segunda-feira, maio 16, 2011

NOVAS VISÕES E UTILIDADES DO RH

Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 16/05/2011, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos

Neste artigo, Abraham Shapiro investe em exemplificar o modo simples como o RH pode tornar-se parte importante das decisões estratégicas da empresa.

ABRAHAM SHAPIRO

O RH Estratégico é um modismo em voga. Muitas empresas falam a respeito, mas pouquíssimas sabem praticá-lo em conformidade ao conceito original.

RH Estratégico é o oposto do RH movido pelo romantismo utópico voltado apenas a fazer funcionários se sentirem bem, investindo recursos altíssimos em clima organizacional ou ações apenas sociais que levam as pessoas “do nada” a “lugar nenhum”.

Por definição, RH Estratégico deve ser o responsável por alinhar o mais perfeitamente possível as pessoas ao negócio da empresa a fim de que atinjam seus objetivos, de modo sustentável e simples. A razão de existência de qualquer empresa privada é fazer negócios e obter lucro. Para isso, pessoas são contratadas a desempenhar papéis em suas várias áreas.

Retê-las e desenvolvê-las em carreiras progressivas são quesitos que se fundamentam na capacidade de atenderem plenamente estes objetivos, de modo crescente. Não se trata apenas de recompensar pessoas boas e confiáveis, mas que sejam competentes, interessadas, comprometidas, e que possuam interesse por desenvolver novas competências. É a perenização da empresa que está em jogo.

O papel do RH, foi, é e será garantir que isto seja “entregue”, tal qual a gestão financeira, a qualidade e a potualidade da produção, as vendas, o marketing e tudo o que constitui a organização.

Na prática, a estrutura do RH Estratégico não difere das tradicionais. Treinamento e Desenvolvimento, Recrutamento e Seleção são elementos imprescindíveis. Mas também saúde, benefícios, negociação sindical. A questão não é “com que estrutura atuar”, mas “como atuar estrategicamente”.

Um exemplo. Quais ações estratégicas tomar em relação ao turn over? O RH tradicional irá atuar para suprir a falta de mão de obra. O RH Estratégico também fará isto, a princípio. Mas irá registrar os indicadores correspondentes durante alguns meses e, tão logo o histórico permita análises, iniciará pesquisa em busca das causas, e em seguida buscará soluções junto aos gestores e colaboradores da área em análise com vistas a resolver a situação. Listas de Necessidades de Treinamentos, por exemplo, estarão vinculadas a projetos com propósitos determinados de resolver avarias mensuradas através de indicadores objetivos, e jamais a intuição de chefes ou opiniões de funcionários.

Chega de sonhar. Na empresa tudo precisa convergir a objetivos claros e mensuráveis. Não há lugar para tentativas e intuições quando a responsabilidade na obtenção do lucro passa pelo social, ambiental e ético.
______________________ 

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

domingo, maio 15, 2011

UM TREINAMENTO MARAVILHOSO SOBRE CLIENTES

ABRAHAM SHAPIRO

Você deseja fazer um MARAVILHOSO TREINAMENTO com seus colaboradores sobre CLIENTES?

Baixe esta apresentação do scribd, e você terá um material belíssimo, de primeira, de autoria de Peter Fisk.

Enjoy it!

http://pt.scribd.com/doc/55260981/Clientes-Peter-Fisk
______________________ 

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

MIMANDO FUNCIONÁRIOS A FIM DE RETÊ-LOS

Conseguir manter o profissional na empresa hoje é como ginástica - ou se faz todo dia, ou de nada vale.

ABRAHAM SHAPIRO

Uma pequena construtora de S. Paulo estava vivendo na pele o aliciamento de seus funcionários por parte dos concorrentes - ação também chamada "pilhagem de mão de obra". Para fazer frente aos rivais, o diretor decidiu incrementar o pacote de benefícios aos funcionários. Começou melhorando o dia a dia dos empregados através da construção de um refeitório na obra, e contrataram uma empresa de refeições. Em vez de levar a tradicional marmita todas as manhãs, os funcionários agora recebem um cardápio e escolhem o que querem comer no almoço entre três opções de comida. Essa medida ajudou muito, pois, sem ela a empresa perderia funcionários que demandaram tempo e investimento em treinamento.

Diante da escassez de mão de obra, conseguir manter o profissional, seja ele de nível operacional, técnico ou estratégico, passa a ser uma conquista diária.

Pesquisa da Universidade de S. Paulo junto a RH´s de empresas detectou que 78% das companhias consultadas criaram políticas de retenção para os níveis operacional e técnico nos últimos 12 meses. Na categoria tática e estratégica, o número é ainda maior: 81% das empresas disseram adotar algum tipo de medida para incentivar a manutenção do quadro de funcionários.

O assédio de outras empresas é tão grande que não se pode dar espaço para o funcionário hesitar.

Algumas organizações já destinam parte dos lucros para distribuição entre os colaboradores, flexibilizam horário de trabalho, mantêm programas de reconhecimento mensal, sala de jogos com frutas e sanduíches em horário de lanche.

Outras já deixaram de se basear na formação do candidato para contratá-lo. Preferem analisar a capacidade de aprendizado de cada um e contratam pessoas na base sem experiência. Isso gera motivação.

Ponto interessante detectado na pesquisa foi algo a que temos dado grande saliência em nossas consultorias. O treinamento aos profissionais - a qualificação dada in house, ou “dentro da própria empresa” - é visto como benefício de grande influência na retenção de funcionários. Para aqueles que desejam acertar em qualquer situação, basta investir em treinamento. Isto funciona para os empregados e traz resultados mensuráveis para o negócio.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

sexta-feira, maio 13, 2011

JET LAG

ABRAHAM SHAPIRO

Jet Lag é o nome dado à condição orgânica após viagens de avião para lugares onde há mudança do fuso horário, que causa cansaço, indisposição, fadiga, irritabilidade e sonolência Por causa do Jet Lag, as longas horas de voo em uma viagem de negócios podem comprometer o desempenho até do mais competentes profissionais.

Diariamente, homens de negócios que viajam de avião são vítimas deste mal traiçoeiro, e que os torna grogues e bobos quando mais precisam de seus instintos e talentos. Bem na hora em que deveriam estar espertos, competitivos e alertas em reuniões ou encontros com clientes, agem como bêbados ou parecem distraídos.

O que ocorre no Jet Lag? Uma bagunça nos relógios internos do organismo provoca a falta de sincronização do sistema que regula o tempo bioquímico, fisiológico e do comportamento. E, com isso, afeta hormônios, batimento cardíaco, pressão do sangue e ciclo do sono, entre outros.

Os sintomas são sentidos principalmente por quem atravessa mais de quatro fusos horários – ou quatro horas de diferença -, mas podem aparecer também após viagens mais curtas.

O tempo de recuperação varia de pessoa para a pessoa. Em geral é de um dia para cada fuso atravessado.

Para amenizar o problema, nada de dormir quando chegar ao destino. A melhor atitude é se adequar ao horário local. Aconselha-se que a pessoa só durma à noite a fim de evitar sonolência durante o dia por muito tempo.

Outra dica é se expor ao sol durante, pelo menos, 15 minutos diariamente. A luz solar estimula a produção de melanina, que ajuda a despertar.

Seguir o fuso horário do local de destino 48 horas antes de embarcar e comer alimentos leves também ajuda.

A solução mais esquisita que já se indicou para a cura do Jet Lag é um velho conhecido de ânimo para homens cansados. Deu no New York Times. A manchete dizia: “Cientistas argentinos obtiveram bons resultados na cura do Jet Lag por meio do Viagra”. Mas, calma, pessoal. Ainda é cedo para comemorar, pois, até o momento, apenas hamsters indefesos, mas excitados, foram submetidos ao experimento, com resultados animadores. Aguardem novidades na pesquisa.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

quarta-feira, maio 11, 2011

O REPOSICIONAMENTO DE UM NEGÓCIO

ABRAHAM SHAPIRO

Posicionamento é o recurso pelo qual se cria uma imagem ou identidade para um produto,  marca, empresa ou serviço. É o “espaço” que esses itens ocupam na mente do consumidor ou através de uma palavra, frase, ou mesmo de uma experiência pessoal de consumo. Quando alguém ouve, por exemplo,: “A cerveja que desce redondo”, é automática a lembrança da marca Skol. O cliente faz um link mental com o produto, e por isso tende a consumi-lo.

Muitas empresas  estabelecidas há algum tempo decidem mudar seu negócio no meio do caminho. Normalmente são as que começaram atirando para todo lado que têm esta necessidade . Não que seja negativo. Muitas das que fazem de tudo estão com suas contas em dia, e nunca entraram no vermelho. Mas não conseguem se destacar entre tantos concorrentes, e ficam limitadas a uma fina fatia de mercado, impossibilitadas de crescer.

Estas limitações geram uma necessidade de mudança de posicionamento em função de assumirem um foco. Tudo seria ótimo e relativamente fácil, não fossem os riscos de troca de lucro certo por ideia duvidosa.

Surge então a questão óbvia: “Qual a maneira certa de promover mudanças?”

O correto é fazer um novo plano de negócios, começando do zero. E deve-se contar com gente que entende do assunto: um consultor, arquiteto, designer ou especialista no segmento.

Com a intenção de um reposicionamento, o empreendedor que está no negócio até então precisará repensá-lo com muita amplitude, e sem medo. Abandonar o negócio original sem estratégia definida pode ser “mortal”.

O reposicionamento de uma empresa deve partir de três princípios:

1. Mensurar o novo PÚBLICO. Um nicho pode ser promissor, mas é preciso avaliar se a clientela está aberta à novidade pretendida.

2. Avaliar a CONCORRÊNCIA. Veja se no setor em que atua há casos semelhantes de reposicionamento e avalie se deram ou não certo, sem medo dos obstáculos que poderá encontrar.

3. Finalmente, ouça o CLIENTE. Ele pode dar boas indicações do que falta no atual formato de seu negócio para melhorar. Caso você queria diversificar, pesquise a opinião dos clientes antes de se convencer de que você está certo.

Cuidado com seus impulsos e intuições. Se sua empresa vai bem e você quer mudá-la, não faça nada sem falar com quem entende. Nada é pior do que gastar muito dinheiro para descobrir, só depois, que você esteve errado o tempo todo.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

terça-feira, maio 10, 2011

ANALISAR PESSOAS PARA EVITAR CONFLITOS

ABRAHAM SHAPIRO

Ninguém é perfeito. Mas uma equipe pode chegar perto. Um gerente deve saber disso.

Se um time de futebol tem um grande craque que se destaca em um campeonato, um time que reúne vários craques fatalmente será campeão, certo? Bem, a resposta não é tão simples - e não só no futebol. Na empresa, cada "craque" tem seu perfil - com seu lado sol e seu lado sombra. Se vários deles jogam juntos, os resultados tanto podem ser extraordinários como medíocres.

A coisa fundamental é que quem lidera o time esteja atento às capacidades específicas, ao desenvolvimento correto desses craques e às suas interações, de modo a gerar condições para que os resultados sejam extrordinários e, de fato, sustentáveis.

Um líder de equipe de valor real para uma organização terá duas preocupações primordiais: a de entregar resultados de curto prazo e a de se alinhar aos valores da organização.

E como ficam aqueles que não apresentam nenhuma dessas capacidades? Eles podem estar na função errada, trabalhar com o chefe errado ou ter sido indevidamente promovidos. Quem estiver no comando de um líder com esse perfil deverá buscar compreender a situação, e estabelecer um plano para agir. Se não der certo, a saída é um desligamento digno.

A velocidade fará toda diferença. Agir rápido. Manter alguém que após tentativas de mudança não conseguiu se ajustar é um péssimo exemplo para a equipe. Fatalmente a imagem do líder ficará manchada.

Mas existem os líderes "ideais" – aqueles que entregam resultados de curto prazo e são alinhados aos valores da empresa. Essa combinação é a base dos resultados sustentáveis de qualquer corporação, e vão muito além do desempenho econômico-financeiro imediato, pois, constroem o futuro da empresa no longo prazo.

A coisa certa a fazer ao olhar para as várias equipes de trabalho que compõem a empresa é entender as pessoas individualmente. Depois, observar se elas estão associadas da maneira correta. Finalmente, se o seu líder consegue ter a visão individual e coletiva.

Esteja certo de que esta análise pode colocar muitas desacertos na linha correta de funcionamento. Pode ajudar a superar muitas crises e, melhor ainda, a evitar uma série de conflitos advindos do troca troca de pessoas ou de demissões desnecessárias.

É inteligente entender as pessoas quando se analisam os resultados que elas geram.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

segunda-feira, maio 09, 2011

EMPRESA FAMILIAR: A LIÇÃO DAS LIÇÕES

Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 09/05/2011, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos

ABRAHAM SHAPIRO

Qual é a sua prioridade na vida? Passar os dias correndo atrás dos negócios? Juntar patrimônio para a família? Você não está errado. Mas atente-se para algo importante contido nisso. Do contrário, todo o esforço que você hoje investe poderá converter-se em nada, brevemente.

Um homem trabalha como louco. Constrói uma empresa do nada. Cria uma marca. Faz dela um negócio muito lucrativo. Seus produtos chegam a lugares distantes.

Com ganhos crescentes ele junta bens e regalos de que só milionários desfrutam.

Seus filhos crescem confiantes na fortuna, enquanto o pai pensa: “Posso morrer sossegado, pois minha família estará segura”. Certo dia, isto, de fato, acontece.

Os filhos assumem os negócios. Até então, eles figuravam neste cenário como simples “dedos” de uma mão. Agora são subitamente promovidos à categoria de “cabeças”. Eles Deverão pensar e decidir a respeito de tudo. Porém, dedos pegam coisas; dedos não pensam.

Sob pressão, sem capacidade de julgamento coerente, eles serão empurrado a escolhas específicas sobre um assunto que desconhecem. Como não foram preparados para o certo, eles decidem através da emoção. O resultado disso? Rivalidade e inveja, somadas a más influências de agregados – cônjuges – e filhos apaixonados.

Os negócios, antes crescentes, agora estacionam. Em pouco tempo, começam a naufragar num mar de resultados desprezíveis que viram prejuízos galopantes.

Derrotados pelas perdas de mercado, os patetas são incapazes de mover-se pela paixão paterna. Falta-lhes valor. A saída que veem é desfazer-se do negócio principal – a galinha dos ovos de ouro. Eles o vendem a um concorrente, cujo prazer de encerrá-lo para sempre é paradisíaco. A horda de filhos tolos optará então por administrar bens. É mais cômodo e não exige massa encefálica. Preocupar-se por quê?

Acabam, assim, de enterrar o pouco que restava de seu patriarca: os ideais e os sonhos.

Depois de tanta bravura, o pai herói de antes se tornou o ícone da insignificância. Ganhou um mundo no passado, mas perde, no presente, a única vantagem que o faria memorável: transmitir visão e discernimento aos seus descendentes.

Se você me lê é porque está vivo, graças a Deus. Invista severamente na educação dos seus filhos. Faça-os conhecer a história e o valor de cada Real que você tenha conquistado. Guarde consigo esta máxima: “A fortuna nas mãos do insensato é como um colar de pérolas no pescoço de uma porca”.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

domingo, maio 08, 2011

"VEJO MEUS ERROS COMO UMA DÁDIVA" - ENTREVISTA COM KAREN DILLON


Ex-presidente da Procter & Gamble, A.G. Lafley fala de lições aprendidas a duras penas. 

Entrevista a Karen Dillon

Repórter: Muita gente o considera um dos dirigentes empresariais de maior sucesso da história recente. Mas essa trajetória também teve erros, certo?

Lafley: Sem dúvida. Um monte de erros e meu quinhão de derrotas. Mas é preciso superar a decepção e a culpa e entender de verdade o que aconteceu e por que aconteceu. E, mais importante ainda, é preciso saber o que se aprendeu e o que fazer diferente da próxima vez.


Que efeito seus erros tiveram sobre sua pessoa como líder?

Foram parte do meu crescimento e desenvolvimento. Qual a maior razão para um líder parar de se desenvolver e crescer? É ter deixado de se adaptar, de ser ágil. É a teoria de Darwin. Quando deixa de aprender, a pessoa para de se desenvolver e de crescer. Para um líder, é o fim.


Um líder aprende tanto quanto com o sucesso?

Não. Minha experiência me diz que aprendemos muito mais com o erro do que com o acerto. Basta pegarmos grandes figuras da política e times consagrados no esporte. Suas maiores lições vêm das perdas mais duras. O mesmo vale para qualquer tipo de líder. E, sem dúvida, valeu para mim.


Conte algum episódio em que a P&G aprendeu com o erro.

Aprendemos muito mais com marcas e produtos que não emplacaram, como o Dryel [kit caseiro de lavagem a seco] e o Fit Fruit & Vegetable Wash [desinfetante de frutas e verduras] do que com campeões de vendas como o Febreze e o Swiffer.

Vou contar um dos meus favoritos: em 1980 a P&G tentou entrar no negócio de alvejantes. Tínhamos um produto diferenciado e superior —um alvejante seguro para lavagem a baixas temperaturas. Criamos uma marca, a Vibrant. Fomos testar o produto em Portland, no [estado americano do] Maine.


Por que no Maine?

Achávamos que o mercado era tão distante de Oakland — na Califórnia, onde ficava a sede da Clorox — que talvez pudéssemos passar despercebidos. Entramos nesse mercado com o que, a nosso ver, era um plano de lançamento triunfal: presença em todo o varejo, distribuição pesada de amostras e vales e bastante publicidade na TV. Tudo para fazer o consumidor conhecer e provar uma nova marca de alvejante, com um produto melhor.



E então?

Sabe o que a Clorox fez? Deu a todo lar em Portland um galão grátis de alvejante — entregue na porta da casa. Game, set, match para a Clorox. Já tínhamos comprado toda a publicidade. Tínhamos gasto o grosso da verba de lançamento com amostras e vales. E ninguém na cidade de Portland ia precisar comprar alvejante por muitos meses. Acho que a Clorox até deu ao consumidor um desconto de US$ 1 no galão seguinte. Basicamente, nos mandou o seguinte recado: “Nem pensem em entrar na categoria de alvejantes”.


E como vocês se recuperaram do revés?

Sem dúvida, aprendemos a defender uma marca já estabelecida. Anos depois, quando a Clorox tentou entrar no negócio de sabão para roupa, o recado que enviamos foi igualmente claro e direto — e, no final, eles tiraram o produto do mercado. Acima de tudo, pude entender o que dera certo e podia ser aproveitado do fracasso daquele alvejante: a tecnologia para roupas coloridas e baixa temperatura do alvejante da P&G. Fizemos alterações e usamos a tecnologia num sabão para roupa, o Tide. Em seu auge, o Tide com alvejante gerava uma receita de mais de meio bilhão de dólares.

O consumidor ainda usa tanto o alvejante sozinho quanto o sabão com alvejante. Ou seja, no final foi uma vitória para consumidores, varejistas e fabricantes. O produto gerou mais consumo na categoria, uma experiência melhor de limpeza em casa e uma proposta de valor melhor para todos os envolvidos. Mas aprendemos que o ataque direto a cidades fortificadas, ao estilo da 1ª Guerra Mundial, geralmente termina com muitas baixas.


Como fazer do erro uma ferramenta?

Muitos presidentes — incluindo eu — usam a inovação e a aquisição de outras empresas para crescer de forma orgânica e inorgânica de um jeito equilibrado e sustentado. Inovar e comprar são coisas arriscadas, com elevados índices de insucesso: 80% ou mais no caso da inovação com novos produtos em nosso setor; 70% ou mais no de aquisições. Logo, pedi a uma equipe da P&G que fizesse uma análise detalhada de todas as nossas aquisições de 1970 a 2000. E a triste constatação foi que apenas 25% a 30% tinham dado certo. Nesse caso, “dar certo” significava “ter atingido ou superado (…) as metas do investimento”. Sucesso parcial significava “ter excedido o custo do capital”. Estudamos os erros em detalhe. Identificamos os problemas e descobrimos padrões em nossos erros.


Descobriram por que a P&G errava tanto na hora de comprar?

Sim. E, para espanto de ninguém, não é ciência nuclear. Havia cinco causas fundamentais para o insucesso: (1) ausência de uma boa estratégia para a combinação; (2) não integrar rapidamente ou bem; (3) esperar sinergias que não se concretizam; (4) culturas incompatíveis; e (5) lideranças que se recusam a jogar no mesmo time.


E como essa análise mudou as coisas?

Tendo identificado o problema, fechamos o foco naquilo que precisava mudar. Como nos organizar para cada fase da aquisição? Que processos instituir? Que indicadores interinos nos diriam se estávamos ou não no caminho certo? Tudo se resume a um processo disciplinado, com alguém no comando de cada fase do processo.


Que tal um exemplo de aplicação bem-sucedida desse processo?

Em 2005, quando compramos a Gillette — uma das dez maiores aquisições já feitas pela empresa —, montamos uma equipe e criamos um processo para evitar os erros do passado. Colocamos o presidente da Gillette, Jim Kilts, no conselho da P&G; Kilts e Clayt Daley, diretor financeiro da P&G, ficaram a cargo da integração da Gillette e da geração de valor. Identificamos todo elemento da geração de valor. Identificamos a sequência de integração e seus elementos. Colocamos um executivo bem graduado no comando de todas as iniciativas de criação de valor. Bob McDonald, o atual presidente, era o responsável pela integração das operações mundiais. Filippo Passerini ficou a cargo de integrar atividades de apoio e TI; Rick Hughes, de integrar compras; e por aí vai. Monitoramos o progresso de cada iniciativa de geração de valor com um processo simples de vermelho, amarelo e verde: “Estamos indo bem”, “Não estamos indo bem”. E levamos até a conclusão toda fase da integração, todo elemento da geração de valor.


Como determinar se a aquisição foi um sucesso?

A transação produziu mais de 150% das sinergias de custos estimadas originalmente. Ou seja, só em sinergias de custo gerou-se um valor suficiente para fazer da aquisição da Gillette um sucesso. As sinergias de receita, que continuam a surgir — em higiene oral, por exemplo, combinamos as marcas Crest e Oral-B e toda a inovação em produtos da categoria —, são algo que vem complementar as sinergias de custos.



Com a adoção do novo processo, como ficou o desempenho da P&G em aquisições?

Cientes dos problemas entre 1970 e 2000, conseguimos elevar o índice de sucesso de nossas aquisições de menos de 30% para mais de 60% nos últimos dez anos. Essa ideia de estudar a fundo o que deu errado no passado é muito importante. Porque o erro não é o oposto do acerto. Muita gente acha que ou há sucesso, ou há fracasso.

O erro, a meu ver, tem a ver com aprender — aprender o que dá para fazer melhor.



À luz dessas descobertas, a Gillette foi um caso perfeito de integração de outra empresa?

Não. Não foi um caso perfeito. Fizemos avaliações contínuas de todo aspecto da compra da Gillette. Muita coisa podia ter sido feita de maneira distinta e melhor — sobretudo na área de desenvolvimento e crescimento de talentos. Passei, pessoalmente, bastante tempo tentando garantir que indivíduos na lista de desenvolvimento de lideranças da Gillette fossem parar no cargo certo, mas perdemos um punhado de gente que não queríamos ter perdido — e não conseguimos colocar todo talento da Gillette no posto ideal já de saída. Vamos registrar essas lições — e usá-las da próxima vez.



Em vez de errar por ter feito algo, você já cometeu algum erro por não ter agido?

Perdi um punhado de grandes oportunidades em meus dez anos na presidência. Deixei de fazer duas aquisições potencialmente transformadoras: a de uma marca mundial de produtos de beleza e higiene pessoal e a de uma marca de medicamentos cuja venda passaria a ser liberada [ou seja, deixaria de exigir receita médica]. No primeiro caso, embora o sócio majoritário estivesse a favor, não consegui fechar com os investidores minoritários e perdi o negócio. Na segunda, tive uma conversa promissora com o presidente da divisão de saúde, que estava disposto a trocar os direitos sobre o medicamento de venda liberada por um fármaco de uso controlado em fase final de desenvolvimento na P&G. Os presidentes estavam de acordo; os diretores financeiros estavam trabalhando juntos para chegar ao valor certo para cada empresa e definir os termos do acordo. Teria sido um excelente negócio para a P&G.



Por quê?

Quando assumi o posto, em 2000, nosso negócio na prática era o da saúde. Atuávamos no setor de medicamentos com receita médica, no de remédios de marca de venda liberada e no de produtos de saúde não regulamentados. Gostava da área de “consumer health care” [não regulamentada]. Já a de medicamentos com receita, via com ceticismo. Não é uma área voltada ao consumidor: o médico receita um remédio, o plano de saúde cobre o grosso dos custos. Não é um negócio de marca. Além disso, um medicamento de uso controlado geralmente levava de 10 a 15 anos para ser desenvolvido — a um custo imenso — e a vida útil de um remédio desses estava limitada, quanto muito, à vigência da patente, ou 14 anos. Não era com medicamentos de uso controlado que a P&G competia melhor; não combinavam muito com o forte da empresa.

Era da opinião de que devíamos sair do negócio de medicamentos de uso controlado e investir mais em marcas de venda liberada, não regulamentadas. Vínhamos travando uma conversa sobre isso com a administração e o conselho quando apareceu a oportunidade — quando ficamos sabendo que um medicamento importante ia fazer a transição. A ideia era trocar um fármaco nosso em fase final de ensaios clínicos pelo medicamento que passaria a ser vendido sem receita médica. Ao propor a troca, estava tentando conseguir alguma espécie de apoio do conselho e da equipe de gestão para a estratégia que queria seguir, que em última instância era sair do setor farmacêutico [a P&G acabou vendendo o braço farmacêutico à Warner Chilcott em 2009].


E por que não deu certo?

No último minuto, os cabeças de nossa divisão de saúde, o diretor de P&D e um membro importante do conselho — que era do setor de saúde — se disseram contrários ao acordo. E, pensando bem, era uma atitude perfeitamente racional da parte deles. Os líderes do braço de saúde da P&G queriam manter os ativos e os negócios que tinham — não queriam abrir mão de um medicamento controlado promissor. O diretor de P&D tinha investido muito tempo, dinheiro e esforço pessoal no desenvolvimento do fármaco que usaríamos na troca. E o membro do conselho acreditava que tínhamos remédios de uso controlado promissores em desenvolvimento e que deveríamos tocar esse desenvolvimento até o fim.


Então, você desistiu do acordo?

Sim. No final, foi um erro enorme. A transição [de uso controlado para venda liberada] foi feita pelo laboratório original do produto e acabou sendo a terceira maior migração do gênero da história, só perdendo para a do Tylenol e a do Prilosec [omeprazol]. Ou seja, foi uma tremenda decepção.


Que lição você tirou desse episódio?

Que o nó, ali, não foi a lógica racional do acordo, não foi a estratégia nem a matemática ou o lado financeiro. Isso tudo estava bem amarrado e, para dizer a verdade, era bem atraente. O nó foi administrar a motivação e o comportamento humano e personalidades distintas. Simplesmente não vi essa aliança surgindo entre os líderes da divisão, o líder da P&D e um dos conselheiros mais influentes. Esse é um caso no qual a política foi mais forte do que a matemática. Um caso no qual o mérito estratégico a longo prazo não pesou; triunfaram os interesses de curto prazo dos envolvidos. Ficamos debatendo qual negócio seria maior e mais rentável para a P&G, o de medicamentos de uso controlado ou o de venda liberada — em vez de discutir se o negócio de remédios controlados combinava com a estratégia da empresa. Ou até se combinava mais do que outros negócios de saúde e higiene pessoal nos quais poderíamos ter investido dinheiro e talentos. Nossa visão foi tacanha, não foi global. Nesse caso, fui ingênuo.


O que você fez diferente depois disso?

Depois disso, em qualquer decisão importante tentei não pensar só na estratégia, na matemática, no lado financeiro e na lógica do negócio, mas também em quem ia ter influência na decisão e como poderia lidar com aquela pessoa e nunca mais ser pego desprevenido.


Que conselho você daria a outros presidentes sobre aprender com o erro?

Primeiro, que é bem mais provável que as lições mais importantes e reveladoras venham de erros, não de acertos. Segundo, que as lições precisam ser institu­cionalizadas para perdurar. Caso contrário, você con­tinua cometendo os mesmos erros e não aprende com eles. É por isso que fizemos uma análise em profundidade de erros na inovação e outra de erros na aquisição. Foi uma maneira de nos obrigar a encarar a realidade e de informar tanto à administração quanto ao conselho a taxa anual de insucesso nesses dois motores cruciais do crescimento. De nada serve eu aprender algo, pessoalmente, se a instituição não aprender as mesmas lições. É preciso criar o aprendizado institucional, criar uma memória institucional.

E não basta assumir a responsabilidade por seus erros. É importante criar uma cultura que transforme o erro em aprendizado e leve a uma melhoria contínua. Se o líder da empresa não fizer isso, é muito difícil instituir a cultura certa. É fundamental criar uma cultura de coragem e de abertura à mudança e ao aprimoramento contínuo.

Esse assunto, o erro, é muito importante, mas é mais discutido na teoria do que aplicado na prática. Durante todo o tempo em que fui presidente, acho que aprendi mais com meus erros do que com meus acertos. Vejo meus erros como uma dádiva. Se não encará-los assim, você não vai aprender com o erro, não vai melhorar — e sua empresa não vai melhorar. 

COMO ERRAR DE PROPÓSITO

Rita Gunther McGrath

Um cenário de incerteza pede experimentação. Veja como montar testes — e aprender com o erro.

Não é novidade que líderes empresariais trabalham em ambientes de incerteza cada vez maior. Tampouco surpreende que, em condições incertas, o erro seja mais comum do que o acerto. Curiosamente, no entanto, não projetamos uma organização para administrar o erro, mitigá-lo e aprender com ele. Quando pergunto a executivos o quão boa (numa escala de um a dez) é sua organização para aprender com o erro, em geral a resposta é um tímido “dois — ou talvez três”. Como isso sugere, a maioria das organizações é profundamente avessa ao erro e não faz nenhum esforço sistemático para estudá-lo. Executivos ocultam falhas ou fingem que sempre foram parte do plano original. O erro vira assunto proibido e o medo de prejudicar a carreira cresce tanto que as pessoas a certa altura deixam de assumir riscos.

Não irei argumentar que o erro, por si só, é algo bom. Longe disso: pode ser um desperdício de dinheiro, pode destruir o moral, enfurecer clientes, ferir a reputação, prejudicar carreiras e, às vezes, levar a tragédias. Mas o erro é inevitável em ambientes de incerteza e, se bem gerido, pode ser muito útil. Aliás, não há como a organização assumir o risco exigido para a inovação e o crescimento se não aceitar bem a ideia do erro.

Uma alternativa a ignorar o erro é promover o “erro inteligente”, termo cunhado por Sim Sitkin (da Duke University, nos Estados Unidos) em excelente artigo de 1992 na revista Research in Organizational Behavior intitulado “Learning Through Failure: The Strategy of Small Losses”. Se puder adotar o conceito do erro inteligente, sua organização ficará mais ágil, mais capaz de assumir riscos e mais inclinada a aprender enquanto organização.


Como o erro pode ser útil

Alguns dos erros que descreverei a seguir foram resultado de experimentos intencionais. Outros foram totalmente inesperados, não planejados. Mas todos trazem lições valiosas. Uma certa dose de erros pode ajudá-lo a:




Manter suas opções abertas. À medida que o espectro de desfechos possíveis para um determinado curso de ação cresce, a chance de que tenha êxito diminui. Com mais tentativas, é possível aumentar a probabilidade. Essa é a lógica por trás de empresas que operam em ambientes de alta incerteza, como firmas de capital de risco (cujas taxas de sucesso oscilam entre 10% e 20%), laboratórios farmacêuticos (que em geral criam centenas de novas moléculas antes de chegar a um fármaco comercializável) e a indústria cinematográfica (na qual, segundo um estudo, 1,3% de todos os filmes abocanha 80% da bilheteria).

Descobrir o que não funciona. Muitos negócios de sucesso nascem de projetos que não deram certo. O computador Macintosh, da Apple, surgiu em parte das cinzas de um aparelho hoje esquecido, o Lisa — primeiro a exibir várias das interfaces gráficas do usuário e operações com mouse presentes nos computadores de hoje.

Em situações verdadeiramente incertas, a pesquisa convencional de mercado de pouco serve. Se o leitor tivesse perguntado ao público em 1990 quanto estaria disposto a pagar por uma busca na internet, ninguém teria sabido do que estava falando. Foi preciso uma enorme quantidade de experimentação para que surgisse uma ferramenta de busca viável. As primeiras operadoras queriam receber por fazer elas mesmas a busca. Mais tarde, houve quem explorasse modelos de negócios baseados na publicidade. Mais tarde ainda, o Google inventou um sistema para maximizar a rentabilidade do modelo fundado em anúncios. Sem toda essa tentativa e erro, dificilmente o Google teria criado a potência (baseada num algoritmo) tão conhecida hoje em dia.

Criar as condições para atrair recursos e atenção. Uma organização tende a passar para um novo projeto em vez de corrigir problemas sistêmicos dos que já existem. É só deixar algo importante dar errado, no entanto, para que todos se mobilizem!

Descobri, em primeira mão, como um erro pode ser usado de forma estratégica anos atrás, quando trabalhava para a prefeitura de Nova York. Dirigia uma equipe de TI encarregada de instalar um sistema automatizado de compras. Em minha santa ignorância, não sabia o quão difícil seria obter apoio político e recursos financeiros para o projeto. Por sorte, meu chefe era um gênio político. Uma tarde, enquanto rodava um programa analítico, descobri que os dados no antigo sistema tinham sido corrompidos. Entrei imediatamente em ação, disposta a salvar a pátria. Mas, ao apresentar o plano ao chefe, ele disse calmamente: “Não faça nada. Às vezes, é preciso que as coisas desmoronem para que surja a determinação a consertá-las”. Ele tinha toda a razão. A pane no sistema antigo criou um argumento contundente para o novo e foi um momento decisivo na obtenção de apoio.

 Abrir espaço para novos líderes. É triste, mas é fato: ainda hoje, muitos postos de liderança são ocupados por indivíduos bastante parecidos àqueles que os escolheram. Setores inteiros já sofreram as consequências de “veteranos” que não questionam premissas tácitas nem regras dadas por verdadeiras. Somente quando essas premissas e regras se provam erradas — muitas vezes, infelizmente, à custa de grande trauma —, o conselho de administração vai buscar um líder distinto. A mudança pode ser incrivelmente benéfica e a indústria automobilística americana dá um exemplo. Quem teria imaginado que Alan Mulally, um ex-executivo da Boeing, inspiraria, como presidente, uma guinada na Ford?



Desenvolver intuição e habilidade. Segundo estudiosos, o que as pessoas chamam de intuição é, no fundo, um poder altamente desenvolvido de reconhecimento de padrões. Quem nunca viveu um desfecho negativo tem uma lacuna importante no acervo de experiências que serve de base para a intuição. Muitas firmas de capital de risco não investem num novo projeto se o fundador nunca sofreu um revés.

Uma novidade de sucesso da Microsoft no mercado de games, o Xbox 360, foi criada por uma equipe que trabalhara no malogrado videogame da 3DO, na WebTV (que tampouco deu certo), no problemático braço de placa de vídeo da Apple e em outro projeto de vida curta da própria Microsoft, o UltimateTV. Tendo enfrentado tanta decepção, os membros da equipe puderam detectar sinais de alerta e fazer correções de rumo inteligentes. O primeiro Xbox, por exemplo, usara processadores caros de fornecedores externos e teria dado um prejuízo de cerca de US$ 4 bilhões de 2001 a 2005. Já a equipe do Xbox 360 optou por outros fornecedores, trabalhou em estreita parceria com eles para desenvolver os processadores e deteve os direitos sobre a propriedade intelectual dos chips, permitindo que o sistema desse lucro logo cedo.

Coloque o erro inteligente para trabalhar

Obviamente, nem todo erro é útil, e até alguns que poderiam trazer alguma lição deveriam ser evitados a todo custo. Mas, se aceitarmos o fato de que em ambientes de incerteza às vezes haverá erros, faz sentido se preparar para isso, administrar esses erros e aprender com eles — e, em muitos casos, considerá-los experimentos, não insucessos. Apresento aqui sete princípios para ajudar sua organização a extrair lições do erro.



PRIMEIRO PRINCÍPIO

Decidir o que será considerado sucesso e fracasso antes de lançar uma iniciativa.

O fato de que indivíduos envolvidos num mesmo projeto tenham visões totalmente distintas daquilo que constituiria o sucesso nunca deixa de me surpreender. Num caso que estudei, uma fabricante de equipamentos de recuperação ambiental pretendia lançar uma nova linha de produtos. O setor de marketing achava que o forte da novidade era a compatibilidade com um novo — e rígido — padrão regulamentar. O pessoal de engenharia achava que era a boa relação custo-benefício — e, para manter baixo o custo, vinha eliminando do projeto os próprios recursos que o marketing queria promover. Essa diferença de opinião poderia facilmente ter levado a um erro não inteligente. Mas a empresa se inteirou a tempo de colocar todo mundo de acordo e evitar o que poderia ter sido um desastre no mercado.

SEGUNDO PRINCÍPIO

Converter suposições em conhecimento.

Quando a tarefa em mãos é fundamentalmente incerta, é quase certo que suas premissas iniciais serão incorretas. Em geral, a única maneira de chegar a premissas melhores é fazendo testes. Mas ninguém deve começar a experimentar antes de deixar explícitas tais premissas. Ponha tudo no papel, divida a informação com a equipe e certifique-se de que todos estejam abertos a rever essas premissas à medida que forem chegando novos dados. O risco é que todos temos a tendência a gravitar em direção a informações que confirmem faquilo em que já acreditamos — o chamado viés da confirmação. Uma saída prática para lidar com esse viés é permitir que um dos integrantes da equipe busque informações que sugiram que seu curso de ação é falho. A ideia é achar informações divergentes logo cedo, antes de ter assumido grandes compromissos e adquirir resistência a mudar de opinião.

Empresas que não põem no papel suas premissas tendem a enfrentar dois grandes problemas. O primeiro é que, na cabeça das pessoas, uma suposição vira fato. Durante uma reunião, um gerente pode arriscar o palpite de que um dado mercado poderia gerar US$ 5 milhões em vendas — e, antes que a reunião termine, aqueles US$ 5 milhões são incorporados ao orçamento do ano seguinte! Esse tipo de salto produz toda sorte de comportamento disfuncional quando o palpite, quase que inevitavelmente, se prova errado. O segundo problema é que uma organização dessas não aprende tanto quanto poderia. Pode corrigir o rumo à medida que avança, aprender ao fazer, mas, se não for rigorosa na comparação de resultados com expectativas, as lições não serão explícitas e disseminadas e projetos futuros não se beneficiarão delas.

Tendo explicitado e revisto suas premissas, é hora de montar o equivalente organizacional de um experimento para testá-las. Tal como acontece com um experimento científico, a ideia é aprender algo com o resultado — seja ele aquilo que você esperava ou não.

TERCEIRO PRINCÍPIO

Chegar ao erro depressa.

Um erro rápido e definitivo tem uma série de benefícios importantes. Primeiro, pode impedi-lo de investir mais recursos numa ideia equivocada. Segundo, é muito mais fácil estabelecer causa e efeito quando o tempo transcorrido entre a ação e o resultado é curto. Terceiro, quanto antes puder descartar um determinado curso de ação, mais depressa você avançará rumo a sua meta. E, por último, um fracasso logo cedo diminui a pressão para continuar de qualquer jeito com o projeto, pois seu investimento nele não foi grande.




Uma saída prática para ajudar a garantir que o que tiver de dar errado dê errado logo é colocar elementos do projeto à prova desde cedo. Essa é a principal razão para que “o desenvolvimento ágil de software” costume produzir resultados melhores do que o processo mais convencional (e sequencial) de desenho de sistemas. Num ambiente ágil, pequenos trechos de código são criados e partilhados de forma rápida e iterativa com outros programadores e usuários — e só então a equipe segue em frente. É algo em nítido contraste com a abordagem na qual analistas passam meses registrando requisitos de usuários antes de apresentar tais requisitos a programadores, que só então começam a criar o código. Um projeto desses pode estar avançando há anos na direção errada quando um problema é descoberto.

Essa agilidade pode exigir mudanças na maneira de alocar recursos. Em vez de buscar o máximo VPL ao longo de todo o projeto, por exemplo, talvez seja melhor dividir a avaliação financeira em blocos menores, tanto em termos de tempo como de dinheiro. Outra ideia é investir em ativos e pessoal mais flexíveis até ter descoberto o suficiente para poder montar, com confiança, uma operação de vulto.

E os benefícios humanos de errar depressa não devem ser menosprezados. Se as pessoas acharem que o fracasso de um projeto significará meses de espera por outro projeto, ou a perda do emprego, o fracasso derrubará o moral. Mas, se houver várias iniciativas em curso e o término de uma significar que serão imediatamente transferidas para outro projeto (possivelmente mais interessante), o término pode ser positivo. Na consultoria técnica Sagentia, por exemplo, os funcionários se deslocam rapidamente de um projeto para outro. Ouvi o seguinte do diretor financeiro, Neil Elton: “O pessoal é proativo, manda e-mails com um minicurrículo dizendo: ‘Era para estar ocupado, mas não estou. Você não precisa de minhas habilidades?’”. Essa atitude é sintomática de uma organização que sabe como experimentar de forma inteligente.

QUARTO PRINCÍPIO

Chegar ao erro sem gastar muito.

Esse é um corolário importante do errar depressa. Uma iniciativa deve ser concebida de modo a tornar as consequências do insucesso modestas. Às vezes, é útil testar um protótipo em pequena escala antes de fazer um investimento considerável. Quando a fabricante japonesa de cosméticos Kao pensou em investir na produção de disquetes, uma grande dúvida era se a clientela compraria ou não disquetes com a marca Kao. O que a empresa fez, então, foi comprar discos de um fabricante que satisfazia seus padrões de qualidade, colocar o selo Kao no produto e oferecê-lo aos clientes. Já que a resposta foi positiva, o plano foi em frente. Se tivesse sido negativa, a Kao poderia ter suspendido o projeto sem custos substanciais.

Essa abordagem pode exigir que se rompam hábitos arraigados. O diretor de inovação de uma empresa altamente técnica com a qual trabalhei observou que a empresa normalmente pediria a “um sujeito de jaleco branco” que fizesse um estudo de viabilidade técnica antes de decidir se entrava numa nova área de produtos. Além de custar caro — mais de US$ 200 mil —, um estudo desses revela relativamente pouco sobre a viabilidade do negócio. O que o diretor de inovação fez, portanto, foi começar a apresentar a potenciais clientes protótipos de novos produtos. Em muitos casos, a empresa descobriu que questões não técnicas, como o formato, a usabilidade e a compatibilidade com sistemas existentes, teriam impedido a adoção de um produto por clientes. A diferença de custo entre as abordagens era de uma ordem de grandeza: um protótipo típico custava cerca de US$ 20 mil. A diferença de velocidade também era considerável: semanas, em vez de 9 a 12 meses.

A reputação da 3M de tolerar erros saiu arranhada durante o mandato do ex-presidente Jim McNerney, um líder treinado na GE que buscou instituir práticas de qualidade Six Sigma em toda a empresa, inclusive nos laboratórios de pesquisa. Embora tenham feito maravilhas nas fábricas da 3M, a ênfase na geração de resultados previsíveis derrubou a disposição do pessoal a correr riscos com ideias ainda não comprovadas. Quando George Buckley assumiu a presidência, em 2005, parte do desafio era restituir a cultura aberta a riscos. Buckley suspendeu o uso do Six Sigma nos laboratórios e incentivou cientistas e pesquisadores a apostar em novas ideias — desde que o risco de perda fosse pequeno. Durante a recessão, a histórica filosofia da 3M na hora de lançar novidades (“fazer um pouco, vender um pouco”) casou bem com a ênfase de Buckley na inovação na base da pirâmide — itens baratos com apelo para mercados bem amplos.

QUINTO PRINCÍPIO

Limitar a incerteza.

Não faz muito sentido incentivar o erro numa arena com a qual a organização já está familiarizada. Mas promovê-lo numa arena totalmente alheia a seus recursos atuais tampouco será muito útil. A empresa provavelmente não conseguirá usar o que descobrir, pois não vai entender o contexto e tampouco saberá como associar o que descobriu a sua base atual de conhecimento.

O Google, que em geral é muito bom na condução de experimentos, se aventurou longe demais ao tentar criar um projeto para rádios convencionais. A empresa queria automatizar o preço da propaganda no rádio, como fizera com a publicidade na internet. Emissoras de rádio entregariam parte de seu espaço publicitário (de preferência, todo) ao Google, que faria um anunciante disputar com outro para comprar espaço. Surgiram problemas, no entanto, pois as emissoras não queriam ceder o controle. Para piorar, anúncios vendidos via Google saíam por menos do que os vendidos diretamente pelas estações e, embora o Google tenha argumentado que a demanda maior acabaria por elevar os preços do leilão, as emissoras não quiseram correr o risco. Compradores de mídia, por sua vez, relutavam em se envolver com o Google, que se recusava a seguir a prática convencional de negociar preços de antemão e montar pacotes de anúncios. Depois de suspender as atividades, em 2009, o presidente do Google, Eric Schmidt, atribuiu o revés à incapacidade da empresa de medir o desempenho da publicidade no rádio, algo que fazia na web ao monitorar “views” e “clicks”. O projeto custou à empresa bem mais de US$ 100 milhões. Não é muito dinheiro no mundo do Google; o mais importante é que a empresa parece ter aprendido relativamente pouco com o episódio. O vão entre seu core business e o mercado de rádio era grande demais.

É sábio minimizar o número de incertezas a serem eliminadas em qualquer ponto de decisão específico. Uma saída, aqui, é recorrer àquilo que Chris Zook, da Bain, chama de adjacências. É possível, por exemplo, lançar um produto que já existe num novo mercado: a IKEA vende basicamente os mesmos móveis em muitos países distintos. É possível oferecer aos clientes um produto novo, mas correlato: o banco Wells Fargo se dá muito bem com vendas cruzadas. Ou é possível erguer um novo negócio a partir de um recurso que a empresa já possui — o que a Air Products and Chemicals faz com seus recursos de gestão de fábricas. A ideia é aprender com o fracasso (e alavancar o sucesso) em áreas relativamente próximas às atividades estabelecidas. Para Zook, o número de incertezas importantes deve ser exatamente um. Há aí um pouco de exagero. Sugiro limitar grandes incertezas a aspectos ligados ao mercado (preço, aceitação, formato e por aí vai) ou a questões de tecnologia e recursos (normas, escalabilidade, disponibilidade de talentos e assim por diante) — e não enfrentar incertezas nas duas dimensões ao mesmo tempo.

Outra forma de experimentar sem se afastar demais do core é quebrar um projeto de longo prazo em blocos menores. Peguemos a comercialização da nanotecnologia: um dia, seremos capazes de construir objetos no nível de moléculas individuais, o que será uma mudança realmente revolucionária. Mas esse futuro provavelmente tardará a chegar. No meio tempo, como estamos usando a nanotecnologia? Em tecidos que não amassam. Em celulares cuja tela não traz marcas de dedos. Mais modestos, esses projetos fazem muito sentido: aplicam uma tecnologia nova em folha a produtos conhecidos, o que fomenta a aprendizagem.

SEXTO PRINCÍPIO

Criar uma cultura que celebre o erro inteligente.

É comum as pessoas temerem abalos em sua carreira caso algo dê errado sob seu comando (e, obviamente, não raro estão certas!). Altos gerentes precisam criar um clima que incentive o pessoal a correr riscos inteligentes e não castigue eventuais erros disso decorrentes. Para certas empresas, codificar esse princípio foi algo útil (veja o quadro “Não vamos punir o erro”).

Essa é uma área na qual o presidente pode mostrar forte liderança. A.G. Lafley fez do destemor diante do erro um pilar de seu mandato na Procter & Gamble. Lafley disse várias vezes que uma taxa de sucesso muito alta é sinal de inovação incremental e que buscava, em vez disso, saltos revolucionários. No livro The Game-Changer, publicado quando ainda era presidente, o executivo enumera (e até festeja) os 11 casos de produto malogrado que mais custaram à empresa, enfatizando aquilo que aprendeu com cada um. As razões para o insucesso vão desde “exigia considerável mudança de hábito do consumidor” (um kit para limpeza a seco em casa) a “ideia pequena” (vários sabões novos para roupa).

Essa cultura deve ser instituída em todos os níveis da organização. Um alto chefe de divisão com quem trabalhei dizia o seguinte a membros da equipe durante a avaliação de desempenho: “Quero ver o que foi para o lixo”. O pedido transmite perfeitamente a ideia de que parte das coisas testadas por gente empreendedora necessariamente não dará certo.

SÉTIMO PRINCÍPIO

Codificar e compartilhar lições.

Um erro inteligente cujas lições não são disseminadas vale muito menos do que aquele que ensina algo ao grupo ou, de preferência, a toda a organização. Há muitas maneiras de registrar e transferir essas lições. Entre as mais populares estão mini-post mortens à medida que o projeto avança, avaliações de controle à medida que pontos cruciais são atingidos e sessões de avaliação pós-ação (“after-action review”) ao término do projeto. Em cada caso, a ideia é identificar que premissas foram usadas no início, o que aconteceu, o que isso significa para as premissas e o que deve ser feito em seguida. É fundamental evitar a busca de culpados — moderação mais fácil de exercer quando ideias subjacentes são rotuladas de “premissas”, e não de “projeções” ou “dados”.

Há pouco, facilitei um post mortem para uma grande organização às voltas com uma implementação de TI que dera terrivelmente errado. Antes de nos reunirmos, fui ouvir importantes tomadores de decisão ali dentro e tracei uma linha do tempo mostrando em que momento decisões críticas haviam sido tomadas. Abrimos a reunião com observações gerais sobre o porquê de sistemas de TI tantas vezes falharem; a mensagem era “Vocês não são os únicos”. Em seguida, discutimos as principais premissas em vigor quando o projeto fora autorizado, cerca de quatro anos antes; foram uma surpresa para os novos membros da equipe. Em seguida, esmiuçamos cinco decisões que tinham tido grande impacto na evolução do projeto, discutindo premissas adotadas no momento, o que teríamos feito diferente e o que se aprendera. O dia terminou com duas sessões mais focadas: uma para definir o que fazer sobre a situação presente e outra para cristalizar lições que poderiam ser valiosas em outros projetos e ajudar a evitar problemas similares no futuro. Para garantir que o aprendizado fosse transferido, encarregamos certos indivíduos de documentar e comunicar essas lições.




VOLTEMOS à ideia que defendi lá no início: num mundo de incerteza e volatilidade, evitar o erro não é uma opção. Se aceitar essa premissa, a escolha a sua frente é simples: continuar a usar práticas que limitem o que é possível ganhar com o erro — ou abraçar o conceito do erro inteligente, no qual o aprendizado pode gerar um valor considerável.

O exemplo dado pela alta gerência é crucial. Um líder deve estar disposto a falar sobre falhas e sobre o que se aprendeu com elas. Vi organizações usarem rituais simbólicos para celebrar um erro que ensinou lições importantes; isso pode criar um ambiente no qual é permitido discutir falhas. Tornar explícitas as regras básicas para assumir riscos, seja em um contrato ou por outros meios, também pode ser útil. Contar histórias sobre erros no passado pode deixar as pessoas mais à vontade para falar sobre erros em andamento. E achar um jeito honrado de encerrar iniciativas e seguir em frente torna o erro inevitável muito mais palatável. Aprender com o erro para avançar rumo ao sucesso vai distinguir empresas capazes de prosperar durante a incerteza das demais.

______________________________

Rita Gunther McGrath (rdm20@columbia.edu) é professora da Columbia Business School, nos EUA. Sua área de estudo é estratégia e inovação em ambientes voláteis.

O EMPREENDEDOR E O CULTO DO FRACASSO

Daniel Isenberg

Representantes de governos de Cingapura à União Europeia vêm defendendo a “celebração do fracasso” como maneira de estimular o empreendedorismo. Neste ano, durante o lançamento da iniciativa Startup America pela Casa Branca, nos Estados Unidos, um convidado fez um apelo emocionado para que o país seguisse o conselho. Afinal, não foi o destemor de grandes pioneiros dos EUA — sua disposição a tropeçar durante a jornada — que os levou a triunfar mesmo diante da adversidade?

Por mais bem-intencionada que seja, essa tentativa de celebrar o fracasso é equivocada. Não se deve confundir medo com ansiedade — e a celebração do erro parece destinada a reduzir a ansiedade.

Ansiedade, teria explicado Freud, é quan­do a pessoa reage irracionalmente a um mero galho de árvore como se fosse uma cobra venenosa. Medo é quando reage a uma cobra venenosa como se esta fosse justamente isso, venenosa. A ansiedade é disfuncional, mas o medo pode ser bom: ajuda a nos proteger de coisas perigosas — como assumir riscos. Empreendedores, até onde sei, desenvolvem um saudável medo daquilo que pode dar errado. Só não se deixam paralisar por ele.

Eis três ideias para ajudar governantes a calibrar o medo do fracasso para incentivar o empreendedorismo sem sugerir que o erro seja glorificado.

Aceitar que o fracasso é parte natural da atividade empresarial. Em países “hiperempreendedores” como Israel, Taiwan e Islândia, é comum um negócio que ainda engatinha errar. E a famosa curva J do retorno é ideologia entre capitalistas de risco do mundo todo: o fracasso vem cedo; o sucesso leva tempo. Errar logo no início é importante, pois produz um aprendizado sistêmico sobre onde estão (ou não) as oportunidades e como lidar com elas — e porque rapidamente libera gente, capital e ideias para projetos mais promissores. Errar depressa é como a corrente de ar de uma chaminé: a saída rápida de erros abre espaço para novos candidatos. Só que muitos governantes que incentivam o empreendedorismo como estratégia para o desenvolvimento econômico tratam um índice baixo de insucesso como sinal de que a política está funcionando. Deviam estar buscando um monte de sucessos e fracassos, embora os primeiros, obviamente, devam superar os segundos, em números absolutos, em impacto ou em ambos.




Remover obstáculos estruturais para reduzir riscos objetivos de um empreendimento dar errado. Muitos países, mesmo aqueles com economias avançadas, sem querer inibem o empreendedorismo ao punir a falência: impedem que empresários quebrados abram um novo negócio ou, até, uma conta bancária — e, em certos casos, tratam a falência como crime. Leis que aumentam o custo do fracasso desestimulam a participação de novos atores, assim como uma chaminé entupida impede que o oxigênio alimenta a chama. A legislação trabalhista é outro problema: estudos mostram que abolir leis que dificultam a demissão de pessoal pela empresa e, no lugar disso, dar apoio ao trabalhador demitido, deixa o empreendedor muito mais disposto a contratar para uma nova empresa (pois sabe que pode cortar a folha se necessário).

Transformar fracasso em algo útil. Contrariando o mito, o empreendedor não é um jogador inconsequente. É verdade que correr riscos é um aspecto intrínseco da inovação. Mas é importante ensinar o empreendedor a cometer erros pequenos e baratos — e logo cedo. Erros baratos não chegam às manchetes — e não causam constrangimento ou vergonha. Autoridades públicas podem apoiar a orientação de empreendedores em técnicas e estratégias de redução de risco.

Quem seguir esses conselhos não terá de estourar o champanhe toda vez que um empreendedor fracassar. Tratar o fracasso como um aspecto normal do investimento num novo negócio e cultivar a perspectiva certa sobre o valor desse erro vai ajudar a aplacar o medo do fracasso sem que seja preciso fazer festa em seu nome.
____________________

Daniel Isenberg é professor de prática administrativa da Babson Global (parte da Babson College, nos EUA) e diretor-executivo do Babson Entrepreneurship Ecosystem Project.


sexta-feira, maio 06, 2011

UM EXEMPLO DE ESFORÇO E RESULTADO

ABRAHAM SHAPIRO

Um jovem, com apenas o ensino fundamental, começa a trabalhar em serviços gerais numa empresa. Fica trabalhando ali por mais de 40 anos  e chega ao cargo de diretor-presidente.

Esta não é uma história comum. Mas posso garantir que é verdadeira. E fala, em especial, do Sr Ivo Frederico Reich e de sua trajetória de sucesso na Sadia, em Concórdia, Santa Catarina.

Falecido há poucos dias, aos 78 anos, deixa ele uma herança de valores e lutas infinitamente maior do que bens e fortuna aos descendentes e à sociedade brasileira. Filho de um imigrante alemão que atuava como sapateiro, Ivo nasceu em Piratuba, cidade catarinense de apenas 4.800 habitantes.

Nos anos 50, mudou-se para o município de Concórdia para trabalhar justamente na Sadia. Foi seu primeiro emprego. Seu crescimento dentro do trabalho começou quando teve a oportunidade de fazer um curso de suinocultura no Rio Grande do Sul. No fim da mesma década, sem falar inglês, topou passar alguns meses nos EUA, participando de um curso de avicultura. Na volta, dirigiu a implantação de um novo sistema de produção de aves que o consagrou.

Segundo seu filho, Ivo Reich só teve a oportunidade de crescer porque os donos da Sadia, empresa que existe desde 1944, sempre acreditaram nele.

Seu Ivo também ajudou a fundar a Cooperativa de Produção e Consumo de Concórdia, que presidiu, aventurou-se ainda na política como prefeito de Concórdia, e antes disso, foi vereador e vice-prefeito.

Morando em São Paulo desde 1988, aposentou-se em 1997. Ficou na capital paulista até 2004, quando se mudou para Campo Grande, Mato Grosso do Sul, onde teve fazendas e criou gado.

Num mundo onde tantos desejam o sucesso gratuito através de um prêmio na loteria, exemplos reais de empreendedorismo e bravura como os deste homem, mostram que aquela antiga sabedoria é uma verdade real e incontestável: “De acordo com o esforço é a recompensa”.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

quinta-feira, maio 05, 2011

PRIORIDADE No. 1 DA GESTÃO

ABRAHAM SHAPIRO


Todos já sabem que a falta de mão de obra qualificada é o problema que atualmente afeta boa parte das empresas brasileiras. Para sustentar o crescimento da economia e a expansão dos negócios este deverá ser o maior desafio das organizações por, no mínimo, mais quatro anos. Durante esse tempo, portanto, a principal estratégia dos gestores será reter e desenvolver talentos.

Se você me ouve ou me lê e ainda não sabe o que fazer, é hora de buscar uma saída para definir com toda clareza e prática possíveis a política de retenção e desenvolvimento dos talentos da sua empresa.

Aumentar o foco na gestão de pessoas, hoje em dia, é o seguro que garante a competitividade da empresa no mercado em que ela atua – seja interno e/ou externo. O maior agravante é que formar pessoas leva tempo. E só é possível com planejamento de médio e longo prazos.

Após este, outros grandes desafios até 2015 serão gerenciar custos sem comprometer a qualidade e lidar com a concorrência. Há organizações que já estão desenvolvendo estratégias para enfrentá-los. Elas estão investindo, principalmente, em inovação, através da criação de produtos, serviços e direcionamento de recursos para novas tecnologias. Essas têm sido prioridades dos gestores ligados no cenário atual e com olhos no futuro imediato.

Embora essa estratégia seja fundamental para garantir um futuro saudável independentemente dos ventos favoráveis, as empresas estão mais concentradas em aproveitar o bom momento da economia.

Os investimentos de curto prazo, portanto, apoiam-se no tripé marketing, recursos humanos e ampliação da capacidade operacional. Combinados, estes fatores são responsáveis por atender a procura do mercado e estão diretamente ligados aos resultados das organizações.

Não tem desculpas. Ou você coloca a sua empresa no padrão mínimo de organização e de uma gestão competente, ou por mais dinheiro que um dia você tenha feito, será difícil demais repetir os melhores resultados do passado. É hora de profissionalizar.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

quarta-feira, maio 04, 2011

MENOS EXIGÊNCIAS NA CONTRATAÇÃO

ABRAHAM SHAPIRO

As posições começam a se inverter. Se no passado era o trabalhador que corria atrás das empresas para conseguir um bom emprego, hoje são as empresas que fazem qualquer negócio para contratar ou manter um funcionário.

Pesquisa feita com 130 companhias – responsáveis por 22% do PIB brasileiro – mostrou que 92% das empresas estão com dificuldade para contratar profissionais.

Neste cenário vale tudo para preencher uma vaga, desde importar mão de obra de países vizinhos e fazer anúncios de emprego durante a missa, até designar profissionais para promover a imagem do grupo entre candidatos.

Foi-se o tempo também que para encontrar um bom emprego era preciso ter pós-graduação, doutorado e muita experiência na área. Hoje várias companhias já abrem mão dessas exigências.

Dados da pesquisa mostram que 54% das companhias reduziram os requisitos na contratação de pessoal para a área técnica e operacional. Nos cargos estratégicos, 28% das empresas também diminuíram as exigências, como pós-graduação, fluência em idiomas e experiência. A solução tem sido contratar o profissional sem experiência, treiná-lo e capacitá-lo com cursos moldados à necessidade da companhia.

O poder mudou de lado. A situação que aí está é resultado de uma série de armadilhas criadas pela própria sociedade. Primeiro desvalorizou-se a mão de obra técnica. Depois inundamos o mercado com profissionais diplomados e baixa qualidade. Mesmo reduzindo as exigências, algumas companhias demoram até seis meses para encontrar um profissional. Enquanto você prepara a contratação, o candidato já conseguiu outra proposta e faz-se preciso começar tudo de novo.

Embora atinja todos os níveis, o problema é mais delicado em cargos técnicos e operacionais. Falta de tudo, de engenheiro a pedreiro. Com isso, a tendência aponta para investimentos em novas tecnologias para reduzir a dependência da mão de obra.

Não deixa de ser uma guerra. Quem irá vencer? O tempo dirá. A única certeza existe para quem investe na própria formação. Estes, estarão bem colocados em tempos de baixas ou altas exigências. Nunca dependerão da sorte.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

terça-feira, maio 03, 2011

OPORTUNIDADES PARA ESTAGIÁRIOS

ABRAHAM SHAPIRO

Muitas empresas decidiram reforçar a aposta em uma tradicional ferramenta para atração de talentos: os programas de trainees. Antes concentrados nos meses de julho e agosto, esses processos de recrutamento e seleção, criados para fisgar recém-formados de alta performance, agora ocupam também as primeiras folhinhas do calendário, já que a economia está aquecida e existe um cenário de estabilidade no horizonte.

Com mais vagas para serem ocupadas, as empresas veem no primeiro semestre a chance de recrutar jovens já disponíveis no mercado, e têm nisso uma estratégia para fugir da acirrada competição.

Como no Brasil, ao longo do tempo houve uma concentração desses processos em agosto, o candidato se acostumou a fazer inscrição em muitas empresas ao mesmo tempo.

A multinacional americana Whirpool, por exemplo, transferiu seu processo seletivo anual de agosto para abril. A mudança ocorreu no ano passado – quando a empresa recebeu 30% mais inscritos, que chegaram a 13.500 candidatos, dos quais, 23 foram escolhidos. Junto dela, a GE e a rede de lojas Riachuelo, seguem o mesmo caminho de antecipação de datas e elevação do nível de aproveitamento.

O índice de retenção dos programas de trainee do Brasil girava historicamente em torno de 32% a 35%. Ou seja, em média, a cada três profissionais que finalizam a etapa de treinamento - que leva até dois anos e meio - apenas um decidia continuar na empresa. Mas este índice tem se elevado a patamares surpreendentes em muitas empresas.

Os jovens que participam de um programa de estagiários têm alguns comportamentos típicos. Eles são muito seletivos. Normalmente depois de um programa em uma empresa renomada, a empregabilidade desse candidato é quase imediata.

O aspecto mais interessante a considerar é que a geração atual de universitários interessados em estágios sabe de seu valor e do que quer. Por isso, não é mais a empresa que escolhe os jovens, mas o inverso. Por isso, as companhias estão investindo cada vez mais em ‘vender’ seus programas já no início de cada ano.

Se você está concluindo seu curso superior, e é estudioso, procure uma oportunidade de estágio. É uma opção inteligente para a entrada no mercado de trabalho.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

segunda-feira, maio 02, 2011

NÃO É COMO TROCAR DE ROUPA!

Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 02/05/2011, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos

ABRAHAM SHAPIRO

A Carla já está no terceiro casamento. O primeiro naufragou por que o marido era mandão. Depois namorou um rapaz e, cheia da expectativa de que daria certo, casou-se novamente. Meses depois, lá estava a moça dizendo que o dito cujo deixava a desejar. Mas a esperança é a última que morre. Por isso, ela partiu para um terceiro homem – “maravilhoso”, “o grande amor de sua vida”. Dois anos se passaram, e há poucos dias eu soube que o circo já está pegando fogo por lá. Cogitam numa separação. Outra.

Se tivessem perguntado, eu teria dito: “Não se casem”. Eu sabia que não dava certo. Como? É simples. Nada contra casamentos ou ex maridos. É que eu conheço a Carla. Ela é o problema! Não sabe conquistar. Não sabe fazer política de bom relacionamento. A todo momento quer mostrar que é ela quem manda. E quando isso se instala numa relação, vira escalada. Jamais entendeu que usando de bondade – e até de concessão – ela poria qualquer homem a seus pés. Eles mesmos optariam por tê-la no comando. Mas quando a incompetência se soma à arrogância e ao egoísmo, o que resulta são feridas, penas e delitos. Mantida esta conduta, ela acabará sem ninguém. Nem os filhos permanecerão junto dela.

Um sábio disse: “A cadeira ao lado das pessoas preocupadas em mostrar quem manda está sempre vazia. Ficam sós, quando não abandonadas”.

Em empresas este cenário desponta em circunstância similar. Daria um ótimo roteiro de filme trágico.

Cena 1: O gestor seleciona um funcionário e o contrata, movido pela fé de que será a solução de um problema. Após isto, em geral o processo estaciona. O gestor não dá treinamento, não determina objetivos, não apresenta padrões. O coitado do funcionário fica à solta, “sem pai nem mãe”, adivinhando a maior parte do que deve fazer - sem feedbacks - e, para piorar, trabalhando em clima de “apaga incêndio” por todo lado.

Cena 2: O gerentão aparece cobrando resultados impossíveis de se atingir. Decepcionado, desqualifica o funcionário. A relação se desgasta. O sujeito vai para a rua. (Não parece os divórcios da Carla?)

Cena 3: Começa uma nova seleção - nascida da boa e velha esperança de que “o próximo dará certo”. Aí eu surjo dizendo: “Não. Não dará! Querem acertar de uma vez por todas? Não mexam com o funcionário. Troquem este maldito gerente”.

Fecha o quadro.

Letreiro: The End!
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

domingo, maio 01, 2011

CULPAR MERCADO É SAÍDA PARA POLÍTICOS

O economista indiano Raghuram Rajan afirma que a sociedade não consegue avaliar os riscos corretamente. Seu livro diz que razões da crise de 2008 são mais profundas do que parecem

ROBERTO DIAS

Uma lista publicada neste ano pela revista "The Economist" trazia no topo o nome do indiano Raghuram Rajan.

Era o resultado da seguinte enquete: "Qual economista tem as ideias mais importantes no mundo pós-crise?".

Rajan conquistou a atenção de seus colegas com o livro "Fault Lines" (Falhas Geológicas, em tradução livre), publicado no ano passado e inédito no Brasil.

A ideia explícita do título é defender que a crise de 2008 tem causas mais profundas do que muita gente percebe.

A ideia implícita embute uma visão pró-mercado: a culpa não é toda dos bancos.

Algo bem afinado com o liberalismo da Universidade de Chicago, onde trabalha esse professor de 48 anos que já foi economista-chefe do FMI.


Folha - Se os banqueiros não são os vilões gananciosos que as pessoas enxergam, quem eles seriam então?

Raghuram Rajan - É muito fácil argumentar que há banqueiros criminosos, maldosos, que pondo alguns na prisão resolvemos o problema. Até agora, poucos banqueiros foram processados. Isso indica que ou as autoridades os estão preservando ou que a maioria fazia coisas que não eram ilegais. Se é assim, temos que olhar por que o sistema estava errado. Claro que havia criminosos nos bancos, como em qualquer indústria. Mas muito do que fizeram era perfeitamente legal. É ainda mais alarmante que fosse legal.


O sr. diz que em alguns empregos é muito difícil ver o resultado do trabalho de uma pessoa. Mas é fácil escrever manchetes sobre o dinheiro dos banqueiros. A mídia cometeu erros cobrindo a crise?

Nem tanto na crise, mas no que aconteceu antes. A imprensa econômica aplaudiu cada subida das Bolsas, cada aumento dos empréstimos, cada IPO [oferta inicial de ações de uma empresa]. A imprensa não prestou tanta atenção ao risco. Acho que vemos isso hoje novamente. Aplaudimos os sinais de retomada, mas não prestamos atenção ao risco. A sociedade como um todo não tem muito incentivo para prestar atenção ao lado negativo enquanto os bons momentos estão acontecendo.

Quem tem esse incentivo? 

Não os banqueiros, que estão fazendo dinheiro. Não a população, que está se beneficiando da subida das ações e tomando empréstimos. Não os políticos, que estão felizes quando todos estão felizes. O trabalho dos reguladores é prestar atenção. Mas, quando todo mundo está contente, é politicamente muito difícil dizer "precisamos nos acalmar".

Não é muito fácil para um economista colocar a maior parte da culpa nos políticos?

Eu concordo. Meu objetivo foi dizer que a culpa tem de ser dividida de maneira mais ampla. Não é uma resposta que satisfaça quem procura alguém para culpar. Culpar o mercado é frequentemente resposta das pessoas no poder. O mercado é reflexo das ações tomadas pelas pessoas no poder e das aspirações da sociedade. Não podemos esquecer isso.

-