sábado, abril 09, 2011

CORRELAÇÃO CURIOSA: QUANTO MAIOR A CORRUPÇÃO NO PAÍS, MAIOR O NÚMERO DE MORTOS EM UM TERREMOTO

Eliana Cardoso

Antes de conhecidas as trágicas consequências do terremoto no Japão, Nicholas Ambraseys (Imperial College em Londres) e Roger Bilham (Universidade do Colorado em Boulder) usaram estatísticas para assentar o argumento de que, quanto mais corrupto o país, tanto mais devastador o terremoto de certa magnitude.

Eles mostraram que, entre 2000 e 2009, os desmoronamentos de casas e edifícios provocados por 13 terremotos - mais fortes do que o que ocorreu no Haiti em janeiro de 2010 - acarretaram 165 mil mortes. E contrastaram esse fato com os desmoronamentos no Haiti, que mataram 300 mil pessoas - quase o dobro das mortes somadas de todos os outros 13, que tinham sido ainda mais intensos, mas ocorreram em partes do mundo menos corruptas.

A tese dos dois professores é que terremotos são mais devastadores em sociedades mais corruptas, porque subornos permitem burlar códigos e regulamentos de construções. E mais. A corrupção destrói não apenas a moldura que sustenta os edifícios, mas também as instituições sociais. Ao solapar o capital social, a corrupção destrói a solidariedade e aumenta o caos que se segue aos desastres naturais.

É tentador extrapolar o estudo dos dois professores para a análise do terremoto japonês, 900 vezes mais intenso do que o que devastou o Haiti, mas com menor número de mortos por desmoronamento. Rigorosas leis de construção salvaram milhares de vidas, disseram especialistas.

Mas a vida é mais complicada. Mesmo que investimentos em sistemas de detecção, prevenção e socorro tenham reduzido os danos causados pelo terremoto de 8,9 graus Richter e pela violência das ondas do tsunami que se seguiu, as dimensões do desastre nuclear de Fukushima ainda permanecem obscuras. Ao lado disso, o governo japonês já vem sendo criticado por grave displicência na escolha da localização das usinas.

O argumento dos professores ingleses é bom. O problema é conseguir dados para sustentá-lo. A maior parte dos estudos se baseia em números obtidos através de pesquisas que recolhem a opinião de homens de negócios a respeito de suas percepções sobre a corrupção em diferentes países. Os dados são subjetivos e difíceis de comparar.

Quando falta informação estatística confiável, fica difícil estimar os custos da corrupção e derivar os meios mais eficientes para combatê-la. A boa nova é que Benjamin A. Olken (professor de economia no MIT) e seus colegas têm inovado na coleta de dados e análise no estudo da corrupção.

Para os economistas, o custo da corrupção aparece de forma clara em dois casos. O primeiro é o da redução dos recursos que o governo poderia usar em programas de combate à pobreza. Por exemplo. Um estudo sobre a distribuição de arroz em programas na Indonésia compara o montante distribuído em cada região do país com o montante recebido por cada família pobre. Ao identificar o desaparecimento de 18% do arroz a ser distribuído e a concentração dos desvios em algumas regiões, abre-se a oportunidade de corrigir desvios que solapam os benefícios do sistema distributivo.

O segundo caso de custo alto da corrupção corresponde ao desperdício de recursos quando ela corrói a habilidade do governo de corrigir externalidades, isto é, de impedir ações que beneficiam um indivíduo, mas prejudicam a sociedade.

Considere, por exemplo, o caso do dano causado às estradas porque os caminhões carregam excesso de peso. O governo impõe um teto sobre o peso máximo que os caminhões podem carregar e uma multa sobre o excesso de peso. Se o motorista suborna o policial em vez de pagar a multa, reduz o custo de desobedecer à lei. A situação mais grave ocorre quando o policial extrai suborno igual à multa, mesmo que a pessoa não tenha desobedecido à lei. Nesse caso, o custo marginal de desobedecer à lei é nulo e ela deixa de servir como desincentivo ao crime.

Os professores Benjamim Olken e Patrick Barron examinaram essa possibilidade num estudo sobre transporte por caminhões na Indonésia. Eles contrataram pesquisadores para viajar com os caminhoneiros em 304 percursos e registraram 6 mil pagamentos ilegais feitos à polícia nos postos em que o peso do caminhão era verificado.

O estudo mostrou que 42% dos caminhões levavam peso que excedia em 50% o limite máximo. Nenhum dos motoristas recebia a multa oficial e quase todos pagavam o suborno, que não variava com o peso que os caminhões carregavam. Como mesmo os caminhoneiros que não carregavam excesso de peso pagavam o suborno, o custo de levar excesso de peso era nulo. Em consequência, mais caminhoneiros levavam excesso de peso, contribuindo para a deterioração mais rápida das estradas.

Tendo verificado que a corrupção de fato acarreta custos para a sociedade, Olken se pergunta qual a melhor forma de combatê-la em experimento aleatório realizado em 600 vilarejos da Indonésia durante construções de pequenas estradas. A ideia era testar qual a forma de monitoramento e controle que teria maior impacto na redução da corrupção.

Olken dividiu os vilarejos em três grupos, com cada um deles submetido a procedimento distinto. O primeiro usava processos de auditoria impostos pela autoridade central. Os outros dois utilizavam monitoramento pela comunidade (um com aumento da participação dos habitantes do vilarejo em encontros de supervisão e outro com distribuição de questionários para comentários anônimos).

Para medir a corrupção, Olken dispunha de informação sobre o custo real de cada item da construção e o preço declarado como tendo sido pago pelo construtor. Ele foi capaz de mostrar que as auditorias pelo governo central reduziam a corrupção em oito pontos percentuais (cerca de 30% do custo básico), enquanto as outras formas de monitoramento tinham efeito praticamente nulo.

Sua conclusão é de que a abordagem tradicional - aumentar o custo esperado do crime com maior probabilidade de ser pego com a boca na botija e castigado - ainda é a melhor forma de combater a corrupção. E isso parece ser verdade mesmo em ambientes em que a corrupção é tão difundida que supervisores, eles mesmos, são passíveis de corrupção.

De volta aos caminhões. Olken mostra que o suborno médio aumenta quando o número de postos de checagem diminui e corrobora a hipótese de que a estrutura do mercado de subornos tem um impacto sobre o suborno cobrado. Portanto, o desenho de políticas para combater a corrupção exige a consideração das interações entre agentes corruptos. Um grande número de agentes competindo por suborno reduz o retorno para cada um deles e aumenta a atividade que o suborno poderia de outra forma impedir.

O estudo da corrupção constitui um campo de pesquisa em formação entre os economistas. Mas na literatura o tema não é novo. A história e os romances ensinam como a corrupção destrói o herói que a abraça e a sociedade que o cerca.

No século XIX, o rei Leopoldo da Bélgica levou ao Congo formas cruéis de exploração, com a fundação da Associação Internacional para a Supressão da Escravidão e a Abertura da África Central. Quando Joseph Conrad visitou o Congo, brutalidade desumana e degradação reinavam supremas. Conrad usou o que viu ao escrever "Coração das Trevas" - precursor de perspectivas inovadoras sobre a natureza ambígua da verdade, do mal e da moralidade.

O tema central do livro é a corrupção moral em que deságuam outros temas, como o racismo, a loucura, a solidão, o engodo e a desordem, a violência e a crueldade. Essas emoções se combinam na vida de Kurtz, que abandona a razão e deixa que os instintos mais brutais governem seus atos. A corrupção de Kurtz resulta não apenas da solidão e isolamento impostos pela selva, mas também de forças escondidas em cada um de nós, que dormem à espera da ocasião de vir à tona. Kurtz talvez tenha compreendido os males da corrupção no leito de morte, ao pronunciar suas últimas palavras: "O horror! O horror!"
__________________________________________

Eliana Cardoso, economista, escreve semanalmente neste espaço, alternando resenhas literárias (Ponto e Vírgula) e assuntos variados (Caleidoscópio). www.elianacardoso.com

sexta-feira, abril 08, 2011

APRENDENDO COM O ERRO

Desde cedo, somos programados para achar que errar é ruim. Essa crença impede que a organização aprenda com os tombos levados.


Amy C. Edmondson


A sabedoria de aprender com o erro é indiscutível. Organizações que fazem isso bem, no entanto, são extremamente raras. E não é por falta de compromisso com o aprendizado. Gestores na grande maioria das organizações que estudei nos últimos 20 anos — empresas farmacêuticas, de serviços financeiros, de design de produtos, de telecomunicações e de construção; hospitais; e o programa do ônibus espacial da Nasa, entre outros — queriam sinceramente ajudar a organização a aprender com os erros para ter um desempenho melhor no futuro. Em certos casos, gestores e suas equipes tinham dedicado horas e horas a avaliações pós-ação, a post mortens e afins. Mas, vez após vez, esse meticuloso esforço não levou a nenhuma mudança real. O motivo? Esses gestores estavam encarando o erro do jeito errado.

A maioria dos executivos com quem falei acha que errar é ruim (é claro!). Acha, ainda, que aprender com o erro é algo bastante simples: bastaria pedir aos outros que refletissem sobre o que fizeram de errado e exortá-los a evitar erros semelhantes no futuro — ou, melhor ainda, destacar uma equipe para analisar e redigir um relatório sobre o ocorrido e, em seguida, distribuí-lo por toda a organização.

Disseminadíssima, essa ideia é equivocada. Em primeiro lugar, errar nem sempre é ruim. Na vida organizacional, às vezes é ruim, às vezes inevitável e, às vezes, até bom. Em segundo lugar, aprender com o erro organizacional é tudo, menos simples. A maioria das empresas carece da atitude e das atividades necessárias para a eficaz detecção e análise de erros. Além disso, subestima-se a necessidade de estratégias de aprendizado ajustadas ao contexto. Uma organização precisa de saídas novas (e melhores) para ir além de lições superficiais (“Os procedimentos não foram seguidos”) ou deturpadas (“O mercado não estava pronto para nossa espetacular novidade”). Isso significa abandonar velhas crenças culturais e noções estereotipadas sobre o sucesso e abraçar as lições do fracasso. Para o líder, um bom começo é entender como o jogo da culpa interfere no processo.




Jogo da culpa

Na maioria das famílias, organizações e culturas, o erro e a culpa são virtualmente inseparáveis. A certa altura, toda criança descobre que admitir o erro significa pagar por ele. É por isso que tão poucas organizações migraram para uma cultura de segurança psicológica na qual seja possível colher plenamente o benefício de aprender com o erro.

Executivos que entrevistei em organizações diversas como hospitais e bancos de investimento admitem o desconforto: como reagir de forma construtiva ao erro sem promover uma atitude permissiva? Se o pessoal não tiver de pagar pelos erros que comete, como garantir que se esforçará o máximo possível e dará o melhor de si?

Essa preocupação é fundada numa falsa dicotomia. Na realidade, uma cultura na qual admitir e expor o erro é seguro pode — em certos contextos organizacionais, até deve — coexistir com altos padrões de desempenho. Para entender o porquê, veja o quadro “Um espectro de razões para o erro”. Nele, são enumeradas várias causas, do desvio deliberado à refletida experimentação.

Quais dessas causas envolvem ações condenáveis? O desvio deliberado, a primeira da lista, obviamente merece censura. A desatenção, talvez não. Se for produto da falta de esforço, talvez seja censurável. Já se resultar da fadiga na reta final de um turno muito longo, o gerente que programou o turno tem mais culpa do que o trabalhador. Ao avançarmos na lista, fica cada vez mais difícil encontrar atos condenáveis. Um erro decorrente de experimentação refletida que produza informações valiosas pode, na verdade, ser digno de louvor.

Quando peço a executivos que considerem esse espectro e façam uma estimativa do volume de erros realmente condenáveis em suas organizações, a resposta normalmente fica abaixo de 10% — de 2% a 5%, por aí. Já quando pergunto quantos são tratados como censuráveis, respondem (depois de uma pausa ou um risinho) de 70% a 90%. A infeliz consequência é que muitos erros não são expostos e suas lições, perdidas.




Nem todo erro é igual

Uma compreensão sofisticada das causas e do contexto de erros ajudará a evitar o jogo da culpa e a instituir uma estratégia eficaz para que a organização aprenda com o erro. Ainda que numa organização um sem-fim de coisas possa dar errado, é possível dividir o erro em três grandes categorias: evitável, ligado à complexidade e inteligente.

Erros evitáveis em operações previsíveis. A maioria dos erros nessa categoria pode de fato ser considerada “ruim”. Em geral, envolve desvios em relação ao especificado em processos de alto volume bem definidos ou operações de rotina em manufatura e serviços. Com treinamento e apoio adequados, o pessoal pode seguir esses processos de forma reiterada. Quando não o faz, em geral é por desvio, desatenção ou incapacidade. Mas, nesses casos, é possível identificar prontamente as causas e achar soluções. Listas de verificação (como no recente best-seller The Checklist Manifesto, do cirurgião americano Atul Gawande) são uma saída. Outra é o propalado Sistema Toyota de Produção, que incorpora o aprendizado contínuo com erros diminutos (pequenos desvios do processo) a sua abordagem ao aprimoramento. Como bem sabe a maioria dos estudantes de operações, um funcionário na linha de montagem da Toyota que detecte um problema (ou um potencial problema) é instruído a puxar a famosa corda “andon”, o que imediatamente deflagra um processo de diagnóstico e solução do problema. A produção segue normalmente se o problema puder ser sanado em menos de um minuto. Se não, é interrompida — apesar da perda de receita decorrente — até que entendam e resolvam o problema.

Erros inevitáveis em sistemas complexos. Um grande número de erros organizacionais se deve à incerteza inerente à atividade: uma combinação especial de necessidades, pessoas e problemas talvez nunca tenha ocorrido antes. Fazer a triagem de pacientes na emergência de um hospital, responder a atos do inimigo no campo de batalha e dirigir uma start-up em rápido crescimento são coisas que ocorrem em situações imprevisíveis. Em organizações complexas como porta-aviões e usinas nucleares, falhas no sistema são um risco permanente.

Embora seja possível evitar erros sérios com a adoção de melhores práticas na gestão da segurança e do risco, incluindo uma completa análise de eventos que porventura ocorram, pequenas falhas em processos são inevitáveis. Considerá-las algo ruim é não só ignorar como um sistema complexo funciona, mas também contraproducente. Evitar falhas importantes significa rapidamente identificar e corrigir pequenas falhas. A maioria dos acidentes em hospitais resulta de uma série de pequenos erros que passaram despercebidos e, infelizmente, se combinaram do jeito errado.




Erros inteligentes na fronteira. Um erro nessa categoria pode ser legitimamente considerado “bom”, pois gera um conhecimento valioso que pode ajudar a organização a saltar à frente da concorrência e garantir o crescimento futuro — razão pela qual Sim Sitkin, professor de administração da Duke University, o chama de erro inteligente. Esse erro ocorre quando a experimentação se faz necessária: quando não é possível saber de antemão a resposta, pois é a primeira — e talvez única — vez em que se produz a situação específica. Descobrir novos medicamentos, criar um negócio radicalmente novo, projetar um produto inovador e testar a reação do público num novo mercado são tarefas que exigem erros inteligentes. Embora “tentativa e erro” seja um termo comum para o tipo de experimentação exigido nessas circunstâncias, o uso é indevido, pois “erro” ali implica que havia um resultado “certo” para começo de conversa. Na fronteira, o tipo certo de experimentação produz erros bons rapidamente. Gerentes que a praticam podem evitar o erro “burro” de conduzir experimentos em escala maior do que o necessário.

Líderes da firma de design de produtos IDEO sabiam disso quando lançaram um novo serviço de estratégia de inovação. Em vez de ajudar um cliente a projetar coisas novas dentro da linha de produtos atual — processo que a Ideo levara à quase perfeição —, o serviço o ajudaria a criar linhas novas, que o lançassem em direções estratégicas inéditas. Ciente de que ainda não sabia como prestar o serviço de forma eficaz, a empresa estreou com um pequeno projeto para uma fabricante de colchões e não anunciou publicamente a criação de um novo negócio.

Embora o projeto tenha dado errado — o clien­te não mudou sua estratégia de produtos —, a Ideo aprendeu com o erro e descobriu o que precisava ser feito de outra forma. Uma saída, por exemplo, foi contratar para a equipe gente com MBA mais capaz de ajudar o cliente a criar novos negócios e incorporar à equipe executivos do cliente. Hoje, a área de serviços de inovação estratégica responde por mais de um terço da receita da IDEO.

Tolerar falhas inevitáveis de processo em sistemas complexos e erros inteligentes na fronteira do conhecimento não irá promover a mediocridade. Aliás, tolerância é essencial para qualquer organização que queira se apropriar do conhecimento que esses erros produzem. Mas o erro ainda tem, inerentemente, uma forte carga emocional; levar uma organização a aceitá-lo requer liderança.




Crie uma cultura do aprendizado

Somente um líder pode criar e reforçar uma cultura que neutralize o jogo da culpa e faça com que as pessoas se sintam autorizadas a (e responsáveis por) expor e aprender com o erro (veja o quadro “Como um líder pode criar um ambiente psicologicamente seguro”). Quando algo dá errado, o líder deve fazer questão de que a organização entenda claramente o que ocorreu, em vez de sair buscando o “culpado”. Para isso, é preciso expor reiteradamente todo erro, pequeno ou grande; analisá-los sistematicamente; e buscar, de forma proativa, oportunidades para experimentar.

Um líder também deve mandar a mensagem certa sobre a natureza do trabalho, como lembrar à equipe de P&D que “nosso negócio é a descoberta e, quanto mais depressa errarmos, mais depressa iremos acertar”. Descobri que muitas vezes o gestor não entende ou dá valor a esse ponto sutil, mas crucial. Além disso, pode abordar o erro de um jeito inadequado para o contexto. O controle estatístico de processos, que emprega a análise de dados para avaliar variações injustificadas, não é bom, por exemplo, para detectar e corrigir falhas aleatórias invisíveis, como bugs de software. Tampouco ajuda no desenvolvimento de produtos novos, originais. Por outro lado, embora grandes cientistas intuitivamente sigam o mote da IDEO — “Erre com frequência para acertar mais cedo” —, isso dificilmente contribuiria para o sucesso de uma instalação manufatureira.

Em geral, um contexto ou um tipo de trabalho domina a cultura de uma organização e determina como o erro é tratado ali. Com operações previsíveis e de alto volume, montadoras de veículos naturalmente tendem a ver o erro como algo que pode e deve ser evitado. Mas a maioria das organizações realiza todos os três tipos de trabalho discutidos acima: rotineiro, complexo e de fronteira. Um líder deve garantir que, em cada um, a empresa use a abordagem certa para aprender com falhas. Toda organização usa três atividades essenciais para aprender com o erro: detecção, análise e experimentação.






Detecte o erro

Detectar um erro grande, doloroso e caro é fácil. Em muitas organizações, no entanto, qualquer falha que puder ser ocultada ficará encoberta — enquanto for improvável que cause dano imediato ou óbvio. A meta devia ser expô-la logo cedo, antes que cresça e vire um desastre.

Pouco depois de sair da Boeing e assumir as rédeas na Ford, em setembro de 2006, Alan Mulally instituiu um novo sistema para detecção de falhas. Pediu que os executivos usassem um código de cores em seus relatórios: verde significava bom, amarelo cautela e vermelho problemas (é uma técnica de gestão comum). Segundo reportagem de 2009 na Fortune, para frustração de Mulally todos usaram o verde ao apresentar suas operações nas primeiras reuniões. Lembrando que a empresa perdera bilhões de dólares no ano anterior, Mulally foi direto ao ponto: “Não há nada que não esteja indo bem?”. Quando um tímido amarelo acompanhou o relato de um problema sério num produto — problema que provavelmente atrasaria o lançamento —, Mulally respondeu ao silêncio sepulcral que se seguiu com aplausos. Depois disso, as reuniões semanais da equipe ficaram coloridas.




Essa história serve para ilustrar um problema fundamental e muito comum: embora haja muitos métodos para expor falhas atuais e iminentes, são tremendamente subutilizados. Adotar a gestão da qualidade total e ouvir a opinião de clientes são técnicas populares para trazer à tona falhas em operações rotineiras. Por meio da detecção precoce, práticas da chamada organização de alta confiabilidade ajudam a prevenir erros catastróficos em sistemas complexos como usinas nucleares. Com 58 centrais de energia nuclear, a Electricité de France é um exemplo nesse quesito. A empresa vai além das exigências regulamentares: monitora religiosamente cada usina para detectar qualquer coisa fora do comum, investiga imediatamente o que descobre e informa todas as outras usinas de eventuais anomalias.

Esses métodos só não são mais disseminados porque muitos “mensageiros” — até os executivos mais graduados — ainda relutam em dar notícias ruins a chefes e colegas. Numa grande fabricante de bens de consumo, um alto executivo (conhecido meu) tinha sérias reservas sobre uma aquisição já em curso quando se juntou à equipe de gestão. Mas, cioso da condição de recém-chegado, calou-se durante conversas em que todos os demais executivos mostravam entusiasmo com o plano. Meses depois, quando a união nitidamente malograra, a equipe se reuniu para analisar o que ocorrera. Com a ajuda de um consultor, cada executivo considerou sua possível contribuição para o malogro. O novo integrante da equipe se desculpou abertamente sobre o silêncio lá atrás e explicou que, diante do entusiasmo de todos, não quisera ser um “desmancha-prazeres”.

Ao estudar erros e outras falhas em hospitais, descobri diferenças consideráveis entre distintas unidades de enfermagem no tocante à disposição desses profissionais de expor problemas. A causa, descobri, era o comportamento de gerentes de nível médio — como reagiam a erros, se incentivavam ou não a discussão aberta de problemas, se aceitavam perguntas, se exibiam humildade e curiosidade. Vi o mesmo padrão em uma ampla gama de organizações.

Um trágico exemplo, que estudei por mais de dois anos, foi a explosão, em 2003, do ônibus espacial Columbia, que matou sete astronautas (veja “Enfrentando a ameaça ambígua”, de Michael A. Roberto, Richard M.J. Bohmer e Amy C . Edmondson, HBR Novembro 2006). Executivos da Nasa passaram cerca de duas semanas minimizando a gravidade do fato de um pedaço de espuma ter se soltado do lado esquerdo da nave no lançamento. Rejeitaram pedidos de engenheiros para esclarecer a questão (o que poderia ter sido feito com a fotografia do ônibus por satélite ou com uma inspeção da área em questão pelos astronautas). Grande, a falha foi basicamente ignorada até o fatal desfecho 16 dias depois. Ironicamente, o fato de os gerentes do programa terem acreditado (de forma infundada) que havia pouco a fazer contribuiu para sua incapacidade de detectar a falha. Análises posteriores sugeriram que podiam, sim, ter tomado medidas frutíferas. Mas, claramente, os líderes não tinham estabelecido a cultura, os sistemas e os procedimentos necessários.

Um desafio é ensinar a indivíduos de uma organização quando declarar derrota num curso de ação experimental. A tendência humana de esperar o melhor e tentar evitar o fracasso a todo custo acaba atrapalhando — e é exacerbada por hierarquias organizacionais. O resultado é que projetos de P&D muitas vezes sobrevivem muito mais do que cientificamente racional e economicamente prudente. Investimos mais dinheiro numa canoa furada, rezando para que saia um coelho da cartola. A intuição pode dizer a engenheiros ou cientistas que um projeto tem falhas fatais, mas a decisão formal de considerá-lo malogrado pode ser adiada por meses.

Novamente, a solução — que não envolve, necessariamente, muito tempo e dinheiro — é reduzir o estigma do insucesso. É o que a Eli Lilly tem feito desde o início da década de 1990 com suas “festas do fracasso”. Nelas, celebra experimentos científicos inteligentes e de alta qualidade que não atingiram os resultados desejados. O evento não custa muito, e realocar recursos valiosos (especialmente cientistas) a novos projetos o mais cedo possível pode poupar milhares e milhares de dólares — e abrir a possibilidade de novas descobertas.




Analise o erro

Quando uma falha é detectada, é essencial ir além das causas óbvias e superficiais e buscar entender a raiz do problema. Isso requer disciplina — melhor ainda, entusiasmo — no uso de análises sofisticadas para assegurar que as lições certas sejam aprendidas e as soluções certas adotadas. A função do líder é garantir que a organização não se limite a seguir em frente após o erro, mas pare para investigar e descobrir as lições nele contidas.

E por que a análise de erros é tão pouco prestigiada? Porque examinar a fundo nossas falhas é emocionalmente desagradável e pode derrubar a autoestima. A maioria de nós, se pudesse decidir, dedicaria pouco tempo à análise de erros ou simplesmente evitaria a tarefa. Outra razão é que a análise de falhas organizacionais exige questionamento e abertura, paciência e aceitação da ambiguidade causal. No entanto, gestores normalmente admiram determinação, eficiência e ação — e são premiados por isso, não pela ponderada capacidade de reflexão. Por isso a cultura certa é tão importante.

O desafio não é só emocional; é também cognitivo. Mesmo sem querer, damos primazia a evidências que confirmem nossas crenças (e não a outras possíveis explicações). Também tendemos a minimizar nossa responsabilidade e a colocar uma culpa indevida em fatores externos ou situacionais quando erramos — e fazer o inverso ao avaliar o erro dos outros (armadilha psicológica conhecida como erro fundamental de atribuição).

Minha pesquisa revelou que a análise de falhas em geral é limitada e ineficaz — mesmo em organizações complexas como hospitais, onde há vidas humanas em jogo. Poucas instituições fazem uma análise sistemática de erros médicos ou falhas em processos para tirar lições desses episódios. Um estudo recente em hospitais da Carolina do Norte, nos Estados Unidos (cujos resultados foram publicados em novembro de 2010 no New England Journal of Medicine), revelou que, depois de mais de uma década de conscientização sobre o impacto de erros médicos — milhares de mortes a cada ano —, a segurança nos hospitais não aumentou.

Por sorte, há reluzentes exceções a essa regra, o que alimenta a esperança de que a aprendizagem organizacional seja possível. Na Intermountain Healthcare, uma rede de 23 hospitais nos estados americanos de Utah e Idaho, sempre que um médico se afasta de protocolos clínicos o desvio é analisado como uma oportunidade para aprimoramento dos protocolos. Permitir desvios e informar a todos se isso produziu ou não resultados melhores incentiva os médicos a aderir ao programa .

Convencer alguém a ir além de razões de primeira ordem (os procedimentos não foram seguidos) para entender razões de segunda e de terceira ordem pode ser um grande desafio. Uma saída, aqui, é se valer de equipes interdisciplinares com competências e perspectivas variadas. Erros complexos, em particular, são resultado de múltiplos eventos ocorridos em distintos departamentos ou disciplinas ou em distintos níveis da organização. Para entender o que aconteceu e tratar de evitar que isso volte a ocorrer é preciso discussão e análise detalhadas, em equipe.

Uma equipe destacada de físicos, engenheiros, especialistas em aviação, líderes navais e até astronautas passou meses analisando a tragédia do Columbia. Esse time estabeleceu, de forma conclusiva, não só a razão de primeira ordem — um pedaço de espuma causara uma avaria na asa esquerda da nave durante o lançamento —, mas também as causas de segunda ordem: a hierarquia rígida e a cultura obcecada com prazos da Nasa tinham tornado particularmente difícil para engenheiros manifestar qualquer preocupação com algo que não fosse totalmente irrefutável.


Promova a experimentação

A terceira atividade crucial para um efetivo aprendizado é produzir erros de forma estratégica — no lugar certo, na hora certa — por meio da experimentação sistemática. Quem faz ciência básica sabe que, embora as experiências que conduz eventualmente possam gerar um gol espetacular, uma grande porcentagem (70% ou mais em certas áreas) não dará em nada. Como essa pessoa se levanta da cama todo dia? Primeiro, porque sabe que errar não é opcional em seu trabalho; é parte de estar na vanguarda da descoberta científica. Segundo, porque muito mais do que a maioria de nós, essa gente entende que todo erro traz informações valiosas e está disposta a consegui-las antes da concorrência.

Em comparação, gestores que lançam um produto ou serviço em caráter piloto — exemplo clássico de experimentação em empresas — normalmente fazem de tudo para garantir que a novidade já saia da prancheta perfeita. Ironicamente, esse afã de acertar pode acabar impedindo o sucesso quando do lançamento oficial. É muito comum os responsáveis por um piloto criarem condições ideais, em vez de representativas. Com isso, o piloto não gera informações sobre o que não vai funcionar.

Logo que o DSL surgiu, uma grande empresa de telecomunicações que chamarei de Telco resolveu lançar a tecnologia de alta velocidade em grande escala para clientes residenciais num importante centro urbano. Foi um desastre absoluto do ponto de vista do atendimento ao cliente. A empresa não conseguiu honrar 75% dos compromissos assumidos; a certa altura, tinha a incrível soma de 12 mil pedidos atrasados. O público ficou frustrado e revoltado; o pessoal do atendimento simplesmente não dava conta de atender a todas as chamadas. O moral do pessoal caiu. Como isso foi acontecer com uma líder do mercado, dona de altos índices de satisfação e uma marca que há muito simbolizava excelência?

Um piloto pequeno e extremamente bem-sucedido num bairro tinha dado a executivos da Telco uma confiança infundada. O problema foi que o teste não reproduzia condições de operação reais: foi montado com atendentes de desenvoltura e qualificação atípicas e realizado numa comunidade de gente instruída, versada em tecnologia. Só que o DSL era uma tecnologia nova em folha e, diferentemente da telefonia tradicional, teria de interagir com computadores e habilidades técnica do público, que variavam muito. Isso acrescentou complexidade e imprevisibilidade ao desafio de prestar o serviço de um jeito que a Telco não entendera plenamente antes do lançamento.

Para a Telco, teria sido mais útil testar a tecnologia com suporte limitado, clientes pouco sofisticados e computadores antigos. Esse piloto teria sido projetado para descobrir tudo o que podia dar errado — em vez de provar que, sob a melhor das condições, tudo daria certo (veja o quadro “Como projetar bons erros”). Naturalmente, os gestores a cargo do teste precisariam ter entendido que seriam premiados não pelo sucesso, mas por produzir erros inteligentes o mais rápido possível.

Em suma, organizações excepcionais são aquelas que, em vez de se limitarem à detecção e à análise de falhas, tentam produzir erros inteligentes com o objetivo expresso de aprender e inovar. Não é que os dirigentes dessas organizações gostem de errar. O que fazem é reconhecer o erro como um necessário subproduto da experimentação. Além disso, sabem que não precisam fazer experimentos dramáticos com grandes verbas. Muitas vezes, um pequeno piloto, um teste de uma nova técnica ou uma simulação serão suficientes.




A coragem para encarar nossas falhas — e as dos outros — é crucial para resolvermos a aparente contradição entre não querer desencorajar a exposição de problemas e criar um ambiente no qual tudo seja permitido. Isso significa que o líder deve pedir ao pessoal que seja corajoso e abra o jogo — e não reagir com fúria ou forte reprovação àquilo que, à primeira vista, pode parecer incompetência. Com mais frequência do que imaginamos, sistemas complexos estão por trás de falhas organizacionais; suas lições e oportunidades de aprimoramento se perdem quando o diálogo é sufocado.

Um gestor sábio entende que o rigor desmedido tem seus riscos. Sabe que só será capaz de descobrir um problema e de ajudar a resolvê-lo se puder ser informado de sua existência. Mas a maioria dos gestores que conheci em meu trabalho de pesquisa, ensino e consultoria é muito mais sensível a um outro risco: o de que uma reação compreensiva à falha simplesmente crie um ambiente de trabalho relapso no qual os erros se multipliquem.

Comum, esse temor devia dar lugar a um novo paradigma — paradigma que reconheça a inevitabilidade do erro nas complexas organizações de trabalho de hoje. Quem detectar, corrigir e aprender com o erro antes dos demais irá triunfar. Já quem ficar chafurdando no jogo da culpa, não.

______________________________

Amy C. Edmondson é titular da cátedra Novartis Professor of Leadership and Management e codiretora da unidade Technology and Operations Management da Harvard Business School, nos EUA.

quinta-feira, abril 07, 2011

DO CASAMENTO PARA AS EMPRESAS

ABRAHAM SHAPIRO

Matchmaker (fala-se: métch-mêiker) significa casamenteiro. É a pessoa que gosta de aproximar casais. O termo em inglês é mais um que migrou e se universalizou no mundo corporativo. Trata-se de algo relativamente novo no País.

"Matchmaking" são eventos cujo objetivo é unir empresas com metas complementares. Construir relacionamentos é tão importante que nos grandes centros os eventos dedicados exclusivamente a aproximar profissionais em curto período de tempo já são comuns. O network continua sendo uma ótima ferramenta para encontrar parceiros de negócios.

Participei recentemente de um encontro desse tipo, em S. Paulo. Duas grandes empresas de soluções em TI israelenses foram apresentadas a executivos de vários segmentos negócios. Ao redor de uma mesa, os profissionais discutiram possibilidades de parceria em pequenos grupos.
Como de costume, o evento não transcorreu sem percalços. Embora visasse a troca de informações, muitos dos presentes esqueceram seus cartões de visita no escritório.

Outra situação curiosa: como a discussão se dava em inglês, parte dos presentes acabou ficando de fora dos debates.

Um plá importante em ocasiões de relacionamento é tomar cuidado para não pecar pelo excesso. Meça sempre a temperatura do outro lado.

E-mails, por exemplo. Você pode mandar um e-mail a uma pessoa a quem tenha conhecido em um evento, é claro. Mas o contato só deve ser mantido quando houver resposta.

Use as redes sociais com cuidado. Ter seu perfil no LinkedIn é fundamental e superior a qualquer outra ferramenta. Profissionais precisam conhecer muito bem os seus pares de mercado.

Seja breve quando você escreve. Evite ser prolixo em correspondências, currículos, etc.
Finalmente, um cartão pessoal também deve ser direto e sutil... e não necessariamente uma obra de arte do design gráfico. Não ter cartão pessoal é antiprofissional. Se a sua empresa não fornece – e por incrível que pareça há quem pense ser econõmico não fazer cartões aos funcionários – você deve providenciar uma opção básica, com os seus dados de contato.

Última dica do dia: por favor, não esqueça seus cartões em casa.

______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

quarta-feira, abril 06, 2011

CRISE DE CREDIBILIDADE

ABRAHAM SHAPIRO

Imagine você enviando currículo, participando de dinâmicas de grupo, baterias de testes e entrevistas para ingressar em uma grande empresa. Meses depois, essa companhia aparece envolvida em um escândalo e tem a credibilidade abalada.

Quem já passou por essa situação diz que a primeira medida é evitar qualquer atitude precipitada.

Uma crise de credibilidade bastante conhecida é a da consultoria Arthur Andersen. A companhia era uma das cinco maiores do segmento no País em 2002, quando estourou o escândalo da Enron nos EUA. Meses depois, teve a clientela no Brasil fatiada entre concorrentes.

No ano passado, o Banco Panamericano, do Grupo Silvio Santos, foi alvo de fraudes que resultaram em um rombo de R$ 2,5 bilhões - o que acabou respingando também na Deloitte, que auditava as contas do banco.

Se a primeira recomendação é não entrar em pânico, a segunda é evitar a letargia - é preciso traçar um plano de ação.

O profissional deve fazer uma avaliação honesta de sua experiência na companhia. Se a falha ética não puder ser ignorada, é hora de preparar a saída. Aliás, vai aqui a dica de que é sempre preciso justificar a razão pela qual se trabalha em determinado lugar.

Há casos de executivos que decidem permanecer na empresa que passa por uma crise de credibilidade. Porém, a escolha de ficar também oferece riscos - caso o dano à imagem seja irreparável, a empresa pode fechar as portas. Mesmo em casos extremos, há quem consiga extrair algo positivo. Um executivo que ficou no Banco Santos até a venda de todos os bens tem hoje uma experiência rara: comandou o encerramento de uma empresa.

Quem enfrentou uma crise afirma que a experiência é dura, mas não representa o fim da carreira. Após 40 anos na Arthur Andersen, Taiki Hirashima viu a empresa "se desmanchar como um castelo de areia". E pior: ao contrário dos profissionais mais jovens, não foi convidado a permanecer quando a maioria das contas foi assumida pela Deloitte. Em seu depoimento, ele declarou: "Passei um ano perdido, sem saber o que fazer."

Em 2003, abriu a própria consultoria - Hirashima & Associados -, com cinco ex-colegas. O negócio cresceu, hoje tem 25 profissionais e atende empresas como Itaú, BB e Caixa. No corpo de sócios está a advogada Luciana Moya, também oriunda da Arthur Andersen. Ela atuava como consultora havia um ano na época do escândalo da Enron. Ao contrário de Hirashima, migrou para a Deloitte para adquirir experiência e ficou lá por alguns anos.

Como se vê, dar a volta por cima é a receita que funciona em quase todos os casos.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

terça-feira, abril 05, 2011

O FIM DO PATERNALISMO

ABRAHAM SHAPIRO

Pergunta de um leitor: “Recebi uma proposta de emprego, mas estou com medo de que meu chefe use aquela velha frase: ‘Pode ir, mas as portas daqui estarão fechadas para sempre’".

Se esse é seu receio ao encarar uma nova oportunidade, não há motivo para pânico. Especialistas em recursos humanos afirmam que a evolução do mercado para uma realidade "menos paternalista" e a escassez de mão de obra treinada eliminam, aos poucos, a realidade do "nunca mais" para profissionais no País.

Salvo em situações extremas, como demissão por justa causa, nenhum desligamento por iniciativa do empregador fecha as portas. Muita gente sai porque, em determinado momento, a empresa não tem horizontes a oferecer. Em um mercado em expansão, as empresas não podem mais se dar ao luxo de recusar um bom profissional. Portanto, se você estiver interessado em voltar, o melhor a fazer é manter a rede de contatos viva, informar amigos e colegas dos passos profissionais que você deu até agora.

Em vez de usar as redes sociais para escrever ou comunicar abobrinhas e platitudes, uma ótimna saída é você informar seus amigos sobre o que está fazendo profissionalmente. Mantenha-os “por dentro” de suas conquistas tomando o cuidado para não parecer arrogância ou propaganda enganosa.

A seguir, vamos a alguns conselhos importantes para quando você estiver com vontade de estabelecer uma política para retorno a uma empresa onde trabalhou anteriormente.

1. Salário é fundamental. É importante saber seu "preço mínimo" antes do início da negociação de retorno.

2. Não caia em armadilhas. Voltar ao mesmo cargo, pode ser uma ilusão. A troca deve ser sempre um avanço, e não um retrocesso.

3. Memória. Faça uma lista de tudo que incomodava neste emprego antes de você se desligar. Os velhos problemas podem ainda estar lá, à sua espera.

4. Caso você fique muito tempo longe da empresa onde você admirava alguns aspectos da cultura, no retorno eles pode não ser encontrados mais, especialmente se o comando da empresa foi trocado.

Tudo bem. Não tenha medo. Mas apesar dos tempos serem muito favoráveis, faça boas análises antes de dar qualquer passo. É prudente, e por isso, faz bem!
______________________ 

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

segunda-feira, abril 04, 2011

FOCO NOS OBJETIVOS PESSOAIS

Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 04/04/2011, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos

ABRAHAM SHAPIRO

Chega uma hora que o profissional sente necessidade de crescer na empresa onde está, buscar novas oportunidades fora dela, mudar de área ou até montar o próprio negócio, mas não sabe como começar.

Consultores em recursos humanos afirmam que técnicas alternativas podem ajudar as pessoas a "destravar" a carreira. E eles sugerem: meditação, autoconhecimento, ioga, filosofias positivas ou coaching.

Quem já experimentou, diz que é preciso ter foco e planejamento para mudar, e atesta que essas técnicas motivam. A mais, elas dão apoio aos profissionais para ampliar a capacidade de tomada de decisões. Meditação, por exemplo, sempre é um momento de parada importante para pensar e encontrar respostas a dúvidas nas quais não se concentra no dia a dia.

Pessoas empregadas numa empresa onde tudo só acontecia na base da pressão e do estresse estudaram o lado prático da Filosofia Positiva, e conseguiram resultados incríveis. Descobriram a importância de cultivar bons relacionamentos e entender as pessoas – coisas para as quais não tinham tempo e não davam valor. Agora, elas conseguiram melhorias e se comunicam com mais clareza com os demais.

Uma publicitária optou pelo coaching de autoconhecimento buscando concretizar um sonho antigo: ter o próprio negócio na área de serviços. Conhecendo-se melhor, ela agora está mudando velhos hábitos, revisando orçamentos, priorizando ganhos, dividindo eficientemente seu tempo e trabalhando com metas e prazos preestabelecidos para chegar ao objetivo.

É preciso dizer é que qualquer uma destas opções leva tempo. E exige persistência. Não produzem proventos imediatos.

A razão destes artifícios funcionarem bem na maioria dos casos é que levam as pessoas a entender seus modelos mentais e desbloquear barreiras que as impedem de ter sucesso. Crenças, religiões e hábitos herdados dos pais ou amigos às vezes limitam. Afastar-se das crenças bloqueadoras facilita seguir em frente.

Um bom começo, dizem especialistas, é escrever o seu objetivo em um papel e repeti-lo antes de dormir durante trinta dias seguidos, como uma espécie de mantra. É uma técnica que resolve questões internas importantes, organiza os sentimentos e abre o pensamento para situações até então fora de foco. Vale testar!
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

domingo, abril 03, 2011

MÃE CHINESA OU MÃE JUDIA?

Método de educação e resultados. Como fica o brasileiro frente a modelos milenares de educação de filhos?

Claudio de Moura Castro 
Revista Veja 06/04/2011- Ano 44, no. 14  

Diante do espetacular desempenho da cidade de Xangai no Pisa, escrevi sobre as mães chinesas. Citei a sino-americana Amy Chua, para quem o método consiste na disciplina rígida, imposta por meio da vara de marmelo e do foco obsessivo nos assuntos da escola. Isso tudo sob o manto de uma tradição confucionista que dá autoridade aos pais e valoriza a educação. 

Como me escreveu uma leitora sino-brasileira, eis "a regra que chineses têm adotado desde sempre: exigir o máximo de si e dos filhos. E dormir tranquilos, certos de haver feito o melhor". Larry Wollf, judeu americano, comentou uma versão preliminar: "Comparados aos chineses, os alunos judeus são igualmente bons no SAT (uma prova equivalente ao nosso Enem) e muito melhores em criatividade. As famílias judias são muito centradas nas crianças - fazem delas o centro de afeto e atenção (por exemplo, gastos elevados em bar mitzvah, festas, acampamentos, viagens etc.). Além disso, tal como os chineses, têm expectativas muito elevadas em relação aos filhos. Contudo, expressam tais pressões de forma mais sutil e afetiva, reconhecendo que há outras aptidões que vão além das acadêmicas"

No embalo do sucesso de Chua, o jornal The Jewish Week dedica um longo artigo comentando vários livros sobre mães judias. No estilo judeu, em vez da vara de marmelo, há um toque de chantagem emocional: "Meu filhinho adorado, sua mãe vai ficar muito infeliz se você não for o primeiro" Para elas, funciona melhor um método gentil, sem ameaças nem violências. É mais sub-reptício, usando culpa ou despejando afeto nas crianças. Para que ameaças? As mães chinesas insistem mais em obediência, as judias encorajam a argumentação, seguindo a tradição judaica de discutir tudo. Em sociedades modernas e confusas, a dialética da discussão é preciosa. Há também a veneração pelos livros, sempre comprados, mostrados e lidos pelos próprios pais.

Seja qual for a explicação, a fórmula vem dando certo. A população judaica mal chega a 14 milhões. É mais ou menos como a cidade de São Paulo. Soma 0,2% da população mundial. Não obstante, 128 Prêmios Nobel foram para judeus, correspondendo a aproximadamente 20% de todos os premiados.

Como hoje as teorias genéticas de superioridade ou inferioridade estão desacreditadas, é preciso buscar outras causas. O conjunto de características associadas a valores, cultura, disciplina e hábitos mentais é o candidato mais forte. Tudo indica que a obsessão judia pela escola tenha um papel enorme. Mas, claramente, empurrar os filhos para os livros não basta. 

A pobreza cultural puxa para trás. Os próprios judeus que viviam no mundo árabe e migraram para Israel obtêm resultados notavelmente inferiores na escola, comparados aos originários da Europa, que já vieram bem mais educados. E nós com essa discussão? Na verdade, temos muito que aprender com ela. Não entremos aqui nas controvérsias. Basta constatar que tanto a disciplina rigorosa quanto a chantagem emocional produzem.

O problema com nossas famílias é que não usamos nem um nem o outro método. Será por isso que o esforço é tão pouco e os resultados tão parcos? A força do afeto no método judeu parece mais próxima da nossa tradição cultural. Aliás, se os palestinos estão aprendendo com os seus vizinhos israelenses a valorizar mais a educação, por que não podemos fazer o mesmo? Durante uma viagem à China, um leitor sino-brasileiro foi convidado a falar em uma escola. "Tanto professores quanto alunos ficaram chocados com a enorme diferença de horas dedicadas a aulas e atividades curriculares. E com o contraste na dedicação e participação dos pais na vida estudantil." Não obstante, meu ensaio anterior causou indignação em alguns pais brasileiros. Imagino que, para eles, o esforço de desligar a televisão para que os filhos estudem seja descomunal ou, pior, sem sentido.

"Imagino que, para alguns pais brasileiros, o esforço de desligar a televisão para que os filhos estudem seja descomunal ou, pior, sem sentido"

TEST DRIVE DE EMPREGO

ABRAHAM SHAPIRO

Grandes empresas estão investindo em programas de identificação de talentos cada vez mais eficazes e interessantes. Funcionam como em um test drive de emprego em que tanto o candidato conhece "o que" e "como" será a sua futura vida profissional, como a empresa descobre aspectos sobre o comportamento e competências do futuro funcionário - itens que não seriam facilmente revelados pelos métodos tradicionais de seleção. Um exemplo é o da multinacional Procter&Gamble, onde o candidato tem a oportunidade de optar por um emprego depois de vivenciá-lo por um tempo mínimo. Durante uma semana, o então estudante do último ano de uma área específica aprende sobre os processos e desafios reais da empresa. Ao final, ele tem de propor soluções práticas para os problemas apresentados diante de altos executivos da empresa. Caso mostre as competências de interesse, ele é efetivado.

O programa já existe há 20 anos na Europa, mas é recente na América Latina. É um modelo inovador, que possibilita ao estudante experimentar casos reais de negócios, já que o problema dos jovens universitários em geral é o fato da graduação não passar de uma enxurrada de teoria. Eles não põem a mão na massa durante o período de formação. Esta nova técnica de admissão proporciona prática e por isso devia ser melhor encarada pelas tão comentadas, porém inócuas, parcerias universidade-empresa.

Uma importante empresa de cosméticos, por exemplo, propõe anualmente um programa chamado Brandstorm (brand significa marca), ou dinâmica de novas marcas, em que um desafio é dado a equipes de universitários dos dois últimos anos da graduação em marketing. Solicita-se que eles desenvolvam o conceito de um perfume com sua respectiva marca. Com a orientação de gerentes, as equipes elaboraram um projeto e vão superando etapas de eliminação até a definição dos vencedores.

Funciona como uma forma inteligente de recrutamento.

Mas não se entusiasme. O maior obstáculo para se ter algo assim é a empresa ser organizada a ponto do programa de seleção ter começo, meio e fim, com regras claras e inequívocas. Seria terrível fazer disto mais uma daquelas ideias que acabam em nada!
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

sábado, abril 02, 2011

MEU PROTESTO CONTRA O FACEBOOK

ABRAHAM SHAPIRO

Sou escritor, colunista de vários jornais do País, tenho um boletim diário na Rádio CBN sobre negócios e gestão, um programa diário de aconselhamento na TV local – campeão de audiência – e mantenho um blog há quase cinco anos. Minha base de comunicação são as mídias sociais. Por elas compartilho tudo o que produzo com muitas, muitas pessoas de todo o mundo.

Por anos utilizei milhares de contatos pelo Orkut. Tudo ia muito bem, até o dia em que surgiu o Facebook. Resolvi migrar para esta mídia. Meus amigos e interessados foram aparecendo por lá... eu  comecei a acrescentá-los. Certo dia, fui “punido” pela administração da bendita ferramenta com uma suspensão. Fui impedido de adicionar novos amigos por eles entenderem que eu não tenho tantos assim.

Trinta dias de punição.

Expus minha defesa a eles. Responderam-me ao modo dos canalhas: “Regras são regras!” Mas, seu facebook, eu nunca soube dessas regras. Nunca soube de punição alguma.

Tudo bem. Saio como vítima de mais esta!

O facebook quer que você o use, mas não admite que você tenha amigos mais do que eles acham que tenha. Eles determinam o número. Este é o resumo da ópera, isto é, da minha tragédia.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

quinta-feira, março 31, 2011

O QUE É MARKETING?

ABRAHAM SHAPIRO

Os políticos fazem marketing há séculos. “O príncipe”, de Maquiavel, é um livro escrito em 1513. É um tratado de orientações para políticos obterem vantagens e conquistas. Sob certa ótica, pode ser entendido como marketing.

A empresa precisa do marketing para criar estratégias para vender. Gosto da frase de Phillip Kotler na qual ele diz que “o objetivo do marketing é minimizar o esforço da venda”. Sua empresa tem profissionais que fazem isto?

Marketing não é só propaganda. Marketing não é só ação no ponto-de-venda, não é só merchandising e nem só o modo de apresentar uma vitrine. Marketing não é só anúncio em uma revista ou tevê. Também não é só promoção e nem só a criação de catálogos. Marketing é ciência! Se você contratar alguém que faça bem feito uma dessas tarefas individualmente, não terá contratado um profissional de marketing, e sim um mero assistente da área comercial. Mesmo que tudo isto seja parte do marketing como um todo.

Marketing é arte, também. Se fosse apenas ciência, as faculdades produziriam milhares de profissionais eficientes a cada ano. Mas não é o que acontece. Sabe por que? Marketing é sensibilidade, é percepção, é ciência e arte... sem que se saiba onde a ciência termina e a arte começa.

O profissional de marketing será ousado, criativo, prático e versátil em propor soluções para problemas de imagem, comunicação, posicionamento e, assim, incrementar as vendas. Se assim não for, ele não é o que diz ser.

Ter alguém que cuide do marketing sob esta visão é condição básica para os seus negócios irem bem de verdade. Se você não tem, busque orientações para ter.

Ok. Mas você não acredita no marketing? Responda-me, então, o que explica a eleição de um presidente negro, com um nome que lembra o mentor do maior atentado terrorista de toda história, em um país enraizado no preconceito racial há séculos?
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

quarta-feira, março 30, 2011

COMO TRABALHAR EM EMPRESAS NASCENTES

ABRAHAM SHAPIRO

Energias Renováveis do Brasil, ERB, é uma companhia que concentra seus 30 funcionários em um escritório no bairro do Itaim, em São Paulo. Apesar de contabilizar faturamento zero, ela oferece - graças ao aporte de R$ 120 milhões que recebeu de dois investidores - remuneração variável de até oito salários a executivos. Além disso, tem um plano que envolve um IPO, sigla em inglês que significa “oferta inicial de ações” à Bolsa de Valores, que transformará os funcionários em sócios da companhia.

Interessou? Então pense duas vezes.

De acordo com especialistas em recursos humanos, um cargo em uma empresa "nascente", também chamada “startup”, não é para todo mundo. Elas exigem sangue frio e paciência do funcionário. Quem procura estabilidade pode se deparar com a ausência de vários confortos da vida corporativa em grandes companhias.

A opção pelo trabalho em um novo negócio exige, de certa forma, espírito de aventura. A pessoa precisa ter autonomia, responsabilidade e autoconfiança. Exige-se que achem respostas rapidamente, com pouca margem para erro, já que um deslize pode ser fatal para a imagem de uma empresa que ainda não tem história no mercado.

Um fator de atração que as empresas nascentes usam é a remuneração variável ligada aos resultados – se bater as metas, o funcionário recebe bônus competitivos em relação às grandes companhias. A pessoa tem que colocar na balança: ou quer a estabilidade de uma grande empresa, ou quer arriscar em uma startup. Além disso, a experiência de dar vida a um negócio do zero é sempre um ponto alto no currículo.

Mas é preciso ter cuidado para não se deixar seduzir por grandes promessas. Há barcos furados por aí. Comece conferindo o lastro financeiro da empresa. Se eles têm problemas para fechar as contas do mês, é melhor esquecer. Tente saber se a companhia tem um plano claro de negócios para o longo prazo. Isto é vital para que a empresa não se perca em uma futura crise.

O que muitas empresas começam a buscar é fugir da noção conservadora de “empresa de dono”. Várias estratégias estão sendo desenhadas como forma de evolução em relação ao modelo tradicional em que um dono manda e depois embolsa os lucros sozinho. Há uma tendência progressiva de cada vez mais envolver funcionários chaves através de participações.
______________________ 

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

terça-feira, março 29, 2011

OTIMIZAÇÃO DA CARREIRAL: CURSOS PROFISSIONALIZANTES

ABRAHAM SHAPIRO

Quem não tem condições de investir tempo e dinheiro em um curso de graduação, tem uma alternativa para se capacitar antes de ingressar no mercado de trabalho: cursos profissionalizantes. Esta é a formação que promove igualdade das classes sociais no que diz respeito às chances de ingressar no mercado de trabalho.

Estudos mostram que o ensino profissionalizante traz impacto no aumento do salário e possibilita às pessoas conseguirem melhores empregos. Em média, o acréscimo salarial é de 15 a 20% para quem tem curso profissionalizante e 5% para quem tem curso de informática. A procura por cursos profissionalizantes cresceu 75% de 2004 a 2010, segundo mostra a pesquisa.

Conversei com um jovem empregado há três meses numa empresa onde presto consultoria. Ele atribui essa oportunidade a um curso profissionalizante de Autocad – software para desenho de projetos. Ele agora ingressou num curso técnico em edificações, mas para o atual emprego foi fundamental saber usar o software, ele diz.

Atualmente ainda há muita gente sem conhecimento de informática e acaba rejeitada nas seleções. Outros perdem chances por falta de conhecimento específico para o cargo. Perder oportunidades por falta de qualificação é inadmissível.

Os setores de comércio e serviços, que são o foco dos cursos do Senac, por exemplo, continuarão aquecidos graças ao fato de o Brasil ter se tornado rota de negócios, feiras, shows e eventos esportivos mundiais como a Copa e a Olimpíada, que vão exigir mão de obra preparada.

A maioria dos participantes de cursos do Senai, que tem como foco a indústria, também consegue emprego. Um ano depois do fim de cada curso é feita uma pesquisa de acompanhamento dos alunos e a média de empregabilidade é de 85%. Os índices são altos porque o próprio Senai acompanha a evolução do mercado brasileiro e implanta cursos para atender à demanda de áreas em desenvolvimento.

É uma pena que, de certo modo, tanto por parte do mercado como dos próprios trabalhadores ainda valoriza-se excessivamente o diploma superior. Mas a empregabilidade para quem faz cursos profissionalizantes sempre foi e continua alta.

Inclua esta informação na orientação a seus funcionários ou nos seus projetos pessoais.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

segunda-feira, março 28, 2011

CONTROLE FINANCEIRO: HABILIDADE INDISPENSÁVEL

Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 28/03/2011, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos

ABRAHAM SHAPIRO

Educação financeira é um tema que ganhou força no Brasil depois da estabilização da economia, que resultou no aumento da renda e do poder de compra da população e na enxurrada de oferta de crédito às pessoas físicas.

Meus ouvintes e leitores sabem quanto tenho falado da importância da educação financeira há anos. Mas o tema só entrou de vez no Brasil recentemente, com a ampliação da oferta de crédito.
Aqui vai uma dica que poderá ajudar muita gente que ainda se sente perdida na administração das próprias contas.

Uma aula sobre como economizar nos processos de embelezamento para as mulheres. Aos chefes de família, instruções sobre o melhor momento para financiar um carro. Dicas de como lidar com a mesada para as crianças. Estas são algumas das lições de educação financeira que já estão disponíveis gratuitamente no novo portal da Federação Brasileira dos Bancos, Febraban, sob o endereço: www.meubolsoemdia.com.br.

Inovador, fácil e divertido são os benefícios que definem esta iniciativa muito útil.
Segundo informações da instituição, a procura já é bastante grande já que trata-se de uma fonte completa de informações simples e práticas.

O site nasceu da compilação de todas as dúvidas dos consumidores recebidas por meio de sites mais antigos e telefones da Febraban. Os técnicos foram entendendo a necessidade das pessoas e, a partir daí, elaboraram o novo portal.

Um exemplo. No software de organização do orçamento – e que não é uma simples planilha – a Febraban incluiu gráficos de setores – chamados “gráficos de pizza” – que mostram exatamente para onde vai o dinheiro. Com estes recursos torna-se mais fácil saber onde e como a família está gastando.

A importância de saber lidar com o aumento de renda, a consciência da necessidade de poupar e posteriormente investir também é despertada com as lições de educação financeira deste portal. Outra função importante da disseminação do tema é controlar os níveis de inadimplência por meio da conscientização da necessidade de organização do orçamento familiar.

Saber fazer contas não é garantia alguma de sucesso financeiro, já que isto é função do comportamento e da atitude adotados em relação ao dinheiro. Mas pode ajudar muito a despertar consciência positiva, afinal, como todo mundo diz: “Dinheiro não suporta desaforos de ninguém”.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

sexta-feira, março 25, 2011

COMO PARTICIPAR DE FEIRAS E EXPOSIÇÕES

ABRAHAM SHAPIRO

Acabo de participar de uma grande Feira de produtos, já que três de meus clientes eram expositores.

Uma feira é um lugar bastante propício para se captar novos negócios, entender e conhecer mercados, abrir possibilidades com novos clientes e conhecer gente, muita gente.

Por esta ótica, tem-se impressão de que tudo o que se passa numa feira é bom. Mas infelizmente não é.

Uma feira é algo extraordinário para quem planeja a maneira correta de atuar, forma uma equipe de trabalho bem treinada e entra a fim de tirar todo proveito dela.

Qualquer feira tem que ter um "antes" ótimo, um "durante" excelente e um "depois" perfeito. Caso contrário, ela será tão somente um ritual infrutífero.

Para os que não estão neste patamar de operação planejada, a participação numa EXPO qualquer da vida acaba virando um problemão, pois, além de atuar sem foco em negócios, aquela semana de trabalho só serve para estressar toda a equipe, encher a cabeça de todos com ideias impossíveis de se realizar, e perder a paciência com o tanto de promotores e vendedores de espaços publicitários que trazem seus produtos com promessas de salvar a lavoura de todos e levar sua marca a milhares de pessoas através de projetos fantásticos de distribuição. Resultado: chances altíssimas de sair com mais dívidas do que entrou.

Como tem gente querendo tirar proveito fácil de expositores em feiras!!! Revistas, guias, jornais, quadros de tv, programas de comunicação de todo tipo... e no meio de alguns dos profissionais bons e sérios que ali chegam, uma multidão de charlatães e aproveitadores.

Vai aqui uma instrução prática. Faça um planejamento antes de ir a uma feira. Aproveite e feche o plano de marketing. Não abra possibilidades para nenhuma das propostas indecentes que surgem durante o evento. Troque cartões com os fulanos e, antes que eles comecem a abordagem corpo a corpo pós-feira, pesquise seus sites, busque referências reais e, em não sendo sérios, drible-os até que desistam. Eles merecem isso para deixarem de ser quem são.

O padrão do drible a esses chatos deve ser: “Temos um plano de marketing já fechado para este ano. Traga sua proposta no ano que vem que poderemos fazer uma análise e talvez a incluamos”.

Pule fora, amigo! Há muita bobagem vestida de oportunidades por aí. Não caia em armadilhas.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

quinta-feira, março 24, 2011

ALTA DOS CUSTOS E IMPOSSIBILIDADE DE REPASSE AO CONSUMIDOR

ABRAHAM SHAPIRO

Notícia desta semana mostra a necessidade de atitudes importantes na gestão empresarial.

Fabricantes de eletrodomésticos, eletroportáteis, veículos e máquinas chegam ao fim do primeiro trimestre deste ano numa encruzilhada. Enfrentam fortes aumentos de custos, que vão do reajuste de salários acima da inflação à alta dos preços das matérias-primas de até 20%, e continuam pressionados pela concorrência dos importados.

O resultado desse jogo de forças é que as indústrias não conseguem repassar integralmente o aumento de custos para os preços ao consumidor.

Se para o consumidor é bom, do lado das empresas isto reduz a competitividade e a rentabilidade. Desde a crise de 2008 não havia tantos aumentos de custos simultaneamente. Na lista estão as resinas plásticas, cujos preços subiram 20% este mês; aço e alumínio, com 10%; o cobre, que subiu 25% desde outubro de 2010; os pneus, que serão reajustados em 10% em abril; e as embalagens de papelão ondulado, com aumentos de preços entre 6% e 7% previstos para abril ou maio.

O pior não é isto. Com a globalização, exceto os salários dos trabalhadores quase todos os demais preços são formados no mercado externo.

E há ainda o obstáculo que muitas empresas de móveis e eletrodomésticos enfrentam com a formação de grandes conglomerados das recentes fusões no varejo, o que tornou-os mais poderosos do que antes.

Como se preparar para  esta situação?

Em primeiro lugar: é preciso ter uma excelente estrutura de custos. Um bom planejamento estratégico determina o volume de venda pretendido, os mercados a serem atingidos e, com isso, deve-se determinar a escala de produção, o que também determinará o volume de matéria-prima e insumo a ser negociado.

Portanto, não faça nada sem planejamento.

Por fim, seja rigoroso e não permita flexibilizar situações que gerem despesas. Sem austeridade, você e todo o seu pessoal vão acabar chorando. E depois, não adianta reclamar pelo leite derramado.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

quarta-feira, março 23, 2011

VÍDEOS INSTITUCIONAIS - REGRAS BÁSICAS PARA CONSTRUÇÃO

ABRAHAM SHAPIRO

Para que serve um vídeo institucional?

Muita gente não faz ideia do que seja isto. Os vídeos institucionais servem para comunicar a respeito de uma empresa, uma marca, ou um conceito de negócio.

Em uma visita à um cliente em prospecção, por exemplo, uma das formas mais eficazes de se mostrar a empresa é através de um vídeo para que ele tenha ideia de como as coisas funcionam. Muitas vezes acontece de um cliente potencial ter a impressão de preço elevado de um orçamento. Ao ver um vídeo institucional que demonstre os processos de produção envolvidos, ele muda rapidamente a visão anterior e passa a enxergar valor. Ele consegue, assim, identificar razões pelas quais a cifra proposta condiz com o serviço a ser prestado. Esta ferramenta melhora a relação com o cliente e aumenta o poder de persuasão.

No entanto, o vídeo institucional precisa ser entendido como apenas uma das peças a compor um programa muito amplo de comunicação séria de qualquer empresa, já que uma perfeita comunicação institucional não se restringe à divulgação da marca. Ela deve prestar-se a um objetivo bem mais amplo. A verdadeira comunicação institucional refere-se a todo o processo de produção e envio de mensagens da organização para seus públicos, falando de si mesma como sujeito social e consumidor.

A divulgação da empresa não se limita a gravações de vídeos ou a anúncios em jornais e revistas, é verdade. O poder da internet, proporciona, hoje em dia, muitas opções de divulgação além das mais tradicionais. Mas a verdade é que um vídeo bem produzido e autêntico é a base para todas as demais mídias. Assim, é de  importância elevada que seja uma produção profissional de qualidade a fim de que desperte respeito e dignidade à altura do negócio que ele divulga.

COMO ESCOLHER A PRODUTORA

REGRA 1: Na sua cidade ou região não faça nada sem conhecer o portfólio - e referências dos trabalhos anteriores - de quem quer que se apresente como produtor de vídeos institucionais. Tem "marreteiros" demais entre bons profissionais.

REGRA 2: Exija um roteiro. Se você tem um pessoal de marketing na sua empresa, ótimo. Faça-os integrar-se à produtora e daí sair um roteiro de imagem e locução detalhado.

REGRA 3: Faça um contrato severo prevendo deveres e direitos mútuos para não ter dor de cabeça depois. Condicione pagamentos a realizações.

SERVIÇO:  O Norte do Paraná tem bons prestadores de serviços em vídeos institucionais. Mas se você tem necessidade de uma produção institucional acima das expectativas que seus clientes têm, siga a minha indicação. Ligue para o Wilson Vieira, da Videographic. O fone para contato é 43.3321.4366. Com o Wilson, eu garanto um trabalho de ótima qualidade e a orientação que você precisa para fazer o institucional digno do seu negócio.
______________________ 

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

terça-feira, março 22, 2011

VERDADE OU MENTIRA?

ABRAHAM SHAPIRO

Dois funcionários de uma empresa saíram para um atendimento fora, e assim passaram todo o dia. Quando retornaram, o patrão interrogou um deles sobre como foi o trabalho. Este respondeu que tudo esteve bem. Ouvindo isto, o outro achou estranho, pois, nada havia estado bem. Os fatos reais eram outros.

Na manhã seguinte, o segundo funcionário apresentou-se à sala do chefe e voluntariamente relatou o acontecido, mostrando que os resultados obtidos por ele e o colega deixaram a desejar e isto punha em risco toda a qualidade dos serviços prestados pela empresa.

O que explica esta ocorrência tão comum nas corporações? Diferença de ponto de vista? Não. As pessoas têm medo de dizer a verdade quando são capazes de prever a reação de seus chefes com aquilo que elas dirão. Temem as conseqüências explosivas e drásticas.

A mesma coisa ocorre com crianças. Todos desejam a verdade e sabem que ela é a coisa certa a ser dita, mas a reação negativa de um superior dá vantagens para a mentira.

Um líder – em qualquer circunstância – precisa ser justo, sim. Mas ele deve, antes, ser indulgente, isto é, ter disposição para compreender e desculpar – respeitados certos limites. Ele necessita ter visão global e temporal dos processos, ou seja: saber que o erro de um, na maior parte das vezes, não é apenas dele, mas resume a ação de outras pessoas direta ou indiretamente. Neste cenário, uma punição imediata e coerciva pode causar dissimulações no futuro – a verdade poderá ser camuflada. O prejuízo pode ser muito maior, sob todas as óticas. A moderação é sempre aconselhável. Apoio e suporte são as ações mais requeridas, e não o castigo.

Melhor do que a punição é a correção, a advertência que remedia. Quando isto existir, dizer a verdade valerá muito mais do que tentar passar uma mentira... muito mais!

P.S. - A propósito, o funcionário que falou a verdade tinha apenas uma semana na empresa. O que mentiu, estava lá há três anos.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

segunda-feira, março 21, 2011

CAPACIDADE DE RECONHECER

Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 21/03/2011, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos


ABRAHAM SHAPIRO

Já tive clientes com sérias dificuldades de reconhecer atitudes positivas e elogiar funcionários. Muitos acham que elogio estraga. Mas é verdade que todos desejam ser reconhecidos – gerentes, colaboradores, pais, filhos etc. Independente ou não, auto-suficiente ou carente, cada indivíduo precisa sentir-se valorizado. É uma necessidade.

Na empresa, um dos empecilhos para olhar positivamente as atitudes é que quase todos estão ocupados ou estressados demais para lembrar que o reconhecimento por que anseiam e que podem dar aos outros é mais importante para o aumento da produtividade do que broncas e cobranças.
Como reconhecer atitudes positivas?

Nem dinheiro, nem presentes. A melhor forma é através do elogio. Associar o reconhecimento ao desempenho e ao comportamento que é esperado, por exemplo, traz dois benefícios simultâneos. Primeiro: dá o reconhecimento que a pessoa espera. Segundo: é um forte incentivo para que ela se desenvolva.

No clima corporativo de hoje a premiação e o reconhecimento são mais importantes do que jamais foram. O principal motivo é que nunca, antes, as pessoas precisaram tanto descobrir o propósito do trabalho para se estimularem e se sentir motivadas. Motivação, aliás, só existe quando o indivíduo sabe o que tem de fazer e encontra um sentido no que faz. Ele carece de sentir-se parte de algo valoroso para prosseguir com força em busca do objetivo. Quando um colaborador desempenha um bom trabalho, o ideal, portanto, é mencionar o que ele tenha feito como algo forma de lhe proporcionar apreciação – ainda que isto se resuma em apenas uma palavra.

Elogiar é bom. Mas o elogio tem lá os seus perigos. Quando exagerado, parece mentira, causa dúvidas. Elogio eficaz deve ser breve, sincero, específico, positivo e prático.

Mary Kay Ash, fundadora da Mary Kay Incorporation, disse com muito fundamento que "há duas coisas que as pessoas querem mais do que sexo e dinheiro, e elas são: reconhecimento e elogio".

Se pensar bem, você chegará à mesma conclusão com que tento persuadir clientes e amigos. Mostrar reconhecimento é tão fácil e barato que não existe desculpa no mundo para não fazê-lo, exceto limitações de orgulho e vaidade.
______________________

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473