometeu a George Hill, presidente da American Tobacco Corporation, transformar as mulheres em consumidoras ávidas de cigarro. E conseguiu.

A estratégia foi simples. O cigarro é um símbolo fálico e de poder masculino. Se Bernays conseguisse conectar cigarros com a ideia de desafiar o poder masculino, então ele poderia fazer as mulheres fumarem, de modo a terem seu próprio pênis.

Todo ano, a cidade de Nova Iorque tinha uma parada de Páscoa que atraía multidões. Ali, Bernays convenceu um grupo de ricas debutantes a esconder cigarros em suas roupas. Com seu sinal, elas deveriam fazer uma grande algazarra e acender os cigarros. Ao mesmo tempo, Bernays chamou fotógrafos e jornalistas para presenciar a cena, onde as debutantes acenderiam as “tochas da liberdade”. Ele sabia que isso geraria um debate público dividindo a nação.

Bernays criou a ideia de que se a mulher fumasse, ela seria mais poderosa e independente. Isto persiste até hoje, embora cada vez mais homens e mulheres desistam de fumar, pelo mal a que induz a saúde.

Consumir é atraente. É ótimo poder comprar coisas boas e de qualidade, vestir-se bem, curtir um estilo de vida refinado, viajar e ter coisas. Mas há algo a que deve-se ficar atento. Não desprezar nossa capacidade de decidir, e não deixar a mídia definir nossa personalidade e hábitos de consumo.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

segunda-feira, novembro 07, 2011

PONTO DE RUPTURA

Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 07/11/2011, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos

ABRAHAM SHAPIRO

Olhe para o mundo ao seu redor. O que você vê? Mentiras, drogas, violência, corrupção, traições de toda ordem. O fato da imoralidade e o rareamento geral da ética é uma coisa. Mas quando isto ganha a aprovação da sociedade, é outra completamente diferente. E perigosa.

Reverter tal situação é difícil. Na história da humanidade, cenários similares foram prenúncios de destruição e desgraças. Algo muito parecido está registrado na Bíblia, nos dias de Noé.

Na sociedade de hoje, as empresas e a mídia estão constantemente tentando ganhar a aceitação do público, seja em termos de moda, música, programas e ferramentas tecnológicas, ou na proposta de diferentes opções de estilos de vida.

O que me impressiona é observar como os pais de hoje estão, invariavelmente, espantados com o nível de permissividade que existe entre seus filhos, nível este muito próximo ou igual àquele com que os seus pais se espantaram na geração anterior. E, no entanto, continuam a empurrar os limites sem nenhuma consciência reativa cada vez para zonas mais movediças. Será que já não fomos longe demais?

Você pode tomar alguns minutos para notar os comportamentos negativos à sua volta, incluindo até aqueles aos quais você mesmo se atrai, como: a fofoca no ambiente de trabalho, um estilo provocante de se vestir, atitudes violentas aprendidas dos filmes de tevê, a promiscuidade etc. Diante desta constatação, pergunte-se: “Isto me incomoda? Faz-me sentir mal?”

A coisa mais perigosa que pode passar neste contexto é quando, em algum instante, nossa desculpa é: “Não há problema, afinal todo mundo faz isso”. Este julgamento é o câncer de nossa era: deixar passar o que é reprovável só porque a sociedade o aceita ou não o pune. Um exemplo? A maldita política brasileira ao velho e pernicioso “Eu voto no fulano porque ele rouba, mas faz”. Faz o que?

Eis aí o sinal de que chegamos a um ponto de rompimento – ou destruição.

No entanto, em vez disso, ainda temos tempo de optar por um recomeço, uma reengenharia – a iniciar em nós próprios.

É chegada a hora de um grande passo para a independência, a saber, identificar os itens de nossa “não adaptação”, e decidir que agora chega. Já tivemos o bastante. Já não queremos mais tomar parte nisso.

Se você pensa que não fará diferença alguma, apenas experimente.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

sexta-feira, novembro 04, 2011

VISÃO I.T.C.

ABRAHAM SHAPIRO

Você tem visão ITC? Não estou falando de óculos especiais ou de um item de alta tecnologia. ITC é uma expressão largamente empregada hoje nos meios corporativos de todo o mundo. Ao pé da letra, em inglês, ela significa Innovation to Cash, ou “Inovação convertida em Dinheiro”.

As pessoas criativas imaginam “n” fórmulas para emplacar suas novidades. Mas o simples criar não resulta em venda garantida. Até que uma inovação se transforme em um bem de consumo ou numa necessidade do dia a dia, ela consome recursos e investimentos incalculáveis.

No entanto, há outros contextos onde o ITC se aplica perfeitamente bem. Por exemplo. Sabe aquele funcionário prolixo, mas muito esperto? Que aprendeu todos os termos técnicos do setor e sabe como ninguém empregá-los de forma a parecer envolvido com a empresa, com o mercado e com os clientes, mas na prática ele nunca vai ao ponto? Sim. Aquele enrolador que perde um tempão com um monte de platitudes! É com este aí que a fórmula ITC se aplica com perfeição.

Quando ele se aproxima com o bla bla bla de sempre, em vez de você ficar olhando com a cara de “Uau! Como esse cara entende”.... lembre-se que são brutais as chances de tudo aquilo não passar de lero-lero. A sua resposta deve ser: Ok...suas ideias são boas, interessantes e convencem.... Mas como iremos convertê-las em receita para a empresa?

Seja você o primeiro a trazer a prática para todos os momentos possíveis da vida e da empresa. Cuide disso, especialmente com pessoas discursivas demais. Ajude-as a porem os pés no chão, já que a tendência de sonhar as entusiasma pondo em risco a noção de custo.

Lembre-se: este não é um mundo de ideias apenas, mas de ações. Sem atitudes concretas, nada, de fato, acontece.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

quinta-feira, novembro 03, 2011

PARA SEMPRE JOVEM

ABRAHAM SHAPIRO

Um homem foi condenado à morte por um príncipe. No desespero de causa, fez uma proposta ao nobre. Se lhe desse um ano de graça, ele ensinaria o cachorro da corte a falar; se fracassasse, poderia, então, executá-lo. Surpreso com o bizarro projeto, o nobre aceitou.

Quando os amigos do condenado souberam da estranha proposta, acharam que ele estivesse louco. Tentando acalmá-los, ele revelou-lhes sua estratégia:

- “Um ano é muito tempo” – ele disse. “O príncipe pode morrer. Eu posso morrer. O cachorro pode morrer. E caso ninguém morra, vai que o cachorro aprende a falar!”.

Essa história é fantástica. Eu me divirto com este sujeito! Que cabeça genial!

Ao longo de meus anos, tenho visto e vivido situações não muito distantes do que essa história ensina. Não devemos nos apegar fanaticamente à lógica. Contradizendo a lógica, muitas novas possibilidades se abrem num piscar de olhos, quando menos se espera.

Precisamos ficar atentos ao fato de que fidelidade incondicional aos nossos métodos e raciocínios pode fechar portas para pensamentos e situações mais favoráveis ou lucrativas, ou ainda mais viáveis. Aliás, quem tem consciência constante observa que nem sempre o que pensamos está certo ou dá certo. Nem sempre os nossos cálculos resolvem problemas – sejam os nossos ou os dos outros.

Foi o homem mais sábio do mundo, o rei Salomão, quem disse: “O homem foi criado reto, mas procurou fazer muitos cálculos”. Ele nos informa que o excesso de cálculos limita as possibilidades a tal ponto que pode até desviar o homem da retidão.

Sempre há algo novo a ser descoberto. E isto começa no desapego aos nossos velhos modelos mentais. Uma música de Frank Sinatra diz: “Contos de fadas se realizam se você for jovem no coração”. Juventude não é física. A juventude verdadeira é mental. Questione as suas convicções mais sólidas e abra-se para novas visões e novas emoções.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

quarta-feira, novembro 02, 2011

COMO LIBERAR ENERGIA NA SUA EQUIPE

Mauricio Goldstein e Phil Read


Em qualquer ambiente organizacional, as pessoas jogam jogos políticos. Está em nossa natureza jogar quando estamos em grupo, quando há estresse e ansiedade e quando existem “prêmios” a serem conquistados (promoções, favor do chefe, o financiamento para um projeto, um novo contrato e assim por diante).


Mas os jogos políticos podem causar danos consideráveis às organizações. Eles impedem a aprendizagem, pioram o clima, diminuem a disposição para assumir riscos e formam uma barreira à mudança, afetando os principais processos de gestão. Seu principal efeito negativo é que eles são uma forma de desperdício. Medimos desperdício em fábricas em um nível detalhado, e tomamos medidas específicas para reduzir isso. No entanto, não existem boas estatísticas sobre “gestão de desperdício”, como resultado de jogos políticos. O tipo mais fácil de desperdício a considerar no que diz respeito aos jogos é simplesmente quanto tempo se perde.


Para identificar como lidamos com esse desperdício e o que podemos fazer para liberar energia nas organizações, fomos procurar compreender o real impacto e as principais causas para os jogos políticos.


Tempo perdido

Uma pesquisa com mais de 700 pessoas revelou quanta energia (e neste caso usamos tempo como medida) estava sendo gasta com jogos políticos, que poderia ser liberada para outras atividades (veja abaixo). Para nossa surpresa, os entrevistados disseram que, em média, 33% do tempo das pessoas é utilizado para jogos políticos. Para 20% dos entrevistados, na sua empresa, gasta-se mais de 50% do tempo com eles.



     clique na imagem para ampliar




Estes resultados nos apresentam uma oportunidade importante de ganho de produtividade e aumento da criatividade, em tempos em que o excesso de atividades (ou a falta de tempo) parece ser um dos principais problemas.


Na etapa seguinte, ficamos interessados nos fatores que mais encorajam estes jogos políticos nas empresas (ver página seguinte) e descobrimos que o clima de desconfiança é o fator que mais favorece a manipulação dentro de uma empresa (35% das respostas).




Antídoto natural

O movimento mais importante para liberar energia e tempo em sua organização portanto, é desenvolver uma cultura aberta, de cooperação e diálogo – antídoto natural para o excesso de jogos políticos. Esta nova cultura vai resultar num aumento de confiança, protagonismo, flexibilidade e criatividade. Mas como um líder deve construir esta cultura?

• Incentive que todos os colaboradores foquem sua atenção e seu trabalho nos clien-tes e no mercado (um foco externo), em vez de colocarem sua prioridade nos stakehol-ders internos — o foco interno cria um terreno fértil para jogos políticos. Faça suas reuniões, publicações corporativas e suas próprias mensagens refletirem esta direção.


• Ouça de forma eficaz as diferentes “vozes” dentro da organização — especial-mente aquelas que não estão dizendo exa-tamente o que você quer ouvir. Recompense pessoas que desafiam o consenso interno e estimule o conflito de forma objetiva e pensada. Especialmente ouça e aprecie discussões profundamente corajosas sobre as falhas e o que podemos aprender com elas. Esses comportamentos evitam um pensamento único e a falta de informação que podem gerar uma “monocultura”, tabus e uma tomada de decisão.








• Incentive a conversa em toda a orga-ni-zação — através de redes, cruzando funções e processos —, e não apenas “para cima e para baixo” na organização. Garanta que as equipes sejam criadas com uma composição e mandatos de várias partes da organização. Esta é a melhor maneira de criar significado comum, coordenar as ações e evitar silos e o “apontar de dedos” que inevitavelmente vem com isso.


• Desempenho é muito importante — mas certifique-se de que haja equilíbrio entre o curto e o longo prazos e que o clima que você transmite é de um senso de urgência pela importância de seus produtos e de sua qualidade para o mercado (e não de um sentimento de ansiedade e preocupação que torna as pessoas defensivas).


• Construa um ambiente de trabalho mais humano — mais conversas, menos e-mails, mais estilos “pessoais” de comunicação, mais apreciativo e cuidadoso; e transmita mais confiança no potencial intrínseco de cada pessoa, desafiando-a constantemente a produzir um trabalho excelente e focando em seu desenvolvimento emocional e espiritual e em sua autonomia.


• Identifique as questões relevantes para a evolução de toda a organização e favoreça a formação de equipes multifuncionais e multiníveis para buscar soluções e executá-las em conjunto.


• Repense a sua organização — ela parte de um ecossistema maior, interconectado, com colaboradores, clientes, fornecedores, comunidades, meio ambiente, etc. —, criando valor para todos os stakeholders.


• Enfim, modele os comportamentos que você quer ver e promova as pessoas que estão praticando estes comportamentos também — este é sempre o símbolo mais poderoso em uma organização. Alinhe processos, recompensas e rituais para isto.


Jogos políticos servem a nós mesmos, mas destroem valor e um senso de propósito em nossas organizações. Uma liderança corajosa serve aos outros — incluindo clientes e colaboradores — e transforma as organizações em prol de uma sociedade melhor.


* A pesquisa foi elaborada com mais de 700 pessoas em eventos do Conarh, HSM, Congresso 6 Sigma e Simpósio Ciclo —Demand & Supply Chain.



terça-feira, novembro 01, 2011

COMO SEGURAR GENTE DE ALTO POTENCIAL

Claudio Fernández-Aráoz, Boris Groysberg e Nitin Nohria


A guerra por talentos não dá sinal de trégua, nem em setores de crescimento modesto. Um estudo mundial que fizemos revela que apenas 15% das empresas na América do Norte e na Ásia acreditam ter um número suficiente de sucessores qualificados para instalar em postos cruciais. O quadro é ligeiramente melhor na Europa; ainda assim, menos de 30% das empresas ali se sentem seguras sobre a qualidade e a quantidade dos talentos da casa. Além disso, justamente onde muitas empresas estão concentrando sua estratégia de crescimento — em mercados emergentes —, o estoque de gestores tarimbados é o mais limitado, escassez que deve continuar por mais duas décadas.

Uma estratégia popular de combate é instituir programas voltados a gente de “alto potencial”: profissionais que, na opinião da empresa, poderiam vir a ser seus futuros líderes. O apelo é claro para ambos os lados: gestores promissores são atraídos por empresas notórias por fortes oportunidades de desenvolvimento; já um banco de talentos bem administrado aumenta drasticamente a probabilidade de que a empresa instale grandes líderes no topo.


Mas um programa desses não é simples de executar. Critérios de seleção costumam ser confusos. É comum o pessoal não entender por que alguém foi incluído e outro excluído. Líderes da empresa precisam pesar as vantagens de instalar gente de alto desempenho em oportunidades de desenvolvimento e as desvantagens de distrair temporariamente essa gente das necessidades imediatas da empresa. Há o risco de derrubar o moral de colaboradores sólidos que não são ungidos como profissionais de alto potencial — a vasta maioria dos gestores, da gente que mantém os trens rodando na hora. Às vezes, um eleito deixa a empresa ou não corresponde às expectativas. E, não raro, o programa perde embalo, deixando a empresa sem saber se valeu a pena e causando ceticismo entre o pessoal.







Há exceções, é claro. Empresas como GE, Unilever, PepsiCo e Shell há muito são famosas pela esmerada atenção à gestão de talentos. Mas essas empresas não são a regra.


Até onde sabemos, ninguém nunca estudou o processo de gestão de gente de alto potencial de ponta a ponta. Para preencher essa lacuna, em 2007 lançamos um projeto de pesquisa em parceria com a firma de seleção de executivos Egon Zehnder International, realizando uma análise transversal e longitudinal em larga escala do modo como empresas avaliam e administram seus astros em ascensão. Também entrevistamos executivos de 70 empresas com programas de alto potencial — empresas de todo porte e de diversas partes do mun do.


Durante esse estudo, identificamos uma série de práticas de ponta. Algumas são de lugares inesperados — como um fabricante argentino de tubos de aço que se tornou um líder internacional apesar de turbulências na região e no setor e um banco turco que internacionalizou as operações. Algumas são amplas, como o envolvimento direto da alta equipe gestora de um fabricante de dispositivos farmacêuticos no desenvolvimento dos 600 líderes mais promissores da empresa. Apesar da fartura de programas para gente de alto potencial, o campo é tão novo e tão dinâmico que essas práticas ainda não passaram pela prova do tempo. Ainda assim, podem dar belas ideias e inspiração para empresas interessadas em fortalecer a reserva de talentos.


Uma descoberta importante de nossa pesquisa foi que a gestão eficaz da geração seguinte de líderes sempre abarca três grupos de atividades. O primeiro envolve a definição de prioridades estratégicas claras, que ditam a forma como a empresa prepara líderes de alto potencial. O segundo envolve a cuidadosa seleção de candidatos de alto potencial — e informar quem são aos demais na organização, o que pode ser delicado. E o terceiro compreende a gestão dos talentos em si — como gente de alto potencial é cultivada, recompensada e retida.



clique na imagem para ampliar


Não há um método universal para a criação de um programa de sucesso. Assim como não é possível aplicar diretamente qualquer outro processo de gestão de pessoas de outra empresa, não dá para achar que um programa para indivíduos de alto potencial que dá certo em outro lugar vai dar certo em sua empresa. Sua estratégia e sua cultura influenciam a natureza do programa que será mais eficaz. Se sua estratégia é crescer de forma agressiva por meio de aquisições em mercados emergentes, por exemplo, será preciso um programa distinto do que seria necessário se a empresa estivesse buscando a liderança de baixo custo através de ganhos operacionais e de produtividade.


Mais à frente, iremos descrever os três aspectos — estratégico, seleção e gerencial — de programas eficazes para gente de alto potencial. Mas partamos, primeiro, com uma definição.


O que é potencial?

Foi com certa surpresa que descobrimos que muitas empresas lançam um programa para gente de alto potencial sem primeiro definir o que querem dizer com “potencial”. Usamos a seguinte definição, simples: potencial indica se alguém será capaz ou não de ter sucesso num cargo mais importante no futuro. É a capacidade de crescer e assumir responsabilidades de maior escala e escopo do indivíduo. Por “maior escala” queremos dizer uma função na mesma área, porém com, digamos, um orçamento ou uma equipe maiores; por “maior escopo”, queremos dizer uma função envolvendo atividades de amplitude e complexidade consideravelmente maiores.


Peguemos uma vice-presidente de vendas que reiteradamente cumpra o projetado no orçamento. Seria razoável esperar que assumisse a responsabilidade pelo marketing também? Será que conseguiria chefiar uma iniciativa multidivisional — reposicionando a organização de centrada no produto para centrada no cliente? Para ser considerada de alto potencial, a executiva não precisa estar pronta para assumir o desafio amanhã. Só que, para investir significativamente em seu desenvolvimento, a empresa vai querer estar relativamente segura de que o investimento vai dar retorno.


Antes de classificá-la como líder em ascensão, portanto, é preciso buscar indícios de sua capacidade de aprender depressa com a prática, de um genuíno interesse em ampliar seu escopo (a executiva é inclinada a comparecer a reuniões nas quais poderia aprender algo sem ligação direta com seu trabalho?) e de disposição a assumir obrigações adicionais sem muito aviso prévio. A moça pode ser muito brilhante e uma colaboradora altamente valorizada — mas ainda assim não ser considerada alguém de alto potencial.


Um modelo básico para avaliar o potencial de executivos, criado pela Egon Zehnder International, é apresentado no quadro “Fundamentos do potencial executivo”. São cinco elementos, retratados no quadro como uma seção de cinco aros concêntricos. Estes vão de muito difícil de mudar (motivos) a altamente adquiríveis (habilidades)./div>


No miolo do círculo estão os motivos do indivíduo, que preveem padrões reiterados de comportamento ao longo do tempo. Tendem a ser estáveis, em geral não são conscientes e são altamente ligados àquilo que a pessoa curte e a torna energizada ou envolvida. A pessoa sente satisfação ao ver os outros terem sucesso? Demonstra mais paixão pela missão da organização do que por ganhos pessoais? Estudos fundacionais feitos há muito em Harvard mostraram a relevância dos “três motivos sociais”: realização, afiliação e influência. Uma manifestação desse último motivo, o desejo de influência socializada (exercer um impacto positivo sobre os outros para o bem da organização como um todo) ajuda a prever o potencial para altos cargos executivos. Em certa medida, pode ser um traço nato — ou, no mínimo, produto de interações sociais numa idade tenra. Contudo, experiências positivas de trabalho e uma sábia orientação podem ajudar o indivíduo a cultivar melhores motivos.










No nível adjacente, o leitor encontrará uma série de habilidades que chamamos de “ativos de liderança” — e que preveem até onde e com que rapidez o executivo vai crescer. Há quatro ativos importantes: um indivíduo de alto potencial extrai insight; é capaz de decifrar uma vasta gama de informações e descobrir e aplicar ideias novas que transformem práticas do passado ou definam novos rumos. Também envolve os outros de forma eficaz por meio da emoção e da lógica, comunicando uma visão convincente e conectando indivíduos. Demonstra determinação e segue avançando rumo a metas apesar dos desafios. Por último, e talvez mais importante, a pessoa de alto potencial busca entendimento; está sempre à procura de experiências, ideias e conhecimento novos; pede feedback; e ajusta seu comportamento à luz disso.


No nível seguinte está a noção do eu, ou identidade. Essa identidade é o modo como a pessoa se enxerga no palco. Para gente de alto potencial, isso significa se imaginar como um alto executivo — não só pelo prestígio, mas pelo desejo de realizar a paixão por desenvolver uma equipe ou tirar algo do papel. Um colaborador pode ser motivado pelo sucesso dos outros, por exemplo, mas não ter nenhum desejo de exercer um papel maior na empresa.


As características encontradas nesses três círculos internos — dificílimas de mudar ou adquirir — são essenciais para o alto potencial. Tudo o que está nos dois anéis mais externos do modelo — habilidades e conhecimento — pode ser adquirido. Habilidades — o que um executivo é capaz de fazer e aplicar — podem efetivamente ser ensinadas ou aprendidas na prática. E, para realizar bem um certo trabalho, todo gestor precisa de algum conhecimento especializado (sobre um mercado, uma atividade ou certas práticas, por exemplo) que deve ser testado e a certa altura suprido antes de qualquer promoção importante.


Alinhe desenvolvimento a estratégia

Em muitas empresas, o programa de indivíduos de alto potencial simplesmente reproduz o de outras empresas, como se fosse possível desenvolver talentos com um modelo genérico, sem levar em conta os objetivos da organização. O potencial é situacional — e programas para sua gestão devem estar alinhados com a estratégia de uma empresa (se sua proposta de valor ao pessoal é preparar o indivíduo para uma carreira de sucesso aonde quer que vá, é uma meta legítima, embora não seja algo que vá necessariamente fortalecer sua reserva de talentos). Não há uma versão universal do grande gestor, como descobrimos ao fazer uma análise de um grande grupo de gente formada na GE e que mais tarde ocuparia a presidência de outras empresas. Alguns adicionaram um tremendo valor à nova organização; já outros foram um fiasco. Todos, sem dúvida, passaram pelo rigoroso processo de desenvolvimento da GE, mas só puderam se destacar numa nova empresa quando o ajuste estratégico, organizacional e setorial era forte.


Se a estratégia de uma empresa for crescer em mercados emergentes, por exemplo, uma saída seria montar uma reserva de talentos mais globalizada, bem como de gente que já mostrou flexibilidade ao atuar em ambientes desconhecidos. Em comparação, uma empresa decidida a ser a líder de baixo custo pode mirar gente altamente disciplinada e orientada a resultados.


Organizações com melhores práticas partem com esse foco estratégico mas reexaminam periodicamente as prioridades estratégicas para atualizar o banco de candidatos. Essa flexibilidade é crucial; pelo que vimos, empresas que adotam metas rígidas sobre o tipo ou o número de indivíduos de alto potencial (em vez de uma abordagem dinâmica) acabam caindo na complacência e não tiram muito desses programas.


Uma última observação sobre casar a gestão de talentos à estratégia: não é um assunto a ser deixado ao RH. Se a alta equipe gestora não estiver envolvida, o processo pode estar fadado ao fracasso. Talvez seja difícil fazer os executivos mais graduados exibirem um interesse visceral na formação de talentos, mas, se não se envolverem pessoalmente desde o início, o programa inteiro pode facilmente tomar o rumo errado.


Escolha com cuidado


Embora possa ser complicado, escolher candidatos paraum programa desses é um aspecto extremamente importante do processo: as consequências de uma avaliação falha podem ser caras. Além de ser um desperdício — capacitar e desenvolver gente que dificilmente chegará a líder —, também derruba o moral do pessoal e a credibilidade do programa inteiro. Além disso, uma avaliação ruim significa que indivíduos com forte potencial acabam excluídos. Desmotivar um possível astro pelo motivo errado pode custar caríssimo.


Identificar candidatos promissores. A seleção em geral começa com a indicação da pessoa por seu supervisor imediato ou pelo processo anual de avaliação. Em várias empresas que estudamos, incluindo uma instituição de serviços financeiros no Caribe, uma concessionária de serviços públicos italiana e um banco do Chipre, cabe a gerentes apontar funcionários de alto potencial. Em certas empresas, o gerente deve apresentar candidatos do próprio departamento — mas também pode nomear indivíduos de outras áreas da empresa.


Outras empresas, como um banco dinamarquês que estudamos, uma companhia aérea europeia e uma provedora escandinava de internet, deixam que o próprio funcionário se candidate. Vimos, contudo, que a prática não é comum, pois traz riscos. De modo geral, as pessoas superestimam o próprio potencial. Essa autoavaliação pode ser útil, mas precisa ser contextualizada.


Usar a avaliação anual de desempenho para a primeira triagem dá mais objetividade ao processo. Numa operadora de gasodutos que estudamos, dois anos de avaliações acima da média fazem o indivíduo ser considerado de alto potencial. Numa seguradora, o processo anual de avaliação prevê espressamente que cada pessoa seja categorizada como lateral, potencial ou alto potencial: lateral significa que só está pronta para assumir outro posto do mesmo nível; potencial significa pronta para ser promovida no intervalo de dois anos; e alto potencial indica a capacidade de galgar dois grandes degraus na hierarquia no prazo de cinco anos. Mas a avaliação anual não basta por si só: estudos mostram que a maioria das pessoas de desempenho elevado não tem, na verdade, alto potencial. Daí sugerirmos que a avaliação seja complementada com uma visão subjetiva do candidato — como a indicação de supervisores e outros subsídios.


Tendo realizado essa primeira triagem dos candidatos, o passo seguinte é fazer uma avaliação válida e fidedigna ​​de seu potencial. Aqui, muitas empresas costumam usar testes de personalidade. A prática é ligeiramente mais comum na América do Norte e um pouco menos popular na Ásia e na África. Não é algo que recomendamos. Embora estudos no início da década de 1990 tenham dado provas de que a personalidade pode prever o desempenho no trabalho, hoje está claro que testes de personalidade não têm muita validade. Além disso, se o próprio indivíduo responder ao questionário, não há como impedir a manipulação do teste. As melhores ferramentas para avaliar o potencial são referências e entrevistas comportamentais. Em certas empresas, testes psicométricos são usados apenas para personalizar planos de carreira de candidatos já selecionados por outros meios.


Cada vez mais, organizações importantes também complementam avaliações internas com a consulta periódica a parceiros externos qualificados. Uma avaliação externa diminui o elemento da parcialidade e garante um amplo conjunto de benchmarks


permitindo à empresa cotejar os talentos da casa com fortes candidatos de fora.


Tão importante quanto os métodos empregados é a pessoa que conduz a avaliação. A maioria nem de longe é tão boa quanto julga ser em avaliar os outros. Aliás, a maioria dos gestores é péssima na hora de prever realizações futuras do pessoal. A boa notícia é que não é questão de intuição: é possível aprender a avaliar bem. E a pessoa certa, de posse do modelo certo, pode aprender a avaliar o potencial de outra (prever se a pessoa não será promovida, se será promovida uma vez ou se será promovida duas vezes ou mais nos quatro ou cinco anos seguintes) com uma precisão de 85%.


Comunicar bem a decisão. Muitas organizações tentam “ocultar” o fato de que classificaram alguém como de alto potencial, como se fosse possível. Um estudo da Anthony J. Fresina and Associates em 1987 — com 225 empresas em dez setores — concluiu que 78% das empresas não informavam gente de alto potencial de seu status, mas que em 90% das vezes o pessoal sabia mesmo assim. No entanto, mesmo naquele estudo, havia uma clara associação entre informar gente de alto potencial de sua condição e uma maior retenção e maior produtividade.




É, contudo, um tema delicado. Se for totalmente transparente sobre quem está na lista, é preciso se preparar para a decepção dos que não foram ungidos e até a frustração de indivíduos de alto potencial cujas expectativas não forem cumpridas. Acreditamos firmemente na transparência: se alguém é de alto potencial, diga; se não é, reconheça o fato. De certo modo, o impulso a manter a lista sigilosa é compreensível, pois o processo ainda engatinha em muitas empresas e até para avaliar o desempenho passado a empresa já sente muita dificuldade. Descobrimos, no entanto, que a principal razão para a empresa não ser totalmente transparente é que seu processo é subjetivo ou injusto demais — e, portanto, indefensável.


Para garantir que estejam dando o feedback certo, as empresas que estudamos em geral têm uma conversa a sós com cada gerente para comunicar se ele foi ou não classificado como de alto potencial. Certas empresas também comunicam essa condição indiretamente, ao sugerir a participação em programas especiais ou nomear o gestor para papéis e missões especiais de desenvolvimento. Transparência, no entanto, é melhor do que sigilo.


Prepare e premie na medida certa

O desenvolvimento de indivíduos de alto potencial precisa ir além de programas de ensino formal. Deve incluir o aprendizado autodirigido e outras formas de capacitação. A formação na prática também é crucial. Mudar motivos e traços subjacentes é difícil, mas uma combinação de mentoring, coaching e educação dirigidos, além de experiências de trabalho, pode produzir um impacto considerável. Em nosso estudo, as melhores empresas buscam experiências que a um só tempo desafiam e motivam as pessoas — e dão forte incentivo ao envolvimento de altos líderes em atividades vitais como o mentoring.


Programas para quadros de alto potencial em geral empregam um punhado de métodos consagrados pelo tempo. Uma instituição financeira do Leste Europeu que analisamos tem um exemplo clássico de programa formal bem pensado. Além de fazer seu trabalho normal e participar de projetos exigentes, um grupo seleto de gerentes de nível médio na instituição participa de um programa de capacitação de 15 meses desenhado e ministrado por acadêmicos de escolas de negócios com conteúdo de cursos de administração, inclusive estudo de casos. Paralelamente, recebem coaching. Quando o programa acaba, passam de três a seis meses num projeto no exterior — oportunidade de desenvolvimento pessoal na qual fazem um trabalho intimamente ligado a sua ocupação na matriz.


É útil envolver os líderes da empresa como mestres — tanto em programas formais como em conversas informais — e na formação de redes. Gente de alto potencial precisa de visibilidade junto a altos executivos, bem como exemplos de liderança. Num grande laboratório farmacêutico que estudamos, o presidente e outros membros da alta equipe gestora têm conversas a dois com gente sendo preparada para postos de liderança. “Ali, perguntam sobre a experiência de fazer parte da reserva de talentos”, explica a vice-presidente-executiva de RH e assuntos corporativos da empresa. “Sentem que estão recebendo o treinamento adequado? Estão sendo bem orientados pelo superior? Como podemos ajudá-los? Estão cientes dos benefícios de pertencer à reserva mundial de talentos? Quando dedica parte de seu tempo a isso, o presidente mostra o quão importante considera a iniciativa.”


Rodízio de funções. Já está provado que a experiência prática é, de longe, a alavanca mais eficaz para cultivar habilidades que levarão alguém de alto potencial a postos maiores, mais graduados e mais complexos. Já em 1988, um estudo sobre gestão de indivíduos de alto potencial conduzido por C. Brooklyn Derr, Candace Jones e Edmund L. Toomey mostrava que 84% das empresas empregavam o rodízio de funções, ou “job rotation”, como a principal estratégia para o desenvolvimento de gente de alto potencial.


Um rodízio que desenvolve o gestor inclui a transferência para funções de maior escala, maior escopo, de funções administrativas para operacionais (e vice-versa), para outra área (cuidar de uma série bem distinta de atividades em outra divisão, outro departamento, outro setor), start-ups, reestruturações, iniciativas de gestão de mudanças e transferências internacionais. Mudanças de nível, de unidade organizacional, de lugar, de setor e de circunstâncias também ajudam o gestor a crescer. O ideal é que o novo posto traga novidades e exija adaptação. Quanto maior a mudança em escopo e responsabilidade, maior o aprendizado. É tênue, no entanto, a linha que separa uma missão desafiante de uma missão que esmaga a pessoa.


Já que não sai barato, o rodízio de funções deve ser definido com cuidado. Aqui, de novo, é útil voltar às metas estratégicas da organização. O que é que o indivíduo de alto potencial realmente precisaria para contribuir ainda mais para os objetivos estratégicos da empresa? Se for, digamos, uma experiência internacional mais ampla, considere a transferência para outro lugar com um possível aumento na escala da ocupação. Mas cuidado para não sobrecarregar a pessoa — se estiver esperando que alguém comande uma considerável expansão no exterior, não inclua vários outros desafios em outras dimensões.


Recompensas e incentivos. Certas empresas parecem achar que classificar alguém como de alto potencial já é, em si, uma bela recompensa. Já as melhores vão além dos benefícios da participação em programas específicos de desenvolvimento e tomam decisões refletidas sobre a remuneração de seus quadros de alto potencial e sobre o melhor modo de efetuá-la.


Incentivos financeiros não devem ser excessivos — a remuneração é uma parte apenas de qualquer estratégia de recompensa — e devem estar devidamente alinhados à meta de suprir a empresa de recursos fortes e duradouros. Incentivos externos como dinheiro só funcionam em conjunto com motivadores internos como a necessidade de realização e reconhecimento. Embora precise pagar bem para atrair e reter gente de alto potencial para começo de conversa, a empresa deve cuidar para não exagerar, pois é grande o risco de desmotivar quem não é considerado como de alto potencial — gente que pode sentir que sua remuneração não é justa.

Se o pessoal é seu ativo mais importante, como muitas empresas costumam dizer, então indivíduos de alto potencial são vitais para seu futuro. Hesitamos um pouco em rotular definitivamente os processos aqui descritos de “melhores práticas”, pois ainda estão evoluindo e não temos evidência de seu mérito a longo prazo. Mas damos crédito a empresas que estão testando novas abordagens, pois estarão na vanguarda agora que entramos na batalha talvez mais intensa já travada na guerra mundial por talentos.
 ___________________________________________



Claudio Fernández-Aráoz é consultor sênior da Egon Zehnder International, autor de Grandes Decisões Sobre Pessoas (DVS, 2009) e orador frequente em congressos.  Boris Groysberg é professor de administração de empresas do departamento de Organizational Behavior da Harvard Business School, nos EUA. Nitin Nohria é titular da cátedra George F. Baker Professor of Administration e reitor da Harvard Business School.


CONTROLE O SEU ESTRESSE

-
Recebido por e-mail de meu amigo Paulo Raphael Nonino

Em uma conferência, ao explicar para a platéia a forma de controlar o estresse, o palestrante levantou um copo com água e perguntou:

- Qual o peso deste copo d'água? 

As respostas variaram de 250g. a 700g.

O palestrante, então, disse:

- O peso real não importa. Isso depende de por quanto tempo você segurar o copo levantado. Se o copo for mantido levantado durante um minuto, isso não é um problema. Se eu o mantenho levantado por uma hora, eu vou acabar com dor no braço. Mas se eu ficar segurando-o por um dia inteiro, provavelmente terei cãibras dolorosas e vocês terão de chamar uma ambulância.

E ele continuou:

- Isso acontece também com o estresse e a forma como o controlamos. Se você carrega a sua carga por longos períodos, ou o tempo todo, cedo ou tarde a carga vai começar a ficar incrivelmente pesada e, finalmente, você não será mais capaz de carregá-la. Para que o copo de água não fique pesado, você precisa colocá-lo sobre alguma coisa de vez em quando e descansar antes de pegá-lo novamente. Com nossa carga acontece o mesmo. Quando estamos refrescados e descansados nós podemos novamente transportar nossa carga.

segunda-feira, outubro 31, 2011

É BOM CRER

Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 31/10/2011, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos

ABRAHAM SHAPIRO

Há um empresário na cidade cujos negócios evoluíram muito nos últimos dez anos. Nesse tempo, gerentes, diretores e outras lideranças internas atuaram de modo assimétrico em suas empresas. Fizeram demais. “Rodaram” demais. O desgaste foi grande. Os lucros vieram. Porém, sem nenhuma coordenação. Nada resultou de uma estratégia ajustada. Ele ficou incomodado com isso.

Hoje, por questão de segurança e até pelo futuro, ele carece ter uma equipe alinhada ao ritmo de seu desenvolvimento. Quer solidez e assertividade.

Como se consegue isto? Com pessoas certas. E com treinamento; muito treinamento.

Ele nos procurou para conhecer nossa orientação. Após o terceiro encontro, identifiquei aquilo que será o seu maior obstáculo. Ele mesmo.

Ele não acredita em que as pessoas de seu grupo se comprometerão com um plano. Por isso, é centralizador e não delega nada a ninguém! As coisas importantes estão sobre os seus ombros todo o tempo.

Você leva seu filho ao médico e ele receita chá de boldo. Se você já provou o terrível sabor dessa erva e tenta convencer o menino de que não é ruim ele não confiará, porque você não acredita no que diz.

Nada acontece sem que se creia. Ninguém comunica confiança sem ter confiança. Palavras são por si mesmas vazias. Só quando geradas numa convicção persuadem.

Tudo em que se crê poderosamente se realiza. Vale também o contrário. A fé infunde vida às coisas, às ideias e aos planos. Sem ela, nada acontece. “Eu espero que dê certo”, ou “Se Deus quiser conseguiremos”, não é fé, mas esperança.

Nas empresas daquele próspero homem de negócios, nem o maior especialista em pessoas, nem o mais perfeito estrategista do planeta conseguiriam chegar ao ponto desejado sem que ele mesmo cresse nas diretrizes estabelecidas. O passo seguinte seria praticá-las. Só então os demais o seguiriam.

Quem não crê, não vive.
______________________ 

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

O ESPECTRO DE MALTHUS


Mundo chega a 7 bilhões de habitantes, segundo as imprecisas contas da ONU, o que reforça a necessidade de mais planejamento familiar

Editorial da edição de 30/10/2011 da Folha de S. Paulo


Calejado pelas violentas reviravoltas políticas de sua época, às quais sobrevivia graças ao espetacular cinismo, Charles-Maurice de Talleyrand (1754-1838) observou certa vez que "a alta traição é apenas um problema de data".

Numa conjuntura extremamente instável, a lealdade a determinado soberano poderia ser ato patriótico ou infame, dependendo do exato instante em que se manifestasse.

A frase de Talleyrand poderia ser aplicada, sem tanto cinismo, ao campo das previsões sobre o crescimento populacional. Desde que seu contemporâneo, o economista Thomas Malthus (1766-1834), formulou as primeiras previsões quanto ao esgotamento dos recursos naturais do planeta, incapazes de acompanhar o ritmo exponencial da reprodução humana, seu pessimismo foi aceito ou contestado conforme as circunstâncias.

A ascensão vertiginosa da população, que começava naquele século 18, só não redundou em fome catastrófica e barbárie porque, felizmente, foi acompanhada de igualmente vertiginosos avanços na tecnologia e na produtividade.

Segundo as aproximações estatísticas da ONU, naturalmente imprecisas diante da disparidade de dados entre os países, amanhã o planeta passa a contar com 7 bilhões de habitantes.

Tantas vezes afastado, o espectro de Malthus volta a rondar as especulações de alguns especialistas, agora preocupados com o impacto gravíssimo que não apenas o crescimento da população, mas também o próprio progresso tecnológico e material, podem ter sobre o ambiente.

Como na frase de Talleyrand, seria então o caso de dizer que a verdade do malthusianismo "é apenas questão de data"? Ninguém saberia responder com certeza. Novas fontes de energia e de matérias-primas podem, no futuro, anular as ameaças, hoje agudas, do aquecimento global e da escassez.

Se a população declinará nos países desenvolvidos, e mesmo em potências emergentes como o Brasil e a China, o ingresso de novos contingentes no mercado de consumo e no sistema produtivo, especialmente na África, tende a pressionar ainda mais o equilíbrio ecológico do planeta.

Seja qual for a resultante dessas tendências contraditórias, parece evidente que em países como a Nigéria (que iria de 163 milhões hoje a 730 milhões em 2100) a velocidade do crescimento populacional excede qualquer possibilidade de garantir um mínimo de bem-estar para seus habitantes.

A única política pública eficaz, em situações tão próximas da inabitabilidade humana, seria garantir o acesso universal ao planejamento familiar. Tanto quanto uma necessidade prática, trata-se de atender a um direito de escolha -o de ter ou não mais filhos-, negado justamente àqueles habitantes do planeta que menos condições possuem de assegurar um futuro digno a seus descendentes.

sexta-feira, outubro 28, 2011

A APARÊNCIA IMPORTA

ABRAHAM SHAPIRO

A visão é o sentido que predomina em todas as situações de comunicação direta. Cuide de sua aparência, pois, isto é vital.

Mas cuidado. Você não precisa vestir-se com roupas de grife para mostrar uma boa imagem. Uma aparência decente tem quatro pontos principais. Se um deles faltar, o conjunto ficará incompleto.

O primeiro é higiene. Tome banho sempre. Seja limpo. Mantenha seus dentes e unhas limpos, mãos lavadas e cabelos também lavados. Para os homens: barba feita ou aparada.

O segundo é o cheiro. O perfume geralmente chega antes da pessoa. Use perfume com equilíbrio. Não exagere, pois, pode funcionar ao contrário, causando rejeição ou enjoo.

No homem e na mulher os sapatos são artigos importantes. Mantenha os seus limpos. Eles são as vestes de seus pés. Este é o terceiro ponto.

O quarto e último quesito que constrói a sua aparência são as palavras que você usa e o modo de falá-las. Seja apropriado sempre. Fale bem e conheça o sentido das palavras que você emprega. Evite ser um falador prolixo.

Fique atento à sua postura. Seja elegante, sem gastar todo o seu dinheiro com vestes. Elegância causa impacto positivo em qualquer ocasião.
______________________


Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

quinta-feira, outubro 27, 2011

VERDADEIRA GRANDEZA

ABRAHAM SHAPIRO

A falta de conceitos na vida causa sofrimento e confusão. Não ter um entendimento claro sobre o que são as crises, por exemplo, impede-nos de tirar maior proveito delas e de sermos melhores indivíduos. Fugir de uma crise é fugir de uma oportunidade incomparável de se tornar grande. Quando você foge da responsabilidade que tem em um lugar para estar em outro, duas coisas ficam imperfeitas: o local onde era preciso que você estivesse e o local onde você se encontra agora, mas não devia.

A lição maior a respeito das crises pode ser aprendida por meio de uma pergunta aparentemente corriqueira: “E agora? Como vamos superar esta situação?” A saída ou solução que se encontrar será um excelente indicador qualitativo da magnitude humana de quem enfrenta a tal situação.
De uma vez por todas precisamos saber: não existe vida sem crise.

O que é crise? Os dicionários definem como “estado de súbito desequilíbrio, incerteza, vacilação ou declínio”.

As crises existem para extrair o melhor daquilo que há no ser humano. É quando a potencialidade oculta – desconhecida ou, até, inconsciente – pode tornar-se visível sob a forma de inteligência, brilhantismo, força, velocidade, eficácia, produtividade, boas idéias e muito mais.

Se há vida, há crise. Então, por que temos uma rejeição natural às dificuldades que são inerentes à própria vida? Por que reagimos com desânimo, fraqueza ou sentimento de auto-desprezo ao invés de coragem e bravura? Nossa objeção está na ótica com que encaramos nossos apertos.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

quarta-feira, outubro 26, 2011

A PACIÊNCIA COMO COMPETÊNCIA DE OURO

ABRAHAM SHAPIRO

Daniel Goleman é um psicólogo norteamericano que acumula as funções de escritor de amplitude internacional e de consultor de empresas. A obra de maior destaque de Goleman é “A Inteligência Emocional”, na qual ele introduziu um novo modo de caracterizar as competências pessoais não mais através do Quociente Intelectual, mas do Quociente Emocional, chamado QE.

Segundo Goleman, é conclusiva a evidência de que a paciência desempenha o papel principal no sucesso de muita gente.

Mas o que é paciência? O próprio Goleman define como a capacidade de resistir ao impulso. O dicionário complementa com: virtude que consiste em suportar dissabores ou provocações com resignação, persistir numa atividade difícil, e ter calma para esperar o que tarda, entre outras definições.

Há uma passagem na história das grandes empresas envolvendo Sr. Konosuke Matsushita, que em 1918, com apenas 23 anos, fundou uma pequena empresa familiar chamada Matsushita Electric Industrial, contando com 2 empregados, e fabricando um plug para tomada elétrica, projetado por ele mesmo.

Hoje, as empresas que se ramificaram a partir da Matsushita se unem debaixo de uma marca de fama mundial. É a Panasonic – uma das maiores empresas do mundo em eletroeletrônicos.

O Sr Matsushita, com quase 90 anos de idade, dava uma entrevista a uma tevê americana. O repórter perguntou-lhe: “Qual a extensão dos objetivos a longo prazo que o senhor estabeleceu para a sua empresa?”.

E ele respondeu: “Nós temos objetivos de até 250 anos”.

O repórter ficou atônito ao ouvir uma resposta tão surpreendente e, de imediato, retornou-lhe a questão que transformou a entrevista em um encontro inesquecível e histórico. A pergunta foi: “Perdoe-me a curiosidade, o que é preciso para manter objetivos de 250 anos numa empresa?” E o velho Matsushita, sem hesitar, deu a resposta precisa, exata e inequívoca, com uma única palavra. Ele respondeu: “Paciência”.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

terça-feira, outubro 25, 2011

A INTENÇÃO POR TRÁS DAS AÇÕES

ABRAHAM SHAPIRO

Alguém entra no seu escritório aos gritos. Se você se perguntar: "O que é que ele deseja com isso?", poderá descobrir que provavelmente ele só quer a sua atenção para ajudá-lo a resolver algum problema que o aflige.

Todo comportamento, mesmo que aparentemente estranho ou condenável, tem uma intenção positiva quando analisado dentro do contexto e da experiência da pessoa que o exibe.

É importante exercitar a descoberta do que motiva a pessoa a agir de seu modo específico.

Mesmo que inicialmente não enxerguemos ou não aceitemos esta motivação, é possível desenvolver a capacidade de entender que intenção é esta. Aí está uma das mais difíceis lições de maturidade de qualquer indivíduo.

Seres humanos elevados entendem não ser necessário concentrar-se na aparência do que os outros fazem. Sabem que por trás – por pior que pareça  – sempre há algo que estas pessoas têm dificuldade em demonstrar com clareza. A compreensão nos relacionamentos depende sempre de nós.

Pratique e cresça também nisso.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

segunda-feira, outubro 24, 2011

O SUCESSO DEFINITIVO

Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 24/10/2011, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos



ABRAHAM SHAPIRO

Aquele senhor de uns sessenta anos sentado a meu lado no voo S. Paulo - Porto Alegre lia um jornal quando disse-me: “As pessoas não sabem mais o que é trabalhar. Desde criança eu acordo às cinco da manhã todos os dias. Eu sou bem sucedido porque foi com esforço que cheguei até aqui”.

Lá estava ele! Ilusório como o Monstro do Lago Ness ou o E.T. de Varginha; a espécie mais amplamente divulgada e jamais identificada. Seu nome? “Um homem bem sucedido”. Programas de televisão, artigos de jornais, grandes revistas e talk shows falam sobre a sua existência sem que nunca o tivessem visto de perto. E eu tinha logo ali, bem ao alcance da minha visão e sem meus “óculos de longe”.

Morris é um dos maiores empreendedores da bolsa americana, em Wall Street. Acorda diariamente às quatro da manhã. Trabalha sem parar até tarde da noite e tem satisfação e prazer no que faz. De onde vem sua motivação? Dele próprio? Do exterior?

O que, afinal, é o sucesso? O que na prática significa ser bem sucedido?

Imagine que você esteja assistindo a uma corrida olímpica de cem metros rasos. Um dos atletas acaba de bater o recorde mundial de 9,2 segundos. O segundo levou 9,6 segundos para cruzar a linha de chegada. Qual dos dois é o sucesso? O primeiro, naturalmente.

E se você soubesse que o segundo sofreu uma paralisia quando criança, esteve impedido de andar até a adolescência, gastou anos de dores com exercícios e fisioterapia até capacitar-se para competições? Você não vê as coisas por outra ótica agora? Sabendo “como” ele chegou até aqui, é bem provável que irá respeitá-lo mais e sentir uma grande admiração, mesmo não tendo ele levado a medalha de ouro.

O sucesso não tem a ver com o degrau em que você se encontra na escada, mas como fez para chegar onde está agora. A fórmula para se conseguir o verdadeiro sucesso encontra-se em uma palavra, e ela é: esforço.

Estou certo de que a conquista do verdadeiro sucesso – o que vem traz os anexos paz e tranquilidade – é direta e exclusivamente proporcional ao esforço investido em sua busca. De outro modo, o que se obtém é apenas ilusão – em absolutamente todos os casos.
______________________ 


Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

OTIMISMO OU LOUCURA?

ABRAHAM SHAPIRO

Li uma notícia sobre as estratégias que as empresas estão adotando como proteção contra as turbulências econômicas mundiais. Entre vários depoimentos de dirigentes preocupados, havia um totalmente à contramão das tendências. O tal diretor considerava prematuro traçar estratégias para combater uma crise cujos efeitos sua empresa ainda não sentia, e que por isso manteria seus planos de crescimento.

Uau!!! Sempre me atraio por quem segue a direção oposta à manada. Será que eu estava, enfim, diante de alguém que teria encontrado a fórmula da blindagem contra crises?

Fui a campo pesquisar! O que encontrei?

Surpresa!!!

Trata-se de uma indústria. O atraso nas suas entregas remonta a mais de dez meses. Seus clientes são completamente insatisfeitos com a qualidade dos produtos e com o atendimento. Seus representantes comerciais nos estados são seus maiores detratores e inimigos. E para completar, a empresa bate todos os recordes de ações trabalhistas de ex-funcionários em sua cidade e região.

Conclusão: um caso típico de Psicopatologia Corporativa. E como as empresas refletem a personalidade de seus dirigentes, é fácil entender que esta aí vive na Ilha da Fantasia... O mundo "derretendo", e eles achando que vão manter os planos de crescimento. Bem... os lixões e os cemitérios crescem o tempo todo – com ou sem crise...

Devaneio cai bem a artistas. Esse tal diretor iludido devia dedicar-se ao teatro, à musica, a artes que possibilitem desenvolver a sua imaginação. Imagine o risco que ele representa dirigindo uma empresa um mesmo um setor dela.

Vamos à prática.  Caso você ache que tudo vai bem quando o resto do mundo está, no mínimo, ressabiado, cuide-se. Você pode carecer de atenção profissional. Mas ainda há alguma esperança de  cura por enquanto.

Saiba que não é com "espírito de criança" que se encaram as dificuldades de uma organização. O “faz de conta” do mundo das fadas e bruxas só tem parte numa empresa quando o seu negócio é comércio ou indústria de brinquedos ou publicações infantis. Fora isto, é doença grave!
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

domingo, outubro 23, 2011

UMA HISTÓRIA ANTIGA, VERDADEIRA E MUITO INCÔMODA

-
Um homem vivia à beira de uma estrada e vendia cachorros-quentes. Não tinha rádio, não tinha televisão e nem lia jornais, mas produzia e vendia os melhores cachorros-quentes da região. Preocupava-se com a divulgação do seu negócio e colocava cartazes pela estrada, oferecia o seu produto em voz alta e o povo comprava e gostava.

As vendas foram aumentando e, cada vez mais ele comprava o melhor pão e as melhores salsichas. Foi necessário também adquirir um fogão maior para atender a grande quantidade de fregueses.

O negócio prosperava... Os seus cachorros-quentes eram os melhores! Com o dinheiro que ganhou conseguiu pagar uma boa escola ao filho. O menino cresceu e foi estudar Economia numa das melhores Faculdades do país.

Finalmente, o filho já formado, voltou para casa, notou que o pai continuava com a vida de sempre, vendendo cachorros-quentes feitos com os melhores ingredientes e gastando dinheiro em cartazes, e teve uma séria conversa com o pai:

- Pai, o senhor não ouve rádio? Não vê televisão? Não lê os jornais? Há uma grande crise no mundo. A situação do nosso País é crítica. Há que economizar!

Depois de ouvir as considerações do filho Doutor, o pai pensou: Bem, se o meu filho que estudou Economia na melhor Faculdade, lê jornais, vê televisão e internet, e acha isto, então só pode ter razão!

Com medo da crise, o pai procurou um fornecedor de pão mais barato (e, é claro, pior). Começou a comprar salsichas mais baratas (que eram, também, piores). Para economizar, deixou de mandar fazer cartazes para colocar na estrada.

Abatido pela notícia da crise já não oferecia o seu produto em voz alta. Tomadas essas 'providências', as vendas começaram a cair e foram caindo, caindo até chegarem a níveis insuportáveis.

O negócio de cachorros-quentes do homem, que antes gerava recursos... faliu.

O pai, triste, disse ao filho: - Estavas certo filho, nós estamos no meio de uma grande crise. E comentou com os amigos, orgulhoso:

- 'Bendita a hora em que pus o meu filho a estudar economia, ele é que me avisou da crise...'
_______________________

O texto original foi publicado em 24 de Fevereiro de 1958 num anúncio da Quaker State Metals Co.

quinta-feira, outubro 20, 2011

ENVOLVIMENTO EM NEGÓCIOS

ABRAHAM SHAPIRO

Vi muitos empresários se envolverem de corpo e alma com suas empresas. Em muitos casos, a empresa ganhou. Em outros, ela perdeu. Um, em especial, chamou minha atenção e até mexeu com meu conceito pessoal de envolvimento em negócios.

No final do ano 2008, assumi o compromisso de levantar informações para uma empresa de logística. Pedi o prazo de um mês para prestá-las oficialmente. Preocupado em ser pontual, liguei para agendar meu encontro com o diretor. Sua secretária informou-me que eu teria de aguardar pelo menos dez dias mais. E explicou-me: “O Sr Marcelo Noma está fazendo uma rota de transporte de grãos com um comboio de caminhões e, pela previsão, só estará de volta lá pelo dia vinte”.

Chegada a data, eu o procurei. Ele chegara no dia anterior.

Recebeu-me com a alegria e cordialidade de sempre. Minha curiosidade, é lógico, me forçava a entrevistá-lo sobre aquela peripécia que houvera realizado. Do que se tratava esta rota de transporte de grãos?

Ele me contou. Tomou a direção de um de seus caminhões e saiu para ver, ouvir, aprender e desaprender sobre o seu ramo de negócios, sobre seus funcionários, preços do frete em várias regiões, os maiores e menores problemas do setor. Suas palavras foram precisas: “Em tempos de incerteza – disse Marcelo Noma – eu não podia confiar em dados de revistas, jornais, impressões de terceiros ou na percepção de quem nada ou pouco sabe sobre o meu negócio. A imprensa e os analistas conhecem genericamente. Por esta razão, eu aprendi a separar as ameaças das oportunidades que surgem em horas de prosperidade e em momentos de crise. Nestes dias fui em busca disso. Agora, já posso traçar o plano de ação para a minha empresa em 2009”.

Atitudes me impressionam. Sempre. Eu fiquei maravilhado com esta em especial. Marcelo Noma, diretor da Mano Logística, deu uma belíssima demonstração de como gerir uma empresa. Admirei sua iniciativa. Entendi, com clareza, que fundamental para o sucesso de qualquer negócio é, de fato, o envolvimento e o comprometimento de seus gestores.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

quarta-feira, outubro 19, 2011

EM TEMPO DE UMA HOMENAGEM A STEVE JOBS

ABRAHAM SHAPIRO

Há poucos dias, a mídia mundial noticiou a lamentável morte de Steve Jobs. Em um de seus discursos, Jobs disse: "Se eu nunca tivesse frequentado o curso de caligrafia, o Mac não teria múltiplos tipos de letras e espaços proporcionais".

Num mundo onde as pessoas segmentam profissionais pela grife das escolas em que se formaram, o pensamento de Jobs é uma dissonância. Se eu tivesse dito isto, soaria como tolice. Mas foi Jobs quem falou. E o que se infere das palavras de suas palavras é que chegou a hora de aprendermos a avaliar pessoas por sua capacidade de realização, e não pelos cursos e diplomas que conseguiram colecionar.

Conheço imbecis diplomados nas melhores universidades do mundo. Gastaram fortunas movidos pela crença retrógrada de que a escola faz o aluno. Estão por aí, vendo a vida passar sem fazerem nada de efetivo por si ou pelo mundo. Eles se distinguem pelo quão excelente foi a formação que receberam.

Isto me lembra a biblioteca de livros fantásticos que um amigo rico tem em sua casa. Ele jamais leu nenhum. Mas herdou dinheiro de seu pai, e compra livros. Para quê servem? Penso que talvez sirvam como objetos de defesa contra assaltos, já que alguns são grandes e pesados.
A pergunta que não cala é: “Tudo bem. Já sei de seu diploma. Mas o que você fez com a grande educação que recebeu?”

Por outro lado, conheço profissionais que conseguiram um diploma de curso à distância, e hoje dominam perfeitamente o que estudaram, fazendo coisas importantes para si e para as organizações onde trabalham.

As escolas devem nos ajudar a criar conexões a fim de solucionar problemas. Mas depende de nós.

Jobs nunca recebeu diploma de faculdade alguma. Ele atribuiu os créditos do desenvolvimento do Mackintosh a um cursinho de caligrafia. Lembra-me o axioma: “Chocolate não engorda. Quem engorda é você”.

Faculdade não é algo bom nem ruim. A questão é “o que fazer com o que se aprende lá?”
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

terça-feira, outubro 18, 2011

NOVAS PROPOSTAS PARA A RETENÇÃO DE TALENTOS

ABRAHAM SHAPIRO

A disputa por profissionais qualificados no mercado está acirrada. Muitas empresas se veem obrigadas a fazer "leilão" de ofertas para não perder suas peças-chaves.

Somente uma cultura empresarial forte pode evitar que a empresa acabe "refém" do assédio da concorrência a seus funcionários. Para conseguir isto, o perfil da empresa tem de ser bem definido. Remuneração competitiva é só uma vantagem. A retenção deve ser baseada em outras estratégias, como: a distribuição de projetos que deem visibilidade ao profissional e garantia de crescimento de longo prazo na carreira.

Um ambiente que priorize boa comunicação com os líderes e promova a confiança pode ser mais eficaz na retenção do que aumentos de salário e promoções por força do momento presente.

Estes fatores dependem muito da cultura. E encontrar e definir a própria cultura não é fácil. Depende de valores reais e de líderes se responsabilizem por aplicá-los e reforçar tais ideias. E estes líderes? Você os tem? Talvez nunca tenha sequer promovido um treinamento de liderança em sua empresa!

Identifique os bons gerentes ou candidatos. Comece o seu processo de retenção por eles. Em seguida, identifique outros que mereçam receber algum investimento. Ofereça formação e aumentos salariais meritórios. Mas vá com calma. E lembre-se que as oportunidades vão diminuir porque o mercado vai se desaquecer em algum momento.

Supere o fator financeiro. Dinheiro é importante, sim. As pessoas trabalham pela remuneração. Mas ligue-se nas tantas pesquisas que mostram que as pessoas querem se sentir satisfeitas com o trabalho. Se elas não estiverem, só salário não as retém.

Desafie os seus funcionários com oportunidades que contribuam para sua formação geral. Invista em treinamento e desenvolvimento. E se nada disso funcionar, o melhor mesmo é estar preparado para dizer: "Obrigado por tudo. Sentimos muito, mas chegou a hora de você procurar emprego em outro lugar".
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

segunda-feira, outubro 17, 2011

QUEM QUER SE APOSENTAR?

Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 17/10/2011, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos

ABRAHAM SHAPIRO

A ideia de que se aposentar faz bem à saúde porque propicia mais tempo para o descanso é ultrapassada. A ciência diz que manter o cérebro ativo é essencial para preservar as funções cognitivas.

Ao se distanciar da massa de novas informações e do ambiente de trabalho no dia a dia, o aposentado pode se sentir alijado da sociedade. O que fazer depois? Ler jornais? Assistir à TV? E ter a sensação de que, enquanto o mundo avança, ele se torna um personagem do passado? Está aí um sentimento que é uma porta aberta para a depressão. Nessas condições o aposentado corre o risco de se sentir velho e inútil – o que ele não é. Uma nova atividade, mesmo que não traga retorno financeiro, pode evitar essa armadilha.

Muita gente quer largar o trabalho por estar farta de horários, chefes e reuniões e joga fora a experiência de uma vida profissional. Isto é um desperdício. O mais lógico é tirar partido desse conhecimento acumulado, com horários mais flexíveis e agenda menos apertada.

Abrir uma consultoria ou prestar serviços para a antiga empresa são as alternativas mais comuns. Mas não as únicas. O primeiro passo é descobrir como fazer isso. Não se deve pensar em quanto se vai ganhar, e sim em que áreas é possível ser produtivo, já que dificilmente se conseguem rendimentos iguais aos do tempo na ativa.

A coisa mais séria sobre aposentadoria que já ouvi foi em uma entrevista do Sr Elie Horn, controlador da Construtora Cyrela. O que disse o Sr Horn? “Aposentadoria é covardia. Se você tem alguma inteligência ou algum conhecimento e se aposenta, você priva o mundo daquilo que você tem. Você está sendo egoísta. Parar é covardia. Eu preciso devolver ao mundo o que o mundo me deu. E aposentadoria, como forma de egoísmo, não resolve a vida das pessoas, e nem do mundo”.

Pessoas com um sentido na vida certamente pensarão assim.

Pense no seu significado e no seu papel no mundo antes de se aposentar!
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

sexta-feira, outubro 14, 2011

GENÉTICA INCLUENCIA FORMA COMO AS PESSOAS LIDAM COM DINHEIRO

Viviam Klanfer Nunes

Estudo constatou que a maneira como os seres humanos lidam com o dinheiro está em grande parte associada com sua carga genética. Além das influências sociais, gastar demais ou ser um grande poupador pode ser uma característica determinada hereditariamente.

O estudo foi realizado por dois pesquisadores, um da Universidade de Washington, Stephan Siegel e outro do Claremont McKenna College, Henrik Cronqvist, que observaram 15 mil duplas de gêmeos na Suécia. A conclusão que chegaram foi que os irmãos lidavam com o dinheiro de maneira muito semelhante, mesmo no caso daqueles irmãos que já haviam perdido o contato com a família.

Predisposição comportamental

O estudo mostrou que as pessoas já nascem com uma predisposição para lidar de forma inconsequente ou cuidadosa com o dinheiro. Mas apesar dessa herança, que pode ser determinante para as pessoas terem uma ou outra postura perante o dinheiro, vale pontuar que apenas um terço do comportamento é reflexo da carga genética.

Outros fatores que afetam a forma como se lida com o dinheiro são as experiências de vida e a educação financeira. Assim, a forma como os pais lidam com o dinheiro, pode refletir no comportamento do filho. Apesar disso, a pesquisa também constatou que a medida que as pessoas envelhecem essa influência vai ficando cada vez menor. Na casa dos 40, a influência dos pais é praticamente nenhuma.

No que diz respeito à tentativa de fazer com que as pessoas mudem seus hábitos de consumo, em sua conclusão, os pesquisadores orientam que por mais que seja necessário tornar um gastador em poupador, não adianta querer mudar a pessoa de uma vez só. O mais indicado é sugerir mudanças sutis, como estimular investimentos e a criação de um plano de previdência em vez de simplesmente proibir determinados gastos.