quarta-feira, fevereiro 09, 2011

CRIE UM MODELO DE NEGÓCIOS VITORIOSO

Ramon Casadesus-Masanell e Joan E. Ricart


Modelo de negócios de empresas inteligentes gera ciclos que, com o tempo, fazem a empresa operar de modo mais eficiente.

A estratégia foi o principal pilar da competitividade nas últimas três décadas. Já no futuro, a busca de vantagem competitiva sustentável pode muito bem começar pelo modelo de negócios. Embora a convergência de tecnologias de informação e comunicação na década de 1990 tenha gerado um fascínio passageiro por modelos de negócios, fatores como desregulamentação, mudança tecnológica, globalização e sustentabilidade reacenderam o interesse no conceito atualmente. Desde 2006, uma sondagem semestral feita pelo IBM Institute for Business Value — o Global CEO Study — vem revelando que altos executivos em setores distintos encaram o desenvolvimento de modelos de negócios inovadores como grande prioridade. Um estudo correlato de 2009 revela que sete em cada dez empresas têm iniciativas de inovação no modelo e que a incrível parcela de 98% está mexendo de alguma maneira no modelo de negócios. A inovação no modelo de negócios, sem dúvida, veio para ficar.

 Não chega a surpreender. A pressão para abrir mercados em países em desenvolvimento, sobretudo os situados no meio e na base da pirâmide, está causando um surto de inovação em modelos de negócios. A desaceleração econômica no mundo desenvolvido obriga empresas a modificar o modelo atual ou a criar novos. Além disso, o surgimento de rivais novas, de base tecnológica e custo baixo, está ameaçando nomes estabelecidos, reconfigurando setores e redistribuindo lucros. Aliás, o modo pelo qual a empresa gera e se apropria de valor com o modelo de negócios está sofrendo uma transformação radical no mundo todo.

 Só que a maioria das empresas ainda não entendeu plenamente como competir por meio do modelo de negócios. Nossos estudos nos últimos sete anos mostram que boa parte do problema está no foco inarredável em criar modelos inovadores e avaliar sua eficácia de forma isolada — como um engenheiro testando novas tecnologias ou produtos. Mas o sucesso ou fracasso do modelo de uma empresa depende muito da forma como interage com modelos de outros atores do setor (quase qualquer modelo de negócios se provará espetacular se a empresa tiver sorte o bastante de ser a única no mercado). Por criar algo sem pensar na concorrência, a empresa rotineiramente adota modelos de negócios fadados ao fracasso.

 Nosso estudo também mostra que, quando empresas competem com modelos de negócios distintos uns dos outros, é difícil prever os resultados. Um modelo de negócios pode parecer superior aos demais se analisado isoladamente, mas criar menos valor do que os outros quando computadas as interações. Ou rivais podem acabar virando parceiras na geração de valor. Avaliar um modelo de forma isolada leva a conclusões equivocadas sobre suas vantagens e deficiências e a decisões ruins. Essa é uma grande razão para o insucesso de tantos modelos novos.

 Além disso, a propensão a ignorar elementos dinâmicos do modelo de negócios faz com que muitas empresas deixem de explorar seu pleno potencial. Poucos executivos percebem que o modelo de negócios pode ser projetado para produzir um efeito “winner-take-all” (ou “vencedor leva tudo”) parecido a externalidades de rede criadas por empresas de alta tecnologia como Microsoft, eBay e Facebook. Embora efeitos de rede sejam um aspecto exógeno de tecnologias, uma empresa pode produzir o efeito winner-take-all se fizer as escolhas certas na hora de conceber seu modelo de negócios. Um modelo de negócios bom cria ciclos virtuosos que, com o tempo, trazem vantagem competitiva. Empresas inteligentes sabem como fortalecer seus ciclos virtuosos, enfraquecer os de rivais e até usar seus ciclos virtuosos para transformar vantagens de concorrentes em debilidades.

 “E isso não é estratégia?”, volta e meia nos perguntam. Não é. E, se não aprender a entender as distintas esferas de modelos de negócios, estratégia e táticas (e, ao mesmo tempo, computar a forma como interagem), o gestor jamais descobrirá a forma mais eficaz de competir.







O que é, afinal, um modelo de negócios?

Todo mundo concorda que, para uma organização prosperar, seus executivos devem saber como funciona um modelo de negócios. Apesar disso, ainda há pouco consenso sobre uma definição operacional. Na opinião de Joan Magretta, que escreve sobre gestão, o modelo de negócios é “a história que explica como uma empresa funciona”. Isso nos remete a Peter Drucker, que o descreveu como a resposta às perguntas “Quem é seu cliente?”, “O que o cliente quer?” e “Como gerar valor a um custo aceitável?”.

 A saída de outros especialistas para definir um modelo de negócios é enumerar as principais características de um bom exemplar. Clayton Christensen, da Harvard Business School, sugere que o modelo de negócios deve ter quatro elementos: proposta de valor ao cliente, fórmula do lucro, principais recursos e processos cruciais. Uma descrição dessas, sem dúvida, ajuda o executivo a avaliar o modelo de negócios, mas impõe ideias preconcebidas sobre o formato de tal modelo e pode inibir o desenvolvimento de modelos radicalmente distintos.

 Nossos estudos sugerem que um componente do modelo de negócios devem ser as escolhas feitas por executivos sobre o modo como a organização deve operar — escolhas como práticas de remuneração, contratos de compras, localização de instalações, grau de integração vertical, iniciativas de marketing e vendas e por aí vai. Obviamente, toda escolha da gestão tem consequências. Exemplo: preços (uma escolha) afetam o volume de vendas, que por sua vez define economias de escala da empresa e seu poder de barganha (ambos consequências). Essas consequências influenciam a lógica da geração de valor e da apropriação de valor na empresa, de modo que também devem constar da definição. Em sua concepção mais simples, portanto, um modelo de negócios consiste de uma série de escolhas da gestão e das consequências dessas escolhas.



 Na hora de criar um modelo de negócios, a empresa faz três tipos de escolha. Escolhas de políticas determinam medidas tomadas pela organização em todas as suas operações (como contratar trabalhadores não sindicalizados, instalar fábricas em zonas rurais ou incentivar funcionários a voar na classe econômica). Escolhas de ativos têm a ver com os recursos tangíveis que uma empresa utiliza (instalações de produção ou sistemas de comunicação via satélite, por exemplo). E escolhas de gestão se referem à forma como a empresa define direitos de decisão nas outras duas esferas (devemos comprar ou alugar maquinário?). Diferenças aparentemente inócuas na gestão de políticas e ativos influenciam bastante sua eficácia.

 Uma consequência pode ser flexível ou rígida. A flexível é aquela que se altera rapidamente quando escolhas subjacentes mudam. A opção de aumentar preços, por exemplo, imediatamente resultará em volumes menores. Em comparação, a cultura de frugalidade de uma empresa (erguida ao longo do tempo com políticas que obrigam o pessoal a voar na classe econômica, a dividir o quarto de hotel, a trabalhar num ambiente espartano) dificilmente desaparecerá de imediato ainda que essas escolhas mudem — ou seja, é uma consequência rígida. São distinções importantes, pois afetam a competitividade. Ao contrário de consequências flexíveis, as rígidas são difíceis de imitar, pois a empresa precisa de tempo para criá-las.

 Vejamos o exemplo da Ryanair, que no começo da década de 1990 trocou o modelo de negócios tradicional por outro, de baixo custo. A companhia aérea irlandesa eliminou qualquer mimo ao passageiro, cortou custos e derrubou o preço a níveis inéditos. As escolhas feitas pela empresa incluíam vender passagens baratas, partir apenas de aeroportos secundários, ter só uma classe de passageiros, cobrar por todo serviço adicional, não servir refeições, fazer só voos de curta distância e usar uma frota padronizada de Boeings 737. Também decidiu usar uma força de trabalho não sindicalizada, dar fortes incentivos a esse pessoal, manter a sede enxuta e por aí vai. As consequências dessas escolhas foram altos volumes, custos fixos e variáveis baixos, reputação de tarifas razoáveis e uma equipe de gestão agressiva, para citar algumas (veja “Modelo de negócios da Ryanair ontem e hoje”). O resultado é um modelo de negócios que permite à Ryanair oferecer um nível decente de serviços a custo baixo sem diminuir radicalmente a disposição do público a pagar por seus bilhetes.






Como um modelo de negócios cria ciclos virtuosos

Nem todo modelo de negócios funciona igualmente bem, é claro. Os bons têm certas características em comum: estão alinhados com as metas da empresa, reforçam a si mesmos e são robustos (veja o quadro “Três características de um bom modelo de negócios”). Acima de tudo, um modelo de negócios de sucesso gera ciclos virtuosos, ou loops de feedback que, de novo, reforçam a si mesmos. Esse é o aspecto mais importante e negligenciado de modelos de negócios.




Nossos estudos mostram que a vantagem competitiva de empresas de alta tecnologia como Apple, Microsoft e Intel deriva em grande medida de seus ativos acumulados — a base instalada de iPods, Xboxes ou micros, por exemplo. As líderes não chegaram lá comprando esses ativos, mas fazendo escolhas inteligentes sobre preços, royalties, linha de produtos e por aí vai. Em outras palavras, são consequência de escolhas no modelo de negócios. Qualquer empresa pode fazer escolhas que lhe permitam acumular ativos ou recursos — sejam eles habilidades de gestão de projetos, experiência na produção, reputação, utilização de ativos, confiança ou poder de negociação — que façam a diferença em seu setor.

 Essas consequências viabilizam mais escolhas, e assim sucessivamente. O processo gera ciclos virtuosos que continuamente reforçam o modelo de negócios, criando uma dinâmica similar à de efeitos de rede. A roda gira e, com isso, faz crescer o estoque de ativos (ou recursos) cruciais da empresa, aumentando sua vantagem competitiva. Empresas astutas concebem o modelo de negócios para deflagrar ciclos virtuosos que, com o tempo, aumentam tanto a geração quanto a apropriação de valor.

 O modelo de negócios da Ryanair, por exemplo, cria vários ciclos virtuosos que maximizam o lucro com custos e preços cada vez mais baixos (veja o quadro “Principais ciclos virtuosos da Ryanair”). Todos os ciclos resultam em redução de custos, o que permite preços mais baixos, o que eleva as vendas e, no final, faz o lucro aumentar. Enquanto os ciclos virtuosos gerados pelo modelo de negócios não são interrompidos, sua vantagem competitiva segue crescendo. Assim como é difícil parar um corpo em rápido movimento devido à energia cinética, é duro interromper um ciclo virtuoso bem azeitado.




Um ciclo, no entanto, não tem duração eterna. Normalmente, chega a um limite e deflagra ciclos compensadores, ou desacelera devido à interação com outros modelos de negócios. Aliás, quando interrompidas, as sinergias atuam no sentido oposto e corroem a vantagem competitiva. Um dos ciclos da Ryanair, por exemplo, poderia se tornar vicioso se o pessoal se sindicalizasse e passasse a exigir salários maiores — impedindo a empresa de cobrar os menores preços. Isso faria com que perdesse volume; a utilização das aeronaves cairia. Já que o investimento da Ryanair na frota prevê uma taxa de utilização altíssima, a mudança teria efeito ampliado sobre a rentabilidade.

 É fácil entender que uma empresa de baixo custo, “no-frills”, possa criar um ciclo virtuoso; mas a que aposta na diferenciação também pode. Vejamos o caso da espanhola Irizar, fabricante de carrocerias de luxo para ônibus, que registrou grandes perdas depois de uma série de jogadas desastradas na década de 1980. A liderança da Irizar mudou duas vezes em 1990; o moral caiu a níveis recordes, levando o novo cabeça da equipe diretora, Koldo Saratxaga, a promover grandes mudanças. Saratxaga transformou o modelo de negócios da organização, fazendo escolhas que trouxeram três consequências rígidas: um tremendo senso de “posse”entre trabalhadores, a sensação de conquista e a confiança. As escolhas incluíram eliminar a hierarquia, descentralizar a tomada de decisões, focar em equipes para dar cabo do trabalho e dar a “posse” de ativos a trabalhadores (veja o quadro “O inovador modelo de negócios da Irizar”).




A principal meta da Irizar, como cooperativa, é aumentar o número de empregos com bons salários no País Basco — daí ter criado um modelo de negócios que gera grande valor ao cliente. Seu principal ciclo virtuoso vincula a disposição de clientes a pagar com um custo relativamente baixo, gerando altos lucros que alimentam a inovação, o serviço e a alta qualidade. Aliás, a qualidade é a pedra angular da cultura da Irizar. Com o foco na lealdade do cliente e uma força de trabalho com autonomia, a empresa registrou uma taxa anual composta de crescimento de 23,9% nos 14 anos do mandato de Saratxaga. Com produção de 4 mil carrocerias em 2010 e faturamento de cerca de € 400 milhões, a Irizar é um exemplo de modelo de negócios radicalmente diferente que produz ciclos virtuosos.

Competir com modelo de negócios

É fácil tornar um ciclo virtuoso quando não há concorrentes, mas poucos modelos de negócios operam num vazio — pelo menos, não por muito tempo. Para competir com rivais com modelos de negócios similares, a empresa deve rapidamente criar consequências rígidas — de modo a gerar e capturar mais valor do que as rivais. A história é distinta quando a empresa compete com modelos de negócios distintos; nesse caso, os resultados costumam ser imprevisíveis e é difícil saber que modelo terá bom desempenho.

 Vejamos, por exemplo, a batalha entre duas das maiores varejistas da Finlândia: o S Group, uma cooperativa de consumidores, e a Kesko, cujas lojas são controladas e operadas por uma rede de empresários varejistas. Acompanhamos as duas por mais de uma década. O modelo da Kesko parecia superior: os incentivos que dá aos franqueados deviam resultar em rápido crescimento e altos lucros. Na prática, no entanto, o modelo de negócios do S Group fere a Kesko mais do que a Kesko abala o S Group. Já que a clientela é dona do S Group, a varejista volta e meia derruba preços e aumenta o bônus do cliente; com isso, rouba mercado da rival. A medida obriga a Kesko a baixar os preços; seu lucro cai, desmotivando a rede de franqueados. Como resultado, o desempenho da Kesko perde para o do S Group. Com o tempo, o opaco esquema de governança do S Group vai tornando o sistema inchado, o que o obriga a elevar preços. Com isso, a Kesko pode fazer o mesmo — e melhorar a rentabilidade, motivar os franqueados e conquistar mais clientes de volta graças a uma experiência de consumo superior. Isso deflagra outro ciclo de rivalidade.

 Uma empresa tem três saídas para competir pelo modelo de negócios: pode fortalecer os próprios ciclos virtuosos, bloquear ou destruir os ciclos de rivais ou criar complementaridade com ciclos de rivais, o que faz substitutos virarem complementos.

 Fortaleça seu ciclo virtuoso. Uma empresa pode modificar seu modelo de negócios para gerar novos ciclos virtuosos e, com isso, competir de forma mais eficaz com rivais. Esses ciclos normalmente têm consequências que reforçam ciclos em outras partes do modelo. Para competir, Boeing e Airbus usavam, até bem pouco, basicamente os mesmos ciclos virtuosos. A Airbus oferecia o que a Boeing oferecia em toda área (à exceção do segmento de transporte comercial de porte muito grande, no qual a Boeing lançara o 747 em 1969). Dada a irregularidade da demanda de aviões, seu preço elevado e ciclicidade, a disputa em preços sempre foi intensa.

 Historicamente, a vantagem foi da Boeing, pois o 747 detinha um monopólio e a empresa podia reinvestir o lucro gerado para reforçar sua posição em outros segmentos. Analistas calculam que, no começo da década de 1990, o 747 respondia por 70 centavos de cada dólar de lucro da Boeing. Já que o investimento em P&D é o motor mais importante da disposição de clientes a pagar, a Airbus estava em desvantagem. Conseguiu se manter à tona graças a empréstimos a juros baixos de governos europeus. Sem o subsídio, o ciclo da Airbus teria se tornado vicioso.

 Já que os subsídios provavelmente teriam fim, a Airbus mudou o modelo de negócios, criando para tanto um avião de transporte comercial de grande porte, o 380. Para tentar dissuadi-la, a Boeing anunciou uma versão maior do 747. Já que tal aeronave derrubaria o lucro com o 747, parece improvável que a Boeing vá mesmo lançá-la. O 380 não só ajuda a manter virtuoso o ciclo da Airbus em aviões de pequeno e médio portes, mas também ajuda a desacelerar a virtuosidade do ciclo da Boeing. O aumento da rivalidade sugere que o 747 já não gerará tanto dinheiro para a Boeing. Daí a empresa estar investindo no desenvolvimento do 787 — para tentar fortalecer sua posição em aviões de médio porte, onde a concorrência deve ficar ainda mais acirrada quando as vendas do 380 decolarem.

 Enfraqueça o ciclo de concorrentes. Certas empresas conseguem avançar usando consequências rígidas de suas escolhas para enfraquecer o ciclo virtuoso de novas rivais. A ruptura que uma nova tecnologia causa (ou não) num setor não depende só dos benefícios intrínsecos da tecnologia, mas também da interação com outros atores. Peguemos, por exemplo, a batalha entre a Microsoft e o Linux — que alimenta seu ciclo virtuoso por ter custo zero e permitir que usuários contribuam para melhorar o código. Diferentemente da Airbus, a Microsoft se concentrou em enfraquecer o ciclo virtuoso da concorrente. Usa sua relação com fabricantes de computadores para que o Windows já venha instalado em micros e laptops, impedindo assim que o Linux expanda sua base de clientes. Desencoraja o público a tirar proveito do sistema operacional e dos aplicativos da Linux, gratuitos, ao espalhar medo, incerteza e dúvida sobre os produtos.

 No futuro, a Microsoft poderia aumentar o valor do Windows com um conhecimento maior dos usuários e a oferta de preços especiais para aumentar as vendas no setor educacional, ou diminuir o valor do Linux ao obstruir a compra por usuários estratégicos e impedir que aplicativos do Windows sejam executados no Linux. A geração potencial de valor do Linux pode, em tese, ser maior do que a do Windows, mas sua base instlada jamais ultrapassará a da Microsoft enquanto a gigante do software conseguir obstruir os principais ciclos virtuosos da rival.

 Transforme concorrentes em complementos. Rivais com modelos de negócios distintos também podem virar parceiras na geração de valor. Em 1999, a Betfair, bolsa de apostas na internet, fez frente a casas de apostas britânicas como Ladbrokes e William Hill ao permitir que uma pessoa apostasse anonimamente contra outras. Diferentemente das rivais tradicionais, que oferecem apenas estimativas de probabilidade (“odds”), a Betfair é uma plataforma de “dois lados” na internet. Nela, a pessoa tanto faz apostas quanto estima probabilidades para outros usuários. Negócios com um lado e dois lados têm ciclos virtuosos distintos: embora um agente de apostas gere valor com a gestão do risco e se aproprie dele com as estimativas de probabilidade que faz, a casa de apostas em si não corre risco; cria valor ao conectar os dois lados do mercado e se apropria dele ficando com parte do ganho líquido.

 Na última década, o ganho bruto da Ladbrokes e da William Hill caiu. Ou seja, a Betfair abalou as duas — mas não tanto quanto esperado. Já que a Betfair melhorou a estimativa de probabilidades de modo geral, quem aposta perde menos dinheiro. Com isso, faz mais apostas — e, ao receber o dinheiro, volta a apostar, alimentando um ciclo virtuoso. Isso levou o mercado britânico de apostas a crescer a uma proporção maior do que poderia sugerir a simples melhora das probabilidades. Por oferecer “odds” melhores, a Betfair também ajuda casas de apostas tradicionais a medir melhor o “pulso” do mercado e cobrir sua exposição a um custo menor. Quando um novo modelo de negócios cria complementaridade entre concorrentes, é menos provável que quem já estava no mercado reaja de forma agressiva. A resposta inicial de casas de apostas à Betfair foi hostil, mas a presença da rival de lá para cá é cada vez mais aceita.




Modelo de negócios x estratégia x táticas

Não há três conceitos de tanta utilidade para o gestor ou tão incompreendidos quanto o da estratégia, o do modelo de negócios e o de táticas. Muitos usam os termos como se fossem sinônimos, o que pode levar a péssimas decisões.

 É bem verdade que os três são interligados. Enquanto o modelo de negócios se refere à lógica da empresa — como ela opera e como cria e captura valor para stakeholders num mercado competitivo —, a estratégia é o plano para criar uma posição única e valiosa envolvendo um conjunto diferenciado de atividades. Essa definição implica que a empresa fez uma escolha sobre como pretende competir no mercado. O sistema de escolhas e consequências é um reflexo da estratégia, mas não é a estratégia; é o modelo de negócios. Estratégia tem a ver com o plano contingente sobre que modelo de negócios usar. A palavra-chave aqui é contingente; uma estratégia traz disposições contra uma série de contingências (como lances de concorrentes ou choques ambientais), venham ou não a ocorrer. Embora toda organização tenha um modelo de negócios, nem todas têm uma estratégia — um plano de ação para eventuais contingências.

 Peguemos a Ryanair. A companhia estava à beira da falência na década de 1990. A estratégia que escolheu para se reinventar foi virar a Southwest Airlines da Europa. A nova lógica da organização — sua maneira de criar e capturar valor para stakeholders — foi o novo modelo de negócios da Ryanair.

 Mudar escolhas estratégicas pode ser algo caro, mas ainda assim a empresa tem uma série de opções para competir, todas relativamente fáceis e baratas de implementar. Estamos falando de táticas — escolhas residuais abertas à empresa por força do modelo de negócios que emprega. O modelo de negócios determina as táticas disponíveis para a empresa competir no mercado. Por exemplo, o Metro, o maior jornal do mundo, criou um modelo de negócios calcado em anúncios que dita que o produto deve ser grátis. Isso impede o Metro de usar o preço como tática.

 Pensemos no modelo de negócios como se fosse um automóvel. Cada modelo de carro funciona de forma distinta — um motor convencional tem funcionamento bastante diferente do híbrido, o câmbio manual é bem diferente do automático — e cria um valor distinto para o motorista. O modo como o automóvel é projetado condiciona aquilo que o motorista pode fazer; determina que táticas o motorista pode usar. Um compacto de baixa potência traria mais valor para o motorista que quer manobrar pelas vielas estreitas do bairro gótico de Barcelona do que um utilitário esportivo de grande porte, no qual a missão seria impossível. Imagine que o motorista pudesse modificar as características do carro: forma, potência, consumo de combustível, assentos. Essas mudanças não seriam táticas; seriam estratégias, pois exigiriam mudar a máquina (o “modelo de negócios”) em si. Em suma, a estratégia é projetar e fabricar o carro, o modelo de negócios é o carro e as táticas são a maneira de dirigi-lo.

 O foco da estratégia é conseguir vantagem competitiva através da defesa de uma posição singular ou a exploração de um valioso e idiossincrático conjunto de recursos. Essas posições e esses recursos são criados por ciclos virtuosos, de modo que é preciso criar modelos de negócios que ativem esses ciclos. É difícil, sobretudo por causa da interação do modelo com o de outros atores — como concorrentes, complementadores, clientes e fornecedores, todos na luta para gerar valor e se apropriar dele. Essa é a essência da competitividade — e criar estratégias, táticas ou modelos de negócios inovadores nunca foi fácil.

 ______________________________

Ramon Casadesus-Masanell (casadesus@gmail.com) é professor associado na Harvard Business School, nos EUA. Joan E. Ricart (ricart@iese.edu) é titular da cátedra Carl Schroder Professor of Strategic Management and Economics na IESE Business School, na Espanha.






terça-feira, fevereiro 08, 2011

FOTOS DE NOSSA AULA INAUGURAL NO CURSO TÉCNICO SENAI LONDRINA 2011


-




foto


foto




foto


foto

foto










SE HÁ CRISE NO SEU MODELO DE NEGÓCIO...




Professora da Columbia Business School, nos EUA, Rita Gunther McGrath estuda a estratégia em ambientes voláteis, de alta incerteza. McGrath falou  com repórter da Universidade de Harvard sobre como reconhecer a aproximação de uma crise — e usar a oportunidade para adiantar-se a concorrentes.


Repórter: Por que há tanto interesse na inovação no modelo de negócios atualmente?

McGrath: Vejo três grandes razões. A primeira é a rapidez cada vez maior das coisas. Tanto o ciclo de vida quanto o ciclo de concepção de produtos estão encurtando. Quando o ritmo da mudança acelera, todo mundo percebe que é preciso sair em busca da próxima grande novidade. A segunda questão é a competição intersetorial. A concorrência está vindo de lugares inesperados. Quem teria previsto que o sucesso do iPad tiraria do páreo toda uma série de dispositivos de visualização — porta-retratos eletrônicos, por exemplo? E a terceira tendência é a ruptura causada por modelos de negócios que oferecem uma experiência melhor ao cliente em vez de simplesmente produtos. O varejo tradicional de brinquedos passa por um momento difícil, mas a [americana] Build-a-Bear faz o consumidor desembolsar um bom dinheiro para trabalhar de graça e fazer ele mesmo seu próprio ursinho de pelúcia. A empresária que teve essa ideia, a Maxine Clark, foi genial!


Que setores estão sofrendo a maior ruptura?

É melhor perguntar que setores não estão. O de petróleo e gás provavelmente é estável. O de certos bens de consumo, também. Mas, se não tiver fortes barreiras à entrada ou se estiver testemunhando mudanças em tecnologia ou regulamentação, seu setor vai enfrentar novas formas de concorrência. Depois que alguém demonstra que existe um mercado, é muito fácil os outros virem em seu encalço.


Quais os sinais de que um modelo de negócios está perdendo gás?

A primeira pista clara é quando novas gerações de inovação trazem avanços cada vez menores. Se seu pessoal tem dificuldade para achar novas maneiras de melhorar o produto, é um sinal. Um segundo é ouvir clientes dizendo que novas alternativas são, cada vez mais, aceitáveis para eles. E, por último, o problema começa a aparecer em seus relatórios financeiros ou em outros indicadores de desempenho.

Quando um modelo de negócios está em crise, os sinais costumam aparecer logo cedo, mas normalmente são ignorados ou rejeitados. Isso porque, na maioria das empresas, quem está no comando chegou lá devido ao sucesso com o modelo atual — ou seja, há pouquíssimo incentivo para que questione sua durabilidade. Daí a reação inicial ser a de negar o problema, seguida de tentativas desesperadas para fazer o modelo atual durar um pouquinho mais. O reconhecimento de que as coisas devem mudar só vem quando é tarde demais — e aí a mudança é muito mais dolorosa do que tinha de ser.



Há modelos de negócios — como aquele que garante uma experiência melhor para o cliente — nitidamente em ascensão?

Certos modelos de negócios são mais fortes do que outros. Basicamente, é preciso buscar um modelo que prenda o cliente, que traga fidelidade ou crie barreiras à entrada. Qualquer coisa que for automaticamente renovada garante uma certa aderência, ou “stickiness”, sobretudo se mudar de empresa for trabalhoso para o cliente. Quem já tentou trocar de operadora de celular sem mudar o número de telefone sabe o que é isso — é um aborrecimento, e demorado. Uma razão para as empresas estarem tão interessadas em fazer o cliente administrar sua conta com elas online é que, quando isso é feito, é preciso muito trabalho para encerrar o relacionamento. Qualquer coisa na qual seu serviço esteja incorporado ao serviço dos clientes — de modo que o cliente conte com você para suprir passos críticos em seus processos — é aderente. A IBM, por exemplo, obtém essa vantagem quando assume parte dos processos de informática de um cliente. Num modelo desses, o cliente só abandona a empresa se ela ficar arrogante ou gananciosa demais. Há, também, os modelos de plataforma. A Microsoft é um exemplo clássico. A empresa não vende apenas software — ganha muito dinheiro licenciando plataformas de software para outras organizações. Uma plataforma permite que a empresa cobre mais e mantenha a vantagem por muito tempo.


Que modelos devem ser evitados?

Aqueles em que o cliente compra algo uma única vez e acabou. Além disso — e esse é um problema maior do que se pensa —, é preciso garantir que haja um modelo de receita! As pessoas estão abrindo negócios que dão muita coisa de graça. Às vezes, não há problema — se puder experimentar com baixo custo ou tiver investidores pacientes. Mas é preciso, sim, um modelo com um caminho nítido para a monetização.


Digamos que esteja se reunindo com uma empresa que quer reinventar seu modelo. Quem deveria estar nessa discussão?

Calma, voltemos um pouquinho. Primeiro, é preciso ter processos que o levem a questionar as premissas atuais de seu modelo. Um exemplo: a Andrea Jung conduziu muito bem a Avon, mas a certa altura a empresa entrou em sérias dificuldades. Um de seus assessores sugeriu que, se a situação era tão ruim assim (a ponto de ameaçar seu emprego), talvez ela devesse se demitir na sexta-feira à tarde e se recontratar na segunda-feira cedo, para poder encarar a empresa com um novo olhar. Isso levou Jung a tomar decisões bem difíceis — demitir 25% de um quadro de gerentes que escolhera a dedo, mudar programas de marketing e reverter o curso de investimentos que ela mesma defendera.

O primeiro passo, então, é criar mecanismos que o levem a reexaminar suas premissas. Uma pergunta que incentivo as pessoas a fazer é: que dados nos levariam a tomar uma decisão diferente? Certifique-se de não estar recebendo apenas informações que confirmem aquilo em que você já acredita. Isso feito, dá para pensar que informação não tradicional faz sentido buscar. É preciso ir falar diretamente com clientes e passar pela experiência que eles passam para obter informações sem filtro. É preciso levantar da sua mesa, em outras palavras. Faça sua própria versão do [reality] Undercover Boss e veja o que é possível descobrir. Nunca esquecerei de uma experiência que tive em sala de aula com gente de uma operadora de telefonia celular volta e meia criticada pela péssima cobertura da rede. Quando perguntei por que a alta direção da empresa não se incomodava com aquilo, eles disseram: “Nós sabemos onde eles trabalham, que caminho percorrem para chegar até lá e para onde vão no fim de semana. Garantimos que a rede esteja sempre funcionando nesses lugares”. Esse distanciamento da realidade pode ser letal. É preciso manter contato direto com a verdade.

 Só depois de ter feito isso tudo será hora de reunir um grupo variado de gente — gente que saiba um pouco de tecnologia, gente que entenda as necessidades do cliente, gente que tenha uma visão mais ampla da possível evolução das coisas — para traçar hipóteses sobre as áreas nas quais a empresa deveria experimentar.


Se há vários experimentos possíveis, como saber em qual investir?

É preciso montar uma carteira de oportunidades. Acredito em investir em várias opções: algumas vão dar frutos, outras não. Algumas podem ser mutuamente excludentes. A [americana] Verizon, por exemplo, sabia que linhas fixas de telefone estavam desaparecendo. Muitas empresas teriam se limitado a seguir explorando o negócio, que ainda era uma boa fonte de caixa. Mas Ivan Seidenberg investiu em quatro ou cinco tecnologias de redes mutuamente excludentes e deixou que avançassem até que ficasse claro qual seria a dominante. Em seguida, investiu pesado nessa tecnologia e engavetou as outras. A maioria das empresas não age assim. O que faz é financiar o projeto com os melhores números.


Qual é o ritmo certo para mudar se a empresa ainda está fazendo um bom dinheiro com os negócios atuais e tem essa carteira de novos investimentos?

Essa é uma das questões mais difíceis — e queria muito ter uma resposta clara para você. O melhor que já conseguimos foi calcular o que chamamos de “bare-bones net present value”: tente projetar quando um novo negócio começará a gerar caixa. Em seguida, descubra como ganhar dinheiro com as atividades em declínio ou ache outra maneira de explorá-las. É possível, por exemplo, licenciar a tecnologia para empresas que ainda tenham interesse nela. Ou continuar a tocar o negócio, mas terceirizar as operações para um fornecedor de baixo custo. Esse período de transição é difícil, mas é bom parar para refletir sobre essas questões.


Imagino que o investidor não tenha lá muita paciência com o caos dessas transições.

Isso é verdade. Se uma empresa precisa sair de um negócio — dar baixas contábeis, se desfazer de ativos —, o mercado não gosta. Quem gosta, e muito, são firmas de private equity. Um número razoável de empresas hoje às voltas com uma grande mudança no modelo de negócios está parcial ou totalmente em mãos de firmas de private equity, e não creio que seja coincidência. Em minhas conversas com empresas mais evoluídas, algumas disseram que estão buscando investidores dispostos a ter paciência.


Empresas familiares têm um histórico melhor de “investimento paciente”?

Sem dúvida. A Bose lançou há pouco um produto chamado VideoWave, que cria um home theater de alta qualidade. A empresa passou cinco anos desenvolvendo a ideia. É uma espera longa por uma nova fonte de receita. Mas o pessoal na Bose acha que, por ter tido paciência para fazer a coisa do jeito certo, a vantagem de preço premium e do modelo de negócios vai durar. A empresa pode investir em ciência porque está há muito tempo sob controle privado. Olhou para o mercado de ações e disse: “Não, não é para nós”.

 Suspeito que vai surgir uma abordagem distinta ao investimento dessa onda de mudanças em modelos de negócios. É só pensar: o mercado de capitais funciona de um jeito que incentiva uma empresa às voltas com mudanças de grande escala a tomar as decisões certas? Tenho minhas dúvidas.


O que mais uma empresa pode fazer para transformar ameaças a seu modelo em oportunidades?

Quando uma empresa não responde aos desafios do modelo de negócios, em geral é devido a problemas de origem interna, como a falta de incentivos que citei lá atrás e uma distância muito grande do cliente. Minha sugestão é que os gestores pensem em questões internas que deveriam estar resolvendo agora. Porque, quando tudo vai bem, quando o modelo funciona normalmente e a pessoa está fazendo seu trabalho rotineiro, é fácil ignorar essas coisas. É forte a inércia nas organizações. É como uma criança. À noite, não há como colocá-la para dormir. E, de manhã, não há como acordá-la. A criança quer seguir fazendo o que quer que esteja fazendo. Com uma organização, é o mesmo.






segunda-feira, fevereiro 07, 2011

A MORTE DO COMERCIAL DE TV NOS E.U.A.


Dan Zigmond

Nos Estados Unidos, o pessoal de estratégia de mídia anda tão ocupado chorando a morte do comercial de TV que não consegue enxergar uma nova oportunidade: as pessoas estão misturando TV e internet de um jeito que pode ser muito bom para o anunciante.

É verdade, sim, que o consumidor vê menos TV do que antes e passa mais tempo à frente de outras telinhas. E é verdade, também, que muitos telespectadores — quase 60%, cifra que deve subir — usam o computador ou o smartphone simultaneamente. Mas essas tecnologias não são só distrações; nossos dados mostram que o “multitasker” em geral presta atenção a anúncios de TV — e que, quando um produto ou promoção desperta seu interesse, entra na internet para se informar melhor.

Esse dado é crucial para o anunciante — que, afinal, não quer que o consumidor apenas absorva o comercial, mas aja com base nele. Se o multitasker volta e meia corre para a internet depois de ver algo na TV, o anunciante astuto vai se adiantar e estar esperando por ele lá.














_______________________________

Dan Zigmond é diretor de análise quantitativa e data warehousing do YouTube e da Google TV Ads. Horst Stipp é vice-presidente sênior de insights estratégicos e inovação na americana NBC Universal. A Open é um estúdio de design em Nova York, EUA.


NEGOCIAÇÃO COMO HABILIDADE

Artigo publicado no jornal FOLHA DE LONDRINA, em 07/02/2011, na coluna ABRAHAM SHAPIRO, em Empregos e Concursos


ABRAHAM SHAPIRO

Você já se deu conta de que vivemos num mundo de alta diversidade de interesses, e que saber negociar é a mais requerida das habilidades em qualquer profissão?

É só ver. Com quem negociamos no dia a dia? Com filhos, com a esposa ou marido, com o chefe, com a equipe, com clientes...

Negociação é uma de nossas práticas mais constantes. O problema é que nem sempre somos competentes nisso. E às vezes presumimos saber. Mas no centro desta questão está a falta de habilidade. Desenvolver a capacidade de negociar coloca-nos no prumo em relação a essa necessidade extrema da vida.

Acontece que nosso sistema educacional não contempla o empreendedorismo como premissa. Finanças e negócios não são abordados em todos os anos do ensino básico. A situação é mais grave quando, no curso superior, muitos dos mestres e doutores que lecionam não passaram sequer pela vivência prática de suas profissões. Não se falam em negócos.

Mal estes profissionais entram no mercado de trabalho e já estão frente à contingência de vender sua imagem. Currículo e entrevistas de emprego são processos que se desdobram, invariavelmente, em negociação.

Mesmo após toda esta pressão, pouquíssimos despertam para a necessidade de um curso prático em negociação. Acham que isto se reserva a vendedores.

Estão errados!

Quando minha mãe pretendia cozinhar um novo prato, logo pela manhã começava dizendo: “Venham logo para o jantar de hoje. Teremos uma comidinha especial. Vocês vão adorar”. Sempre vínhamos famintos e cheios de vontade. A propaganda matinal visava neutralizar possíveis objeções com que pudéssemos desvalorizar sua escolha. O resultado final? Elogios.

Há quem pense que negociar é um dom divino ou genética. Talvez não saibam o que seja dom ou gens. Dentista negocia, arquiteto negocia, padre negocia, todos negociam. E depende de prática, e também de teoria... como quase tudo nesta vida.
______________________ 

Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

domingo, fevereiro 06, 2011

BREVE HISTÓRIA DA TOMADA DE DECISÃO



Clique no link abaixo e faça o download de um dos artigos mais fantásticos artigos sobre a TOMADA DE DECISÕES.


http://www.scribd.com/doc/36672437/aula-1-topico-uma-breve-historia-da-tomada-de-decisao


Leitura imperdível.




-