sexta-feira, julho 16, 2010

O MODELO S.B.I. OU COMO CONSEGUIR O FEEDBACK DE UM CHEFE QUE JAMAIS LHE DARIA UM

ABRAHAM SHAPIRO

Suponha que o seu chefe seja alguém que não tem o hábito de dar feedbacks espontaneamente. Um meio muito eficaz de obtê-lo é o S.B.I., que, em inglês, é a sigla de Situation Behaviour Impact, ou seja: situação de impacto no comportamento.

Digamos que você tenha que conduzir uma reunião na qual ele e outros colaboradores estarão presentes. Nesta ocasião atue normalmente. Observe, pergunte e não deixe de fazer suas sugestões e intervenções quando necessário. Interaja normalmente com o seu chefe e com os  seus colegas.

Onde é que entra o tal método S.B.I.?

Este método, desenvolvido pelo Centro para Liderança Criativa, nos Estados Unidos, é uma importante ferramenta para o gerenciamento, sendo fácil de lembrar e simples de ser implementado.

O primeiro passo é a Situação. Após a reunião, peça ao seu chefe que descreva a reunião que você liderou e como ele viu as pessoas? Através desta descrição, você conseguirá enxergar qual foi a visão que ele teve.

O segundo passo é o Comportamento. Questione como é que o seu chefe viu o seu desempenho durante a reunião e se ele observou algo principalmente através dos seus comportamentos não verbais. Não deixe de pedir para que ele seja especifico, pois só assim você saberá se errou e, neste caso, onde é que errou.

O terceiro passo é a avaliação do Impacto. Tente analisar como é que o seu chefe se sente sobre a forma como você conduziu a reunião. Ele estará sinalizando isso todo o tempo em que vocês estiverem conversando a respeito. Preste atenção e observe os gestos, a face, os acentos, as ênfases. Você consegue observar se ele acha que você podia ter dirigido melhor a reunião de modo diferente?

O modelo S.B.I. na prática  é uma forma de observação pessoal e de obter benefícios de desenvolvimento pessoal da interação com outros, especialmente com o seu superior hierárquico. Ajuda muito a pessoa a ver como pode melhorar o seu desempenho profissional e a ter mais confiança em si. É ótimo, vez que  tudo o que é bom pode sempre melhorar.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

quinta-feira, julho 15, 2010

O TÁXI DO GENARO - UMA LIÇÃO DE VIDA E TRABALHO

ABRAHAM SHAPIRO

Conheci um motorista de táxi em São Paulo que se chama Genaro. Ele oferece água mineral, jornal do dia, revistas, ligação local de um celular especial e ar condicionado, sem custo adicional para os clientes.

Os colegas não gostam dele. Dizem que ele é puxa-saco. Mas a maioria deles está reclamando de que as corridas estão ruins e não sabem o que fazer para superar a crise que aflige o setor de transporte individual na metrópole.

O Genaro sai de casa todo dia muito cedo. Com um detalhe: diariamente ele começa  com noventa por cento de sua agenda antecipadamente fechada. Quem o procura são clientes preferenciais com quem ele mantém relacionamento assíduo. Se não pode atender em determinado horário, os clientes optam por mudar seus encontros para não terem de trocar de motorista. Isto é que é fidelidade, o resto é filosofia.

De fato, seus concorrentes tentam provar que de táxi talvez ele não entenda nada. Mas eu posso afirmar, sem dúvidas, que ele sabe tudo sobre clientes e como tratá-los. E isso é o que faz a diferença em assunto de  sucesso nos negócios.

O segredo do Genaro? Não sei se há  um. Se houver,  é algo simples: ele não reclama da vida e age positivamente, sempre adiante.

Uma vez ele confidenciou-me que teve uma adolescência e juventude muito difíceis. Foi explorado no trabalho por um dos tios assim que ficou órfão de pai e mãe. Sofreu muito e por este motivo teria múltiplas razões para cair no fracasso, num vício e consequentemente na derrota.  Mas usando suas próprias palavras: “O passado é passado. Não importa o que fizeram de mim. O que importa mesmo, é o que eu vou fazer com o que fizeram de mim”.

Veja  o que a sabedoria pode fazer na vida das pessoas.
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quarta-feira, julho 14, 2010

MOSTRE APREÇO

ABRAHAM SHAPIRO

Mostrar apreço não é o mesmo que fazer elogios. Dizer a alguém que tem um penteado bonito é um elogio. Dizer que gostou do seu trabalho é um sinal de apreço.

Mostre apreço. E torne o seu apreço concreto e específico.

É preferível dizer "Susana, a sua proposta para um novo layout parece muito boa", em vez de "Susana, você trabalha bem".

As pessoas consideram o apreço uma recompensa pelos esforços que fazem. Ficarão encorajadas a continuarem assim e até a melhorar.

Elogiar alguém sem acreditar naquilo que diz é nefasto para a sua credibilidade. O seu colaborador se dá conta disso. E, no futuro, você não conseguirá mais motivá-lo com uma outra observação positiva. Permanecerá a suspeita.

Por outro lado, elogiar demasiadas vezes dilui o efeito do elogio. Mas elogiar raramente também não é desejado. Por isso, o equilíbrio também é o ideal aqui.

Algumas pessoas têm mais necessidade de serem elogiadas do que outras. De um modo geral, quem está em início de carreira dá mais importância ao seu apreço.

Não tenha problemas em elogiar alguém na presença de outros colegas. Isto pode fazer subir o moral geral da equipe. Repreender, sim, deve ser feito sempre em privado.

Impor os seus pontos de vista à equipe não o leva a lado nenhum. Por exemplo. Em vez de: "Não quero que tire férias nesta época", diga: "Gostaria que por esse e aquele motivo estivesse presente para reforçar a equipe". Em vez de: "Você não está fazendo isto como deve", diga: "É melhor fazer desta maneira".

Os seus colaboradores querem objetividade. Eles produzirão melhores resultados com um padrão de linguagem claro. Às vezes é preciso refletir um pouco para converter um "contexto não" de seu discurso para um "contexto sim".

O melhor de tudo é fazer regras como estas tornarem-se  um hábito. E assim você será, além de líder, alguém amado e jamais esquecido pelas pessoas com quem trabalhar.
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terça-feira, julho 13, 2010

COMO DESMOTIVAR TODO MUNDO EM RÁPIDAS LIÇÕES

ABRAHAM SHAPIRO

Como desmotivar pessoas? Como liquidar com o entusiasmo de qualquer crente sobre a face da terra? Aplique as regras que darei e tenha certeza de que acabarão com a autoestima até dos mais vibrantes e estimulados indivíduos, a uma  velocidade incrível.

Com os seus funcionários, comece dando respostas vagas e confusas quando lhe perguntarem qualquer coisa. Alegue, mas jamais responda. Ponha-os "fora do ar", e despache-os rapidamente.

Elabore regras desnecessárias e rigorosas. Exija que eles as cumpram.

Não valorize nada do que eles fizerem. Cobre-os muito, e sempre.

Marque reuniões improdutivas, de preferência fora do horário de expediente. Que sejam reuniões longas, contendo cenas de humilhação e todas as formas de torturas psicológicas que você for capaz de proporcionar. Obrigue todos a estarem presentes.

Estimule a competição interna. É melhor que sejam inimigos entre si, pois isto dá a você o controle sobre cada um.

Esqueça-se propositalmente de dar informações importantes.

Faça tudo de última hora. Mesmo eventos importantíssimos, deixe para decidir no prazo limite. E cobre intensamente os responsáveis para que façam tudo com perfeição.

Destrua as perspectivas sociais de cada um. Para que servem os compromissos com a família? Se você é um maníaco obsessivo por trabalho, porque seus empregados têm de viver? Eles só precisam trabalhar. Vida social não dá lucro.

Seja destrutivo em todos os seus feedbacks a eles. Diga apenas coisas negativas sobre o trabalho e o caráter de cada um. Seja prepotente. Faça-os sentir que são  descartáveis e inferiores, afinal, só você sabe. Só você entende de tudo, não é mesmo?

Negue o que eles disserem. Não demonstre interesse algum pelo que dizem. Não lhes dê razão. Acostume-se a propor coisas diferentes do que eles sugerirem. Faça seus colaboradores entenderem que eles não têm talento e não são eficientes. Mostre que são irresponsáveis. Não observe o que têm de bom, pois assim, os que atuam bem ficarão com a permanente sensação de que não nada valem. A economia que você obtém com isso é realmente grande.

Faça promessas e não as cumpra. Prometa o que você não poderá cumprir. E não escreva nada. Na hora H, culpe o sistema, os procedimentos, o RH ... Apenas não cumpra com o que você prometeu.

Durma tranquilo depois disso. Em breve sua equipe estará destruída. Sua empresa talvez não – no curto prazo. Mais tarde, todavia, se ainda restar pedra sobre pedra, o preço para mantê-la em pé terá sido milhares de vezes maior do que seria com um mínimo de consideração e dignidade por aqueles que realmente a constróem.
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segunda-feira, julho 12, 2010

A LIDERANÇA SITUACIONAL

ABRAHAM SHAPIRO

Seu sobrenome em português já não ajudava muito, e até denotava uma de suas características pessoais. Quando me procurou, Antonio Fuzile necessitava de orientações sobre como deixar de ser chefe e tornar-se líder.

Esta missão não era nada simples. E confesso que nos últimos anos tenho vivido experiências dolorosas na área de liderança. Elas me empurram hoje a cobrar hoje dez vezes mais por um coaching de líderança, do que quando comecei. E cobro. Minha experiência cresceu, é claro. É até mais fácil para mim. Mas não é esta a razão. A teimosia de algumas pessoas em quererem continuar agindo de seu modo retrógrado e inflexível é terrível. Elas optam por cuspir e pisar sobre o acervo monumental de dados e informações sobre as atitudes de um verdadeiro líder que a psicologia juntou nas últimas quinze décadas. E o fazem - tamanha arrogância e prepotência que se assentam sobre o trono de seus caráteres.

Fuzile era como um macaco em uma loja de bibelôs – do tipo que derruba a porta e depois pergunta se pode entrar. Seu trato interpessoal era terrível. Adotava a filosofia de jamais dizer aos subordinados o que deviam fazer. Ele era contra treinamentos, por exemplo. Caso os seus funcionários fizessem qualquer pergunta, ele os confundia com questionamentos infindáveis para que, arrependidos em seguida, buscassem suas próprias respostas atônitos e embaraçados. Se ele calculasse o custo desta conduta, na certa a mudaria no momento seguinte, e todos à sua volta seriam mais felizes - incluindo sua família que devia sofrer como violentados de guerra.

A liderança precisa ser situacional, isto é, mudar de estilo de acordo com a pessoa com quem se trabalha e com a situação. Refiro-me a métodos diferentes para pessoas diferentes. Isto é lógico. E funciona. Mas requer flexibilidade, uma bem desenvolvida capacidade de diagnosticar as necessidades das pessoas a quem se supervisiona, e também habilidade para chegar a um acordo a fim de acertar com elas o estilo de liderança que precisam receber. Simples assim. Óbvio assim.

Todo mundo, sem exceção, deseja alcançar o sucesso naquilo que faz. Esta é a premissa sobre a qual se constróem as equipes de sucesso. Se o líder aprender a identificar as fraquezas pessoais do subordinado e lhe der orientação e apoio, o cenário à sua volta será altamente produtivo. Dez em dez vezes que se fizer isso irá funcionar e produzir sucesso. Não se discute.

Atenção é coisa que até um animal merece e precisa. Se as pessoas têm isto, elas dão o melhor de si, sentem-se bem e produzem resultados.
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OS GRANDES TAMBÉM QUEBRAM

Artigo publicado no JL - Jornal de Londrina, em 12/07/2010, na coluna Profissão Atitude.


ABRAHAM SHAPIRO

Era uma vez, uma grande rede de farmácias de uma cidade longínqua, que era forte, poderosa e tinha seu marketing orientado por um eminente e venerado consultor, um verdadeiro gênio do não-vender criativo.

Certo dia, fomos contratados para avaliar o quadro de pessoas e do negócio em si. Após um mês de rigorosa análise, publicamos aos sócios que a mão-de-obra estava sofrivelmente despreparada, a ponto de maltratar propositalmente clientes como reação contra o modelo administrativo adotado. Mostramos que sem mudanças na gestão e na capacitação dos colaboradores, isto seria uma ameaça que se converteria rapidamente em vulnerabilidade à invasão do mercado por empresas mais eficazes.

O tal consultor de marketing, discordando de nossa visão, sugeriu a aquisição de um caríssimo pacote de espaços na televisão regional de propagandas feitas com atores de terceira linha. Resultado? Três anos após, resta uma ou outra lojinha da rede ostentando ridiculamente a antiga e poderosa logomarca! E exatamente nos pontos onde situavam suas maiores lojas, brilham agora as maravilhosas e bem resolvidas centrais de venda do concorrente, faturando horrores! Como se sentirão aqueles ex-empresários?

Grandes corporações podem falir. Com frequência ouvimos falar de uma ou outra. E há as de que nem ouvimos falar.

Não é estranho que isto aconteça a empresas com escritórios cheios de gênios financeiros, diretores catedráticos e gerentes que sabem tudo? Gente esperta, sim, mas que não soube predizer o comportamento do mercado e as consequências de fraquezas que gritavam debaixo do seu nariz!

Irônico, não? Todas elas tinham planejamento estratégico, programas incríveis de RH, marketing de primeira e bons produtos! Por que razão caíram na desgraça?

Algumas expressões respondem à pergunta. Soberba. Sarcasmo. Leviandade. Clientes desprezados. Descumprimento de compromissos. Aumento deliberado de preços. Pouco-caso a representantes.

A crise financeira de 2008 provavelmente já acabou no Brasil. Mas há uma segunda crise por trás daquela. É a crise da competitividade. Esta ainda perdura. Observe, e você verá uma constelação de pequenas empresas conseguindo fortalecer suas marcas no ranking de cada segmento. Elas estão crescendo graças ao atributo agilidade. As grandes são analíticas demais, lentas, maçantes e fiadas na ilusão de perpétua segurança!

Insignificantes de antes aprenderam com a crise lições mais efetivas e práticas que apenas sobreviver. Hoje fazem parcerias fortes, investem em canais de vendas, intensificam relacionamento com clientes e treinam seu pessoal. Estão construindo uma imagem sólida enquanto os grandes se riem.

Calma. Você verá quem ri melhor!

Quanto a você, opte por ser contado entre os melhores. Os maiores estão afundando.
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sexta-feira, julho 09, 2010

CUIDADOS AO APRESENTAR-SE EM PÚBLICO

ABRAHAM SHAPIRO

Apresentar-se em público é uma tarefa que requer, antes de tudo, clareza de pensamento e domínio do assunto para se ter sucesso. Mas hoje em dia há tantos recursos disponíveis para as apresentações, como Power Point, notebook, datashow, vídeos, tela de plasma, sistema de som, que tudo se torna mais fácil, desde que bem empregados.

Se você vai se apresentar diante de uma grande platéia ou apenas a um grupo de pessoas de sua empresa, darei a seguir algumas dicas básicas para realizar uma exposição de sucesso.

Em primeiro lugar, construa uma apresentação visualmente bem equilibrada, com slides bem programados e não carregados. Evite traços e sombras. Use letras claras em fundo escuro ou o contrário – isso ajuda a leitura. Escreva o mínimo possível em cada slide.

Deixe frases longas e explicações para serem ditas - evite escrevê-las. Assim, você não torna sua apresentação uma mera leitura – o que é terrível.

Não abuse de elementos gráficos como cores, animações e desenhos. Harmonize tudo para que fique agradável.

Treine como ligar o notebook e como carregar o arquivo. Acerte o foco do datashow, a imagem em si e regule o som. Perder tempo ajustando um aparelho diante do público é desastroso, por melhor palestrante que você seja.

Durante a apresentação, não mude o slide antes de tocar no assunto a que a ele se refere. Todos irão desviar a atenção daquilo que você está dizendo e isso comprometerá o aproveitamento. A imagem deve ser a confirmação do verbal. Fale antes, e mostre depois.

Tenha sempre um plano B, pois assim, se um recurso falhar, você ainda poderá levar a apresentação adiante.

Fale coisas simples.

Lembre-se que nós pensamos ideias, e não palavras. Portanto, nada de decorar textos para reproduzi-los na palestra. Isto é para atores de teatro. O que você certamente precisa é de pensamento claro. Não hesite em fazer um esquema para olhar durante a apresentação, pois, isso não é pecado algum

Tenha autoconfiança e procure dar o melhor de si. E lembre-se: “Quando há boa vontade em nós, somos aceitos com aquilo que temos”.

E agora, boa sorte.
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quinta-feira, julho 08, 2010

PAÍSES RICOS E PAÍSES POBRES

ABRAHAM SHAPIRO

A diferença entre países pobres e países ricos não é a idade do país. Índia e o Egito existem há mais de dois mil anos e são pobres. Canadá, Austrália e Nova Zelândia há 150 anos eram inexpressivos. Hoje são países ricos.

A diferença entre países pobres e ricos também não está nos recursos naturais. O Japão tem um território 80% montanhoso, inadequado para a agricultura e criação de gado, mas é uma poderosa economia mundial. O país é como uma imensa indústria flutuante. Importa matéria-prima do mundo todo e exporta produtos manufaturados.

Outro exemplo é a Suíça que não planta cacau mas tem o melhor chocolate do mundo. Em seu pequeno território cria animais e cultiva o solo durante apenas quatro meses no ano. Não obstante, fabrica laticínios da melhor qualidade. É um país pequeno que passa imagem de segurança, ordem e trabalho, o que o tranformou na caixa-forte do mundo.

Executivos de países ricos que se relacionam com seus pares de países pobres mostram que não há diferença intelectual significativa. A raça ou a cor da pele também não são importantes. Imigrantes rotulados de preguiçosos em seus países de origem são a força produtiva de países ricos europeus.

Qual é, então, a diferença?

A diferença é a atitude das pessoas, é a educação e a cultura. Ao analisar a conduta das pessoas médias em países ricos e desenvolvidos, constata-se que a maioria segue princípios de vida como: a ética, a integridade, a responsabilidade, o respeito às leis, o respeito pelo direito dos demais, o amor ao trabalho, a poupança e o investimento, o desejo de superação e a pontualidade!

Nos países pobres só uma minoria segue esses princípios básicos em suas vidas.

Não somos pobres porque faltam-nos recursos naturais ou porque a natureza foi cruel conosco. Somos pobres porque não tomamos atitude, falta vontade e garra para cumprir esses princípios de funcionamento das sociedades ricas e desenvolvidas, e comunicá-los aos nossos descendentes. Sem isso, por mais dinheiro que tenhamos, sempre seremos pobres e dependeremos de um título de Copa do Mundo para sermos respeitados e termos dignidade aos olhos dos outros povos.
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quarta-feira, julho 07, 2010

EM BUSCA DE ESCLARECIMENTO E ENTENDIMENTO

ABRAHAM SHAPIRO

Era uma vez um homem que desejava ser sábio, mas não tinha tempo para dedicar-se a isso, pois requer esforço. Sendo inteligente para cálculos e negócios, ele achava que apenas com isso, e sem vivência ou maturidade, chegaria à sabedoria e seria admirado por todos. Procurou um sábio e, após expôr sua intenção, o idoso homem fez-lhe uma pergunta:


- “Se dois homens entram numa casa pela chaminé, um fica todo sujo de fuligem e o outro limpo, qual dos dois irá se lavar?”


O homem respondeu:


- “O que está sujo, é lógico!”


- "Não!", respondeu o sábio. "O limpo irá ver que o outro está sujo, pensará que também está, e irá lavar-se. Já o que estiver sujo, ao ver que o outro não se sujou, presumirá que está limpo."


O homem alegremente exclamou:


- "Ah, o senhor tem razão. Agora creio estar pronto para ser um sábio!"


O mestre balançou a cabeça negativamente e lhe declarou:


- “Não, você não está. Se estivesse, teria observado que não é possível que, entre dois homens que descem por uma chaminé, um sai sujo e o outro limpo”.

Todos nós estamos sujeitos a aceitar informações como fatos definitivos, sem questionamento ou verificação. Fazer perguntas é salutar – especialmente quando feitas com humildade e desejo de esclarecer.

Se uma pessoa responde a uma pergunta diretamente, significa que ela aceitou as premissas pelas quais a pergunta foi elaborada. Exemplo: “Você é homem?” Quem responder “Sim” de imediato provavelmente estará pensando apenas no seu gênero masculino, quando talvez a pessoa que perguntou quisesse abordar aspectos morais e éticos que definem um ser humano. No entanto, se para o mesmo indivíduo esta pessoa perguntasse: "Quando é que você parou de bater na sua esposa?", agora certamente ele faria uma pergunta buscando esclarecimento antes de dar uma resposta!

Perguntar é preciso. Perguntas que busquem luz, que revelem os pensamentos e produzam segurança na troca de informações. Quem faz isto promove a paz de modo mais efetivo do que os pacifistas que potestam contra guerras enquanto vivem conflitos em suas vidas mal resolvidas por falta de diálogo e compreensão.
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terça-feira, julho 06, 2010

A CIÊNCIA DA ARGUMENTAÇÃO

ABRAHAM SHAPIRO

Um argumento é uma prova que serve para afirmar ou negar um fato. É um recurso para convencer alguém, para alterar-lhe a opinião ou o comportamento.

Necessitamos de argumentos a toda hora. O problema é: como utilizá-los? Quem desenvolve habilidade em argumentar, tem maior chance de alcançar sucesso na defesa de seus pontos de vista.

A argumentação é o fundamento do processo de persuasão utilizado, por exemplo, na venda de produtos e serviços, na apresentação de ideias, planos e estratégias no dia a dia do pessoal corporativo. Mas em muitas circunstâncias, exemplos são o melhor argumento. Eles são poderosos, pois nascem da essência da ação. Quando os exemplos são utilizados, eles atuam como provas ou demonstrações irrefutáveis.

Imagine o síndico de um edifício tendo que dizer aos condôminos que não estão participando das reuniões, que nas últimas duas convocações não houve quórum para votar questões importantes. O fato em si seria um forte argumento. Mas talvez, não seja suficiente para levar as pessoas a participarem das próximas reuniões. Para que tomem essa atitude, o processo de pesuasão ideal deveria envolver a conscientização dos moradores a respeito do que estarão perdendo se continuarem ausentes das reuniões. Se os argumentos demonstrarem que seus apartamentos irão desvalorizar, ou que existe risco à segurança de todos caso algumas medidas urgentes não sejam votadas, então os moradores participarão, mesmo não tendo vontade.

Qualquer argumento que se basear em vantagens e benefícios que satisfaçam às necessidades e aspirações das pessoas a quem se dirigem, acabam persuadindo-as satisfatoriamente.

Todo processo de persuasão está além do fato de as pessoas conseguirem ver que determinada informação é correta. Para que tomem uma atitude é preciso que conheçam os benefícios ou prejuízos envolvidos na situação. Uma boa argumentação dará conta disso.
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segunda-feira, julho 05, 2010

UMA AULA DE NÃO-VENDA

Queridos leitores,

Jamais façam uma venda desta forma.

Mas fica a boa dose de Humor De Primera!


Abraço a todos.

Abraham Shapiro

APENAS DOIS TIPOS DE EMPRESA

ABRAHAM SHAPIRO

Existem somente dois tipos de empresas: as que mudam e as que desaparecem. Muitas continuam não reconhecendo que a estratégia vencedora do passado pode ser perdedora no presente. Dirigentes de sucesso sabem que é mudar ou morrer.

O ritmo de mudança atual é tão veloz, que a capacidade de mudar tornou-se o modo de funcionar básico. É um mundo novo nos negócios. Nele, o marketing tem um papel preponderante para identificar, avaliar e selecionar as oportunidades de mercado. O marketing cria estratégias que garantam a liderança e a força da marca. Daí, ser impossível entender como uma área tão importante como o marketing estar confinada a um único departamento!

Infelizmente, tais visões - perfeitamente condizentes com o tempo em que estamos - continuam a ser alvos de interpretações erradas. Há quem ainda pense, que vendas e marketing são termos equivalentes, quando o marketing é uma disciplina mais ampla. Peter Drucker, dizia que “o objetivo do marketing é o de tornar o esforço da venda supérfluo”. Sua função é descobrir necessidades não satisfeitas e propor soluções satisfatórias para que a venda ocorra através do mínimo esforço dos vendedores.

Pense, por exemplo, nos produtos Nestlé. Compare-os com qualquer outro concorrente. Qual das duas marcas despertará o mais elevado nível de confiança no consumidor? Qual delas vende sem grande esforço de persuasão do vendedor sobre o comprador do mercado para que tenha o produto em sua gôndola. Mas a questão investigativa é: por quê é assim com a Nestlé? Várias razões. As mais óbvias: a garantia de alta qualidade propagada pela Nestlé, o fato dos consumidores terem constatado essa qualidade na prática, etc, etc. Porém, é também resultado de uma estratégia, que ao longo de décadas vem sendo praticada e comunicada da forma correta.

É amplo demais, concordo. E envolve milhões e milhões de dólares. Porém, é muito simples em sua essência. Não tem a complicação que tantas agências de propaganda de fundo de quintal e marketeiros vendedores de propaganda em televisão tentam impor a seus clientes para aumentar o preço de seus trabalhos.

Mudar é uma atitude, uma decisão. Tem muito mais de bom senso do que de tendências da moda corporativa, conselhos de gurus ou delírios de um diretor após a leitura de um livro recém lançado. A urgência em mudar, aliás, é uma necessidade, hoje, imutável.
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VOCÊ ANDA NUM CARRO DESSES?

Artigo publicado no JL - Jornal de Londrina, em 05/07/2010, na coluna Profissão Atitude.

ABRAHAM SHAPIRO

Meu carro é um modelo popular, motor 1.6, com ar condicionado, aquecedor, desembaçador, vidro elétrico, direção hidráulica e um excelente som – não viajo sem música. Está com dez mil quilômetros. É um bom carro. Atende-me perfeitamente bem nos percursos que faço a clientes nas regiões de Londrina e Maringá. Fora daí, vou de avião. Chegando lá, alugo um carro ou pego um táxi.

Outro dia eu estava em uma concessionária de uma marca diferente à do meu carro. O gerente de vendas aproximou-se e me perguntou: “Você tem um carro da marca X?”. Eu respondi: “É o símbolo que vejo na chave”. Ele quis saber o modelo. Quando revelei e ele constatou tratar-se de um carro popular, seu espanto foi tamanho, que não se contendo, exclamou: “Você anda num carro desses?”

Não me surpreendi tanto com a reação invasiva e mal educada. De certa forma eu previa. Trata-se de um vendedor em fim de carreira, que nunca conheceu o sucesso, derrotado no trabalho e na família, e que faz qualquer coisa para vender – incluindo magoar clientes potenciais.

Eu, particularmente acho interessante deparar-me com gente cujas convicções são desviadas, como é o caso deste pobre homem, que pensa e age em conformidade à crença de que um carro reflete o que a pessoa é. Rio, primeiro. Depois choro. Não têm discernimento para perceber quanto são vítimas de propagandas perniciosas, que transformaram marcas e modelos de coisas – carro, relógio, apartamento, e um sem número de objetos – em meios para preencher o imenso vazio na autoestima e no autovalor que perdura em seus corações. Gente que efetivamente trocou o ser, por ter.

Um desses infelizes, outro dia, precisando assinar um documento, sacou pomposamente do bolso uma caneta de trezentos dólares, e ela não funcionou. Desconcertado, guardou-a no bolso e pediu uma esferográfica com que cumpriu a obrigação. Triste foi constatar que nem ele e nem ninguém à sua volta abstraíram a lição por trás do fato. E é simples. “Mais que a caneta é a carga; é com ela que se escreve”.

Uma trágica história. Um homem nada tinha. Quarenta anos se passaram e ele construiu um negócio de duzentos milhões de reais ao ano. Vieram os filhos e o alijaram dalí. Fizeram dele seu inimigo. De que valeu toda energia gasta? Patrimônio? Que sentido teve a vida para ele? O que, de fato, conseguiu? Amor, não. Sabedoria, não. Respeito, não. E a saúde declina. Amanhã, ele terá apenas o menear da cabeça das pessoas que dirão a seu respeito: “Coitado! Nem os filhos o honraram”.

Ter dinheiro e ter fome é uma combinação que dá certo. Dramático e triste é ter uma conta bancária gorda, e não ter apetite. Isto é miséria. Isto é pobreza.
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domingo, julho 04, 2010

O QUE UM COACH PODE FAZER POR VOCÊ?

O QUE UM COACH PODE FAZER POR VOCÊ?
Diane Coutu e Carol Kauffman

RESUMO

O dirigente empresarial moderno busca cada vez mais a ajuda de um coach para saber como agir em um mundo exigente e volátil. Em um país como os Estados Unidos, um conselheiro desses pode ganhar até US$ 3.500 por hora. Para entender o que um coach faz para merecer tal recompensa, a HBR ouviu a opinião de 140 expoentes da área e convidou cinco especialistas para comentar as conclusões da sondagem.

Tanto comentaristas como coaches dis­seram que as razões para a contratação de um coach mudaram. Dez anos atrás, a maioria das empresas queria ajuda pa­ra alterar o comportamento nocivo de algum líder. Hoje, a maioria dos coaches vai desenvolver a capacitação de gente de alto potencial ou atuar como caixa de ressonância. Com essa missão mais ampla, há muito mais dubiedade em torno de questões como a definição do escopo da relação de coaching, a mensuração e o informe do progresso do coaching e critérios que uma empresa deveria usar para selecionar um coach.

Empresas e executivos ganham de verdade com um coach? Quando pedimos a profissionais da área que explicassem o saudável crescimento da atividade, a resposta foi que a clientela segue prestigiando a classe porque o “coaching funciona”. A pesquisa sugere, no entanto, que há muito conflito de interesses na área, que não está claro o que é território do coaching e o que seria da alçada de profissionais da saúde mental e que mecanismos para monitorar a eficácia dessa intervenção ainda são rudimentares.

A conclusão? O coaching segue ganhando legitimidade como ferramenta de gestão, mas os fundamentos do setor ainda estão em fluxo. Nesse mercado, como em tantos outros nos dias atuais, um velho alerta segue valendo: todo cuidado é pouco!



NA ÍNTEGRA

A arena do coaching é cheia de contradições. Os próprios profissionais discordam sobre seu papel, sobre a melhor metodologia, sobre como medir o sucesso. Veja o que é preciso saber.

Na França do século 17, o cardeal Richelieu buscava a toda hora o conselho do frei José — François Leclerc du Tremblay, que entrou para a história como a “eminência parda” do reino pela cor de seu hábito. Assim como o famoso estadista francês, o líder na empresa moderna também tem sua eminência parda. Só que esse novo conselheiro não é um monge, nem fez voto de pobreza. Costuma ser chamado de “coach de executivos” e em um país como os Estados Unidos pode ganhar até US$ 3.500 por hora.

Para entender o que um coach faz para merecer tal recompensa, a HBR ouviu a opinião de 140 expoentes da área e convidou cinco especialistas para comentar as conclusões. Como verá o leitor, esses comentaristas tinham opiniões conflitantes sobre o rumo que a atividade vem tomando — e deveria tomar —, reflexo das contradições expostas pelos profissionais sondados. Tanto comentaristas quanto coaches acham que, para o setor amadurecer, é preciso elevar os critérios em várias áreas, mas não houve consenso sobre como efetuar tal mudança. Em algo, todos concordavam: as razões para a contratação de um coach mudaram. Dez anos atrás, a maioria das empresas queria ajuda para alterar o comportamento nocivo de algum líder. Hoje, o grosso do coaching serve para desenvolver a capacitação de gente de alto potencial. Com essa missão mais ampla, há muito mais dubiedade em torno de questões como a definição do escopo da relação, a mensuração e o informe do progresso do coaching e critérios que uma empresa deveria usar para selecionar um coach.

Empresas e executivos ganham de verdade com um coach? Quando pedimos a profissionais da área que explicassem o saudável crescimento da atividade, a resposta foi que a clientela segue prestigiando a classe porque o “coaching funciona”. A pesquisa sugere, no entanto, que há muito conflito de interesses na área, que não está claro o que é território do coaching e o que seria da alçada de profissionais da saúde mental e que mecanismos para monitorar a eficácia dessa intervenção ainda são rudimentares.

A conclusão? O coaching segue ganhando legitimidade como ferramenta de gestão, mas os fundamentos do setor ainda estão em fluxo. Nesse mercado, como em tantos outros nos dias atuais, um velho alerta segue valendo: todo cuidado é pouco!

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Diane Coutu (dcoutu@harvardbusiness.org) é editora sênior da Harvard Business Review. Carol Kauffman (carol_kauffman@hms.harvard.edu) é coach de executivos, psicóloga e professora assistente clínica da Harvard Medical School, em Boston.



O QUE DIZEM OS COACHES




O QUE DIZEM OS ESPECIALISTAS

Coaching: uma obra em curso

Ram Charan


Não há dúvida de que futuros líderes precisarão de constante orientação. Com o ambiente empresarial ficando mais complexo, vão buscar cada vez mais a ajuda de um coach para saber como agir. O tipo de coach a que me refiro fará mais do que influenciar o comportamento; será parte essencial do processo de aprendizagem do líder — aplicando seu conhecimento, sua opinião e seu julgamento em áreas críticas. Esse coach será um presidente aposentado ou um especialista do mundo acadêmico, de centros de estudo ou do poder público.
Essa, nitidamente, não é uma descrição daquilo que a maioria dos coaches hoje faz, como mostram os resultados da pesquisa. O que entendemos por coaching é, em geral, um serviço voltado a gerentes de nível médio prestado por gente com experiência em consultoria, psicologia ou recursos humanos. Esse tipo de coaching se popularizou nos últimos cinco anos devido à escassez de talentos vivida por empresas e à preocupação com a perda de funcionários vitais. Como prova do compromisso de cultivar seus executivos de alto potencial, a empresa contratou coaches. Além disso, esse pessoal precisava desenvolver não só o lado quantitativo, mas a capacidade de lidar bem com gente — e, nisso, muitos coaches são úteis. Com a disseminação do coaching, o indivíduo que recebe essa orientação deixou de ser estigmatizado. Hoje, ter um coach é uma honraria.
A indústria do coaching seguirá fragmentada até que um punhado de firmas conquiste nome, reúna gente estelar, elimine quem não é lá essas coisas e fique conhecida por um trabalho de destaque. Já há grupos de coaching evoluindo nessa direção, mas em geral são firmas de elite especializadas em administrar e interpretar avaliações de 360 graus, por exemplo. Para ir além disso, o setor precisa de um líder que defina a profissão e crie uma firma séria — assim como Marvin Bower fez ao abrir a McKinsey & Company e inventar, no processo, a moderna consultoria administrativa.
Um grande problema a ser resolvido pela firma de coaching profissional do futuro é a dificuldade de medir resultados, apontada pelos próprios coaches. Não sei de nenhum estudo que tenha monitorado, por longos períodos, executivos que passaram por coaching; o grosso da evidência no quesito eficácia ainda vem de relatos informais. Minha impressão é que casos positivos superam os negativos — mas, com o setor amadurecendo, firmas de coaching terão de demonstrar como produzem a mudança, além de oferecer uma metodologia clara para medir resultados.
Apesar da recessão, concordo com a maioria dos entrevistados: a demanda de coaching não vai cair no longo prazo. Nas grandes economias em desenvolvimento — Brasil, China, Índia e Rússia — haverá um imenso apetite pela atividade, pois nelas a classe administradora é muito jovem. Com 23 anos a pessoa sai da universidade e já entra em uma empresa — onde descobre que o chefe tem 25 anos e experiência condizente com a idade.
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Ram Charan já orientou presidentes e altos executivos das maiores empresas americanas. É autor de 14 livros, entre eles O Líder Criador de Líderes (Campus, 2008) e, o mais recente, Leadership in an Era of Economic Uncertainty (McGraw-Hill, 2009).




Seu coach vale o quanto ganha?


David B. Peterson


Quarenta anos atrás, ninguém falava de coaching executivo. Vinte anos atrás, essa orientação era voltada basicamente a executivos de talento, mas irascíveis — gente que provavelmente seria demitida se não mudasse. Hoje, é uma solução popular e potente para garantir o alto desempenho dos talentos mais críticos da casa. Quase metade dos coaches ouvidos na sondagem disse ser contratada basicamente para trabalhar com executivos no lado positivo do coaching: desenvolver quem tem alto potencial e facilitar a transição para uma empresa nova ou cargo mais elevado. Outros 26% disseram que, em geral, são chamados para agir como caixa de ressonância em temas ligados à dinâmica organizacional e à estratégia. Um número relativamente pequeno disse ser normalmente contratado para lidar com o descontrole no comportamento.

A sondagem revelou ainda um dado importante sobre aquilo que a empresa pede que o coach faça e o que este acaba fazendo. Peguemos a questão do equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. É rara a empresa que contrata um coach para abordar problemas sem vínculo com o trabalho (somente 3% dos coaches disseram ter sido contratados basicamente com essa finalidade), mas mais de 75% dos coaches afirmaram ter entrado no terreno pessoal a certa altura. Isso reflete, em parte, a vasta experiência dos coaches sondados (somente 10% tinham cinco anos ou menos de experiência). Sublinha, ainda, o fato de que a maioria dos executivos não consegue separar totalmente trabalho e vida pessoal. É o caso, particularmente, de altos executivos que passam um tempo espantoso no trabalho e estão sempre viajando, longe de casa. Muitos sentem o impacto na vida pessoal. É natural, portanto, que quanto maior a capacidade do coach de ajudar o líder a melhorar a situação no plano pessoal, maior e mais duradouro possa ser o impacto do coaching no trabalho.
O problema é quando a organização pede uma coisa e recebe outra. Muitas vezes, a empresa não tem idéia daquilo que o coach está realmente fazendo.

Um motivo seria a falta de empenho dos coaches em avaliar o impacto da intervenção e comunicar os resultados a executivos e outras partes interessadas. Embora 70% dos coaches sondados tenham dito que fazem uma avaliação qualitativa do progresso, menos de um terço dá feedback na forma de dados quantitativos sobre a conduta do orientado — e menos de um quarto fornece qualquer espécie de dado quantitativo sobre os resultados do coaching para a empresa. E esse cenário talvez já seja otimista, pois os dados partiram dos próprios coaches.
Embora possa ser difícil traçar um elo explícito entre o coaching e o desempenho de um executivo, certamente não é complicado obter informações básicas sobre melhoras no comportamento gerencial do executivo. O coaching é uma intervenção cara e demorada, e a organização que contrata um coach deve fazer questão de receber relatórios regulares e formais do progresso registrado, ainda que sejam apenas qualitativos. A julgar pela sondagem, a empresa só terá essa informação se pedir.
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David B. Peterson (david.peterson@personneldecisions.com) é vice-presidente sênior da Personnel Decisions International, nos EUA, e chefe do departamento de coaching executivo da consultoria.



O perigo de depender de coaches


Michael Maccoby


Todo coach entende que seu papel é tornar o orientado mais competente e auto-suficiente. Se não for isso que a relação de coaching estiver fazendo, é bem provável que a pessoa esteja ficando dependente demais. É claro que dependência nem sempre é ruim — um amigo contar com o outro, por exemplo, é algo bom. Mas todo mundo conhece gente incapaz de tomar uma decisão sem falar primeiro com o psiquiatra — e certos executivos fazem o mesmo com o coach. Travam, com esse orientador, conversas que deveriam estar tendo com outros executivos da diretoria ou com a equipe.

Os resultados da pesquisa mostram que mais de metade dos sondados acha que seus clientes não se tornam dependentes demais. A meu ver, não é um dado realista. O coach tem incentivos econômicos para ignorar o problema da dependência, criando um potencial conflito de interesses. É natural que queira expandir suas atividades — mas os melhores coaches, assim como os melhores analistas, põem o interesse do cliente em primeiro lugar. Harry Levinson, pai do coaching, trabalhou com os grandes executivos de sua época. E disse que alguém que ignorasse a dinâmica da dependência não tinha direito de ser coach. Para o leitor, o que isso significa é que antes de contratar um coach é preciso saber como ele lida com a dependência na relação.

Um resultado correlato da pesquisa merece especial atenção: embora quase 90% dos sondados tenham dito que estabelecem prazos antes de iniciar uma intervenção, à exceção de oito todos disseram que o foco da missão mudava em relação ao originalmente estabelecido. Embora a pesquisa não traga dados sobre a mecânica por trás dessa mudança, em meus 35 anos de experiência no campo observei que, em geral, isso decorre da extensão do trabalho do coach com o executivo. Um coach — que é basicamente um consultor — contratado para ajudá-lo com a estratégia, por exemplo, pode se oferecer para seguir a seu lado e auxiliar na implementação. Ou, se contratado para ajudá-lo a trabalhar melhor em equipe, pode sugerir que você precisa de orientação adicional para administrar os superiores ou trabalhar com subordinados difíceis mas criativos. Tudo isso consome mais tempo — e dinheiro. Ampliar um contrato não é necessariamente antiético. Saiba, porém, que seu coach pode estar pedindo mais do que você deseja ou realmente precisa.

Há, contudo, dois tipos específicos de mudança de foco que são perigosos e devem ser evitados. Um é quando o coach behaviorista (meu termo para alguém que monitora seu comportamento) atrai a pessoa para uma espécie de psicoterapia sem deixar isso explícito. Pode dizer, por exemplo, que você agora está pronto para explorar questões mais profundas que o impedem de atingir seu pleno potencial. O outro é quando um coach pessoal vira um conselheiro nos negócios. Nesse caso, o coach passa a ser uma espécie de parceiro de conversação — alguém com quem testar idéias estratégicas. Pode ser algo tão perigoso quanto, pois é raro o coach com profundo conhecimento sobre seus negócios.

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Michael Maccoby é presidente da consultoria americana de liderança Maccoby Group e autor de Narcissistic Leaders: Who Succeeds and Who Fails (Harvard Business School Press, 2007).





Como escolher um coach?


P. Anne Scoular


Há duas regras básicas para a contratação de um coach. Primeiro, o executivo deve estar pronto para ser orientado e disposto a tal. Segundo, o executivo deve escolher com quem vai trabalhar, independentemente de quem iniciou a intervenção na organização. É algo confirmado de forma inequívoca pela pesquisa: disposição e “química” foram, de longe, os ingredientes mais citados para uma relação de coaching bem-sucedida. Fora isso, os entrevistados tinham opiniões fortes, e às vezes divergentes, sobre o que mais pesa na hora de contratar um coach.

Os coaches entrevistados em geral concordaram que a empresa deve procurar alguém que já orientou gente em situação similar (ainda que não tenha, necessariamente, trabalhado nesse ambiente). É preciso levar em conta, ainda, se o coach tem uma metodologia clara. Segundo os resultados da sondagem, nem todo coach adota o mesmo método. Alguns começam com um feedback de 360 graus, por exemplo, enquanto outros preferem um feedback psicológico e entrevistas detalhadas. Da perspectiva da organização, a metodologia é uma boa maneira de peneirar os candidatos. Se um coach não souber dizer exatamente que metodologia usa — o que faz e que resultados esperar —, risque seu nome da lista. Um coach de executivos dos bons deixa bem claro o que não faz e que resultados é capaz de produzir. Um bom coach lhe dirá de cara, por exemplo, se está disposto ou não a agir como caixa de ressonância em questões estratégicas.

Na questão da importância da certificação, é significante ver que as opiniões ficaram igualmente divididas. Embora vários coaches tenham dito que a arena é repleta de charlatões, muitos não acreditam que a certificação seja, por si só, confiável. Parte do problema é a variedade de certificados: só no Reino Unido cerca de 50 organizações certificam coaches; é de entender que o cliente não consiga saber quais são dignas de credibilidade. Hoje, o setor se distancia da autocertificação por firmas de treinamento em favor do credenciamento por órgãos internacionais fidedignos — que submeteriam o profissional a uma avaliação rigorosa e credenciariam apenas quem cumprisse rígidos critérios.

Qual deve ser o foco desse credenciamento? Um dos dados mais inesperados da pesquisa é que os coaches (inclusive alguns dos psicólogos entrevistados) não atribuem alto valor à formação como psicólogo; em uma lista de possíveis credenciais, foi a segunda menos votada. É uma surpresa; algumas das organizações com as quais já trabalhei só contratam coaches que sejam psicólogos. A explicação talvez seja que a maioria dos entrevistados vê pouca relação entre o treinamento formal em psicologia e o insight empresarial — o que, em minha experiência na formação de coaches, é o fator mais importante para o sucesso do coaching.

Embora experiência e metodologias claras sejam importantes, a melhor credencial é um cliente satisfeito. Nada menos que 50% dos coaches ouvidos indicaram que são escolhidos com base em recomendações pessoais. Logo, antes de firmar um contrato com um coach, certifique-se de falar com um punhado de gente que já foi orientada pelo indivíduo.
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P. Anne Scoular (annescoular@meylercampbell.com) é diretora-gerente da Meyler Campbell, firma de treinamento para coaches de executivos. É, também, professora de coaching na London Business School, Inglaterra.




Coach ou analista?


Anthony M. Grant


Coaching e terapia são radicalmente distintos. É isso o que acha a maioria dos coaches da pesquisa, que citam diferenças como o foco do coaching no futuro e o da psicoterapia no passado. A maioria dos sondados afirmou que clientes em empresas em geral são mentalmente “sadios”, enquanto pacientes na terapia sofrem de problemas psicológicos. Na opinião dos entrevistados, a meta do coaching não é tratar problemas psicológicos como depressão ou ansiedade.

É verdade que o objetivo do coaching não é, nem deveria ser, curar males psíquicos. Só que a tese de que candidatos a coaching normalmente exibem saúde mental perfeita contraria diretamente a pesquisa acadêmica. Estudos feitos pela University of Sydney, por exemplo, revelam que entre 25% e 50% daqueles que buscam coaching possuem níveis clinicamente relevantes de ansiedade, estresse ou depressão.

Não estou sugerindo que a maioria dos executivos que busca um coach tenha algum distúrbio mental. Mas alguns podem ter, e orientar alguém com um problema psíquico encoberto pode ser contraproducente e até perigoso. A vasta maioria dos executivos dificilmente pedirá tratamento ou terapia — e talvez nem saiba que sofre de um problema que exigiria intervenção. É preocupante, pois, ao contrário do que muitos acham, nem sempre é fácil reconhecer a depressão ou a ansiedade sem o preparo certo. É bem maior a chance de que um executivo se queixe de dificuldades ligadas à gestão do tempo, à comunicação interpessoal ou ao desinteresse pelo trabalho do que de ansiedade. Isso levanta questões importantes para a empresa que contrata um coach — se seria ético, por exemplo, colocar um coach sem formação psicológica para trabalhar com um executivo que sofre de ansiedade.

Já que certos executivos terão problemas psíquicos, a empresa deve exigir que o coach tenha algum preparo em questões ligadas à saúde mental — que saiba, por exemplo, quando sugerir ao cliente a ajuda de um terapeuta profissional. A empresa que não exige esse preparo dos coaches que contrata está deixando de cumprir o dever ético de zelar pela saúde de seus executivos.

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Anthony M. Grant (anthonyg@psych.usyd.edu.au) é fundador e diretor do departamento de psicologia do coaching na University of Sydney, na Austrália.

O PODER DA INTUIÇÃO

Descubra como aquele palpite pode ser útil na hora de tomar uma decisão na vida. Aprenda a utilizar a intuição a seu favor — você vai se surpreender

Rafael Tonon 

Pensamos, logo existimos. Desculpe- me, leitor, começar este texto assim, com um clichê já tão propagado da filosofia – e com a licença de ainda colocá-lo no plural, vá lá... Mas é difícil encontrar um argumento mais certeiro para definir a existência humana que nossa capacidade de pensar, não é mesmo? A verdade, entretanto, é que algo parece errado nesse raciocínio tão lógico. Errado, não. Talvez incompleto. Afinal, nós só nos tornamos efetivamente humanos na medida em que conseguimos combinar nossos pensamentos – e aí, vale incluir o que pensamos sobre os outros e o mundo ao nosso redor – com outras formas de conhecimento de que dispomos, como nossos sentimentos, nossas sensações e nossas intuições para percebermos o mundo que nos rodeia.

Às vezes, mesmo quando a razão tenta nos demover de uma ideia que parece logicamente infundada, nós vamos lá, damos a cara a bater. Teimamos e, vez por outra, ainda provamos que nossa própria razão estava redondamente enganada. Afinal, nossa consciência de mundo não dá conta de ser tão racional assim – ou de buscar racionalidade em tudo. Por isso, somos capazes de perceber muitas coisas sem que elas passem pelo crivo da razão. Os sentimentos estão aí para comprovar. Quem nunca se apaixonou a ponto de perder as estribeiras da lógica?

Outra forma de conhecimento não respaldada pela razão está na intuição, que vem do latim intueri e significa considerar, ver anteriormente. Sabe quando você tem a certeza de alguma coisa, mas não sabe explicar por que ou de onde ela veio? Pois então, isso é uma manifestação dessa nossa intuição, uma capacidade de conhecimento que eu e você temos, mas que nem sempre valorizamos, é verdade. Porém, está na hora de reavaliarmos nossa forma de tomarmos consciência sobre as coisas: os pressentimentos podem nos levar a tomar decisões melhores que as deliberações racionais. Para compreender, não basta pensar. É preciso sentir e, principalmente, intuir.

A razão tem razão?
Não é difícil entender por que muita gente ainda torce o nariz para a intuição. Hoje o modelo de conhecimento que temos no mundo moderno ocidental ainda é muito embasado pelo pensamento racional e lógico. “É algo que herdamos dos gregos há mais de 2 mil anos”, afirma o psicoterapeuta e filósofo Ari Rehfeld. Uma frase do tipo “eu acredito que seja assim por pura intuição” dificilmente vai convencer um amigo ou um chefe. Por sabermos disso, tratamos de sabotar internamente nossos sinais particulares, não dando a devida atenção a eles. O pior é que desperdiçamos, assim, uma poderosa ferramenta para tomarmos decisões muito melhores.

A intuição é uma aptidão que todos nós temos, mas que precisa ser desenvolvida – assim como a própria capacidade de pensar. É aquela percepção ou decisão que aparentemente não tem uma explicação lógica e que até contraria o senso comum, mas que no fim das contas faz todo o sentido. Ela funciona como um guia interno, que se manifesta através de um conhecimento não-linear. “Por isso a intuição aparece através de sensações inexplicáveis, insights, sonhos, ou de uma voz interna que parece dizer ‘sim, isso está certo’ ou ‘isso não vai funcionar’”, diz a psiquiatra americana Judith Orloff, autora do livro Second Sight (“Outro olhar”, numa tradução livre, ainda sem edição no Brasil). É difícil explicar a intuição porque ela é como um lampejo, uma resposta imediata que nossos neurônios constroem diante uma situação. “Um pressentimento sempre nos inquieta porque não sabemos de onde ele surgiu, ele não vem a partir de um raciocínio consciente, mas de um lugar desconhecido da nossa mente”, escreve Judith.

A lógica e os modos conscientes de pensamento monopolizaram nossa forma de compreender o mundo. Mas, no entanto, a lógica é apenas umas das muitas ferramentas úteis de que a mente pode se valer. “Até porque há informações e percepções que vão direto para o inconsciente, sem passar pelo filtro do nosso consciente”, complementa Rehfeld. Filósofos como Platão já valorizaram a intuição como um ponto de partida para suas ideias. As sacadas surgiam intuitivamente e, depois, eles tratavam de colocá-las à prova sob a luz do racionalismo. “Mas hoje vivemos num mundo em que não temos tempo de parar e intuir. Estamos condenados ao ritmo do pensamento racional”, diz o psicoterapeuta.

Menos é mais
Em plena era da informação, sofremos mesmo do mal do “pensar demais”. Tanto que, de muito raciocinar, sobrecarregamos toda a capacidade de atenção do cérebro, comprometendo a saúde da mente. Como resultado, acabamos entregues à depressão e à ansiedade. Pensar demais e saber demais podem se transformar em um problema. Durante uma viagem à Itália, a musicista Abbie Conant foi convidada a fazer um teste para a Filarmônica de Munique. Os 33 candidatos tiveram que tocar atrás de uma tela, que os tornava invisíveis ao comitê de seleção. Conant se concentrou para fazer uma apresentação perfeita, mas errou uma nota. Ela pensou que seria desclassificada. Mas todos do comitê estavam estarrecidos com o que tinham ouvido. O diretor da Filarmônica ficou tão excitado que despachou de volta os candidatos que ainda não tinham se apresentado.

Mas, quando chamaram Conant, ficaram surpresos – e decepcionados – por ela ser mulher. Mulher e trombone não combinavam para o diretor da Filarmônica. E, apesar de ter vencido todas as rodadas de audições, ela entrou para a orquestra contra a vontade do diretor que, um ano depois, a rebaixou para segundo trombone. Conant ficou tão indignada que levou o caso para os tribunais. Como provas, fez uma batelada de exames: soprou em máquinas especiais e teve até seu sangue examinado para comprovar sua capacidade de absorção de oxigênio. Todos os resultados foram acima da média. Só depois de oito anos, por determinação da justiça, é que ela foi reintegrada à posição de primeiro trombone.

A história é contada no livro Blink – A Decisão num Piscar de Olhos, do jornalista americano Malcolm Gladwell, e mostra que, se tivessem levado em consideração apenas a primeira impressão da audição de Conant, os membros da Filarmônica teriam uma grande artista como primeiro trombone desde o começo. “Mas, por acharem que ela poderia ser frágil para um instrumento tão masculino, resolveram dar crédito ao pensamento racional, que indica que as mulheres são menos aptas a instrumentos que exigem maior fôlego, e não ao que tinham ouvido”, escreve o jornalista. Isso também acontece com muitos de nós. O ato de pensar objetivamente nas razões pode levar a decisões que nos deixam menos satisfeitos. Analisar todos os lados da questão pode não ser uma boa tática.

A mente intuitiva
A questão é que nem que nos esforcemos muito podemos tomar todas as decisões da nossa vida sob o crivo da razão. Nossa mente trabalha melhor relegando ao inconsciente uma boa parcela do pensamento racional – ela não daria conta de tudo, se não usasse esse artifício. Por causa disso, a própria evolução dotou nossa mente da capacidade de reagir antes mesmo de pensar quando estamos diante de uma situação de risco – a intuição é, portanto, uma aptidão evolutiva. “O instinto que nos faz hoje optar por algo que conhecemos equivale ao instinto de sobrevivência no mundo selvagem. Podemos escolher uma refeição com ovos verdes, mas você não escolheria uma opção menos exótica, se pudesse?”, questiona o professor de Psicologia da Universidade de Chicago, Gerd Gigerenzer, no livro O Poder da Intuição. “Quando optamos por alimentos que conhecemos, obtemos as calorias necessárias sem perder tempo de arriscar a sorte para saber se a refeição exótica é tóxica.”

Antes mesmo que você considere o ovo colorido, sua mente já mandou um recado que é melhor comer o velho ovo com clara branca e gema amarela. A intuição permite à nossa mente colocar alguns comportamentos e decisões em piloto automático. “Pensar toda vez em como se anda de bicicleta ou como se deve sorrir nem sempre é melhor do que fazer ambas as coisas de forma automática. As partes inconscientes da mente são capazes de decidir sem que nós – ou o eu consciente – conheçamos as razões”, afirma Gigerenzer.

Somos capazes de fazer uma viagem inteira dirigindo por uma estrada com buracos e condições adversas sem sequer racionalizar uma parte do trajeto sequer. Mas isso só foi possível depois de a mente ter adquirido conhecimento suficiente para poder relegar ao inconsciente a tarefa de conduzir a direção. O mesmo ocorre com nossa intuição. Afinal, nós só temos intuições a partir de experiências, de informações e do conhecimento que obtivemos, voluntariamente ou não. “Na verdade, a natureza dá ao ser humano um potencial, e a prática ao longo do tempo se transforma numa capacidade.” A mente intuitiva se adapta e age com economia valendo-se do inconsciente, das aptidões evolutivas e dos métodos empíricos que desenvolvemos no decorrer da nossa vida. Eles consistem em procurarmos nos ater à informação mais relevante e ignorar o resto. Na maior parte das vezes, os pressentimentos se baseiam num volume surpreendentemente pequeno de informações.

Como no caso de uma proposta de emprego em que o salário é ótimo, mas, segundo aquela sua amiga, o chefe do departamento é um grosso e o clima organizacional, bastante tumultuado. Empiricamente, a única informação que você pode comprovar é que o salário oferecido é o triplo do que você ganha. A relação pessoal da sua amiga com o chefe e a equipe pode ser relativa – ou um problema só dela. Vai de você confiar na informação de que dispõe ou levar em consideração tudo o que ouviu. Por isso, a intuição tem a ver com palpites, com os riscos que corremos e que só a vivência e a experiência vão nos mostrar se acertamos ou não.

Atenção aos sinais
As pessoas que resolvem seguir sua intuição e se dão bem passam a dar mais valor aos avisos e sinais que o inconsciente lhes dá. A cantora Tiê sempre foi de dar ouvidos aos seus pressentimentos. “Se eu cismo com uma coisa que acho que pode não ser legal, não faço. E é muito difícil alguém me convencer do contrário”, diz. Ela já se negou a participar de shows simplesmente por achar que não valeriam a pena – ao mesmo tempo que aceitou fazer outros em lugares aparentemente nem tão legais mas que sua intuição dizia ser a melhor escolha. “E é engraçado que meus palpites sempre se comprovam.” Tiê também usa sua intuição na hora de criar e compor. Dá mais valor às ideias que surgem espontaneamente e dificilmente fica pensando e alterando notas e palavras depois. “Dos cinco sentidos, acho que o olfato é o que eu tenho mais apurado, por isso costumo brincar que a intuição é o olfato da mente, porque nos permite farejar de longe as coisas. Dificilmente a gente se engana com um cheiro, né?”

Intuir, na verdade, significa utilizar um outro sentido de que dispomos além da visão, da audição, do olfato, do paladar e do tato. É mesmo como um “sexto sentido” colocado à nossa disposição e que nos ajuda a melhorar nossa relação com o mundo e facilitar nossa vida. E da mesma forma que, quanto mais nós ouvimos, melhor reconhecemos um ruído, quanto mais usamos a intuição, melhor conseguimos aproveitar os pressentimentos. A intuição melhora com a experiência sem que a gente se dê conta. Um ótimo executivo é capaz de prever se um produto vai ter sucesso de mercado mesmo que as pesquisas que sua empresa encomendou indiquem que não – e que não consiga explicar logicamente seus argumentos. Isso porque, em anos de carreira, teve experiências suficientes para conhecer o mercado e armazenar registros inconscientes. Claro que não significa que ele tenha poderes sobrenaturais, mas que aprendeu a perceber os sinais que sua mente dá mesmo quando as coisas não pareçam ter lá muita lógica.

Isso só é possível através do conhecimento que temos – do mundo que nos cerca e de nós mesmos. É o autoconhecimento, aliás, que nos permite reconhecer os pressentimentos que a nossa mente tem. Porque é fácil confundir intuição com desejo e com medo. Se estamos em um relacionamento que nos faz mal, por exemplo, é fácil intuir que precisamos buscar uma nova forma de ser feliz. Mas isso diz respeito a um desejo interno, que nem sempre é tão claro e que, por causa disso, pode ser erroneamente interpretado como intuição. “Uma pessoa que tem a sensação estranha de que seu avião pode cair precisa ponderar se não se trata de um medo que ela mesma tem de voar. Porque a mente de um fóbico tende a projetar todos os riscos relacionados a um medo”, diz a psicóloga Virgínia Marchini, diretora do Centro de Desenvolvimento do Potencial Intuitivo, em São Paulo.

Se estivermos realmente atentos aos sinais do inconsciente, defende Virgínia, aumentamos nossa capacidade de usar nossa intuição e de decidir acertadamente. Para que isso ocorra, precisamos estar com a mente mais tranquila possível – afinal, quanto maior nosso nível de estresse e de ansiedade, menor a acuidade dos nossos sentidos. “Nervosos e agitados, somos menos propensos a sentir gostos, diferenciar cheiros e, consequentemente, perceber pressentimentos”, diz. A intuição depende de um estado mental de relaxamento. As pesquisas indicam que, nesse estado, a mente intuitiva não precisa de mais de dois segundos para que seja capaz de tomar decisões.

Confiar (e agir)
Desenvolver a intuição significa adotar uma postura mais reflexiva e trabalhar a autoconfiança. Apostar naquilo que você percebe e sente. Dedicar-se um tempo ao silêncio e ao recolhimento ajuda. Registrar e interpretar sonhos e impressões, também, porque essas práticas facilitam o acesso ao mundo interno, assim como ler, conhecer, assistir, viajar. Outros sinais aparecem em nosso próprio corpo, não apenas na mente. Sintomas físicos como insônia e agitação podem indicar desconforto com uma situação ou decisão que se esteja pensando em tomar. “Cada um de nós tem a sabedoria e o conhecimento de que necessita em seu próprio interior”, escreveu o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, um defensor da intuição. Precisamos só estar abertos a identificá-los, já que, afinal, tendemos a viver tão melhor à medida que percebemos o que nos rodeia.

Intuir, portanto, é enxergar melhor o mundo olhando para dentro de nós mesmos. Por isso é preciso confiar nas nossas próprias intuições. De nada adianta abrir uma comunicação com o inconsciente se esse conhecimento não impulsionar ações. “A intuição é vivencial, precisa ser praticada”, diz a psicóloga Virgínia. Assim como precisamos experimentar relacionamentos para quebrar a cara ou colocar a mão no fogo para perceber que ele queima. E viver é mesmo correr riscos, fazer apostas. E, para isso, nem sempre basta apenas pensar.

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Livros
Blink, Malcolm Gladwell, Rocco O Poder da Intuição, Gerd Gigerenzer, Best Seller Sway – The Irresistible Pull of Irracional Behaviour, Ori e Rom Brafman, Broadway Books

sexta-feira, julho 02, 2010

MIOPIA DE RH

From: REVISTA EXAME 17 DE MAIO DE 2000


Faça de conta que você é um gerente de RH de uma grande empresa. Um de seus recrutadores acaba de deixar a seguinte ficha de avaliação de um candidato sobre a sua mesa.

- Nome: Moisés

- Filiação: órfão ( Não conheceu os pais que o abandonaram junto a um rio. Foi criado por uma família rica. Acabou abandonando de forma abrupta a casa dos pais adotivos.)

- Escolaridade: parece ter tido algum tipo de educação formal pois é bastante articulado
MBA: Nenhum

- Cursos de Negociação: nenhum

- Experiência profissional: tem girado pelo mercado, o que indica dificuldade de ficar muito tempo no mesmo lugar E-mail: não usa computador, afirma que seu forte é a palavra direta com o interlocutor.

- Aparência: pouco asseada; usa uma barba longa e desgrenhada.

Se você fosse um profissional de RH padrão, o máximo que o Moisés acima arranjaria na sua corporação seria uma posição de ascençorista ou porteito – e, ainda assim, desde que raspasse a baraba e prometesse tomar banho todo dia. E no enteanto, veja só o que a ficha de avaliação do seu recrutador não apontou e, portanto, você desconsiderou:

- Moisés negociou com o faraó a libertação dos israelitas – 600 000 homens, mais mulheres e crianças – da escravidão no Egito;

- Conduziu e alimentou essas pessoas no deserto por 40 anos, treinando-as para vencer batalhas;
Delegou autoridade e poder para os chefes das tribos;

- Contribuiu enormemente para a divulgação do nome e das doutrinas de um Deus que, com o passar dos anos, veio a se tornar lider no mercado de fiéis ;

- Preparou o seu sucessor, Josué, para continuar seu trabalho de construção da nação de Israel.

Sabendo disso – e não sendo um gerente de RH padrão -, você dificilmernte teria dúvidas quanto ao fato de estar diante de um profissional apto para ser o principal executivo de sua companhia.

A alegoria que criei tenta mostrar o qunanto o radar das empresas pode ser falho na hora de rastrear talentos no mercado. Você dirá: "Moisés não vale. Ele teve apoio e o patrocínio do Homem". Bem, se você, como Moisés, acredita em Deus, tem direito a Ter o mesmo apoio concedido a ele. Deus, como é bom e justo, não negaria a um filho o que dá a outro. Agora, se você não acredita em Deus, tem que admitir que Moisés fez tudo aquilo com o suor do próprio rosto, sem nenhum apoio divino. Em suma : Dezenas de séculos antes do advento de Peter Drucker ou David Ogilvy, Moisés conseguiu ser o maior administrador e o maior publicitário da história.

Claro que Moisés não saberia navegar na Web. E muito menos falar inglês fluentemente. Mas que executivo digital ou guru de gestão saberia negociar com o faraó a libertação da força de trabalho escrava que era a base da economia egípcia ? Ou conduzir a pé, sem jatinhos nem coffee breaks, um povo faminto pelo deserto ?

Eis o ponto: Moisés tinha o essencial, tinha a substância. Coisa que a maioria das empresas não enxerga porque foca sua busca no domínio da ferramentas, em alguém que reproduza a imagem que a empresa vê ao se olhar no espelho.

Um novo cenário corporativo no novo milênio só se consolidará se as organizações – e as pessoas que as compõem – mudarem seu procedimento e seu ângulo de visão. E essa mudança começa pelo RH.

Na prática, a maioria dos departamentos nde RH opera assim: há uma moldura rígida chamada de perfil desejado, e só entra na empresa quem passar por ela. Só que, com a mundialização e a digitalização da economia, as revelações serão cada vez mais um a um , ou seja, cada indivíduo terá de ser tomado, analisado e incentivado como um ser único. Um batalhão de clones de gel e gravata pensando da mesma forma, portanto, não é mais garantia de lucro. Especialmente quando essa política afasta um Moisés.

É preciso rever as políticas de RH. E preparar melhor os recrutadores para procurar – e achar – a essência de um profissional, o talento e a base instalada que el poderá aplicar com qualquer ferramenta que a empresa lhe fornecer.

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Shapiro questiona: “O que resulta da soberba nos negócios? E do sarcasmo?” Descubra aqui! 


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O EFEITO PIGMALIÃO

ABRAHAM SHAPIRO

Ovídio foi um poeta romano que viveu no início da Era Comum. Ele escreveu sobre um escultor chamado Pigmalião que se apaixonou por uma de suas estátuas, chamada Galatéia, a quem a deusa Vênus concedeu o fogo da vida, e  transformou-a em mulher, vindo seu criador a casar-se com ela e a terem filhos juntos.

O dramaturgo irlandês Bernard Shaw, escreveu uma peça intitulada Pigmalião sobre esse tema. Anos depois, a peça foi adaptada para o famoso musical My Fair Lady – contando sobre uma florista que se transforma em lady porque alguém, vendo-a como tal, despertou a lady que já existia em seus sonhos.

Observe com que grande facilidade realinhamos nossas expectativas às percepções que temos da realidade, de tal forma que fique fácil relacionar ambas em nossa mente e não fique desconforto algum.

Robert Rosenthal e Lenore Jacobson, dois psicólogos Judeus americanos, realizaram um importante estudo sobre como as expectativas de professores afetam o desempenho de alunos. Observaram que os professores com uma visão positiva sobre seus alunos tendem a estimular neles o seu lado bom e eficiente. Isto acaba acontecendo através dos resultados que os alunos obtêm. Igualmente professores que não têm apreço por seus alunos adotam posturas que comprometem negativamente o desempenho destes. Deram a isto o nome de Efeito Pigmalião.

Este efeito também está presente na gestão de pessoas em empresas. A expectativa de um gerente sobre sua equipe afeta o desempenho dela. Quando o gerente espera atitudes positivas de seus subordinados, isso tende a acontecer. Se forem negativas, provavelmente acontecerão também.

Na prática, se o colaborador vê em seu chefe uma pessoa difícil ou alguém que se porta como seu "inimigo", tenderá a agir como se este chefe fosse exatamente assim. O colaborador não terá disposição para cooperar com entusiasmo, pois o chefe se transforma na imagem negativa que foi criada na mente do funcionário.

Veja por estas informações a importância de se eforçar para desenvolver uma imagem positiva aos olhos dos demais à nossa volta e de igual modo ler e interpretar a atitude das pessoas da forma mais positiva possível. O que pensarmos sobre elas acabará se tornando realidade – ainda que somente dentro dos limites de nossos próprios pensamentos.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

quinta-feira, julho 01, 2010

CRESCER OU DESENVOLVER?

ABRAHAM SHAPIRO

Você prefere crescer ou desenvolver? Quando se depara com esta questão no âmbito das decisões empresariais, ou mesmo da vida, ela parece sem sentido, pois, crescer e desenvolver soam como expressões próximas.

Russel Ackoff foi um pensador e sábio do século XX. Suas ideias figuram em livros fantásticos de sua autoria - alguns traduzidos para o português. Ackoff trouxe reflexões importantes para o meio corporativo. Uma delas nos diz que crescimento e desenvolvimento são coisas diferentes.

Os aterros sanitários e os lixões estão crescendo em todo o mundo, mas não se desenvolvem. Os cemitérios também crescem, mas não se desenvolvem. No entanto, Einstein continuou a se desenvolver muito depois que parou de crescer.

Crescer, segundo Ackoff, é aumentar em tamanho e número. Desenvolver é aumentar a capacidade de satisfazer suas próprias necessidades e desejos legítimos, assim como os dos outros. Um desejo legítimo é aquele que, quando satisfeito, não impede o desenvolvimento de ninguém.

Desenvolvimento é aumentar o nosso potencial de futuro.

O nível de desenvolvimento de uma empresa é mais bem refletido nas melhores condições de trabalho que ela dá a seus empregados do que no seu demonstrativo de lucros e perdas.

Uma empresa que fosse inundada por dinheiro, poderia tornar-se mais rica, não mais desenvolvida. Assim também, uma empresa que fosse subitamente desprovida de riqueza, não seria menos desenvolvida. A diferença está no modo como se lida ou como se emprega os recursos – e não se há mais ou menos recursos. Pode-se usar recursos para acelerar o desenvolvimento e melhorar a qualidade de vida, mas eles podem ser mais bem usados para esses fins pelos que são desenvolvidos.

Um indivíduo pode crescer demais. Algumas pessoas e muitas sociedades acreditam que uma empresa também possa. Mas desenvolver é muito superior, é maior, é mais alto e, portanto, mais desejável.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473