19 de ago. de 2010

A EMPRESA BRASILEIRA E A EDUCAÇÃO

ABRAHAM SHAPIRO

A empresa nacional está ávida por mudanças no modo de operar negócios. É praticamente uma exigência para o seu enquadramento no cenário do desenvolvimento mundial. Muitas delas estão engatinhando nisso. Outras já obtêm  algum resultado plausível. Mas há um enorme contingente longe disso.

Quais os maiores obstáculos? O principal: a mão de obra.

O trabalhador brasileiro é simples por natureza. Enfrenta as dificuldades eventuais na execução de suas tarefas profissionais e até procura produzir soluções que as facilitem, baseado em sua criatividade nata. O problema é que ele não se inclui inteiramente no desenvolvimento e implantação dos sistemas. Por exemplo: os programas de qualidade. As empresas visam implantá-los num determinado formato, porém a formação profissional de nosso trabalhador é baixa para que se insiram nele.

Visitei uma empresa que estava em festa por ter conquistado a certificação ISO. Pouco mais de dez minutos após eu ter chegado, já sabia que o evento celebrava a conquista de poucos alí. A maior parte dos funcionários é semi-alfabetizada. Caminhando pela linha de produção, constatei organização e limpeza. Mas os procedimentos que orientam o sistema em si estavam pendurados nas máquinas sem nenhuma evidência de serem consultados pelos operários. Eles não irão lê-los. Eles não lêem manuais de eletrodomésticos, nem revistas, e nem receitas de bolo ou bulas de remédios. Na verdade quase todos, senão todos, sabem ler, mas não compreendem o que leem.

Falta qualificação. Falta cultura. Gerar vagas de emprego pura e simplesmente não soluciona o problema – a menos que todas sejam de ajudantes gerais.

Se quisermos que aconteça algo efetivo, temos que transformar o território brasileiro em uma imensa sala de aula.

Tal como sonhamos que o Brasil aconteça no presente e no futuro será difícil por falta de investimentos maciços em educação. E sem educação, nada é consistente.

Quando o presidente Jânio Quadros deixou o poder, profetizou que, após seu governo e por muitas décadas, a indústria que mais progrediria no país seria a indústria de colchões. Hoje este cenário mudou muito. Mas o parque industrial brasileiro carece de um tipo de negócio que poderia fazer grande diferença. É a indústria de despertadores.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

18 de ago. de 2010

A FARSA DO TRABALHO SUADO

ABRAHAM SHAPIRO

Cheguei à empresa antes do horário marcado em agenda. Os funcionários trabalhavam num imenso salão aberto. Quando o diretor me atendeu, disse que necessitava de um trabalho meu sobre a medida da produtividade do pessoal e depois um treinamento geral de conscientização aos funcionários. Estranhei o pedido. Era muito específico. Eu tinha a impressão de que todos ali trabalhavam comprometidos. Disse isso ao meu interlocutor. Ele começou a rir. Pensou por uns instantes, e então me falou: “Não se engane, Sr Shapiro. Eles criaram uma técnica de não fazer nada e parecerem bons trabalhadores. Descobrimos isto após a instalação de microfones por toda a área da administração”.

Em seguida ele ligou um aparelho de CD e comecei a ouvir o que haviam gravado. Era um horror. Os funcionários mais velhos davam instruções aos novatos e recém-contratados de como se comportar enganosamente. Ali estava a autêntica farsa do trabalho suado diante dos meus ouvidos.

Eis aqui algumas das barbaridades mais sórdidas que ouvi naquele dia. Caso você identifique uma ou outra em sua empresa, não se desespere. Comece dando o benefício da dúvida, mesmo porque pode ser apenas uma indesejável coincidência. Mas no momento seguinte abra o olho. Pode ser um indício de que o tal esquema já chegou aí também. Parece epidêmico.

1. Nunca caminhe pela empresa sem um documento nas mãos. Segurando um documento, você parece ocupado e todos acham que você está indo para uma reunião importante. De mãos vazias, parece que você vai tomar café. Segurando um jornal, pensarão que vai ao banheiro.

2. Olhe para o computador o tempo todo seriamente . Todos pensarão que você está ocupado. Não importa se está lendo uma piada ou batendo papo no MSN. Fique sério o tempo todo.

3. Deixe a sua mesa sempre bagunçada. Isso dá a aparência de que você está trabalhando duro. Construa pilhas enormes de documentos e jamais se esqueça de que é o volume que conta.

4. Demonstre estar sempre impaciente e irritado. Seu chefe pensará que você está realmente ocupado.

5. Leve pelo menos três ou cinco dias para dar retorno aos e-mails de seus superiores. Quando perguntarem a razão da demora, diga que está sobrecarregado de atividades. Eles pensarão várias vezes antes de lhe passar novas tarefas. Outro truque interessante é emitir e-mails importantes fora do horário - por exemplo: 21h50m, 6hs - e também durante feriados e finais de semana.

6. Sempre que possível deixe o escritório mais tarde, especialmente se o seu chefe estiver por perto. E ao ir embora, passe na frente da sala do seu chefe.

7. Uma ou duas vezes por semana leve algum material para casa. Isso causa a falsa impressão de que você trabalha mais horas do que costuma.

8. Procure no dicionário palavras difíceis. Construa frases com elas. Use-as quando estiver conversando com o seu chefe. Lembre-se: ele não tem que entender o que você diz, desde que as coisas que ele ouve e o seu modo convicto de falar dêem a entender que você está certo.

Pois é. Havia registros incríveis no CD do diretor. Eu me restringi a estes por serem os mais emblemáticos.

Fique de olhos abertos no seu pessoal. Qualquer situação que despertar desconfiança, tente pegar de surpresa. Só não pense que sua percepção atual e inocente é correta. Há pessoas quase perfeitas na arte de enganar. Mas tenho para mim que o pior de tudo é você pagar para que eles façam isto.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

PESQUISA NPS - O FEEDBACK AO CLIENTE

Se o momento for de contenção de custos, dê autonomia para o pessoal na linha de frente reagir rápido.

Rob Markey, Fred Reichheld e Andreas Dullweber

Gerente de uma filial da corretora americana Charles Schwab, Cheryl Pasquale começa a jornada de trabalho com o seguinte ritual: logo que chega à mesa, liga o laptop, entra na intranet da empresa e puxa o último relatório de feed­back da clientela da filial. Gerado por um breve questionário que a firma de investimentos envia diariamente por e-mail, o relatório exibe as respostas mais recentes dadas por clientes de sua equipe.

Ao examinar os resultados, Pasquale fica sabendo como os seis consultores financeiros que supervisiona se saíram nas transações do dia anterior. Examina a nota dada pela clientela no cômputo geral, lê comentários de indivíduos que deram nota alta ou baixa e vê se algum tipo particular de interação suscitou elogios ou queixas. À medida que vai avançando, nota que vários clientes expressaram frustração com a dificuldade de usar os terminais de informação instalados na agência. Decide que vai pedir sugestões à equipe sobre o assunto na reunião semanal. Certos clientes estão confusos com um dos formulários da Schwab. Pasquale toma nota mentalmente de conversar sobre isso com outros gerentes de agências na reunião regional no fim do mês. E detecta uma oportunidade para orientar um novo representante de contas sobre uma maneira melhor de forjar relações com clientes em sua próxima sessão individual de treinamento.

Um “alerta ao gerente” — uma notificação especial deflagrada por um cliente que deu nota baixa à Schwab pela demora em ingressar uma transação em sua conta — chama a atenção da gerente. Já que o cliente se disse disposto a discutir o assunto por telefone, Pasquale toma nota de tentar ligar para ele no mesmo dia. Por incrível que pareça, em geral ela gosta desse contato telefônico. É uma chance de descobrir o que vai na cabeça do cliente e resolver seu problema. E de, potencialmente, converter críticos em fãs.

Todo dia, gerentes de cada uma das 306 agências e dos cinco call centers da Schwab fazem um exercício similar. É parte fundamental de um novo foco no feedback direto do cliente — foco que, segundo o fundador, Charles Schwab, permitiu que a corretora se reerguesse. Quando Schwab deixou a aposentadoria para assumir o leme, em 2004, a firma vivia dificuldades. “Tínhamos perdido o contato com os clientes, e isso precisava mudar”, confessou Schwab aos acionistas no relatório anual. O novo sistema de feedback do cliente ajudou a restabelecer o elo. Em 2008, o faturamento da corretora subiu 11%; a nota que os clientes dão à empresa saltou 25%. E, em meio à turbulência que sacudiu a indústria de serviços financeiros, os clientes confiaram um volume líquido de US$ 113 bilhões em novos ativos à Schwab, onde o total de novas contas de corretagem cresceu 10%.


O jeito certo de obter feedback

A maioria das empresas gasta muita energia para ouvir a “voz do cliente”, mas poucas estão muito satisfeitas com o resultado do esforço. Uma grande variedade de técnicas já foi empregada, todas úteis para determinados fins — mas todas com suas desvantagens. Pesquisas de satisfação elaboradas, fundadas em modelos de sondagem exclusivos, podem ser caras de realizar e demorar para gerar informação. E, uma vez concluídas, pode ser difícil converter as conclusões em ações concretas. Além disso, os resultados podem ser inexatos: nossa investigação mostra que a maioria dos clientes que acabou trocando uma empresa por outra se declarara “satisfeita” ou “muito satisfeita” em tais pesquisas pouco antes de desertar. A prática de despachar executivos para incursões em campo pode gerar novos insights, mas poucas equipes de gestão conseguem sustentar uma iniciativa dessas — e, ainda que consigam, em geral penam para converter o que descobriram em instruções que o pessoal na linha de frente possa seguir. Convidar “clientes pesados” — gente que gasta muito e costuma ter forte compromisso com a empresa — para falar sobre sua experiência pode lançar luz sobre questões críticas. Mas não é fácil, para o pessoal na linha de frente, aprender com esse tipo de cliente sobre o próprio comportamento ou criar soluções para os problemas que levantam.

Um número crescente de empresas já montou programas eficazes de feedback do cliente que dão cabo desses desafios logo de partida. Em vez de criar mecanismos elaborados e centralizados de sondagem do cliente, essas empresas dão início ao ciclo de feedback na linha de frente. O pessoal que ali trabalha tem seu desempenho avaliado por aqueles mais aptos a dar um parecer: os clientes que acabaram de atender. O passo seguinte é ir falar com clientes que se puseram à disposição para conversas individuais. A meta é entender em detalhe o que o cliente valoriza e o que a linha de frente pode fazer para oferecer isso de maneira melhor. Com o tempo, a empresa usa os dados para montar um referencial da experiência do cliente — referencial pelo qual se pauta para fazer ajustes em processos e diretrizes.

Os ciclos de feedback mais fortes não se limitam, no entanto, a conectar clientes, a linha de frente e um punhado de tomadores de decisão na cúpula. Vão além: mantêm o cliente em primeiro plano em toda a organização. Uma série de táticas, como contratar “clientes ocultos” para testar o atendimento ao cliente ou organizar encontros periódicos entre funcionários e clientes, ajuda a fortalecer esse foco por toda a organização. Uma abordagem que a nosso ver dá bons resultados numa série de setores é a do Net Promoter Score (NPS), que um dos autores deste artigo, Fred Reichheld, criou sete anos atrás.

O NPS imediatamente coloca todo cliente em um de três grupos — promotores, passivos e detratores —, permitindo que funcionários empresa afora saibam de cara se a experiência vivida por um cliente foi boa ou ruim, e por quê. Para obter o NPS, é feita uma única pergunta ao cliente: “Qual a probabilidade de você vir a recomendar [a empresa ou o produto] a um amigo ou colega?”. Quem disser que é de 9 ou 10 é um promotor — os clientes mais dedicados da empresa. O cliente que der nota 7 ou 8 à experiência é passivo e o que der de 0 a 6 é detrator. O NPS é a porcentagem de promotores menos a porcentagem de detratores. O passo seguinte é perguntar ao cliente o motivo pelo qual recomendaria ou não a empresa. A informação obtida com essas respostas permite que o pessoal identifique rapidamente questões que criam detratores — e as ações necessárias para enfrentá-las (para detalhes sobre o NPS, veja “O único indicador a melhorar”, HBR Dezembro 2003).

Colha feedback na linha de frente

Digamos que haja diariamente milhares de transações entre clientes e o pessoal da linha de frente da empresa. Cada uma dessas transações é uma oportunidade para a empresa criar um novo promotor. Mas que experiências de clientes mais pesam? Descobrimos que as interações mais importantes se dão em “horas da verdade”: aquelas ocasiões relativamente reduzidas de contato que guardam o maior potencial de impressionar — ou afugentar — os clientes de uma organização. Ao vasculhar o fluxo constante de feedback do cliente, é preciso dar especial atenção a esses pontos de contato.

Por essa lógica se pautava Michael Diekmann, presidente da Allianz, quando resolveu, em 2004, aproximar a empresa mundial de serviços financeiros do cliente. Diekmann e a equipe de liderança reconheceram que nenhum grupo ali dentro da empresa estava em melhor posição para identificar experiências definidoras para o cliente (e de descobrir maneiras eficazes de aprimorá-las) do que as dezenas de milhares de funcionários da Allianz em contato direto com o cliente — gente que respondia diariamente pelo atendimento. O primeiro passo da diretoria foi montar uma pequena equipe de foco no cliente diretamente subordinada ao conselho. Caberia a essa equipe conceber, montar e testar um sistema de feedback e levá-lo ao pessoal da linha de frente na maioria dos 70 países nos quais a Allianz atuava. A equipe escolheu o NPS como principal indicador.

Vejamos como funciona o sistema da Allianz: depois de cada transação, uma empresa independente de pesquisa imediatamente entra em contato com o cliente para uma breve sondagem. Os resultados são enviados na hora, por e-mail, ao funcionário que prestou o serviço e publicados de forma agregada em “painéis” na intranet local para que todos possam ver. Em seguida, funcionários da linha de frente ligam para uma amostra de clientes que aceitou ser contatada. Depois de ouvir o que o cliente tem a dizer, solucionam o problema ou o repassam a um superior que possa resolvê-lo.

Já que assume a responsabilidade de melhorar a pontuação de sua unidade de trabalho no sistema de feedback, o pessoal na linha de frente se reúne com frequência para buscar maneiras (grandes ou pequenas) de melhorar o serviço prestado. Numa unidade europeia de seguro-saúde da empresa, por exemplo, o NPS revelou que atrasos sem justificativa em reembolsos eram grande fonte de frustração para os clientes. Quando foram falar com clientes insatisfeitos, representantes da área de reembolso descobriram que muita gente tinha de ligar várias vezes para se informar sobre a situação do reembolso e descrever o problema de saúde repetidamente. A solução dos atendentes: na primeira chamada, todo segurado seria destacado para um gerente de casos que se encarregaria do contato até que a pendência fosse resolvida. Para administrar as expectativas do cliente, qualquer atraso no processo de reembolso deflagraria uma chamada ou mensagem de texto informando o segurado da situação do pedido. Logo depois de adotado o novo protocolo, houve uma alta de dois dígitos no NPS da unidade de reembolso e aumento considerável no índice de renovação de seguros.

Um processo como esse, de “loop” fe­cha­do, pode desaparecer sem liderança forte e reforço cultural. Para enfrentar o desafio, o braço de seguro patrimonial, acidentes e responsabilidade civil da Allianz na Austrália — a meio mundo de distância da sede — faz os principais executivos ligarem pessoalmente para clientes a cada mês, além de premiar e reconhecer seus funcionários. Gerentes de cada escritório de vendas, unidade de sinistros e call center mantêm um “banco de elogios” onde registram todo feedback positivo que cita alguém da linha de frente pelo nome. Conquistas individuais do pessoal são festejadas em “assembleias” regulares nas quais o mestre de cerimônias é um alto executivo da Allianz.



Gestão de mudanças com o feedback do cliente

Para muitas empresas, o caminho até o cliente final é tortuoso, já que vendem seus produtos a distribuidores, varejistas e outros intermediários. Representantes de vendas na linha de frente em geral têm pouco incentivo ou pouca capacidade para ir além do cliente imediato e se conectar com aqueles que acabam escolhendo ou utilizando os produtos.

Nessa situação se encontrava a Grohe, fabricante europeia de metais exclusivos para banheiro e cozinha. A Grohe tem mais de 20 divisões e vende seus produtos em 130 países. Seus clientes incluem grandes redes de material de construção, lojas de ferragens e depósitos. Quando a empresa trocou de mãos, em 2004, a participação de mercado começou a cair de forma incessante.

Seu presidente, David Haines, decidiu que a estratégia de clientes era a chave para a retomada do crescimento. Estabeleceu três prioridades. Primeiro, a Grohe precisaria de informações corretas sobre a cadeia de relacionamento com o cliente para descobrir como o pessoal de vendas na linha de frente e equipes de marketing de apoio poderiam intervir para turbinar as vendas. Segundo, precisaria determinar rapidamente se novas abordagens testadas pelo pessoal de vendas estavam funcionando. Terceiro, precisaria de um sistema de feedback que permitisse o aprendizado contínuo na linha de frente e funcionasse bem em todos os mercados em que atuava.

Breves sondagens por telefone revelaram um grande descompasso entre distribuidores, atacadistas e varejistas da Grohe e seus clientes — aqueles que influenciavam ou efetuavam a compra dos metais da empresa. Representantes de vendas da Grohe descobriram que seus clientes diretos (muitos dos quais também vendiam produtos da concorrência) precisavam de muito mais ajuda para comunicar os atributos — desenho inovador, facilidade de instalação, confiabilidade — que eram vantagens competitivas da Grohe.

A Grohe rapidamente lançou programas para resolver esses problemas. O pessoal de vendas começou a organizar workshops em showrooms de distribuidores para mostrar a construtores como era fácil instalar os produtos. A empresa forneceu novos mostruários para corredores e vitrines para destacar o apelo decorativo dos metais. E criou um grupo de elite — o “Clube Grohe” — para reunir uma turma seleta de distribuidores de alto volume, dando incentivos e apoio de vendas adicional. Para fechar o ciclo de feedback e determinar se as técnicas estavam turbinando a fidelidade do cliente e as vendas, a Grohe aplicou regularmente o questionário do NPS aos distribuidores. No ano seguinte à estreia do novo programa, o NPS da empresa subiu mais de 20 pontos porcentuais.

A Grohe também usa o Net Promoter Score em experimentos controlados para testar ideias em campo antes de aplicá-las ao sistema todo. Num mercado, por exemplo, começou a monitorar quantas vezes seus representantes de vendas visitavam o cliente e que efeito o número de visitas tinha no NPS. Descobriu que o NPS atingia um teto com três visitas e começava a cair com o contato mais frequente. Ao eliminar visitas adicionais improdutivas na maioria de seus territórios de vendas, a Grohe liberou cerca de 25% de sua capacidade de venda.

EM EMPRESAS que conseguem estabelecer um sistema forte de feedback do cliente, líderes de unidades de negócios e o pessoal da linha de frente começam a se responsabilizar pela fidelização do cliente da mesma forma que se responsabilizam por metas de receita, lucro e participação de mercado. Aliás, aumentar o feedback positivo do cliente e atingir metas financeiras convencionais passa a ser uma coisa só. Analistas da Grohe, por exemplo, calcularam que um avanço de 10% no NPS está ligado a uma alta de seis a sete pontos porcentuais no crescimento da receita.


Como constataram funcionários da Grohe, da Schwab, da Allianz e de outras empresas com as quais trabalhamos, não há como resolver um problema sem saber que ele existe. E, a menos que consiga atrair de volta os clientes que já tem e fazer com que recomendem a empresa a amigos e colegas, será muito difícil fazer o negócio crescer.  

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Rob Markey (rob.markey@bain.com) é sócio da Bain & Company em Nova York e líder do braço de estratégia de clientes e marketing da firma. Fred Reichheld (fred.reichheld@bain.com) é “fellow” da Bain e uma das maiores autoridades do mundo em fidelização do cliente. É autor de A Pergunta Definitiva: Você nos Recomendaria a um Amigo? (Campus, 2006). Andreas Dullweber (andreas.dullweber@bain.com) é sócio da Bain & Company em Munique, onde dirige o braço de estratégia de clientes e marketing para a Europa.






17 de ago. de 2010

A VERDADE MAIS ATUAL SOBRE "ENCANTAR CLIENTES"

Para fidelizar de verdade o cliente, esqueça mimos e supérfluos. Basta resolver seu problema.


Matthew Dixon, Karen Freeman e Nicholas Toman

A tese de que a empresa deve “encantar” o cliente está tão enraizada que a gerência raramente faz uma pausa para examiná-la. Mas aqui vai uma pergunta: com que frequência alguém prestigia uma empresa só porque o atendimento é fora de série? É bem provável que o leitor lembre de um punhado de exemplos, como o do hóspede que faz questão de voltar a um hotel cujo pessoal é particularmente atencioso. Mas provavelmente não serão muitos.

Agora pergunte: quantas vezes um consumidor abandona uma empresa devido a um péssimo atendimento? O tempo todo. O consumidor se vinga da companhia aérea que extravia sua bagagem, da empresa de cabo cujos técnicos não aparecem na hora marcada, da operadora de celular que o deixa pendurado no telefone, da lavanderia que não entende o significado de “urgente”.

O impulso do consumidor a punir o atendimento ruim — pelo menos com mais presteza do que a premiar o atendimento primoroso — é altamente visível tanto na interação por telefone como no autoatendimento, maiores canais de serviço ao cliente da maioria das empresas. Nesses cenários, revela nossa pesquisa, a lealdade tem muito mais a ver com a capacidade da empresa de honrar sua promessa básica (por mais modesta que seja) do que com o espetacular que a experiência do atendimento possa ser. Mas a maioria das empresas não percebe isso e paga caro em termos de investimento jogado fora e clientes perdidos.

Para examinar o elo entre atendimento ao cliente e fidelidade, o Customer Contact Council (divisão do Corporate Executive Board) fez um estudo com mais de 75 mil indivíduos que haviam interagido por telefone com representantes de centrais de atendimento ou usado canais de autoatendimento como internet, atendimento telefônico automatizado, chat e e-mail. Também fizemos centenas de entrevistas estruturadas com líderes de centrais de atendimento e seu equivalente funcional em grandes empresas ao redor do mundo (veja detalhes no quadro “Nossa pesquisa”). Abordamos três questões:


• Qual a importância do atendimento ao cliente para a fidelidade?

• Que atividades do atendimento ao cliente aumentam a fidelidade e quais não?

• É possível aumentar a fidelidade sem elevar custos operacionais do atendimento ao cliente?

Houve duas constatações cruciais, que deveriam afetar a estratégia de atendimento ao cliente de toda empresa. A primeira é que encantar o cliente não produz fidelidade; reduzir seu esforço — o trabalho que deve fazer para ter seu problema resolvido —, sim. A segunda é que agir deliberadamente com base nesse insight pode ajudar a melhorar o serviço ao cliente, derrubar o custo do atendimento e reduzir a perda (“churn”) de clientes.

Esforço excessivo

Segundo a opinião popular, o cliente é mais fiel à empresa que se desdobra para agradá-lo. Nossa pesquisa sugere, no entanto, que superar expectativas do cliente durante interações de atendimento (oferecer um reembolso, um produto grátis ou uma cortesia como frete expresso sem custo adicional, por exemplo) só o torna marginalmente mais fiel do que quando suas necessidades são simplesmente satisfeitas.

Para o líder que faz carreira no setor de atendimen­to, é uma constatação alarmante. Que central de atendimento não tem uma parede recoberta de cartas e e-mails de clientes elogiando o esforço extra que alguém do atendimento fez em seu nome? Aliás, 89 dos 100 diretores de serviço ao cliente que ouvimos disseram que sua principal estratégia era superar expectativas. Mas, apesar desse esforço hercúleo — e caro —, 84% dos clientes nos disseram que sua expectativa não tinha sido superada na interação mais recente.

Uma razão para o foco na superação de expectativas é que nada menos que 80% das organizações de atendimento ao cliente usam índices de satisfação do cliente (ISC) como principal critério para avaliar a experiência do cliente. E é comum o gerente supor que, quanto mais satisfeito, mais fiel o cliente será. Mas, como outros antes de nós (sobretudo Fred Reichheld), vimos pouca relação entre satisfação e fidelidade. Em nosso estudo, 20% dos clientes “satisfeitos” disseram que pretendiam abandonar a empresa em questão; 28% dos “insatisfeitos” pretendiam continuar com ela.

O retrato fica ainda mais desolador. Embora não tenha muito efeito no aumento da fidelidade, o atendimento prestado pode contribuir muito para miná-la (e geralmente o faz). A probabilidade de um cliente sair de uma interação de atendimento infiel é quatro vezes maior do que a de sair fiel.

Outra maneira de pensar sobre fontes de fidelidade do cliente é imaginar duas esferas — uma contendo coisas que geram fidelidade e outra com coisas que geram infidelidade. A esfera da lealdade é formada basicamente de fatias como qualidade do produto e marca; a fatia do atendimento é bem reduzida. Já o atendimento responde pelo grosso da esfera da infidelidade. Prestigiamos uma empresa porque seus produtos são de qualidade, a relação custo-benefício é boa ou a marca é atraente. E, em geral, desertamos uma porque o atendimento ao cliente deixou a desejar.


Facilite as coisas

Voltemos à principal implicação de nosso estudo: em se tratando do atendimento, a empresa produz clientes fiéis basicamente ao ajudá-los a resolver eventuais problemas com rapidez e facilidade. De posse desse conhecimento, podemos alterar radicalmente a ênfase de interações de atendimento ao cliente. Formular o desafio de atendimento em termos de facilitar a vida do cliente pode ser altamente esclarecedor — libertador até —, sobretudo para empresas que vêm lutando para “encantar”. Mandar o pessoal na linha de frente superar expectativas do cliente tende a gerar confusão, perda de tempo e esforço, além de mimos onerosos. Instruí-lo a “facilitar as coisas” dá uma base sólida para a ação.



O que significa, exatamente, “facilitar as coisas”? Simplesmente remover obstáculos. Identificamos várias queixas recorrentes sobre interações de atendimento, incluindo três ligadas especificamente ao esforço feito pelo cliente. O cliente não gosta de ter de contatar a empresa várias vezes (ou de ser transferido) para que o problema seja resolvido, de ter de repetir informações, de ter de pular de um canal de serviço para outro (ter de ligar, por exemplo, depois de tentar em vão resolver o problema pelo website). Mais da metade dos clientes que ouvimos disse topar com dificuldades do gênero. Uma empresa pode reduzir esse tipo de esforço e medir o efeito com um novo indicador, o Índice de Esforço do Cliente (IEC), que usa uma escala de 1 a 5 na qual 5 representa esforço muito grande (para detalhes veja o quadro “Índice de Esforço do Cliente”).

Durante o estudo, vimos diversas empresas que tinham conseguido implementar um modelo de baixo esforço do cliente no atendimento. A seguir, cinco das táticas que empregaram — e que toda empresa deveria adotar.



1. Não se limite a resolver o problema presente — previna o seguinte. De longe, a maior causa do excesso de esforço pelo cliente é a necessidade de ligar de volta. Muitas empresas acreditam estar se saindo bem nesse quesito por terem um forte RPC, o índice de resolução no primeiro contato (veja o quadro “O que medir?”). Só que 22% das chamadas repetidas envolvem questões ligadas ao problema que motivou a chamada original — ainda que o problema em si tenha sido devidamente solucionado da primeira vez. Embora esteja aparelhada para prever e solucionar antecipadamente essas questões, a empresa raramente o faz, em geral devido ao foco excessivo em controlar a duração de chamadas. É hora de entender que, para calcular o esforço empreendido, o cliente computa não só como uma ligação isolada foi abordada, mas também como a empresa administra eventos de atendimento que se desdobram e normalmente exigem várias chamadas, como conseguir financiamento para um imóvel ou pedir a instalação de TV a cabo.

Para superar o desafio, a Bell Canada vasculhou dados da interação de clientes com a empresa. A ideia era entender a relação entre distintos problemas vividos pelo cliente. Graças ao que aprendeu sobre “clusters de eventos”, a Bell passou a treinar o pessoal do atendimento para não só resolver o principal problema do cliente, mas também para prever e solucionar questões posteriores comuns. Uma alta parcela dos clientes que contratavam um recurso especial, por exemplo, ligava de volta para saber como usá-lo. Agora, o pessoal do atendimento dá uma rápida explicação ao cliente sobre os principais aspectos do recurso antes de desligar. Esse tipo de resolução antecipada permitiu à Bell reduzir em 16% o total de “chamadas por evento” e em 6% a perda de clientes. Para questões correlatas complexas, que se abordadas na primeira chamada consumiriam tempo demais, a empresa envia e-mails — explicando, por exemplo, como interpretar a primeira conta recebida. Agora, a Bell Canada está aplicando essa abordagem de previsão de problemas à experiência de direcionamento de chamadas para o cliente.



A Fidelity usa um conceito similar em seu site de autoatendimento, sugerindo “próximos passos” ao cliente que executa certas operações. Quando faz uma troca de endereço pela internet, o cliente costuma ligar depois para pedir novos talões de cheque ou informações sobre seguro residencial; logo, a Fidelity o direciona para esses tópicos antes que saia do site. Hoje, 25% das transações de autoatendimento no site da Fidelity têm origem em sugestões similares de “questões seguintes”; o total de ligações por domicílio caiu 5% desde que a política entrou em vigor.

2. Prepare o pessoal para lidar com o lado emocional da interação com o cliente. Em nosso estudo, 24% das chamadas repetidas resultavam do descompasso emocional entre clientes e atendentes — situações nas quais o cliente não pôs fé nas informações dadas pelo atendente, por exemplo, ou não gostou da resposta recebida e teve a impressão de que o funcionário estava se escondendo detrás da política geral da empresa. Com uma orientação básica, o atendente pode eliminar muitas questões interpessoais e reduzir, com isso, chamadas repetidas.

Uma instituição britânica de crédito imobiliário ensina o pessoal de atendimento a captar pistas sobre a personalidade do cliente. Os atendentes rapidamente determinam se estão falando com um tipo “controlador”, “refletido”, “emotivo” ou “artista” e adaptam sua resposta de acordo com isso, dando ao cliente a mescla de detalhe e agilidade adequada para a personalidade diagnosticada . Essa estratégia derrubou o total de chamadas repetidas em impressionantes 40%.

A empresa de iluminação Osram Sylvania vasculha o acervo de transcrições de chamadas para identificar termos que tendem a causar reação negativa e deflagrar novas chamadas — a palavra “não”, por exemplo — e orienta seus atendentes a refrasear a resposta. Em vez de dizer “Não temos esse item em estoque”, um atendente poderia explicar: “Teremos esse item em estoque em duas semanas”. Graças a mudanças simples como essas no discurso, a Osram Sylvania reduziu o Índice de Esforço do Cliente de 2,8 para 2,2 — 18,5% abaixo da média que vemos para empresas B2B.

A LoyaltyOne, operadora do programa de recompensa Air Miles, ensina o pessoal a extrair informações que ajudem a posicionar melhor um resultado potencialmente frustrante. Se está atendendo um cliente interessado em usar milhas para um voo não disponível e descobre que o interlocutor vai viajar para uma reunião importante de trabalho, o atendente pode usar o fato para dar um caráter positivo à necessidade de reserva em outro voo. Poderia dizer: “Ao que parece, esse compromisso não permite atrasos. O voo da manhã não está disponível, mas com a possibilidade de atraso, seria arriscado de todo modo. Sugiro um voo no domingo à noite para não haver o risco de perda da reunião”. Com essa estratégia, o volume de contatos repetidos caiu 11%.

3. Aumente o “stickiness” em canais de autoatendimento para minimizar a troca de canal. Muitas empresas perguntam “Como convencer o cliente a usar o site de autoatendimento?”. Nosso estudo mostra que, na verdade, muitos clientes já estiveram lá: 57% das chamadas feitas a uma central de atendimento são de clientes que foram primeiro ao website. Embora queiram que o cliente rume para a internet, muitas empresas relutam em fazer melhorias no site, por achar que apenas um gasto pesado e a atualização tecnológica segurarão o cliente ali (e mesmo quando se gasta com a modernização, a iniciativa em geral é contraproducente, pois a empresa tende a adicionar recursos complicados e confusos para tentar acompanhar as concorrentes).

O cliente pode ficar perdido com a profusão de canais de autoatendimento — resposta de voz interativa, websites, e-mail, chat, comunidades de suporte online, mídias sociais como Facebook e Twitter, e assim por diante. Além disso, em geral não está capacitado para decidir qual a melhor opção. Se deixado à própria sorte, por exemplo, um usuário tecnologicamente pouco sofisticado pode ir parar em comunidades de suporte online altamente técnicas. O resultado é que o cliente pode fazer um grande esforço pulando de um canal para outro só para apelar para o telefone no final.

Hoje, a Cisco Consumer Products direciona o cliente para o canal que, a seu ver, mais se ajusta a ele, com base em hipóteses específicas sobre cada segmento geradas pela equipe interna de experiência do cliente. Na página inicial do site, a linguagem usada empurra quem entende de tecnologia para comunidades de suporte online; quem tem menos tarimba técnica é direcionado ao banco de conhecimento com a promessa de instruções passo a passo simples. A empresa eliminou a opção e-mail ao constatar que não reduzia de forma inequívoca o esforço do cliente (nosso estudo mostra que é preciso 2,4 e-mails, em média, para resolver um problema, em comparação com 1,7 telefonema). Quando a Cisco Consumer Products iniciou o programa, em 2006, apenas 30% do contato com o cliente se dava via autoatendimento; hoje, o total é 84%. Já o volume de chamadas caiu.

Para reduzir o esforço do cliente, bastou à Travelocity melhorar a seção de ajuda do website. A empresa descobrira que muita gente que buscava soluções ali não encontrava e acabava recorrendo ao telefone. Ao eliminar jargões, simplificar a diagramação e aumentar a legibilidade de modo geral, a empresa fez dobrar o uso de suas “dúvidas mais frequentes” e reduziu em 5% o volume de chamadas.

4. Use o feedback de clientes contrariados ou com dificuldades para reduzir o esforço do cliente. Muitas empresas pedem a opinião do cliente ao final do atendimento para medir o desempenho interno; nem sempre, no entanto, usam os dados que coletam para aprender com clientes insatisfeitos. Mas vejamos o que faz a National Australia Group. A empresa tem atendentes especificamente treinados para ligar para clientes que deram nota baixa ao atendimento. Esse pessoal se concentra primeiro em resolver o problema do cliente, mas também busca ouvir sua opinião e usá-la para aprimorar o serviço. O índice de resolução de problemas na empresa subiu 31%.

O aprendizado e a intervenção não estão limitados ao canal telefone. Certas empresas monitoram o comportamento online para identificar clientes com dificuldades. A EarthLink tem uma equipe especial de atendentes que entram em cena conforme necessário no website de autoatendimento — iniciando, por exemplo, um chat com um cliente que esteja há mais de 90 segundos no centro de conhecimento ou tenha clicado no link “Fale conosco”. Esse programa derrubou em 8% o volume de chamadas.



5. Capacite a linha de frente a proporcionar uma experiência de baixo esforço. Sistemas de incentivo que valorizam mais a velocidade do que a qualidade podem ser a maior barreira à redução do esforço do cliente. A maioria das organizações de serviço ao cliente ainda enfatiza indicadores de produtividade como tempo médio de atendimento na hora de avaliar o desempenho de atendentes. Melhor seria se abolissem índices de produtividade que impedem que a experiência do cliente seja facilitada.

Uma empresa australiana de telecomunicações eliminou todo indicador de produtividade do painel de desempenho do pessoal na linha de frente. Embora o tempo de atendimento tenha subido ligeiramente, o volume de chamadas repetidas caiu 58%. Hoje, a empresa avalia os atendentes somente com base em breves consultas feitas diretamente a clientes, perguntando basicamente se o atendimento que receberam satisfez suas necessidades.

Livre para se concentrar em reduzir o esforço do cliente, o pessoal do atendimento pode facilmente marcar pontos fáceis. A Ameriprise Financial, por exemplo, pede que seus atendentes registrem todo caso no qual são obrigados a dizer não ao cliente. Ao fazer uma auditoria dos “nãos”, a firma descobriu várias diretrizes obsoletas devido a mudanças regulatórias ou a melhoramentos em sistemas ou processos. No primeiro ano de registro dos “nãos”, a Ameriprise modificou ou eliminou 26 diretrizes. De lá para cá, ampliou o programa: pediu que o pessoal do atendimento sugerisse outras eficiências em processos, gerando US$ 1,2 milhão em economia como resultado.

Certas empresas foram ainda mais longe, tornando o baixo esforço do cliente a pedra angular de sua proposta de valor de serviços e branding. O sul-africano Nedbank, por exemplo, adotou como promessa o mote “AskOnce”, o que garante que o atendente que primeiro pega o telefone se responsabilizará pelo problema do cliente do início ao fim.

A missão imediata é clara: o dirigente empresarial deve concentrar o braço de atendimento em reduzir o esforço do cliente para mitigar a infidelidade. Mas gerentes de atendimento em dúvida sobre a melhor maneira de reestruturar as centrais de contato — departamentos erguidos sobre a premissa de “encantar” o cliente — devem considerar o seguinte: há uma grande mudança em curso em termos de preferências de atendimento do cliente. Embora o grosso das empresas acredite que a esmagadora maioria dos clientes prefere o atendimento ao vivo via telefone ao autoatendimento, nossos dados mais recentes revelam que o cliente é, na verdade, indiferente. É um ponto de inflexão importante, que provavelmente prenuncia o fim do atendimento telefônico como principal canal de interação no atendimento ao cliente. Para gerentes de atendimento empreendedores, é uma oportunidade de reformular a organização em torno do autoatendimento e, no processo, colocar a questão da redução do esforço do cliente de uma vez por todas no centro das atenções, onde deveria estar.
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Os autores são professores da  Harvard Business School, nos EUA.




GENTE DESLIGADA

ABRAHAM SHAPIRO

Esta é a Era da Informação, você já sabe. O que talvez não saiba é que também é a "Era da Distração".

Começamos uma tarefa e, minutos depois, a interrompemos para checar e-mails ou responder um recado no MSN. Retomamos o trabalho, em seguida, e logo o paramos para fazer uma ligação que havíamos esquecido.

Li um livro cujo título em português é: "Distraído: A erosão da atenção e a iminente era das sombras" . A autora mostra que a falta de foco dos profissionais contemporâneos traz prejuízos para as empresas e para eles  próprios. Maggie Jackson, a autora, mostra os níveis perigosos atingidos por este fenômeno comportamental.

As interrupções consomem 28% do dia de um funcionário. Nos EUA isto custa algo em torno de US$ 500 bilhões por ano.

Ela mostra que um trabalhador administrativo troca de atividade a cada três minutos - incluindo o uso de celulares, e-mails e mensagens instantâneas. Uma vez distraído, pode levar até meia-hora para reassumir o trabalho original que havia começado a desenvolver antes.

Mas o que preocupa são os dados de que os funcionários cujo trabalho é rotineiramente interrompido costumam ficar mais frustrados e sofrer de estresse intenso.

O fato mais importante a ser observado, no entanto, é que sob a pressão de prazos os trabalhadores são mais criativos quando estão focados, e não quando estão dispersos ou são interrompidos.

A distração pode transformar também a vida em família. Para a autora, isto pode ser verificado nas refeições caseiras, que costumavam ser um ritual importante na vida das pessoas e são atualmente ignoradas  por uma boa parte das famílias. Uma pesquisa que ela cita revela que quando assistem à TV os pais interagem 20% menos com seus filhos e passam a dar respostas automáticas a qualquer coisa que eles digam.

A ciência comprava que se você tem um bom controle da atenção pode dominar sua capacidade de adquirir conhecimentos, conter mais suas emoções e articular melhor suas ações. Algumas empresas começaram a enfrentar o problema e criaram momentos para que o pensamento criativo possa florescer sem obstáculos. A IBM aposta nas "sextas-feiras de reflexão", nas quais os funcionários deixam de consultar e-mails e são impedidos de participar de reuniões.

O que fazer para aumentar a capacidade de atenção de nossas mentes? Uma das saídas estatisticamente eficazes é a meditação, sugere a autora. A respiração cadenciada faz  que fiquemos mais focados. Um dos estudos citados por Maggie mostra que em oito semanas de meditação os praticantes adquirem uma maior capacidade  de concentração e foco.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

16 de ago. de 2010

O MITO DO RELAX

Artigo publicado no JL - Jornal de Londrina, em 16/08/2010, na coluna Profissão Atitude

ABRAHAM SHAPIRO

Uma recente publicação do Wall Street Journal discutiu os resultados de um estudo fascinante. As pessoas que trabalham sob alta pressão buscam freqüentemente tirar para si, um tempo para se distanciar de tudo, relaxar e “descomprimir”, já que o senso comum assume ser este o procedimento padrão para aliviar os efeitos acumulativos da tensão.

Os resultados do estudo indicam que um ciclo de forte tensão seguido por uma relaxação absoluta não faz mais que prejudicar a saúde física e mental de quem sofre stress crônico.

A única coisa que realmente ajuda é aprender a responder de maneira eficaz às situações que podem produzir tensão quando estas se apresentam e estabelecer com elas uma relação correta. Relaxar em si não cura a tensão. Reformar a conduta diária, sim. Eis o modo correto de atingir uma vida menos estressada, pois, significa melhorar a qualidade de vida.

Entre tantos outros, este é um conceito que precisa ser melhor estabelecido em nossa sociedade carente de conceitos. O modo pelo qual pautamos a vida atual nos induz a entender a liberdade, por exemplo, como “estar livre de dar atenção, de preocupações e das cargas normais da vida”. Em outros termos, a liberdade, no conceito geral, equivale à relaxação total.

Mas isto não é verdade. É uma ilusão. Vivemos em um mundo de detalhes e minúcias que a própria ciência desconhece.

Liberdade significa possuir a capacidade de usar o livre-arbítrio para se desenvolver e crescer. Muitos pensam que são livres, quando na verdade são escravos dos modismos da sociedade. Escravidão é agir sem pensar, seguindo desejos e impulsos momentâneos.

O mais valioso trabalho desta vida consiste em sair desta escravidão e caminhar para a verdadeira liberdade, e não abrir tempo para relaxar ou dedicar-se a viagens maravilhosas. Trata-se de dominar tudo, e não deixar-se controlar por nada.

Há quem esteja escravizado pelo descanso e necessidades sociais, assim como aqueles rotulados como workaholics. Ao mesmo tempo há pessoas que sabem viver sua liberdade de modo pleno e trabalham em ritmo alucinante. O poder da vida em conformidade aos objetivos da criação está posto no modo como se fazem as coisas, e não nelas.
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14 de ago. de 2010

PERFIL EMPREENDEDOR - RAUL ANSELMO RANDON: COM FÔLEGO DE GURI

Os segredos do empresário Raul Anselmo Randon para jamais perder a energia da juventude

BETE DUARTE

Quando senta na sala envidraçada da casa da fazenda em Vacaria, onde passa os finais de semana, e observa a bela natureza que a rodeia, o empresário Raul Anselmo Randon tem pensado que um dia irá embora e não voltará mais. Em tom de brincadeira, costuma dizer que gostaria de voltar mulher, e bonita, para explorar os homens, mas tem a certeza de que deve é viver a vida da melhor maneira possível. E isso significa, para ele, continuar trabalhando no grupo Randon, que engloba 10 empresas, entre elas uma das maiores fabricantes mundiais de carrocerias de caminhão e de implementos agrícolas. Afinal, considera o trabalho um prazer.

Aos 80 anos, não quer saber de aposentadoria. Ao contrário, são tantos planos que tem dificuldades para dormir. Os que convivem com ele garantem que serão necessários mais 50 anos para que todos os projetos se concretizem. Atualmente, depois de entregar a direção das empresas aos filhos, passou a se dedicar a uma área específica: a gastronomia. O que poderia ser um hobby acabou por tornar-se agronegócio. As maçãs que plantou colocaram a empresa em 5º lugar na produção da fruta no Brasil. O vinho que produziu para comemorar as bodas de ouro com dona Nilva já ganhou prêmios e é um dos mais cobiçados a cada safra. A produção de queijo tipo Grana Padano o colocou entre os três concorrentes ao título de artesão gastronômico da revista Prazeres da Mesa, uma das mais importantes do gênero. Guardadas as proporções, o empresário lembra o rei Midas, que tudo o que tocava transformava em ouro.

Raul Randon é um homem que se acostumou a pegar no pesado desde muito cedo. De família humilde, aos nove anos cultivava a terra com os avós na colônia. Aos 14, fabricava machados, enxadas e outras ferramentas com o pai e estudava à noite. Avesso à escola, desistiu dos estudos sem completar o ensino primário. Aos 18, foi para o quartel. Quando voltou, o irmão mais velho, Hercílio, que fazia um estágio em uma empresa, a 4 quilômetros de casa, sem remuneração, havia aprendido a montar motores à explosão e, na oficina do pai, fazia serviço de reforma de motores. Projeto a que Raul se incorporou. Um ano depois, com um amigo do irmão, formaram uma sociedade para fazer máquinas impressoras. Foram apenas 12 máquinas fabricadas, porque, em 1951, quando participavam da festa de Nossa Senhora de Caravaggio, ouviram o padre anunciar no alto-falante da praça que a oficina estava incendiando.

– Ficamos sem nada, e a sociedade com o amigo foi desfeita. Tivemos que recomeçar do zero. Mas pelo menos não tínhamos dívidas – recorda.

A fé católica evitou que desanimassem. Ao contrário, voltaram à reforma de motores na oficina de manutenção de uma fábrica de tecidos, enquanto construíam o pavilhão para instalar a própria oficina. Em 1953, um amigo lhes apresentou o italiano Antonio Primo Fontebasso, que deu a ideia de fabricar freios a ar para reboques. Como não é de perder oportunidades, abriu a Mecânica Randon Ltda, sociedade que durou dois anos, porque Fontebasso adoeceu e se retirou. Os irmãos passaram a fabricar o 3º eixo para caminhões e semi-reboques de um e dois eixos, uma revolução na época e o primeiro passo certeiro para o sucesso que viria a seguir. Raul Randon nunca teve medo do batente, ao contrário, procurava prestar muita atenção em tudo e aprender. Hábito que mantém até hoje.

Nas reuniões da holding, onde ocupa o cargo de presidente do Conselho de Administração, fica calado, ouve todas as exposições e só então dá suas opiniões. O genro Sérgio Martins Barbosa, diretor superintendente da Rasip – braço da empresa que cuida dos agronegócios – diz que seu Raul, como todos o chamam, tem uma memória fantástica.

– Ninguém pode dizer um número, uma projeção para ele, uma data para conclusão de um projeto, porque ele não esquece e cobra – revela.

Tanto é assim que traz na ponta da língua todos os números referentes às empresas. Sabe quanto produzem, quanto gastam, quanto recebem e quanto podem investir. Ele nunca pensa pequeno, e talvez aí esteja uma das razões do sucesso de seus empreendimentos. Lá, no início, quando produzia 700 unidades/mês de sistema de reboque e foi à Itália conhecer outras indústrias do setor, voltou com a ideia de aumentar esse número para 1mil/mês. Quatro anos depois, inaugurou a primeira fábrica de caminhões com três eixos brasileira. O mesmo aconteceu quando, também na Itália, visitou uma fábrica de queijos Grana Padano, conduzido por amigo italiano admirador de sua produção de maçãs. Logo, chegavam ao Brasil dois aviões Boeing cheios de vacas holandesas e eram investidos 3 milhões de dólares, que resultaram na produção do Gran Fromaggio.

– O investimento mais firme que tenho – garante.

Ele reconhece que o sucesso da produção de maçãs, vinhos e queijos está ancorado na saúde financeira do braço de máquinas e implementos. Foi de lá que veio o dinheiro para dar início aos agronegócios. Hoje, orgulhoso, percorre as instalações da fábrica de queijos, onde estão armazenadas 23.500 formas de 40kg cada do único queijo do gênero no Brasil. Expandiu a atuação no mercado vinícola e se tornou, junto com a Miolo e a Lavora, um dos sócios da vinícola Almadén, em Santana do Livramento. E, claro, tem muitos planos de expansão.

Está enganado, no entanto, quem pensa que o empresário tem uma vida atribulada, sem tempo para nada. É bem verdade que acorda cedo, 6h da manhã. Come uma das maçãs que produz e, pelo menos três vezes por semana, vai nadar 500 metros. Um dia dedica tempo para o pilates, que está adorando. Duas vezes por semana, faz massagem. E uma vez, acupuntura com uma tailandesa. Nas horas de lazer, já gostou de caçar. Na sala da casa em Vacaria, tem uma foto em que empunha uma espingarda e está rodeado de perdizes e codornas. Faz tempo que não caça mais.

– Parei quando o cachorro ficou mais rápido do que eu – brinca.

Sua diversão atual é o carteado, nunca a dinheiro. Também gosta de futebol: é torcedor do Grêmio, do Juventude, do Palmeiras e do Vasco, mas não vai mais aos jogos desde que levou um dos 11 netos e ficou estarrecido com o tanto de palavrões que a criança ouviu. Tem três filhos homens e duas mulheres, e só uma delas, que é médica, não trabalha no grupo. Mas a casa só fica tumultuada às terças-feiras à noite, dia de reunião da família para o jantar na casa em Caxias do Sul, onde mora. Como em qualquer outra família, é hora de colocar as novidades em dia, educar as crianças e, como ele diz, fazer de conta que não ouve algumas coisas para não ter que brigar. Garante que os netos não gostam muito dele, porque ele é muito rígido. O genro discorda com um silencioso manear da cabeça.

– Quando os netos chegam é uma alegria. Quando vão embora, é um alívio – se diverte.

Ele nega ser brabo. É exigente, e isso em todos os sentidos, seja no trabalho ou na vida pessoal. Dona Nilva bem sabe. Apesar de Raul garantir que ela é mais zangada do que ele, tinham um trato: o castigo certo vinha na hora certa, e um nunca desautorizava o outro, mesmo que discordassem. Até hoje é assim. E ele se apressa a dizer que tem muito orgulho dos filhos e que está muito contente em ver suas 10 empresas bem dirigidas, com a família unida.

Só sente, de vez em quando, que os compromissos da vida social o fazem sair mais do que gostaria, beber e comer mais do que deveria e se cansar mais do que pretenderia. Acredita, no entanto, que é isso que o mantém vivo, que o deixa sentado na sala envidraçada da casa em Vacaria admirando a natureza, pensando na vida e nos inúmeros projetos que ainda pretende realizar. Acredita que talvez não sejam necessários 50 anos mais, 20 já seriam muito bom.

13 de ago. de 2010

A BALANÇA DA VIDA

ABRAHAM SHAPIRO

Era uma vez, Horácio, um comerciante perito em passar pessoas para trás. Ganancioso, ardiloso, porém, carismático no falar e vender. Enganava bem as pessoas fazendo-as vê-lo como generoso e justo. Ele as instruía através de comentários bondosos sobre seus atos. Dava livros aos funcionários e os lia em seções conjuntas para que pensassem que ele se preocupava com seu desenvolvimento profisisonal. Chegou a chamar suas seções de exibicionismo de escola profissional.

Sua natureza era interesseira e malvada. Prejudicava familiares, criticava o próprio pai publicamente chamando-o de fracassado, lesava sócios e funcionários em acertos de contas e mostrava inveja incontida por quem alcançasse qualquer patamar de sucesso.

Quem o conhecia não lhe poupava maledicências. Inimigos dele eram gente de todos os segmentos, além dos consangüíneos, é claro. Mas por seu talento e magia pessoais enfeitiçava gerentes e colaboradores a ponto de fazê-los  falsas testemunhas seus contra aqueles funcionários que o levassem aos tribunais por qualquer tipo de reclamação.

Certo dia, um de seus gerentes  teve problemas de saúde. Por cumprir ao longo de anos pesadíssimas cargas horárias de trabalho os danos se diversificaram e agravaram. Um médico prescreveu-lhe medicamentos pesados. A situação complicava-se a cada dia até que, sem opção e já em estado de saúde bastante debilitado, o tal fulano foi obrigado a demitir-se da empresa.

Horácio o desmoralizou publicamente diante de clientes e colegas por esta  opção. Desclassificou-o  culpando-o pela queda nas vendas da empresa nos últimos meses de sua gerência.

É fácil imaginar como a história termina. Aquele gerente que, por vezes fôra um dos mentirosos em favor do Horácio nos tribunais era agora vítima do mesmo ardil. Seu acerto de contas foi uma traição miserável, uma vergonha. Por falta de provas documentais, foi-lhe quase impossível reclamar à justiça contra o imoral acerto imposto.

A lição que ficou foi dolorosa, porém, real e prática. O que fazemos contra os outros, nunca imaginamos que um dia também será contra nós. A lei da vida é severa em realação a isto. Cedo ou tarde a balança da justiça natural pesa bons e maus, e a recompensa ou punição chega.

Conselho? Vou colocar de modo irônico: fique do lado de quem passa  outros para trás, e logo chegará a sua vez. E se assim não for, cuide-se mais ainda, pois você poderá estar sendo contado como cúmplice.
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12 de ago. de 2010

TRABALHAR FAZ BEM

ABRAHAM SHAPIRO

Numa visita de rotina, o diretor da empresa chega ao setor de produção e pergunta ao encarregado:


- Quantos funcionários trabalham nesta área?


Depois de pensar, ele responde:


- Bem. O senhor quer saber os que trabalham? É mais ou menos a metade dos que o senhor está vendo aqui.

Nem todo mundo trabalha com afinco. Há muita gente dispersiva, fazendo de conta que trabalha. As razões?
Não tem foco - e não faz questão de tratar disso para se curar.

Grave, porém, são os funcionários que até agora não receberam treinamento sobre "o que" e "como" deveriam estar desempenhando suas funções e têm que vir à empresa diariamente. Eles se veem obrigados a fingir domínio pleno do que fazem. Alguns se tornam realmente bons nisso - melhores que artistas de teatro. Outros só reclamam de tudo, e se ocupam disso o tempo todo. Há, também, aqueles para quem ser desprezível tornou-se uma opção de vida, afinal,  nada querem  além de prazer e tranqüilidade. E já que ser digno exige esforço, para que se esforçar?

Os que de fato trabalham - uma minoria - não olham para obstáculos. Eles se viram, aprendem e se desenvolvem, além de sua capacidade de compreensão que cresce demais em função disso. Nas últimas décadas, muitos destes foram em busca de melhores oportunidades no exterior. Alguns dos que criticam a jornada brasileira de 8 horas diárias se submetem ao regime de 16 ou 18 horas lá fora. Comem e dormem mal, são considerados pessoas de segunda categoria naqueles países e economizam cada tostão que ganham. Não têm acesso à informação, não lêem e não estudam. Quando retornam ao Brasil, alguns se sentem desajustados e consomem anos para se conectar novamente à realidade local. Mas estes apresentam a vantagem de trabalhar por dois ou três daqueles outros.

Trabalhar é bom – com conhecimento, habilidade  e disposição. Se a empresa não lhe proporciona isto, tome você a inciativa de aprender a desempenhar bem o seu papel e busque alta performance. O maior prazer não reside em receber elogios de outros, mas em constatar por si mesmo que você é capaz de atingir suas metas pessoais e até de excedê-las quando assim lhe convier.
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11 de ago. de 2010

SALÁRIO É SALÁRIO

ABRAHAM SHAPIRO

O Francisco pediu demissão de seu emprego. No acerto rescisório uma decepcionante surpresa: o patrão recusou-se a considerar a parcela de salário que pagava "por fora". Isto representava 70% dos ganhos. Agora, Francisco está arrependido por ter confiado no ex-patrão que, por sua vez, teme uma denúncia trabalhista do ex-empregado. Na verdade, esta é só mais uma deste empresário, pois já é um campeão de processos. O clima entre eles é de guerra.

Chama a atenção o fato do patrão ser religioso, orgulhar-se de ser justo e cumprir suas obrigações, e de fazer caridade. Ele é quem diz isso.

As colunas sociais dos jornais da cidade o chamam de "homem de negócios". Será mesmo? Isto é ser homem de negócios? Se ele realiza os seus feitos com os impostos que deixa de pagar, que tipo de gente é? Como deveria ser chamado?

Por mais dura e difícil que seja, uma lei é e será sempre melhor do que qualquer acordo particular que a desconsidera.

O maior benefício de uma lei trabalhista, por exemplo, é o suporte dado pelo Ministério do Trabalho, pelos sindicatos e pelos tribunais em respaldo aos empregados que a ele se submetem. No caso do Francisco, nem mais recorrer à justiça será possível pois não há como provar os seus ganhos "por fora"!

O patrão se ri dele. Mais uma vez conseguiu que tudo lhe fosse conveniente.

E quanto a você? Pense bem quando a ganância lhe induzir a excluir o governo a fim de facilitar as coisas. Não seja tolo. E se for empresário, não enverede por este caminho. Um dia custará caro.

O correto é fazer a coisa certa, dormir tranqüilo e ter paz com todos os homens. E quanto a D-us, não vá pensando que se pode enganá-Lo com palavras, cânticos, moedinhas ou visitas a um templo.
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10 de ago. de 2010

O GERENTE QUE TEM TEMPO

ABRAHAM SHAPIRO

Você é um gerente. Como está a sua agenda? Lotada? E se eu lhe perguntasse: "Quando você pode me atender?"

O livro "O Gerente Minuto" fala de um gerente que respondeu: “Qualquer ocasião nesta semana será ótima, com exceção de quarta-feira pela manhã”? E o próprio autor questiona, um tanto ressabiado: "Que tipo de gerente dispõe assim de tanto tempo?"

Eu me aventuro a uma resposta: "O gerente que segue um ritual virtuoso, que poucos estão dispostos a adotar. Alguns por preguiça, mas a maioria escandalosa por inépcia.

Vejamos de perto que ritual é este.

Ao contratar um subordinado, o gerente o submete a um treinamento no qual serão mostradas e praticadas as atividades que este irá desempenhar. Ele dará ao novato saber as responsabilidades de sua função, além de “como” e “quando” serão cobradas.

A filosofia é simples: “Nada de surpresas!”. Desde o começo cada um sabe o que se espera dele. Tudo é exposto em termos mensuráveis e práticos.

Este gerente permanecerá próximo e disponível nos primeiros passos do iniciante até que esteja seguro em seu exercício. Aí, então, revela o grau de autonomia que terá e o desempenho que dele é esperado. Caso não corresponda às expectativas, será substituído.

O benefício desta tática? Quanto tempo você dedica a solucionar problemas que seus funcionários deviam resolver? Se todos dependem de você é porque faltou clareza. Há um equívoco. E isto irá depender de muito treinamento.

Um gerente ajuda o subordinado nas ocasiões mais difíceis de superar, mas não em qualquer situação.

Acabamos de provar, portanto, que “não tenho tempo” é, na verdade, a desculpa padrão com que muitos gerentes já se viciaram em justificar sua incompetência.
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9 de ago. de 2010

INFELIZES VENDEDORES DERROTADOS

Artigo publicado no JL - Jornal de Londrina, em 09/08/2010, na coluna Profissão Atitude

ABRAHAM SHAPIRO

Novamente estou diante do desafio de avaliar uma equipe de vendedores e promover mudanças. A empresa necessita melhorar faturamento e lucratividade. A reestruturação conta com o apoio de uma conceituada agência de propaganda. É coisa de gente grande.

No meio de qualquer ação para aumentar a receita financeira, estão as pessoas de vendas. Se não forem suficientemente capacitadas para enfrentar o mercado, mudança alguma produzirá efeito. Ou são profissionais, sabem e vendem; ou são amadoras, enganam e criam desculpas para a ausência de resultados.

Ali são doze profissionais. Dois têm excelentes condições de negócios. Dez apresentam superficial conhecimento de produto e técnicas de venda na base da intuição.

A empresa está investindo na vinda de instrutores da fábrica para desenvolver a equipe no quesito produtos. O obstáculo para o êxito deste projeto, contudo, é o que os dez funcionários pensam de si próprios. Eles se acham perfeitos. E dizem que a razão daqueles dois serem bons é a motivação.

O número de pessoas que veem na motivação a solução mágica para todos os problemas em negócios chega a ser enervante! E há caça níqueis - canalhas - de sobra ganhando dinheiro às custas desse povo.

Eles agora pleiteiam o patrocínio da empresa para sua participação em um grande evento de vendas anunciado na cidade. As propagandas prometem “a salvação profissional” de todo vendedor. E eles acreditam!

Evento algum debaixo do céu resolverá deficiências individuais de vendedores em conhecimento de produto e técnica de venda.

Os pobres iludidos não veem que os dois colegas campeões só o são porque têm conhecimento. Papam premiações pela dedicação a produtos e técnicas. São motivados sim, porque sabem vender. E sabem por que estudam.

Você deseja vender mais? Inspire-se e estude. Trabalhe duro. Não há milagre nisto. Nem remédio, reza ou pajelança. Há, sim, desenvolvimento pessoal. Esforço e dor.

Não gaste dinheiro com promessas milagrosas! No fim das contas, elas em nada diferem daquilo que as pessoas procuram debaixo dos sapatos quando o cheiro do ambiente fica repentinamente desagradável.
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6 de ago. de 2010

PLANOS, PLANOS E MAIS PLANOS

ABRAHAM SHAPIRO

Há várias lições de negócios que passam de geração em geração, o que é perfeitamente normal, já que o ser humano troca, adquire ou dispõe de objetos e bens desde os tempos mais antigos registrados por arqueólogos e historiadores.

Algumas condutas são chaves e curiosamente versáteis – revelam-se eficazes em todos os tempos. Uma das mais sábias é a que  ouvi de um senhor Judeu, homem inteligente e sábio, que viveu quase cem anos de existência, tendo dedicado grande parte deles ao comércio, com paixão, entusiasmo e invejável sucesso.

Eis o que ele me ensinou:

“Planos? É preciso saber como lidar com eles.


O melhor que você pode fazer por seus planos é mantê-los em segredo. Caso tenha de dividir com alguém, compartilhe-os somente com pessoas comprometidas com as suas causas, que sejam confiáveis, discretas e tenham a capacidade de vê-los como assuntos invioláveis e sigilosos. Observe que este critério elimina 99,9% das pessoas de seu convívio.


Quanto ao hábito de sair por aí divulgando suas idéias e visões, pense nisso como uma atitude contraproducente e comprometedora. Pode acabar despertando contrariedades ou até  inveja de pessoas despreparadas para conviverem com o esforço positivo dos demais.


Guarde-se da atenção excessiva de outros. Não queira se aparecer pura e simplesmente. É melhor até detestar isso. Entre os olhos de milhares há centenas que atuam como armas poderosas mirando para “atirar” precisamente em você. Proteja-se disso pelo silêncio e mistério. Firme-se, acima de tudo. E depois fique muito firme, o tempo todo. Ponha seus planos em prática e, após vê-los realizados ou mesmo em adiantado andamento, publique-os - somente se for necessário. Caso não seja preciso, continue como se nada tivesse acontecido.


Quanto menos exposição de seus planos, menos amargura e decepção você terá".
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5 de ago. de 2010

DILEMA NA EMPRESA: FUTEBOL OU CARREIRA PROFISSIONAL?

ABRAHAM SHAPIRO

Atuei numa empresa junto a uma equipe em que o chefe era tão autoritário que os membros de sua equipe se empenhavam mais em fazer parte do time de futebol que ele mantinha do que de atuar como os profissionais de que a empresa necessitava.

Certo dia, mostrei-lhes que não deviam entrar neste jogo. Eu lhes disse: “Vocês não têm que atrair atenção dessa forma. Não faz sentido. Chega a ser infantil. Carreira profissional não é sorte ou azar. A melhor forma de chamar a atenção na empresa é pela competência, pelo planejamento e realização de objetivos”.

Muitas empresas têm o hábito de criar eventos sociais e esportivos para promover a camaradagem entre os profissionais. Julgam que estão construindo uma nova família. Isto não funciona! Empresas não são famílias. Colegas não são amigos. Por que não? Amizade pressupõe cumplicidade. No que se transformaria cumplicidade e trabalho?

Ninguém precisa deste tipo de admiração do chefe. Mesmo quando o chefe é um psicopata.

Postura profissional deve ser sempre reavaliada a fim de se melhorar. Assim como o mercado - e como tudo no mundo - fazer carreira é algo que sofreu grandes mudanças.

Estamos vivendo a sociedade do conhecimento, onde a informação e as competências reduzem a necessidade da importância do capital financeiro. A regra é valorizar as pessoas. Estes novos tempos pedem novas organizações e, em especial, novos líderes – mais profissionais, abertos e resilientes.

O novo líder não é quem detém o poder hierárquico, mas aquele que mobiliza e influencia a equipe a fazer o que deve ser feito. Antigamente, para fazer carreira o mais importante era não errar. Hoje, na luta por novos mercados e com a ênfase em resultados, faz carreira quem resolve, inova e cria soluções vencedoras.

A propósito, voltando àquele chefe durão que tinha um time de futebol, a diretoria foi enxergando que de profissional ele não tinha nada. Colocaram alguém para absorver as atividades que ele desenvolvia, e pouco tempo depois o substituíram. Tiveram visão e usaram a inteligência - ainda que um tanto atrasadas. Contudo, estão de parabéns. É isto que se faz com chefes renitentes e burros.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473

3 de ago. de 2010

COMO SOBREVIVER NO VAREJO

ABRAHAM SHAPIRO

Um dos principais problemas enfrentados por muitos varejistas é a falta de diferenciação entre os concorrentes. Isto faz os consumidores verem as lojas como commodities. Sei que você já sabe disso.

Uma maneira de enfrentar esse problema é focar na melhoria da experiência dos consumidores na loja. Já pensou? Isto envolve mais itens do que apenas os serviços prestados – embora eles sejam importantes – e inclui todos os elementos que influenciam os consumidores como o layout da loja, as sinalizações, a iluminação, os serviços, a facilidade e rapidez de todas transações e do atendimento.

É muito importante também que os clientes encontrem o que procuram. Ter o estoque certo na hora certa é crucial. Como? É "estado da arte". É perseguir este ideal de modo quase fanático.

Nos próximos anos, os melhores varejistas do mundo irão cada vez mais se concentrar em oferecer aos consumidores uma experiência agradável, informativa, divertida e simplificada. Hoje, alguns varejistas de destaque já estão praticando iniciativas voltadas para a experiência do consumidor que lhes permitem se diferenciar e manter seu poder de preço.

Algumas cadeias de supermercado concentraram-se em criar um ambiente festivo, de mercado de rua, que faz da compra de alimento um evento prazeroso.

Varejistas de livros e música concentram-se na possibilidade de o consumidor passar tempo folheando livros ou ouvindo música em um ambiente confortável. Algumas lojas de departamentos trabalham para eliminar o aborrecimento de transações separadas para cada departamento. Como alternativa, embora ainda com foco no comércio próprio das lojas de departamentos tradicionais, estão copiando o apelo amigável ao cliente das lojas de desconto, oferecendo caixas centralizados, carrinhos de compras e corredores largos com ampla sinalização.

A palavra de ordem é proporcionar uma experiência. E se possível: memorável.

Quem lê Tom Peters já está familiarizado com estes termos e ideias. Há outros tantos consultores que seguem esta linha. O difícil é pôr em prática. Sem planejamento e marketing adequados, tudo não sai da esfera degradante da tentativa e erro, o que invariavelmente acaba custando caro e produz resultados traumáticos e por isso insalubres.
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2 de ago. de 2010

UM DIFERENTE CONCEITO DE RIQUEZA

Artigo publicado no JL - Jornal de Londrina, em 02/08/2010, na coluna Profissão Atitude.

ABRAHAM SHAPIRO

Em “A Ética dos Pais”, um dos tratados do Talmude da Babilônia, existe um curioso conceito de riqueza, proposto pelo sábio Ben Zomá. “Quem é rico?”, pergunta ele. “Aquele que se alegra com o seu quinhão”, responde. Eis um ponto de vista, pelo menos curioso, estabelecido há mais de dois mil anos. Parece simples. Mas todos sabemos quão difícil é se alegrar com a própria porção, e igualmente encontrar alguém que consiga isto.

Se buscarmos luz entre os discursos da sabedoria do povo de Israel, encontraremos alguém que disse: "Aquele que tem cem, deseja duzentos. E o que tem duzentos, quer quatrocentos”.

Outro erudito teria pronunciado: “Todo homem vai embora deste mundo sem ter alcançado sequer um terço daquilo que almejou possuir”.

É tentadora a comparação entre os ditos destes rabinos. Ao fazê-lo, fica a impressão nítida de haver uma certa contradição entre eles, vez que a metade de quatrocentos é duzentos, e a de duzentos é cem. Qual a razão daquele sábio ter dito que “Todo homem vai embora deste mundo sem ter alcançado sequer um terço daquilo que almejou possuir”?

Na verdade, não há controvérsia alguma aí. Para entender as duas propostas é preciso lançar vistas à pura essência do comportamento humano no que concerne a dinheiro e bens.

O real sentido de "quem tem cem, deseja duzentos, etc...” é o seguinte: aquele que conseguiu cem, almeja “outros duzentos”, e não apenas mais cem. Consiste em juntar duzentos aos primeiros cem que ele já conseguiu. O resultado final seria trezentos. Quanto representa cem sobre trezentos? Um terço. E assim será sucessivamente com qualquer quantia.

Se este indivíduo que conseguiu cem partisse deste mundo agora, ele teria obtido a metade de duzentos, é claro. Mas ele não queria duzentos. O seu propósito em vida era cem mais duzentos, ou trezentos.

O que explica este comportamento?

Conseguir cem requer esforço, estratégia, desenvolvimento, competência e experiência. Tendo alcançado cem, este homem não mais deseja percorrer o mesmo caminho. Por isso, ele buscará um novo desafio, isto é, duzentos. Ele ainda não sabe qual força demandará para a conquista de duzentos. O seu novo estímulo se resume nisto.

É natural ao homem investir sua luta na busca de metas ainda não conquistadas. Assim é um homem comum. E também assim são as pessoas que conduzem suas vidas por este pensamento dia após dia, ano após ano, até a morte. Daí a imensa dificuldade - quase impossibilidade - de se alegrar com o próprio quinhão.

Podemos concluir, portanto que a riqueza segundo a ótica de Ben Zomá nada tem de natural e comum. Não se aplica ao homem natural e comum, mas ao sobrenatural e incomum – àquele que se refina na alma, que se eleva em seus sentimentos e subjuga os seus desejos. Este se alegrará com o seu quinhão.

E daí? O que diz? Você é rico?
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O VAREJO E A CAUDA LONGA

ABRAHAM SHAPIRO

Algo interessante está acontecendo no mundo dos negócios do varejo. E tem a ver com cadeias menores de foco mais restrito.

A população dos países desenvolvidos ficou mais fragmentada em termos de renda e comportamento de compra depois da crise de 2009. O mercado de massa se saturou.

No mercado de massa, os varejistas tornaram-se mais centrados na competição de preços. As margens são forçadas para baixo. Eles deixam de fornecer aos consumidores ofertas realmente diferenciadas.

Eles começam a ver que há oportunidades de nicho, algo que advém do conceito da “cauda longa”, uma estratégia que pode ser bastante lucrativa.

Mas o que é “cauda longa”?

A distribuição da renda do consumidor em qualquer país se assemelha a uma curva em formato de sino que os estatísticos chamam de Curva de Distribuição Normal.

O meio deste sino é o mercado de massa, onde fica a maior fatia de renda e concorre a maioria dos varejistas. As pontas da cauda são menores, representadas por uma fatia menor de renda. Essas pontas têm sido freqüentemente ignoradas pela intenção dos varejistas, pois só olham para o meio.

Mas a tecnologia da informação tem mudado muito. Hoje é possível operar uma carteira de negócios pequenos e direcionados de modo tão eficiente quanto uma grande empresa. Assim, os varejistas que procuram crescimento podem investir em novos negócios segundo o conceito da “cauda longa” em vez de ampliar os formatos de mercado de massa existentes.

Considere, por exemplo, um varejista de alimentos que opera supermercados voltados para as massas. Em vez de abrir mais lojas em um mercado já super saturado e competitivo, ele pode desenvolver novos formatos destinados a vários nichos de consumidores. Isso pode incluir compradores abastados interessados em alimentos orgânicos ou não transgênicos, por exemplo. Pode atender à baixa renda interessada em refeições prontas baratas. Ou, talvez pessoas com tempo disponível para procurar um ambiente e agitação como em um mercado de rua.

Em um futuro próximo, esses investimentos de nicho provavelmente resultarão em mais fragmentação das experiências do consumidor no varejo.
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Abraham Shapiro é consultor e coach de líderes. Sua filosofia de trabalho, em uma só palavra, é: simplicidade. Contatos: shapiro@shapiro.com.br ou (43) 8814 1473