terça-feira, janeiro 22, 2008

VOCÊ TEM MESMO VONTADE DE SER UM LÍDER

PETER KOSTENBAUM

Aprenda a fazer a conexão entre lucros e valores humanos e a compreender o que significa ser um ser humano num ambiente brutalmente competitivo


Quem já não olhou pela janela do avião, em mais um vôo de longa distância, e se perguntou para que serve tudo isso? Ou já não passou horas numa reunião, dessas mais inúteis do que o normal, e se perguntou "como é que vim parar aqui?" Ou não se viu obrigado a escolher uma entre várias opções estratégicas - todas as quais lhe pareciam difíceis e desagradáveis - e pensou "onde foi parar a curtição no meu trabalho?"

Para Peter Koestenbaum, essas perguntas incômodas - esses dilemas existenciais - estão na raiz das questões que os grandes líderes enfrentam o tempo todo e que influem sobre cada decisão que precisamos tomar.

Com diplomas em filosofia, física e teologia pelas universidades de Stanford, Harvard e Boston, Koestenbaum já passou meio século refletindo sobre as perguntas que nos causam as maiores dores de cabeça: por que existe o ser no lugar do nada? Qual é a explicação última do universo? O que é ser um ser humano bem-sucedido?

Peter Koestenbaum e sua família, por serem judeus, fugiram da Alemanha nazista pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Foi criado na Venezuela e, mais tarde, emigrou para os Estados Unidos, para levar adiante seus estudos. Lecionou por 34 anos, na San Jose State University e, durante esse período, centrou seus esforços na criação de uma "filosofia prática", ou seja, ligada à educação, à psicologia e à psiquiatria.

Entre seus vários livros figuram The Vitality of Death (A vitalidade da morte - Greenwood, 1971), The Image of the Person (A nova imagem da pessoa - Greenwood, 1978), Managing Anxiety (Administrando a ansiedade - Prentice Hall, 1974) e Leadership: The Inner Side of Greatness (Liderança: o lado interior da grandeza - Jossey-Bass, 1991), que foi traduzido para várias línguas. No momento, Koestenbaum está escrevendo mais um, intitulado provisoriamente Diamond Reverse Engineering.

Há mais de 25 anos, ele trocou ao mundo acadêmico pela linha de frente da economia global. Não é incomum este filósofo, hoje uma figura incansável de 71 anos, que usa óculos de lente grossa e ostenta uma barba longa, visitar clientes em três continentes numa única semana. Sua proposta consiste em aplicar o poder da filosofia às questões candentes da atualidade - como reconciliar a realidade, freqüentemente brutal, do mundo das empresas com os valores humanos básicos - e criar uma nova linguagem de liderança efetiva. "Se não forem traçadas as grandes metas de significado, grandeza e destino, não teremos condições de tomar uma decisão inteligente sobre o que fazer amanhã de manhã", diz Koestenbaum. "Muito menos de traçar uma estratégia para uma empresa ou para uma vida humana." Nada é mais prático do que as pessoas se aprofundarem, afirma ele. "Quanto mais você compreende a condição humana, mais eficaz se torna como empresário ou executivo. A profundidade humana faz sentido econômico."

A sabedoria de Koestenbaum faz sentido para os líderes de organizações gigantescas como Ford, EDS, Citibank, Xerox, Ericsson. Todas essas empresas o receberam em seus escritórios e lhe deram liberdade para passear livremente por suas instalações, atuando como sábio residente, terapeuta da empresa e sacerdote secular. Seu envolvimento com essas empresas se dá de duas maneiras: desde sessões de treinamento individuais até relacionamentos que já chegaram a durar dez anos, incluindo seminários intensivos de liderança. Na Ford, Koestenbaum contribuiu para o Programa de Executivos Seniores, do qual 2.000 pessoas participaram durante toda a década de 80.

Em mais de uma década de relacionamento com a EDS, o filósofo deu seminários e treinou centenas de altos executivos, incluindo o então presidente do conselho de direção, Les Alberthal. Também treinou o eminente industrial sueco Alexander Krauer, quando este era presidente do conselho da Ciba-Geigy. Aproveitando aquele impulso, outro importante industrial sueco, Rolf Falkenberg, fundou o Instituto Koestenbaum para disseminar os ensinamentos do filósofo em toda a Escandinávia.

"Tudo o que faço se resume a utilizar temas da história do pensamento para resgatar pessoas que estão atoladas", diz Koestenbaum. Sua lógica afirma que a transformação - real, duradoura e profunda - é o maior e mais persistente desafio que confronta o mundo empresarial. Mas muitas pessoas e muitas empresas abordam a transformação como se fosse um desafio técnico, em vez de buscar respostas autênticas à questões fundamentais da vida empresarial e econômica. "Nada acontece a não ser que você faça acontecer. Como líder, tudo é responsabilidade sua, já que a escolha foi sua", diz ele.

Em entrevista à revista Fast Company, Koestembaum explica de que forma questões perenes se aplicam ao novo mundo do trabalho.

Por que ser líder parece ser tão difícil hoje em dia?

Porque contar com a liberdade sempre é difícil - e torna-se ainda mais difícil em vista dos profundos que caracterizam a Nova Economia. Vivemos numa época singular, marcada pelo mercado acionário em alta constante, pela criação de riqueza enorme, pela explosão das inovações e pelo sentimento agudo de alienação e isolamento que ocorre quando a economia global atinge o indivíduo mediano. O que chamo de "a patologia da Nova Economia" é movido por exigências impossíveis de ser satisfeitas - qualidade melhor, preços menores, inovações cada vez mais aceleradas - que geram uma forma de estresse sem precedentes. As pessoas se sentem pressionadas a alcançar objetivos cada vez mais elevados nas áreas do trabalho, da riqueza e do estilo de vida, e, além disso, a crescer enquanto o fazem.

Essa condição é exacerbada pelo tratamento pornográfico dado às empresas pela mídia e pela cultura. A mensagem recebida é clara por nós é: "Você está vivendo no melhor país do mundo, na melhor época que a História já teve. Tem uma liberdade espantosa de fazer o que quiser e, ao mesmo tempo, oportunidades inusitadas de ganhar riqueza e sucesso imenso - e, ainda por cima, em menos tempo do que jamais foi feito." É claro que o indivíduo mediano tem tantas chances de lançar uma oferta pública inicial de ações bem-sucedidas quanto de tornar-se astro ou estrela de cinema.

Ainda mais preocupante do que isso é o fato de que a ascensão do valor para os acionistas como a mais importante força motriz dos negócios resultou numa insensibilidade terrível aos valores humanos fundamentais. Esse é um nó realmente difícil que os líderes precisam desatar: como enfrentar a realidade econômica brutal e, ao mesmo tempo, preservar os valores humanos? Como enfrentar a concorrência sem se tornar o tipo de idiota que se deixa esmagar por ela, ou o tipo que se esquece da importância das pessoas?

Resolver esse paradoxo requer uma espécie de transformação evolutiva de quem somos, de como nos comportamos, pensamos e o que valorizamos. Atingimos um nível de liberdade tão incrível que, pela primeira vez na História, estamos sendo obrigados a administrar nossa própria mutação. Cabe a nós mesmos decidir o que significa ser um ser humano bem-sucedido. É essa a grande tarefa filosófica de nossa era.

É claro que, em certo sentido, essa tem sido a tarefa de todas as eras. Não há nada nas transformações e nos altos e baixos econômicos de hoje que se compare ao horror da Segunda Guerra Mundial. Segundo algumas estimativas, quase 100 000 pessoas morreram em cada semana da guerra. Certo dia, em 1935, quando eu era um menino de 7 anos de idade, estava em Alexanderplatz, uma praça em Berlim, e vi Hitler passar a poucos metros de distância, desfilando em sua Mercedes. Nunca me esquecerei das mães com seus bebês no colo, das criancinhas agitando suásticas. Coisas assim deixam-nos uma marca que é impossível apagar e perguntas às quais não podemos nos furtar: quem sou eu, que fui testemunha de atos como esse? Como faço para viver uma vida com significado num mundo como o nosso?

Por mero acaso, a Nova Economia é a forma que nosso desafio existencial assume hoje. Como sempre, o verdadeiro obstáculo é a própria existência. Essa é uma carga pesada para ser colocada nos ombros dos líderes. Eles precisam não apenas conduzir as organizações mas, também, enfrentar questões filosóficas fundamentais.

Existe um defeito terrível na maneira como pensamos as pessoas e as organizações nos dias de hoje. Há pouca ou nenhuma tolerância pelos tipos de conversas formadoras de caráter, que abrem o caminho para transformações significativas. A pessoa mediana se vê atolada, perdida, com toda a atenção voltada ao campo objetivo. É essa nossa métrica; é lá que buscamos soluções. É a ascensão da indústria da consultoria, a área de atuação de livros, revistas e programas de treinamento que vemos por aí. E é por isso que livros e revistas que contém números em seus títulos vendem tão bem. Fazemos qualquer coisa para evitar as perguntas subjacentes básicas: como fazer escolhas verdadeiramente difíceis? Como agir quando os riscos parecem ser avassaladores? Como encontrar coragem para sacrificar nossa retirada, criando uma condição em que não exista retorno possível?

Não há nada errado com todas essas soluções técnicas. São ótimas, são criativas, são até mesmo necessárias. Mas elas nos protegem das perguntas reais, que são: que tipo de vida quero levar? Qual é meu destino? Quanto mal estou disposto a tolerar?

A reflexão não reduz em nada o poder de decisão, de ser uma pessoa de ação. Na verdade, gera o tipo de força interior necessária para que você possa se uma pessoa de ação eficaz - um líder. Pense na liderança como a soma de dois vetores: competência (sua especialidade, seus conhecimentos, seu know-how) e autenticidade (sua identidade, seu caráter, sua atitude). Quando empresas e pessoas se vêem diante de um impasse, tendem a aplicar mais pressão - mais competência em primeiro lugar - àquilo que as colocou na situação difícil. "Se eu tentar mais, fizer um esforço maior, vai dar certo", raciocina-se. Ou "se exercermos um controle maior, teremos os resultados de que precisamos."

O problema é que, quando você se atola num impasse, é pouco provável que consiga avançar usando a competência como ferramenta. Para fazer progresso é preciso estar comprometido com duas coisas. Em primeiro lugar, você precisa se dedicar a ampliar sua compreensão de si mesmo, no sentido filosófico de compreender o que significa existir como ser humano no mundo. Em segundo lugar, precisa mudar seus hábitos mentais: como você pensa, o que você valoriza, o que espera da vida, como lida com a frustração. Mudar esses hábitos significa mudar sua maneira de ser inteligente.

Significa passar de uma mente que não é de liderança para uma que o seja. Quais são os atributos de uma "mente de liderança"?

Os líderes autênticos são pessoas que já absorveram a verdade fundamental da existência: que não é possível fugir das contradições inerentes à vida. A mente de liderança é ampla. Ela tem um amplo espaço para as ambigüidades do mundo, para sentimentos conflitantes e idéias contraditórias.

A meu ver, o atributo principal da liderança é a capacidade de administrar as polaridades. Elas são inevitáveis em todos os aspectos da vida: queremos viver, mas não podemos fugir da morte. Como posso me dedicar plenamente à família e também ao trabalho? Sou chefe ou amigo? Amante ou juiz? Como conciliar minhas necessidades com as de minha equipe? Paradoxos como estes são parte da vida. Toda interação comercial ou de trabalho é uma forma de confronto - um conflito de prioridades, uma luta de dignidades, uma batalha de idéias. Não se trata de um convite para você travar uma batalha épica entre bem e mal, certo e errado. O que estou querendo mostrar é que é preciso tomar cuidado para não bater com a cabeça na parede. As polaridades fazem parte da ordem natural das coisas. Como agimos, como reagimos a essas polaridades - é assim que a grandeza se diferencia da mediocridade.

Isso não significa que não sejamos obrigados a tomar decisões. Tomar decisões difíceis é exigência diária da liderança. Os líderes precisam contratar e demitir, lançar novas estratégias e arriscar investimentos, e tudo isso pode gerar estresse e sentimento de culpa. A presença da culpa não é conseqüência de se ter tomado a decisão errada, mas da própria escolha. E essa é a condição humana: você é um ser que faz opções.

Um sujeito jovem e ambicioso com quem trabalhei na Amoco ganhou uma promoção dupla que exigiria sua transferência para o Cairo. Ele foi para casa e disse à sua jovem esposa, que tinha um bebê ainda pequeno: "Grande notícia! Vamos nos mudar para o Cairo". Horrorizada, ela respondeu: "Então você vai se mudar sozinho. Eu vou para a casa da minha mãe". Foi o primeiro teste de liderança na família. Não havia meio-termo viável. Se ele abrisse mão de sua promoção, ficaria com raiva de sua mulher por ela ter ter arruinado sua carreira. Se ela simplesmente o acompanhasse, ficaria com raiva dele por ter jogado por terra seus planos para o bebê e para si mesma. O que fazer?

Depois de discutir o assunto, os dois poderiam ter se sentido tentados a acreditar que a maturidade exigia que negassem seus sentimentos e que um se sacrificasse pelo outro. Mas isso, na realidade, gera doença, depressão e o fim do afeto. Em lugar disso, eles se voltaram para o fundamental. A carreira é minha ou nossa? O filho é seu ou nosso? Somos indivíduos ou vamos operar como uma equipe? Quais são os nossos valores? A união dos dois teve de amadurecer em duas semanas o equivalente a cinco anos normais. O casal terminou por mudar-se para o Cairo, mas o relacionamento se transformara. A mulher compreendeu que a carreira do marido era importante para ela, e ele reafirmou seu compromisso com os seus valores, na condição de participante da família. O que importa não é a escolha que acabaram fazendo, mas como o fizeram. Os dois tomaram o passo corajoso de reavaliar quem realmente eram, de dentro para fora. É isso que confere caráter a alguém. O fato em si, que, à primeira vista, parece ser de primeira importância, em última análise não tem nenhum significado emocional.

Administrar polaridades nos ensina que não existem soluções, apenas mudanças de atitude. Quando confronta as polaridades em sua vida, você perde suas ilusões arrogantes e auto-indulgentes e percebe que o alvo da piada é você mesmo. A compreensão dessa mensagem imediatamente o transforma num ser humano mais digno de crédito.

Que um líder aceite de bom grado as contradições da Nova Economia é uma coisa - mas como ele ou ela pode convencer seus colegas a adotar esse tipo de pensamento?

Os melhores líderes operam em quatro dimensões: visão, realidade, ética e coragem. Essas são as quatro inteligências, as quatro formas de percepção, as linguagens de comunicação hoje necessárias para se alcançarem resultados significativos s sustentados. O líder visionário pensa grande, pensa novo e pensa para frente - e, mais importante de tudo, está em contato com a estrutura profunda da consciência e do potencial criativo humano. A realidade é o oposto polar da visão. O líder, como realista, adota o seguinte lema: enfrente a realidade como ela é, e não como você gostaria que fosse. O realista lida com parâmetros inflexíveis, factuais, diários e numéricos. Mestre na arte do possível, ele não nutre ilusões, tem consciência dos limites e não tem paciência para especulações.

A ética faz referência aos valores humanos básicos da integridade, do amor e do significado. Essa dimensão representa um nível de desenvolvimento mais elevado, que não é regido pelo medo ou pelo prazer, mas por princípios. A coragem é o reino da vontade; ela envolve a capacidade de fazer as coisas acontecer. As raízes filosóficas dessa dimensão estão na compreensão plena do lugar central que o livre arbítrio ocupa nos assuntos humanos. A coragem envolve tanto a capacidade de tomar uma posição e defender o que se quer quanto a interiorização da responsabilidade pessoal.

O verdadeiro desafio da liderança consiste em desenvolver esses quatro modos freqüentemente contraditórios de pensamento e comportamento ao mesmo tempo. Os líderes tendem a operar em no máximo duas dimensões simultaneamente - e isso tem mais a ver com falta de visão da natureza humana do que com intenção corrompida. A realidade domina, e o segundo atributo mas comumente presente é a ética. Considere o enunciado: "As pessoas são nosso patrimônio mais importante". Infelizmente, ele freqüentemente não passa de palavras vazias - não apenas porque poucas pessoas fazem a conexão entre lucros e valores humanos, mas também porque não existe uma compreensão adequada do que significa ser um ser humano num ambiente brutalmente competitivo. "Visão" pode ser uma das palavras mais batidas no campo das empresas, mas, na realidade, a visão, no sentido de se burilar o pensamento grande e fomentar a capacidade de criatividade contínua, é pouco praticada. E coragem é algo ainda mais raramente manifestado.

Quando falamos em ter coragem, normalmente, queremos dizer ter ousadia, assumir riscos. Mas o senhor fala em coragem como se fosse uma qualidade quase mítica, um atributo fundamental para o êxito da liderança.

A questão nos remete ao início da nossa discussão. Aristóteles acreditava, com razão, que a coragem é a primeira das virtudes humanas, porque ela torna possível todas as outras. A coragem começa com a decisão de se enfrentar a verdade última da existência: o segredinho sujo de que somos livres. Ela requer uma compreensão do livre-arbítrio no nível arquétipo: uma compreensão de que somos livres para definir quem somos em cada momento dado. Não somos o que a sociedade e o acaso fizeram de nós, e sim o que escolhemos ser, desde o mais profundo do nosso ser. Somos produtos de nossa vontade. Somos seres feitos por nós mesmos.

Um dos problemas mais sérios da vida é a autolimitação: criamos mecanismos para nos proteger da ansiedade que acompanha a liberdade. Nós nos negamos a realizar nosso potencial. Vivemos marginalmente, apenas. Essa era a definição da psiconeurose dada por Freud. Limitamos nossas vidas para podermos limitar a quantidade de ansiedade que sofremos. Terminamos por sedar muitas das funções da vida. Fechamos os centros de pensamento empreendedor e criativo; na verdade, interrompemos o progresso e o crescimento. Mas nenhuma decisão significativa, quer fosse pessoal, quer organizacional, já foi tomada sem ser acompanhada de uma crise existencial ou sem o compromisso de enfrentar ansiedade, incertezas e sentimento de culpa.

É isso que queremos dizer quando falamos em transformação. Não é possível simplesmente mudar sua forma de pensar ou de agir - é preciso mudar sua forma de querer, de exercer a sua vontade. Você precisa conquistar o controle sobre os padrões que regem a sua mente: Sua visão de mundo, suas crenças relativas ao que você merece e o que é possível. É essa a zona de transformação, força e energia fundamentais, e é esse o verdadeiro significado da coragem.

Desenvolver a vontade de transformar quer dizer que alguém, com a força de sua vontade, pode levar outras pessoas a mudar?

Assumir a responsabilidade pessoal por conseguir que outras pessoas implementem estratégias é a polaridade-chave do líder. É o paradoxo existencial de você, por um lado, responsabilizar-se 100% pelo destino de sua organização e, por outro, não assumir responsabilidade nenhuma pelas escolhas feitas por outras pessoas. Isso também se aplica a seus filhos. Você é 100% responsável pela maneira como seus filhos se saem. E, para que se saiam bem, você lhes ensina que eles são 100% responsáveis pelo modo como se saem.

Como, então, motivar as pessoas? Não com técnicas, mas se arriscando ao assumir um compromisso pessoal e vitalício com a grandeza, por meio da coragem demonstrada. Você não ensina isso, e sim lança um desafio para que isso surja. Você não pode escolher pelos outros. Tudo o que pode fazer é lhes dizer que não pode optar por eles. Na maioria dos casos, isso em si já será um forte fator de motivação para as pessoas que você quer cultivar. O papel do líder não é tanto o de curar ou ajudar quanto o de ampliar a capacidade de liberdade responsável das pessoas.

Algumas pessoas possuem mais talento do que outras. Algumas têm situação educacional mais privilegiada do que outras. mas todos nós possuímos a capacidade da grandeza. A grandeza decorre do reconhecimento de que nosso potencial é limitado apenas pelo modo como fazemos nossas escolhas, pelo modo como usamos nossa liberdade e por nosso grau de decisão e de persistência - em suma, por nossa atitude. E todos nós temos liberdade de escolher nossa atitude.
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Peter Koestenbaum E-mail: mailto:(pkipeter@ix.netcom.com)

segunda-feira, janeiro 21, 2008

A EMPRESA E A ACADEMIA DE GINÁSTICA

ABRAHAM SHAPIRO

Meu amigo Anacleto – obeso convicto de churrasco e cerveja todo fim-de-semana – cedeu às pressões de seu cardiologista e increveu-se numa academia de ginástica.

Certo dia, ele pega um monitor da academia e dispara seu protesto de cliente insatisfeito:

“Olha, faz três meses que eu me associei. Eu pago as mensalidades e venho todo santo dia, mas ainda não notei nenhuma mudança positiva”.

Surpreso, o monitor da academia lhe pergunta:

“Quais aulas o senhor freqüenta?”

“Aulas???” – zomba o Anacleto – “quem tem tempo para aulas???”

“Ahhhh” – reflete o monitor – “o senhor prefere malhar nos aparelhos?”

“Não, senhor” – insiste o Anacleto – “não me ouviu dizer que não tenho tempo?”

“Mas se o senhor não freqüenta as aulas nem usa os aparelhos, o que o senhor faz quando vem aqui?” – indaga o monitor.

E Anacleto, sincero e gozador como é, diz: “Eu aproveito para tomar o meu café-da-manhã e ler os jornais enquanto olho a turma fazendo exercícios”.


Você vai ao cinema, se senta e assiste ao filme. Essa é a maneira de aproveitar o espetáculo. Mas se você for à academia de ginástica, sentar-se e assistir, perderá o mais importante.

A vida empresarial é igual a academia, você precisa “malhar” e “suar a camiseta” para obter resultados. Mandar os outros fazerem sem que você acompanhe e se envolva com os processos, só lhe reservará surpresas quando tudo precisar ser averiguado.

Liderança empresarial para acompanhamento de resultados funciona segundo o modo clássico e conservador que diz: “O que engorda os porcos são os olhos do dono”.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

TUDO É SÓ QUESTÃO DE PERCEPÇÃO

ABRAHAM SHAPIRO

As pessoas têm o hábito de pretender saber a respeito de tudo. Acontece que nem sempre sabem. E isso causa problemas. Elas criam uma idéia sobre coisas, palavras ou situações e esperam que todos imaginem exatamente o mesmo que elas. Impossível. As percepções são tão diferentes, quanto as faces das pessoas ou suas impressões digitais.

As ideias precisam ser expressadas através das palavras a fim de que, comuniquemos nossos pensamentos às pessoas e, desta forma, cheguemos a um senso comum sempre que necessário. O dicionário foi feito para dar a saber o sentido das palavras. Mas isso é apenas uma pobre garantia de entendimento. Há muito o que se complementar o sentido frio dos termos. Aí entram as emoções, a entonação vocal, a atenção dos olhos, a gesticulação, a inteligência e até forças subliminares que a ciência ainda desconhece. E não esqueçamos do esforço. Comunicação clara e objetiva exige esforço.

Há uma história sobre Picasso, o famoso pintor moderno, que evidencia a necessidade de se esforçar para o entendimento antes de qualquer avaliação. Um homem encomendou a ele um retrato da esposa. Dia após dia, o artista trabalhou com o modelo em seu ateliê. Finalmente, chamou o cliente para mostrar a obra terminada. Picasso descobriu a tela e apresentou sua versão cubista da mulher. O marido, indignado, protestou: “Que diabo é isso? Essa figura não se parece nada com a minha esposa!” Tirou uma foto da carteira e enfiando-a debaixo do nariz de Picasso, exclamou: “Olhe aqui! Assim é a minha mulher!” Picasso pegou a foto e comentou, com expressão de espanto: “Nossa! Como ela é pequena”.

Quem jamais viveu um problema de diferença de percepção com outra pessoa? Mal entendidos são comuns. Importante é estar calmo e lembrar que, conversando, a gente se entende! Pois então, vamos conversar.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

domingo, janeiro 20, 2008

REFLEXÕES DO FRONT DE VENDAS


WALTER LUZ

REFLEXÃO 1

Eu sou aquele vendedor que está na linha de frente dia após dia. Que vive ligando para as empresas agendando visitas, à procura de um novo cliente. Aquele, que a cada dia é recebido em uma nova empresa, e que se senta frente a frente com compradores, técnicos, diretores, proprietários. Aquele, que apresenta e representa a empresa diversas vezes ao dia, seus produtos, características, serviços, a sua imagem. Eu sou aquele que enfrenta objeções e resistências todos os dias. Sou aquele, que educadamente recebe a palavra não mais vezes que sim.

Não é brincadeira. Objeções, medos e resistências em vendas são barreiras que é preciso enfrentar junto aos clientes, a cada momento, todos os dias. Considero-os obstáculos naturais, nem negativos e nem positivos. Eles são neutros. Em venda, as objeções, são comuns, pois, não existe um produto capaz de satisfazer todas as vontades e desejos de todos os clientes ao mesmo tempo. Por isso, sempre existirão dúvidas. A mensagem implícita numa objeção pode ser: “Estou precisando de mais informações”; “Tenho interesse”; “Preciso de mais tempo para pensar”.

O verdadeiro profissional de vendas verá em qualquer objeção algo a ser superado.Ele a enxerga como um ponto a ser atendido, um pedido por maiores informações.

Quais as objeções que você tem maior dificuldades de enfrentar? As resistências que você julga mais difíceis, são precisamente as de maior peso no seu próprio sistema de ética e valores. Você sempre vai precisar da resistência e das objeções para ter certeza de que os seus clientes estão comprando aquilo que realmente querem ou precisam.

As resistências variam dependendo das percepções de cada cliente. Elas também dependem de atitudes, desejos, necessidades e interesses individuais. O que todos os clientes querem ao comprar é fazer com que você atenda o máximo possível de suas expectativas, e a melhor maneira deles exigirem isto é criando objeções. Eles esperam que você ofereça alternativas que se assemelhem às idéias que eles têm em mente.

É possível desarmar objeções antes que elas surjam? Parece interessante este propósito. Mas é de suma importância descobrir quais são as objeções que habitam o pensamento do cliente. Elas chegarão ao seu conhecimento logo na etapa inicial de sua apresentação ao cliente.

Você não quer que as objeções aconteçam, especialmente quando se convence de que sua apresentação foi maravilhosa. Elas parecem com um balde de água gelada sobre o corpo quente após uma noite de inverno. Mas é preciso conhecê-las, e até provocá-las para que surjam. Você deve fazer perguntas chave para trazer à superfície os anseios e as objeções potenciais. Assim você assegura-se antecipadamente para enfrentar as resistências e as prospecta da maneira correta.


REFLEXÃO 2


Se você não conseguir fazer alguma coisa grandiosa hoje, faça alguma coisa pequena. Pequenos riachos acabam convertendo-se em grandes rios. Continue andando e fazendo. O que parecia fora de alcance esta manhã vai parecer um pouco mais próximo ao anoitecer se você continuar movendo-se para frente.

A cada momento intenso e apaixonado que você dedica a seu objetivo, um pouquinho mais você se aproxima dele.


REFLEXÃO 3


“Insisto, persisto, não desisto”. A sorte para mim é nunca desistir, seja por insistência ou persistência. Não me importa. O que vale é continuar sonhando e persistindo, ou insistindo, em realizar o meu sonho. Enfrento toda negação que recebo ou resistência por seu aspecto positivo, e procuro, assim, interpretar a mensagem nela embutida.
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Walter Luz é profissional de venda e atua no setor de embalagens. Foi treinado em atendimento e serviços por Abraham Shapiro. Contatos:
waluz@onda.com.br

sábado, janeiro 19, 2008

ONDE VOCÊ ESTIVER...

Parece letra de música.... Quero apenas conhecer você e suas impressões de nosso blog Profissão Atitude.

Invista dois ou três minutos e escreva um e-mail para
profissaoatitude@gmail.com falando um pouco de você, do que faz, onde vive e, se possível, da sua relação com o blog.

Ficaremos ansiosos à espera de suas palavras.

Um abraço.

AVALIE SUA LIDERANÇA

ABRAHAM SHAPIRO

Quer avaliar sua liderança?

Muito bem. Pense, então, nos seus funcionários e responda:

  • Eles sabem o que se espera deles no trabalho?

  • Eles têm os materiais e a equipe de que necessitam para fazerem bem suas funções?

  • Eles têm a oportunidade de expressar suas melhores capacidades a cada dia na empresa?

  • Eles se sentem importantes como seres humano para você que é o líder?

  • Você se preocupa com o desenvolvimento profissional deles?

  • As opiniões deles são levadas em conta?

  • A equipe coopera mutuamente para que o trabalho de cada um atinja alto nível de realização e qualidade?

  • Eles têm como falar com você sobre o progresso profissional e pessoal deles?


E então? Como se saiu?

Se você se sentiu confortável e nenhuma das perguntas lhe causou qualquer incômodo, parabéns! Você é um líder inspirador.

Se, uma ou mais questões lhe deixaram em dúvida, ou se sua equipe passa por freqüentes crises de relacionamento, dificuldade de compreensão de objetivos e metas, é bem provável que você esteja enfrentando objeções internas ou externas que estão lhe barrando a "tradução" das boas intenções de líder inspirador e influente em prática exeqüível.

Não se desespere. Isso acontece. Onde quer que você esteja há serviços de consultoria ou coaching para líderes cujo objetivo é dar suporte psicológico e organizacional para a superação de obstáculos, de modo específico e factível. São prestados por profissionais com visão ampla de liderança, pessoas inclusive bem referenciadas por outros excutivos que passaram por processo similar e atingiram seus ideais.

Você poderá contratar algumas seções de acompanhamento e isso, certamente, dará um novo rumo para a realização dos seus objetivos.

Caso deseje saber mais a respeito, basta entrar em contato comigo pelo mail shapiro@shapiro.com.br . Terei o maior prazer em prestar todas as informações.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

quinta-feira, janeiro 17, 2008

FOCO NOS PROBLEMAS DA EMPRESA

ABRAHAM SHAPIRO

Um amigo meu teve de comparecer ao fórum. O juiz determinou um recesso para o almoço, mas como não havia tempo suficiente para ir a um restaurante, ele e seu advogado caminharam até uma banca de jornais próxima onde havia uma vitrine de doces e um frízer de refrigerantes.

O advogado comprou quatro barras de chocolate e um refrigerante Diet.

Meu amigo ficou surpreso com a esquisitice da escolha:

“Eu até entendo que você se alimente com quatro barras de chocolate, mas a bebida diet não faz sentido algum!”

O advogado, então, respondeu:

“Sabe o que é? Eu preciso economizar calorias em tudo o que for possível!”


Os problemas de uma empresa requerem que os tratemos com foco e total concentração.

Há alguns dias, uma empresa-cliente cujo faturamento é de 2 milhões de reais/mês enfrentou um desajuste financeiro. Era preciso adotar medidas de contenção de despesas. De imediato, o diretor decretou o corte do cafezinho e do papel toalha.

Terrível! Isso representava uma economia mensal de mil reais, no máximo.

Nossa consultoria já havia indicado que havia muito a ganhar nas compras. Mas ninguém tinha tempo para isso. Agora, não tinha escapatória. Após uma rodada de renegociação com fornecedores, a economia que conseguiram de cara foi de 10%. Isso ajudava muito – mais que a economia com o café.

Agora que tudo voltou ao normal, a economia das compras foi somada aos resultados da empresa.

Cafezinho e papel toalha de empresa alguma podem resolver as mazelas que todo mundo deixa para encarar só "na semana que vem".

Lembre-se do advogado de meu amigo. Concentre-se onde for possível! Foco!!! Mas nunca deixe de lado a inteligência a ponto de suas decisões nos negócios tornarem-se ridículas e motivos de chacota de quem realmente sabe administrar!
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

CONVENÇÃO DE VENDEDORES É COISA PARA PROFISSIONAL

ABRAHAM SHAPIRO

O Ismael é um empresário do ramo de alimentos, dono de um atacadista de porte médio, com um grupo considerável de vendedores. A cada mês, ele precisa reuni-los para trocar experiências e fazer o lançamento de promoções ou novos produtos.

Mas, Ismael é um centralizador por excelência. Ele ainda se ilude com a falsa segurança de que o “dono” tem que fazer tudo. Por exemplo, ele nunca parou para pensar no fato de que a convenção é o momento mais importante para a vida profissional de seus vendedores e também da própria empresa e, por isso mesmo, tem que ser organizada o máximo possível. Pois não quer nem saber. Ele mesmo "organiza" suas convenção. As aspas na palavra organiza, na frase anterior, são propositais. Veja porque.

Na empresa do Ismael as convenções nunca tiveram uma programação. Ele mesmo marcava a data do encontro – detalhe: quando lhe dava na cabeça. E não é tudo. Ele nunca iniciava no horário marcado. Os assuntos? Só os que sua inspiração pessoal ditava, ali, na hora. Não é preciso dizer a tortura que isso acabava sendo para aqueles pobres e sofridos vendedores.

Certa ocasião, uma grande indústria concedeu ao atacadista do Ismael um benefício especial para facilitar a venda de um determinado produto. Era uma promoção que podia alavancar um volume enorme de vendas, uma oportunidade diferenciada, dessas que só aparecem em tempos de muita sorte. A equipe foi convocada emergencialmente para reunir-se no sábado da mesma semana. Ele fez a palestra de abertura com o entusiasmo de motivador piadista - daqueles que só se vêem em convenções bregas - e até conseguiu manter um certo suspense em relação ao que aconteceria até o desfecho. Estava nas núvens achando-se um verdadeiro Tom Peters. Veio o farto almoço e então é que ele resolveu apresentar a estratégia de venda com todos os seus detalhes e desdobramentos. De passagem, o Ismael adora estratégias. Esta é uma das palavras que ele mais usa em seu vocabulário.

Passou o mês. As vendas do produto foram reles, desprezíveis, uma enorme decepção. Perdeu-se a grande oportunidade de negócio.

Louco para levantar as razões do fracasso, Ismael descobriu o que já devia ter aprendido há muito tempo, já que se julgava um empresário digno de ser citado como exemplo em fóruns internacionais. Nenhum vendedor entendeu claramente o funcionamento da campanha. E, de fato, em vendas, quem não sabe, não faz!

Ismael observou que, para se explicar uma idéia nova a um grupo de pessoas é preciso, antes de tudo, organização, preparo e metodologia – três palavras que fazem parte do significado do termo profissionalismo. Neste dia, ele caiu em si e até dormiu chateado, por que de profissional, mesmo, ele só tinha as intenções.

Mas a maior lição que ele aprendeu é que nem o Sílvio Santos é capaz de manter uma equipe de vendas acordada e interessada em seja lá o que for depois de uma feijoada servida no almoço da convenção. Pois é, acredite se quiser! Este havia sido o cardápio do malogrado e inútil encontro.

O que fica deste enorme fiasco? Em se tratando de convenções, treinamentos ou qualquer atividade deste gênero, até a comida precisa ser muito bem planejada.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

quarta-feira, janeiro 16, 2008

APRENDENDO COM A PIZZARIA DO GUTO

ABRAHAM SHAPIRO

O Guto tinha uma bela pizzaria no centro de uma cidade do interior de S. Paulo. Certo dia, o negócio quebrou.

Tive a curiosidade de perguntar a ele o que houve. Fiquei surpreso com a resposta. O Guto me deu a seguinte explicação:

1º. Quando abri, a cidade tinha vinte pizzarias. Hoje são quase duzentas.

2º problema: À medida que os concorrentes foram chegando, eles panfletavam todas as casas e prédios da redondeza. Eu nunca fiz isso. Confiei nos meus clientes e achava que eles nunca me trocariam.

3º. Eu saqueava o caixa da empresa para comprar carro, moto e bens acima das minhas possibilidades. O capital de giro foi minguando, até o dia que entrei em banco.

A grande lição que aprendi com o Guto é que não adianta apenas ter consciência. Conhecer as razões, saber, não é bastante para salvar uma situação. É preciso fazer algo a respeito. Tomar uma atitude. E o combustível poderoso das nossas atitudes chama-se: VONTADE.

O Guto perdeu a vontade de agir. Faltou entusiasmo e, aos poucos, deixou sua bela e agradável pizzaria definhar.

Se você está vivendo uma realidade parecida com a do Guto, não se entregue. Converse com pessoas, tome conselhos, busque parcerias, contrate um profissional competente, mas não deixe a peteca cair. Não quebre.

Dê valor ao que você já sabe. Mas para conseguir isso só há um modo: pondo em prática.

Você já ouviu dizer que de boas intenções os cemitérios estão cheios. Portanto, você, que está vivo, só irá vencer se agir.
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terça-feira, janeiro 15, 2008

COMO MELHORAR SUA IMAGEM JUNTO ÀS PESSOAS QUE ESTÃO A SUA VOLTA

ABRAHAM SHAPIRO

Todos concordam que um líder precisa saber como lidar com pessoas. É fundamental compreender os demais. Em geral, todas as áreas de atuação profissional, hoje em dia, estão alicerçadas no relacionamento. Mas compreender os demais começa pela compreensão de nós mesmos. E se é difícil entender os outros, o entendimento de nós mesmos pode ser igualmente difícil.

A compreensão que temos de nós mesmos, a nossa autoimagem, depende, em grande parte, do feedback que recebemos, ou seja, da maneira como os outros reagem em relação a nós.

Como resposta à reação demonstrada pelos outros, nós modificamos constantemente a nossa auto-imagem fazendo pequenas mudanças, de uma forma ou de outra.

Contudo, ao invés de responderem às pessoas que nós pensamos que somos, os outros frequentemente respondem à pessoa que eles pensam que somos – à percepção e imagem que eles têm de nós, à pessoa que eles conseguem ver.

Imagine uma pessoa. Vamos chamá-la de Susana. Ela é vista de modo um pouco diferente por aqueles com quem ela convive. Ela é mãe, amiga, esposa, filha, chefe de uma equipe, funcionária de uma empresa. Susana é empurrada para as mais diferenças direções pelas pessoas que são importantes para ela e começa a lutar para acomodar-se à maneira que as várias pessoas a enxergam e ao modo como ela enxerga a si mesma.

Joseph Luft e Harry Ingham desenvolveram um modelo simples que ficou conhecido como A Janela de Johari (fala-se: Djôu héuri). O uso deste modelo poderá ajudar você a aprimorar suas habilidades para compreender a si mesmo e aos demais.


COMO FUNCIONA A JANELA DE JOHARI

Normalmente, existe uma grande diferença entre a percepção que você tem de si mesmo e a forma como os outros o avaliam. O problema é que esta diferença pode representar um grande prejuízo para sua carreira e dificuldades em sua vida pessoal.

Muitas pessoas definem-se como perfeccionistas, por exemplo, acreditando ser isso uma de suas mais importantes qualidades. No entanto, quem convive com estas pessoas podem estar insatisfeitas com tais características, por tornar a vida delas difícil.

Algumas se consideram sinceras, mas o que as outras consideram mesmo é que elas são extremamente críticas. Muitas vezes você acredita realmente que é de um determinado jeito, mas acontece que as pessoas podem está percebendo você de uma maneira completamente diferente.

Luft e Ingham raciocinaram nos seguintes termos para a montagem da Janela:

Cada um de nós tem uma área conhecida por si mesmo. É uma consciência parcial daquilo que estamos fazemos e de por que o fazemos.

Cada um de nós também desconhece parcialmente o que fazemos e por que o fazemos. Esta área é denominada área desconhecida por si mesmo.

Aqueles que nos cercam têm conhecimento parcial daquilo que fazemos e do por quê. É a área denominada conhecida pelos outros.

E eles também desconhecem parcialmente aquilo que fazemos e o por quê. Esta é a área chamada: desconhecida pelos outros.

Isso, gerou quatro quadrantes justapostos, os quais lembram uma janela de vidro, antiga. Daí o nome.

Vamos explicar melhor e determinar a nomenclatura mais profissionalizada destes quadrantes como consta na figura no início deste artigo.

Criar sua própria Janela de Johari, pode ser uma forma para verificar o quanto sua auto percepção está alinhada com a imagem que os outros têm de você.

A Janela de Johari é dividida em quatro quadrantes, veremos a seguir a nomenclatura técnica e o significado cada um destes partes.

EU PÚBLICO: Este primeiro quadrante, chamado de eu aberto ou eu público, é formado por sua auto percepção e pela maneira como os outros percebem você. Quanto mais informações sobre si mesmo você disponibilizar para as pessoas maior transparência haverá nas relações.

EU FECHADO: Esta é nossa área secreta, neste quadrante estão incluídas as informações e características pessoais que somente você conhece sobre si mesmo. E só você mesmo é quem pode decidir o que irá revelar ou não aos outros. Muitos mal entendidos poderiam ser desfeitos se você se mostrasse mais e se abrisse mais para as pessoas com quem convive.

EU CEGO: Esta é nossa área cega. Aquela área de nossa vida que desconhecemos em relação ao que os outros percebem de nós. Quando temos um baixo nível de relacionamento interpessoal, a tendência é que as pessoas não exponham o que pensam de nós, e com isso ficamos sem ter feedback. Ficar mais atento às mensagens transmitidas pelas pessoas em relação a nós, ajuda a diminuir esta área do eu cego.

EU DESCONHECIDO: O eu desconhecido compreende o campo de nosso inconsciente, daquilo que tanto você desconhece sobre si mesmo, como também os outros desconhecem sobre você. Desenvolver um maior autoconhecimento através do estudo de suas próprias atitudes, muitas vezes sem nexo aparente, ou se necessário através de análise pode ajudar muito a diminuir está área em sua vida.


COMO USAR A JANELA DE JOHARI

Para desenvolver nossa imagem de forma clara e adequada às exigências profissionais de nossos dias é fundamental que trabalhemos melhor nosso autoconhecimento, procurando ampliar a área do EU PÚBLICO e diminuir as áreas do EU CEGO, do EU FECHADO e do EU DESCONHECIDO.

O desequilíbrio, entre estas áreas, certamente irá prejudicar sua carreira profissional, como também sua vida e relacionamentos pessoais.

Como orientação básica oferecemos a seguir um conjunto de sete dicas para melhorar nosso posicionamento pessoal, baseado no estudo da Janela de Johari:

1) Faça um levantamento de todas as características positivas e negativas sobre sua pessoa;

2) Seja transparente, torne público o maior número de características sobre sua pessoa no seu ambiente de trabalho e pessoal, tomando o cuidado de não prejudicar sua imagem expondo informações desnecessárias e inadequadas ao contexto;

3) Mantenha um grupo restrito de pessoas no trabalho e na vida pessoal em que possa compartilhar um número maior de informações recíprocas, isto gera confiança mútua e possibilita uma maior abertura pessoal;

4) Procure dar abertura às pessoa para falar de você mesmo, peça feedback, procure deixar as pessoas à vontade e com liberdade para falar sobre você, assim, diminuirá a sua área cega, pelo menos saberá mais o que os outros acham de você e poderá se beneficiar dessa informações, corrigindo erros;

5) Pergunte mais às pessoa sobre si mesmo, e preste bastante atenção nas respostas;

6) Desenvolva alguma forma de auto conhecimento, leia mais sobre o assunto, descubra-se mais, conheça-se mais;

7) Defina todas as área que precise mudar, e crie disposição e vontade para fazer a mudança.

Para se construir uma imagem positiva no campo pessoal ou profissional é necessário perceber a diferença existente entre a imagem que as pessoas têm de nós e a nossa própria percepção pessoal. Diminuir esta diferença é o objetivo.

Desejamos construir uma imagem positiva a ser apresentada às pessoas e às organizações onde ou com quem trabalhamos. Isso depende de um programa pessoal de autodesenvolvimento baseado no estudo e na prática de atos corretos e equilibrados sob a ótica social. Após isso, quanto mais conseguirmos transmitir uma imagem próxima daquilo que realmente somos aos outros, mais conhecidos seremos de modo coerente e, assim, conquistaremos mais lealdade e participação das pessoas em nossa vida.
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segunda-feira, janeiro 14, 2008

A IMPORTÂNCIA DA ANÁLISE COMO PARTE DA RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS

ABRAHAM SHAPIRO

Li, há poucos dias, um excelente post em um blog norte americano sobre percepção e dissonância cognitiva. O autor descreve uma análise estatística feita na Segunda Guerra, com o intuito de blindar os aviões de combate nas áreas mais frágeis e evitar, assim, o aumento no número de baixas de soldados e aeronaves.
Ao examinar os aviões que retornavam às bases aéreas americanas, o estatísco Abraham Wald detectou um padrão de áreas atingidas na fuselagem das aeronaves. Com pequenas variações, o sinistro localizava-se sempre numa área que pouco variava de um avião para outro.

Determinado o padrão, Wald partiu para a formulação de um novo modelo de blindagem, que em primeira análise, sugeriria uma óbvia aplicação de mais proteção nas áreas constantemente atingidas.

Para a surpresa geral, em sua apresentação de resultados do estudo, Wald teve um insight tanto óbvio quanto brilhante.

Sugeriu um modelo de blindagem que protegia diversas áreas das aeronaves, exceto todas aquelas em que eram mais frequentemente atingidas.

Justificou sua conclusão pela percepção, ou pela falsa percepção que nos leva a enxergar as ações de planos de sucesso, sem saber se os planos de fracasso também adotavam o mesmo padrão de comportamento. Entenda. Se os aviões eram atingidos quase sempre no mesmo lugar, e ainda assim voltavam para as bases, significava que era claro, que as avarias naqueles locais não eram fatais. E que muito provavelmente, os aviões abatidos, e que não podiam ser avaliados, apresentariam buracos de bala em áreas distintas daquelas estatisticamente mais afetadas.

Isso nos mostra claramente que às vezes - ou sempre - devemos olhar mais para os fracassos, aprender com eles para, assim, alcançar o sucesso.
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domingo, janeiro 13, 2008

A HISTÓRIA DO JOGADOR DE ESTRELAS


Para realizar grandes obras,
nós devemos não apenas agir,
nas também sonhar;
não apenas planejar,
mas também acreditar.
. ...............- Anatole France



Há uma história inspirada numa obra de Loren Eiseley. Eiseley era uma pessoa muito especial porque combinava o melhor de dois ramos da inteligência humana: ele era cientista e poeta, e sob estas duas perspectivas ele escreveu obras profundas e atraentes sobre o nosso mundo e o nosso papel dentro dele.


Era uma vez um homem muito sábio – bem parecido com o próprio Eiseley – que costumava ir à praia para escrever. Ele tinha o costume de caminhar sobre a praia antes de começar a trabalhar.

Um dia, ele estava passeando pela areia. Ao olhar mais adiante, viu um vulto humano que parecia estar dançando.

Ele sorriu ao pensar em alguém que dançasse o dia todo. Então apertou o passo para alcançá-lo. Quando chegou mais perto, viu que se tratava de um rapaz e que não estava dançando, mas se abaixando, pegando algo na areia e cuidadosamente atirando ao oceano. Quando chegou mais perto, gritou:

- Bom dia. O que você está fazendo?

O jovem parou, olhou para ele e respondeu:

- Jogando estrelas-do-mar no oceano.

Eu acho que em seguida deve ter perguntado:

- Por que está jogando estrelas-do-mar no oceano?

- O sol está a pino e a maré está baixando. Se eu não jogá-las lá, elas vão morrer.

- Mas, meu caro, você não percebe que há milhas e milhas de praia e estrelas-do-mar em todas elas? É impossível você fazer alguma diferença.

O jovem escutou atentamente. Então se curvou, pegou mais uma estrela do mar, correu, jogou-a no mar e, quando retornou, sorriu e disse:

- Fez diferença para esta aí.

Sua resposta surpreendeu o homem. Ele ficou confuso. Não sabia o que responder. E assim, ele virou as costas e voltou para casa para começar a escrever.

O dia inteiro, enquanto escrevia, a imagem do rapaz ficou em sua mente. Ele tentou ignorá-la, mas a visão persistia.

Finalmente, ao cair da noite, ele percebeu que ele – o cientista – ele – o poeta – havia deixado passar a natureza básica da atividade do jovem. Foi quando ele percebeu que o que o jovem fazia era uma opção por não apenas ser um observador no universo e vê-lo passar, pois ele optara por agir neste universo e fazer a diferença. Ele ficou envergonhado. E, naquela noite, foi se deitar preocupado.

Ao raiar da manhã, ele acordou sabendo que devia fazer alguma coisa. Então se levantou, vestiu suas roupas, foi à praia e encontrou o jovem. E junto com ele, passou toda a manhã jogando estrelas-do-mar no oceano.



Percebe o que os atos daquele jovem representa? Há, uma coisa muito especial em cada um de nós.

Todos nós fomos dotados da capacidade de fazer alguma diferença. E se pudermos, como aquele rapaz, nos conscientizar deste dom, conquistaremos, através da força de nossas visões, o poder de mudar o futuro. Este é o seu desafio. Também o meu desafio.

Cada um precisa achar a sua estrela-do-mar. E se jogarmos nossas estrelas sabiamente bem, não tenho dúvidas de que o século XXI será um "lugar maravilhoso".

Lembre-se: Uma visão sem ação não passa de um sonho. Ação sem uma visão é só um passatempo. Uma visão com ação pode mudar o mundo.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

O FIM DO CONHECIMENTO PROFISSIONAL PERMANENTE

ABRAHAM SHAPIRO

O papel fundamental dos líderes de hoje consiste em gerenciar o presente, esquecer seletivamente o passado e dar combustível para o futuro. Não poderão simplesmente, deixar de fazer o que fazem hoje e começar algo 100% novo a qualquer momento. Têm de proteger o negócio atual e, ao mesmo tempo, conduzir a empresa para uma nova fronteira.

Esta semana estou desenvolvndo um treinamento com uma equipe de vendas de imóveis. Esta já era uma equipe de vitoriosos quando me contrataram. Todos são campeões consagrados no mercado imobiliário da cidade. No entanto, a líder da equipe, uma engenheira civil muito competente, visualiza que a única forma de superar as novas formas de concorrência - que eles mal sabem de onde vão surgir nos próximos meses e anos - é através de vendas mais consultivas e organizadas. E isso significa: TREINAMENTO.

Aqueles vendedores sabem tudo sobre venda de imóveis. Têm habilidades em negociação, cálculos financeiros, conhecem leis e contrato de compra e venda tão bem quanto muitos advogados. Mas isso não é tudo.

Eles têm necessidades atuais de desenvolver novas percepções sobre clientes. Precisam entender melhor as novas dissonâncias que os clientes vivem quando adquirem seus produtos. Têm de conviver com novos tipos de clientes que estão surgindo, porque está existindo mais dinheiro em circulação.

Esta é a parte dinâmica da formação profissional. Ninguém sabe estas coisas permanentemente. E é óbvio, afinal, todas as empresas estão inovando freneticamente. Inovações geram novos conhecimentos e novos comportamentos. Os vendedores precisam estudar e aprender esse novo cenário. Não só. Eles devem se conectar com ele e vivê-lo ativamente a fim de absorvê-lo da forma como o mercado exige.

Liderança é pensar diferente e organizadamente. Até poucos anos, os grandes venciam os pequenos e os fortes massacravam os fracos. Hoje, os ágeis é que superam os lentos. O poder há muito deixou de ser a força e passou a ser a velocidade de transformação. Quem não for rápido, está morto.
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quinta-feira, janeiro 10, 2008

COMPRAR PODE SER UMA DOENÇA

ABRAHAM SHAPIRO

Os psicólogos já provaram que a relação com as compras pode se tornar uma compulsão parecida com a dependência de drogas.

Se você é excessivamente curioso por vitrines ou passa horas numa liquidação à procura do melhor produto e depois o exibe como um troféu, abra o olho. Você pode estar enfrentando um desequilíbrio emocional relacionado à compra compulsiva. Isso pode, até, chegar a sérias conseqüências sobre o seu orçamento familiar.

A ciência já sabe algumas coisas interessantes sobre o ato de comprar.

Nós gostamos de bens que nos auxiliam a projetar o perfil que desejamos aos olhos dos demais. Ou seja: não compramos apenas objetos, mas símbolos que transmitem informações sobre nossa identidade ou sobre o grupo ao qual desejamos pertencer.

Mulheres, por exemplo, consomem mais roupas e produtos de beleza.

Homens desejam carros e aparelhos tecnológicos – coisas que ampliam sua capacidade de controlar máquinas.

No entanto, embora os homens pareçam mais racionais, muitas vezes compram por impulso, enquanto as mulheres tendem a escolhas mais ponderadas.

O que fazer para controlar a tendência à obsessão pela compra? Uma boa técnica é anotar todos os itens comprados num determinado período, destacando aqueles que estão sendo efetivamente usados.

Para finalizar, uma curiosidade:

Sabe quem são as pessoas menos interessadas pelo consumo?

São aquelas cuja identidade se fundamenta em outros valores como: a religião, a qualidade de vida e a cultura.

As pessoas dispostas ao autoconhecimento e que refletem sobre as próprias atitudes são as que mais se beneficiam e não irão sofrer com a compulsão por comprar.

Um a zero para o filósofo Sócrates. Aqui também vale a máxima do: “conhece-te a ti mesmo”.
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VENDER A IDEIA CERTA

ABRAHAM SHAPIRO

A cena se passa no Paraíso. Eva e a serpente estão debaixo da árvore do fruto proibido.

- Come! - diz a serpente - e serás como os anjos!

- Não - responde Eva.

A víbora investe:

- Terás o conhecimento do Bem e do Mal

E Eva: - Não me interessa!

A cobra diz - Serás imortal como Deus

- Não, não e não – Eva esbraveja

A serpente já estava quase desistindo. Não sabia o que fazer, para que a esposa de Adão comesse o fruto proibido, até que teve uma idéia. Ofereceu novamente a fruta. Mas, desta vez, o argumento foi:

- Come, boba... esta fruta emagrece!!!

E o resto da história todos conhecem bem.



Esta anedota implica numa grande verdade. Nem tudo funciona como desejamos no primeiro instante. Mas, em não funcionando, é possível estudar, analisar a situação e encontrar o melhor modo de resolvê-la no segundo lance. O fato de não termos acertado de primeira nos dá a oportunidade de atingir o alvo na segunda... desde que exista estudo. O problema é que não estamos acostumados a analisar e criticar nossos próprios atos e, portanto, dificultamos o processo por falta de consciência.

Se ao invés de simplesmente apresentarmos ideias, produtos ou serviços, investirmos um tempo em traçar a estratégia - baseada em informações, conhecimento de mercado, comportamento do cliente etc - poderemos chegar mais perto do sucesso desde o princípio. Não é uma garantia, é claro. Talvez tenhamos que promover ajustes na seqüência - isso é normal. Mas analisar é uma ação que aumenta o conhecimento e a capacidade de visão, de proatividade.

Após as primeiras experiências práticas, é importante parar para rever nossos planos e avaliar se tudo está em conformidade com a estratégia. Em seguida, partir para as correções.

No dia a dia, arriscamos pensar e até apostamos que qualquer atitude resultará na satisfação dos nossos desejos e objetivos. Isso é ilusão. Não existe recompensa sem esforço.

Há um ditado que diz que qualquer sucesso repentino leva pelo menos 15 anos para acontecer. Pensar que tudo será fácil é o mesmo que jogar na Mega-Sena e gastar antes mesmo sorteio acontecer - presunção que pode custar caro demais
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segunda-feira, janeiro 07, 2008

IDÉIAS, PESSOAS OU COISAS?

ABRAHAM SHAPIRO

Há pessoas com quem é facílimo falar de coisas ou pessoas. De idéias? Não ouse. Elas empacam – o verbo, aqui é proposital.

Aí, estão os três níveis de gente que se acham no planeta. As baixas falam de pessoas; as medianas falam de coisas. Só as elevadas penetram no mundo das idéias.

Nunca fui intelectualóide, nem presunçoso a ponto de julgar-me inteligente. Tenho problemas de memória e meu raciocínio não é lá essas coisas. Mas sempre adorei expor o que penso com detalhes; falar de minhas interpretações e sentimentos mais interiores. Isso me realiza como indivíduo.

Meu grande problema sempre foi achar um interlocutor. Foram tão poucos com quem me satisfiz, e lamentavelmente tantas as circunstâncias em que os diálogos que eu iniciava, esperançoso, tornavam-se monólogos enfadonhos em questão de segundos, sem perspectiva nenhuma, a não ser após abrir mão de meu objetivo e dar continuidade falando de... coisas ou pessoas!

Cansei!

Onde estará o problema? Quem será o problema? Eu, é claro!!! Serei talvez um maluco freudiano daqueles que, feito Édipo recolhido, resolveu torrar a paciência da horda que tomou conta do planeta?

Não sei, não sei. Para minha tristeza, não sei mesmo.

A verdade é que aqui, hoje, não existe lugar para quem pensa. Há sim, áreas imensas e frondosas para os verborrágicos e logorréicos que borcam bobagens e leviandades em nome de se resumir nisto a vida, a razão, ou o sentido de viver.

Socorro. Tirem-me deste mundo. Eu preciso voltar ao planeta de onde vim.
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domingo, janeiro 06, 2008

FAÇA UMA ANÁLISE DE COMO ANDA A SUA PERCEPÇÃO DA REALIDADE

ABRAHAM SHAPIRO

Como vai a sua percepção? Segue abaixo um breve trabalho para sua auto-avaliação, sobre seu nível de percepção da realidade, a começar, é claro, com "o que é a realidade". Pense bem, entregue-se com profundidade à auto-análise e caso queira um excelente auxílio, assista ao filme "QUEM SOMOS NÓS?" (WHAT THE BLEEP DO WE KNOW?)


AS IDÉIAS PRINCIPAIS

A. As coisas são aquilo que são, porque nós somos aquilo que somos.

B. Quando abro os olhos e olho em torno, não vejo “o mundo”, mas o que meu equipamento sensorial consegue perceber, o que meu sistema de crenças me permite ver, o que minhas emoções desejam ou não ver.

C. Se um grupo de pessoas virem um colega com um dedo sangrando, serão unânimes em querer prestar socorro com curativos, remédio, ressuscitação respiratória e até o farão deitar-se numa maca e ali ficar por um bom tempo. Mas se estas pessoas se depararem com o mesmo colega chorando, alguns ficarão preocupados e darão valor ao sentimento desejando prestar ajuda. Outros poderão dizer: “É fingimento”; “Não é nada”; “Antes de casar passa”. Como é possível explicar esta diferença de abordagem?

D. Meu cérebro (e o seu, também) não sabe a diferença entre o que está acontecendo lá fora e o que está acontecendo aqui dentro.

E. Entenda definitivamente: Não existe “lá fora”... um lá fora que seja independente do “aqui dentro”.

F. Se construímos a realidade com elementos de nosso estoque já existente de lembranças, emoções, experiências e associações, como podemos perceber algo novo?

G. Informações novas são importantes. É muito bom aprender com a teoria. Mas o conhecimento completo envolve tanto a compreensão quanto a experiência, a prática. Se você quiser que alguém saiba como é comer um pêssego, pode descrever a experiência – “é suculento, doce, macio...” – mas ele ou ela nunca saberá de fato o que é comer um pêssego enquanto não morder um. Portanto, para expandir nosso paradigma e despertar para uma vida mais rica, precisamos de novos conhecimentos e experiências .

H. Tudo o que já experimentamos na vida esteve delimitado pelas fronteiras do que já sabemos. Torna-se óbvio que, se quisermos ter uma vida mais abrangente e mais rica, com mais oportunidades de crescimento, realizações e felicidade, precisaremos nos empurrar para a frente, fazendo grandes perguntas, experimentando novas emoções e armazenando mais dados em nossas redes neurais.


I. Lembre-se desta grande lição e talvez tenha a motivação necessária para buscar muito mais conhecimento do que tem buscado (ou não tem, infelizmente): "Você não fala daquilo que vê. Você só vê aquilo de que pode falar".


AUTO QUESTIONAMENTO

1. Por que as coisas são aquilo que são?

2. Neste momento especial da minha vida, há algo que eu não estou conseguindo ver e necessito muito ver?

3. Como as minhas emoções estão afetando a percepção da minha realidade? Tenho ciência de que minhas emoções ajudam a construir minha percepção da realidade? Em grandes ou pequenas proporções?

4. Como posso perceber algo novo quando estou preso/presa a meu velho paradigma?

5. O que eu estou hoje disposto/disposta a mudar para ver a realidade de forma diferente?

6. Como uma mudança nas minhas percepções vai mudar minha realidade? Ela vai ficar melhor? Diferente? Melhor e diferente?

7. Eu sou capaz de expandir meus conhecimentos através de novos conhecimentos? O que eu poderia fazer para ampliar minha visão de meu modelo pessoal do que é real e possível para mim?

8. Quando foi a última vez que provoquei a minha mente? Quando foi a última vez que eu tenha feito algo tão escandalosamente diferente, que fiquei de boca aberta pensando: “Uau!!! Não acredito que fiz isso!”

9. Sou capaz de me ver a mim mesmo/mesma como se fosse um observador externo, ou seja, estudar meus próprios hábitos como se eu espreitasse uma presa, de modo a me apanhar fazendo coisas habituais e então fazer algo totalmente novo?

10. Se eu só percebo o que conheço, como irei perceber algo novo? Se sou eu quem “me faço”, como poderei criar um “novo eu”?

11. Qual é o meu estado emocional mais freqüente? Como esse estado afeta minhas percepções? Eu consigo ver qualquer coisa que exista fora desse estado emocional?
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UMA DICA PODEROSA PARA PROFISSIONAIS DE VENDAS

ABRAHAM SHAPIRO

Pesquisas mostram que há três características relacionadas à capacidade de persuasão: a atratividade, a honestidade e a autoridade percebida.

Assim, se uma pessoa é fisicamente atraente, tendemos a gostar dela. E quanto mais gostamos dessa pessoa, mais tendemos a confiar nela.

As pesquisas também mostram que percebem-se as pessoas como mais confiáveis quando fazem contato com os olhos e falam com confiança, não importa o que tenham a dizer.
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MUDAR O JEITO DE MUDAR

ABRAHAM SHAPIRO

Quando foi a última vez que você sentiu estar no total controle de si mesmo? Você consegue se controlar? Tem domínio sobre seus atos, desejos? Não lhe conheço, infelizmente, mas uma das coisas que sei a seu respeito é que você não tem controle sobre seus pensamentos.

Nos dias atuais, quase todos somos controlados por alguma força externa: circunstâncias, mídia, marketing, idéias massificadas, conquistas não alcançadas, dinheiro, instituições, governos, sei lá o que mais; muitíssimo pouco ou quase nada por nós próprios. Vivemos iludidos de que exercemos sobre nós algum controle.

Fantasiamos que estamos no comando de nosso raciocínio e sobre esta mentira dormimos e acordamos dia-a-dia. Mal estamos ajustados à realidade do tempo. Hora estamos no passado – com lamentações, saudades, insatisfações – hora no futuro – procrastinando obrigações atuais, planejando o que ainda não atingimos, sonhando com o sucesso e conquistas. Isso não lhe soa familiar? Está aí a descrição do modo de vida – ou de morte, não sei – deste século: simples existência entorpecida por ilusões que nos cegam em relação a quem somos, o que fazemos, em que tempo vivemos e porque estamos aqui.

Onde fica o tempo presente? O que é o tempo presente? Quem o está vivendo? Você? Não. Eu? Caso eu viva um fantástico equilíbrio entre corpo e alma, sim. Converso todas as semanas com empresários, gerentes, executivos, colaboradores de todos os tipos de empresas. Não enxergo um sequer que tenha domínio equilibrado e prazeroso sobre o que pensam ou se propõem gerir ou conduzir. Estão, em geral, em busca incessante de algo que imaginam faltar e não sabem bem o que é. Parece que não estar satisfeito e contente é um padrão a ser seguido. Assemelham-se a peixes num rio poluído com seus corpos imerso na água e a boca buscando desesperadamente oxigênio do ar externo, já que não o encontram em seu próprio habitat. O lado triste é que muitos – senão todos – mal sabem o que buscam.

Planos, gráficos, resultados, tendências, visões, futuro, futuro, futuro. O hoje, a experiência da realidade, talvez sejam vistos por um breve lapso de tempo ao final do ano quando se dão uma olhada nos números, calculam-se os lucros e brindam o ano seguinte. Será o presente um número, um balanço contábil? E as atitudes, os estímulos, a apreciação do que já se alcançou, o esforço empreendido, as experiências, as lições?

Nossas sensações nos escravizaram. É escravo aquele profissional que se submete a um trabalho degradante, que lhe destrói a saúde, a família, os valores pessoais só pela garantia de um salário – salário, aqui, como poder, status. Hoje, mais do que viver é consumir. Por onde anda aquela brava postura de viver sem saber o que vai acontecer caso se tente algo novo amanhã?

Bem, a essas alturas você deve estar me reputando como um pregador de auto-ajuda. Sei que você e todos os demais leitores estão carecas de saber o que estou comentando. Todo mundo sabe, mesmo, intelectualmente. Mas por que não mudam? É que mudar é bem mais difícil.

Vejo amigos que há anos fazem terapia e até se desesperaram por entender claramente as razões que os levam a um tipo de comportamento destrutivo, mas continuam vivendo suas vidas sem sentido algum, fúteis e valendo, a seus olhos, bem menos que as ações em que investem na bolsa. Entender não é bastante.

Mudar é o processo mais difícil na vida. Mudar o funcionamento da mente – desta mente que foi moldada desde que éramos feto – é só o que pode fazer de nós as pessoas que devemos e necessitamos ser. Cultivamos a idéia de que mudar é criativo e que nos move para frente. Mas há momentos em que devemos parar e nos darmos conta de uma verdade de que nos afastamos há muito tempo: somos seres limitados, não somos os “deuses” que achamos ser. Aceitar nossas limitações e quebrar nosso orgulho, nossa auto-suficiência e prepotência é o princípio de uma poderosa, útil e salutar mudança que nos fará retornar à condição de seres humanos.

Mudar com calma. Mudar sabendo que a dor não dura para sempre, que o prazer não dura para sempre, que os objetos porque lutamos com sangue para adquirir não valem nem a milionésima parte da vitalidade que renunciamos para consegui-los.

Mudar através da alegria e da apreciação por tudo o que não temos olhos para ver e que, no entanto, há de permanecer enquanto vivermos e depois, ainda. Dizem que jamais existiu um milionário que, no leito de morte, tenha lamentado por não ter passado mais tempo em seu escritório ou fábrica. Mas por ter perdido a infância dos filhos, o amor da mulher amada, a sabedoria das coisas vividas com significado, a natureza. Ser feliz e ter paz interior. Ter a consciência de que não podemos controlar tudo e todos.

Quem tem poder maior que aquele que domina as próprias paixões? Qual império é maior que o daquele homem que se autodomina? Podemos e devemos almejar o controle do modo como iremos lidar com o mundo a fim de fazer dele um lugar melhor. Este é o alvo! Sem cobiça, sem ansiedade pelo futuro, sem sofrimento pelos números não atingidos, sem nostalgias corrosivas.

O presente está vazio, está pronto para ser preenchido. A qualidade e o sentido que dermos a cada atitude é que nos proporcionarão a sensação de dias plenos, de semanas realizadas e completas, de metas atingidas com equilíbrio e paz. Assim, sim: freando a corrida da vida rumo ao precipício do nada, descobrindo quanto é bom não ter idéia do que vai acontecer daqui a pouco - o que, aliás, é ótimo não saber. Eu sempre acreditei nisso, mas tinha medo. Hoje eu comecei a mudar.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

UMA AULA FÁCIL SOBRE DISSONÂNCIA COGNITIVA PARA PROFISSIONAIS DE NEGÓCIOS

ABRAHAM SHAPIRO

Dissonância Cognitiva é uma teoria que afirma ser psicologicamente desconfortável ao ser humano, manter cognições contraditórias. Seu pesquisador e proponente foi o psicólogo Leon Festinger.

Cognição significa o conhecimento que uma pessoa adquire de si, do seu comportamento e do meio que a cerca. Nossas opiniões e crenças são formadas a partir de nossa cognição.

Dissonância é o mesmo que desarmonia, discordância. O contrário de dissonância é “consonância” (harmonia, acordo, convergência).

Dizemos que opiniões, crenças ou itens de conhecimento são dissonantes entre si quando não se encaixam um com o outro. Esta incompatibilidade é, portanto, a causa da “dissonância”.

Por ser um sentimento desagradável, a dissonância motiva a pessoa a substituir a cognição, a atitude ou o comportamento dissonante. É como se fosse um ajuste automático em busca de se obter equilíbrio. Por que isto ocorre? É que o ser humano tende a valorizar a coerência – tanto a própria como a dos outros.

Quando se depara com percepções, informações ou idéias em conflito, ele quer reduzir a ansiedade produzida, isto é, reduzir a dissonância cognitiva.

O que fazemos para reduzir a dissonância cognitiva?

1. Podemos tentar substituir uma ou mais crenças, opiniões ou comportamentos que estejam envolvidos na dissonância;

2. Podemos tentar adquirir novas informações ou crenças que irão aumentar a consonância

3. Podemos tentar esquecer ou reduzir a importância daquelas cognições que mantêm a situação de dissonância

Vamos estudar alguns casos que trarão compreensão mais ampla.


CASO 1.

Cláudia é uma jovem honesta, porém, não teve tempo suficiente para estudar e preparar-se para uma prova. Sob impulso, ela copia várias respostas da prova de um amigo. Este comportamento entrou em conflito com a auto-imagem que Cláudia tinha de si. Isso a deixou desconfortável, causou nela uma tensão interna muito grande – o que chamamos comumente de dor na consciência. Essa tensão é a dissonância – um sentimento desconfortável, que incomoda muito e que as pessoas, em geral, tendem a fazer o que for possível para reduzir.

Como Cláudia poderá reduzir sua dissonância e quais as conseqüências?

Cláudia poderia mudar sua atitude com relação a trapacear. Ela poderia pensar: “sob determinadas circunstâncias, não faz mal algum trapacear”.

Cláudia poderia alterar suas idéias a respeito de sua desonestidade: “foi um deslize momentâneo que qualquer pessoa poderia cometer”

Após ponderar que trapacear ajuda, Cláudia poderia decidir passara trapacear no futuro.

Seja qual for a decisão de Cláudia, ela tenderá a se sentir motivada a fazer algo relativo à contradição e ao desconforto que a acompanha


CASO 2.

Célia, uma amiga confiável, promete encontrar-se com você às 16 hs e acaba não vindo. Você tende a experienciar uma ansiedade e sentir-se motivado a reduzi-la.

Você poderia:

1. Procurar uma explicação

2. Encontrar uma justificativa

3. Cortar Célia de sua lista de amigos.

O mesmo tipo de conflito surgiria se você estivesse se sentindo seguro no emprego e soubesse que vários outros funcionários tinham sido subitamente demitidos sem qualquer explicação.


CASO 3.

O processo decisório de um negócio não termina na compra – pelo menos não para o comprador! Depois de comprado, o produto gera determinados níveis de satisfação e insatisfação.

A satisfação com a compra provém de receber de um produto os benefícios esperados ou superiores à expectativa. Se as experiências dos compradores no uso do produto superam as expectativas, eles ficam satisfeitos, mas se as experiências revelam-se aquém das expectativas, ficam insatisfeitos. Não só, como também existe uma expressão no meio do Marketing a que se chama “lacuna de valor”, definida como a dissonância de alto custo entre o valor prometido aos clientes e o valor efetivamente entregue.

Após a compra do produto, o comprador pode sentir a dissonância cognitiva com a compra. Essa dissonância causa tensão no comprador, pois ele não sabe se tomou a decisão certa na compra do bem ou produto. Algumas pessoas referem-se a esse fenômeno como “remorso do comprador”.

A dissonância aumenta com a importância da decisão e a dificuldade de escolha entre os produtos. Quando a dissonância ocorre, os compradores talvez queiram se livrar do produto, devolvendo-o ou vendendo-o a outra pessoa. Eles podem também procurar o vendedor ou amigos para se sentirem mais seguros quanto ao fato de o produto ser bom e de terem tomado a decisão certa de compra (reforçando positivamente sua decisão).

Há diversas formas pelas quais você pode ajudar o comprador a ficar satisfeito com o produto e diminuir o grau de dissonância.

Demonstre ao comprador como usar o produto adequadamente.

Seja realista nas afirmações relativas ao produto. Exageros podem gerar insatisfação.

Reforce continuamente as decisões dos compradores, relembrando-lhes que o desempenho do produto é realmente bom e que atende as necessidades deles. Lembre-se de que há situações em que os compradores podem devolver o produto à empresa vendedora após a compra. Isso cancela a venda e prejudica sua probabilidade de fazer futuras vendas a esse cliente. Ele pode, até, tornar-se um detrator da marca (pessoa que sai falando mal).

Faça o acompanhamento do pós-venda para verificar se existe algum problema. Em caso positivo, ajude a corrigi-lo. Essa é uma excelente forma de aumentar a probabilidade de mais vendas a esse cliente.

Em resumo, procure vender um produto que satisfaça as necessidades do comprador, e não se esqueça de que só se considera fechada uma venda depois que a compra real tiver sido concluída e que você deve continuar reforçando as atitudes do comprador em relação ao produto o tempo todo, mesmo depois da venda.

Essa prática reduz a percepção de risco de fazer uma má compra, o que permite que os compradores escutem e acreditem em sua mensagem de vendas, embora algumas de suas propostas possam estar fora dos planos de compra deles, além de também reduzir a dissonância pós-compra que eles possam sentir.

Compradores que adquiriram confiança em suas afirmações quanto ao produto acreditam que você irá ajudá-los a usar esse produto adequadamente.


CASO 4.

Li, recentemente, um excelente post em um blog norte americano sobre percepção e dissonância cognitiva.

O autor descreve um estudo estatístico feito na Segunda Guerra, com o intuito de blindar os aviões de combate nas áreas mais frágeis e evitar o aumento no número de baixas de soldados e aeronaves.

Ao examinar os aviões que retornavam às bases aéreas americanas, o estatísco Abraham Wald detectou um padrão de áreas atingidas na fuselagem das aeronaves. Com pequenas variações, o sinistro era sempre numa área que pouco variava de um avião para outro.
Determinado o padrão, Wald partiu para a formulação de um novo modelo de blindagem, que em primeira análise, sugeriria uma óbvia aplicação de mais proteção nas áreas mais constantemente atingidas.

Para a surpresa geral, em sua apresentação de resultados do estudo, Wald teve um insight um tanto óbvio quanto brilhante.

Sugeriu um modelo de blindagem que protegia diversas áreas das aeronaves, exceto todas aquelas em que eram mais frequentemente atingidas.

Justificou sua conclusão pela percepção, ou pela falsa percepção que nos leva a enxergar as ações de planos de sucesso, sem saber se os planos de fracasso também adotavam o mesmo padrão de comportamento. Ou seja, se os aviões eram atingidos quase sempre no mesmo lugar e ainda sim voltavam para as bases, significava que era claro que as avarias naqueles locais não eram fatais.

E que muito provavelmente, os aviões abatidos, e que não podiam ser avaliados, apresentariam buracos de bala em áreas distintas, daquelas estatisticamente, mais afetadas.

Nos mostra claramente, que às vezes, ou sempre, devemos olhar mais para os fracassos, do que para os sucessos.


CASO 5.

Marian Keech era a líder de uma seita OVNI nos anos 1950. Alegava receber mensagens de extraterrestres conhecidos como Os Guardiães através de escrita automática. Assim como os membros da seita Heaven's Gate fizeram quarenta anos mais tarde, Keech e seus seguidores, conhecidos como Os Buscadores da Irmandade dos Sete Raios, esperavam ser recolhidos por discos voadores.

Segundo as profecias de Keech, seu grupo de 11 pessoas seria salvo pouco antes que a Terra fosse destruída por um dilúvio maciço em 21 de dezembro de 1954. Quando se tornou evidente que não haveria nenhum dilúvio e que os Guardiães não passarIam para apanhá-los, Keech ficou exultante. Disse ter acabado de receber uma mensagem telepática dos Guardiães, dizendo que seu grupo de seguidores havia espalhado tanta luz com sua inabalável fé que Deus havia poupado o mundo do cataclismo.

Mais importante é o fato de que os Buscadores não a abandonaram. A maioria se tornou mais devota após a falha da profecia. Apenas dois deixaram a seita quando o mundo não acabou. A maioria dos discípulos não só permaneceu como, após tomar essa decisão, estavam então ainda mais convencidos que antes de que Keech estava certa o tempo todo.

O fato de estarem errados os transformou em crentes fanáticos.

Algumas pessoas são capazes de ir longe para evitar a incompatibilidade entre suas crenças mais caras e os fatos. Mas por que as pessoas interpretam as mesmas evidências de formas contrárias?

Os Buscadores não teriam esperado pelo disco voador se achassem que ele poderia não vir. Assim, quando ele não veio, seria de se esperar que alguém que pensasse de forma competente teria visto isso como uma refutação da alegação de Keech de que ele viria. No entanto, os maus pensadores foram feitos incompetentes pela devoção a Keech. Sua crença de que um disco voador os apanharia era baseada em fé, não em evidências. Da mesma forma, a crença de que o fracasso da profecia não deveria ser levado em conta contra suas crenças foi mais um ato de fé.

Com esse tipo de pensamento irracional, poderia parecer inútil apresentar evidências para tentar convencer as pessoas de seus erros. Sua crença não é baseada em evidências, mas na devoção a uma pessoa. Essa devoção pode ser tão grande que mesmo o mais condenável comportamento de um profeta pode ser racionalizado.

Há muitos exemplos de pessoas tão devotas a alguém que poderiam racionalizar ou ignorar abusos físicos e mentais extremos de seu líder de seita (ou cônjuge, ou namorado).

Se a base da crença de uma pessoa é fé irracional, fundamentada na devoção a uma personalidade poderosa, a única opção que essa pessoa tem ao ser confrontada com evidências que poderiam minar sua fé seria continuar a ser irracional, a não ser que essa fé não fosse mesmo tão grande.

A questão interessante, então, não é de dissonância cognitiva e sim de fé. O que havia em Keech que teria levado algumas pessoas a terem fé em sua pessoa, e o que havia nessas pessoas que as teria tornado vulneráveis a Keech? E o que havia de diferente nos dois que abandonaram a seita?
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sábado, janeiro 05, 2008

FALAR CONSIGO MESMO - UM MEIO PARA SER MELHOR

ABRAHAM SHAPIRO

Meu tio falava sozinho. Um dia, tomei coragem e perguntei a ele por quê? Ele, então me respondeu que não tinha ninguém mais inteligente com quem conversar.

Você sabia que o ser humano fala consigo mesmo o tempo todo? Todos temos uma espécie de ‘CD’ que fica tocando em nosso subconsciente, repetindo como enxergamos a nós próprios e as limitações que nos auto impomos.

Por exemplo: “Meu patrão não aprova as coisas que faço!”, ou “Nunca satisfarei as expectativas de meu marido”; "Ninguém reconhece meus esforços".

Quem pensa assim, está limitando a si próprio e cria um estado interior de tensão e hesitação.

Nós somos o que pensamos! Nossos pensamentos se transformam em pressupostos - certezas que geramos interiormente sobre pessoas ou coisas sem qualquer preocupação em descobrir se são verdadeiras, falsas, construtivas ou destrutivas. Com o tempo estes pressupostos se cristalizam em nossas crenças internas.

Tudo que você consegue fazer - ou não consegue - depende de seu sistema de crenças centrais. Estas crenças são lembradas o tempo todo por esta voz interior que mantém-se em nosso cérebro.

Como seria se pudéssemos trocar este CD? Trocar as mensagens frequentes e negativas por algo muito mais energizante e inspirador? É possível?

É claro que sim.

Do mesmo modo, que gravamos coisas ruins a nosso respeito e acreditamos nelas, podemos fazer o contrário e colher bons frutos. Um excelente começo para aprimorar nossa comunicação intra-pessoal é apreciar as mensagens positivas, que ficaram gravadas em algum lugar de nossa memória e mantivemos durante toda a vida. Os melhores momentos de nossa existência são os nossos melhores professores.

"Sou uma pessoa boa"; "Eu consigo me comunicar bem"; "Sou compreensiva e entendo os sentimentos das pessoas". Estes são exemplos de como podemos gravar boas impressões a nosso respeito. E por sermos condicionáveis, quanto mais pensarmos bem, melhores resultados colheremos. Se agora mesmo você pensar: "Estou comprometido e resolvido a aprimorar minha comunicação interna" e repetir esta frase quantas vezes for necessário de modo a garantir que sua forma de comunicar com o seu íntimo crie um diferencial positivo em sua vida, muitas coisas boas começarão a acontecer, esteja certo.

Há outras maneiras de aprimorar a comunicação interna. Livros e artigos inspiradores podem ajudar. Palestras e pessoas positivas com quem conversamos também. Por estes meios, nosso acervo interno é enriquecido e podem mudar nossa percepção sobre tudo e todos.

Pare de sofrer com idéias torpes e retrógradas. Escolha encher seus pensamentos com coisas brilhantes e positivas. Você se sentirá bem e se tornará mais agradável às pessoas que talvez já se entediaram de tanto ver em você um poço de fracasso e dor por opção. Dê-se o direito de se autoconstruir como um ser humano íntegro, bom e completo.
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ROER OSSO DURO TAMBÉM É PARTE DE UMA VENDA

por WALTER LUZ

O cliente sobre quem comento nesta crônica encontra-se muito bem cotado, entre os maiores, em seu segmento no cenário nacional.

O comprador levou-me, um dia, para conhecer a linha de produção. Encontrei pessoas gentis, máquinas e sistemas moderníssimos trabalhando em ritmo empolgante. É notável o espírito de equipe entre os colaboradores. Mostram a qualquer um o orgulho de estarem trabalhando ali. É evidente o sentimento de paixão que todos, sem exceção, exalam.

São geradores de grande prosperidade em sua região. Cultivam ligações extraordinárias com a comunidade e valorizam as relações fortes com clientes e fornecedores.

Neste cliente fizemos investimentos no desenvolvimento de vários protótipos com que visávamos melhor atender às exigências do mercado que eles exploram. Esforcei-me ao máximo em demonstrar atenção e comprometimento sério em ajudá-los a atingir este ideal. Até agora, fechamos apenas uma de toda a série de embalagens desenvolvidas. Ela atende uma nova linha de produtos – quase nada frente ao volume de produtos que eles fabricam.

Recentemente questionado sobre o pequeno retorno frente ao valor já acumulado que fizemos neste projeto, eu não encontrei outra forma mais realista de responder senão: “Ainda continuo roendo o osso”.

Minhas esperanças são grandes. Não só, fizemos um excelente trabalho. Resultados nem sempre acontecem no tempo que desejamos. E parece que muito menos quando temos necessidade. É uma pena. Difícil para nossas empresas e mais, ainda, para qualquer um de nós, vendedores.

Não são poucas as vezes que precisamos dispor de recursos ou meios com que nem contamos para buscar uma parceria. Por isso, todo início – ou reinício – depende de um rol não pequeno de princípios. Enquadrar-se neles e respeitá-los em todas as etapas da negociação é a sabedoria que se requer para a conquista de uma forte e cristalizada parceria comercial. Mas a questão não é exata, não é matemática, mas comportamental. É ter paciência e entender que o tempo é muito mais complexo do que imaginamos ou ansiamos quando olhamos no calendário, no relógio ou na data de vencimento de nossas contas.

E tão importante quanto isso tudo é saber, ainda, que o profissional de vendas nem sempre terá suas realizações no lugar mais alto do pódio ou no topo da montanha mais visível do sucesso. Às vezes, e sào muitas, ele terá de se contentar em vê-las humildemente anexadas como parte de um processo ou de um projeto com perspectivas remotas de se concretizar como um negócio real.

Ao narrar esta experiência, meus olhos ainda marejam de emoção pela energia, pelo desejo de acertar e pelo quanto isso já demandou de nós. Mas a consciência dominante em mim é de que sou uma parte de um todo muito grande de situações e conseqüências, ações e reações, estímulos e respostas. Nem sempre terei destaque; nem sempre ganharei o quanto a que me dedico, eu sei. Mas satisfaço-me enormemente em ser uma engrenagem importante sem a qual a máquina não irá funcionar.
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quarta-feira, janeiro 02, 2008

É BOM VENDER PARA AMIGOS?

ABRAHAM SHAPIRO

Há um ensinamento em vendas que diz: “Se todas as condições forem iguais, as pessoas querem fazer negócio com os amigos. E se as condições não forem tão iguais, elas ainda querem fazer negócio com os amigos”.

Estima-se que 50% das vendas são feitas e as relações de negócio mantidas por causa da amizade. Em negócios, o vínculo emocional ainda é o grande diferencial positivo e estratégico.

Se você acha que a venda acontece por causa do melhor produto, do melhor serviço ou do preço, esqueça.

Quando existe uma amizade confiável, a venda será realizada com base nela. Portanto, fazer amizade com seu cliente potencial aumenta astronomicamente suas chances.
Como você convida um amigo para sair ou pede um favor? Você apenas pede, não é?

Assim também é nos negócios: você não precisa de técnicas de venda ou de formalidades para vender para os amigos. Respeito e objetividade, sim.

Como é que os seus melhores clientes se tornaram os melhores? Não foi pelo esforço que você fez? Não foram cuidados e consideração constantes? Aí é que está. Se você é amigo de seu melhor cliente, isso elimina a desconfiança sobre o preço e outras exigências. E se por acaso ocorrer algum erro de atendimento, é quase certo que ele irá perdoar.

A lição é: uma venda lhe rende uma comissão. Mas um bom amigo, pode lhe render um milhão.

Você está precisando de mais vendas? Então deixe as técnicas em segundo plano e trate de fazer bons e fiéis amigos.

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terça-feira, janeiro 01, 2008

SE ESTE FOR O SEU CASO

ABRAHAM SHAPIRO

Fábula conhecida, mas essencial.

Um fazendeiro era colecionador de cavalos. Uma determinada raça completaria a coleção de seus sonhos, quando ele descobre que seu vizinho tem um exemplar maravilhoso desta raça. Atazanou-o até comprá-lo.

Um mês depois, o cavalo adoece. O veterinário vem, examina e faz suas considerações:

- Este animal tem uma virose aparentemente grave e transmissível. É preciso ministrar este medicamento três dias. Depois eu retornarei. Caso não melhore, serei obrigado a sacrificá-lo por exigência de saúde pública.

Neste momento, o porco escutava a conversa.

No dia seguinte, o capataz deu o medicamento ao cavalo e foi embora. O porco aproximou-se do animal doente e disse:

- Força amigo! Você vai conseguir! Levanta, senão o pior poderá acontecer!

No outro dia, após o remédio, o porco aproximou-se novamente do cavalo e, com maior entusiasmo, pôs-se a discursar:

- E aí, amigão? Você não pode se entregar! Sei que está difícil, mas morrer, nunca! Força! Eu lhe ajudo a levantar!

No terceiro dia, a última dose e o veterinário decreta:

- Infelizmente, não vejo saída. Faremos o sacrifício amanhã. Temos que evitar que a virose se espalhe.

Ao sair, o porco aproxima-se do cavalo e diz com rigor:

- É agora ou nunca, levante! Coragem! Isso! Ótimo! Vamos, mais depressa. Excelente! Corre, corre mais! Assim, campeão!!!

O dono, que chegava à sede da fazenda, ao ver o cavalo correndo no campo, não contém sua alegria e, exultante, grita para todos:

- Milagre!!! O cavalo melhorou. Isso merece uma festa. Matem o porquinho para o churrasco!!!

Esta fábula descreve uma situação típica no ambiente empresarial. O chefe sem caráter - e são muitos por aí - nunca percebe quem é o funcionário com os verdadeiros méritos de motivador e incentivador dos demais, o que realmente faz as coisas acontecerem. Ele só vê e destaca as atitudes daqueles com quem se agrada por algum interesse próprio e vil - seja o puxa-saco que o elogia por qualquer bobagem, o "bobo da corte", ou a secretária que dá o "agradinho" nos momentos de tensão, preocupação ou de dorzinha nas costas.

Saber viver sem reconhecimento é uma arte. Se este for o seu caso, procure manter-se como uma pessoa de valor com maior afinco e obstinação do que ser uma pessoa de sucesso aos olhos de um chefe boçal e sem caráter.
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